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luiz skora

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Blog do Skora

21 de Setembro de 2015, 20:36 , por luiz skora - | No one following this article yet.
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Só um bloguezinho despretencioso


Como nascem os bolsominions

19 de Setembro de 2018, 16:46, por luiz skora - 0sem comentários ainda

Há tempos ando intrigado com o potencial eleitoral da candidatura Jair Bolsonaro. Como é possível que tantas pessoas reais, pessoas que conheço, as quais tenho apreço, tenham embarcado nesta insanidade coletiva ao ponto das pequisas indicarem o potencial deste candidato infame chegar ao segundo turno.

Uma candidatura como a de Bolsonaro não é uma novidade nas disputas eleitorais para a Presidência da República. O radicalismo insano e inconsequente que ele personaliza nestas eleições de 2018 é uma cópia em carbono de Levi Fidelix em 2014, 2010; de Luciano Bivar em 2006; de Eneas Carneiro em 1998, 1994, 1989. Toda elas, candidaturas sem um plano ou programa de governo claramente definido, todos eles prometendo um rompimento radical com o sistema vigente sem explicar como se dará este rompimento e, todos eles, se apresentado como os únicos capazes de salvar a nação, de libertar o país do que quer que seja. Todos estes candidatos ‘fora da caixinha’, que ao fim das apurações ficavam sempre com 0,4 ou 2% dos votos válidos apurados, ou mais ou menos, o mesmo numero de malucos que vivem e votam no Brasil.

O Tiozinho chato do churrasco

Bolsonaro é figura com experiência eleitoral, disputa e vence eleições sucessivas desde 1988. Graças a esta experiência, montou para si uma personagem, uma caricatura daquele tio chato que a gente só encontra em churrascos de família que, na mesa, esbraveja preconceito contra minorias, fala das maravilhas dos tempos da ditadura militar, implora pela adoção da pena capital e repete o mantra do “Bandido bom é bandido morto” a cada vez que ouve menção a algum crime e que, depois de tomar duas latinhas de cerveja, desaba no sofá e ronca até a hora de ir embora.

Essa personagem caricata do tio chato do churrasco de família é lugar comum nas eleições para o legislativo em todos os níveis pelo Brasil afora. É uma fórmula que dá certo, muito certo eleitoralmente. Nas eleições de 2010, por exemplo, Jair Bolsonaro foi reeleito deputado Federal pelo Rio de Janeiro conquistando 120.646 votos ou seja, 1,5% dos votos válidos para o cargo. 1,5% deve ser, mais ou menos, o percentual de ‘tios chatos do churrasco’ que vivem e votam no Rio de Janeiro.

Como parlamentar, o desempenho do presidenciável Bolsonaro, sendo insanamente gentil, é medíocre. De 1990 até 2010 (20 anos de mandato), o Parlamentar havia apresentado apenas sete projetos para apreciação de seus pares na casa, em média, um por mandato. Entre eles, tem um de 2006 em que o deputado propõe uma espécie de cota racial para o preenchimento das cadeiras nas casas legislativas ( não, não é piada, o link está aqui ) o projeto ainda está em tramitação.

Nas votações em plenário até 2010, Bolsonaro foi um típico e inexpressivo parlamentar do centão de baixo clero. Sempre votando favorável ao governo, não importando quem fosse governo, seja Collor (PRN), onde ele votou com a manada pelo impeachment; Itamar (PMDB), FHC (PSDB) ou Lula (PT).

Fora isso, o deputado utilizou-se de seu cargo para arrumar encrenca com deputadas e jornalistas do sexo feminino. Todo ano aparecia algum escândalo nos jornais onde o deputado se engalfinhava verbalmente com alguém do sexo oposto, sempre por algum motivo banal e sempre destilando muito sexismo e preconceito. Um deputado com a atitude de um agitador de Centro Acadêmico.

Governo Dilma

Bolsonaro era nada mais que um ilustre, quase desconhecido deputado até o inicio do primeiro mandato de Dilma quando, em março de 2011, o CQC, um programa de TV com bastante sucesso na época, apresentou uma entrevista cheia de polêmicas com o deputado, assim, Bolsonaro foi elevado ao status de celebridade da TV e da Internet, tudo que fosse publicado ou transmitido a respeito dele ou de alguma de suas declarações, se transformava em audiência, em viral.

Imagine que, não fosse esta entrevista para o CQC, é bem provável que Bolsonaro continuasse sendo um ilustre desconhecido para os brasileiros não residentes no Rio de Janeiro, uma espécie de Fernando Francischini, o deputado ‘Tio Chato do Churrasco’ aqui do Paraná. Marcelo Tas, em sua sede de audiência pela polêmica gratuita, pariu um monstro.

Graças a ou se aproveitando da imensa visibilidade a que foi alvo desde 2011, a produtividade parlamentar do deputado Bolsonaro explodiu. Nos últimos oito anos, apresentou mais de 600 propostas, propostas estas que são nada mais que um apanhado muito mal redigido dos desejos de tiozinhos chatos do churrasco espalhados pelo Brasil que, quase sempre, não fazem o menor sentido. Destas, o deputado conseguiu que seus pares aprovassem duas, uma delas, a polêmica lei da fosfoetanolamina, que libera o uso de um medicamento não testado e não aprovado para uso em pacientes terminais, uma irresponsabilidade sem tamanho. Aqui

Em Março de 2013, com o governo Dilma nas cordas, Dilma teve que negociar para tentar manter a governabilidade. Nestas negociações, os governistas se viram obrigados a abrir mão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Com isso, quem assumiu a comissão foi o PSC tendo como presidente, o Deputado Marco Feliciano. Bolsonaro, ainda no PP, mas se aproveitando de sua proximidade com Feliciano e o PSC, entrou na sombra da aba do deputado evangélico e se aproveitou da visibilidade da situação e da comissão para criar ainda mais polêmica. Não foram poucas polêmicas, toda semana tinha um fato novo, chocante envolvendo a truculência do deputado em algum embate contra alguma minoria, a partir de então, o deputado ficou ainda mais conhecido, estava na boca e nas rodas de conversa de todos os brasileiros e as discussões políticas passaram a ser, desde então, meras discussões das polêmicas criadas pelo deputado. Não havia mais limites para o sucesso e Bolsonaro viu nisso a possibilidade de se tornar presidente.

Até aqui, tudo bem, qualquer brasileiro gozando de plenos direitos políticos e sendo filiado a um partido, pode pleitear sua candidatura ao cargo que lhe der na telha. O que não é nada fácil de entender é como que um parlamentar com um histórico de atividade tão abaixo do medíocre, consegue conquistar a preferência de tantos eleitores, usando como argumento apenas sua capacidade de criar polêmicas.

