Introdução: O Jornalista-Sela e o Boi-Guia
O jornalismo de catarse no Brasil se estrutura em torno de dois papéis centrais que comprometem a qualidade da cobertura investigativa.
O jornalista-sela é aquele que estabelece uma relação simbiótica com suas fontes. Movido pela busca do furo - grande instrumento de promoção profissional -, esse repórter reproduz acriticamente as informações recebidas, permitindo-se ser cavalgado pelas intenções de quem vaza os dados.
O boi-guia representa o fenômeno que ocorre nas grandes coberturas catárticas: a mídia comporta-se como boiada.
O jornalista-sela, ao receber notícias exclusivas e dar o furo, estabelece o tom geral da cobertura. Toda a imprensa então busca fatos, inventa manchetes e reproduz narrativas em torno do tema proposto — e até as chefias editoriais engrossam a manada.
A Operação Lava Master: Ingredientes de uma Nova Lava Jato
Quando começou a Operação Lava Master, ficou evidente que reunia todos os elementos para se transformar em uma reprise da Lava Jato:
1. Sentimento difuso de corrupção generalizada
A percepção de descontrole decorrente do Centrão, das emendas parlamentares e da infiltração do crime organizado em todos os poros do poder público.
2. Abundância de fontes e vazamentos
Múltiplas fontes despejando informações seletivas, facilitando a manipulação das investigações e da narrativa pública.
3. Arquivos sensíveis sob sigilo
Se o Ministro Dias Toffoli retirasse o sigilo dos arquivos trazidos da 13ª Vara Federal de Curitiba, o impacto poderia superar o da Operação Spoofing.
4. Temor institucional
A Rede Globo teme os vazamentos sobre a Lava Jato. Sintomático foi a demissão da jornalista Daniela Lima da GloboNews por sua insistência em abordar os arquivos da 13ª Vara.
5. Interesses financeiros poderosos
O combate da Polícia Federal ao crime organizado na Faria Lima envolve interesses financeiros de grande magnitude.
Esses fatores despertavam fundados receios de que a aliança lava-jatista - entre policiais, jornalistas e com respaldo da Globo - poderia se repetir.
O risco era claro: valer-se de vazamentos selecionados para conduzir a cobertura na direção pretendida e desviar o foco dos alvos protegidos.
Confirmação das Suspeitas: Os Vazamentos Estratégicos
Não levou uma semana para as suspeitas se confirmarem.
O vazamento de perícias realizadas nos celulares de Daniel Vorcaro resultou na denúncia do contrato firmado entre o Master e o escritório da esposa do Ministro Alexandre de Moraes.
Seguiu-se uma saraivada de denúncias contra Ministros do Supremo Tribunal Federal, desviando o foco do envolvimento de políticos do Centrão, da Faria Lima, de igrejas e dos órgãos de controle - os verdadeiros protagonistas do esquema.
Como consequência, houve um sorteio no STF que colocou o caso nas mãos do Ministro Dias Toffoli.
A Reação de Toffoli: Contenção dos Vazamentos
Ainda que de forma estabanada, os primeiros atos de Toffoli tiveram um objetivo claro: interromper os vazamentos estratégicos.
Medida 1: Determinou um novo grupo de peritos para o caso, todos da Polícia Federal e com alta reputação técnica.
Medida 2: Transferiu os arquivos ao STF, mantendo-os sob sigilo para impedir novos vazamentos.
Medida 3: concluir a primeira fase do inquérito, manter no STF os casos com direito de foro (parlamentares citados) e remeter o restante para a Justiça Federal.
Em nenhum momento houve indicação de boicote às operações. As investigações continuaram sob escrutínio de peritos sérios, da Procuradoria-Geral da República e de procuradores competentes.
Entretanto, acabou o efeito Atlas — referência ao titã da mitologia grega que precisava manter os pés na terra para ganhar força.
O jornalista-sela necessita das ligações com os autores de vazamentos para preservar sua influência. Sem eles, perde relevância.
A Campanha Contra o STF: Análise da Cobertura
Concentro-me na cobertura da repórter Malu Gaspar por ter se tornado o boi-guia dessa primeira fase.
