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Folha de SP economiza até no papel higiênico dos funcionários

February 2, 2016 19:33, by Blog do Arretadinho

Divulgação
Alegando "crise" Folha de São Paulo demite jornalistas e economiza até no papel higiênico dos funcionários

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A alegada "crise" no mercado de comunicação continua fazendo vítimas nas redações dos jornais, rádios e canais de TV. Desta vez a notícia vem do jornal Folha de São Paulo, que anunciou nesta terça-feira (2) uma série de demissões.

Está circulando nas redes sociais que o jornal demitirá pelo menos 1 jornalista de cada editoria e os escolhidos serão os mais experientes. Na semana passada o grupo já havia demitido 3 repórteres do Agora.

Comenta-se que a Folha vem reduzindo custos desde o início deste ano, quando passou a cobrar pelo café servido nas máquinas instaladas nas salas dos jornalista e até reduzindo a quantidade de papel higiênico nos banheiros, causando transtorno e constrangimento aos usuários.

A maioria dos meios de comunicação oferece uma espécie de comissão aos funcionários, que é chamada de Participação nos Lucros e Resultados, PLR, que é paga uma vez por ano. A PLR tem origens remotas, provém de antes da Revolução Industrial e no Brasil, trata-se de estatuto recente, que apenas teve seu aspecto atual moldada pela Constituição Federal de 1988, tendo sido regulamentado por normatividade infra-constitucional apenas no ano 2000. 

Ela funciona como um bônus, que é ofertado pelo empregador e negociado com uma comissão de trabalhadores da empresa de acordo com o resultado (LUCRO) da empresa que este trabalha. 

Este ano o jornal parcelou a PLR em 2 vezes, a primeira foi paga no mês passado e a próxima foi agendada para o próximo mês de junho.

Em 2015 várias empresas demitiram funcionários todos os meses, entretanto, o mês de abril foi o mais crítico, confira:

  •  Veja encerra as atividades da Veja Brasília e Veja BH no impresso. Uma média de quarenta profissionais são desligados.
  • Após 22 anos, Folha de S.Paulo encerra a publicação da coluna de automobilismo de sua versão impressa.
  • Após 14 anos, Estadão anuncia fim da coluna de Arnaldo Jabor.
  • Estadão inicia processo de demissões. Cortes atingem 120 funcionários, entre eles quarenta jornalistas. Caderno de “Esportes” chega ao fim e tem circulação apenas aos domingos.
  • Band extingue edições locais do “Brasil Urgente” e reduz departamento esportivo.
  • Jornal O Sul, da Rede Pampa de Comunicação, anuncia o fim da versão impressa.
  • Folha de S.Paulo inicia demissões, 25 profissionais são afastados. Suplementos são descontinuados e incorporados a outros cadernos.
  • Jovem Pan demite os jornalistas Anchieta Filho, Claudio Carsughi e Roberto Muller.
  • SBT encerra o telejornal “Notícias da Manhã” e demite 46 funcionários.
  • Imprensa Livre, único jornal do litoral de SP, encerra atividades e 22 profissionais são desligados.
  • Band demite três editores do programa “Café com Jornal”.
  • Agora São Paulo desliga sete funcionários.
Com informações portalimprensa



Bancada do PCdoB escolhe novo líder em Brasília

February 2, 2016 18:12, by Blog do Arretadinho

Bancada do PCdoB no Congresso
Foto PCdoB na Câmara
Deputados federais que compõem a bancada do PCdoB escolhe o novo líder

De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

A reunião da Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil, PCdoB, nesta terça-feira (2), teve como uma das principais pautas a escolha do novo líder da legenda na Câmara dos Deputados.

Por consenso os parlamentares elegeram Daniel Almeida, PCdoB/BA, que irá substituir a deputada Jandira Feghali, PCdoB/BA. A eleição de Almeida interrompe um ciclo de 4 anos de liderança feminina.

Em entrevista ao canal PCdoB na Câmara o novo líder afirmou que tem a responsabilidade de continuar o trabalho de Feghali, com estilo diferente mas com os mesmos objetivos, "de manter a bancada unida e ajudar a coezionar a base do governo Dilma".

Confira:



"Você não está do lado do povo!!!"

February 2, 2016 12:42, by Blog do Arretadinho

Foto por Mateus Rigola
Acho estranho quando alguém vem a mim e diz: 

"Você não está do lado do povo!!!" 


Imediatamente meu cérebro começa a fazer uma busca para localizar a qual povo o indivíduo se refere. 

O Povo dos bancos? 

O Povo que sempre teve comida no prato, dinheiro para viajar, empregada doméstica, condições de colocar seus filhos numa escola boa e pagar plano de saúde? 

