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Revista Espírito Livre

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EspíritoLivre

Aprile 3, 2011 21:00 , by Unknown - | 1 person following this article.
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1º Hackathon do Governo de Minas Gerais

Ottobre 7, 2013 13:30, by Unknown - 0no comments yet

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O 1º Hackathon do Governo de Minas Gerais começou.

Pela primeira vez o Governo de Minas disponibiliza os seus dados abertos para hackers, programadores, designers, jornalistas, enfim, pessoas criativas e engajadas para criarem colaborativamente soluções tecnológicas a partir de dados estratégicos do Governo.

Será uma maratona de dois dias em que as equipes irão propor alternativas para que esses dados sejam disponibilizados com transparência e acessibilidade, de uma forma que qualquer cidadão compreenda cada um dos números.

Os selecionados serão divulgados no dia 10/10 no site do Movimento Minas.

O 1º Hackathon do Governo de Minas Gerais acontece nos dias 19 e 20 de outubro, no Plug Minas, em Belo Horizonte. Para os participantes não residentes na cidade, a organização do evento irá viabilizar hospedagem, alimentação e passagens aéreas ou rodoviárias.

DESCRIÇÃO DA BASE DE DADOS

O hackathon terá como objeto principal os dados do Portal da Transparência de Minas Gerais. Conheça a descrição do conteúdo do banco de dados disponibilizado, referente ao ano de 2012

  • Arrecadação Estadual:

Possui informações dos tributos arrecadados pelo Estado, incluindo Administração direta, indireta, empresas dependentes e repasses fundo-a-fundo.

Na Administração Direta, pelo fato da centralização da arrecadação, divide-se somente por grupo e classificação da receita. Discrimina valores arrecadados no prazo selecionado.

Na Administração Indireta, empresas estatais dependentes e fundos, como é descentralizada por órgão/entidade, existem informações de qual autarquia, fundação, empresa ou fundo o tributo se refere, além de dividir-se por grupo e classificação da receita, discriminando ainda valores arrecadados no período.

  • Despesa de Estado

Possui informações de todas as despesas do Estado, de todos os entes, órgãos e entidades que utilizam o Sistema Integrado de Administração Financeira de Minas Gerais – SIAFI/MG. Observa a lógica da execução financeira, contendo informações de função, unidade orçamentária, projeto/atividade vinculada, elemento e item da despesa, registros relacionados ao empenho, dados básicos do credor.

  • Dívida Pública

Possui informações de pagamento da dívida pública do Estado, interna ou externa, incluindo separações relacionadas aos juros e encargos e amortizações efetuadas. Incluem dados inclusive da identificação dos contratos relacionados aos pagamentos.

  • Pessoal

Possui dados sobre despesa total dos entes do Estado, incluindo subdivisão por órgãos, em relação ao pessoal ativo, inativo e contratados. Não discrimina dados dos servidores, somente o custo total da despesa pelo período.

  • Repasse a municípios

Possui dados sobre repasse do Estado aos municípios em relação aos tributos ICMS, IPI e IPVA. Trata-se do repasse líquido, a que cada município tem direito descontando-se outras contribuições legais e constitucionais de cada um. Retrata o repasse publicado em portarias mensais da Secretaria de Estado de Fazenda.

A proposta do concorrente deve abordar uma das categorias de dados descritas acima. Leia o regulamento e saiba mais. As inscrições podem ser feitas aqui.

Com informações do Movimento Minas.



O desafio ante um maior acesso à internet

Ottobre 6, 2013 21:29, by Unknown - 0no comments yet

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O brasileiro acessa mais internet. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada na sexta-feira (27/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje somos mais de 80 milhões de internautas acima dos 10 anos de idade. Isso corresponde a quase 50% da população do país. Estamos vivendo a efetiva inclusão digital? Ou se trata apenas de mais um deslumbramento numérico? Longe de respostas unívocas, a análise desta pesquisa suscita discussões sobre o que significa esse montante de usuários no que tange à circulação de informações – leia-se: à prática jornalística.

Os dados são referentes a 2012, mas lançam luz a esse universo tecnológico que tanto influencia a vida social e comunicativa desde meados de 1995 – quando a internet começou a ganhar território Brasil afora. Num ambiente no qual a notícia é o commodity da vez, saber que em todas as faixas etárias houve um aumento no número de pessoas que acessam a internet é um alerta para as (muitas possíveis) formas de informar.

