Ir para o conteúdo

Blog do Arretadinho

Tela cheia Sugerir um artigo

Postagens

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Lula, em caravana, faladosgolpistas

22 de Agosto de 2017, 14:27, por Blog do Arretadinho

Seu Fiinho, de 92 anos, presenteia Lula com roupa de vaqueiro. Caravana para
resgatar a reconstrução da dignidade do povo pobre
Foto ROBERTO STUCKERT
LULA EM CARAVANA
Os que querem que as pessoas não gostem de política são os que gostaram do golpe, diz Lula
Recebido por 10 mil pessoas em município de 35 mil habitantes, ex-presidente fala em recuperar a dignidade do Brasil. "Um ser humano não cresce se não tiver esperança, e cabe ao Estado manter essa esperança"

por Cláudia Motta, especial para a RBA

Nossa Senhora da Glória (SE) – O sol forte e a temperatura acima dos 30 graus não fizeram Anaildes Lima Santos desistir do seu propósito. Nem o protesto do marido: "Você vai acabar se matando por lá". A agricultora de 51 anos e quatro filhos saiu de Feira Nova e chegou às 14h à Praça de Eventos da cidade vizinha Nossa Senhora da Glória, no sertão de Sergipe, onde estava previsto, para 19h, o ato Sertão com Lula.

"Queria ficar na frente, ver de perto", disse, encostada à grade que separava o público, estimado em mais de 10 mil pessoas, da comitiva que tem arrastado multidões por onde passa com a caravana Lula pelo Brasil. O município, distante 120 quilômetros da capital, Aracaju, tem 35 mil habitantes. "Valeu a pena." Anaildes, olhos marejados, estava a poucos metros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e havia conquistado seu objetivo.

O ex-presidente encerraria ali a maratona iniciada por volta de 8h desta segunda-feira (21) com uma entrevista à Rádio Fan FM, de Sergipe. Passou pela cidade de Lagarto, para se tornar doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), e por Itabaiana. Antes de chegar ao destino onde receberia o título de Cidadão Gloriense, haveria ainda mais duas paradas improvisadas pelo próprio chefe da comitiva, em São Domingos e Campo do Brito. Lula quis descer do ônibus e dar atenção às centenas de pessoas que tomavam a margem da estrada para de ver de perto o ex-presidente que "mudou a história de toda essa gente".

A história de Anaildes é semelhante à da maioria dos que estiveram naquela ou nas outras praças por onde a caravana vem passando desde 18 de agosto. Em tempos difíceis, a renda do Bolsa Família ajudou a manter a casa e a comida das crianças, que por sua vez foram mantidas na escola. "Agora, fiquei três meses sem receber, foi um sufoco. Mas consegui retomar."

Com algum atraso, o título de Cidadão Gloriense estava prestes a ser concedido pelo prefeito, Francisco Carlos Nogueira (PT), o primeiro do mesmo partido de Lula. Nas três cidades sergipanas, anteriores, eram do PTC, PSC e PR, nesta ordem. "Por si só, por toda sua luta, já merece essa homenagem", afirmou o prefeito Francisco Carlos, o Chico do Correio. "Saiu daqui do sertão ainda criança, no momento em que todos migravam para o sul do Brasil em busca do pão, e voltou como presidente do Brasil, para recuperar toda força e a vontade que o sertanejo tem. Fez Luz para Todos, tem Samu, tem CEU, tem Brasil Sorridente, tem ônibus amarelo pra transportar criança", disse, lembrando que ele mesmo precisava percorrer a pé as longas distâncias da casa onde cresceu até a escola e não tinha água encanada.

"O senhor, com o saudoso Marcelo Déda – que tanto contribuiu para esse estado e não deve ser esquecido nunca – fez a ampliação da nova adutora do sertão e hoje a gente tem água em Nossa Senhora da Glória. Temos Mais Médicos, foram mais de 700 unidades entregues aos nosso munícipes pelo Minha Casa Minha Vida", elencou Chico.

Os gritos para saudar Lula só encontravam concorrência em força e potência com os de "Fora, Temer". Até a pequena Marcela Bianca, de 6 anos, gritava a frase que já virou mantra pelo país afora. Ao lado da mãe, Maria Angélica Santos de Souza, a menina explicava. "Gosto do Lula porque ele fez a terra e a Bolsa da Família. Do Temer eu não gosto porque ele é do mal."

