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April 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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Juíza de Guarulhos é afastada por gritar com advogados e faltar ao fórum

April 20, 2017 11:08, by Blog do Arretadinho

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu, nesta quarta-feira (19/4), afastar a titular da 8ª Vara Cível de Guarulhos (SP) com base em relatos segundo os quais ela gritou com advogados, recusou-se a atender alguns desses profissionais em seu gabinete, faltou várias vezes ao fórum e “maquiou” atrasos em julgamentos. Por unanimidade, os 25 desembargadores do Órgão Especial viram indícios suficientes de que foram descumpridas regras da magistratura.

A juíza Márcia Blanes passa a responder a processo administrativo disciplinar e, somente se responsabilizada no exame do mérito, sofrerá alguma sanção. O pedido foi feito pela subseção em Guarulhos da Ordem dos Advogados do Brasil, que reclamou da falta de “tratamento urbano” à classe, criticou demora em decisões e apontou faltas constantes.

Segundo os relatos apresentados ao tribunal, a juíza disse que não atendia advogados porque “precisava trabalhar” e chegou a levar uma advogada “aos prantos”. O relator e corregedor-geral da Justiça, Manoel Pereira Calças, afirmou que a falta de cortesia ficou comprovada por testemunhas, como um escrevente que atua no gabinete.

O desembargador considerou “inusitada” a presença de mais de cem advogados na vara quando a unidade passou por correição, em outubro do ano passado. “Confesso que nesse um ano e três meses de gestão já tivemos outros casos de falta de urbanidade, mas sempre se encontram quatro ou cinco advogados”, afirmou durante o julgamento.

Home office indevido
Na defesa prévia, Márcia Blanes disse que ficou “perplexa” com as alegações de que desrespeitou advogados. Ela também reconheceu nem sempre ter ido ao fórum, mas alegou à Corregedoria que “estava constantemente em conexão”, pois julgava processos em casa, na modalidade teletrabalho.

O corregedor afirmou que o home office é vedado a juízes em primeiro grau, porque suas atribuições não se resumem a assinar sentenças e despachos: prova disso é que o cartório apresenta atrasos e falhas na rotina processual, sem fiscalização eficiente da titular da vara.

Outro problema, segundo ele, é que os processos prontos para julgamento não iam para a fila de conclusão. Em vez de seguir esse procedimento padrão, a juíza “pinçava” processos de outras filas para julgar. Na avaliação do corregedor, a prática “maquiou” o número correto de ações que aguardam sentença, prejudicando a análise sobre a produtividade.

Calças citou ainda média desproporcional de rejeição de petições iniciais. Enquanto as outras nove varas cíveis de Guarulhos apresentam índice de 10%, na 8ª vara havia o “espantoso” percentual de 79% — 95% dessas decisões acabavam reformadas no TJ.

O relator, a princípio, considerava desnecessário o afastamento, porque Márcia Blanes pretendia ser removida para uma vaga na capital paulista. O desembargador Ricardo Anafe e o presidente da corte, Paulo Dimas Mascaretti, consideraram que os graves indícios deveriam deixá-la longe das funções. O corregedor concordou com a medida.

Pesou o fato de que ela já respondeu a 35 representações em 18 anos de carreira, a maior parte delas relacionadas a relatos de tratamento descortês. A corregedoria chegou a fazer algumas recomendações, mas nem todas foram atendidas, segundo os desembargadores.

Processo 137.944/2016

Por Felipe Luchete
Fonte: Conjur



Entidades cobram uma Previdência mais justa

April 20, 2017 11:00, by Blog do Arretadinho

OAB, CNBB e Conselho de Economia divulgam nota conjunta por uma Previdência justa e ética

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A Ordem dos Advogados do Brasil, OAB; a Conferência Nacional dos Bispos no Brasil e o Conselho Federal de Economia, COFECON, divulgaram uma nota conjunta em defesa de uma Previdência justa e ética.

Confira:

Nota conjunta

Além da auditoria na Previdência Social, com a compreensão dos números exatos e de sua gestão para um debate honesto com a sociedade, as entidades cobram que não haja retrocessos sociais e a retirada de direitos garantidos dos cidadãos brasileiros. Também cobram que uma eventual reforma garanta a proteção aos vulneráveis, idosos, titulares do Benefício de Prestação Continuada (BPC), enfermos, acidentados e outros vulneráveis, além de atenção especial às mulheres.