Muitos teóricos vaticinaram profecias sobre as mais diversas óticas – do fim do jornalismo às mais variadas formas de interação. O jornalismo, porém, parece não conseguir passar a fase da metáfora (MIELNICZUK, 2003) e quando alcança o que se conhece por Web 2.0 os resultados ainda são tímidos.

Jornalismo na palma da mão

O que se observa efetivamente no mercado comunicacional brasileiro é um fascínio pelas redes sociais, das de 140 caracteres às de imagens, que só confirmam o quão dependente e narcísica é a sociedade contemporânea. Aliás, no próprio Twitter agora é possível postar fotos como tuítes. O discurso visual, tão característico do ambiente digital, sobrepõe-se mais uma vez ao verbal. Imagem é (quase) tudo.

Porém, no campo jornalístico há que se pensar em novas formas de storytelling, de se utilizar, de fato, a tecnologia intelectual (SODRÉ, 1996) que abunda no ciberespaço. A pesquisa do PNAD, por exemplo, informa que o número de pessoas que têm telefone celular também aumentou: ultrapassou os 120 milhões. Estes dados deveriam incitar os jornalistas e as empresas a produzirem material para todas as plataformas possíveis – tablets, smartphones, celulares e afins.

O chamado jornalismo responsivo deve ultrapassar o campo das ideias e atingir o público em geral, que acessa a internet em casa – a pesquisa do PNAD aponta aumento de 2,5% –, em lan houses ou em qualquer gadget ao alcance da mão. As novas tecnologias, infere-se, exigem uma constante atualização, pois os próprios usuários estão à frente quando o assunto é consumir bens simbólicos via internet. Aos jornalistas e empresas do setor cabe acompanhar atentamente esse cenário.

Reportagens multimídias: cadê?

É possível ler – ou melhor seria navegar? – reportagens que trazem a multimidialidade da qual tantos autores discorrem. Alguém aí por acaso viu “Snow Fall: The Avalanche at Tunnel Creek“? Trata-se de uma reportagem multimídia feita ano passado pelo The New York Times que, inclusive, ganhou um Pulitzer em abril deste ano – o Oscar do Jornalismo americano. Esse modelo de reportagem também tem sido chamado de e-singles: textos multimídia menores que um e-book e maiores e mais interativos que os textos convencionais dos sites jornalísticos.

Unindo texto, vídeo, animação e gráficos, “Snow Fall…” é um ótimo exemplo de como grande parte do jornalismo feito hoje na Web está ainda atrelado aos moldes do que se faz no impresso. Como bem lembra Alzamora (2004), em tempos de superabundância de informação é preciso se pensar num modelo mais preocupado com qualidade e profundidade. Só assim será possível educar e interagir muito mais do que meramente informar e entreter esse crescente número de internautas. E com isso, claro, possibilitar um senso crítico maior ao leitor em meio a essa avalanche de informações e imagens que trafegam no ciberespaço.

Os e-singles de O Globo indicam uma mudança de rumo nesse sentido no Brasil. Mas quem dá mais? Quem no jornalismo on-line brasileiro hoje quer investir em propostas semelhantes? Quem quer, de fato, possibilitar novas fruições informativas aos milhares de internautas brasileiros?

Tecnológico sim, mas sem deslumbre

Não se quer aqui, claro, idolatrar as novas tecnologias em prol de um jornalismo acima de tudo estético. Aliás, meramente estético. Nem se pretende aqui afirmar que todos esses apetrechos tecnológicos irão salvar o jornalismo (e muito menos matá-lo). Porém, é inegável que a prática jornalística mudou com toda essa tecnologia intelectual. Mas como avançar para além de usar meia dúzia de links e achar que está a se oferecer um jornalismo imersivo, uma informação diferenciada?

Talvez a explicação esteja nos salários, na falta de incentivo da própria empresa ou site jornalísticos. Talvez seja porque ainda não compense financeiramente investir em reportagens multimídia. Talvez porque bastam os pageviews que cada site exibe aos anunciantes. No fundo, há muito “talvez” para pouca ação efetiva no que diz respeito a fazer um jornalismo mais atrativo na Web brasileira.

