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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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Polícia reprime manifestação de indígenas

25 de Abril de 2017, 20:33, por Blog do Arretadinho

Indígenas em Brasília pedem demarcação de terras / Jornalistas Livres
ACAMPAMENTO TERRA LIVRE
Polícia reprime manifestação de indígenas por demarcação de terras
Cerca de três mil indígenas que faziam um ato pacífico em frente ao Congresso Nacional; 4 pessoas chegaram a ser detidas

por Redação Brasil de Fato 

Esta terça-feira, 25 de abril, foi mais um dia marcado pela repressão policial aos atos populares em Brasília, na capital federal. Cerca de três mil indígenas que faziam um ato pacífico em frente ao Congresso Nacional foram duramente reprimidos por policias, que dispararam diversas bombas de efeito moral.

A repressão ocorreu no momento em que os manifestantes colocavam caixões fictícios perto da entrada do Congresso para simbolizar o genocídio dos povos indígenas no país.

O manifestante Uirapurã, que veio do interior de Pernambuco, conta o que presenciou: “Quando a gente encostou lá no lago pra colocar os caixões, os policias já chegaram atirando em nós, com bombas efeito moral, gás de pimenta. Era um ato pacífico. Índio não é de violência”.

A professora Marize Vieira, do povo guarani do Rio de Janeiro, se disse indignada com a atuação da polícia. "Muita revolta, muita indignação. Você viu, tem mulher, criança, idosos; ninguém tá com arma aqui. O povo indígena sempre foi considerado um povo pacífico. Nós vivemos cantando, em caminhada, pra levar esses caixões e mostrar que essa política que eles estão implementando com essa bancada do agronegócio e com a bancada evangélica, que se junta com eles pra retirar nossos direitos, está matando o povo indígena todos os dias”.

O protesto é parte das atividades do Acampamento Terra Livre, que ocorre esta semana na capital federal para discutir as pautas de luta dos povos.

A professora explicou também que o ato é contra as iniciativas do Parlamento que colocam em xeque direitos sociais e culturais dos indígenas. Entre elas, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a responsabilidade sobre a demarcação de terras.

Para os opositores da medida, a PEC pode fazer com que os indígenas fiquem ainda mais vulneráveis ao jogo político. “Ela também coloca que você pode questionar as terras que já estão demarcadas. Isso é um retrocesso absurdo”, ressalta Marize Vieira.

O deputado federal João Daniel, do PT de Sergipe, que coordena o Núcleo Agrário do partido na Câmara, acompanhou o protesto e criticou a operação da polícia e o fato de o Congresso ter fechado as portas para os indígenas. “Era um acampamento e uma luta histórica dos povos indígenas, legítima, sem nenhuma necessidade de repressão. Ao contrário, era uma obrigação a Câmara, o Senado e o governo federal recebê-los. (…) É um momento de exceção, antidemocrático que esta Casa vive de proibição das pessoas entrarem pra fazerem qualquer manifestação. É vergonhoso”, ressalta.

Segundo lideranças indígenas, quatro pessoas chegaram a ser detidas e logo em seguida foram liberadas. As ocorrências não chegaram a ser registradas pelo Departamento de Polícia Legislativa e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

Já a Secretaria de Segurança Publica do Distrito Federal disse os policiais reagiram porque os indígenas não teriam cumprido o acordo de não ocupar o espelho d’água que fica na frente do Congresso.



Greve geral cresce e deve parar o país

25 de Abril de 2017, 20:17, por Blog do Arretadinho

Cresce a perspectiva de que terminais de metrôs
e ônibus amanheçam sem movimento nesta sexta (28)
FERROVIASDOBRASIL.BLOGSPOT.COM.BR
Greve geral cresce e deve parar transporte, escolas, bancos e indústria em todo o país
Confira as categorias que já aprovaram paralisação contra as reformas da Previdência e trabalhista do governo Michel Temer

por Rodrigo Gomes, da RBA 

São Paulo – A três dias da greve geral contra a 'reforma' da Previdência, a 'reforma' trabalhista e a terceirização irrestrita, propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB), dezenas de categorias de trabalhadores confirmam participação na paralisação de 28 de abril. O transporte coletivo por ônibus, metrô e trens será um dos setores com maior participação na mobilização, com paralisações já confirmadas na região metropolitana de São Paulo e mais 17 capitais. Bancários, urbanitários, servidores da saúde pública, professores, metalúrgicos e comerciários também confirmaram adesão à greve.