Seguiu-se uma campanha sistemática contra o Supremo, valendo-se da vulnerabilidade dos Ministros em seus negócios particulares.
A Estratégia da Confusão
A primeira esperteza foi sutil: em nenhum momento as reportagens apresentaram indícios consistentes de manipulação do inquérito. Porém, consolidou-se a ideia de manipulação através do entrelaçamento de duas táticas:
Tática 1 - Ênfase nos negócios pessoais:
Reportagens diárias sobre os negócios particulares dos Ministros, criando um clima de suspeição generalizada.
Tática 2 - Correlações frágeis: A correlação absurda da indicação de Toffoli com uma carona em jatinho na qual, entre vários passageiros, havia um advogado que defendia um diretor do Master. A mediocridade geral da cobertura transformou essa bobagem em suspeita de manipulação.
Tática 3 - Mal-estar fabricado: Afirmações vagas sobre mal-estar da Polícia Federal em relação a temas irrelevantes sobre prazos processuais.
A Anatomia dos Vazamentos Direcionados
Para quem tem olhos para ver - e certamente os coordenadores de cobertura nos diversos jornais não se enquadram nessa categoria -, havia objetivos claros por trás de cada vazamento:
Vazamento sobre contratos da esposa de Alexandre de Moraes
Intenção: Tirar o foco dos alvos do Centrão, desviando atenção para o STF.
Vazamento sobre mensagem do diretor do Banco Central
Intenção: Isentar o Conselho de Administração do BRB, colocando responsabilidade em funcionário técnico do BC.
Pressão sobre Toffoli (tiroteio midiático)
Intenção: Jogar o caso para a primeira instância e enfraquecer a ofensiva contra os arquivos da Lava Jato. Indo para a primeira instância, sem preservação do chamado foro privilegiado, haveria possibilidade concreta de anulação do inquérito – objetivo final da ação do boi-guia.
O Ataque ao Diretor do BRB
Todas as informações visavam jogar no colo de um funcionário de carreira a decisão que foi do Conselho de Administração do BRB: a compra dos créditos podres do Master.
Apesar das alegadas três ou quatro fontes no Conselho - aproximadamente um terço de seus membros - que, segundo a repórter, confirmariam a pressão, nenhuma revelou a informação central: o Diretor Jurídico do banco alertou o Conselho sobre os problemas da carteira apenas quatro dias antes da tentativa de compra.
Esse dado - crucial para entender a cronologia e as responsabilidades - foi convenientemente omitido da cobertura.
O Ataque aos Peritos Convocados por Toffoli
O episódio foi apresentado pelo jornal O Globo como tentativa de manipulação do inquérito. Curiosamente, o Jornal Nacional adotou o enfoque jornalístico adequado: os peritos têm boa reputação.
Porém, segundo Malu Gaspar:
“Na avaliação de fontes ouvidas reservadamente pela equipe da coluna, Toffoli busca minar a credibilidade da PF para tentar inverter a impressão de que ele atua em consonância com os objetivos da defesa do Master, provocada por decisões esdrúxulas tomadas nas últimas semanas.”
Antes da mudança, havia um caso grave de vazamento sistemático de informações — que não foi objeto de nenhuma reportagem investigativa da mídia. As medidas de Toffoli visavam conter o vazamento. A leitura da coluna de Malu Gaspar era diametralmente oposta à realidade.
A Incongruência do Banco Central
O projeto de lei permitindo ao Congresso demitir diretores do Banco Central não passou. Mas nenhuma reportagem questionou o óbvio: se, conforme alegava Malu, o BC pressionava em favor do Master, por que havia uma ameaça explícita por parte do Centrão contra o BC?
A contradição era flagrante, mas passou despercebida - ou foi deliberadamente ignorada - pela cobertura.
A Pressão para Devolver à Primeira Instância
A ida do caso ao Supremo decorreu de uma preocupação jurídica relevante: sabia-se da participação de parlamentares nos esquemas do Master.
