MST ocupa fazenda ligada a Temer em São Paulo
May 9, 2016 9:44Com a ocupação, os manifestantes denunciam as conspirações golpistas de Temer, muitas vezes articuladas de dentro da propriedade.
da Página do MST
Na manhã desta segunda-feira (9), mil famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocuparam a fazenda Esmeralda, com sede em Duartina, interior de São Paulo, a fazenda é ligada ao vice-presidente Michel Temer (PMDB).
O objetivo da ocupação é denunciar as conspirações golpistas de Temer, muitas vezes articuladas de dentro da propriedade. Coma a ação, os Sem Terra também recolocam a pauta da Reforma Agrária em todo país.
A fazenda tem cerca de 1500 hectares, fica entre os municípios de Duartina, Fernão, Gália e Lucianópolis. Apesar de não constarem registros documentais em nome de Temer, é recorrente para os moradores da cidade a noção de quem é o verdadeiro dono da área.
Temer é cunhado com a expressão “o homem está aí!”, sempre que chega na fazenda para participar de articulações regionais e nacionais do PMDB.
Os manifestantes denunciam também o cultivo eucalipto na propriedade, chamado de “deserto verde” pela sua atuação maléfica ao solo.
Além dos prejuízos ambientais, o agronegócio praticado ali já foi denunciado pelo Ministério Público do Trabalho como forma de agressão aos direitos trabalhistas, quando foram realizadas na área diligências que identificaram trabalho em condições análogas à escravidão.
“A ocupação dessa fazenda é para denunciar a intervenção do agronegócio na articulação do golpe. Estamos aqui para denunciar as ligações escusas de Michel Temer com o proprietário da fazenda e sua empresa de fachada para arregimentar propina, informa Kelli Mafort, da Direção Nacional do MST
Denúncias
A Argeplan, empresa do proprietário formal da fazenda, Coronel “Lima”, começou a crescer após a chegada de Temer no alto escalão do governo.
Num contrato de R$ 162 milhões com a empresa Engevix, cujo proprietário José Antunes foi preso na operação Lava Jato, foi revelada (em delação premiada pelo próprio Antunes) a passagem de propina no valor de R$ 1 milhão para o PMDB de Temer.
Apesar de ter mais de 1500 hectares, em uma situação análoga ao “sítio de Atibaia” - factoide criado pela mídia -, remetido ao ex-presidente Luiz Inácio 'Lula' da Silva, a fazenda Esmeralda no interior de São Paulo nunca teve a mesma cobertura de sua real posse pelo pemedebista Michel Temer.
Além de sediar atividades regionais do PMDB, a propriedade funcionou como QG das articulações golpistas do Vice, que esteve no local no último dia 1º de maio.
Amigo de torturador
Além de golpista, os manifestantes relembram que Temer era amigo pessoal do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido torturador nos porões do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão que chefiou durante a ditadura.
No processo de acusação de Ustra, Temer foi sua testemunha de defesa, juntamente com outros dois nomes conhecidos pelo envolvimento em corrupção: Paulo Maluf e José Maria Marin.
“O coronel laranja”
João Batista Lima Filho, o Coronel Lima, sócio da Argeplan e proprietário formal da fazenda Esmeralda, é coronel da reserva da Polícia Militar da Paraíba, mas curiosamente é proprietário de milhares de hectares de terras em São Paulo. Segundo denunciam os militantes do MST, ele é o “homem do trabalho sujo” entre as empresas e os políticos do PMDB.
Segundo constam nas informações do MST, o Coronel Lima, sendo homem de extrema confiança de Michel Temer (como já veiculado em matéria da revista Época de 21 de abril de 2016), era o responsável pela logística da propina, seja na coação de empresas, no transporte de propinas ou na pressão e ameaças a testemunhas.
Mais irregularidades
Dentro da fazenda está localizada a antiga estação de trem Esmeralda, que foi desativada, mas, diferente das demais estações no estado de São Paulo, não pode ser acessada nem pelos órgãos responsáveis do patrimônio público. “A faixa de terra da estação é pública e não poderia ser apropriada de forma privada como está sendo. Isso tem nome: para nós é ‘grilagem’!”, adverte Mafort.