Em relação aos motoristas e cobradores de ônibus, as atividades vão ser paralisadas por 24 horas nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, São Luís, Cuiabá, Campo Grande, Teresina, Natal, Recife, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Rio Branco, Maceió, Manaus e Macapá.

Em São Paulo, 17 cidades da região metropolitana e toda a Baixada Santista vão ter o transporte coletivo paralisado, incluindo o sistema intermunicipal, executado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). Guarulhos, Itaquaquecetuba, Arujá, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Osasco, Ribeirão Pires, São Caetano, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Mauá, Rio Grande da Serra, Embu-Guaçu, São Lourenço da Serra, Itapecerica da Serra e Osasco são as cidades metropolitanas que já tiveram a greve aprovada em assembleias de trabalhadores.

Na capital paulista, o Sindicato dos Motoristas vai realizar assembleia nesta quarta-feira (26), às 16h. Mas o indicativo da categoria também é de adesão à greve por 24 horas. Os trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) das linhas 9-Esmeralda (Grajaú-Osasco) e 8-Diamante (Júlio Prestes-Itapevi) também realizam assembleia amanhã. Já as linhas 7-Rubi (Jundiaí-Luz), 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra), 11-Coral (Luz-Estudantes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) aprovaram paralisação de 24 horas.

Os metroviários também vão cruzar os braços por 24 horas nas cidades de Brasília, Belo Horizonte, Teresina, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, as linhas 1-Azul, (Jabaquara-Tucuruvi), 2-Verde (Vila Madalena-Vila Prudente), 3-Vermelha (Corinthians/Itaquera-Palmeiras/Barra Funda), 5-Lilás (Capão Redondo-Adolfo Pinheiro) e 15-Prata (Vila Prudente-Oratório) ficarão paralisadas o dia todo, a partir da zero hora de sexta-feira.

Os professores da rede pública de Alagoas, Bahia, Brasília, Paraná, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo (municipal e estadual) também vão parar na sexta-feira. Docentes da rede privada de Alagoas, Pernambuco, Piauí, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais também aprovaram adesão à greve. O mesmo vale para professores das universidades federais e estaduais de todo o país.

Os estabelecimentos de saúde – hospitais, unidades básicas, prontos-socorros –, onde a paralisação não pode ser de 100% dos trabalhadores, vão funcionar com escala semelhante à de final de semana, priorizando o atendimento a emergências. Trabalhadores desse setor nos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, Tocantins e São Paulo (inclusive na capital) vão parar.

Pilotos, copilotos e comissários de voo declararam estado de greve em assembleias realizadas na segunda-feira (24) em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. A categoria vai decidir na quinta-feira (27) se paralisa ou não as atividades. Já os aeroviários (funcionários que atuam no check-in, auxiliar de serviços gerais, mecânicos de pista, entre outros cargos) aprovaram a paralisação nacional de 24 horas nos aeroportos internacionais Franco Montoro, em Guarulhos, na Grande São Paulo, e Gilberto Freyre, em Pernambuco.

Também vão paralisar as atividades os bancários (em 22 estados), metalúrgicos (sete estados), comerciários (seis estados), eletricitários, químicos, petroleiros e trabalhadores de saneamento básico e dos Correios. Os servidores públicos das demais áreas, inclusive do Judiciário, vão ter paralisações em todas as capitais e dezenas de cidades médias. Trabalhadores do Porto de Santos também aprovaram a greve.

