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Chefe da ONU diz estar ‘profundamente alarmado’ com escalada do conflito na Síria

21 de Fevereiro de 2018, 14:52 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Rua em Douma, Ghouta Oriental. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

Rua em Douma, Ghouta Oriental. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

Profundamente alarmado com o aumento da violência em Ghouta Oriental, na Síria, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reiterou o chamado ao fim das hostilidades para que os doentes e feridos possam ser imediatamente retirados e a ajuda humanitária possa ser entregue àqueles em necessidade.

“Aproximadamente 400 mil pessoas em Ghouta Oriental foram alvo de ataques aéreos, bombardeios”, disse o secretário-geral da ONU em comunicado emitido na segunda-feira (19) por seu porta-voz, Stephane Dujarric.

Guterres disse estar “profundamente alarmado com a escalada da situação em Ghouta Oriental e seu impacto devastador sobre os civis”, disse o comunicado, acrescentando que mais de 100 pessoas foram mortas desde segunda-feira, incluindo ao menos 13 crianças, enquanto cinco hospitais ou clínicas médicas foram atingidas por ataques aéreos.

Mais de 700 indivíduos precisam ser retirados para atendimento médico imediato. Além disso, há informações de bombardeios de Ghouta contra Damasco.

“Ghouta é parte de um acordo de cessar de hostilidades fechado em Astana”, disse o comunicado, lembrando as negociações sobre a Síria impulsionadas por Rússia, Irã e Turquia na capital cazaque.

“O secretário-geral da ONU lembra todas as partes, particularmente os garantidores dos acordos de Astana, sobre seus compromissos nesse sentido”, disse o comunicado.

O secretário-geral pede que todas as partes garantam os princípio básicos da lei humanitária internacional, incluindo o acesso humanitário, evacuações médicas incondicionais, e a proteção de civis e de sua infraestrutura, disse o comunicado.

Ajuda humanitária

Na sexta-feira (16), milhares de civis em Ghouta receberam alimentos e medicamentos depois que o primeiro comboio de ajuda humanitária em quase três meses chegou ao enclave sitiado nos arredores da capital Damasco, disse o principal oficial humanitário da ONU no país.

“Embora este acontecimento seja bem-vindo, é absolutamente insuficiente. As pessoas alcançadas representam 2,6% das 272.500 pessoas necessitadas no leste de Ghouta”, disse o coordenador humanitário para a Síria, Ali Al-Za’tari, em comunicado na sexta-feira (16).

Os suprimentos foram entregues em 14 de fevereiro. A ajuda humanitária não teve acesso à cidade sitiada por 78 dias.

No entanto, outros suprimentos, incluindo água e saneamento, material de educação e itens não alimentares como cobertores e lençóis de plástico, não tiveram autorização para serem enviados nos comboios, disse o oficial da ONU.

Alto-comissário de direitos humanos da ONU pede fim de ‘aniquilação monstruosa’

Desde que o governo sírio e seus aliados ampliaram as ofensivas contra o reduto da oposição em Ghouta Oriental em 4 de fevereiro, ao menos 346 civis morreram e 878 ficaram feridos, a maior parte em ataques aéreos que atingiram áreas residenciais, de acordo com informações documentadas pelo escritório de direitos humanos da ONU.

Noventa e duas mortes de civis ocorreram em um período de 13 horas na segunda-feira (19). Esses números podem ser ainda maiores, representando apenas aqueles casos que o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) conseguiu registrar em meio ao caos e destruição em Ghouta Oriental.

Dezenas de ataques aéreos e centenas de ataques em terra atingiram áreas residenciais em muitas partes da sitiada Ghouta Oriental na segunda (19) e na terça-feira (20), e continuaram nesta quarta-feira (21). A destruição de casas levou ao deslocamento de muitos civis em áreas onde não havia locais seguros. De acordo com as informações obtidas pelo ACNUDH, particularmente mulheres e crianças, estão vivendo em um estado de pânico, buscando abrigos subterrâneos onde ficam privados de alimentação e saneamento.

“Há centenas de milhares de civis presos por mais de cinco anos, sitiados, sofrendo privação de suas necessidades mais básicas, e estão agora enfrentando bombardeios sem cessar”, declarou. “Quanta crueldade será necessária antes de a comunidade internacional dizer com uma só voz que já morreram crianças demais, famílias demais foram destruídas, violência demais acontece, e tomar uma ação decisiva e conjunta para acabar com essa campanha monstruosa de aniquilação”, questionou o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.


Fonte: https://nacoesunidas.org/chefe-da-onu-diz-estar-profundamente-alarmado-com-escalada-do-conflito-na-siria/

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