As entidades criticam ainda a justificativa da reforma ao comparar a situação do Brasil com a de países ricos, “pois existem diferenças profundas em termos de expectativa de vida, níveis de formalização do mercado de trabalho, de escolaridade e de salários”. “No Brasil, 2/3 dos aposentados e pensionistas recebem o benefício mínimo e 52% não conseguem completar 25 anos de contribuição”, afirmam.

Leia abaixo a nota conjunta da OAB, CNBB e Cofecon sobre a Reforma da Previdência:

POR UMA PREVIDÊNCIA SOCIAL JUSTA E ÉTICA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e o Conselho Federal de Economia-COFECON, conscientes da importância da Previdência Social para o povo brasileiro, e preocupados com a proposta de reforma encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional, vêm, conjuntamente, reiterar sua posição sobre a Reforma da Previdência-PEC 287/2016.

Nenhuma reforma que afete direitos básicos da população pode ser formulada, sem a devida discussão com o conjunto da sociedade e suas organizações. A Reforma da Previdência não pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as razões de ordem econômica acima das necessidades da população. Os valores ético-sociais e solidários são imprescindíveis na busca de solução para a Previdência.

As mudanças nas regras da Seguridade Social devem garantir a proteção aos vulneráveis, idosos, titulares do Benefício de Prestação Continuada-BPC, enfermos, acidentados, trabalhadores de baixa renda e trabalhadores rurais. Atenção especial merecem as mulheres, particularmente na proteção à maternidade.

Sem números seguros e sem a compreensão clara da gestão da Previdência, torna-se impossível uma discussão objetiva e honesta, motivo pelo qual urge uma auditoria na Previdência Social. Não é correto, para justificar a proposta, comparar a situação do Brasil com a dos países ricos, pois existem diferenças profundas em termos de expectativa de vida, níveis de formalização do mercado de trabalho, de escolaridade e de salários. No Brasil, 2/3 dos aposentados e pensionistas recebem o benefício mínimo, ou seja, um salário mínimo e 52% não conseguem completar 25 anos de contribuição.

A PEC 287 vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos municípios do Brasil.

É necessário que a sociedade brasileira esteja atenta às ameaças de retrocesso. A ampla mobilização contra a retirada de direitos, arduamente conquistados, perceptível nas últimas manifestações, tem forçado o governo a adotar mudanças. Possíveis ajustes necessitam de debate com a sociedade para eliminar o caráter reducionista de direitos.

As entidades infra firmadas convidam seus membros e as organizações da sociedade civil ao amplo debate sobre a Reforma da Previdência e sobre quaisquer outras que visem alterar direitos conquistados, como a Reforma Trabalhista. Uma sociedade justa e fraterna se fortalece, a partir do cumprimento do dever cívico de cada cidadão, em busca do aperfeiçoamento das instituições democráticas.

Brasília, 19 de abril de 2017.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB

Ordem dos Advogados do Brasil-OAB

Conselho Federal de Economia-COFECON



Quais são os crimes virtuais mais comuns?

April 20, 2017 10:44, by Blog do Arretadinho

O mundo, como sabemos, está cada vez mais conectado. 
Atualmente, a vida das pessoas está interligada à internet. As redes sociais, por exemplo, contam com milhares de usuários em todo o planeta. Há também quem não faz uso das famosas redes, porém, acessa a internet para outros serviços, como transações bancárias, compras online, entre outros.

Com o crescente número de usuários web há cada vez mais espertalhões tentando tirar proveito da situação para roubar alguma informação. Os meios mais comuns para isso é através do phishing (conversas ou mensagens falsas com links fraudulentos), spam (mensagens enviadas sem o consentimento do usuário) e malwares (softwares maliciosos instalados sem permissão do usuário, como vírus. Confira aqui a diferença entre pishing, malware e vírus.

A prática de crimes virtuais ainda é muito comum justamente pela ilusão que o computador não poderá revelar a identidade dos evolvidos, além disso, muitos acreditam que a punição ainda é muito branda, ou mesmo inexistente.