Como é possível?

Frágil democracia

Como já sabemos, a democracia no Brasil é muito frágil, esta fragilidade não está apenas nas instituições democráticas, também está no eleitor que só se interessa ou se envolve com a política durante o processo eleitoral a cada dois anos. As discussões sobre o que está sendo decidido nos legislativos espalhados pelo país não é uma atividade cotidiana. Não se discutem os projetos, propostas, conjunturas. Tudo fica para ser decidido na última hora, na véspera da eleição e assim, o debate eleitoral fica reduzido a simplismos, as soluções mágicas mirabolantes, por mais estapafúrdias que sejam, são as que fazem mais sucesso e, lógico, os candidatos com mais visibilidade antes do período eleitoral, serão também os candidatos com maior potencial de conquistar votos.

Bolsonaro utilizou-se de sua incrível capacidade de criar polêmicas para ficar conhecido pelo Brasil e isso agora se traduz em potencial de votos, o voto pela polêmica do eleitor que não foi preparado e nem tem o interesse de entender como de fato funcionam os processos democráticos e eleitorais.

Criminalização da atividade política

Desde junho de 2013, nas redes sociais e na mídia corporativa, tem havido uma massiva campanha de desmoralização e criminalização da atividade política, todos os políticos são pintados com as cores da corrupção da desonestidade, do enriquecimento ilícito. O debate político deixou de ser uma troca de ideias, uma apresentação de propostas para serem apreciadas e se tornou um espetáculo de trocas de acusações, com a grande mídia corporativa acusando incessantemente seus adversários ‘ideológicos’, os progressistas, encabeçados pelo PT e os canais de mídia independente e progressista, acusando incansavelmente seus adversários ‘ideológicos’ os neoliberais, encabeçados pelo PSDB.

Bolsonaro, fazendo parte do centrão (PP), passou incólume pela guerra de acusações entre tucanos e petistas, seus podres só vieram à luz quando ele já aparecia como forte provável presidenciável e, para o seu eleitor, quando estas denúncias apareceram, já pareciam como denúncias de campanha eleitoral. Para este eleitor de Bolsonaro, o candidato parece ser mais honesto e menos corrupto que os outros, apesar de não sê-lo.

Operação Lava Jato

A operação Lava jato teve inicio em 2009, mas só a partir de 2014 quando foi divulgado que membros do PT e integrantes do governo Dilma estavam envolvidos nas investigações a operação ganhou força na grande mídia e esta mesma grande mídia usando da oparação lava jato quase que como pauta única, se aproveitou das investigações e vazamentos na guerra de acusações entre tucanos e petistas para acusar ainda mais os petistas. De nada importava que o maior número de beneficiados pelos esquemas descobertos pelas investigações faziam parte de partidos como o PP ou o PMDB, o importante mesmo era pintar PT como partido mais corrupto da história.

Bolsonaro apesar de ter estado sempre do lado do governo, não importa qual governo, teve sua primeira experiência na oposição justamente no primeiro governo de Dilma. Apesar também de ter sido eleito pelo PP, o partido com o maior número de envolvidos nos esquemas descobertos pela lava jato, mais uma vez saiu ileso das denúncias e investigações. Se aproveitando disso, chamou para si a responsabilidade de ser o mais anti-petista dos anti-petistas. O eleitor que tem o anti-petismo como sua principal motivação eleitoral, vê em Bolsonaro sua própria imagem, o anti-petismo, onde Bolsonaro é a antítese de Lula.

Neomacartismo

Junto com a lava jato veio também a crise na Venezuela e, logo em seguida, a campanha eleitoral nos Estados Unidos e a aberração Donald Trump que representa a negação do processo político e civilizatório, com isso, ressurgiu das cinzas uma doutrina que já tinha sido ultrapassada no distante 1989 (ano em que Bolsonaro foi eleito pela primeira vez), o Macartismo, doutrina cujo principal dogma é o medo do comunismo - um subproduto da guerra fria, criado da década de 1950 para evitar que cidadãos estadunidenses fossem seduzidos pelos benefícios do comunismo. Esta reinvenção do Macartismo veio ainda mais abrangente, pois como o perigo comunista não existe mais - ou só existe na cabeça de malucos que acreditam nas bobagens de olavo de carvalho e seus discípulos - o neomacartismo incluiu em seu dogma além dos perigos do comunismo, também os perigos do socialismo, da social-democracia e até, pasme, do estado de bem estar social. Qualquer sistema ou projeto de governo que se proponha a reduzir desigualdades sociais, a ampliar direitos dos trabalhadores, de mulheres ou de minorias é agora classificado como perigo comunista e deve ser combatido, deve ser exterminado.

Bolsonaro, apesar de ter sido um grande entusiasta da Revolução Bolivariana até meados dos anos 2000, recentemente abraçou o neomacartismo como ideal e plano de governo e, com isso, conquistou os votos dos olavetes, dos pastores da igreja de Olavo de Carvalho e de seus discípulos e seguidores.

Tucanos arrependidos

Apesar de toda blindagem da mídia corporativa e dos operadores da operação lava jato sempre ocultando denúncias e investigações que envolvessem tucanos, a situação tornou-se insustentável. Depois do golpe/impeachment de 2016, arquitetado pelos tucanos chefiados por Aécio Neves em conluio com a banda podre do (P)MDB, chefiada por Eduardo Cunha, ficou claro para todo mundo o que já era mais do que claro para qualquer um que acompanha os fatos políticos cotidianos. Os esquemas de corrupção envolvendo figuras do PSDB e PMDB são muito mais graves e nocivos para o país do que todas as denúncias levantadas e investigadas pela operação lava jato. Assim, o PSDB está desmoralizado, o presidente do partido, Tasso Jereisati, se viu na obrigação de publicar um mea-culpa pelos erros do partido durante o processo que depôs o governo de Dilma e a consequente participação no desastroso e criminoso governo de Temer, justamente agora que Aécio Neves está a perigo de finalmente ser condenado por seus crimes e Beto Richa, ex-governador do Paraná ter sido preso preventivamente por seu envolvimento em casos de desvios e propinas no estado.

Bolsonaro que estava ao lado de Aécio Neves na última eleição presidencial em 2014, desde 2016 quando pipocaram as denúncias e investigações contra o tucano, tem se esforçado bastante para se descolar da imagem do senador golpista, com isso, vai agregar alguns votos de eleitores que votaram em Aécio em 2014, mas não todos.

