Guerra de informação, jornalistas e perdedores
октября 16, 2013 1:47 - no comments yetA mudança de estatuto do jornalismo e do próprio jornalista ocorre em meio às diversas dicotomias e a mais uma metamorfose do capitalismo. Longe do fim da história, o atual fluxo de instabilidade desafia qualquer profecia. Pensar o jornalismo, entretanto, tem ocorrido de forma mais localizada nos meios de comunicação; e em interfaces pontuais com a história e a política.
Peter Sloterdijk (Regras para o parque humano) associa a sociedade de massa à constituição de novas bases, distantes da perspectiva humanista. A invenção de um espaço contextual diferente da esfera literária para a atividade jornalística (os meios de comunicação) é vazada em um meio tempo entre guerras (1918 con la radio, y tras 1945 con la televisión).
Curiosamente, uma rede construída com finalidades militares foi responsável pela transformação no jornalismo. A internet e a própria informatização cunham modelos econômicos, sociais e políticos, e, apesar de não mudar a essência relacional, parecem forjar de fato um mundo novo. Os atores disputam a informação e o julgamento acerca de sua legitimidade pertence a árbitros que pouco aparecem ou respondem na arena pública.
As regras do jogo
As atuais democracias convivem com ameaças como terrorismo, contrainformação, empresas multi ou transnacionais. Democracias ou não, os Estados nacionais são confrontados com a globalização e a guerra pela informação. O vazamento de informação ou espionagem têm por agentes os WikiLeaks e os países, sem falar de empresas privadas e particulares. Quem decide acerca de sua legitimidade? Quem são os árbitros dessas questões?
Em pleno coração do liberalismo econômico, com a expansão da Ásia, cresce a doutrina da segurança nacional. Nos Estados Unidos, a edição da Lei Patriota permite ao Estado investigar qualquer pessoa e, pelo que estamos vendo, qualquer país. Mas “ora, limitar liberdades que são o instrumento por excelência da democracia para defender a democracia é um contrassenso”, dizia João Almino, diplomata (O segredo e a informação).
Almino comenta que McLuhan teria sugerido censura ou autocensura na Itália para combater o terrorismo, por não se dar a publicidade desejada para seus atos. A publicidade, neste sentido, contrasta com o segredo, a ocultação, a “mentira organizada” (Arendt). Sob uma perspectiva kantiana, todos teríamos direito à verdade e à publicidade; sob a perspectiva maquiavélica, a verdade e a publicidade são elementos que têm seu valor de estratégia.
Sigilo da fonte justifica-se?
Os jornalistas eram aqueles que buscavam e tratavam a informação de interesse público nos meios de comunicação, e costumavam organizar-se em empresas jornalísticas. A crise do capitalismo seria em si ameaça à sobrevivência das empresas, mas a Internet parece ser ainda mais determinante para o declínio dos meios de comunicação tradicionais. Também em crise, por consequente, a identidade dos jornalistas. No Brasil, em parte por decisão legal (a remoção do filtro do diploma pelo STF); de maneira mais ampla, devido à visão do jornalismo-cidadão.
A diluição do estatuto e da identidade do jornalista em vista da ampla participação na produção de informação, do entretenimento e do consumo parece impedir a resposta à questão: quem são os jornalistas? Da mesma forma que é difícil responder acerca de quem é o povo.
Nesse quesito, pode-se dizer que, se há uma guerra em curso, os jornalistas, enquanto categoria profissional, aparentemente perderam a batalha sobre a legítima produção de informação jornalística. Outra pergunta se impõe: a garantia do sigilo da fonte (prevista constitucionalmente) jornalística sobrevive? Dirige-se a quem? O sigilo da fonte como “segredo” defensável na democracia justifica-se?
Ao sabor dos fatos
Ao que parece, para os Estados Unidos, não. Sem falar nas prisões de jornalistas por protegerem suas fontes, descobriu-se que o governo americano investigava ilegalmente diversos jornalistas. O fato recente motivou a edição da lei normativa de Livre Fluxo de Informação pelo Senado, definindo quem é jornalista. Um ato legal que define artificialmente um filtro para a profissão, redefinindo o conceito de jornalismo e de jornalista.