As propostas do governo Temer são rechaçadas pela maioria da população. Pesquisa Vox Populi divulgada no dia 13 indica que 93% dos brasileiros são contra a reforma da Previdência e 80% contra a terceirização.



Goleiro Bruno volta para a prisão

25 de Abril de 2017, 20:02, por Blog do Arretadinho

Foto JMG/DIVULGAÇÃO
Supremo Tribunal Federal manda goleiro Bruno Fernandes de volta para a prisão
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta terça-feira o retorno imediato do goleiro Bruno Fernandes à prisão. Em 24 de fevereiro, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, concedeu habeas corpus para libertar o jogador – que foi sentenciado a 22 anos e três meses pelo assassinato de Eliza Samudio, com quem teve um filho. O ministro argumentou que a condenação ainda não foi confirmada em segunda instância e, por isso, o réu poderia recorrer em liberdade. Mas a maioria do colegiado discordou e decidiu mandar o jogador de volta para a prisão.

O julgamento terminou com três votos a um. Apenas Marco Aurélio defendeu que o goleiro continuasse em liberdade. Os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Rosa Weber. Ressaltaram que condenações de Tribunais do Júri são soberanas e podem ser executadas imediatamente. Eles também lembraram que, quando a sentença foi fixada, o Tribunal do Júri considerou que o réu agiu de forma fria e planejada, com requintes de crueldade. Para Fux, tratam-se de “fatos gravíssimos”. Luís Roberto Barroso não estava presente.

— Casos como este merecem tratamento diferenciado — afirmou Fux.

Bruno jogava no Flamengo quando ocorreu o crime, em 2010. Ele foi preso diante dos indícios de envolvimento com a morte de Eliza Samudio. Depois que foi solto, o goleiro passou a atuar no Boa, time de Mina Gerais que disputa a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

O tribunal do júri de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, condenou Bruno em 2013. Quando concedeu o habeas corpus, Marco Aurélio lembrou que a condenação ainda não foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Nesta terça-feira, ele manteve o entendimento.

Quando foi condenado, Bruno permaneceu preso em razão da gravidade dos delitos, do temor causado na sociedade e da necessidade de resguardar a paz social. A defesa vinha recorrendo, alegando que a manutenção da prisão sem julgamento na segunda instância era uma antecipação da pena. Marco Aurélio concordou ao conceder a liminar. Argumentou que o clamor social não pode ser suficiente para justificar a prisão preventiva. O ministro também afirmou que bruno é réu primário e tem bons antecedentes.

Na semana passada, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou um parecer ao STF pedindo a revogação da decisão que libertou o goleiro. Janot destacou que o processo está demorando para ser analisado na segunda instância em razão de recursos da própria defesa, o que vem postergando o julgamento. E acrescentou: “Anote-se que a execução provisória da pena se deu a pedido da própria defesa, na ocasião do recurso de apelação. Isso reforça a ausência de prejuízo ao sentenciado, que pode postular os benefícios previstos na Lei de Execução Penal.”

Janot apresentou também um argumento de ordem técnica para que o goleiro volte a prisão. Antes da decisão de Marco Aurélio, Bruno teve um pedido de liberdade negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O procurador-geral da República disse que não cabe apresentar habeas corpus contra decisão tomada por outro ministro de tribunal superior.

O habeas corpus era inicialmente da relatoria do ministro Teori Zavascki, que morreu em janeiro em um acidente aéreo. Como se tratava de um pedido considerado urgente, porque se tratava de réu preso, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, encaminhou o caso ao gabinete do Marco Aurélio. Com a chegada de Moraes ao tribunal na vaga deixada por Zavascki, ele herdou a maioria dos processos de seu antecessor, incluindo o habeas corpus de Bruno.

