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O peso do fator econômico nas eleições

January 25, 2026 21:29 , von Altamiro Borges - | No one following this article yet.
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Por Jair de Souza

As eleições programadas para o ano em curso têm todas as perspectivas de virem a ser as mais decisivas e determinantes entre todas as realizadas desde o fim da ditadura militar-empresarial que havia usurpado o mando do aparelho estatal do país por cerca de 21 anos.

Desta vez, as forças representativas do campo popular-democrático-nacional vão disputar com os setores oligárquico-imperialistas não apenas a Presidência da República, mas também a conformação do quadro de outro dos poderes políticos da nação. É que, além da escolha integral dos novos membros da Câmara dos Deputados, dois terços das vagas do Senado devem ser renovadas.

Entretanto, se é de fundamental importância garantir que o comando do Poder Executivo permaneça nas mãos dos que se identificam com as aspirações e os interesses da maioria de nosso povo, de não menos relevância é impedir que o Poder Legislativo possa servir como um baluarte desestabilizador a serviço das forças proimperialistas e antipopulares. Assim, nosso empenho deverá ter por objetivo alcançar êxito nessas duas facetas da luta eleitoral.

Agora, a grande incógnita que temos de descobrir é como enfrentar exitosamente a extrema direita e todos seus aliados do grande capital nas atuais condições em que os grandes conglomerados de comunicação digital estão com eles inteiramente associados e entrelaçados. É inegável que, por deter a propriedade e o controle quase que absoluto das redes sociais e seus algoritmos, essa extrema direita conta com uma gigantesca vantagem operacional para travar a luta ideológica contra nós que defendemos os pontos de vista das massas populares.

Porém, embora tenhamos plena consciência de nossa enorme inferioridade em termos de recursos técnicos, isto jamais poderá servir como desculpa que justifique nossa paralisia, nosso abatimento e o aflorar de um espírito de derrotismo. Muito pelo contrário, devemos tomá-lo como um incentivo para um redobramento de nossos esforços e nossa militância na busca dos caminhos e meios que nos conduzam rumo a um país mais justo, solidário e soberano. No presente texto, vou procurar expor algumas ideias sobre como trilhar esta rota nestes momentos de grande dificuldade.

Uma das questões mais debatidas em política se refere ao peso do fator econômico na determinação do curso das lutas sociais. Alguns consideram que a economia exerce sempre um papel decisivo nas mesmas. Por outro lado, há os que dizem que, muito mais do que por uma fundamentação de cunho econômico, nós humanos nos movemos com base em valores que nos proporcionam reconhecimento pessoal, ou seja, aqueles que dão sentido a nossa existência.

Para os que se atêm estrita e literalmente ao expressado na primeira categoria, se um governo estiver garantindo uma elevação do nível de vida material-econômico do conjunto de sua população, isto, sem dúvida, redundará em sua aprovação pela maioria. Já os adeptos da segunda visão argumentam que, independentemente de ganhos socioeconômicos concretos, um governo poderá vir a ser rechaçado por sua população em razão de não atuar em conformidade com o esperado em outros aspectos, como, por exemplo, em termos de religião, moralidade, temas relativos à sexualidade, à família, etc.

Diante da disjuntiva apresentada, cabe-nos desvendar o que há de verdadeiro ou falacioso em cada uma dessas abordagens. Bem, gostaria de me adiantar e esclarecer que considero que os fatores primordiais, os mais decisivos, aqueles que dão o tom dos grandes embates em todas as sociedades constituídas por classes com interesses conflitantes, são sempre os de cunho econômico.

Mas, tendo em conta que os ganhos socioeconômicos das maiorias populares durante o governo de Lula estão sendo muitíssimo superiores aos que imperaram durante o período de penúria e desgraça da gestão do nazifascismo bolsonarista, significaria isto que podemos considerar que Lula será inevitavelmente reeleito no próximo pleito? Evidentemente, uma resposta afirmativa simples não está garantida, mesmo que o princípio continue inteiramente válido. Nas seguintes linhas, vamos tratar de elucidar esta aparente contradição.

De fato, se partirmos do pressuposto da prevalência dos fatores socioeconômicos, é difícil explicar porquê, nas eleições presidenciais de 2018, muita gente humilde deixou de lado reivindicações relativas à elevação de seu padrão de vida e o de seus familiares (por exemplo, melhores salários, melhoria dos transportes públicos, mais hospitais e escolas de boa qualidade, etc.) para se concentrar em questões morais (do tipo: protesto contra um tal kit-gay) que nada contribuiriam para aliviar a situação de penúria em que o povo se encontrava.