A lei tem importância para nós. A participação das empresas e atores jornalísticos no perverter as regras políticas no jogo da democracia não auxiliou a forjar uma cartografia do jornalismo e parece não ajudar à sua sobrevivência. No mapa das rotas e direções políticas; no jogo, mais político, menos republicano; o jornalismo parece ser mais uma das instituições que são levados ao sabor dos fatos, sem força política para influenciar em seus rumos. Mas observemos.
Por Veruska Sayonara de Góis.
Com informações do Observatório da Imprensa.
Nasce Code.org, instituição sem fins lucrativos criada com o objetivo de difundir o ensino de programação
октября 16, 2013 1:47 - no comments yetUma nova organização sem fins lucrativos chamada Code.org foi criada com o objetivo de difundir o ensino de programação. A entidade já nasce grande, com cerca de dezenas de milhões de dólares em caixa para investimento, com o apoio de grandes personalidades e empresas do mundo da tecnologia.
Uma das primeiras iniciativas será um programa chamado “Hour of Code”, que acontecerá na segunda semana de dezembro. Na ocasião, pessoas sem conhecimento prévio poderão ser introduzidas ao mundo da ciência da computação com material interativo, incluindo tutoriais de Bill Gates e Mark Zuckerberg. A intenção é atingir 10 milhões de estudantes e terá arte relacionadas a Angry Birds e Plants vs. Zombies.
Além dos dois, Google, Microsoft, Amazon, LinkedIn, também estão bancando a organização, dirigida por Hadi Partovi, ex-executivo da Microsoft e investidor-anjo. Apple, Dropbox, Yahoo e EA são outros nomes que apoiam o trabalho da Code.org.
“Queremos retirar o véu sobre esta arte sombria de magia negra que separa você de Mark Zuckerberg”, afirmou Partovi em entrevista durante evento de lançamento em San Francisco.
A Code.org chegou a lançar um vídeo em fevereiro deste ano, no qual celebridades e CEOs de tecnologia falam sobre a importância da programação. O vídeo já foi visto mais de 10 milhões de vezes no YouTube.
A organização deverá fornecer o material para estudantes de várias idades, com o equipamento necessário e conexão à internet, afirma Partovi. A intenção é inspirar os estudantes a explorar a ciência da computação para sua educação e suas carreiras.
Um vídeo sobre o projeto foi lançado:
Com informações de Olhar Digital.
Participe do Festival de Instalação Linux Guarux
октября 16, 2013 1:47 - no comments yetEstá acontecendo em Guarulhos (SP) o Grande Festival de Instalação Linux Guarux. O evento faz parte da Semana de Ciência e Tecnologia da cidade. Qualquer pessoa pode participar.
Para isso, basta comparecer com um computador (notebook ou desktop), até o dia 18 de outubro, das 9h às 16h, no Centro Educacional Adamastor (Av. Monteiro Lobato, 734, Guarulhos). Quem levar computador de mesa não precisa levar o monitor. Mais informações: 11 2475-8610 r. 8884.
Com informações de ARede.
Governo editará decreto para que órgãos federais usem apenas redes das estatais de telecom
октября 16, 2013 1:47 - no comments yetO ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que enviou para a Presidência da República a minuta de decreto que vai estabelecer a obrigatoriedade do uso de ferramentas das empresas estatais para as comunicações de toda a Administração Direta do governo federal.
Entre as medidas, estará a liberação para a contratação direta de qualquer rede de telecomunicações das atuais empresas estatais – Telebras, Dataprev, Serpro e mesmo a RNP (Rede Nacional de Pesquisa). Também será obrigatório o uso do email desenvolvido pelo Serpro, o Expresso, por todos as entidades do Poder Executivo. Segundo o presidente do Serpro, o governo vai economizar R$ 100 por usuário o fim do pagamento da licença. O principal fornecedor ao governo é a norte-americana Microsoft.