O Povo que jura de pé junto que é contra a corrupção mas que sonega imposto, ultrapassa farol vermelho, fecha cruzamento, fura fila, falsifica carteira de estudante, paga grana para passar na frente dos outros onde existe burocracia, que compra produto pirata? 

O Povo que diz que bandido bom é bandido morto e quer fazer justiça com as próprias mãos e que fala que direitos humanos é coisa feita pra proteger vagabundo e que quer colocar criminosos menores de idade misturados com adultos em penitenciárias entupidas e quer dar porte de arma para qualquer cidadão para que o mesmo possa se defender sozinho? 

O Povo que acredita que estamos a beira de um Golpe Comunista, e que o foro de São Paulo é uma organização que vai implementar junto com outros países da América Latina uma política bolivarianista e transformar o Brasil em Cuba ou na Venezuela? 

De que Povo estamos falando? 

Do Povo que é a favor de intervenção militar e que elogia ditadura e aposta em viúvos da Ditadura como opção para presidência desse país? 

O Povo que aplaude a violência da Polícia Militar contra estudantes que estão lutando para que sejam fechadas suas escolas? 

O Povo que bate panela no alto da sacada do seus apartamentos bacanas enquanto um monte de gente não tem nem comida pra comer? 

O Povo que pensa que corrupção começou há 14 anos e que bom mesmo era quando Negro não entrava na Universidade, quando Gay não tinha direitos, quando lugar de mulher era na cozinha e quando pobre não viajava de avião ou frequentava o mesmo shopping? 

Que Povo é esse que essas pessoas dizem que não estou ao seu lado? 

O Povo que acredita que democracia é pesquisa de opinião pública e que isso seja o suficiente para acabar com a democracia?

Porque se for esse povo, realmente eu não estou ao seu lado. 

Alias, estamos bem distantes e em lados bem opostos.

Agora se for o Povo que entende que o Brasil está passando por um momento difícil, que o Governo não vem desempenhando um papel esperado e que inclusive não aprova a forma como vem sendo administrado. Que sabe que é preciso punir TODOS os corruptos de TODOS os partidos e investigar os casos de forma justa e correta, sem pender de forma manipulada a uma direção só, que não quer perder os avanços que foram feitos nos últimos anos e percebe que hoje no Congresso existe uma campanha para travar politicamente esse país e inviabilizar qualquer tentativa de melhorias, para que com isso AQUELES que antes estavam no poder possam voltar ao comando e esse Povo sabendo disso, mesmo sem concordar com o Governo, está lutando arduamente pela democracia, porque entende e sabe que não existe mágica em política, nem santo, nem herói e que será preciso muita força e muita luta para que não sejamos engolidos por um SISTEMA QUE SEMPRE PRIVILEGIOU OS MAIS RICOS - ainda privilegia - e que é pautado por gente que só pensa no próprio umbigo. 
Bom, com esse povo estou de mãos dadas.

O Brasil tem lados amigos. Sempre teve, mas dessa vez ficou evidente. E realmente não estou ao lado de quem quer entregar meu país para um GRUPO DE BANDIDOS que se fingem de Santos e que usa a massa revoltada para tentar voltar ao poder a qualquer custo. 

Podem me xingar a vontade, tentar me humilhar, me difamar, inventar mentiras, ameaçar. 

Do lado dessa gente que acha que política é futebol, realmente não estou e não esperem algo diferente de mim. 

Estou do lado do Povo que sempre foi invisível, e que talvez por isso nem seja considerado Povo por quem diz quem é ou não é o Povo.

É tanto Povo, que fica realmente confuso escolher qual deles nós pertencemos.



A política munduruku

February 2, 2016 12:08, by Blog do Arretadinho

Em Paris para receber o Prêmio Equador, da ONU, as lideranças munduruku participam
de evento que reuniu outras lideranças ambientais importantes do Brasil e do mundo
(Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace)
Com forte tradição guerreira, índios se organizam e fazem alianças para enfrentar o governo brasileiro. Eles querem barrar as hidrelétricas que podem alagar suas terras no rio Tapajós
Microfone na mão, tronco desenhado com traços pretos e um cocar de penas vermelhas na cabeça, o cacique Juarez Saw discursa: “O governo tá chegando aqui para acabar com tudo: o indígena, a floresta e o rio”. Às margens das bucólicas corredeiras do rio Tapajós, no Pará, 230 índios munduruku se reuniram para discutir a resistência ao projeto do governo federal, que planeja construir até sete hidrelétricas na região.

A maior delas, a usina de São Luiz do Tapajós, teria potência máxima de 8.040 megawatts e deve alagar mais de 70.000 hectares de floresta. As águas devem deixar áreas munduruku submersas, entre elas a aldeia Dace Watpu, onde a assembleia foi realizada.