Por Carolina Brígido/ExtraGlobo



Ex-catador de latas foi condenado a 11 anos de prisão

22 de Abril de 2017, 16:06, por Blog do Arretadinho

As mãos de Rafael Braga: condenação é contestada e motiva
vigília marcada para segunda-feira (24)
LUIZA SANSÃO/PONTE JORNALISMO
CRIME?
Rafael Braga, preso em manifestação de 2013, é condenado a 11 anos de prisão
Ex-catador de latas foi condenado tendo como base unicamente depoimentos de policiais que o prenderam. Defesa refuta acusações e afirma que material foi plantado pelos responsáveis por flagrante

por Redação RBA

São Paulo – Único preso das manifestações de junho de 2013, detido por portar desinfetante, o ex-catador de latas Rafael Braga foi condenado pelo juiz Ricardo Coronha Pinheiro por crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico, com pena de 11 anos e três meses de reclusão e pagamento de R$ 1.687.

Braga estava em regime aberto usando tornozeleira eletrônica, após ter sido acusado de porte de aparato incendiário ou explosivo ao levar dois frascos plásticos fechados de produtos de limpeza, quando foi detido em janeiro de 2016. De acordo com policiais que o prenderam, ele portava 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão. Em seu depoimento na 22ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, Braga alegou que o material não lhe pertencia e que foi ameaçado pelos agentes para delatar traficantes da região onde foi abordado.

Durante o julgamento, foram ouvidas cinco testemunhas de acusação e uma de defesa, cujo depoimento não foi levado em conta pelo juiz. Evelyn Barbara, vizinha de Braga, disse ter visto o jovem ser abordado sozinho e sem objetos na mão, sendo em seguida agredido e arrastado até um ponto distante de sua visão. O magistrado negou ainda, em fevereiro, pedido de diligências da defesa.

"A sentença se funda na mais frequente e desgastada prática inquisitorial no Brasil: condenação exclusivamente fundada na palavra do agente policial", aponta em sua página no Facebook o professor de Direito Processual Penal da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro Antonio Pedro Melchior. "A prática de tratar os agentes envolvidos na prisão como testemunhas do fato é errada sob todos os aspectos em que se analise", avalia.

"Conceitualmente, em português ligeiro, as testemunhas são 'pessoas desinteressadas' que, a priori, não estão comprometidas com o resultado final do julgamento (ressalvas pessoais à parte). Policiais que prenderam o imputado em flagrante ou atuaram na investigação tem interesse em defender a legalidade da própria atuação, o que é mais ou menos óbvio. Não são testemunhas por isto", aponta Melchior. "Do ponto de vista epistêmico, não possuem qualidade suficiente para oferecer um conhecimento seguro sobre os enunciados fáticos e, portanto, não servem ao objetivo de chegarmos em uma decisão em que seja justificável aceitar que determinado fato ocorreu. Não pode servir para condenar uma pessoa."

Movimentos pretendem fazer uma vigília em São Paulo contra a condenação de Rafael Braga, a partir das 18h desta segunda-feira (24), no vão livre do Masp. Mais informações aqui.

Com informações de Ponte e Justificando



Terceirização e sua sombra: a corrupção

20 de Abril de 2017, 15:27, por Blog do Arretadinho

Viver à sombra do poder e intermediar negócios com Estado, preferencialmente realizando serviços cuja quantificação é de difícil aferição e confrontação é, desde muito cedo, um negócio que rende fortunas no Brasil. A terceirização é uma nova roupa dessa velha prática.

O discurso empresarial de que o Projeto de Lei da terceirização ampla – pendente de sanção presidencial -  encaminharia a modernização das relações trabalhistas, “permitindo maior flexibilidade nas formas de contratação e procedimentos mais ágeis e adequados à realidade do setor produtivo”, não encontra sustentação na realidade.

Além das conhecidas consequências nocivas para o trabalhador, e para a sociedade, a terceirização é um grande problema para a Justiça do Trabalho. Consulta ao buscador de jurisprudência do site do Tribunal Superior do Trabalho - TST revela a ocorrência de 2.518.542 acórdãos e 827.650 decisões monocráticas com o termo “terceirização”.

