Ir para o conteúdo
ou

Thin logo

 Voltar a Blog do Skora
Tela cheia

Senso Comum: O PT é a Origem de Toda a Corrupção e Mazelas do Brasil Neste Inicio de Milênio

20 de Novembro de 2016, 16:15 , por luiz skora - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
Visualizado 325 vezes

Numa conversa informal de rede social a respeito da invasão da Câmara Federal por um grupo de saudosistas do regime militar, ocorrido nesta semana, meu interlocutor lançou o seguinte argumento:

... não acredito que todos estamos errados, enganados e manipulados. Afinal, somos a maioria que enxergamos e pensamos desta forma ... a roubalheira imposta pelo PT à Petrobrás...”

Trocando em miúdos, o que ele escreveu pode ser traduzido como: A voz do povo é a voz de Deus.

Será mesmo?

Minha resposta que em princípio pareceria simples, acabou virando textão e o textão, depois de revisado, veio parar aqui:

Quando Jesus Cristo foi condenado a cruz, não o foi por uma decisão unilateral de Pilatos. Pilatos, ciente do grave erro que poderia estar cometendo, lavou as mãos e decidiu que o próprio povo que acompanhava o julgamento deveria escolher quem se livraria da cruz. Se Jesus ou Barrabás.

Como todos já sabem, o povo escolheu crucificar Jesus, mas esta escolha não foi consciente, foi induzida pelos fariseus do Sinédrio que viam em Jesus uma ameaça a seus privilégios, principalmente, depois do quebra-quebra que Jesus e seus seguidores promoveram no Templo. Os fariseus, doutores da lei na região, tinham forte influência sobre o povão e foi fácil para eles, convencer o povão de que as ideias e ideais difundidos por Jesus eram muito mais prejudiciais a sociedade da época, do que as ideias e ideais de Barrabás, que só queria mesmo era chamar o exército romano pra briga e morrer numa luta desigual na qual ele não ele não tinha a menor chance de vitória.

Assim, o povo, influenciado e incitado pelos fariseus e seus marqueteiros, decidiu livrar Barrabás da cruz e mandar Jesus para o martírio, numa espécie do que seria um plebiscito pela redução da maioridade penal ou pela adoção da pena de morte dos nossos tempos, realizado nos tempos bíblicos.

De modo bastante similar, o mesmo vem acontecendo no Brasil desde 2003.

De 2003 até 2012, a elites dominantes, a aristocracia sem títulos formais, os especuladores do mercado financeiro, não viam seus privilégios realmente ameaçados pelas políticas social-democratas dos governos petistas, havia uma convivência mais ou menos pacifica que só se acirrava em tempos de eleições. Como foi no caso do mensalão do PT, nada mais que uma tentativa frustrada desta elite dominante, de impedir a reeleição de Lula em 2006.

Por volta de 2012, em virtude da crise internacional, o Governo Dilma precisava encontrar uma solução para recuperar o crescimento do país, optou por reduzir um pouco mais drasticamente as taxas de juros, fortalecer a participação do Brasil no BRICS e o anúncio da criação do Banco dos BRICS que se pretendia como uma alternativa ao monopólio do FMI e da moeda norte americana nas transações da economia internacional.

Apesar destas medidas terem funcionado positivamente na recuperação da economia, irritaram profundamente os especuladores do mercado financeiro que consomem por volta de 50% do Orçamento da União, sem nenhuma contra partida ou serviço prestado e também, irritou à aristocracia improdutiva e os donos dos meios de comunicação, sempre alinhados aos interesses norte-americanos, não importa quais benefícios ou prejuízos este alinhamento incondicional possa trazer ao seu próprio país.

A partir daí, estas elites econômicas, especuladores financeiros e meios de comunicação de massa romperam o pacto de conciliação com o governo social-democrata e partiram para a briga declarada e aberta contra o partido no governo.

Não por coincidência, logo depois das ações de Dilma para a recuperação da economia, explodiram as marchas de junho de 2013. Multidões tomaram as ruas com pautas dispersas muitas vezes indefinidas e que, justamente por isso, hoje dão a impressão de terem sido induzidas por alguma força oculta. É muito improvável delas terem partido de uma indignação popular de massa, simplesmente contra tudo que está aí.

