Café com Marx - Por Marcelo Pires
abril 10, 2017 9:13Aquele que pode comprar a bravura é bravo, malgrado seja covarde.
O dinheiro não é trocado por uma qualidade particular, uma coisa particular ou uma faculdade humana específica, porém por todo o mundo objetivo do homem e da natureza.
Assim, sob o ponto de vista de seu possuidor, ele troca toda qualidade e objeto por qualquer outro, ainda que sejam contraditórios. Ele é a confraternização dos incomparáveis; força os contrários a abraçarem-se.
(Karl Marx, "Manuscritos Econômico-Filosóficos")
Governo Temer, a contradição em processo
abril 10, 2017 8:59![]() |
| Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho |
PÓS-GOLPE
O dique da base parlamentar do presidente não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão
por Marcio Pochmann na RBA
Uma contradição fundamental se processa no golpismo que sustenta o governo Temer desde a sua imposição no ano passado. Quanto mais forte o seu governo maior a exposição de sua fraqueza.
Isso porque a sua fortaleza provem justamente dos responsáveis por sua própria criação. De um lado, a extensa e integrada base parlamentar no poder legislativo federal, que oferta apoio jamais observado ao longo do ciclo político da Nova República, iniciado em 1985.
O centro deste apoio não parece ser ideológico, programático ou grandioso em nome do Brasil melhor. Pelo contrário, pois fundamentado na individual e rasteira lógica da sobrevivência cada vez mais ameaçada pela contaminação proveniente do mar de lama da corrupção.
Desde o surgimento da Operação Lava Jato, sob guarida do governo Dilma, a sua aceitação pelo status quo parecia visível enquanto se mantinha concentrada na investigação seletiva e focada nos políticos petistas, bem como no plano do Executivo federal. Quando transpareceu que não mais seria possível manter as denúncias, investigações e julgamentos estritamente no leito petista, um novo corpo no interior do Llegislativo teria se formado a partir da liderança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A expectativa seria a de entregar o governo Dilma como fazem os boiadeiros que, para passar pelo rio perigoso com a boiada entregam um, o "boi de piranha". Dessa forma, o fim do governo liderado pelo PT traria consigo a perspectiva de que seria possível virar a página de todos os males do Brasil.
Com isso, a inédita constituição da unidade entre os poderes Executivo, sob direção de Temer, e Legislativo, conduzido por Cunha, faria sentido e segurança como um dique à contaminação do mar de lama da corrupção. Mesmo na queda de Cunha, a hegemonia parlamentar apresentou contida fissura frente aos sinais de convencimento, animados pelo governo Temer em oferecer resistências ao avanço das diversas operações do estamento público (policial, judicial e ministerial).
De outro lado, a base social e econômica interna e externa defensora do projeto neoliberal no país. Ao perceber que a derrota em 2014, a quarta sucessiva desde 2002, poderia vir acompanhada de não apenas mais quatro anos de Dilma, mas do acréscimo de oito anos com novamente Lula, o que poderia significar 24 anos de governos petistas (2003 – 2026), a oposição se lançou numa verdadeira aventura política sem volta.
O rompimento democrático logo se apresentou diante da não aceitação do resultado eleitoral, o que significou a instalação de inacreditável terceiro turno através da diversidade de medidas (solicitação da recontagem de votos no TSE, questionamento da prestação de contas, pautas-bomba no Legislativo e impeachment). Vinte meses após o término do segundo turno, o Senado Federal aprovou, em terceiro turno, a vitória da oposição, expressa pela ascensão de Temer, revestido do programa neoliberal para o Brasil, mesmo tendo sido derrotado democraticamente em 2014.
Assim, as medidas impopulares das reformas neoliberais que desconstituem o Estado e o país com mais desemprego e pobreza, enriquecem os já ricos, e entregam o setor produtivo nacional (estatal e privado) às corporações transnacionais vêm sendo aceitas pela base parlamentar e fartamente apoiada pela base social e econômica de oposição aos governos do PT.