As famílias já começaram a erguer seus barracos de lona na fazenda e iniciam o cotidiano da ocupação, com trabalho coletivo, montagem das cozinhas, a ciranda infantil e com a criação da mística do novo acampamento.
Noblat, Lula e a sina dos homens comuns
May 9, 2016 9:31Recentemente, o colunista e blogueiro Ricardo Noblat escreveu um artigo sobre Lula. Trata-se de um dos mais significativos artigos dos últimos anos.
por Luis Nassif
no GGN
Não para entender o fenômeno Lula, mas como material de estudo sobre como o senso comum da mídia o via.
Deixe-se de lado a bobagem de apresentar Lula como ameaça à democracia por convocar o exército de Stédile. É tão inverossímil quanto os 200 mil soldados das FARCs que invadiriam o Brasil em 2002, em caso de vitória de Lula.
Fixemos nas outras características de Lula, apud Noblat: rude, grosseiro, desleal, por não ter defendido José Dirceu e Luiz Gushiken. Também despeitado já que, segundo Noblat, ele queria ser candidato em 2014 e Dilma não permitiu (não é verdade, mas não importa). Ou a ficção de que luta para enfraquecer Dilma - mesmo Noblat sabendo que o fracasso de Dilma seria o fim do lulismo. No ano passado cometeu o feito de chamar Lula de “moleque de rua”.
O que é fascinante em Noblat é o uso da fita de medir homens comuns aplicada em homens de Estado. Pois por aí ele reedita um fenômeno que marca a politica desde os tempos de César: a dificuldade do homem comum em interpretar o Estadista e os recursos para trazer o personagem ao nível da mediocridade (entendido aí do pensamento médio) do leitor.
Mais um vez recorro a Ortega y Gasset e seus portentosos ensaios sobre Mirabeau. Foi o homem que, na Constituinte, salvou a revolução francesa, apontando os rumos e definindo o novo desenho institucional.
Algum tempo depois morreu e seus restos mortais inauguraram o Panteon, que a França reservou para celebrar seus grandes homens. Aí descobriram o diabo da vida pregressa de Mirabeau. Aprontou todas na juventude, deflorou virgens, fugiu com mulheres casadas, deu tombos.
Imediatamente, os homens (comuns) de bem moveram uma campanha para retirar seus ossos do Panteon. E permitiram quase século e meio depois que Ortega traçasse perfis primorosos do Estadista, do homem comum (que ele denominava de pusilânime) e do intelectual.
O perfil do Estadista
O Estadista é um exagerado em tudo, um megalômano, dizia Ortega. Pois não é que Napoleão tinha a mania de grandeza de se imaginar Napoleão?. Só um megalomaníaco compulsivo tem a pretensão de mudar o Estado.
Não é tarefa para homens comuns, para intelectuais ou para santos.
O Estadista se propõe a desafios tão grandiosos que assusta os homens comuns - e é para eles que Noblat escreve e é como eles que Noblat pensa, derivando daí sua competência jornalística.
A dimensão que alcançam, influindo no destino de países, mudando a vida de milhões de pessoas, de certo modo reescrevendo a história da humanidade, é tão ampla que intimida o homem comum. A única lealdade do Estadista é para com a mudança do Estado. Para alcançar seu objetivo, mete-se no barro, monta acordos com Deus e o diabo, deixa a educação e o pudor de lado, sempre que atrapalharem a busca do objetivo maior.
O homem comum enxerga um vulto enorme à sua frente e, para poder encará-lo, tem que trazer o monstro para a sua dimensão e julgá-lo de acordo com a sua métrica de homem comum: é educado ou grosseiro, tem ou não tem estudo, cospe no chão, conta piadas grosseiras, é desleal com amigos etc?
O tamanho de Lula
Como imaginar que um retirante, que sobreviveu à mortalidade infantil, à miséria, à fome, à falta de instrução tenha conseguido o feito de tirar 40 milhões de pessoas do nível da miséria, mudar a história do seu país, provocar comoção em cidadãos de todas as partes do mundo, dar aulas de política para centrais sindicais norte-americanas, para o Partido Socialista francês e espanhol, ser tratado como “o cara” por Barack Obama, tornar-se referência global da luta contra a miséria e um dos personagens símbolos mundiais do século 21?
