Ir para o conteúdo
ou

Thin logo

 Voltar a Blog do Skora
Tela cheia

EUREKA!

7 de Março de 2017, 21:17 , por luiz skora - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
Visualizado 34 vezes

 

Estava eu, a caminho de mais uma de minhas consultas regulamentares ao oftalmologista, encafifado com uma pergunta que há tempos me tira o sossego:

Por que será que os neo-conservadores, os representantes, eleitores e simpatizantes das bancadas do boi, da bíblia e da bala, os carolas de fachada e os eleitores do Greca, são irredutivelmente contrários a qualquer legislação que pretenda legalizar o aborto em casos específicos ao mesmo tempo em que clamam por legislações e justiceiros que institucionalizem a pena de morte e descriminalizem os justiciamentos e linchamentos públicos?

Pois então, finalmente encontrei a resposta.

Esse pessoal está com o intelecto estacionado no século XVII, são pró-escravocratas, pró-imperialistas/colonialistas, para eles, gente diferente, gente miserável, gente pobre, gente preta, gente que vive nas periferias, não é gente. É mão de obra barata, é mercadoria, é meio de produção.

Assim:
Uma mulher, pobre, ou preta ou da periferia, quando engravida sem querer engravidar, quando é vítima de estupro ou qualquer outro motivo que decorra em uma gravidez indesejada, não é uma vítima que necessita do suporte do poder público. Pelo contrário, é só uma usina de produção de mão de obra barata. Ela engravida, ela pari, ela sustenta e educa sua prole para que, no futuro, essa prole venha a tornar-se mão de obra barata ou gratuita e sem qualificação para exercer as funções mais degradantes, mas que alguém tem que fazer para que o sistema continue funcionado e dando lucro.

Se liberarem o aborto, esse fluxo de mão de obra barata e desqualificada irá diminuir consideravelmente e os trabalhadores em funções degradantes não irão se submeter sem que em contrapartida, recebam uma remuneração condizente com suas funções.

Por outro lado, se uma mulher com condições financeiras medianas, fica grávida sem querer, independente do motivo, ela não precisa de quase nada, apenas de uma graninha para pagar a clinica de aborto segura e clandestina que estará tudo resolvido. Ela não precisará se preocupar em sustentar e educar a prole indesejada, tão pouco sua família terá mais um nome para incluir na partilha de bens ou herança, tudo se resolve por debaixo dos panos, de maneira ilegal, porém segura, a um custo compatível com o mercado e o poder aquisitivo de quem pode pagar.

Agora, se o fruto da gravidez indesejada da mulher pobre, ou preta ou da periferia, ao tomar consciência da realidade a que está inserido, decide não se submeter à condições degradantes e de subemprego para obter seu sustento e opta por uma via alternativa para sua sobrevivência e/ou ascensão social, este indivíduo indesejado (ou não) desde a sua concepção, torna-se uma ameaça ao sistema estabelecido e deve ser exterminado, seja por via do encarceramento perpétuo, seja pela pena de morte, ou seja pelos justiciamentos ou linchamentos públicos. Assim, tudo continuará pra sempre como está e nenhum neguinho da perifa vai roubar o iphone 7 do filinho de papai, cidadão de bem, que 'ralou' e 'muito' pra comprar suas bugigangas.

Ou seja, trocando em miúdos, todo este textão poderia se resumir assim:

Quem abomina aborto e defende a pena de morte, em última análise, não considera pessoas como pessoas. Considera pessoas, em especial as diferentes ou de classes sociais inferiores como objetos ou como meios de produção para obtenção de lucros.

É tão evidente. como demorei tanto para chegar a esta conclusão?


0sem comentários ainda

    Enviar um comentário

    Os campos realçados são obrigatórios.

    Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.