Os malucos

Os malucos, os do bloco do quanto pior melhor. Os insanos que acreditam que tendo uma arma na cintura vão se livrar de assaltos ou quiçá, eliminar toda a criminalidade com um único revolver. Os que acreditam mesmo, que dá pra fazer no Brasil uma democracia e uma sociedade igualzinha aos Estados Unidos em apenas quatro anos, sem se darem conta das diferenças e histórias dos dois países e, principalmente que, quando os Estados Unidos surgiram, não havia um Estados Unidos para atrapalhar. Os que acreditam que livre mercado, livre iniciativa e menos estado é uma pilula mágica que resolve todos os problemas, sem ao menos avaliar quais são de fato as causas e desdrobamentos destes problemas.

Bolsonaro é maluco, maluco vota em maluco, eu acho.

Em resumo, votam em Bolsonaro: 

  • os analfabetos políticos inconsequentes; 
  • os admiradores cegos de Sérgio Moro e da Lava Jato ou seja, os anti-petistas patológicos;
  • os neomacartistas - anti-comunistas, anti-socialistas, anti-social-democratas, anti-esquerda patológicos;
  • uma parcela de tucanos arrependidos;
  • os malucos sem noção.

É um bocado de gente, mas não é tanta gente assim, particularmente, acho que Bolsonaro chega no segundo turno, mas na votação pra valer entre ele e qualquer outro candidato, ele fará menos votos que no primeiro turno e não ultrapassa 30% dos votos válidos.

A candidatura de Bolsonaro representa um rompimento com o processo democrático, uma ditadura avalizada pelas urnas e isso não será nada bom para o futuro de 90% dos brasileiros, nos quais, nós nos incluímos.

Pelas movimentações que tenho lido e visto, ao se concretizar os dados das pequisas e não aparecendo e nenhum fato novo que possa embaralhar tudo, tenho a impressão de que o segundo turno se transformará numa espécie de redenção do processo democrático eleitoral brasileiro que está em processo de óbito desde o golpe contra o governo de Dilma. Contrariando todos os analistas da mídia corporativa, depois do golpe/impeachment e da apoteose da operação Lava jato com a prisão de Lula, o PT ganhou força ( apesar da liderança capenga ), o PSDB e o (P)MDB que tinham tudo para saírem fortalecidos destas ações, murcharam e é bem provável que para salvar o PSDB e, junto com ele, a democracia e a república, tenhamos uma Frente Ampla bastante ampla para disputar o segundo turno que unirá PT, PDT, PSOL, REDE os tucanos do PSDB e até algumas correntes divergentes e progressistas do MDB.

Ao final do processo eleitoral de 2018 o Brasil será outro. Ou renovará a democracia ou se afogará na barbárie.

Se Bolsonaro não levar, seus bolsomions vão reclamar bastante, vão clamar por golpe por intervenção dos milicos que, se confirmada esse Frente Ampla-Ampla, não sairá dos quarteis.

Por fim, Bolsonaro sairá bastante fortalecido deste processo, não importa o resultado. Se derrotado, caberá ao candidato que vencer as eleições, reverter este processo de bolsonarização do Brasil dentro dos próximos quatro anos, se não fizer isso, em 2022 eles ganham e cagam com tudo de vez.


Luiz Skora

 



Tomás de Aquino, faz favor de ir ver se eu tô lá na esquina

4 de Setembro de 2018, 16:08, por luiz skora - 0sem comentários ainda

 

Staquino

Não, não entendo patavinas de filosofia, minha formação é na área de exatas e para mim, todas as coisas do universo podem assumir apenas três estados fundamentais: o é; o não é; o não sei, chame um especialista.
Para mim, 2 mais 2 vai ser sempre igual a 4 a não ser que estejamos trabalhando com binários e daí, 10 + 10 = 100

Claro que, apesar de não entender patavinas de filosofia, existem tópicos da filosofia, como também existem tópicos da história que atraem meu interesse e sem pretensão nenhuma, a não ser a de organizar minhas ideias colocando-as no papel, desembesto a escrever a respeito de qualquer assunto, inclusive filosofia.

Que mal pode haver em se fazer isso de maneira inofensiva?

Diferente de certos astrólogos por formação(?), não pretendo me tornar guru de ninguém, nem criar um curso online de filosofia e vendê-lo para incautos, muito menos dividir uma nação inteira graças a textos vídeos na internet, impulsionados por muita grana vinda sei lá de onde, cheios de teorias de conspiração, meias verdades, analises com a profundidade de um pires e que, em fria análise, foi responsável direto pelo fenômeno do antipetismo xucro e a ascensão da abominação política que tem como princípio a negação da política, representada hoje pela candidatura de Bolsonaro a presidência da república.

(?)(A astrologia é uma ciência exata? Humana? Um mero exercício de adivinhação baseado em tabelas desatualisadas com as posições dos planetas?)

 

Bom, vim aqui para escrever sobre Tomás de Aquino e não Olavo de Carvalho, vou voltar ao que de fato interessa.

Estava eu agora a pouco no meio das minhas tarefas cotidianas quando me deparo com o link, CINCO VIAS PARA DEMONSTRAR A EXISTÊNCIA DE DEUS, meus olhos arregalaram!

Como assim? Passei mais de vinte anos da minha vida tentando entender o conceito de Deus, raciocinando a respeito da existência de Deus, arrumando treta com amigos e familiares por a cada dia achar cada vez mais improvável e irrelevante a existência de qualquer Deus ou deuses para, quase trinta anos depois de tanta encrenca, aparecer um texto afirmando que estive sempre errado desde então!?

Tenho que ler esse negócio, sempre é tempo de aprender, reaprender, revisar os próprios conceitos.

O link para o texto está aqui, mas nem precisa clicar, abrir e ler, as mais de mil palavras de completa masturbação mental de Tomás de Aquino no texto, podem ser resumidas em uma única frase:

Não existe causa sem efeito, nem existe efeito sem causa logo, Deus existe.

 

Minha decepção foi total.

 

Como assim? A premissa até pode ser considerada verdadeira “Não existe causa sem efeito, nem existe efeito sem causa”, mas a partir disso concluir que Deus existe é um disparate. Seguindo o mesmo raciocínio eu poderia concluir que qualquer coisa existe e é esta coisa a responsável pela veracidade da premissa.

A premissa já é um fim em si mesma, uma conclusão de si mesma, não carece de um agente sobrenatural que a justifique!

 

Que seja, tentarei ser um pouco menos intransigente, afinal, Tomás de Aquino viveu no século XI, não teve o mesmo privilégio que eu de receber uma bagagem de quase 800 anos a mais de história, de inovações e progressos e é bem provável que durante toda sua vida não tenha tido contato com a mesma quantidade de informação a que eu tenho acesso com uma única googlada. Sem contar ainda que o cara era frade e o trampo que lhe deram, foi o de combinar a filosofia clássica de Aristóteles, Platão, etc. com os fundamentos da fé católica, mais ou menos como fazem hoje certos jornalistas da Globo News, CBN, Jovem Pan, et-caterva, que tem o inglório e ingrato trabalho de nos convencer de que o neoliberalismo é o melhor caminho a ser seguido pela sociedade, mesmo apesar de todas evidências apontarem o contrário disso.