Não é bolinho. Então toca trazê-lo para nossa dimensão, de mortais comuns. Como diz o José Nêumane, nosso colega que até hoje não mereceu uma menção sequer de Obama, Lula nem sabe falar direito, erra nos verbos. Como é que o Nêumane, o Noblat, eu mesmo, tão mais instruídos, não conseguimos mais destaque na vida e no mundo que aquele nordestino analfabeto?
Faz bem Noblat em tratar Lula como “moleque de rua”.
Não é fácil captar e tentar entender fenômenos desse tipo, ainda mais para nós, jornalistas, pobres mortais que, quando muito, atingimos algumas dezenas de milhares de leitores.
E aí só nos resta encontrar medidas à altura do alcance da nossa visão. Ao contrário da bailarina do Grande Circo Místico, Lula deve arrotar na mesa, coçar o saco, contar piada suja e até mostrar a língua. Noblat condena Lula por ser brusco nas reuniões com companheiros. Tenho a impressão que a sensibilidade de Noblat se arrepiaria toda se assistisse a fineza de Lula em uma assembleia de metalúrgicos.
Mais que isso. Desde os tempos antigos, o Paulo de Tarso Venceslau já falava da falta de escrúpulos de Lula para utilizar as prefeituras do PT para fortalecer o partido. No governo negociou com a Telemar, a Friboi, as empreiteiras, com o Sarney e o Renan, com o diabo.
Se tiver que jogar companheiros ao mar, em nome da missão maior, Lula jogará. Aliás, tenho a impressão que o próprio José Dirceu entendeu perfeitamente a omissão de Lula na defesa dos companheiros – e ele, Dirceu, faria o mesmo se estivesse na sua condição.
Tem mais. Quando lhe interessa politicamente, Lula é capaz de se desdobrar em mesuras para jornalistas, empresários ou políticos. Quando não interessa, não tem nem agenda. Tem razão o Noblat: é um grosseirão!
No entanto, quem mudou o Brasil e se tornou a referência para o mundo? Fernando Henrique e sua falsa compostura (quem já encontrou FHC em ambientes sociais sabe bem qual o seu comportamento quando via moça bonita pela frente)? Suplicy? A Madre Tereza de Calcutá?
Dos defeitos e da visão
Dizia Ortega y Gasset que um Estadista deve ser analisado e julgado por suas qualidades e defeitos enquanto Estadista. Aliás, quase a mesma coisa que o marechal Cordeiro de Farias disse a Thales Ramalho, quando este, para lhe puxar o saco, desandou a falar mal de Luiz Carlos Prestes: “Apenas um personagem da história pode falar de outro”.
FHC e José Serra – que são mais estudados que Noblat – encantavam-se por terem constatado, neles próprios, algumas características dos grandes estadistas: no caso de Serra, a falta de escrúpulos, que ele justificava recorrendo sempre a esse ensaio de Ortega y Gasset; no caso de FHC, à capacidade de iludir políticos, que ele encontrara também em Roosevelt.
Faltou um detalhe essencial para se equipararem aos grandes estadistas: a visão de Estado. Imitaram apenas a falta de escrúpulos e de sinceridade. Mas sabem usar bem os talheres na refeição. E é isso que conta para os homens comuns.
Noblat já tem experiência e idade suficientes para não acreditar em contos de fada e nos cavaleiros sem mácula e sem medo. Ainda mais frequentando um castelo de homens tão puros e piedosos, quanto os das Organizações Globo, que tem um senso de realpolitik muito maior que o de Lula, mas em proveito próprio.
Jair Bolsonaro é hostilizado durante voo para Paris
May 9, 2016 9:24![]() |
| DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES |
Dono de uma das declarações mais polêmicas do processo de impeachment na Câmara, ele foi chamado de “canalha”, “homofóbico” e “racista”
Polêmico por defender bandeiras como a da volta do regime militar, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) passou por constrangimento no voo de Brasília para Paris. Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, um grupo de passageiros que estava a bordo da aeronave hostilizou o parlamentar com gritos de “racista”, “homofóbico”, “defensor da tortura” e “canalha”.