Conforme Paulo Bernardo, as regras passarão a ser obrigatórias para toda a Administração Direta (que inclui as autarquias e fundações), mas não precisará ser seguida pelas empresas estatais ou bancos estatais (como Petrobras, ou Banco do Brasil). O decreto irá estabelecer um prazo para a migração de todos os sistemas do governo para o sistema do Serpro, que irá lançar uma nova versão em novembro deste ano.
Segundo o presidente do Sepro, Segundo Mazoni, a versão 3 (V-3) do Expresso, que será armazenada na nuvem, já está pronta, mas ele admite que o ideal é de que rodasse em uma rede governamental, principalmente usando a infraestrutura da Telebras. Mas para reduzir os efeitos de potenciais backdoors, existentes em roteadores estrangeiros, a ideia é utilizar a tecnologia openflow, que retira a inteligência dos equipamentos. Ele acredita que em seis meses pode atender a todos os ministérios.
Ainda não tem uma avaliação de custos, mas como a solução já está pronta e é baseada em software aberto, não será muito significante. Em compensação, os ministérios deixarão de pagar R$ 100 por cada licença, assinalou.
Construção de rede
O ministro afirmou que, no tocante às redes de telecom, onde não houver infraestrutura para aportar as comunicações de todo o governo federal, ela será construída. E a ideia é transferir uma parte dos recursos que serão ecnomizados com as licenças para as estatais amprimorarem seus sistemas. Ele reconhece que mesmo esses sistemas não estarão totalmente protegidos de espionagem, mas pelo menos o governo “vai ter a certeza que as informações não foram abertas espontaneamente para outro governo”.
Com informações de Tele.Síntese.
As principais instituições de Internet abandonam o governo dos EUA
октября 16, 2013 1:47 - no comments yetEm Montevidéu, Uruguai, esta semana, os diretores de todas as principais organizações da Internet – ICANN, a Força-Tarefa de Engenharia da Internet (IETF), o Conselho de Arquitetura da Internet (IAB), o Consórcio World Wide Web (W3C), a Internet Society (ISOC), todos os cinco registradores regionais de endereços IP da Internet (AfriNIC, APNIC, ARIN, LACNIC e RIPE/NCC) — voltaram suas costas ao governo dos EUA. Com unanimidade marcante, as organizações que realmente desenvolvem e administram os padrões e recursos da Internet iniciaram uma ruptura com o domínio dos EUA sobre a governança da Internet que já vem de três décadas.
Um Comunicado divulgado pelo grupo defende a “aceleração da globalização das funções da ICANN e da IANA, para chegar a um ambiente no qual todas as partes interessadas, incluindo todos os governos, participem em pé de igualdade.” Essa parte da declaração constitui uma rejeição explícita da supervisão unilateral da ICANN pelo Departamento de Comércio dos EUA do Comércio dos EUA através do contrato IANA. Ela também ataca indiretamente a abordagem unilateral dos EUA na Afirmação de Compromissos — o pacto entre os EUA e a ICANN que prevê revisões periódicas de suas atividades pelo Comitê Assessor de Governos (GAC) e outros membros da comunidade da ICANN. (A Afirmação foi concebida como um acordo entre a ICANN e os EUA exclusivamente — não teria sido difícil permitir que outros governos a assinassem também.)
Ressaltando o alcance internacional e a determinação do grupo de ter um impacto global, o Comunicado de Montevidéu foi divulgado em inglês, espanhol, francês, árabe, russo e chinês. Em conversas com alguns dos participantes da reunião de Montevidéu, ficou claro que eles estavam pensando em novas formas de supervisão pluralista como um substituto para a supervisão dos EUA, embora nenhum plano detalhado tenha sido apresentado.