 

Tomás de Aquino é o representante maior da Escolástica, um método de pensar que tinha como objetivo  conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional e, vendo por este aspecto, pelo texto dele que acabo de ler, nada mal! O cara deve ter sido escolhido o funcionário do mês por anos a fio pela igreja católica da época, mais ou menos como a Mírian Leitão é hoje para o Grupo Globo, deveria ser Tomás de Aquino para a Igreja de Roma no século XI.

 

Tanto é que, uns seiscentos anos depois de Tomás de Aquino, um cientista russo, Mikhail Lomonossov*, nos deu a graça da Teoria da Conservação das Massas essa teoria aliada a Teoria da Relatividade Restrita de Einstein, a Equivalência Massa-Energia, um século e meio depois de Lomonossov, decifram a premissa de Tomás de Aquino sem precisar de nenhum deus ou entidade sobrenatural para explicar o fenômeno.

 

*(Tá, eu sei que a gente aprendeu na escola que foi o Lavoisier, mas segundo a Wikipédia a gente aprendeu errado, o russo Lomonossov, publicou suas descobertas 14 anos antes do Francês.)

 

Ou seja, grosso modo:

Não existe causa sem efeito, nem existe efeito sem causa.
Logo, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Logo, a energia é igual a massa multiplicada por uma constante igual a velocidade da luz no vácuo.
Logo, Deus e/ou qualquer entidade sobrenatural é total e completamente irrelevante neste sistema.
Logo, O que existe de fato, são causas e efeitos não importando a ordem destes.

 

Claro que eu poderia ir além disso, discorrendo a respeito das leis da termodinâmica do conceito de entropia e chegaria sempre ao mesmo resultado, mas admito que minhas noções de termodinâmica estão enferrujadas e o conceito de entropia é um negócio tão anti-intuitivo que eu não vou conseguir escrever sobre sem complicar ainda mais o pouco que eu consegui entender a respeito deste conceito.

 

No mais, acho que consegui organizar as ideias, resta-me apenas apresentar uma conclusão:

 

Cuidado com os cliques em links que parecem inofensivos, de tão inofensivos podem fazer você pirar o cabeção, destrambelhar em escrever textão e te fazer perder quase meio dia de trabalho com isso.

 

Obrigado por ler este texto

 


 

Skora

 

 



Lula, Haddad e Manuela

6 de Agosto de 2018, 11:39, por luiz skora - 3333 comentários

Lulahaddadmanuela

Confesso, até ontem eu tinha quase certeza que o candidato a vice de Lula seria a Senadora e Presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Felizmente, eu estava redondamente enganado.

Finalmente, depois de mais de cinco anos, desde junho de 2013, a cúpula petista parece ter acertado uma escolha estratégica.

 

A indefinição na escolha da chapa a presidência da república, a teimosia de parte majoritária da militância e de algumas lideranças com a insanidade do “Ou Lula, Ou Nada”, estava se desenhando como catastrófica, inevitavelmente tiraria o partido da disputa ao Executivo Federal e ainda, contribuiria decisivamente com a institucionalização do processo golpista via sufrágio universal.

 

Não?
Tenta acompanhar meu raciocínio:

Desde o inicio do processo do Triplex no Guarujá, apesar de todas as ilegalidades, imoralidades, falta de provas e evidente perseguição pessoal e política da turma da Lava Jato, do juiz Moro e dos procuradores chefiados por Dallagnol, os advogados de Lula e do PT não conseguiram nenhuma vitória durante todo este processo.

 

- O juiz Moro, condenou o ex-presidente a nove anos de cadeia por um crime inexistente baseando-se única e exclusivamente e suas convicções e em elementos circunstancias das investigações a respeito de um crime de corrupção que não possui elementos de crime, muito menos de corrupção.

- O TRF-4 acatou a condenação do juiz de primeira instância, sem ao menos analisar e ponderar os argumentos da defesa no processo e ainda aumentou a prisão para 12 anos.

- O STF permitiu a imoral inconstitucionalidade de encarcerar um ex-presidente antes do julgamento nas três instâncias e ainda, adia o quanto pode a decisão a respeito da inconstitucionalidade desta prisão em segunda instância.

- O juiz Moro e os Desembargadores do TRF-4 agiram ilegalmente e fora de suas atribuições para barrar o Habeas Corpus cedido ao ex-presidente em 07 de julho.

 

Ora, só sendo mesmo muito ingênuo para acreditar que o TSE liberará a candidatura de Lula para o pleito. Por mais que existam meios e normas legais que permitam a candidatura do ex-presidente, a legislação e o processo jurídico são o que menos importa na atual conjuntura política e judicial no Brasil de hoje. A justiça já atropelou a legalidade e a constituição em todos os níveis do processo contra o ex-presidente até aqui, por que agiriam diferente na hora de liberar sua candidatura à presidência?

 

Vivemos em Estado de Exceção, o Estado Democrático de Direito é letra morta. A justiça no Brasil de hoje tem lado, tem cor, tem partido, tem religião e tem até candidato. É uma justiça parcial que protege aos seus e persegue seus desafetos de todas as maneiras possíveis.

 

E como enfrentar o Estado de Exceção?

 

Não dá para vencer um jogo jogando no campo do adversário e com este adversário alterando as regras do jogo durante a partida e em seu benefício.

 

O que o PT fez foi dar um drible da vaca no Estado de Exceção.

 

Tiraram Lula da disputa sem tirar o Lula da Disputa.

 

Haddad e Manuela concorrem ao cargo colados na figura de Lula.

Lula tem um poder de mobilização surpreendente e deste modo, transfere seus votos e preferências para seus representantes oficiais.

 

Lula, mesmo preso ilegalmente, mantém-se como candidato informal, tendo Haddad e Manuela como sua mão direita e porta-voz.

 

Assim, renasce a esperança de reverter o processo golpista ainda nas eleições deste ano e sem o peso das coligações com o centrão que tantos prejuízos trouxeram ao PT e ao Brasil nas últimas quatro eleições.

 

Claro, o Brasil sofreu um Golpe de Estado e vivemos em Estado de Exceção. Os golpistas ainda podem virar a mesa e encontrar um meio cassar a candidatura de Haddad e Manuela. Neste caso, ainda nos restarão o improvável, Boulos e o menos pior entre os piores, Ciro. Mas isso é assunto para o desenrolar da novela.

 

O momento agora é de celebração pelo fiapo de esperança e pelo espasmo de lucidez vindo de onde menos se espera, a cúpula do PT.

