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April 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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Friboi é do PMDB? Mas não diziam que era do filho do Lula?

November 8, 2016 20:51, by Blog do Arretadinho

Durante anos repercutia nas redes sociais a falsa notícia de que a Friboi pertenceria ao filho de Lula, Fábio Lula da Silva. 
Os desmentidos, muitas vezes ignorados, resultaram em ações judiciais. Eis que nesta sexta-feira, no curso da Operação Lava-Jato, descobre-se que a JBS estava no esquema que envolve lideranças do PMDB, entre elas Eduardo Cunha.

Na nova etapa da Lava-Jato, a Polícia Federal teve como alvo a empresa JBS, dona da Friboi. A operação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavaski, relator da Lava Jato, e tem como base a delação do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, aliado do deputado Eduardo Cunha. A PF cumpre mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Brasília.

Um dos presos foi o aliado de Eduardo Cunha, Lúcio Bolonha Funaro, um corretor que negociava acordo de delação com a PGR (Procuradoria-geral da República).

Há suspeitas de que a JBS tenha pago propina, por meio de Funaro, para obter recursos do fundo de investimentos do FGTS, liberados por influência de Cleto.

O dinheiro, segundo as investigações da PF, era dividido entre Cleto, Cunha e Funaro.

O STF também autorizou busca e apreensão na casa do lobista Milton Lyra.

Também houve o cumprimento de mandato de busca e apreensão na casa do lobista Milton Lyra, conhecido como Miltinho. O homem, de 44 anos, foi citado por delatores como operador do senador Renan Calheiros no Postalis, o fundo de pensão dos servidores dos Correios. Quatro requerimentos para ouvi-lo foram apresentados na CPI dos Fundos de Pensão, mas não votados.

fonte conexaojornalismo



Filantropia com verba pública

November 6, 2016 10:04, by Blog do Arretadinho

ELZA FIÚZA/AGÊNCIA BRASIL
Cruz Vermelha distribuiu R$ 3,5 mi do DF a 15 pessoas e sete empresas
MPDFT quer a responsabilização de dirigentes e a devolução do repasse que deveria ter sido usado para gerir duas UPAs no Distrito Federal

O repasse de R$ 3,5 milhões que o GDF fez à Cruz Vermelha de Petrópolis seguiu um caminho pouco usual após cair na conta da entidade. Com o valor, transferido em 2010, a organização deveria administrar as unidades de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas e de São Sebastião. No entanto, em vez de os recursos serem usados para comprar produtos médicos ou contratar serviços de saúde, o dinheiro foi distribuído a pessoas físicas e empresas.

Documentos obtidos pelo Metrópoles revelam que, ao longo de seis meses, 15 pessoas físicas e sete empresas receberam o dinheiro que saiu dos cofres públicos do Distrito Federal (veja abaixo). Um dos maiores beneficiários foi Carlos Augusto Baptista, com R$ 151,6 mil. Baptista era responsável pela organização social (OS) Inase e foi investigado pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF-RN) durante a Operação Assepsia, por suspeitas de irregularidades na contratação da entidade pelo Hospital da Mulher.

Outro beneficiado pelo repasse dos valores foi Salomão Lemos Gonçalves, ex-prefeito de Cordeiro (RJ). Segundo a planilha, ele recebeu R$ 44 mil. Em 2014, Gonçalves teve o mandato cassado pela Câmara Municipal. O político foi acusado de ter participado de um suposto esquema de desvio de verbas feito por meio da compra de medicamentos. Ele chegou a ter os bens bloqueados, em ação proposta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Contrato cancelado, dinheiro evaporado
Firmado em julho de 2010, o contrato do GDF com a Cruz Vermelha de Petrópolis foi cancelado um mês depois, por suspeitas de irregularidades. Mesmo assim, a entidade recebeu R$ 3,5 milhões e, segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), não devolveu o dinheiro.

O MPDFT propôs uma ação civil de improbidade administrativa e a abertura de inquérito policial contra a Cruz Vermelha de Petrópolis. A ação de improbidade cobra R$ 8,9 milhões — entre o ressarcimento dos valores atualizados e multa. Ainda há um pedido de bloqueio de bens dos envolvidos.