São números e custos que devem ser agregados aos péssimos indicadores que acompanham a terceirização. Terceirizados trabalham maior número de horas; recebem remuneração cerca de 25% menor; permanecem menos tempo no emprego (cerca de 2,6 anos a menos); são mais suscetíveis a acidentes (80% das mortes no setor elétrico); recebem menos benefícios indiretos; estão sujeitos às piores condições de saúde e segurança no trabalho; são mais vulneráveis à exploração de trabalho escravo (constituem cerca de 80% resgatados); padecem com a fragmentação da representação sindical; e, quando “pejotizados”, perdem a proteção da CLT.

"Também há preocupantes consequências nas contas da Previdência: incremento no custo anual com acidentes de trabalhadores, que já supera a casa dos 18 bilhões de reais, e redução da arrecadação em função da 'pejotização', da esperada redução geral dos salários dos trabalhadores e do tradicional calote aplicado pelas empresas terceirizadas"

Sob o ponto de vista da sociedade, não podem ser ignorados os prejuízos ao desenvolvimento do mercado interno. Agrava-se a concentração de renda, com inversão do objetivo constitucional de redução das desigualdades. Também há preocupantes consequências nas contas da Previdência: incremento no custo anual com acidentes de trabalhadores, que já supera a casa dos 18 bilhões de reais, e redução da arrecadação em função da “pejotização”, da esperada redução geral dos salários dos trabalhadores e do tradicional calote aplicado pelas empresas terceirizadas.

Noutra frente, consulta ao buscador de jurisprudência do site do Superior Tribunal de Justiça (STJ) indica a ocorrência de 2.458 acórdãos com o termo “corrupção”. Nesse caso, é preciso considerar que os julgamentos costumam arrastar-se no tempo. Há grande número de processos aguardando julgamento. No Supremo Tribunal Federal (STF) há outros 662 acórdãos com o mesmo tema. Além dos Tribunais Superiores, há o acervo dos Tribunais de Justiça dos estados. Apenas no Tribunal de Justiça de São Paulo há 36.763 acórdãos com o tema “corrupção”.

Como se vê, “terceirização” e “corrupção” são itens importantes na pauta do Judiciário brasileiro. E não é raro que os dois temas andem de mãos dadas.

Ao contrário, são inúmeras as notícias de investigações de casos em que a terceirização – por vezes “forçando a barra” - é utilizada como estratégia para facilitar a corrupção.

Com maior ou menor repercussão, é frequente a constatação do entrecruzamento de investigações trabalhistas, cíveis, eleitorais e criminais, que apontam a utilização da terceirização como mecanismo para o financiamento de campanhas eleitorais e/ou para o enriquecimento ilícito de agentes públicos e privados.

São notórios os casos que desnudam a relação estreita entre terceirização e corrupção na Administração Pública. Recentemente, ganhou visibilidade o caso da terceirização nos presídios, com indícios de corrupção e doações eleitorais. Também há inúmeras denúncias e investigações nas áreas da saúde e da educação.

Conforme registrado pela procuradora Regional do Trabalho Ileana Neiva Mousinho, criam-se atalhos para acesso aos cofres públicos. Em geral, parte-se da contratação emergencial, com dispensa de licitação, de empresas prestadoras de serviços terceirizados ou de falsas organizações sem fins lucrativos. No processo, tem-se o superfaturamento de preços dos contratos de prestação de serviços que servem, ainda, aos interesses econômicos e eleitorais de políticos que engendram a sua contratação.

Como se vê, sofisticou-se um antigo meio de enriquecimento fácil, ilícito, que contempla o interesse econômico de agentes públicos e privados, em prejuízo do interesse público e do trabalhador.