 

Luiz Skora

 



Tentando digerir as causas, origens e alternativas para o caos que nos assola

10 de Abril de 2018, 21:49, por luiz skora - 1616 comentários

 

Caos

 

 

 

Numa leitura bastante superficial da realidade que nos rodeia, temos a impressão de que as atuais crises brasileiras – política, econômica, institucional, representativa, de direitos – têm origens na forma como tem sido conduzida a política no país, na corrupção descontrolada em todos os níveis e no monopólio midiático partidarizado.

Eu aqui, que só entendo um pouquinho de bastante coisa, vou tentar fazer uma leitura das origens e desdobramentos desta crise que vá um pouco além de apenas arranhar a superfície dos fatos, do consenso comum e ordinário. Sem nenhuma pretensão de estar com a razão, meu objetivo é somente desenvolver uma ideia.

Pois bem.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, duas teorias econômicas antagônicas disputam  a hegemonia na América Latina.

A progressista, keinesiana x A liberal, conservadora

Ambas teorias têm seus pontos positivos e negativos e divergem em vários aspectos.

Por exemplo, nas causas da inflação e do desemprego.

Numa leitura bastante simplista

Inflação:
    - Segundo os liberais, a principal causa da inflação são os custos e investimentos do governo que, para gerar recursos, precisa emitir títulos, imprimir moeda gerando assim um processo inflacionário.

    - Segundo os progressistas, a principal causa da inflação, são os processos de oferta e demanda do mercado interno e as relações e flutuações do mercado externo.

Para os liberais, uma economia equilibrada e forte está intimamente atrelada ao controle de gastos e investimentos do governo. Quanto menor os gastos e investimentos, menor a inflação e maior a participação da iniciativa privada nos processos de troca e assim, a economia como um todo, crescerá de maneira sustentável e constante.

Para os progressistas, o crescimento e equilíbrio da economia está intimamente ligado ao endividamento do governo em investimentos na infra estrutura e na liberação de linhas de crédito para que assim a inciativa privada tenha condições financeiras suficientes para se estabelecer e prosperar.            

Ou seja:
Para os liberais, quanto menor a intervenção do governo, maior a liberdade da iniciativa privada e assim, o mercado como um ser ciente se auto regula e prospera.
Para os progressistas, a iniciativa privada precisa do suporte e regulação do governo para que possa prosperar e tornar-se competitiva no mercado.  

Desemprego:
    - Segundo os liberais, a causa do desemprego está no indivíduo. Um indivíduo especializado, bem preparado para o mercado não enfrentará problemas em encontrar trabalho e, conforme se der o crescimento da economia, a própria iniciativa privada, segundo suas necessidades e demandas, se encarregará de produzir sua própria mão de obra especializada. O governo fica fora desta equação.

    - Segundo os progressistas, a causa do desemprego está intimamente relacionada aos investimentos em infra estrutura, financiamentos e flutuações próprias do mercado. Quanto maior os investimentos, financiamentos e controle do governo no mercado, maior será o poder do próprio governo em controlar as flutuações nas taxas de desemprego.

E no Brasil?
No Brasil, de 1945 até 2002, a teoria econômica liberal foi dominante, salvo raríssimas exceções.

Houve uma a tentativa de se implantar uma economia progressista durante o Governo Getúlio Vargas (1951 – 1954 ) e, desconfio, foi este um dos motivos que o levou ao suicídio em agosto de 1954.

Entre 1956 e 1961, durante o governo de Jucelino Kubitschek, uma tentativa mais agressiva e contundente de uma economia verdadeiramente progressista e que, ainda em 1958, ficou conhecida pela expressão “Nunca Fomos Tão felizes”.

Uma nova tentativa de retomada do modelo econômico durante o frágil governo de João Goulart ( agosto de 61 – abril de 64). Mesmo apesar de um mandato conturbado, sofrendo forte oposição no congresso e na imprensa, Jango, que era herdeiro político do governo democrático de Vargas, tentou, além disso, implantar reformas estruturais no país. O que acabou por desembocar no golpe militar de 1964 e todas suas consequências deste golpe, sentidas ainda hoje, 54 anos depois.

Durante todos os outros governos do período (Dutra 46-51, Café Filho, Carlos Luz, Nereu Ramos 54-56; Jânio Quadros, Mazzilli 61; Militares 64-85; Sarney 85-90; Collor/Itamar Franco 90-95) o modelo econômico adotado foi o liberal e, nestes períodos, os resultados práticos foram:

    -O aumento descontrolado da inflação, chegando a 242% em 1985, fim do período militar. E atingindo um pico absurdo de 3.000% em agosto de 1994;
    - Cinco reformas econômicas nos primeiros 10 anos da redemocratização 85-94 (de Cruzeiros para Cruzados, Cruzados-novos, Cruzeiros de novo, Cruzeiros Reais e, finalmente, Reais);
    - Desindustrializção;
    - Aumento galopante nas taxas de desemprego;
    - Enfraquecimento da economia;
    - Aumento da concentração de renda;
    - Aumento da desigualdade social.

O Governo Fernando Henrique Cardoso, na tentativa de contornar as crises econômicas perenes, optou pela radicalização. Não, não adotou o modelo progressista que já havia se provado eficaz para o país, nos curtos períodos em que foi implantado. Radicalizou o liberalismo, adotando o neoliberalismo, modelo que estava dando resultados positivos na Inglaterra e nos Estados Unidos (só esqueceu que modelos econômicos de sucesso para os europeus e norte-americanos, não funcionam do mesmo jeito em economias com dinâmicas completamente diferentes como são as economias da América Latina).

Além de diminuir ainda mais os investimentos em infra estrutura e os financiamentos, FHC diminuiu ainda mais o tamanho do estado dando inicio aos processos de privatizações. Privatizou todas as empresas estatais que teve tempo de privatizar. Não importavam os lucros ou prejuízos destas empresas o que importava mesmo era tirar o controle destas empresas das mãos do governo e entregá-las a iniciativa privada internacional. As empresas estatais que FHC não conseguiu privatizar foram modificadas de estatais para empresas de capital misto (Publico/Privadas).

Com isso, FHC conseguiu controlar um dos graves problemas que assolavam o país desde a redemocratização. Obteve o controle da inflação que a partir de então, não ultrapassou mais que 10% ao ano.

Mas foi só isso, todos os outros problemas foram ainda mais agravados. Desemprego, diminuição da renda do trabalhador, aumento da desigualdade social e concentração de renda, tarifas públicas (luz, água, gás, telefonia, transporte) com aumentos substanciais consecutivos, aumento no número de pobres e miseráveis e serviços públicos cada vez mais ineficientes.