“Eles querem acabar com a história munduruku, mas nós não vamos deixar”. A cada frase entoada pelo cacique, os 230 índios ao seu redor gritam “Sawé!”, expressão que mistura saudação com grito de guerra.

O mesmo grito foi entoado no início de dezembro, em Paris, durante a COP-21, conferência sobre mudanças climáticas das Nações Unidas. Dessa vez, a voz ao microfone era da indígena Maria Leusa Kaba Munduruku, que foi à França receber o Prêmio Equador. Concedido pela ONU, o prêmio reconhece o protagonismo do seu povo contra as usinas como uma ação de “sucesso proeminente na promoção de soluções sustentáveis”. Não é a primeira vez que a organização munduruku chama a atenção da comunidade internacional, a resistência dos indígenas já foi retratada pelos jornais Guardian, Washington Post, Aljazeera e BBC.

No Pará ou em Paris, o elemento que fortalece o grupo é sua habilidade para fazer política. Os indígenas sabem costurar parcerias, manter aliados e têm líderes dedicados a estudar os seus direitos no Brasil e os mecanismos internacionais que podem ser usados em sua defesa.

A capacidade de organização e estratégia está alicerçada em sua própria tradição. Durante a assembleia, fica claro que a experiência em debates políticos é anterior à chegada das usinas. Os índios munduruku tem um rito próprio, que lembra um modelo de democracia participativa. Durante as reuniões, qualquer um pode falar – homem, mulher, jovem ou idoso –, pelo tempo que desejar. 
Todas as decisões têm que sair por consenso, não importando o tempo que isso tome. Nos quatro dias do evento, as reuniões se estenderam das primeiras horas da manhã até o sol se por. Para dar sustento, corria entre os participantes uma cuia com farinha e água, que era sorvida aos goles.

Os participantes podiam se pronunciar em munduruku ou em português, mas a maioria falava na língua nativa. Apesar da presença de jornalistas e aliados não-indígenas, nem sempre as falas eram traduzidas para o português. “Falar em munduruku é um modo de marcar a nossa diferença, de fazer a política”, diz Jairo Saw, historiador munduruku. Em meio aos discursos, era possível pescar algumas palavras em português, expressões que não existem na língua nativa, como: cientistas, demarcação, barragem, governo e preocupação.

“Eles foram considerados a tribo mais bélica da Amazônia”, diz José Sávio Leopoldi, antropólogo

Além da pintura no corpo e cocares, os guerreiros participantes carregavam arcos e flechas, evocando a imagem de guerreiros destemidos e violentos com a qual ficaram mundialmente conhecidos no passado.

De caçadores de cabeças a estrategistas
No tempo em que dominavam a bacia do Tapajós, antes da chegada dos colonizadores, as expedições de guerra promovidas pelos índios munduruku duravam até seis meses e eram temidas pelas etnias vizinhas. “Eles foram considerados a tribo mais bélica da Amazônia”, diz José Sávio Leopoldi, antropólogo da Universidade Federal Fluminense que estuda a história munduruku.

O nome “munduruku” foi atribuído por rivais e significa formiga vermelha, em alusão à sua formação quando atacavam. Segundo os relatos históricos, eles atacavam de surpresa no raiar do dia, com grande contingente de guerreiros e dizimavam a população adulta, trazendo as cabeças das vítimas como troféus. Mumificadas, elas eram fincadas em lanças e colocadas na frente das casas. 
Algumas dessas cabeças foram preservadas e fazem parte de coleções de museus brasileiros, ingleses e portugueses, levando a fama guerreira dos Munduruku para o mundo.

“A cabeça humana simbolizava poder”, explica Jairo Saw. “Hoje estamos em outra época e lutamos nossas guerras de outros modos, mas esse espírito guerreiro ainda está na gente”. A área ocupada pelo povo munduruku era tão ampla que os colonizadores se referiam à região como Mundurukânia.
Para Tiago Vekho, antropólogo do Instituto Socioambiental que realiza sua pesquisa de doutorado sobre os Mundurukus, a história ajuda a explicar a resistência atual. “Eles possuíam uma lógica espartana: eram uma sociedade voltada para a guerra. Hoje, eles se consideram em guerra contra o governo e é possível perceber, no cotidiano das aldeias, que todos estão mobilizados para isso”, diz.
“A cabeça humana simbolizava poder. Hoje estamos em outra época e lutamos nossas guerras de outros modos, mas esse espírito guerreiro ainda está na gente,” diz Jairo Saw

Na disputa do presente, os índios munduruku evocam a sua história. Desenhos de cabeças mumificadas aparecem, por exemplo, nas placas da autodemarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, uma das áreas onde vivem os indígenas.