Essa verdadeira fortaleza, contudo, traz embutida, a sua própria fraqueza. O dique da base parlamentar do governo Temer não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão.
Ao mesmo tempo, a base social e econômica encolhe diante das tragédias semeadas pelas reformas neoliberais. O sucessivo anúncio de maldades joga mais "brasas na sardinha alheia", o que tende a tornar cada vez mais imbatível a candidatura oposicionista em 2018.
Cabe, contudo, questionar: haverá eleição presidencial em 2018? E se houver, em que condições? Ou poderá se repetir o que aconteceu em 1965, quando foi negada a expectativa de alguns democratas e candidatos presidenciais que apoiaram o golpe de 1964 na tentativa de eliminar a força do PTB da época e se tornarem viáveis eleitoralmente? A força do conservadorismo autoritário não permitiu que isso viesse a acontecer.
Famílias que fizeram casamentos incestuosos para manter o poder
abril 8, 2017 16:38Para preservar o poder, várias dinastias realizaram matrimônios entre seus próprios membros. Uma loucura!
UM AMOR INCENDIÁRIO
Quando o papo é pegar na própria família, ninguém ganha de Júlia Agripina Menor. No auge do Império Romano, ela era amante de Calígula – que era seu irmão. Após a morte dele, começou um affair com Marcus Antonius Pallas só para se aproximar do tio dela, o imperador Cláudio! Conseguiu casar com Cláudio e teve um filho, Nero – sim, aquele mesmo, que supostamente incendiou a cidade. E, quando ele se tornou imperador, ela virou amante do próprio filho! Foi morta a mando de Nero, sob influência da esposa dele, Pompeia Sabina.
É O TCHAN NO HAVAÍ
No século 19, antes de o Havaí ser anexado pelos EUA, a princesa do arquipélago, Nahienaena, cumpriu a tradição de casar com o próprio irmão. Mas missionários cristãos já haviam convencido a população de que o incesto deveria ser banido. Nahienaena desfez o enlace e se casou com um jovem de outra família. Mas, nesse meio-tempo, rolou uma gravidez – e o irmão garantiu que o filho era dele! A criança morreu logo após o parto, Nahienaena entrou em depressão e faleceu meses depois. A família real nunca mais realizou matrimônios entre si.
DEU RUIM
Há um motivo biológico para se evitar o incesto: ele tem mais chance de gerar filhos com problemas graves. Vide a dinastia Habsburgo. O príncipe Carlos, do século 16, tinha o corpo deformado e o temperamento instável. Possivelmente porque a avó materna, Catarina, era irmã do avô paterno, Carlos 5o. E o avô materno, João 3o, era irmão de sua avó por parte de pai, Isabela. Joana de Castilho, sua bisavó, era irmã de sua avó, Maria de Aragão! Os Habsburgo “se cruzaram” tanto que, hoje, essa outrora poderosa linhagem simplesmente não existe mais.
MINHA FILHA, MINHA NETA
No Egito, teve outro caso complexo, daqueles que a gente não entende nem com infográfico. Ramsés 2º reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C., mas, em torno de 1255 a.C., Nefertari, sua primeira esposa, faleceu. Boa notícia para as outras no “harém” do faraó: todas foram promovidas! Isetnofret, a segunda esposa, virou rainha principal. E Bintanath, filha de Isetnofret e Ramsés, se tornou a segunda esposa! Juntos, tiveram uma menina que era ao mesmo tempo filha e neta de Ramsés.
BAGUNÇA SEM FIM
No antigo Egito, assassinatos e sexo em família eram comuns. Mas a dinastia ptolomaica, que governou entre os séculos 4 a.C. e 1 a.C., barbarizou geral. O caso de Ptolomeu 8º, que viveu entre os anos 182 a.C. e 116 a.C., é exemplar. Para chegar ao poder, matou Ptolomeu 7º, que era casado com sua mãe – que era também sua irmã, casada com seu irmão! Na sequência, Ptolomeu 8º se casou com sua irmã, resultado do matrimônio entre sua mãe-irmã com seu pai-irmão… Agora imagine o climão desse almoço em família!