Até que, a partir de 1998/99, pela inexistência de investimentos estatais e, principalmente, pela incompetência da iniciativa privada, os sistema de produção e distribuição de energia no país entrou em colapso. Sem infraestrutura e sem energia, a iniciativa privada não tinha condições de produzir e de ser competitiva, as perspectivas da continuidade do modelo neoliberal eram tenebrosas. Então, o mercado, a iniciativa privada, a população em geral deram um basta ao modelo neoliberal de FHC nas urnas. Lula, o mais influente adversário político de FHC, foi eleito presidente em 2002.

Todos esperavam que Lula, depois de tomar posse em 2003, iria dar inicio às reformas estruturais que o Brasil tanto espera e necessita desde o fim do período imperial. O setor mais aflito com estas reformas era justamente o Econômico. Se bem me lembro, durante o período de transição de governo, Lula se comprometeu a não modificar o modelo neoliberal em troca de, com isso,  receber dos vários setores da sociedade e da economia, um ambiente artificialmente pacífico que lhe garantissem um mínimo de governabilidade.

Lula prometeu e Lula cumpriu. A lua de mel com as elites econômicas e com a imprensa corporativa, durou até a metade de seu primeiro mandato - Até a eclosão do Escândalo Mensalão.     

Porém, descobrimos mais tarde que Lula não era um reformista. Era sim, um exímio conciliador.

Mesmo depois da metade do seu primeiro mandato, bem como, durante todo seu segundo mandato, sob todos os ataques que recebia de setores da elite econômica e da grande imprensa, Lula manteve sua promessa, não trocou o modelo econômico neoliberal pelo modelo progressista/desenvolvimentista. Ao invés disso, a sua maneira, moldou o modelo neoliberal, para que este garantisse pelo menos um mínimo de investimentos federais em setores crucias da economia e liberou linhas de crédito para alguns setores.

Este modelo econômico Frankenstein, mistura de neoliberalismo com progressismo, aliado com políticas públicas de distribuição de renda e para o crescimento da economia, produziram um aumento constante e significativo no endividamento do estado.

O neoliberalismo-progressista, de fato alavancou a economia nacional. Em contra partida, criou um monstro que dificilmente será combatido. Sem uma legislação que o regulasse, criou os monopólios. Empresas e empresários muito bem relacionados nos círculos do poder, ganharam uma certa “facilidade” na obtenção de linhas de crédito. Com dinheiro de sobra, compravam as empresas concorrentes e dominaram os mercados, praticando os preços que bem entenderem, obtendo os lucros que quiserem sem se preocupar com absolutamente nada. Como exemplos: A Ambev, que comprou cervejarias no Brasil e no mundo; A JBS, da Friboi, dos irmãos ‘wesley’, que adquiriram quase todos os matadouros do Brasil e vários matadouros pelo Mundo; As Empreiteiras que se tornaram verdadeiramente competitivas mundo afora, a Kroton que monopoliza a educação superior privada no Brasil e tem ramificações pelo mundo inteiro, mais algumas outras que não vêm ao caso citar. Isso é um problema grave e real, mas que só será sentido de fato num futuro próximo.

O endividamento galopante do estado não ficou em evidência devido ao excelente desempenho da balança comercial. As receitas do estado, cobriam o endividamento da mesma, graças ao saldo sempre bastante positovo.

Daí, veio a crise econômica de 2008, uma crise não da economia clássica, produtiva, uma crise da economia financista de papeis das negociações de divididas que se tornaram insustentáveis, graças a ganância de especuladores e operadores do mercado financeiro que têm como único objetivo lucros astronômicos no menor espaço de tempo possível.
Em situação normal, fosse qualquer outro na presidência, o Brasil estaria extremamente vulnerável à crise de 2008. Já naquele ano, quase metade do orçamento da união era destinado ao pagamento de juros da dívida (ainda é). Pagamento de juros da dívida, grosso modo, é transferência de capital em forma de juros para os acionistas donos do papéis, das dívidas do país. (um assunto muito mais complexo que merece um texto específico).

Lula, numa jogada de mestre, coloca o povão para bancar o rombo da crise financeira (financista) global. Cria mecanismos que incentivam o consumo interno e, este incremento na produção e no consumo interno, garantem um superávit primário que transforma a crise global numa marolinha no Brasil e segura os efeitos desta crise até meados de 2014.   

Dilma, em seu primeiro mandato 2011-2014, segue o mesmo modelo econômico neoliberal-progressista de seu antecessor, modelo que em 2014 apensar do elevado endividamento do estado, atinge seu ápice com uma economia forte e produtiva, taxa de desemprego baixíssima (menor que 5%), saldo da balança comercial bastante positivo e acúmulos de reservas nunca antes vistos na história do país.

Mas daí vieram as eleições, Dilma não conseguiu formar uma base no congresso forte o suficiente para manter a governabilidade, o modelo econômico Frankestein neoliberal-progressista, mesmo com pontencial, já dava sinais de esgotamento e as elites econômicas, financeiras e a mídia não aceitaram os resultados das urnas, queriam a retomada do modelo neoliberal. Deu no que deu.

O segundo mandato de Dilma durou menos de um ano e meio, O executivo ficou engessado,  impedido de tomar qualquer iniciativa. Com o impeachment e o comando do executivo nas mãos de Temer, o neoliberalismo voltou com mais força que nunca antes.

Congelamento de investimentos do governo por vinte anos, reforma ‘trabalhosta’, reforma da previdência em pauta, projetos radicais de terceirização dos serviços públicos, projetos de privatizações de tudo que puder ser privatizado. Enfim, estado mínimo de fato, o sonho de consumo dos economistas liberais e neoliberais colocado em prática.

Se os modelos econômicos liberal e neoliberal, apesar dos números bonitinhos, na prática produzem proliferação da pobreza, da miséria, do desemprego, do subemprego; criam um processo de acumulação absurda de riqueza para um número cada vez mais reduzido de pessoas; promovem a desigualdade social e de renda cada vez mais aguda, reduzem a produção e os salários. Quem ganha com estes modelos econômicos para que tanta gente, mesmo sem se dar conta disso, defenda com unhas e dentes este modelo fadado ao insucesso?

Quem ganha com isso e o que ganham com isso?

Os Neo-monopolistas
Os neo-monopolistas, crias diretas do neo-liberalismo-progresista dos governos petistas, sequer cogitam ter seus impérios econômicos ameaçados por um diferente modelo econômico. Também, não têm nenhum interesse de que algum governo crie regras que possam ameaçar seu monopólios. Para eles, o mundo ideal é um mundo onde o governo interfira o mínimo na economia. De preferência, que o governo não interfira nada.