No Tribunal Superior do Trabalho há ao menos 146 acórdãos que acusam esse pernicioso entrelaçamento de interesses. Num deles (Processo n° TST-AIRR-11307-27.2014.5.15.0095), o Ministro Vieira de Mello Filho registra os tortuosos caminhos da terceirização. Em seu voto, o Ministro assegurou a responsabilidade do Estado, tomador dos serviços terceirizados, como forma de impedir a blindagem do Poder Público e o injusto empobrecimento do trabalhador.

Assinalou o Ministro que eventual entendimento jurisprudencial que exonere de responsabilidade um mau administrador permitiria a violação de direitos trabalhistas. Abriria “margem para amplas possibilidades de corrupção e desvios de recursos públicos e estaria a coadunar com um paradigma de Estado incompatível com o Estado Democrático de Direito”.

Caso emblemático desse modo de agir que privilegia a esperteza, em detrimento da sociedade e dos direitos do trabalhador, foi registrado pelo juiz do Trabalho Higor Marcelino Sanches, em 2012, na Vara do Trabalho de Sorriso (cidade com cerca de 80 mil habitantes situada a 420km de Cuiabá - MT). O magistrado declarou a nulidade do contrato de gestão firmado entre o Estado de Mato Grosso e o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) para o gerenciamento e a operacionalização do Hospital Regional de Sorriso.

A sentença registra que a Organização Social de Saúde (OSS) intermediara a contratação de parte da mão de obra pelo expediente da “pejotização”: exigia que os trabalhadores constituíssem pessoas jurídicas para a prestação dos serviços - prática ilegal que permite burlar o direito trabalhista e afastar a incidência de tributos. Também registra que o expediente serve como “porta ou brecha” para frustrar o critério constitucional do concurso público.

Analisando detalhes formais e financeiros do contrato firmado entre o Estado e a OSS – constatou que o Governo do Estado ficou responsável pelo repasse de cerca de 48 milhões de reais, dos quais 10% são destinados aos cofres da Organização – o magistrado assinalou que a característica remuneratória do ajuste fere “de morte a natureza da Organização Social, pois essa não pode ter fins lucrativos, o que, desde já, levaria a anulação do contrato de gestão”. Além disso, o Estado realizou a escolha da organização gestora por meio de um Chamamento Público, quando o correto seria realizar uma licitação na modalidade Concorrência.

Esse processo acabou submetido, nos recursos, às intercorrências do intrincado universo processual.  A OSS continuou operando.

No acervo da Vara do Trabalho de Sorriso já se constata a existência de ao menos 26 reclamações trabalhistas referentes ao contrato (é provável que o número cresça). No geral, as sentenças reconhecem o vínculo de emprego e, diante da omissão, deferem compensação a título de danos morais. Ou seja, comprovada a fraude, impõe-se o reconhecimento do vínculo, pelo princípio da primazia da realidade, e o Estado ainda responderá, subsidiariamente, pelos direitos subtraídos dos trabalhadores acrescidos de uma indenização. Prejuízo para a sociedade!

Mais do que isso, em junho de 2016, em razão da gravidade das denúncias e situações encontradas na gestão feita pela OSS, que indicavam iminentes riscos quanto à regularidade do gerenciamento, e tendo em vista os relatórios que apontaram o descumprimento de cláusulas do contrato de gestão o Governo do estado publicou decreto de intervenção na unidade. Além da ocupação do imóvel, com utilização de bens móveis, equipamentos, utensílios e recursos humanos, autorizou as medidas necessárias à recuperação e à regularização do gerenciamento da unidade hospitalar. Ou seja, mais prejuízo para a sociedade!

As denúncias ocorrem em grande número. Os métodos e as irregularidades da “modernidade” se assemelham.

Em setembro de 2016, a Polícia Federal realizou a Operação “Maus Caminhos”. Prendeu o médico e empresário Mohamad Moustafá, que seria o chefe de um esquema que desviava recursos da saúde pública também em GO, MG e SP. Segundo a denúncia, agentes públicos deixaram de fazer licitações e concursos públicos para a atuação na área da saúde. Celebraram contratos de gestão com a organização social Novos Caminhos. A Operação sequestrou carros, imóveis de luxo e aeronaves.