As ações atuais são bastante diferentes das do passado. A autodemarcação é considerada uma das mais estratégicas linhas de resistência às usinas. Enquanto a Fundação Nacional do Índio (Funai) segura o processo de reconhecimento da Terra Indígena Sawré Muybu, área que será alagada, eles se muniram de facões e foram, eles mesmos, abrir picadas onde seriam as fronteiras do território. “Vivemos em um lugar tradicional, deixado pelos nossos antepassados. Como a terra é nossa, decidimos parar de esperar o governo e fazer nós mesmos”, diz Jairo Saw.

Um dos mais populosos grupos étnicos do país, há mais de 13 mil homens, mulheres e crianças munduruku espalhados por 850 quilômetros do rio Tapajós e afluentes. Sempre que há uma ação local importante, os índios se deslocam pelo território para dar apoio. Durante a autodemarcação, por exemplo, guerreiros viajaram ao longo de três dias para ajudar a abrir as picadas.

A união e a habilidade de resistir quando sob pressão também são constantes na história munduruku. No começo do século 19, os portugueses traçaram um acordo para diminuir os confrontos com a etnia. Quando chegaram as missões católicas, com o objetivo de catequizar e “civilizar”, muitos deles foram proibidos de falar sua língua e praticar os ritos tradicionais. Mas os indígenas preservaram esses conhecimentos, reinventando sua cultura para sobreviver ao domínio.

Ao mesmo tempo que absorveram práticas católicas como o batismo, mantiveram sua crença em Karosakaybu, no poder dos xamãs e nos rituais antigos. “Eles nunca tiveram uma religião instituída. Era uma cosmologia que acabou absorvendo a ideia do Deus cristão”, diz Tiago Vekho.

Apesar da proibição dos missionários ao longo de décadas, a língua munduruku sobreviveu e hoje é a mais falada pela população. Grande parte das mulheres e crianças não falam o português.

A necessidade de pressionar o governo também não é novidade para eles. A demarcação da Terra Indígena Munduruku, que abrange a região norte da bacia do Tapajós, foi fruto da pressão do grupo. O processo começou em 1975 e só terminou em 2004, período durante o qual os indígenas acompanharam os estudos com mobilizações e cartas ao governo. Jairo Saw era uma criança, mas lembra de ver adultos de várias aldeias se reunindo e traçando estratégias comuns nos anos 70.

Hoje, ele é um dos muitos representantes da etnia que viaja para levar os argumentos contrários às usinas em reuniões com ministros e conferências da ONU. Os indígenas já ocuparam escritórios da Funai diversas vezes, assim como o canteiro de obras de Belo Monte. Eles também se articulam para abastecer o Ministério Público Federal com as informações para que a instituição mova ações contra a usina.

Alianças
Antecipando-se à chegada das usinas do Tapajós, os índios munduruku participaram das ocupações da usina de Belo Monte. A experiência serviu como lição de como não agir.

“Os indígenas do Xingu perderam a luta contra o governo. Eles eram vários povos diferentes, alguns foram cooptados, e acabaram se dividindo”, diz Jairo Saw. “Isso serviu para a gente ver que precisamos da união para fortalecer a nossa luta. Estamos buscando a confiança de outros povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e das pessoas que vivem nas cidades. Nossas lutas têm que acontecer juntas.”

Durante a Assembleia do Médio Tapajós, fica claro que esse esforço não é da boca para fora. Estiveram presentes pelo menos 23 lideranças Munduruku de outras regiões, outras etnias indígenas e ribeirinhos moradores de comunidades que também serão afetadas pelas usinas. A reunião também contou com representantes do Ministério Público Federal do Pará, que já ajuizou 19 ações judiciais tratando de violações contra índios e ribeirinhos da área.

Um munduruku acompanha as mudanças de nível e fluxo do rio com a mesma preocupação que um economista segue os índices de desemprego e inflação

Além de representantes de mais de dez organizações do terceiro setor, como o Conselho Indigenista Missionário, o Greenpeace e o Fórum da Amazônia Oriental. “Os Munduruku são um povo muito politizado. Eles entenderam que não haveria condições de enfrentar a máquina governamental sem o apoio da sociedade brasileira, e as ONGs cumprem o papel de fazer essa conexão” diz Danicley de Aguiar, do Greenpeace.

O plano é estender ainda mais a rede de alianças. Eles já foram diversas vezes à Brasília para protestar contra medidas do governo que atingem os direitos indígenas como um todo. A viagem mais recente foi motivada pela PEC 215, que passa ao Legislativo o poder de demarcar novas terras indígenas. “A gente sabe que colocar essa decisão nas mãos da bancada ruralista vai deixar a situação ainda mais difícil para nós e nossos parentes”, diz Roseninho Saw Munduruku, presidente da associação Pariri, que representa sete aldeias de médio Tapajós.