Já o pedido de abertura de inquérito policial quer o indiciamento dos dois representantes da entidade responsáveis por repassar o dinheiro recebido do GDF: Richard Strauss Cordeiro Junior e Douglas Souza de Oliveira. A denúncia do MPDFT os acusa de formação de quadrilha, apropriação indébita e uso irregular de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entidade admite irregularidades
Ao ser questionada pelo Metrópoles, a Cruz Vermelha Nacional (CVN) admitiu que houve problemas no contrato firmado entre o GDF e a Cruz Vermelha de Petrópolis. Segundo a CVN, a entidade foi usada “indevidamente” em 2010 por “pessoas de má-fé” que visavam ao “enriquecimento ilícito”.

A reportagem procurou as pessoas citadas como destinatárias dos repasses, mas não conseguiu localizar nem os suspeitos nem os respectivos advogados. Já a Secretaria de Saúde informou apenas que o contrato foi rescindido cerca de um mês após ser celebrado.



Lula conclama movimentos a se unirem em torno de um projeto para o país

November 6, 2016 9:51, by Blog do Arretadinho

Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Ex-presidente participou hoje de ato com movimentos sociais e de trabalhadores, artistas e intelectuais contra invasão da Escola Florestan Fernandes, ontem, pela Polícia Civil. Estiveram representados 36 países
por Redação RBA

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu seu discurso na tarde de hoje (5), em ato realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, em São Paulo, propondo uma reflexão sobre a conjuntura política no Brasil. "Não sei se nós já construímos uma teoria para entender o que está acontecendo", disse, ao levar solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela invasão policial na escola na manhã de ontem. "Precisamos de um diagnóstico preciso, juntar o máximo de pessoas em torno desse diagnóstico, com propostas. O que nós vamos propor para este país para os próximos 20, 30 anos? Qual proposta vamos construir?

"Estamos na hora de construir alguma coisa mais sólida, não é partido, não é entidade, é um movimento. Até agora o que melhor fizemos foram as Diretas Já. Mas agora precisamos criar um movimento para restabelecer a democracia neste país", disse, sendo acompanhado por gritos de 'Fora, Temer' e 'Volta, Dilma'. Afirmou que é preciso unir as ideias para que se possa "acreditar que é possível".

Disse que as pessoas não devem se preocupar com ele e seu futuro: "Tenho casca dura". A preocupação agora é com os movimentos sociais. "Querem criminalizar os movimentos de esquerda."

O ex-presidente lamentou todas as conquistas sociais que já foram por terra: "Se Temer quer resolver os problemas do Brasil, coloque os pobres no orçamento".

Lula mencionou várias vezes o protagonismo do Brasil diante das relações exteriores nos últimos anos e que essa postura mudou com o atual governo, representando uma volta ao tempo de "lambe-botas" dos Estados Unidos. Lembrou que por coincidência, hoje (5 de novembro), faz 11 anos que o Brasil eliminou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), mudando sua então postura subserviente diante dos norte-americanos.

A ex-presidenta Dilma Rousseff enviou mensagem por escrito que foi lida durante o ato: "A invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes, ligada ao MST, é um precedente grave. Não há por que admitir ações policiais repressivas que resultem em tiros e ameaças letais, ainda mais em uma escola. É lamentável que a semana termine com novos assaltos aos direitos civis e a tentativa de criminalizar os movimentos sociais. O atropelo às regras do Estado de Direito, com a adoção de claras medidas de exceção, deve ser combatido. É uma ameaça à democracia que envergonha o país aos olhos do mundo".

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou a seletividade da Justiça, os retrocessos advindos com o golpe parlamentar e a necessidade de resistência e conexão com a América Latina contra a investida neoliberal. "É um golpe continuado que criminaliza os movimentos sociais, como o MST. Temos uma Justiça seletiva que persegue partidos de esquerda, organizações populares; para essa Justiça, o PT é uma organização criminosa, o MST é uma organização criminosa. O Poder Judiciário tomou de vez as atribuições do Poder Legislativo."

