Ir para o conteúdo

Terra Sem Males

Voltar a Blog
Tela cheia Sugerir um artigo

Rede de Médicos populares propõe Outubro Vermelho em defesa do SUS

16 de Outubro de 2017, 15:30 , por Terra Sem Males - | No one following this article yet.
Visualizado 48 vezes

Nota também critica o desmonte das políticas públicas de saúde, como o fim da figura do agente comunitário.

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, organização que nasce para criar um campo de unidade em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde), divulgou uma nota contra a nova Política Nacional de Atenção Básica do governo golpista de Michel Temer.

A nota critica o desmonte das políticas públicas de saúde como o fim da figura do agente comunitário, da atenção primária e das equipes de estratégia de Saúde da Família e propõe também a criação de um “Outubro Vermelho”, em defesa do “Direito Humano à Saúde Universal”.

Segundo a Rede de Médicas e Médicos, o cenário piorou após uma liminar favorável por parte do Conselho Federal de Medicina, que interrompe cuidados clínicos prestados por Enfermeiras e Enfermeiros em todo território nacional.

A medida, de acordo com a nota, faz a “defesa de uma pauta corporativista e mercadológica, em detrimento da integralidade do cuidado, do acesso à Atenção à Saúde e da custo-efetividade do Sistema”.

A organização Médicos Pela Democracia, do estado da Bahia, e a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, também soltaram notas contra às ofensivas do governo golpista de Michel Temer.

Confira a nota da Rede na íntegra:

O DIREITO À SAÚDE NECESSITA DE UM OUTUBRO VERMELHO.

O drama sanitário que assalta o país esvazia de significado o aniversário da Carta Magna Brasileira, celebrado no último 05 de outubro. O Sistema Único e o Cuidado em Saúde, garantias obtidas pelo acúmulo de lutas do povo brasileiro, persistem, pelo décimo quarto mês consecutivo após o Golpe de Estado de 2016, agredidos e fragilizados.

A promulgação de uma nova Política Nacional de Atenção Básica, profundamente comprometida com a segmentação da Atenção, com a supressão da Universalidade e com o sitiamento fiscal das Políticas Públicas e Sociais, desmonta formalmente a Porta de Entrada do Sistema Único, desprestigiando o provimento de Atenção por meio das Equipes de Estratégia de Saúde da Família; suprimindo a figura do Agente Comunitário como elemento catalisador de cuidado; introduzindo tentativa de carteira de serviços restritiva e focalizada e negligenciando o urgente debate do acesso à Atenção Primária.

O Congresso Nacional, mantendo cadência no debate para aprovação dos Planos Populares Acessíveis, segue na aposta pela fratura da cobertura universal para o país e no fornecimento de saúde suplementar de integralidade precária, desregulamentada, amplamente subserviente ao lucro corporativo e parasitária do Sistema Único de Saúde. Com mesmo ritmo, busca acelerar a tramitação da Reforma da Lei dos Planos de Saúde, podendo penalizar a população consumidora, sobretudo a idosa e mais vulnerável, pela utilização do setor privado.

O cenário agudizou-se com a obtenção de Liminar favorável, por parte do Conselho Federal de Medicina, para interrupção dos cuidados clínicos prestados por Enfermeiras e Enfermeiros em todo território nacional, revelando a defesa de uma pauta corporativista e mercadológica, em detrimento da integralidade do cuidado, do acesso à Atenção à Saúde e da custo-efetividade do Sistema. O mesmo Conselho que se posicionara contra as desmedidas do Ministério da Saúde, na pessoa do Ministro Ricardo Barros, contribui para a desassistência de milhares de brasileiras e brasileiros.

A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, mantendo-se ao lado do projeto civilizatório que sempre marcou as disputas sanitárias daquelas e daqueles comprometidas e comprometidos com o povo brasileiro, denuncia e repudia estes episódios de desmonte e precarização e convoca à resistência todo o conjunto da sociedade, em defesa de um Sistema de Saúde Universal, Integral, Público e acessível a seu povo, sobretudo em períodos de esfacelamento de direitos e de restrição econômica.

Não necessitamos, para a Saúde, de Outubro Rosa, que apenas amplia o consumo de intervenções e o marketing de doenças, oferecendo benefícios incomprováveis para o povo, enquanto o desgasta na moenda do Capital. Necessitamos de um Outubro Vermelho, que aqueça a consciência popular e que nos faça levantar mãos e punhos em defesa do Direito Humano à Saúde Universal, do Cuidado Integral e efetivo e do adequado financiamento estatal das Políticas de Bem Estar e Proteção Social.

Fonte: Saúde Popular

Foto: Joka Madruga/MAB Nacional

Rio de Janeiro. 01 a 05 de outubro de 2017. Foto: Joka Madruga/MAB Nacional
Fonte: http://www.terrasemmales.com.br/rede-de-medicos-populares-propoe-outubro-vermelho-em-defesa-do-sus/