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Refugiados e empresários debatem inclusão de estrangeiros no setor privado do Brasil

4 de Abril de 2018, 12:00 , por ONU Brasil - | No one following this article yet.
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O congolês Alphonse, à extrema esquerda, optou por se formar em outra área de conhecimento no Brasil para conquistar um posto de gestor em uma empresa multinacional. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

O congolês Alphonse, à extrema esquerda, optou por se formar em outra área de conhecimento no Brasil para conquistar um posto de gestor em uma empresa multinacional. Foto: ACNUR/Miguel Pachioni

Empresários e gestores de recursos humanos reuniram-se na semana passada (28), na sede do LinkedIn, em São Paulo, para debater a inclusão de pessoas refugiadas no mercado corporativo do Brasil. Com a participação de ONGs e estrangeiros que vivem no país em situação de refúgio, encontro abordou benefícios da diversidade no setor privado.

“Muitas pessoas refugiadas conseguem trabalho, mas em posições aquém de sua formação e, com isso, tem seu potencial minimizado”, afirmou o refugiado Alphonse Nyembo, de 30 anos. Há cinco anos em território brasileiro, o congolês, que fala seis idiomas, atua no setor de tecnologia em uma multinacional de telecomunicação.

Mas chegar a essa vaga foi um caminho árduo. Graduado em Jornalismo, Alphonse não conseguiu trabalhar em sua área de formação e decidiu buscar novas qualificações. No Brasil, conseguiu se capacitar em mecatrônica e robótica.

“Há um desperdício de talentos no mercado brasileiro por enxergarem os refugiados sob uma ótica assistencialista e não, dentro das potencialidades que podem ser agregadas às empresas”, defende o congolês.

Uma das pautas do evento na capital paulista, promovido pela ONG Migraflix, foi o relatório “Diversidade Importa” (Diversity Matters, em inglês), publicado pela consultoria McKinsey.

“A pesquisa mostra que as empresas mais diversas são capazes de escolher os melhores talentos profissionais, além de melhorar a relação com seus clientes, a satisfação interna dos colaboradores e o processo de tomada de decisão. Mesmo sendo necessário um período de adaptação de uma pessoa refugiada ao novo ambiente corporativo, como não enxergar o potencial no longo prazo?”, questionou o diretor da Migraflix, Jonathan Berezovsky.

Para Maira Habimorad, presidente do Grupo Cia. de Talentos, o sistema de empregabilidade vigente tem como foco o curto prazo e retorno apenas financeiro. Segundo a especialista, cerca de 65% dos contratantes deixaram de priorizar a universidade e o curso de formação dos candidatos, “pois há um interesse maior pela desenvoltura desse profissional em ambientes de frequentes transformações”.

Na avaliação do gerente de Inclusão da Telefônica Brasil, Djalma Scartezini, “todos nós deveríamos conhecer as pessoas não pelas afinidades entre elas, mas pelas diferenças, porque é com esta perspectiva que soluções inovadoras são incorporadas nas empresas”.

“Se todos os profissionais tiverem uma mesma formação educacional, vierem de um mesmo local e pertencerem a mesma classe social, como esta empresa vai se adaptar às constantes mudanças do nosso tempo?”, perguntou.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) participa em São Paulo e outras capitais brasileiras de projetos de integração local e acesso ao trabalho para pessoas refugiadas. Atualmente, há uma ampla rede de organizações e empresas parceiras que oferecem serviços de capacitação e aperfeiçoamento profissional, ensino de português, revalidação de diplomas e acompanhamento escolar.

Parceiros do organismo das Nações Unidas também desenvolvem projetos de cadastro e encaminhamento de profissionais em situação de refúgio para postos de trabalho no setor privado. Em São Paulo, além do Migraflix, atuam nesse segmento o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR) e as ONGs Compassiva, Estou Refugiado e Missão Paz.


Fonte: https://nacoesunidas.org/refugiados-e-empresarios-debatem-inclusao-de-estrangeiros-no-setor-privado-do-brasil/

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