Centenas de pessoas ligadas a movimentos sociais, artistas, intelectuais e representantes de trabalhadores participam do ato de solidariedade.

A atividade contou também com a participação de outros políticos e parlamentares, como o deputado dederal Ivan Valente (Psol-SP), lideranças e representantes do Levante Popular da Juventude, da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e do Coletivo Democracia Corinthiana.

Organizações de 36 países, entre eles África do Sul, Egito, Gana, Índia, Síria, Tunísia, Venezuela, Cuba e Palestina também estavam presentes.

O ato teve início com intervenções artísticas musicais do MST e de representantes do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos da África do Sul (Numsa) e foi seguido por falas das lideranças.

O tom dos discursos foi de resistência diante do que foi considerado um "tapa na cara" desferido pela direita. Na manhã de ontem, cerca de dez viaturas chegaram ao local. Os policiais pularam o portão da escola e a janela da recepção e entraram atirando em direção às pessoas que ali estavam.

Ivan Valente refletiu sobre este, que é um "momento muito sério da política brasileira": Muita ousadia do conservadorismo brasileiro atacar um símbolo da resistência à ditadura militar e da reforma agrária, pular a cerca dando tiros aqui. Temos que dizer que não aceitamos repressão no Brasil, vamos lutar de cabeça erguida!”.

A operação decorreu de ações deflagradas no estado do Paraná e Mato Grosso do Sul, ligadas ao caso Araupel, empresa que há décadas explora irregularmente parte de uma área considerada pública no município de Quedas do Iguaçu, no Paraná.

A empresa tem um histórico de conflito e degradação ambiental na região, com a substituição das matas nativas por monocultura de pinus e araucária, visando a indústria da madeira.

Desde maio de 2014 aproximadamente 3 mil famílias acampadas, ocupam áreas griladas pela Araupel. Essas áreas foram griladas e por isso declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União que devem ser destinadas para a reforma agrária.



VIVA OS PAÍSES RICOS

November 5, 2016 9:07, by Blog do Arretadinho

Como os países ricos usam os coxinhas das colônias
Imagine que em 1969, logo depois do AI-5, com o General Médici de plantão, quando recrudesceu a luta armada de resistência, os resistentes tivessem saído vitoriosos, com a ascensão de alguém comprometido com o país e o povo.

Imagine ainda que esse alguém e seu grupo ficassem no poder por 42 anos, até 2011.

Continuando no campo da imaginação, em 2011 o Brasil teria saído de secular miséria, tão conhecida nossa, principalmente a nordestina, de secas e migrações, para um dos dez maiores IDH do planeta, um dos dez melhores padrões de vida do planeta.

Para isso, os rebeldes começariam por nacionalizar a chamada indústria de base e as riquezas do solo e do subsolo.

O crescimento começaria imediatamente e 42 anos depois...

Nenhum brasileiro pagaria conta de energia elétrica, estatal e gratuita;

Todos os empréstimos bancários (bancos estatais) seriam subsidiados, de maneira que não se pagasse juros;

O direito à habitação (ter uma casa) seria considerado direito humano. Para isso, o governo fazia uma doação de cinqüenta mil dólares, aos nubentes (casal em matrimônio), para que comprassem um apartamento;

A educação e a assistência médica seriam totalmente estatais, estendidas a todos os brasileiros. Se não houvesse no Brasil o curso pretendido por um estudante ou, havendo, não houvesse vaga, o Estado patrocinaria o curso no exterior. Se, formado, não encontrasse ocupação no mercado de trabalho, o Estado pagaria o seu salário, até que começasse a trabalhar. Da mesma maneira, se não houvesse algum tipo de exame médico ou terapia, o Estado patrocinaria o exame ou o tratamento no exterior, de qualquer brasileiro;

Após uma reforma agrária de fato, para quem desejasse trabalhar a terra, o governo entraria construindo uma casa na propriedade, fornecendo adubos, sementes e ferramentas ou matrizes dos animais a serem criados, gratuitamente;