Marcela pode não saber direito o que está dizendo, mas deve ter tirado essa conclusão ao observar a rotina da família nos últimos tempos. Maria Angélica é empregada doméstica e vivia com o marido em Buíque, no Agreste de Pernambuco. "Era uma época que tinha emprego e dava pra viver bem. Agora, tive de voltar pra cá, para minha cidade (Cumbe, a 40 quilômetros dali) pra ver se a vida melhorava. Mas não adiantou. Por isso me dirigi até aqui hoje. Para ver o presidente que tirou os pobres da pobreza e matou a fome e tudo de bom deu ao povo", disse, puxando mais um "Fora Temer", ao lado da amiga Maria Berenice de Souza.

Agricultora de 63 anos, Berenice questionava como é que o "homem" podia achar que uma pessoa que trabalha a terra desde criança ia ter condição de se aposentar aos 65 anos. "Eu me aposentei no tempo de Dilma, mas essa gente agora, quando se aposentar, já é tempo de morrer", disse, indignada com a ideia de reforma da Previdência defendida pelo atual governo.

Se Lula representa esperança para quem está perdendo o pouco que tinha, também estimula o futuro de jovens com quem se encontra nessa jornada, que tem a educação como um dos principais pontos de debate. Como Anne Beatriz Lima Oliveira, 18 anos, que estava ali na Praça de Eventos com sua turma do curso integrado de Agropecuária, do Instituto Federal, campus de Glória. "Porque agora o filho de um pobre pode cursar a escola técnica e o ensino universitário", afirmou. "Estou fazendo esse curso para cuidar da minha cidade, do meu povo, que eu amo muito, do meu Nordeste", dizia a jovem emocionada. "E sei que vou conseguir fazer um curso superior", sonhando em ser veterinária.

Recuperar a dignidade
"Antigamente, o jovem não conseguia pagar uma universidade privada e não passava na pública. Ficava em casa sem sonho, sem esperança", disse o próprio Lula, em seu pronunciamento de 32 minutos diante da praça tomada de gente. Ao subir ao palco, ganhou de presente de José Fiinho, 92 anos, uma roupa de vaqueiro. "Se tivesse dois cavalos aqui e apostasse com ele eu ia dar uma pisa nele", brincou.

Ouça:

O ex-presidente disse que, se for escolhido para ser candidato novamente, e se "a Justiça" deixar, vai vencer para fazer mais do que já fez anteriormente. "Todo mundo no fundo sabe o que tem que fazer para governar uma cidade, um estado, um país. Mas tem gente que acha que o óbvio é governar só pra 35% da população, só para os latifundiários, só entre os mais ricos. O governante tem que governar para todo mundo, mas aqueles que precisam mais, são os que devem receber maior atenção. Eu não descansarei enquanto a gente não recuperar a dignidade do povo brasileiro."
Lula cumpre ainda mais uma etapa da agenda sergipana em Aracaju e seguirá na tarde desta terça-feira (22) para Penedo, em Alagoas. No estado, tem compromissos amanhã em Arapiraca, antes de ir a Maceió.



Quem foi Barreto de Campelo

19 de Agosto de 2017, 11:33, por Blog do Arretadinho

Barreto Campello.

O criminologista, professor e jornalista Francisco Barreto Rodrigues Campello nasceu no dia 3 de janeiro de 1888, na casa-grande do engenho da Torre, Recife, filho de João Carneiro Rodrigues Campello e D. Laura Barreto Rodrigues Campello.

Cursou e concluiu os estudos primário, secundário e superior na Escola Professor João Crisóstomo de Mello Cabral, no Colégio Pestallozzi e Ginásio Pernambucano, e na Faculdade de Direito do Recife, respectivamente.

Em 7 de janeiro de 1911, ainda estudante de Direito, casou-se com Lília Pitanga Alencastro de Araújo e, com ela, teve quinze filhos.

Na gestão estadual do general Dantas Barreto (1911-1915), Campello ocupava o cargo de 1º promotor público do Recife. O governador o nomeou, junto com o juiz Silva Rêgo, para apurar os fatos referentes ao assassinato do jornalista Trajano Chacon, ocorrido na rua da Imperatriz, em frente ao Teatro Helvética, no bairro da Boa Vista. Concluiu que o jornalista fora morto a mandado do governador e denunciou o comandante da Polícia e demais policiais como executores. Por isso, foi acusado de haver difamado o Governo, demitido, sofreu várias ameaças, tentativas de agressão e de homicídio, culminando com a sua saída do Recife para Itabaiana, no estado da Paraíba. Só voltou para o Recife quando da saída de Dantas Barreto do governo.

