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O rolézinho como movimento político

April 15, 2014 16:15 , par Rafael Pisani Ribeiro - 0Pas de commentaire | No one following this article yet.
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Licensed under CC (by-nc-sa)

 

A moda dos rolézinhos passou e a repressão teve efeito, sendo um grande assunto se eram movimentos políticos ou não, e disso vai se tratar o texto de hoje.   A onda começou em dezembro de 2013 e já acabou, já que muitos estão sendo cancelados devido à repressão,[1] evidenciando questões políticas.  Como dito no texto O problema dos rolézinhos é realmente a quantidade?[2] a questão maior parece não ser a quantidade, mas sim o preconceito e a retirada do direito de consumo exclusivo da classe média, mas para compreender melhor é preciso ler o texto.  A partir da existência desse preconceito aparece o lado político do rolézinho.

 

A motivação inicial dos rolézinhos era beijar, zoar, curtir a galera, ouvir funk, andar do lado contrário nas escadas rolantes”[3] não sendo uma motivação política, ao menos não intencionalmente. Não são propositalmente políticos, mas tem consequências políticas, dito os efeitos causados sem a mínima intenção de seus participantes. Por um lado, quando o juiz representando o poder público liberou a liminar para impedir a entrada do movimento, nesse sentido ele se tornou um fenômeno político- uma manifestação.[4] Isso mostrou a estrutura social atual, onde sendo o Shopping um espaço público-privado, ou algo entre os dois e o rolézinho estando entre o racismo e o preconceito. Isso porque a entrada de sujeitos que não vão consumir em local próprio para consumo significa preconceito econômico que de alguma forma beira o racismo, designado como crime. [5] Assim, é político no sentido de dizer, de forma consciente ou não eu existo, quero fazer parte da sociedade de consumo e ser valorizado nela [6], mesmo que isso signifique exclusão por outro lado.  Isso devido à propaganda do consumo que não distingue classe social e com o aumento das possibilidades virou um mecanismo que causou prejuízos a estrutura social atual [7], mas além de tudo é um reflexo do que ocorreu em julho de 2013 e do que virá, isto é, ano de copa e eleição. Para complementar, vale ainda fazer uma comparação histórica com dois eventos, um quando houveram saques e incêndios em Londres e outras cidades inglesas em 2011[8] e outro no Brasil em 2000 quando manifestantes, isto é, sem teto decidiram ir ao Shopping [9].

 

No primeiro evento, diversas cidades do Reino Unido foram tomadas por jovens ao ponto de que demorou dois dias para a retomada das cidades pela polícia. O que os jovens fizeram nada teve de político, isto é, não foram ocupar sedes de radio e TV, questionar as forças armadas ou algo do tipo, no fim o que fizeram foi saquear lojas de roupas e eletrodomésticos. Qual a semelhança com os rolézinhos? Apesar desse visar o consumo através de saqueamentos, e o rolézinho a própria curtição e encontro de jovens, talvez nenhum deles tivesse consciência ou dava importância a política, ou qualquer tipo de mudança social, mas de uma forma ou outra os movimentos tiveram conseqüências que os tornaram políticos, mesmo que não fosse do desejo dos participantes e evidenciava algum tipo de problema social, que difere do rolézinho e dos saques em Londres mas com um elemento em comum: o consumo. [10]

 