Poderíamos, igualmente, indagar sobre as motivações que, durante o governo de Dilma Rousseff, levaram muitas pessoas de classe média a saírem furiosas às ruas para protestar contra a corrupção e, com base nesta alegação, concordarem com propostas de privatização da Petrobrás, com a entrega dos recursos petrolíferos do pré-sal a grupos estrangeiros, com a aniquilação de nossas grandes empresas de engenharia e, em resumo, com a desestruturação das bases econômicas de nosso país. Por que não refletiram um pouquinho para perceberem que, no final, aquilo resultaria em uma forte deterioração de suas próprias condições de vida?

Na verdade, não obstante esteja evidente que tanto os pobres do primeiro caso citado como as pessoas de classe média do segundo tenham agido sem levar em consideração seus reais interesses socioeconômicos, as razões de fundo que os impulsionaram a ter o comportamento que tiveram estão plenamente vinculadas a fatores econômicos. Porém, estes não dizem respeito diretamente nem aos pobres nem à classe média, senão que às classes dominantes às quais estão submetidos.

Isto se deve a que, em sociedades regidas por antagonismo de classes, os valores ideológicos que predominam são os das classes dominantes. São estas as que detêm os instrumentos e a capacidade de manipular parcelas significativas dos grupos não privilegiados, de modo a desviá-las das lutas por reivindicações materialmente afins com suas reais necessidades, e a levá-las a descarregar sua frustração e sua fúria contra alvos que não afetem os interesses dos donos do poder.

Este desvio da lógica só acontece porque as classes dominantes recorrem a todos os instrumentos de que dispõem para induzir a muitos trabalhadores a afastarem-se de questões que ponham em risco os interesses econômicos dos privilegiados. Sem essa intervenção manipuladora, esses pobres tenderiam a priorizar a luta por salários mais dignos, por um custo de vida menos elevado, por moradias mais decentes, etc., ao invés de se preocuparem com questões do tipo da união homoafetiva ou a existência de banheiros unissex. Então, ao tomar tais posicionamentos, eles ajudam a preservar os interesses econômicos dos banqueiros, dos agroexportadores e dos grandes capitalistas em geral.

Analogamente, a religião é outro recurso empregado no processo de manipulação que busca retirar do debate as pautas socioeconômicas que contrariam os interesses das classes dominantes. Não à toa, as chamadas igrejas neopentecostais estão entre os mais furibundos inimigos do bolsa-família e de quase todos os programas estatais de amparo aos mais carentes. Por isto, ao mesmo tempo que se opõem à taxação das grandes fortunas, elas procuram impedir que o dinheiro público seja empregado para prestar assistência aos necessitados. O que se deseja com isto é garantir que o dinheiro esteja disponível para o pagamento de juros e dividendos aos rentistas. Mais uma vez, os interesses econômicos dos mais ricos estão por trás de algo que, aparentemente, é de outra índole.

Portanto, todas as movimentações sociais de importância estão relacionadas com temas vinculados a interesses econômicos. Afinal, mesmo quando é possível admitir que a busca por reconhecimento social seja um fator almejado pelas pessoas, também não deve haver nenhuma dúvida de que a principal maneira de alcançar o tal reconhecimento é, sempre foi e continuará sendo, o poder econômico. Levar nosso povo a entender isto é o grande desafio com o qual nos deparamos.

Será preciso desmontar as falácias disseminadas pelos agentes da extrema direita com o propósito de arregimentar apoiadores entre as camadas populares. Para tal efeito, eles contam com as megaplataformas de comunicação digital, todas elas de propriedade de financiadores do extremismo direitista pelo mundo afora. Aqui no Brasil, este trabalho se entrelaça com a capilarizada rede de igrejas neopentecostais. São estas que acabam por sedimentar entre a população mais humilde boa parte das tergiversações originadas e lançadas a partir das redes digitais.

Nossa tarefa é fazer que o povo entenda o papel exercido por essas estruturas que servem aos poderosos, assim como revelar quais os verdadeiros interesses que se ocultam por trás das falácias propaladas. Evidentemente, trata-se de um trabalho árduo, uma vez que nossos recursos não são, nem de longe, similares aos dos grandes capitalistas e a extrema direita que os representa. Teremos de aproveitar ao máximo possível todas as brechas existentes nas próprias redes sociais digitais, porém ainda mais importante é o contato direto junto ao povo que pretendemos servir. Portanto, devemos e precisamos melhorar nossa presença nas redes, mas é imperativo que finquemos raízes sólidas nas bases populares.

Sabemos que, nas próximas eleições, os grandes conglomerados da comunicação colocarão todos seus algoritmos a serviço das hostes nazibolsonaristas. Para enfrentar essa avassaladora máquina de deturpação e mentira, vamos precisar começar desde já a encontrar formas de desmascarar a avalanche de manipulação que está por vir. Saber apontar e desmascarar os inúmeros interesses econômicos das classes dominantes camuflados entre todas essas artimanhas é o elemento fundamental para que possamos vencer.
Quelle: https://altamiroborges.blogspot.com/2026/01/o-peso-do-fator-economico-nas-eleicoes.html