O governador Manuel Borba (1915-1919) o reintegrou na promotoria pública. Foi nesse período que Barreto Campello atuou no processo conhecido como a Hecatombe de Garanhuns – um dos maiores crimes motivado por questões políticas que se tem notícia no País –, e também no caso do envenenamento de 200 crianças do Colégio da Jaqueira.

Em 1927, foi aprovado e nomeado para livre docente de Direito Penal Comum e Direito Penal Militar na Faculdade de Direito do Recife e ministrou essas disciplinas de 1928 a 1933, quando foi eleito Deputado à Constituinte.

Foi Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda (1932) e exerceu o mandato de deputado à Constituinte de 1933, de 15 de novembro de 1933 a 27 de abril de 1935. Apresentou projetos (entre eles, o pagamento do Imposto de Sucessão em terras, ocupação de espaços vazios do território com a colonização penal da selva, feita com a implementação de penitenciárias abertas, agrícolas e industriais) e emendas, como a reintegração da antiga Comarca de São Francisco ao território de Pernambuco.

Fundou, junto com o Padre Leonel Franca, a atual Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foi professor do curso de Direito da Universidade do Distrito Federal, dos Institutos Social e Católico de Estudos Superiores, ambos do Rio de Janeiro, e professor catedrático da Faculdade de Direito do Recife. Nesta Faculdade, fundou, em 1941, apoiado por grupos de estudantes, o Museu de Criminologia. O acervo era formado por

[...] máscaras e bustos dos principais criminosos das penitenciárias que visitaram. Essas máscaras foram tiradas de pessoas vivas por engenhoso processo descoberto pelo estudante de Belas Artes Hersílio de Medeiros Correia. Além desse acervo, contava o Museu com moderno e completo Gabinete de Identificação [...] além de gravuras de impressões ampliadas, centenas de reproduções de tatuagens, completo material para testes destinado ao levantamento de perfis psicológicos, retratos de criminosos célebres e armas diversas.

Organizou e dirigiu o Forum Acadêmico que tinha a finalidade de estimular a oratória, simulando júris com julgamento de personalidades históricas. Também organizou: a Companhia Agrícola e Pastoril do São Francisco S.A. com o objetivo de aproveitar as águas da Cachoeira de Itaparica para uma usina hidroelétrica e o represamento das águas para instalação de sistemas de adutoras; e o Documentário de Criminalidade, onde pode ser encontrado um dicionário da gíria dos criminosos nordestinos e uma espécie de código de linguagem usado por criminosos internacionais.

Em 1946, retornou à política participando da Coligação Pernambucana, formada pelos partidos Democrata Cristão, Libertador e União Democrática Nacional.

Atuou como advogado no Recife, interior de Pernambuco, nos estados do Ceará, Alagoas, Rio de Janeiro e em inúmeras congregações religiosas, das quais não cobrava honorários. Embora professor de Direito Penal, raramente fazia advocacia criminal. A exceção era para defender um amigo ou alguma pessoa muito pobre. Nessa área, depois de insistentes pedidos, aceitou o encargo de Auxiliar de Acusação contra o padre Osana Siqueira, por ter assassinado o bispo Dom Expedito Lopes, em Garanhuns. A condenação do réu foi o resultado.

Barreto Campello se sobressaiu com algumas teses no âmbito do Direito Penal e Internacional. No primeiro, criou a Teoria da Menoridade Social para justificar a inimputabilidade dos índios; no segundo, a Teoria da Quase-Nacionalidade que, até hoje, está incorporada à Constituição da República Federativa do Brasil (atual Art. 12, § 1º, 1988).

Reagiu contra o Regime Federativo, a imigração japonesa em larga escala e o uso oficializado de língua estrangeira nas áreas de imigração, sobretudo o uso obrigatório da língua alemã nas escolas públicas de Santa Catarina.

Exerceu o jornalismo como redator do jornal A República e foi colaborador nos Diários Associados (Recife e Rio de Janeiro) e no Jornal do Commercio (Recife).

Tomou posse, em 28 de abril de 1939, na Academia Pernambucana de Letras, Cadeira nº 4, na vaga de Carlos Porto Carreiro.

Recebeu comendas no Brasil, em Portugal e na Espanha.

Faleceu no dia 2 de novembro de 1971, no Recife.



Doria proíbe crianças de repetir merenda nas creches e escolas

10 de Agosto de 2017, 10:49, por Blog do Arretadinho

O prefeito que levou uma ovada certeira em Salvador, mandou ordem as escolas e creches da rede municipal de São Paulo nas últimas semanas, orientando que os alunos estão proibidos de repetir suas refeições servidas durante os intervalos.

por Marcelo Campos no Esquerda Diário

A ordem dada pelo gabinete do prefeito João Dória (PSDB), desconsidera completamente a realidade das crianças atendidas pela rede pública e aumenta ainda mais a situação alarmante nas escolas da cidade.