Se o inquérito permanecesse na primeira instância, haveria motivos suficientes para os advogados do Master solicitarem a anulação pelo desrespeito ao princípio do foro privilegiado — isto é, o julgamento de pessoa com foro especial só pode ser feito no STF.
Não houve um coordenador de cobertura competente para identificar essa possibilidade óbvia: a malícia jurídica por trás da pressão para remeter o caso à primeira instância.
O Trabalho Real de Toffoli
Na análise da Procuradoria-Geral da República, dos próprios membros do STF e de juristas - jamais ouvidos pela cobertura -, estava claro o trabalho de Toffoli:
1. Analisar o inquérito e identificar quais casos demandavam foro privilegiado e quais não demandavam.
2. Remeter o segundo grupo (sem foro privilegiado) para a primeira instância.
3. Enquanto isso, manter o caso sob sigilo para impedir vazamentos e direcionamentos da cobertura.
Toffoli precipitou-se ao indicar os peritos sem uma negociação prévia com o diretor-geral da PF. Mas alcançou seus objetivos: cessaram os vazamentos.
O Resultado: Silêncio Revelador
Matéria posterior de O Globo revelou:
Os peritos indicados por Toffoli estão à frente das investigações e são técnicos de alta competência — mantidos com a concordância do comando da PF devido à sua reputação ilibada.
“A extração dos celulares foi coordenada pelo perito Luiz Felipe Nassif, chefe do Serviço de Perícias em Informática da PF. Formado no Instituto Militar de Engenharia do Exército (IME), ele já atuou em grandes operações, como a Lava-Jato e a Lesa-Pátria, e é especialista em processar grande volume de dados e inteligência artificial”.
Porém, essa informação ficou restrita a uma matéria, acessível apenas aos leitores bem informados. Já eram do conhecimento dos leitores do GGN há vários dias.
As suspeitas continuam espalhadas pela opinião pública, como penas de galinha ao vento.
Cessaram os vazamentos.
Sem o principal alimento das manchetes, embora alegando ter três ou quatro fontes no BRB, a repórter limitou-se a compilar o que sai na mídia ou a fazer provocações ao STF e ao BC para salvar suas denúncias.
Não acompanhou o inquérito aberto pela PF contra o BRB. Não deu nenhum furo negativo contra o banco. Deixou de ser o boi-guia da cobertura.
Agora, alimenta o relator da CPI do Master, senador Alessandro Vieira - outro lava-jatista em estado puro, tão manipulador quanto seus colegas paranaenses -, fazendo declarações bombásticas sobre meras suspeitas.
O Segundo Tempo: Novos Fronts
Agora haverá três centros de geração de informações:
1. A CPI de Alessandro Vieira - Fazendo palanque, ameaçando represálias a Ministros com ilações irresponsáveis.
2. A Comissão de Assuntos Econômicos - Composta por senadores de várias tendências, sob a relatoria responsável de Renan Calheiros.
3. A primeira instância - Com parte do inquérito remetido, possibilidade de novos vazamentos dos delegados lava-jatistas.
Por um Jornalismo Profissional
Há dois estilos de reportagem que precisam ser diferenciados:
Primeiro Plano: O Jornalismo Responsável
Tática 2 - Correlações frágeis: A correlação absurda da indicação de Toffoli com uma carona em jatinho na qual, entre vários passageiros, havia um advogado que defendia um diretor do Master. A mediocridade geral da cobertura transformou essa bobagem em suspeita de manipulação.
Tática 3 - Mal-estar fabricado: Afirmações vagas sobre mal-estar da Polícia Federal em relação a temas irrelevantes sobre prazos processuais.
A Anatomia dos Vazamentos Direcionados
Para quem tem olhos para ver - e certamente os coordenadores de cobertura nos diversos jornais não se enquadram nessa categoria -, havia objetivos claros por trás de cada vazamento:
Vazamento sobre contratos da esposa de Alexandre de Moraes
Intenção: Tirar o foco dos alvos do Centrão, desviando atenção para o STF.
Vazamento sobre mensagem do diretor do Banco Central
Intenção: Isentar o Conselho de Administração do BRB, colocando responsabilidade em funcionário técnico do BC.