O primeiro carro, comprado por brasileiros, teria um subsídio de 50% (o governo pagaria a metade do preço);

O litro da gasolina estaria custando, hoje, 12 centavos de dólares (mais ou menos 40 centavos de real);

Nos mesmos moldes do PIS e do FGTS, cada brasileiro teria uma conta bancária, onde seria depositada a sua parcela no lucro da Petrobras;

O auxílio maternidade, pago às mães, seria de 5 000 dólares, aproximadamente 17 000 reais;

Diante do maior rio artificial do mundo, ligando regiões ricas em nascentes a cidades e lavouras localizadas em regiões áridos e semi-áridas, a Transposição do Rio São Francisco seria obra menor;

Com isso, o Brasil em 2011 teria um em cada quatro habitantes com curso universitário, nem dívida interna nem dívida externa e 150 bilhões de dólares de reservas cambiais.

Antes que algum coxinha diga que deliro, ou que fumei maconha mofada, como dizem, este país é possível e existiu, e estou me referindo à Líbia.

Isto foi possível porque eles têm 46 bilhões de barris de petróleo em reserva, quatro vezes menos que o PreSal brasileiro.

Em 1969 Kadhafi assumiu o poder e levou o povo líbio a este padrão.

Quando os Estados Unidos acusaram o Iraque(Houssein) de fabricar armas químicas e biológicas, além de estar desenvolvendo projetos de armas nucleares, para justificar a invasão e o confisco do petróleo, também acusou a Líbia(Kadhafi) da mesma coisa e pelo mesmo motivo.

Os americanos invadiram o Iraque, nada encontrando, e depois de matar cem mil civis confiscaram o petróleo.

Kadhafi, temendo o mesmo destino para a Líbia, abriu o país à inspeção internacional, para que vissem que a situação dos líbios era a mesma dos iraquianos: nada de armas químicas, biológicas ou atômicas, e os americanos mudaram de tática: plantaram espiões e agitadores no país, e logo os coxinhas líbios estavam nas ruas, gritando da falta de democracia, da ditadura de 42 anos, de corrupção, corrupção, corrupção...

E depuseram e mataram Kadhafi, privatizaram a estatal de petróleo, acabaram com todos os programas sociais, ratearam as reservas cambiais entre os invasores, como indenização de guerra, e a Líbia está em uma guerra civil, caminhando para ser uma nova Síria.

Que bom que não temos coxinhas no Brasil.

Por falar nisso, o gás de cozinha aumentou de preço, sabe por quê?

O governo tirou o subsídio, transferindo para o BNDES, para subsidiar empréstimos a empresários, e para o Ministério da Agricultura, para subsidiar empréstimos aos latifundiários.

É o que podemos chamar de governo do povo, do povo sustentando a elite.

Francisco Costa
Rio, 04/11/2016.

PS: antes dos coxinhas me agredirem, o que se tornou usual, solicito que consultem blogs e sites idôneos, ou a Wikipédia, porque reagir por instinto e babando ódio os meus cachorros também sabem fazer, e na foto, os coxinhas líbios. Tal lá como cá



O avanço do atraso e o desafio das esquerdas

November 4, 2016 22:41, by Blog do Arretadinho

As frentes Brasil Popular e a Povo sem Medo promoveram
a resistência mais consequente ao golpe
Foto Paulo Pinto/AGPT

por Roberto Amaral na Carta Capital

Para enfrentar a direita, é preciso lucidez doutrinária, coragem política e eficiência organizativa. O ponto de partida é a Frente Ampla
As esquerdas e o pensamento progressista não podem ficar atônitos, fitando os céus à espera de sinais de alento no momento em que sofre aquela que pode ter sido sua mais profunda derrota em nossa curta e acidentada história republicana. Impõe-se, isto sim, aprender com os revezes, se formos capazes de interpretá-los.