A economia munduruku
Um munduruku acompanha as mudanças de nível e fluxo do rio com a mesma preocupação que um economista segue os índices de desemprego e inflação. O rio é a base do seu sustento e sobrevivência, já que o peixe é a primeira fonte de alimentação. Em segundo lugar vêm a caça, a coleta e a roça, que dependem da saúde da floresta – que por sua vez depende do rio.

Por isso, o grupo é uma valiosa fonte para ajudar a prever os impactos ambientais das usinas. “Nós sabemos que a construção vai mudar tudo. Com o fim do regime de cheias do rio, as árvores na beira vão secar e os peixes não vão mais encontrar seu alimento”, afirma Jairo Saw.

Apesar da proibição dos missionários ao longo de décadas, a língua munduruku sobreviveu e hoje é a mais falada pela população

“Eu tive que estudar muito para chegar à mesma conclusão que vocês”, disse Jansen Zuanon, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Convidado à assembleia para trocar conhecimentos com os indígenas, ele foi um dos autores de estudo contratado pelo Greenpeace. A organização encomendou uma série de análises para questionar o estudo de impacto encomendado pelo governo.
O estudo de impacto oficial, que ainda está em análise pelo Ibama, concluiu que os impactos à biodiversidade local seriam aceitáveis. Já a análise contratada pelo Greenpeace, e realizada por pesquisadores de instituições como a Universidade Federal de Pernambuco e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, concluiu que a usina ameaça a sobrevivência de peixes, pássaros e plantas. A análise independente aponta ainda que o estudo oficial deveria ser rejeitado, pois tem problemas na metodologia, na análise dos dados e no inventário de animais e plantas.

O responsável pela execução do estudo de impacto oficial é o Grupo de Estudos do Tapajós, formado por nove empresas estatais e privadas interessadas em construir a usina, como a Eletrobras, a Camargo Corrêa e a Cemig. Procurado pela reportagem, o grupo afirma que realiza reuniões com o Ibama para aprofundar alguns itens do relatório. Apenas depois desta etapa, o órgão irá emitir seu parecer definitivo. “Cabe ressaltar que as usinas do rio Tapajós vão garantir o fornecimento seguro de energia limpa e renovável. Trarão ainda benefícios para a população local, com a geração de emprego e renda, permitindo o desenvolvimento econômico e social da região e do país”, diz a nota enviada à reportagem (leia na íntegra).

“Não há nenhum valor que compre isso. Não vendemos nenhuma gota, nenhuma pedra. Não tem negociação,” diz Maria Leusa

Até agora, os índios munduruku, MPF e entidades do terceiro setor parecem ter sucesso nos argumentos contra as obras. O leilão da usina de São Luiz do Tapajós estava previsto para acontecer em 2014, depois 2015 e agora foi adiado para 2016 por conta de problemas no licenciamento ambiental. Em junho, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética reconheceu que a questão indígena era um obstáculo para o licenciamento.

Os índios munduruku se ofendem sempre que empresas ou representantes do governo argumentam sobre o crescimento econômico que seria gerado pela obra. Já cansaram de explicar que certas riquezas não podem ser medidas em moeda. “Existem escrituras ao longo de todo o rio Tapajós, em seu corpo, nas pedras e árvores nos alertando. O branco não consegue ler, mas nossos pajés sim. Aquilo tudo é sagrado, faz parte de nós, e deve ser respeitado”, diz Jairo Saw.

“Não há nenhum valor que compre isso’, Maria Leusa completa. “Não vendemos nenhuma gota, nenhuma pedra. Não tem negociação”.



Irã versus EUA: Irã vence

February 2, 2016 12:00, by Blog do Arretadinho

Ainda antes de os prisioneiros dos EUA serem libertados pelo Irã como parte do acordo nuclear, Hillary Clinton irresponsavelmente se pôs a clamar por novas sanções contra o Irã.

Por Alexander Mercouris

Não chega a surpreender, porque todos sabem que o dinheiro que ela queima em sua campanha de egomaníaca para ser presidenta vem diretamente de israelenses de extrema direita, da claque “Israel Acima de Tudo” como Haim Saban. (…) A fala da Clinton certamente acrescentou cheque de sete dígitos ao fundo de campanha dela.

Que Clinton é corrupta até a última fibra não é novidade. Mas não havia razão alguma para o governo Obama fazer o que está fazendo.

É escandalosa manifestação de arrogância; é escarnecer da decência.

O fim das sanções é vitória inequívoca do Irã, selando sua posição nuclear e deixando intacta a capacidade nuclear do país.