Mas isso foi só o começo. Um dia após a declaração de Montevidéu, o presidente e CEO da ICANN, Fadi Chehadé — o homem aceito pelo governo dos EUA para liderar sua instituição central da governança da Internet — reuniu-se com a presidenta brasileira Dilma Rousseff. E nesta reunião, Chehadé empenhou-se em uma audaciosa diplomacia privada. Ele pediu que “a presidenta [do Brasil] leve sua liderança a um novo nivel, para assegurar que trabalhemos juntos em torno de um novo modelo de governança no qual todos são iguais.” Um comunicado de imprensa do governo brasileiro informou que a presidenta Dilma Rousseff propôs uma reunião de cúpula da Internet a ser realizada em abril de 2014 no Rio de Janeiro.
Assim, o presidente da ICANN não só aliou-se a uma figura política que tem feito fortes críticas ao governo dos EUA e ao programa de espionagem da NSA, como articulou com ela a convocação de um encontro global para começar a forjar um novo sistema de governança da Internet que possa ir além do velho mundo da hegemonia dos EUA.
Não tenham dúvida: isto é importante. É a mais recente, e uma das manifestações mais significativas das consequências das revelações de Snowden sobre a espionagem da Internet global pela NSA. Uma coisa é quando o governo do Brasil, um antagonista de longa data sobre o papel dos EUA na governança da Internet, fica indignado e faz ameaças por causa das revelações. E, claro, o regozijo de representantes da União Internacional de Telecomunicação (UIT) poderia ser esperado. Mas isto é diferente. O Estado brasileiro está agora em aliança com os porta-vozes de todas as instituições de Internet que constituiram-se com o desenvolvimento da rede, os representantes do mesmo “modelo pluralista (multistakeholder)” que os EUA se propõem a defender. Você sabe que você cometeu um grande erro, um erro que muda sua vida, quando seus próprios filhos o abandonam em massa.
Também notável é a disposição da presidenta do Brasil em aliar-se abertamente às instituições internacionais de Internet. Há atores politicamente influentes dentro do governo brasileiro, especialmente a agência reguladora de telecomunicações, Anatel, que gostariam de trazer a zona-raiz do DNS para o âmbito da UIT, que odeiam a ICANN, e não gostam de modelos pluriparticipativos de governança. A visão destes agentes é apoiada pelo oligopólio transnacional das telecomunicações que controla as principais redes do Brasil. A presidenta Dilma Rousseff tomou uma posição corajosa contra estas forças e em favor de princípios pluralistas. Receber o CEO da ICANN e sair do encontro com a proposta de uma reunião de cúpula foi também um importante marco político para ela nessas disputas políticas internas.
Nós do IGP só poderíamos manifestar uma satisfação impiedosa com esse rumo que as coisas tomaram. Temos insistido há quase dez anos que o governo dos EUA deveria acabar com seu rol privilegiado e concluir a desestatização da gestão do DNS. Temos argumentado que o substituto adequado para a supervisão unilateral do Departamento de Comércio seria, não uma “supervisão política” multilateral, mas um acordo internacional articulando regras claras sobre o que a ICANN pode e não pode fazer, um acordo que proteja explicitamente a liberdade de expressão e outros direitos individuais, bem como os princípios de governança aberta da Internet. Ouvimos todos os argumentos imagináveis sobre por que isso não tem que acontecer: eles disseram que ninguém realmente se importava com a governança da raiz DNS, disseram que não havia alternativa melhor, disseram que o resto do mundo secretamente queria que os EUA fizessem isso etc etc. Uma combinação de arrogância, complacência e pressão política interna impediu qualquer ação.
Tivesse esse conselho sido ouvido, tivessem os EUA tentado desfazer-se de sua supervisão unilateral por sua própria iniciativa, poderia ter exercido algum controle sobre a transição e feito valer seus apreciados valores de liberdade e democracia. Poderia ter assegurado, por exemplo, que uma ICANN independente fosse sujeita a limites claros sobre a sua autoridade e a novas formas de prestação de contas, algo muito necessário. Agora, os EUA perderam a iniciativa, irremediavelmente. A evolução futura da governança de nomes e números da Internet, pelo menos, não é mais para eles.
(*) Artigo originalmente publicado pelo Internet Governance Project (IGP).
Fonte: RETS