Os usuários, por sua vez, ainda estão despreparados para reconhecer possíveis tentativas de fraudes, e assim acabam caindo em algum golpe. Por fim, por não saberem de seus direitos, acabam ficando calados perante os crimes praticados.

Em quais locais ocorrem os crimes mais comuns:
Aplicativos maliciosos: Com a consagração dos smartphones, vários aplicativos são desenvolvidos especialmente para o roubo de dados em celulares;

Lojas virtuais falsas: As compras realizadas através da internet estão cada vez maiores, em virtude disso, muitos criminosos do ramo acabam criando ofertas falsas, com preços tentadores de produtos que costumam ser o sonho de consumo de muita gente. Então, cuidado, antes de se render a uma grande oferta, certifique-se que não se trata de um golpe;

Hotéis: Grande parte das pessoas que viajam costuma fazer as reservas de hotéis de forma online. Sabendo disso, os criminosos se aproveitam da situação para enviar e-mails falsos para os usuários solicitando que seja preenchido um formulário, assim, os criminosos conseguem várias informações sobre os usuários, incluindo dados bancários.

A prática dos crimes nas redes sociais
Para quem imagina que está imune a qualquer crime virtual, ou que esse tipo de modalidade de ato só acontece com pessoas altamente despreparadas, saiba que você pode estar enganado. Ao clicar em qualquer link malicioso, ou mesmo dispor muitas informações pessoais nas redes sociais você poderá se tornar mais uma vítima de tais crimes.

Além disso, com o grande número de usuários nas redes sociais, muitas interações acabando sendo considerados crimes. Muitas pessoas acabam utilizando as redes sociais para cometer algum delito, esquecendo que no local também existem regras e punições.

Confira abaixo os crimes que costumam ser praticados nas redes sociais:

  • Calúnia: Inventar histórias falsas sobre alguém;
  • Insultos: Falar mal ou mesmo insultar uma pessoa;
  • Difamação: Associar uma pessoa a um acontecimento que possa denigrir a sua imagem;
  • Divulgação de material confidencial: Revelar segredos de terceiros, bem como materiais íntimos, como fotos e documentos;
  • Ato obsceno: Disponibilizar algum ato que ofenda os terceiros;
  • Apologia ao crime: Criar comunidades que ensinem a burlar normas ou mesmo que divulguem atos ilícitos já realizados;
  • Perfil falso: Criar uma falsa identidade nas redes sociais;
  • Preconceito ou discriminação: Fazer comentários nas redes sociais, fóruns, chats, e-mails, e outros, de forma negativa sobre religião, etnias, raças, etc;
  • Pedofilia: Troca de informações e imagens de crianças ou adolescentes.


Como fazer para se proteger?
Primeiramente devemos lembrar que todo e qualquer crime praticado na internet possui leis que os representam. Deste modo, em nenhuma hipótese a melhor alternativa é ficar calado. Se você caiu, mesmo sem querer, em qualquer golpe pela web, ou mesmo foi vítima de qualquer situação desfavorável em uma rede social, lembre-se há leis que amparam a sua situação. Muitas pessoas também são chantageadas por pessoas, no geral, conhecidos, ex-namorados, ex-maridos com a divulgação de fotos íntimas na rede, saiba que, mesmo que a divulgação não seja feita, o crime está estabelecido, então, o melhor é denunciar.

O primeiro passo, após ser vítima de qualquer crime virtual, seja qual for a modalidade, é procurar uma Delegacia Especializada em Crimes Eletrônicos. Caso não exista em sua cidade, a denúncia pode ser feita em qualquer outra Delegacia.

Após, o ideal é procurar um advogado especializado em Direito Digital, para que o profissional possa guiar da melhor forma a vítima desse tipo de crime.