Aquelas sanções não poderiam sequer ter sido algum dia impostas, para começar.

Como escrevi em abril do ano passado, em artigo para Sputnik, tudo indica que o Irã, sim, teve um dia um programa para armas nucleares. Mas o programa não foi concebido como ameaça aos EUA ou a Israel nem, desnecessário dizer, à União Europeia.

O governo iraniano sabe perfeitamente que programa de armas nucleares previstas contra aqueles países é muito mais provocação direta para um ataque ao Irã, do que meio para prevenir ataques, e que o Irã não sobreviveria a tal ataque.

De fato, o programa nuclear do Irã foi concebido para deter ataque do principal rival regional do Irã – o Iraque de Saddam Hussein –, que se sabe que teve programa de armas nucleares na década que antecedeu à Guerra do Golfo de 1991.

Tendo combatido guerra amarga contra Saddam Hussein entre 1980 e 1988, o Irã absolutamente não podia correr o risco de que as armas atômicas iraquianas encontrariam país desarmado. É perfeitamente compreensível portanto que a liderança iraniana tenha buscado conter o programa de armas nucleares de Saddam Hussein, com programa nuclear seu.

Tudo porém sugere que o programa nuclear iraniano foi significativamente reduzido na década seguinte, depois de Saddam Hussein ter sido derrotado em 1991, e foi completamente abandonado depois que Saddam foi derrubado em 2003.

Não só essa é a conclusão para a qual apontam todas as provas, mas é também a opinião da comunidade de inteligência dos EUA a qual, em 2007, publicamente confirmou que o Irã já não trabalhava no programa para construir armas nucleares.

Nem o governo dos EUA duvida. Eis o que o secretário de Estado dos EUA John Kerry teve de dizer sobre o programa nuclear iraniano,  numa entrevista à Reuters em agosto de 2015:
“Nossa avaliação é que claramente houve um período em que o Irã procurava uma arma nuclear. Não temos dúvida disso. Em 2003, descobrimos os iranianos com a mão na massa, em instalações que não deveriam ter e material que não deveriam ter (…). Não trabalharam na direção de arma nuclear – é nossa avaliação e avaliação de todos os nossos aliados –, desde aquele período de tempo.”

Assim sendo, é realmente bizarro que os EUA tenham passado a ‘exigir’ que o Irã interrompa um programa de armas nucleares exatamente depois de o Irã – como os EUA sabiam – ter abandonado o programa de armas nucleares.

Não apenas o Irã enfrenta uma sucessão de exigências cada vez mais ameaçadoras para que abandone um programa nuclear os EUA sabe, que já abandonou, mas aquelas ‘exigências’ vieram acompanhadas de sanções cada dia mais furiosas. culminando no mais abrangente pacote de sanções de todos os tempos, imposto ao Irã recentemente, em 2012.

As tais ‘exigências’ e sanções vieram acompanhadas de propaganda ensurdecedora e ininterrupta contra o Irã.

Os líderes iranianos foram chamados de religiosos fanáticos e patrocinadores de terrorismo. Foram acusados de ter planos genocidas e megalomaníacos, acusações feitas sem qualquer prova, que até hoje nunca apareceu.

O Irã foi acusado de conspirar para agredir países vizinhos, mais uma vez sem nem sinal de prova alguma, e apesar de o único e grande gesto de agressão que houve na história recente do Oriente Médio foi o ataque de Saddam Hussein contra o Irã – e agressão não provocada, que o ‘ocidente’ e os estados árabes apoiaram.

O próprio Irã, como país, foi apresentado como teocracia medieval repressora e reacionária. Apesar dos problemas que o país enfrenta, ninguém que conheça o Irã, por pouco que seja, jamais acreditou que essas ‘avaliações’ tivessem qualquer fundamento.

Tudo isso sempre veio acompanhado de continuadas ameaças de ação militar, as quais – segundo alguns relatos – em mais de uma ocasião chegaram perigosamente perto de se realizarem, e as quais, segundo os mesmos relatos, só não se realizaram por causa da firme oposição, não dos políticos, mas dos militares norte-americanos.

Por que essa pressão obsessiva e as ameaças contra um país por supostamente ter um programa de armas nucleares que, na verdade – e como todos sabiam perfeitamente – o país há muito tempo deixara de ter?

A resposta curta é que os EUA e seus aliados regionais – Israel e Arábia Saudita – assustaram-se com a influência que o Irã rapidamente alcançou na região, depois que os EUA derrubaram Saddam Hussein.

Fossem quais fossem as intenções dos EUA quando derrubaram Saddam Hussein, não se incluía entre elas garantir posição regional dominante para um Irã politicamente independente e democrático.