Trata-se, o processo em curso, de verdadeira debacle não apenas do ponto de vista eleitoral-aritmético (por certo  aquele que mais dói, embora não encerre toda a questão), tão festejado pela grande mídia, mas principalmente pelos indicadores ideológicos, bactérias não isoladas e que permanecerão desgastando o desgastado tecido político.

Com poucas e não significativas exceções, o eleitorado brasileiro votou, nestas eleições, preponderantemente pela direita ou pela alienação reacionária do antipoliticismo, que vai dar no mesmo. As esquerdas perderam substância eleitoral graças a erros crassos e reiterados, cuja responsabilidade a ninguém pode transferir. Perdeu o apoio do centro político-eleitoral, que migrou para o conservadorismo e para a direita, como gritam para ouvidos assustados os números das eleições do dia 30 de outubro. Eles revelam uma derrota ao mesmo tempo previsível e surpreendente em sua contundência.

"O eleitorado brasileiro votou, nestas eleições, preponderantemente pela direita ou pela alienação reacionária do antipoliticismo, que vai dar no mesmo"

Do esvaziamento eleitoral do PT nenhum outro grupamento do mesmo campo logrou beneficiar-se. A maior decepção deve ter ficado com o PSOL, anunciado em prosa e verso como seu beneficiário ao lado de outros candidatos de menor torque. Espera-se que o partido compreenda o papel histórico que as circunstâncias lhe ofereceram nessas eleições, aderindo à política de Frente.

O eleitorado independente e grande parte daquele que sempre optou pela esquerda ou pelo pensamento progressista migraram para constituir o maior ‘partido’ dessas eleições, a dramática e preocupante, embora claramente compreensível, emergência do desânimo (abstenção), do desencanto (voto em branco) e do protesto (voto nulo). Perfazem quase a metade do eleitorado, e em grande número de casos alcançam votação superior àquela dos prefeitos eleitos. Esse discurso precisa ser ouvido e entendido: a derrota do PT foi acachapante, mas nenhum outro partido, exceto o ‘não-partido’, credenciou-se para sucedê-lo.

Como toda e qualquer derrota eleitoral, essa não é definitiva, como as vitórias tampouco o são (terá finalmente o lulismo descoberto essa verdade acaciana?). Pode, contudo, perdurar se as esquerdas, a começar pelo PT, que perde a hegemonia sem ter a quem passar o bastão. Os petistas não tiverem a coragem e a humildade de proceder uma profunda e transparente autocrítica, que deve ao País e ao nosso povo há muito tempo. Uma autocrítica que se espera de igual forma e com igual desprendimento do governo da presidente Dilma e do presidente Lula. 

Não se trata de auto-flagelamento. A autocrítica é devida aos trabalhadores, aos setores populares e, mais do que que nunca, à juventude. É preciso passar a limpo o feito e o recusado, como as transformações estruturais na sociedade, como a reforma politica, a reforma do Judiciário, a reforma tributária, a reforma agrária e a democratização dos meios de comunicação de massas. É preciso passar a limpo os últimos 13 anos de política de centro-esquerda e o papel nela desempenhado pelos partidos e instituições sindicais e populares.

As esquerdas têm muito a cobrar do Partido dos Trabalhadores, mas nada ganham com a sua imolação. O PT precisa entender que está diante de algo mais importante do que seu umbigo, de suas avenças e desavenças internas, das tricas entre facções e tendências, da redução do mundo real a uma disputa interna de um poder fátuo, que, se não foram a causa (e não foram), foram porém um agente desestabilizador no governo e na vida partidária, na vida política e institucional do País.

"As esquerdas têm muito a cobrar do Partido dos Trabalhadores, mas nada ganham com a sua imolação"

Por tudo isso, o pensamento progressista aguarda e cobra a reorganização do PT. Espera que seu fundador e principal líder assuma o papel que lhe cabe nessa contingência. O desafio que aguarda o  partido, hoje, é maior do que o de sua criação em 1980.