Confira abaixo endereços de Delegacias Especializadas em Crimes Virtuais 

São Paulo:
DIG-DEIC – 4ª Delegacia – Delitos praticados por Meios Eletrônicos. Presta atendimento presencial, por telefone e via Web. Endereço: Av. Zack Narchi, 152, Carandiru – São Paulo (SP) Fone: (11) 2224-0721 ou 2221 – 7030. Para denunciar qualquer espécie de delito virtual anonimamente, utilize o e-mail:4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br

Rio de Janeiro:
Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) – Rua Professor Clementino Fraga, nº 77 (2º andar), Cidade Nova (prédio da 6ª DP), Rio de Janeiro/RJ (CEP: 20230-250), telefones (0xx21) 2332-8192, 2332-8188 e 23328191 e e-mails drci@pcivil.rj.gov.br;

Espírito Santo:
Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos (DRCE) – Av. Nossa Senhora da Penha, 2290, Bairro Santa Luiza, Vitória/ES (CEP: 29045-403), telefone (0xx27) 3137-2607 e e-mail drce@pc.es.gov.br;

Minas Gerais:
DEICC – Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos – Av. Nossa Senhora de Fátima, 2855 – Bairro Carlos Prates – CEP: 30.710-020, Telefone (33) 3212-3002, e-mail dercifelab.di@pc.mg.gov.br;

Paraná:
Nuciber da Polícia Civil do Paraná – Rua José Loureiro, 376, 1º andar – sala 1 – Centro – 80010-000 – Curitiba-PR, Tel:(41) 3323-9448 – Fax: (41) 3323-9448, e-mail cibercrimes@pc.pr.gov.br;

Rio Grande do Sul:
Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI/DEIC) – Av. Cristiano Fischer, 1440, Bairro Jardim do Salso em Porto Alegre, na mesma sede do DEIC. O telefone de contato é (0xx51) 3288-9815, e-mail drci@pc.rs.gov.br;

Distrito Federal:
Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (DICAT) – Não atende diretamente ao público, neste caso a vítima pode procurar a delegacia mais próxima para efetuar registro de ocorrência, A DICAT é uma Divisão especializada em crimes tecnológicos que tem como atribuição assessorar as demais unidades da Polícia Civil do Distrito Federal, o telefone é (0xx61) 3462-9533 e e-mail dicat@pcdf.df.gov.br;

Goiás:
Gerência de Inteligência da Polícia Civil – Setor de Análise (0xx62) 3201-6352 e 6357)

Pará:
Delegacia de Repressão aos Crimes Tecnológicos – Travessa Vileta, nº 1.100, Pedreira. Belém-PA. CEP: 66.085-710, com telefone de contato (91) 4006-8103, e-mail drct@policiacivil.pa.gov.br. A DRCT é vinculada à Diretoria de Repressão ao Crime Organizado.

Mato Grosso – Cuiabá:
Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia – GECAT – Av. Cel. Escolástico Nº, Bandeirantes – Cuiabá – Cep: 78.010-200 – Telefone: (65) 363-5656

Sergipe – Aracaju
Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) – Rua Laranjeiras, nº 960, Bairro Centro – Aracaju – Cep: 4900-000 telefone: (79) 3198-1124

fonte Advocacia Moreira Consultoria & Jurídico
Advocacia Moreira e Consultoria Jurídica tem como objetivo atender as diversas demandas jurídicas, com o intuito de buscar sempre o resultado mais satisfatório aos seus clientes e colaboradores. Trabalho pautado nos princípios da ética, eficiência, confiança e honestidade.



Não há padrinhos na Casa Grande

April 18, 2017 19:35, by Blog do Arretadinho

Viver é se posicionar. Por isso que, a cada dia que passa, tenho me identificado mais com a expressão cunhada por Sueli Carneiro: “Entre Esquerda e Direita, sou Preta!”. Alguns atribuem neutralidade negativa nesta frase. Eu vejo de outro modo.

Muito se tem comentado sobre a fala, infeliz, da Ministra dos Direitos Humanos Luislinda Valois, em evento no Palácio do Planalto estes dias, no qual ela afirmou ser o Presidente Michel Temer “padrinho” das mulheres negras. Recebi mensagens inbox, de whatsapp, fui marcada em posts, “convidada” a compartilhar cartas. Decidi escrever com a cabeça fria e o espírito livre. E assim, retomo o fio da meada do primeiro parágrafo.