Essa ação, se formos mais além, inclusive perpassa pelo ensino do jornalismo na academia. Não basta ensinar pirâmide invertida ou deitada, explicar valores-notícia e gêneros do jornalismo. Faz-se necessário ensinar isso sim, mas também estar atento às interfaces tecnológicas que tem mudado a forma de se consumir informação. Um jornalismo tecnológico, acima de tudo crítico e preocupado com o interesse público. Esse é o dilema a ser superado.

Vai fazer o quê?

Num país tão grande como o Brasil, não basta ir longe para encontrar pautas interessantes que possibilitam abordagens diferenciadas. E com a facilidade que se tem hoje para apurar, difundir e consumir informações, é difícil entender o porquê de não se experimentar jornalisticamente das novas tecnologias. Com um arsenal de diferentes linguagens à disposição, por que se contentar só com o texto?

Como foi mencionado acima, não se quer aqui profetizar os rumos do jornalismo brasileiro feito hoje na internet. A intenção é lançar um olhar sobre a aparente apatia das empresas – que inclusive cobram aos usuários para, muitas vezes, ler do mesmo material que é vendido nas versões impressas – e dos próprios jornalistas – que parecem não se importar em deixar de lado as muitas possibilidades de se expandir o texto e permitir que o leitor navegue por outros universos informativos.

Se há exemplos interessantes de material multimídia de cunho jornalístico feitos em 2012 no ciberespaço, ano em que cresceu o número de internautas brasileiros, fica desde já o desafio para o setor comunicacional. Pauta é o que não vai faltar em 2014, sendo duas de magnitude ímpar: eleições presidenciais e Copa do Mundo. Parafraseando o quadro do Fantástico, fica a pergunta para o jornalista diante desse cenário: vai fazer o quê?

Por Iuri Barbosa Gomes

Com informações de Observatório da Imprensa.



A vida privada da informação pública

Ottobre 6, 2013 21:29, by Unknown - 0no comments yet

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Em julho passado publiquei um artigo com o mesmo título deste texto no blog de apuração aberta do Arquitetura da Gentrificação (AG), projeto jornalístico feito em parceria com a Repórter Brasil. A proposta é investigar a expulsão direta e indireta de moradores pobres do centro da capital paulista, processo marcado pela hipervalorização do preço de imóveis e encarecimento de custos de vida, e que se intensificou nas duas últimas administrações municipais.

O texto contextualiza o início das apurações das primeiras reportagens e a dificuldade em encontrar as informações de cada pauta. Dificuldade que reside no fato de que, apesar de públicas, essas informações são muitas vezes tratadas por governos e secretarias como se fossem privadas.

Poderia citar diversos exemplos, mas fico com o mais emblemático até o momento, e que se refere à parceria público-privada (PPP) encabeçada pelo governo paulista para a construção de mais de 20 mil moradias de interesse social no centro da cidade. Conhecido como PPP de Habitação, o projeto está em curso desde abril do ano passado, mas até agora a íntegra dos modelos jurídico, econômico e urbanístico que o compõem não foi disponibilizada publicamente para consulta. Por meio de assessorias de imprensa de secretarias, tentamos, por diversas vezes, ter acesso às informações. Estas nos foram negadas sob o argumento de “risco de especulação imobiliária”. Fiz uma solicitação via e-SIC, sistema online de informação ao cidadão do governo do estado que tem como base a Lei de Acesso à Informação (LAI). Recebi como resposta a sugestão de me reportar à secretaria que já havia negado informação antes.

A questão só foi resolvida (em partes) porque tive a chance, dias depois, de participar de um debate em que um dos gestores públicos responsáveis pelo projeto estava presente. Na ocasião, o interpelei e cobrei acesso à integra da PPP, e ele prometeu que a disponibilizaria. Com o registro da promessa feito em vídeo, preparamos um artigo e o enviamos a uma das secretarias requerendo, mais uma vez, acesso ao conteúdo. Dali alguns dias, o projeto estava online no site oficial do governo, mas não na íntegra (e por isso a questão só foi resolvida em partes). O que o gestor disponibilizou foi um trecho do documento que não contabiliza um décimo do que sabemos que existe pronto e não traz informações fundamentais do projeto. Ali se fechava o ciclo da desinformação institucionalizada.