Pois foi esse, precisamente, o resultado a que a derrubada de Saddam Hussein levou. E a gota d’água para Riad e Jerusalém foi a derrota de Israel, frente ao Hezbollah, aliado do Irã, em 2006.

Resultado disso tudo foi a incansável campanha lançada contra o Irã em conexão com um programa de armas nucleares que todos sabiam que já não existia.

Inevitavelmente, para dar alguma coerência a essa campanha, foi preciso escalar e acrescentar a exigência de que o Irã abandonasse qualquer tentativa para desenvolver capacidade nuclear independente – tanto para uso militar como, também, para uso civil. Essa, em essência foi a demanda discutida ao longo dos últimos anos.

Não surpreendentemente, o Irã jamais aceitou e nem aceitaria essa demanda – que implicava o país ter de parar de fazer algo que tem integral direito legal de fazer[1] –, e que nenhum outro país que prezasse a própria independência política nunca aceitaria.

Enquanto isso, para aumentar a pressão sobre o Irã, governos e povos no Oriente Médio, que eram vistos como aliados reais ou potenciais do Irã – inclusive o governo sírio do presidente Bashar Al-Assad, os movimentos democráticos no Bahrain e na Arábia Saudita, e o movimento dos Houthis no Iêmen, também passaram a ser atacados.

Resultado? Um Oriente Médio dilacerado pela guerra e pela instabilidade.

O fim oficial das sanções contra o Irã é manifestação do fracasso de toda essa política. E não aconteceu porque o Irã tenha feito concessões quanto ao estado de seu programa nuclear.

As concessões que o Irã fez não comprometem a capacidade do Irã para desenvolver capacidade nuclear independente – que é tudo que o Irã tem feito ao longo de muitos anos, e que foi a linha vermelha que o país em nenhum caso cederia. Se os EUA tivessem querido acordo nos termos do acordo agora firmado, a questão estaria resolvida há muito tempo.[2]

Aconteceu como aconteceu, por duas outras razões:

A primeira razão é que o Irã não se dobrou às pressões.

Longe de ceder o seu programa nuclear, respondeu com escalar todo o programa, a ponto de, de lá até aqui, ter conseguido dominar todo o ciclo do combustível nuclear – mostrando aos EUA que não havia o que pudessem fazer para deter o Irã.

A segunda razão foi que em 2014 as grandes potências da Eurásia – Rússia e China – finalmente passaram a exigir o fim da política de sanções.

O evento chave foram rumores que começaram a correr no outro de 2014, de que Rússia e Irã estavam próximos de finalizar um acordo de troca “petróleo por bens”, e que a Rússia estava reconsiderando a decisão anterior de não fornecer mísseis S300 ao Irã.

Isso, com os medos de que a China estaria procurando vias para prover financiamento ao Irã mediante as novas instituições financeiras que estão em constituição, causaram alarme em Washington, de que todo o regime de sanções estaria à beira do colapso.

Particularmente preocupante para Washington foi o temo de que, seguindo os movimentos de russos e chineses, seria impossível para os EUA manter em formação os seus aliados europeus e persuadi-los a manter uma política de sanções que possivelmente já lhes pareceria sem propósito.

O resultado foi que, quando o Irã ofereceu aos EUA uma ‘saída honrosa’ na forma do acordo atual, os EUA foram obrigados a aceitar.

Eis o que o secretário Kerry tinha a dizer sobre tudo isso, na mesma entrevista à Reuters que citei acima:
“Mas se todo mundo pensa ‘Oh, não, somos durões, os Estados Unidos da América, temos nossas sanções secundárias; podemos forçar qualquer um a fazer o que queremos.” Realmente ouvi esse argumento na TV hoje cedo. Ouvi de várias das organizações que se opõem ao acordo. Estão espalhando “América é super forte, nossos bancos são super fortes; podemos simplesmente bater o martelo e obrigar nossos amigos a fazer o que nós queremos que eles façam.”

Bem, vejam – muitos empresários e gente do businessnessa sala. Vocês estão de brincadeira comigo? Os EUA vão se pôr a sancionar nossos aliados e os bancos deles e os empresários deles, porque nós saímos de um acordo e vamos forçar os outros a fazer o que queremos que façam, mesmo depois de aceitarem o negócio para o qual viemos? Vocês estão de brincadeira?

Essa é receita rápida, meus amigos, para que eles saiam da Ucrânia, onde já estão muito imprevisíveis e difíceis de contentar e prontos para dizer “OK, já fizemos nossa parte.” Em muitos casos, eles estavam prontos para dizer, “Somos nós que pagamos o preço pelas sanções de vocês.” Nós – foi Obama que saiu e realmente montou um regime de sanções que teve seu impacto. Querem saber? Eu fui à China. Nós convencemos a China, “Não comprem mais petróleo”. Nós convencemos a Índia e outros países.