Pressão sobre Toffoli (tiroteio midiático)
Intenção: Jogar o caso para a primeira instância e enfraquecer a ofensiva contra os arquivos da Lava Jato. Indo para a primeira instância, sem preservação do chamado foro privilegiado, haveria possibilidade concreta de anulação do inquérito – objetivo final da ação do boi-guia.
O Ataque ao Diretor do BRB
Todas as informações visavam jogar no colo de um funcionário de carreira a decisão que foi do Conselho de Administração do BRB: a compra dos créditos podres do Master.
Apesar das alegadas três ou quatro fontes no Conselho - aproximadamente um terço de seus membros - que, segundo a repórter, confirmariam a pressão, nenhuma revelou a informação central: o Diretor Jurídico do banco alertou o Conselho sobre os problemas da carteira apenas quatro dias antes da tentativa de compra.
Esse dado - crucial para entender a cronologia e as responsabilidades - foi convenientemente omitido da cobertura.
O Ataque aos Peritos Convocados por Toffoli
O episódio foi apresentado pelo jornal O Globo como tentativa de manipulação do inquérito. Curiosamente, o Jornal Nacional adotou o enfoque jornalístico adequado: os peritos têm boa reputação.
Porém, segundo Malu Gaspar:
“Na avaliação de fontes ouvidas reservadamente pela equipe da coluna, Toffoli busca minar a credibilidade da PF para tentar inverter a impressão de que ele atua em consonância com os objetivos da defesa do Master, provocada por decisões esdrúxulas tomadas nas últimas semanas.”
Antes da mudança, havia um caso grave de vazamento sistemático de informações — que não foi objeto de nenhuma reportagem investigativa da mídia. As medidas de Toffoli visavam conter o vazamento. A leitura da coluna de Malu Gaspar era diametralmente oposta à realidade.
A Incongruência do Banco Central
O projeto de lei permitindo ao Congresso demitir diretores do Banco Central não passou. Mas nenhuma reportagem questionou o óbvio: se, conforme alegava Malu, o BC pressionava em favor do Master, por que havia uma ameaça explícita por parte do Centrão contra o BC?
A contradição era flagrante, mas passou despercebida - ou foi deliberadamente ignorada - pela cobertura.
A Pressão para Devolver à Primeira Instância
A ida do caso ao Supremo decorreu de uma preocupação jurídica relevante: sabia-se da participação de parlamentares nos esquemas do Master.
Se o inquérito permanecesse na primeira instância, haveria motivos suficientes para os advogados do Master solicitarem a anulação pelo desrespeito ao princípio do foro privilegiado — isto é, o julgamento de pessoa com foro especial só pode ser feito no STF.
Não houve um coordenador de cobertura competente para identificar essa possibilidade óbvia: a malícia jurídica por trás da pressão para remeter o caso à primeira instância.
O Trabalho Real de Toffoli
Na análise da Procuradoria-Geral da República, dos próprios membros do STF e de juristas - jamais ouvidos pela cobertura -, estava claro o trabalho de Toffoli:
1. Analisar o inquérito e identificar quais casos demandavam foro privilegiado e quais não demandavam.
2. Remeter o segundo grupo (sem foro privilegiado) para a primeira instância.
3. Enquanto isso, manter o caso sob sigilo para impedir vazamentos e direcionamentos da cobertura.
Toffoli precipitou-se ao indicar os peritos sem uma negociação prévia com o diretor-geral da PF. Mas alcançou seus objetivos: cessaram os vazamentos.
O Resultado: Silêncio Revelador
Matéria posterior de O Globo revelou:
Os peritos indicados por Toffoli estão à frente das investigações e são técnicos de alta competência — mantidos com a concordância do comando da PF devido à sua reputação ilibada.
“A extração dos celulares foi coordenada pelo perito Luiz Felipe Nassif, chefe do Serviço de Perícias em Informática da PF. Formado no Instituto Militar de Engenharia do Exército (IME), ele já atuou em grandes operações, como a Lava-Jato e a Lesa-Pátria, e é especialista em processar grande volume de dados e inteligência artificial”.