Só assim terão as condições ideias para adquirir, absorver todas as empresas concorrentes. Assim, com o monopólio total, poderão vender seus produtos pelos preços que quiserem. Com o governo intervindo o mínimo, sem legislações trabalhistas que garantam qualquer direito aos trabalhadores, poderão reduzir seus custos de produção reduzindo salários e aumentando carga horaria. Assim, elevam seus lucros até a estratosfera e, com estes lucros, adquirem e/ou absorvem ainda mais empresas concorrentes aumentando ainda mais seus império. A galáxia é o limite.

Os operadores do mercado financeiro e os especuladores deste mercado
Com um estado mínimo e governo mínimo, as regras são mínimas. Os objetivos deste grupo são conseguir os maiores lucros possíveis dentro do menor tempo possível. Sem regras podem, por exemplo, adquirir ações de um empresa de distribuição de energia e impor que os lucros aos acionistas deverão se de, suponhamos, 300% do custo de produção. Assim, se o valor da tarifa é de R$ 100,00 o valor passa para R$ 300,00 da noite para o dia. Se o usuário não tem condições de pagar este valor, tudo bem. Interrompe-se o fornecimento para este usuário, com isto diminui-se os custos de produção e os lucros sobre os investimentos permanecem inalterados. A Terra arrasada é o limite.     

A mídia corporativa
A mídia corporativa no Brasil já detém o monopólio concentrado em apenas seis famílias e exercem  suas atividades sem qualquer tipo de regulação do estado, fora um ou outro limitador para publicidade que não vem de qualquer órgão governamental, vem de agentes de regulação interna.

A renda destas empresas de comunicação vem basicamente da publicidade então, quanto maiores os lucros e rendimentos das empresas neo-monopolistas do primeiro grupo, maior será o investimento destas em publicidade para conquistar e fidelizar cada vez mais consumidores. Sem regras, diminuirão custos para produção de conteúdo e aumentarão seus ganhos com publicidade. O céu é o limite.

As oligarquias políticas
A oligarquias políticas se perpetuam conquistando e cativando seu eleitorado. Quanto mais fragilizado estiver um potencial eleitor, mais fácil será conquistá-lo com pequenos mimos, pequenas promessas, com soluções paliativas mirabolantes para solucionar os problemas que afligem este eleitor. Com governo mínimo, sem regras partidárias, eleitorais, sem partidos, com candidaturas avulsas liberadas, qualquer método poderá ser utilizado para o convencimento deste eleitor. A monarquia absolutista é o limite


Quais a consequências

Como exposto anteriormente, desde 1945, na maior parte dos governos, o Brasil adotou políticas econômicas liberais e neoliberais. Já sentimos na pele estas consequências: Aumento da inflação; Desemprego; Sub-emprego; Marginalização; Desigualdade Social; Fome; etc.

O Diferencial é que os liberais até os anos 1990, ainda tinham uma certa preocupação nacionalista, ainda se preocupavam com o mercado e a produção internos. Hoje esta preocupação não existe mais, o mercado é global as corporações são globais, qualquer coisa poderá ser entregue ou vendida a quem estiver disposto a pagar o preço.

Mais preocupante ainda. Nem o mais radical dos liberais ou neoliberais do passado, sequer cogitou a possibilidade de se entregar a saúde e a educação publicas aos cuidados da iniciativa privada. Hoje isto é uma pauta, um projeto da economia neoliberal aplicada no país.

Se hoje, com a educação pública já é difícil, quase impossível, que um estudante das classes sociais populares adquira conhecimentos suficientes para competir no mercado de trabalho em igualdade de condições com um estudante de classe média onde a família têm condições de sobra para bancar uma boa educação. Com uma educação pública entregue para a inciativa privada que visará os lucros e terá este aluno como mais um número gerador de lucros, ficará impossível para as próximas gerações se qualifiquem para o mercado. Serão marginalizados.
Mesmo os estudantes com condições de pagar por um ensino de qualidade, terão que se especializar muito mais para conseguir um trabalho bem remunerado. Pois, quanto maior o número de desempregados, menores os salários oferecidos pelas empresas cada vez mais monopolizadas. Sem garantias trabalhistas, sem  previdência, sem saúde publicas, a longo prazo a classe média tende a desaparecer. Restarão apenas uma pequena minoria de super ricos, os pobres e os miseráveis.

Outro fato inédito é a radicalização que veio a reboque do processo de impeachment de Dilma. Esta divisão de brasileiros entre petralhas, coxinhas e isentões (isentões uma pinóia, têm lado, mas escondem), não é uma divisão natural, orgânica. É fruto de um projeto que, vamos chamar aqui de Olavismo Cultural e que tem como protagonistas o próprio Olavo de Carvalho, movimentos como MBL, Vem Pra Rua, Alexandre Frota e outros. Surgiu na internet sem nenhum aporte da mídia corporativa e ganhou uma projeção e alcances absurdos a partir de das jornadas de junho de 2013. Até então eram desconhecidos.

Para ter uma vaga ideia, conheci o ‘trabalho’ de Olavo de Carvalho mais ou menos em 2007, ele tinha um programa “True Outspeak” e aquilo era uma piada para qualquer ser vivente com pelo menos meia dúzia de neurônios funcionais. Tinha não mais que mil seguidores em  seu canal do Youtube.
Como é que, de um dia para outro, em 2013, um palhaço como Olavo de Carvalho ganha dimensão de celebridade da internet, o status de guru e arregimenta um exército de milhões de seguidores e, junto com ele, seus discípulos do MBL e Vem Pra Rua adquirem um sucesso igualmente estrondoso?

Pois bem, mais recentemente, descobrimos que Olavo de Carvalho é financiado pelo Partido Republicano estadunidense, de tendencias neoliberais. MBL é um braço informal da fundação Students for Liberty, também estadunidense, mantido pelos bilionários irmãos Koch, igualmente defensores ferrenhos do neoliberalismo. Não é preciso muito mais do que a capacidade de juntar “lê” com “crê” para suspeitar que o crescimento exponencial e repentino do alcance das publicações destes atores em sites como facebook e youtube tenham sido produzidos de maneira artificial, justamente em meados de 2013 quando, em junho, se originaram a manifestações os processos que resultaram no impeachment de Dilma e na subsequente retomada do neoliberalismo de maneira radicalizada pelo governo de Temer.

Sim, este radicalismo entre petralhas, coxinhas e isentões foi produzido artificialmente, mas esta radicalização ainda não chegou a seu ápice. Os conflitos ainda se tornarão muito mais violentos. O objetivo é claro, dividir para conquistar e vão nos dividir até atingirem o objetivo de implantar o neoliberalismo radical no Brasil.         