UM NÓ EM TRÊS GERAÇÕES
Nascida em 1837, Elisabete, rainha da Áustria, era filha de Ludovica da Bavária. Uma irmã de Ludovica, Sofia, teve um filho com o arquiduque Franz Karl: era Francisco José, o futuro líder do Império Austro-Húngaro. Elisabete se casou com o primão José, mas tinha uma relação péssima com Sofia (que era, ao mesmo tempo, sua sogra e sua tia). Para piorar, a irmã de Elisabete, Karolina, se casou com Francisco 2º, que era o avô de José.
FONTES Sites Monticello, Canmore e TED; livros D. Pedro I, de Isabel Lustosa, Cleopatra: A Life, de Stacy Schiff, The Mystery of Princess Louise: Queen Victoria’s Rebellious Daughter, de Lucinda Hawksley, Livia, Empress of Rome: a Biography, de Matthew Dennison, The Vatican’s Women: Female Influence at the Holy See, de Paul Hofmann, The Feud: The Hatfields and McCoys: The True Story, de Dean King, Ramsés II: o Deus Vivo, Conquistador de Terras e de Corações, de Helena Trindade Lopes, e As Seis Mulheres de Henrique VIII, de Antonia Frase
Confira os principais retrocessos da Lei da Terceirização ilimitada
abril 8, 2017 13:41![]() |
| Deputados protestaram com patos contra aprovação do PL da terceirização Twitter/deputado Jean Wyllys |
Jornalista Cristiane Sampaio explica os impactos para os trabalhadores depois da lei ter sido aprovada pelos deputados
Cristiane Sampaio no Brasil de Fato
A Lei da Terceirização, sancionada na semana passada, segue como uma das principais polêmicas do atual cenário político.
Isso porque a nova legislação altera a forma como os patrões se relacionam com trabalhadores terceirizados.
E as mudanças são profundas, viu?
Primeiro, o contrato temporário, que antes era de, no máximo, noventa dias, agora passa a ser de seis meses, podendo ainda ser renovado por mais três, ou seja, ao todo, pode chegar a nove meses.
A alteração não é boa pro trabalhador porque os terceirizados podem ser demitidos a qualquer momento, sem aviso prévio, e não têm direito aos quarenta por cento de multa sobre o FGTS.
Outra novidade é que, apenas em último caso, os funcionários poderão cobrar à empresa eventuais dívidas trabalhistas que as terceirizadas tenham com eles.
Primeiro, eles deverão recorrer à Justiça.
Se não conseguirem o pagamento dos direitos, aí sim eles vão poder cobrar essas dívidas à empresa ou ao órgão contratante.
Além disso, a mudança mais polêmica é a liberação da terceirização ilimitada.
Antes da nova lei, o Brasil não tinha uma legislação específica sobre o assunto, mas prevalecia o entendimento da Justiça do Trabalho de que só poderiam ser contratados via terceirização funcionários que atuassem em atividades de apoio, como serviços de limpeza e segurança.
A partir de agora, fica permitida essa forma precária de contratação também para as chamadas atividades-fim, que são as principais funções de uma organização.
Por exemplo, com a nova lei, uma escola pode terceirizar os seguranças e também os professores.
Com isso, o número de de terceirizados, que ultrapassa os 12 milhões de pessoas no Brasil, tende a aumentar muito mais, precarizando o mercado de trabalho como um todo.
Ou seja, na prática, com essa lei, o trabalhador sai perdendo em todos os aspectos.
Sem dúvida, é mais um passo pra trás no que se refere à garantia dos direitos sociais no país.