Entre as muitas causas explicadoras da tragédia de hoje, para ser revisitada, destrinchada, entendida, há a crise de governança representada principalmente pelo segundo governo Dilma  – é preciso assumi-la com coragem. Existe uma crise política de governo, uma enciclopédia de erros cometidos em face das relações entre governo e sindicatos e movimentos sociais. Há erros clamorosos na construção das alianças partidárias e eleição de aliados. E o erro central da ilusão da conciliação de classe na qual o lulismo ingressou, sem a companhia da classe dominante.

Conhecer e identificar esses erros é a conditio sine qua non para nossa recuperação, pois ignorá-los é a certeza de sua repetição, aí então fatal. A esquerda precisa revisitar o significado e as consequências da opção eleitoral e do pragmatismo que não poderiam  ser confundidos nem com eleição a qualquer preço nem com governo de qualquer jeito.

O movimento social, quando não compreendido, gera surpresas, quase sempre desagradáveis para os condutores políticos. Os que não tiveram olhos para ver e instrumental teórico para compreender as jornadas de 2013 também não entenderam o claro discurso político representado pelas dificuldades das eleições de 2014. Adicione-se o fato de, eleitos contra a promessa do neoliberalismo conservador, havermos, no governo, tentado implantar a política econômica do adversário – e que tomou livre curso com a consumação golpe. O que se segue é história lamentável, conhecida e recente, que não carece de relembrança.

Diante dos fatos objetivos, porém, as forças populares, com os partidos e para além dos partidos, souberam reagir e em seu  melhor momento compreenderam que os desafios impunham, acima de nossos desencontros menores e quase sempre irrelevantes, a política de Frente.

Foram as frentes, como a Brasil Popular e a Povo sem Medo, agrupando movimentos como o MST e o MTST, sindicatos como a CUT a CTB, e partidos do campo das esquerdas que promoveram a resistência mais consequente ao impeachment. Havia clareza de que estávamos diante de desafio maior: um golpe de Estado que caminhava para além da deposição de Dilma Rousseff (meta ostensiva e imediata), porque, mais profundo que o golpe de 1964, o golpe parlamentar-mediático-judicial de 2016 prescindiu da violência militar e se julga, hoje, em condições de colher nas urnas o respaldo para a consolidação de seu projeto: um governo neoliberal-conservador, anti-nacional, anti-popular, anti-trabalhista, antidesenvolvimentista e profundamente anti-democrático. 

As lições deixadas pela política de Frente não podem ser relegadas a plano secundário. A ameaça do golpe em curso é maior que a de 1964 e tem raízes protofascistas: não podemos dar as costas ao  pronunciamento eleitoral de 2016 e deixar de perscrutar o que pode ser, nesse sentido, 2018. São exemplares as votações de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, de tradição rebelde, o voto popular migrou para o pentecostalismo de direita, levando a esquerda para um gueto de classe-média e alta nos bairros da Zona Sul.

"As lições deixadas pela política de Frente não podem ser relegadas a plano secundário"

Para a integralização do golpe, sem atos institucionais, sem tanques, tornou-se fundamental destruir as organizações políticas de esquerda, a começar pelo PT (processo em curso). Além disso, sem mandá-las para o exílio, é preciso destruir nossas lideranças, e a bola da vez é, consabidamente, o ex-presidente Lula, vítima de processo mediático-judicial-policial de desconstrução jamais visto entre nós.

O golpe, repitamos mais uma vez e não pela última vez, não se esgota no impeachment. É pura e simplesmente uma etapa necessária para a repressão e a desconstrução de um projeto de desenvolvimento nacional autônomo, fundado no aprofundamento das franquias democráticas, no avanço das conquistas sociais, na emergência das massas, na produção da riqueza nacional e na distribuição de renda.

O projeto do golpe, com Temer ou sem ele, mas impossível com Dilma ou Lula, é essa política de terra arrasada contra a democracia, a independência e a emergência das massas.

Para enfrentar o programa da direita, de exacerbação da dominação de classe, precisamos de lucidez doutrinária, coragem política e eficiência organizativa, o que passa pela unidade das forças de esquerda, ponto de partida de uma política de Frente a mais ampla possível.

Já.



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