Epopeias

A mesma estrutura opaca e secretista é encontrada em diversas instâncias do poder público, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Ao fazer contato com assessorias de imprensa, tantas vezes o jornalista se depara com respostas genéricas para perguntas pontuais, morosidades inexplicáveis no retorno ao contato feito ou mesmo o absoluto silêncio. Sem falar na epopeia que é passar de um assessor para outro em diversas secretarias até que se descubra em qual delas está a informação requisitada. Quanto aos sites de órgãos públicos, estes repetem a mesma estrutura não conectada e não organizada da distribuição das informações entre as secretarias. É quase um jogo de adivinha encontrar algum dado preciso e atualizado – quando ele existe.

Conquista da LAI

A Lei de Acesso à Informação (LAI), em vigor desde maio de 2012, trouxe como um dos seus principais benefícios a atenção institucional para o fato de que o cidadão (jornalista ou não) tem, sim, o direito de saber o que acontece, em detalhes, na esfera pública. E “direito”, aqui, não é força de expressão, mas de lei federal. Reflexos dessa conquista são as boas tentativas de abertura de dados públicos que vem surgindo, como o site Gestão Urbana, da prefeitura de São Paulo, criado para dar publicidade às discussões com a sociedade sobre a revisão do Plano Diretor.

Apesar de importantes, algumas dessas iniciativas ainda esbarram num aspecto central da informação, que é a arquitetura da sua disseminação. Nesses casos, planilhas, textos, imagens, vídeos e outros arquivos são disponibilizados online de forma pouco intuitiva e lógica, o que afasta o cidadão da informação. Os dados estão lá, mas não estão, porque o caminho até eles não está claro, ou o manejo é cerceado por arquivos fechados, pesados demais, que requerem softwares proprietários ou habilidades técnicas avançadas para serem manipulados/entendidos. Em tempo: tentativas de dar publicidade a dados públicos, ainda que não sejam eficientes, são sempre preferíveis a tentativa nenhuma.

Cultura do sigilo

A LAI representa um avanço no campo da transparência institucional quando exige, na prática, essa transparência dos órgãos públicos. Contudo, a LAI ainda não garante aquilo que é seu cerne: o acesso da população à informação. E a raiz disso é, ao que parece, cultural. Não é que falte a cultura da transparência aos governos, aos gestores, aos políticos, é que sobra a cultura perniciosa do sigilo.

Como é possível então, enquanto jornalista, trabalhar com dados públicos quando eles são tão privados ou mesmo herméticos para os não “iniciados” – que acabam quase ocultos?

Não existe receita pronta, mas algumas estratégias podem ajudar. A insistência em fazer valer o direito à informação (e informação palatável) deve ser um imperativo. No caso das informações sobre a PPP, por exemplo, insisti em frentes distintas: buscamos as informações na secretaria estadual de Habitação, na Casa Paulista (agência do governo estadual), no Instituto Urbem, que desenvolveu o projeto; depois, no sistema de informação online do Estado e, por fim, ao interpelar pessoalmente o gestor público durante um evento. Como última alternativa para este caso, recorreria ao Ministério Público (MP), já que estava claro que a aura de segredo em torno do projeto era incompatível com sua natureza de política pública de habitação. Aliás, o promotor Maurício Ribeiro Lopes, da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da capital, já investiga esta PPP por sua falta de transparência.

Além da insistência, é importante expor publicamente o secretismo institucionalizado não apenas como “mais uma opacidade do governo X”, mas como uma ilegalidade de fato, que independe de partidos, de governos, de secretarias. Se a informação é pública e há lei que obriga sua divulgação, não há justificativa para ela ser tratada como sigilosa, fora aquelas previstas na LAI – que são poucas e bastante específicas. Um dos objetivos da criação do blog de apuração aberta do Arquitetura da Gentrificação é justamente expor essas afrontas à lei e pressionar a administração pública a cumpri-la.

Como toda mudança cultural, ainda leva tempo para que gestores e todos aqueles a eles subordinados assimilem a transparência na gestão da informação pública como uma obrigação que se cumpre, e não como um favor que se faz de má vontade. Nesse processo, o jornalista é ator fundamental a relembrar, com suas solicitações de acesso à informação, que tanto quanto ele presta um serviço público e está obrigado, pela natureza da profissão, a dizer o que sabe, o gestor público tanto mais, sob pena de infringir uma lei federal se não o fizer.