Quanto à questão dos sem teto indo ao Shopping o documentário relata que após uma hora é meia eles conseguiram ir ao Shopping, sendo barrados no ônibus para chegar até o local. Dentro do local foram barrados diversas vezes pelos seguranças e em algumas vezes por policiais, sendo que algumas lojas fecharam suas portas para eles não entrarem. Todos seus passos eram monitorados por repórteres, seguranças e policiais. Quando conseguiam entrar os vendedores olhavam com olhar de nojo, ao menos sobre esse ponto é o que relata uma das pessoas do vídeo e esses às vezes tentavam tirá-los de lá já que entravam em grande quantidade e não iriam consumir, até o direito de experimentar lhes foi negado. Quando foram à praça de alimentação do local boa parte das pessoas se retiraram e/ou olharam com cara ruim, é o que relata outra das pessoas entrevistadas.  O pior é que quase foram inclusive barrados de ir ao banheiro, com a desculpa da funcionária de que seria despedida se permitisse.[11] No fim não houve roubo ou baderna alguma, exceto a causada pela visão dos outros sobre o evento.A grande diferença em relação aos rolézinhos? A motivação era dupla: ir ao Shopping para ver os produtos e mostrar que existiam, mas dessa vez com uma consciência propositalmente política, não só como conseqüência. A semelhança? Novamente o consumo é o elemento em comum.  Todas essas relações justificaram a entrada dos movimentos sociais como movimentos que defendem tanto os direitos dos negros e pobres quanto MTST (Movimento dos trabalhadores sem teto)[12] e MST [13] nos rolézinhos e um desses rolézinhos já teve como tema a Extinção da policia militar [14], dando de fato um tom conscientemente político aos rolézinhos. Em resumo, o rolézinho não é propositalmente político, mas consequentemente político, afinal, o que custa “zuar” em um Shopping?

 

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

 

Escrito por: Rafael Pisani

 

Observação: No servidor anterior foi postado no dia 03/02/2014 as 19:47. Nesse servidor houveram as seguintes alterações:

1.      Substituição da palavra “movimento” no seguinte trecho “...mas de uma forma ou outra os movimento tiveram...” para “movimentos”.

2.      Alteração da nota de rodapé 2 de “http://www.verdadeoumentira-mentiraouverdade.blogspot.com.br/2014/01/o-problema-dos-rolezinhos-e-realmente.html” para “http://blogoosfero.cc/verdadeoumentira/verdade-ou-mentira/o-problema-dos-rolezinhos-e-realmente-a-quantidade 

3.      Alteração da nota de rodapé 5 de “Referencia do Shoping ser espaço publico ou privado.” para “Fonte: http://direito.folha.uol.com.br/1/post/2014/01/rolezinho-shopping-espao-pblico-ou-privado.html

 

 

Referencias

 

Disponível em: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/nada-de-curticao-quase-todos-rolezinhos-sao-politicos-agora . Marinha Pinhoni/ http://exame.abril.com.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/rolezinho-quando-o-funk-ostentacao-torna-se-ameaca/ . Outras palavras/ http://outraspalavras.net/ . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-01-17/rolezinho-de-protesto-se-espalha-mas-nao-atrai-movimento-original.html . Ultimosegundo Ig/ http://ultimosegundo.ig.com.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.amalgama.blog.br/01/2014/caso-rolezinho-dimensoes-de-um-role/ . Diego Viana/ http://www.amalgama.blog.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.amalgama.blog.br/01/2014/direito-politica-rolezinhos/  . Hugo Silva/ http://www.amalgama.blog.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/brasil/2014/01/18/interna_brasil,485024/movimentos-sociais-pegam-carona-nos-rolezinhos-em-onda-de-solidariedade.shtml . Julia Chaib/ http://www.diariodepernambuco.com.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.verdadeoumentira-mentiraouverdade.blogspot.com.br/2014/01/o-problema-dos-rolezinhos-e-realmente.html  . Rafael Pisani/ http://www.verdadeoumentira-mentiraouverdade.blogspot.com.br . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=IMvuoGji3yU . Keelan Balderson/ http://www.youtube.com . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg . Gumefilmes/ http://www.youtube.com . Data de acesso: 02 de fevereiro de 2014

 

 



[4] Fonte de ser um movimento político do ponto de vista do poder público: http://www.amalgama.blog.br/01/2014/caso-rolezinho-dimensoes-de-um-role/

[7] Fonte texto “O problema dos rolézinhos é realmente a quantidade”.

[9] Fonte dessa suposta invasão dos sem teto: http://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg


Source : Rafael Pisani Ribeiro

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