Alguém aí imagina tentar sancioná-los, depois de persuadi-los a seguir as sanções para obrigar o Irã a ir à mesa de negociações, e quando eles não só foram à mesa, mas também fizeram um acordo, você vira e ‘mela’ o acordo e diz a eles ‘vocês vão ter de obedecer nossas regras sobre as sanções, e de qualquer jeito?”

Essa é receita rápida, meus amigos, gente do businessaqui, para o dólar americano deixar de ser moeda de reserva do mundo – como já anda borbulhando por aí… “

É quase ininteligível, mas o que Kerry está dizendo é que os EUA não tiveram escolha. Se não tivessem aceitado o acordo nos termos que o Irã ofereceu, o regime de sanções entraria em colapso, o que seria derrota humilhante para os EUA.

Para não ter de encarar esse desastre, os EUA não tiveram alternativa, se não aceitar o que o Irã ofereceu.

Tudo isso, afinal, deu num acordo para levantar as sanções, em troca de limites num programa nuclear que o próprio Kerry já disse que jamais teve o objetivo de levar a uma bomba atômica.

Mas o acordo ainda deixa o Irã em posse da tecnologia que o país desenvolveu. De fato, segundo alguns especialistas, o acordo deixa o Irã com o material e a tecnologia para desenvolver uma bomba atômica em cerca de um ano, se o país assim decidir.

Essa entrevista de Kerry não foi muito divulgada, apesar – ou precisamente por isso – de ela lançar luz fascinante sobre o pensamento ‘oculto’ do governo dos EUA.

Primeiro de tudo, mostra que, inobstante o show de autoconfiança, o governo dos EUA está agudamente preocupado com a posição de longo prazo do EUA-dólar como moeda mundial de reserva, e cada dia mais nervoso com fazer alguma coisa, qualquer coisa, – como ameaçar impor sanções contra seus aliados europeus – que possa comprometer aquela posição.

Os que, como o economista norte-americano Paul Krugman, que dizem que o status do dólar, de moeda de reserva, não tem importância nenhuma devem saber, desde já, que o governo dos EUA discorda deles.

A entrevista de Kerry também mostra que, apesar do show de unidade, por trás das cortinas a política de sanções dos EUA contra a Rússia já é alvo de fortes críticas, com governos europeus absolutamente não interessados nela – exatamente como tampouco se entusiasmaram com as sanções que os EUA os persuadiu a impor contra o Irã.

Por fim, a entrevista também mostra que, apesar do muito barulho e bater no peito, a real capacidade dos EUA para impor suas vontades aos aliados europeus já é limitada; e que os EUA sabem disso.

Se os grandes governos europeus se unirem contra uma política dos EUA, os norte-americanos ficam sem saída e têm de abandonar aquela política.

Para dizê-lo numa palavra, o mais importante que se pode recolher de toda aquela entrevista de Kerry é o cheiro de derrota.

Por mais que Kerry apresente o acordo com o Irã sob o melhor ângulo que possa, no fim ele não consegue esconder a evidência de que foi a iminência do colapso do regime de sanções que forçou a mão dos EUA, e obrigou os norte-americanos a aceitar um acordo com o Irã que, noutras circunstâncias, eles não aceitariam.

Há aqui uma importante lição para a Rússia.

O Irã é país muito menor, muito menos rico e muito mais fraco que q Rússia. Embora de modo algum seja país subdesenvolvido, faltam-lhe muitos dos vastos recursos científicos, tecnológicos e industriais que a Rússia tem.

Nem o Irã tem a influência global ou a vantagem de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, que tem a Rússia.

As sanções que os EUA impuseram ao Irã feriram o Irã muito mais do que as sanções que os EUA impuseram à Rússia feriram a Rússia.

Como a Rússia, o Irã também tem minoria, mas muito barulhenta, que quer a reaproximação com os EUA quase que a qualquer preço. Em 2009, essa minoria tentou sem sucesso encenar um ‘revolução colorida’ em Teerã – exatamente como a minoria semelhante tentou na Rússia – e fracassou – encenar uma ‘revolução colorida’ em Moscou, em 2011.

No final, ao firmar-se nos essenciais e agindo todas as vezes com flexibilidade máxima, o Irã superou o desafio.

Resultado é que o Irã emergiu vitorioso inequívoco de todos esse affair, com posição hoje mais forte do que há uma década – antes de o ataque que sofreu ter começado.

Se o Irã pôde vencer esse tipo de duelo contra os EUA, a Rússia também pode. A Rússia está em posição muito melhor para tanto, do que estava o Irã, no começo. Não há motivo, de fato, para que a Rússia não leve a melhor, nem para qualquer dúvida de que levará.



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