Porém, essa informação ficou restrita a uma matéria, acessível apenas aos leitores bem informados. Já eram do conhecimento dos leitores do GGN há vários dias.
As suspeitas continuam espalhadas pela opinião pública, como penas de galinha ao vento.
Cessaram os vazamentos.
Sem o principal alimento das manchetes, embora alegando ter três ou quatro fontes no BRB, a repórter limitou-se a compilar o que sai na mídia ou a fazer provocações ao STF e ao BC para salvar suas denúncias.
Não acompanhou o inquérito aberto pela PF contra o BRB. Não deu nenhum furo negativo contra o banco. Deixou de ser o boi-guia da cobertura.
Agora, alimenta o relator da CPI do Master, senador Alessandro Vieira - outro lava-jatista em estado puro, tão manipulador quanto seus colegas paranaenses -, fazendo declarações bombásticas sobre meras suspeitas.
O Segundo Tempo: Novos Fronts
Agora haverá três centros de geração de informações:
1. A CPI de Alessandro Vieira - Fazendo palanque, ameaçando represálias a Ministros com ilações irresponsáveis.
2. A Comissão de Assuntos Econômicos - Composta por senadores de várias tendências, sob a relatoria responsável de Renan Calheiros.
3. A primeira instância - Com parte do inquérito remetido, possibilidade de novos vazamentos dos delegados lava-jatistas.
Por um Jornalismo Profissional
Há dois estilos de reportagem que precisam ser diferenciados:
Primeiro Plano: O Jornalismo Responsável
Repórteres que juntam peças, contextualizam denúncias, encontram explicações, sabem definir o peso de cada acusação. Avançam além do jornalismo declaratório brasileiro — baseado em fontes não conhecidas e não identificadas.
Este é o trigo - e traz respeitabilidade.
Segundo Plano: Os Jornalistas-Sela
Este é o trigo - e traz respeitabilidade.
Segundo Plano: Os Jornalistas-Sela
Profissionais que se limitam a reproduzir vazamentos de alto impacto, sem nenhuma preocupação com contextualização, relativização ou análises técnicas.
Este é o joio - e traz likes.
A Proposta: Sala de Situação
Uma cobertura responsável exigiria a criação de uma sala de situação, sob comando de um jornalista experiente, com as seguintes funções:
• Organizar todos os dados de forma sistemática
• Juntar peças e estabelecer conexões fundamentadas
• Analisar os aspectos técnicos de cada denúncia
• Segurar os exageros, especialmente os originados dos bois-guia
A Escolha Entre Likes e Reputação
A ausência de coordenação editorial garante likes no início do jogo. Mas resulta em perda de reputação a médio prazo, igualando a cobertura jornalística ao fragor das redes sociais.
O jornalismo brasileiro precisa escolher: quer ser reconhecido pela profundidade e responsabilidade, ou pelo impacto efêmero das manchetes sensacionalistas?
A resposta a essa pergunta definirá não apenas a credibilidade da imprensa, mas também a qualidade do debate público e da própria democracia brasileira.
Este é o joio - e traz likes.
A Proposta: Sala de Situação
Uma cobertura responsável exigiria a criação de uma sala de situação, sob comando de um jornalista experiente, com as seguintes funções:
• Organizar todos os dados de forma sistemática
• Juntar peças e estabelecer conexões fundamentadas
• Analisar os aspectos técnicos de cada denúncia
• Segurar os exageros, especialmente os originados dos bois-guia
A Escolha Entre Likes e Reputação
A ausência de coordenação editorial garante likes no início do jogo. Mas resulta em perda de reputação a médio prazo, igualando a cobertura jornalística ao fragor das redes sociais.
O jornalismo brasileiro precisa escolher: quer ser reconhecido pela profundidade e responsabilidade, ou pelo impacto efêmero das manchetes sensacionalistas?
A resposta a essa pergunta definirá não apenas a credibilidade da imprensa, mas também a qualidade do debate público e da própria democracia brasileira.









