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Na Índia, mulheres garis criam cooperativa em busca de direitos e de cidades mais limpas

16 de Maio de 2018, 19:08 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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Integrantes da cooperativa são reconhecidas pela autoridade municipal de Pune. Foto: SWaCH

Integrantes da cooperativa são reconhecidas pela autoridade municipal de Pune. Foto: SWaCH

Na cidade de Pune, no oeste da Índia, um grupo de mulheres de castas marginalizadas está na linha de frente de uma campanha para limpar o município.

Pune é onde surgiu a primeira cooperativa de garis autônomas — que também poderia ser chamada de força-tarefa da limpeza. Por meio de um acordo com a Corporação Municipal de Pune, mais de 3 mil trabalhadoras oferecem serviços de coleta de lixo. De porta em porta, elas alcançam mais de 600 mil lares na cidade, reciclando mais de 50 mil toneladas de resíduos por ano.

As profissionais separam o lixo que recolhem em recicláveis — papel, plásticos, metais e vidro — ou resíduos úmidos, que são levados para compostagem. Conhecida pela sigla SWaCH (que em inglês significa Coleta e Manipulação de Resíduos Sólidos), a cooperativa desenvolveu uma operação de compostagem significativa, que transforma o lixo úmido em um valioso fertilizante natural.

Criada originalmente para melhorar as condições de vida de quem tirava sua subsistência de aterros sanitários, a companhia está agora encorajando um novo modelo de descarte do lixo, mais sustentável.

Os impactos ambientais são consideráveis. A SWaCH afirma que, em um ano, a reciclagem do papel que ela coleta evita a derrubada de mais de 350 mil árvores. Com isso, também impede a liberação na atmosfera do equivalente a mais de 130 toneladas de dióxido de carbono.

A separação do lixo é — tecnicamente — obrigatória em Pune, mas nem todos os domicílios seguem a regra. Uma pesquisa recente descobriu que muitos moradores da cidade simplesmente não gastam tempo separando seu lixo. Isso torna os esforços da SWaCH ainda mais importantes.

Também existem benefícios sociais. Mais de 1,2 milhão de pessoas — cerca de um terço da população de Pune — moram nas favelas da cidade, onde há poucos ou nenhum serviço de gestão de resíduos. A SWaCH é uma das primeiras inciativas na Índia a ampliar a coleta de lixo de porta em porta para essas áreas pobres.

Rajani, moradora de Kothrud, no oeste de Pune, onde os trabalhos da cooperativa tiveram bons resultados, está feliz com as mudanças. “Antes, as calhas ficavam entupidas com todo tipo de lixo”, lembra a indiana. “Agora, todo o plástico que costumava entupir as calhas é coletado, trazendo também benefícios para a saúde da comunidade.”

Suresh Jagtap, vice-comissário da Corporação Municipal de Pune, elogiou os esforços de coleta porta a porta da SWaCH. “Na cidade de Pune, esse é um primeiro passo crucial rumo a um sistema de gestão de resíduos mais eficiente”, avaliou o dirigente. Segundo ele, a meta é tornar o sistema abrangente e sustentável.

“Temos nos concentrado primeiro nas favelas e fomos capazes de remover mais de 150 pontos crônicos onde, de outra forma, o lixo se acumularia.”

Mas não foi fácil alcançar essa escala de operação. Em 1993, catadoras e compradoras itinerantes de lixo se uniram na cidade para formar uma espécie de sindicato. Em 2005, criaram formalmente uma Parceria Público-Privada em prol dos Pobres, com o nome SWaCH, uma cooperativa que pertencia integralmente às trabalhadoras e que realizaria a coleta de resíduos de porta em porta.

O número de integrantes cresceu de forma constante desde então. Hoje, 80% dos membros, que são todas mulheres, vêm de castas marginalizadas. Cada associada paga uma taxa anual à organização e um valor igual para sua cobertura de seguro de vida. As trabalhadoras recebem cartões de identificação que são validados pela Corporação Municipal de Pune e lhes dão acesso a outros benefícios, como empréstimos sem juros e apoio educacional para seus filhos.

Uma das forças do modelo da SWaCH foi sua campanha para que as garis sejam reconhecidas como trabalhadoras e para que a coleta seja vista como um trabalho legítimo.

Na Índia, a profissão é vista geralmente como o degrau mais baixo da sociedade. Seu papel é raramente reconhecido ou respeitado. Além disso, a movimentação para repassar a coleta de lixo ao setor privado ameaçava a subsistência das catadoras, que dependem do material reciclável para venda e para ganhar a vida.

A SWaCH ajudou a mudar a percepção sobre as garis, vistos agora como profissionais municipais autônomos. O esforço que elas colocam em recolher, separar, desmanchar e, às vezes, lavar o lixo transforma o material coletado em commodities, que podem ser vendidas como matéria-prima para indústrias manufatureiras. De fato, isso faz das catadoras uma parte integral da cadeia de suprimentos da indústria — e colaboradoras fundamentais para a produtividade e renda nacionais.

Pune foi uma das primeiras municipalidades da Índia a autorizar catadores de lixo e compradores itinerantes a recolher materiais recicláveis, validando seus cartões de identificação com foto. O crachá lhes garante respeito e uma sensação de identidade.

Em 2016, o Ministério do Desenvolvimento Urbano e o Ministério da Água e Saneamento concederam um prêmio oficial à cooperativa, em reconhecimento pelo seu trabalho.

Em 2018, a Índia sediará o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. O tema das atividades deste ano é #AcabeComAPoluiçãoPlástica.


Fonte: https://nacoesunidas.org/na-india-mulheres-garis-criam-cooperativa-em-busca-de-direitos-e-de-cidades-mais-limpas/

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