Ao nascermos, nós negros já vivemos uma série de contradições e opressões que não percebemos de pronto. O parto já é uma experiência violenta pela violência obstétrica, fruto do racismo institucional – em números, 65,9% das mulheres que relatam ter sofrido violência obstétrica são negras (FIOCRUZ, 2014). Já ao nascer somos denominados “pretos”. E ser nominado “preto” significa, já no hospital, deter menos atenção, menos cuidados – 53, 6% das vítimas de mortalidade materna são mulheres negras (Ministério da Saúde, 2015). Mas não temos ainda as capacidades para entender algo como isso. Vamos crescendo.

A infância é uma série de contradições. Já nos desenhos, não nos vemos. Mas, como apenas existe o convívio familiar, ainda não sabemos que somos negros. Somos criança. Somos o bebê da família. Aqueles desenhos infantis, apenas com representações brancas, não fazem sentido racial, se não pura diversão. Mas aí vem a escola e é neste ambiente, ainda novos, que sabemos que somos “pretos”. Os que vieram de “escravos”, como se uma condição natural e permanente. Riem de nossos cabelos, de nosso tom de pele, zombam. Queremos sumir. Queremos negar. Dizemos que temos um avô europeu. Mas não sabemos quem ele é, de onde exatamente veio, se “de trás dos montes”, ou de outro lugar que o valha. Apagamos tudo o que podemos e que nos ligue ao ser “preto”. Incorporamos insultos como “piadas normais” e/ou “brincadeiras tranquilas”. Alisamos, raspamos,  desafricanizamos. Tudo que é ligado ao “preto”, a África é negado, silenciado, apagado.

Ou nos posicionamos. Dizer-se “preto” em uma sociedade de aculturação e assimilação é como um ato político de resistência. Não é uma decisão fácil, nem uma percepção direta. É preciso reconstruir-se “preto”, reconectar-se “preto”, forjar a identidade negra. Dizer-se “preto” é perigoso e acarreta uma série de implicações e consequências simbólicas e políticas. Físicas. Dizer-se “preto” é colocar-se na primeira fila do fuzilamento policial, das chacotas estudantis, da negação identitária, do elevador de serviço, dos que devem ser seguidos por seguranças e funcionários em lojas de departamento, dos que serão observados de modo diferente e desconfiado nas ruas, dos que serão mortos e acometidos pela violência policial e social – a cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado (CPI do Senado sobre violência contra jovens negros, 2016).

Por isso que dizer-se “preto” antes de dizer-se de esquerda ou de direita é tão mais profundo e comprometido. Há 500 anos morre-se neste país por ser e dizer “preto”.

Neste sentido, no campo simbólico e das relações morais, afirmar-se “preto” traz ainda outro encargo: não é permitido errar. Quando a sociedade não lhe assassina psicologicamente, nem fisicamente, ela prontamente lhe assassinará moralmente. Mesmo, e inclusive, os que não tem nenhuma condição para tal. É por isso que posicionar-se “preto” tem uma sobrecarga. Afirmar-se “preto” significa, no campo moral, que não se pode errar, não se pode titubear. A espada não é da justiça, mas justiceira nestes casos. Uma das consequências é um padrão de conduta que será sempre supervisionado, principalmente por não-negros, que acham que, ainda, lhes devemos algo. Que nossas trajetórias construídas a partir de nossa afirmação em sermos “pretos” devem a eles alguma coisa, alguma “conquista”. E esta situação pode gerar alguns tipos de conduta. Infelizmente, uma delas é a de aceitação e agradecimento aos algozes de méritos da coletividade que é tão e somente “preta”.

O maior equívoco da Ministra Luislinda Valois, a meu ver, não é ser de direita. Não somos seres unos, homogêneos. Não temos a obrigação de carregar, mais uma vez, em nossas costas o conforto de todos. E isto deve ser compreendido. “Pretos” são tão diversos e complexos quanto qualquer outro ser humano (características que brancos ainda acham exclusivas de sua cor). O maior equívoco da Ministra Luislinda, para mim, como mulher negra, é agradecer aos seus algozes. O equívoco maior, porque não deixa de ser um equivoco, não está no fato de compor um governo golpista. Mas no fato de compor um governo golpista com setores dos mais retrógrados e conservadores do país, ou seja, com os herdeiros escravocratas. Com os herdeiros dos “méritos” de sua própria exclusão e espera por 8 anos para ocupar um cargo que sempre teve direito, como Desembargadora. Com os herdeiros dos estupradores de nossas ancestrais. De compor e agradecer àqueles que desfrutam conforto consequente de um passado, e de um presente, que escravizou e precariza a vida de gente “preta”.