O site oficial do Arquitetura da Gentrificação foi lançado em 18 de setembro com as primeiras reportagens do projeto. Foram mais de três meses de apuração. O site poderia ter ido ao ar até um mês antes, mas dadas as dificuldades para encontrar informações públicas, foi preciso adiar o lançamento. Uma das próximas reportagens a serem publicadas é sobre a Favela do Moinho, a última favela do centro da capital paulista. Estou há mais de um mês investigando o tema, em contato com duas secretarias municipais e dois órgãos estaduais. Para já, adianto nosso primeiro achado: também no caso específico desta pauta, as portas da transparência precisam ser forçadas, um dia e outro, administração pública adentro.

Com informações de Observatório da Imprensa.



Adolescente chinês é preso por ser retuitado

Ottobre 6, 2013 21:29, by Unknown - 0no comments yet

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Na terça-feira, dia 17 de setembro, Yang Hui foi chamado da sua aula de matemática pelo vice-diretor da escola, segundo o jovem estudante de ensino médio relatou a um jornal estatal chinês. O rapaz de 16 anos rapidamente descobriu que tinha um grande problema. Três policiais à paisana e um uniformizado esperavam por ele no gabinete do diretor. Eles perguntaram pelo celular de Yang, depois o interrogaram e levaram para a delegacia para esclarecer outros pontos e, então, trancaram-no em um centro de detenção local. O crime? Ele foi retuitado.

Há duas semanas, o governo anunciou novas regras destinadas a conter o suposto aumento da disseminação de rumores que, de acordo com as autoridades, atrapalham o desenvolvimento harmonioso da internet no país. Poucos chineses acreditam que as novas normas sejam muito diferentes da tentativa anterior – e mais pesada – de checar dissidências online e reassegurar o controle sobre o que a China pensa, fala e tuíta sobre seus líderes. Os termos estipulam que qualquer um cuja mensagem seja retuitada mais de 500 vezes em perfis chineses ou vista por mais de 5 mil usuários pode ser condenado a até três anos de prisão se a postagem original for falsa. Esta é uma das poderosas ferramentas da repressão governamental.

A aventura de Yang começou em 12 de setembro, em Zhangjiachuan, um condado remoto na província de Gansu. Naquela semana, o corpo de um homem foi encontrado perto de um clube de karaokê. Na China, esses locais são fortemente associados à prostituição e ao crime organizado. As autoridades disseram que o homem cometeu suicídio pulando do último andar da construção (versão suspeita, já que o prédio tinha apenas dois níveis, segundo o jornal Los Angeles Times). Em uma entrevista à imprensa chinesa, Yang contou ter ouvido de testemunhas que a vítima morreu depois de ter sido agredida por policiais.

Lei contra rumores

Há cinco anos, Yang provavelmente teria guardado esta história. Mas ele faz parte da geração conectada às redes sociais e, dois dias depois da morte em frente ao karaokê, ele publicou o primeiro de seus posts, agora apagados, em dois serviços chineses de microblogs similares ao Twitter, o China’s QQ e o Sina Weibo. As mensagens questionavam a versão do governo, afirmavam que o dono do clube era um oficial de justiça (aparentemente, a informação não era verdadeira, e o karaokê pertencia à esposa de outro oficial) e convocava protestos (houve realmente um encontro, mas não ficou claro se ele foi gerado pelos apelos do jovem).

“Passaram-se três dias e duas noites desde o assassinato de Zhangjiachuan em 12 de setembro e a polícia ainda não age, a mídia não reporta e as pessoas não sabem a verdade”, denunciava uma das mensagens no QQ, de acordo com o jornal Southern Metropolis Daily que, embora estatal, é bastante independente do governo. “Ele, que morreu, pode descansar em paz, nós vamos buscar justiça por vocês!” Até o dia 20 de setembro, a postagem havia sido compartilhada 962 vezes, conforme dados obtidos pelo Southern Metropolis Daily.

Em algumas ocasiões durante esta sequência de eventos – um pouco confusa pelas interpretações conflitantes e atividades online apagadas – a conduta de Yang descumpriu a lei contra a disseminação de rumores, pelo menos do ponto de vista do governo de Zhongjiachuan. Assim começaram a jornada ao gabinete do diretor e o que parecia ser uma passagem só de ida para a detenção administrativa, sistema que permite à polícia prender criminosos que cometeram ofensas leves por até 15 dias sem uma análise judicial.