Bolsonaro estava acompanhado dos três filhos no avião que tinha como destino Israel. O deputado revidou chamando os passageiros de “petralhas”. Segundo Jardim, ele debochou do fato de esquerdistas andarem de avião.
Nesse momento, um dos passageiros virou-se para Bolsonaro e gritou: “quero ver tu aguentar o pau de arara que o senhor tanto prega”.
do Portal Metrópoles
Administração do Gama compra uma tonelada de açúcar
May 9, 2016 9:17![]() |
| MICHAEL MELO/METRÓPOLES |
A quantidade do alimento será usado para abastecer a regional durante um ano. Próxima aquisição está programada para 2016
por Ary Filgueira
Se a falta de recursos do governo tem deixado a vida de muitos administradores regionais amarga, na Administração do Gama a escassez de recursos para tocar obras é combatida com uma tonelada de açúcar. Mesmo diante de tantos problemas na região, como remendo em asfalto, poda de mato, limpeza em terrenos baldios, a chefe do órgão, Maria Antônia, preferiu garantir o cafezinho doce por um ano.
Em julho do ano passado, ela autorizou a compra de 845kg de açúcar para a administração da cidade. A aquisição do alimento em grande quantidade não chega a ser ilegal nem um absurdo. A quantia abastecerá o órgão por um ano – já que o próximo reabastecimento só deve ocorrer no mesmo mês deste ano.
O valor pago pelo alimento também não pode ser considerado um desperdício de dinheiro: R$ 1.061,32. A mesma quantidade, caso fosse adquirida em um supermercado, chegaria a R$ 2.273,05. Além disso, o Metrópoles calculou que, caso todo o produto fosse consumido apenas pelos 131 servidores da regional, os funcionários ingeririam uma porção dentro dos limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, abaixo de 25 gramas por dia.
As explicações sobre a compra do alimento, no entanto, não foram suficientes para impedir diferentes reações na cidade quando o assunto foi divulgado nas redes sociais. O morador Joaquim Dantas, 58 anos, acendeu a polêmica ao classificar os servidores da gestão de Maria Antônia como “os mais doces” do governo de Rodrigo Rollemberg, em virtude da quantidade de açúcar comprada.
A moradora Elis Maria alertou para a saúde dos servidores: “A glicemia desse povo deve estar nas nuvens”. Rejane Lemes completou afirmando que era “doçura demais”. Nena Medeiros questionou o valor da compra: “Açúcar tá caro”.
Uma mulher que se identifica como Di Amaral explicou, nas redes sociais, que a compra foi feita para o ano todo e está dentro da normalidade. “Ache a gente um absurdo ou não, é isso que é consumido pelos servidores e pelos cidadãos que visitam a administração. A próxima compra de açúcar será em 2016”, explicou.
DF começa a montar grades na Esplanada para votação do impeachment
May 7, 2016 17:04O governo do Distrito Federal já começa a montar o esquema de segurança na Esplanada dos Ministérios para a primeira votação sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que ocorrerá esta semana no Senado.
As grades que vão dividir o público contrário e favorável ao impeachment já estão no gramado em frente ao Congresso Nacional. Um muro de metal dividindo a Esplanada ao meio deve começar a ser erguido neste fim de semana, nos mesmos moldes do isolamento que foi feito para a votação no plenário da Câmara, no último dia 17. Manifestantes pró e contra o governo devem comparecer para acompanhar a decisão do plenário do Senado sobre o afastamento da presidenta.
O esquema de segurança também deve incluir um vão dos dois lados do muro, onde poderão ser feitos atendimentos de emergência pelo Corpo de Bombeiros, caso seja necessário. Além disso, o gramado logo em frente ao Congresso Nacional ficará isolado, com os manifestantes sendo mantidos distantes do prédio.
Nesta semana foi aprovado o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável à admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma na Comissão Especial do Impeachment no Senado. A aprovação abre caminho para a votação do parecer no plenário. A sessão deverá começar na quarta-feira (11), mas a votação só deve ocorrer na quinta-feira (12).
da Agência Brasil