Essa situação foi denunciada por diversos professores municipais nas redes sociais. E tem revoltado o dia a dia das escolas e dos pais dos alunos, já que todos os dias centenas de crianças pedem para comer um pouco mais da merenda e recebe um "não".

Desde o início do ano professores e funcionários vêm denunciando a queda na qualidade e na quantidade da merenda servida. Segundo esses relatos, a merenda que antes alimentava durante uma semana agora tem que durar um mês, chegando ao absurdo de em algumas escolas os próprios funcionários estarem comprando os alimentos para as crianças com dinheiro do próprio bolso.

Apesar dos responsáveis ligados ao prefeito Dória negarem cinicamente dizendo que "não há falta de alimentos entregues nas escolas da rede direta e conveniada do município para o preparo das refeições servidas aos alunos", a realidade é a de que os alunos que antes viram a qualidade da merenda cair agora são forçados a fechar a boca e comer menos mesmo se ainda estiverem com fome!

Essa é fórmula de "terra arrasada" com a qual o "gestor" João Dória golpeia a educação e é a mesma utilizada pelo governador Geraldo (Ladrão de merenda) Alckmin nas escolas estaduais: a fórmula da precarização da educação bem ao modo tucano que tem o objetivo de destruir tudo que é público para depois privatizar à preço de banana, satisfazendo os patrões ao custo dos mínimos direitos e serviços que a população tem. Enquanto Dória vende para empresários chineses os parques, praças e até faróis de trânsito da cidade de São Paulo, os alunos das nossas escolas são servidos com cada vez menos comida e de pior qualidade.

Quem trabalha nas escolas públicas nas periferias da cidade sabe que as crianças recebidas vêm de uma realidade duríssima de pobreza, sendo extremamente comum encontrarmos alunos que vão pra escola contando com a merenda como única refeição do dia, situação essa que piorou por conta da crise econômica que afundou famílias com subempregos sem direitos, situação piorada com as reformas dos golpistas, e no desemprego. Além de cruel, negar o acesso dessas crianças à uma boa alimentação ainda deverá ter reflexos no desempenho, comportamento e aprendizado dessas crianças nas salas de aula, já que com a barriga vazia é bastante difícil se concentrar em qualquer outra coisa.

Essa situação coloca na ordem do dia a necessidade união dos professores das redes municipais e estadual para lutar contra os ataques que destroem não apenas nossas profissões, mas também o dia a dia e o direito a um futuro digno para milhares de crianças.

Já demos demonstrações do potencial que nossa categoria tem, apesar das manobras das direções dos nossos sindicatos, precisamos mostrar para Dória, Alckmin, Temer e toda a corja golpista, que quer descarregar a crise sob nossas costas, que não vamos mais aceitar essa situação.

Os professores demonstram a vontade de lutar e se colocar contra todos os desmandos na educação, por isso é preciso dar vazão para essa força de forma organizada, para golpear com um punho só esses governos.

Por isso, nós do MRT e do Professores pela Base, chamamos a todos os professores também indignados com essa situação para colocar de pé um grande movimento vivo de resistência contra as reformas e os ataques a educação. Faremos um Encontro de Professores no dia 19 de agosto, às 15 horas na Casa Socialista Karl Marx (ao lado do metrô Vila Madalena).



Depois da Volks, outras empresas serão acionadas por violação de direitos humanos

10 de Agosto de 2017, 9:39, por Blog do Arretadinho

Lúcio Bellentani (em pé), funcionário da Volks preso e torturado dentro
da fábrica, em1972: 'empresa vai ter de pedir desculpas a todos'
ANDRÉ BUENO/CÂMARA MUNICIPAL SP
Documentário feito na Alemanha que detalhou ligação da multinacional com a repressão foi exibido na Câmara paulistana. "Nossa briga é com o capital", diz ex-metalúrgico

por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – O caso da Volkswagen é o mais adiantado, mas não é o único na mira de trabalhadores e entidades que investigam o papel de empresas na colaboração com a ditadura instalada em 1964. Ontem (9) à noite, durante exibição de documentário produzido na Alemanha sobre a relação entre a Volks e a repressão no Brasil, nomes de outras empresas foram citados como possíveis alvos de representação no Ministério Público, que já apura a atuação da montadora desde 2015.