Em 20/10/2016, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal reportou ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (Processo nº 27.787/2016) as irregularidades no processo de qualificação da Organização Social Novos Caminhos, que pretendia atuar no DF.

A procuradora-geral Cláudia Fernanda de Oliveira Pereira assinalou que as empresas do Sr. Mohamed Moustafá “foram doadores de campanha do Governador Rodrigo Rollemberg”.

Destacou que os contratos de gestão analisados “não atendem ao interesse público e representam enorme prejuízo ao erário, pois, as qualificações, bem como os contratos de gestão, ao que parecem e indicam os documentos carreados aos autos, buscam outros interesses, mas não o da população que definha na busca de atendimento médico no DF”.

O Distrito Federal já havia sido vítima dessa “modernidade”.

Em abril de 2012, atendendo à recomendação do Ministério Público (MPDFT), o GDF revogou a qualificação da associação Real Sociedade Espanhola, que administrava o Hospital Regional de Santa Maria, como Organização Social. Dentre outras irregularidades, a investigação apurou que a OS não executou diretamente o contrato de gestão, subcontratando a realização de serviços essenciais de saúde de outras pessoas jurídicas. Também indicou que a associação obteve a qualificação como organização social com base em dispositivos da Lei Distrital 4.081/08, que vieram a ser declarados inconstitucionais por conter dispositivos casuístas. Estabeleciam privilégios à organização social na observância dos requisitos para a qualificação como OS.

O site do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Brasília) informa que há mais de duas centenas de sentenças em reclamações trabalhistas referentes ao contrato. O estrago para o GDF, que responde subsidiariamente pelos direitos subtraídos dos trabalhadores, não será pequeno. Mais prejuízo para a sociedade que recebeu serviço de má qualidade!

A mesma Real Sociedade Espanhola de Beneficência está envolvida em ações de improbidade da procuradoria da república na Bahia, que questionam prejuízo de mais de R$ 40 milhões em Salvador - BA. Juntamente com ela, gestores públicos respondem por improbidade e por irregularidades na terceirização de programas de saúde. Segundo o MPF, a auditoria apontou que em alguns meses o pagamento da taxa de administração representou o item de custo mais elevado da prestação de serviço e também houve sonegação de encargos sociais. A notícia do MPF indica que foram seis anos de terceirização irregular dos Programas Saúde da Família e de Agentes Comunitários de Saúde.

"Viver à sombra do poder e intermediar negócios com Estado, preferencialmente realizando serviços cuja quantificação é de difícil aferição e confrontação é, desde muito cedo, um negócio que rende fortunas no Brasil. A terceirização é uma nova roupa dessa velha prática"
"Viver à sombra do poder e intermediar negócios com Estado, preferencialmente realizando serviços cuja quantificação é de difícil aferição e confrontação é, desde muito cedo, um negócio que rende fortunas no Brasil. A terceirização é uma nova roupa dessa velha prática." 

São muitos os exemplos trágicos e as notícias tristes dessa aclamada “modernidade”.

O modelo não garante a segurança jurídica, tão desejada pelos agentes econômicos. Além disso, produz serviços de má qualidade para a população e gera grandes prejuízos para o erário. Na perspectiva trabalhista, tem forte potencial de transferir renda em sentido inverso ao comando constitucional que deveria orientar as relações econômicas para a erradicação da pobreza e para a redução das desigualdades sociais.

Esse lado obscuro da terceirização – a corrupção - já era conhecida no período do império.

Há registros de que o melhor e mais divertido amigo do Dom Pedro I, Chalaça, enriqueceu à sombra do Imperador. Dedicou-se aos negócios escusos. Cobrando bem, destacou-se como serviçal competente e indispensável. Como se vê, não há nada de moderno em explorar a proximidade com o poder para, produzindo generosos benefícios privados, socializar os danos da atuação irresponsável.

♦ Por Leomar Daroncho - Procurador do Trabalho