Não farei textos como a branquitude demanda (podem demandar algo de mim?) ou como muitos esperam. Porque dizer que racismo é estrutural e estruturante significa dizer do emaranhado complexo desta opressão e de como se expressa nas relações. Tão pouco, passarei a mão na cabeça de uma mulher adulta, fazendo uma limitada análise de representatividade (já escrevi diversas vezes que representatividade é um meio e não um fim). Mas quero expressar a complexidade que uma opinião, frente a uma opressão que nos corrói politicamente, economicamente, psicologicamente e fisicamente, sobre aquela infeliz e equivocada fala demanda.

Acredito que a Ministra Luislinda Valois, portanto, não feriu a minha história. Mas a de si própria. Uma história de vida, marcada por enfrentamento aos obstáculos do racismo, ferida profundamente por uma frase. Acredita no que disse?

Juliana Borges é Feminista Negra. Pesquisadora em Antropologia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde cursa Sociologia e Política. Foi Secretária Adjunta de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo (2013).

fonte Justificando



Policiais invadem Congresso Nacional

April 18, 2017 18:41, by Blog do Arretadinho

André Dusek/ 18.04.2017/ Estadão Conteúdo
Policiais invadem Congresso Nacional, e protesto contra reforma da Previdência termina em quebra-quebra
Funcionários foram retirados de partes do prédio. Seis manifestantes foram detidos

Manifestantes que participavam de protesto de policiais civis de vários estados do País e do Distrito Federal invadiram a Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira (18). Houve confusão e quebra-quebra, e a área foi isolada pela Polícia Legislativa. Seis policiais civis foram detidos pela Polícia Legislativa.

Funcionários foram retirados de áreas do prédio e a imprensa que estava dentro do Congresso foi mantida no Salão Verde. O protesto, que começou pacífico em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, era contra a proposta de Reforma da Previdência. 

Houve confronto entre a Polícia Legislativa e alguns manifestantes que conseguiram entrar no prédio. Vidros foram quebrados, spray de pimenta e bombas de efeito moral foram jogados.

O número de manifestantes que invadiu o Congresso é incerto, mas segundo a Polícia Militar do DF cerca de 3.000 policiais participavam do protesto do lado de fora. Eles entraram pela chapelaria, entrada no subsolo por onde chegam deputados, senadores, alguns funcionários e todos os visitantes.

No Salão Negro, por onde entram as autoridades em solenidades após subirem a rampa externa, a polícia legislativa conseguiu conter os manifestantes. 

Após a confusão, parte do grupo dirigiu-se à rampa do Congresso Nacional. Não há informações sobre feridos. A segurança nas portarias foi reforçada e a circulação entre o Senado e a Câmara está restrita.

Após o tumulto, um grupo de manifestantes entrou para uma reunião com o relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA).

Desde o final da manhã, o grupo formado por cerca de 3 mil policiais civis, militares, guardas municipais, entre outros profissionais da segurança pública, posicionou-se em frente ao gramado do Congresso Nacional para protestar contra a proposta de reforma da Previdência.

O texto original encaminhado pelo governo previa o fim da aposentadoria especial para a categoria.

O protesto foi organizado pela União de Policias do Brasil (UPB), que pretendia protocolar um pedido de retirada dos policiais da proposta de reforma do governo. De acordo com a assessoria da UPB, a entidade congrega 29 entidades de policiais, menos policiais militares.

Ainda de acordo com UPB, A convocação do protesto para as 13h desta terça-feira, em frente ao Congresso Nacional foi no ato pelo "Dia de Luta pela Valorização do Profissional de Segurança Pública" e contra a PEC 287/16, a PEC da Previdência. Participaram policiais da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Científica e civil do DF, MG, ES, SE e GO.

por Mariana Londres, do R7 e Taciana Collet, do Jornal da Record em Brasília, com Agência Brasi



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