Se o PT e Lula não agiram contra o neoliberalismo enquanto estavam no governo, por que são tão odiados pelos neoliberais?

Sim, nem Dilma e nem Lula enfrentaram ou ameaçaram o neoliberalismo, nem tentaram implementar uma política econômica diferente do neoliberalismo. O problema dos neoliberais com Lula e o PT não é com o que Lula e o PT fizeram enquanto governo, é com o que Lula e o PT representam enquanto atores políticos.  

A base de sustentação de Lula e do PT é sua militância e esta militância, majoritariamente com tendências de esquerda, não vê como positivos, nem mesmo palatáveis, as propostas da economia neoliberal. Além disso, a militância petista tem forte poder de influência nos meios acadêmicos, nos formadores de opinião fora do “mainstream” e tem argumentos para sustentar sua ojeriza aos ideais e métodos do modelo econômico neoliberal.

Além disso as origens do PT e de Lula nas organizações sindicais, seus relacionamentos fraternos com movimentos sociais como o MST, transformam Lula, o PT e as esquerdas que os apoiam no inimigo perfeito.

A velha tática para convencimento das massas. Cria-se um inimigo, pinta-se este inimigo como a personificação e origem de todo mal, de todos os problemas e se apresenta como o único ser capaz de enfrentar, vencer e exterminar este inimigo. Foi assim com as religiões contra o diabo, os nazistas contra os judeus e comunistas e agora, os Neoliberais conta Lula e o PT.

Há alguma saída, existem alternativas?

Em curto prazo, não.
As próximas eleições de outubro já são e continuarão sendo usadas como estratégia de distração. Manterão a militância focada num evento que não oferece nenhum perigo aos interesses dos neoliberais e ainda serão utilizadas para acirrar ainda mais os ânimos entre petralhas e coxinhas para que, quando os ânimos estiverem suficientemente exaltados, se inicie a caça e o extermínio das ameaças ao sistema.

Mesmo que Lula, ou qualquer pupilo escolhido por ele, vença a disputa pela presidência não acredito que haverá mobilização e grana suficiente para se eleger um congresso menos reacionário e golpista que o atual. Vai ser muito difícil montar uma base de apoio no congresso e, sem uma base de apoio, o presidente ficará engessado e seguramente não vai completar mais que dois anos de mandato.

Se, por um milagre, algum candidato progressista conquistar a presidência e junto dele vier uma bancada progressista robusta no congresso, o judiciário já entregue, vai dar um jeito de impedi-los.

Em médio prazo, talvez
Se os progressista conseguirem inverter a narrativa atualmente hegemônica, auxiliados pelo caos social que virá depois das reformas neoliberais radicais já implantadas por Temer e das que virão por seu sucessor, pode ser que a política econômica predatória dos neoliberais seja revertida na urnas, democraticamente em 2022, mas se estes progressistas não fizerem as reformas necessárias e urgentes, será uma vitória temporária e o ciclo progressistas – neoliberais se reiniciará.

Em longo prazo, com certeza
Mas para isso vai ser preciso se juntar, conversar e bolar estratégias de longo prazo. Sentadinho,  com a boca escancarada e cheia de dentes, esperando a morte chegar, é que não vai acontecer nada mesmo.




HC negado a Lula e as reações do populacho midiotizado

5 de Abril de 2018, 0:00, por luiz skora

Hc lula Créditos: veja.com.br

É  bem provável que o amiguinho não entenda porque dos alienados verde-amarelos de plantão se referirem ao condenado Lula como, Luladrão e o porque deles comemorarem a condenação do ex-presidente, sem que Lula possua qualquer indício de enriquecimento de, pelo menos, alguma fração do enriquecimento dos ex-presidentes que o antecederam.

Titio Polaco Doido, sem precisar de nenhum embasamento acadêmico, explica, tomando por base apenas os ex-presidentes da redemocratização:

- Sarney e Collor, são políticos de pedigree, herdeiros de famílias com gerações de políticos a serviço dos interesses das oligarquias. Ainda mais, são prorpietários ou controladores de redes regionais de comunicação. Ou seja, são vassalos das seis famílias que controlam o maior poder do país, as corporações de mídia.

- FHC, originário da classe média paulista abastada, é intelectual de profissão e ganhou a simpatia das elites econômicas com sua principal obra,  "Dependência e Desenvolvimento na América Latina", A Teoria da Dependência.

Lula, por outro lado, tem origem popular, ordinária. É um retirante, operário, sindicalista. Apesar de nunca ter enfrentado ou ameaçado qualquer dos interesses ou privilégios das elites econômicas, sempre foi visto por elas com desdém, antipatia e desconfiança. Graças, única e exclusivamente, a suas origens e por não possuir um currículo acadêmico.

Parece insano, não é?
Na verdade não, as elites econômicas além de deter os meios de produção, controlam também os meios de comunicação de massa e, com isso, moldam a opinião publica como melhor lhes convém.
Simples assim!

Ah! Mas daí, pode aparecer alguém por aqui, lendo este artigo e questionando-se:
- Ora, se Lula não fosse um ladrão, não fosse culpado, não teria sido condenado em primeira e segunda instância e nem teria negado seu pedido de Habeas Corpus pelo STF.
Os outros ex-presidendes, se roubaram ou enriqueceram no exercício do cargo, foram mais inteligentes e fizeram isso sem dar qualquer brecha para investigações ou futuras condenações.

De novo, Titio Polaco Doido explica, sem precisar de nenhum embasamento acadêmico:  

No século XIX, na França, revolucionários que derrubaram o Imperio de terror de Luís Bonaparte e estabeleceram ali algo que ouso chamar de uma "Democracia Popular", inspiravam-se num poema, escrito em 1871 por Eugene Pottier. Mais tarde, em 1888, este poema foi musicado e virou um hino que é bem provável, o leitor já tenha ouvido *.

Deste hino, traduzido para a língua portuguesa em 1909, pelo anarquista português, Neno Vasco, então radicado em São Paulo, destaco os versos: *

"No crime do rico a lei o cobre
O Estado esmaga o oprimido
Não há direitos para o pobre
Ao rico tudo é permitido"

 

Versos de há quase um século e meio que explicam a condenação de um ex-presidente e a tranquilidade de todos os outros.

As comemorações do populacho midiotizado, são apenas consequência da falta de identificação deste populacho com a realidade na qual estão inseridos. Eles, na pirâmide social, acreditam estar muito mais próximos do topo, quando, na verdade, são mais uma parcela da base desta pirâmide. A mesma base que se sente politicamente representada por Lula e que por isso, alimenta tanta aversão da eleite economica por Lula e por tudo que ele simboliza e representa.

Titio Polaco Doido

 * Colaborou na revisão, dados históricos e datas, O Carcamano Bolchevique