Por volta do mesmo período a Operação Lava-Jato começa a tomar aparência de espetáculo com uma cobertura muito mais enfática dos envolvidos quando estes eram ligados ao partido no governo e mais amena, quase inexistente, quando os envolvidos eram ligados a outros partidos ou a oposição ao governo.

Esta estratégia de desmoralização do governo social-democrata funcionou muito bem. Nas eleições de 2014 o partido no governo perdeu considerável número de cadeiras nos legislativos do país e, principalmente, no Congresso Nacional o número de parlamentares alinhados aos interesses das elites, do mercado financeiro e dos interesses do capital internacional cresceu como nunca antes.

A estratégia só falhou num ponto bastante crucial. Apesar da crise internacional, o desempenho do governo social-democrata no ano de 2014 foi dos melhores da história, desemprego baixíssimo, excelente crescimento econômico e de desenvolvimento interno e poder de compra do trabalhador assalariado ainda em níveis muito bons. Graças a estes indicadores e contra todos os prognósticos, Dilma consegui se reeleger com dificuldades, numa disputa bastante apertada, com uma diferença histórica de apenas 3,6 milhões de votos.

Bastou apenas esta derrota eleitoral apertada para que a campanha midiática de desconstrução do PT crescesse ainda mais. A oposição e os meios de comunicação abriram mão de estratégias de propaganda de guerra contra o governo social-democrata:

  • Financiaram e inflaram movimentos “populares” pelo impeachment, até então inexpressivos;
  • Bombardearam os noticiários com notícias negativas, muitas delas sem nenhuma comprovação ou investigação mais aprofundada da veracidade;
  • A operação Lava-Jato atingiu níveis inimagináveis de partidarismo e falta de isenção com a divulgação de escutas ilegais da Presidência da República;
  • O Congresso recém empossado travou todas as pautas do executivo, tornado impossível qualquer tentativa de governabilidade da Presidência da República;

Finalmente, depois de um ano e meio de conspirações e sabotagens contra o país, conseguiram destruir a economia, a indústria pesada e naval, as maiores empresas de construção, o projeto nuclear brasileiro, a pesquisa científica, o poder de compra do salário. Conseguiram a proeza de elevar a taxa de desemprego de 5 para 13% em apenas um ano. Tudo isso para derrubar a presidente democraticamente eleita, num processo de impeachment caolho, onde sequer conseguiram provar algum crime que justificasse este impedimento. Apenas para minar o BRICS no cenário internacional, retomar o alinhamento incondicional com as politicas intervencionistas de Washington e, é claro, daqui poucos meses, eleger indiretamente um presidente tucano, completamente alinhado e comprometido com os interesses dos especuladores financeiros e do mercado internacional, para assumir a retomada das políticas entreguistas e neoliberais de modo ainda mais acelerado do que foram nos anos de FHC.

Enquanto tudo isso aconteceu e acontece nos bastidores e nas entrelinhas dos jornalões, meu interlocutor na rede social segue faceiro, acreditando mesmo que toda esta tragédia política e institucional foi causada pela roubalheira do PT, de que seu anti-petismo e anti-esquerdismo são uma decisão racional e individual. Ele nunca se dará conta de que estas opiniões foram plantadas em sua cabeça através de uma pesada campanha de marketing, financiada com muitos dólares gringos e levada a cabo por nativos entreguistas e inconsequentes.

Graças ao comportamento bovino de pessoas como este meu interlocutor, o sonho de um Brasil Nação, soberano, protagonista e independente, foi destruído enquanto alguns brasileiros que se julgam patriotas, batiam palmas e panelas a cada nova denúncia de corrupção envolvendo o PT que aparecia no Jornal Nacional.

 


0sem comentários ainda

    Enviar um comentário

    Os campos realçados são obrigatórios.

    Se você é um usuário registrado, pode se identificar e ser reconhecido automaticamente.