Libertado após protestos

A prisão do jovem acabou chamando a atenção: as notícias se espalharam na internet praticamente desde o momento da detenção. Boa parte da raiva das pessoas foi canalizada para a lei a respeito da disseminação de rumores e para o bullying feito contra Yang. A reação tomou proporções tão grandes que alguns termos associados ao caso – como “detenção administrativa” – foram bloqueados das buscas do “Sina Weibo”.

Uma das postagens de protesto dizia que o chefe de polícia local havia comprado o cargo e teve mais de 14.900 compartilhamentos e 5.600 comentários. Ainda assim, não foi deletado nem gerou qualquer forma de processo para o autor. Na verdade, eles surtiram efeitos, e Yang foi liberado da detenção na manhã do último domingo. No mesmo dia, o governo de Zhangjiachuan anunciou a suspensão do chefe de polícia denunciado pelos internautas e a prisão do superior dele.

Este é um pequeno progresso para a luta por liberdade de expressão na internet, afinal, trata-se de uma pequena localidade afastada de Pequim. As punições por lá aplicadas significam quase nada para os líderes nacionais que passaram os últimos dois meses aumentando o controle sobre a internet. A liberdade de Yang pode até ser usada como bandeira pelo partido, sob a alegação de que as regras serão usadas com critérios, diferente do que se teme.

Questionado sobre como a experiência o modificou, Yang respondeu à mídia chinesa: “Eu vou continuar a seguir microblogs, mas minhas postagens serão mais prudentes, baseadas em evidências verificáveis e sem linguagem chula.”

Com informações de Observatório da Imprensa.



Precisa ser mundial a luta por uma internet livre

Ottobre 6, 2013 21:29, by Unknown - 0no comments yet

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Na parte inicial de seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, terça-feira (24/9), a presidente Dilma Rousseff cumpriu o que prometera ao reagir às primeiras denúncias de que o sistema eletrônico de espionagem americano escolhera o Brasil como alvo, e alinhou algumas propostas para um “marco civil multilateral” de governança da internet. O que menos importa na questão é a espionagem institucional. Claro que toda invasão de privacidade precisa e deve ser reprimida, mas não será por tratados internacionais que esta secular atividade será contida. O Brasil e qualquer outro país – independentemente das necessárias reclamações e denúncias públicas – que tratem de investir em tecnologia para proteger seus segredos da bisbilhotagem neste mundo digital sem fronteiras e cada vez menor.

Espionagem à parte, há vários aspectos a serem abordados numa regulação do uso da internet, mas sempre com a preocupação de se preservar sua característica básica, a da liberdade de expressão, também abordada por Dilma.

Em alguns pontos, a presidente relacionou vários princípios que uma governança multilateral da internet deve preservar: ser democrática, estimular a “criação coletiva e a participação da sociedade, dos governos e do setor privado”; ajudar na construção de “sociedades inclusivas e não discriminatórias” e exercitar a diversidade cultural, sem impor crenças, costumes e valores. A não ser em regimes autoritários, não há quem possa se opor a estes predicados. Dilma incluiu, ainda, na sua lista de sugestões, a “neutralidade de rede”, a fim de que não haja restrições ao tráfego na internet “por motivos políticos, comerciais, religiosos ou de qualquer outra natureza”.

O termo é meio obscuro – “neutralidade de rede” – mas designa um vespeiro, em que se engalfinham grandes companhias de telecomunicações, provedores na rede mundial de computadores, de um lado, e, de outro, o usuário – da Google à pessoa que navega na internet em casa, à noite. A briga é mundial. Em busca de mais faturamento, as telecoms querem, no Brasil, nos Estados Unidos, onde for, cobrar tarifas maiores de quem trafega mais na rede e/ou necessita de mais velocidade e espaço para os seus arquivos.

Para Google e grandes sites jornalísticos, não haveria problema pagar mais. Mas não para pequenos empreendedores, por exemplo. Assim, acabar com a “neutralidade de rede” é erguer uma barreira de entrada a novos concorrentes no mundo digital. E, com isso, pulverizam-se duas características pétreas da internet: ser livre e aberta a todos. Parece ilusório levar esta discussão à ONU, como fez Dilma. Não parece, porque é preciso colocar este tema em todos os fóruns multilaterais. Não apenas nas Nações Unidas. A própria presidente deve defender internamente a “neutralidade de rede”, como fez em Nova York, por ser a inclusão deste conceito na proposta de Marco Civil para a internet no país que trava a tramitação do projeto na Câmara.

Com informações de Observatório da Imprensa.