Entre essas companhias, estão a Embraer, a Companhia Docas, Itaipu e possivelmente a Petrobras. O objetivo é apurar o quanto as empresas colaboraram com a ditadura. O tema foi incluído em relatórios como os da Comissão Nacional da Verdade e o da comissão da Assembleia Legislativa paulista. "Não temos nada especificamente contra a Volks, temos contra muitas empresas", diz, esticando o "u", o ex-metalúrgico Sebastião Neto, responsável pelo projeto IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas), dedicado ao trabalho de recuperação de memória e apuração de fatos relacionados à ditadura, sob o foco da perseguição aos trabalhadores e a suas representações.

"Temos de brigar com o capital", afirma Neto. "Quem começou essa luta não fomos nós. Foram os familiares de mortos e desaparecidos, quando ninguém falava disso no Brasil." Para ele, a responsabilização por violações de direitos humanos ainda representa uma novidade na jurisprudência brasileira. O Judiciário costuma se basear na Lei de Anistia, de 1979, para negar punições a agentes do Estado envolvidos com tortura, desaparecimento e morte de militantes políticos.

A exibição do documentário Cúmplices? – A Volkswagen e a ditadura militar brasileira lotou o Salão Nobre, no oitavo andar da Câmara Municipal de São Paulo, com capacidade para 350 pessoas. Estavam lá vários ex-funcionários da Volks, Ford e outras empresas, militantes e ativistas de direitos humanos e muitos estudantes. O acesso à Casa foi dificultado por causa de ocupação iniciada nesta quarta-feira (9) no plenário da Câmara contra a política de privatização do governo João Doria (PSDB).

"Eles (jovens que participam da ocupação) vão resistir", dizia a vereadora Juliana Cardoso (PT), uma das que àquela altura, quase 20h, tentavam negociar com o presidente do Legislativo, Milton Leite (DEM), para viabilizar o fornecimento de água e alimentos. Ao abrir a sessão ao lado do ex-deputado estadual Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade da Assembleia paulista, ela relacionou a exibição do vídeo à ocupação, que chamou de "resistência da democracia".

Pedido de desculpas
O documentário, dos jornalistas alemães Stefanie Dodt e Thomas Aders, detalha a relação da Volks com a ditadura tendo como fio condutor a história do ex-metalúrgico Lúcio Bellentani, funcionário da Volks de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e à época militante comunista, preso na fábrica em julho de 1972 e torturado durante meses. A sua foto ao ser fichado no Dops, com o número 5.171, foi tirada ainda com macacão de operário. Ele e outros ex-trabalhadores acusam a empresa de colaborar com a repressão, dando nomes de ativistas e permitindo o acesso de policiais. Um historiador contratado pela própria montadora diz estar convencido de que isso realmente aconteceu e afirma, no filme, ser favorável a um pedido formal de desculpas. Um porta-voz da Volkswagen alemã afirma que a companhia aguarda o término da apurações para se posicionar.

Além de documentos, a evidência se reforça com depoimento do delegado aposentado José Paulo Bonchristiano, ex-chefe do Dops de São Paulo, afirmando que a empresa sempre atendia aos pedidos da polícia política. Ex-funcionário e ex-deputado estadual, Expedito Soares – autor, anos atrás, de uma denúncia de trabalho escravo em fazenda da empresa na região amazônica – diz que havia um "chiqueirinho", um local de confinamento, na própria fábrica da Volks em São Bernardo. "Eles confinavam lá durante 10, 15 dias, e aplicavam uma justa causa."

As reações mais audíveis da plateia, de repúdio, aconteceram durante intervenção do ex-diretor da Volks Jacy Mendonça, que foi presidente da Anfavea, a associação nacional das montadoras. No filme, o executivo nega a existência da própria ditadura e afirma que nunca houve prisões dentro da fábrica. Bellentani conta ter sido preso durante o trabalho, com agentes do Dops armados com metralhadoras na linha de produção e acompanhados de seguranças da companhia, e relata que começou a apanhar ainda na sala do departamento pessoal, antes de ser levado ao Dops. "Para prender no posto de trabalho, tinha de haver uma cooperação ativa da empresa", observa Neto.

"Isso para nós representa uma vitória", disse Bellentani ao rever o documentário. "A empresa vai ter de pedir desculpas a todos os trabalhadores e familiares que sofreram com a repressão. Não estamos atrás de uma indenização financeira, queremos uma indenização moral", acrescentou.



Por que tanto se fala da Venezuela?

9 de Agosto de 2017, 18:17, por Blog do Arretadinho

O espetáculo midiático acerca da Venezuela é nada menos que uma tentativa de ganho de apoio internacional par amais uma invasão dos EUA.