Vanessa Grazziotin: 'Golpistas esvaziaram plenário porque 'têm medo do debate'
agosto 27, 2016 10:48![]() |
| Esvaziamento: noite de sexta-feira, votação importantíssima para o país à frente, e os senadores somem do debate, seguindo sua rotina Foto ANA VOLPE/AGÊNCIA SENADO |
Último depoimento na sessão desta sexta-feira, de testemunha da defesa, teve a educação como tema; senadora do Piauí defende política de Dilma: “A casa grande surta quando a senzala aprende a ler”
por Eduardo Maretti, da RBA
O ministro Ricardo Lewandowski, presidente da sessão de julgamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, encerrou os trabalhos da sessão às 23h20 desta sexta-feira (26). Ele esclareceu que, por acordo de lideranças, a retomada será amanhã, por volta das 10h.
O último depoimento de ontem, como testemunha de defesa, foi do ex-secretário-executivo do Ministério da Educação Luiz Cláudio Costa. Ao contrário da participação das testemunhas de acusação, entre ontem e a manhã de hoje, os depoimentos da defesa, iniciados com a fala do economista Luiz Gonzaga Belluzzo no início da tarde, foram feitos com plenário esvaziado pelos senadores golpistas.
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que o Senado esvaziado “mostra o ‘interesse’ (dos opositores de Dilma) por este momento do nosso país”. “Eles não falam, não questionam, não entram no debate. Quem não quer debater tem medo do debate. A acusação está fugindo.”
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) acrescentou que o desinteresse dos senadores pró-impeachment pelos depoimentos da defesa revela que eles “perderam a compostura e sequer disfarçam” diante da importância do julgamento. "Só querem condenar."
Em comentário sobre o tema educação, a senadora Regina Sousa (PT-PI), ao mesmo tempo em que ressaltou a importância social dos investimentos em educação do governo Dilma, comentou os prometidos cortes na área pelo governo interino de Michel Temer. “A casa grande surta quando a senzala aprende a ler”, disse.
O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, ressaltou a importância do depoimento de Luiz Cláudio Costa pelo fato de que, sendo professor e pesquisador da área de educação, pôde confirmar em sua área o que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo e o consultor jurídico Geraldo Prado afirmaram anteriormente: que não existe crime de responsabilidade de Dilma, que deve ir ao Senado na segunda-feira (29) fazer sua própria defesa.
Questionado por Cardozo sobre eventuais “anomalias” nos decretos de suplementação orçamentária, Costa disse que eles seguiram parâmetros sempre utilizados. “Isso é analisado tecnicamente. Os (decretos) de 2015 seguem a mesma linha do que sempre foi feito. Não houve nada de atípico.”
A advogada de acusação, Janaína Paschoal, última a inquirir o depoente, também afirmou ter achado importante a presença do ex-secretário do MEC, quando ele disse que houve cortes “brutais” de verbas no ministério em 2015. “Quando ele diz que não se lembra de nada igual, mostra que não foram feitos os cortes necessários (pelo governo Dilma) em 2014.” Segundo ela, a motivação era “angariar votos das pessoas que acreditavam que teriam a manutenção dos programas (sociais)”.
Janaína disse que “os crimes foram pelo engodo de ter maquiado as contas públicas” e que a “bomba” decorrente da “maquiagem” estourou em 2015.
Este argumento não é novo. Foi usado inclusive por economistas progressistas para criticar as iniciativas da política econômica errática de Dilma em seu segundo mandato. Mas está longe de configurar qualquer tipo de crime de responsabilidade necessário à condenação em um processo de impeachment.
A mulher que calculou as rotas da chegada do homem à Lua
agosto 25, 2016 21:05![]() |
| FOTO: NASA |
Vida de Katherine Johnson será retratada no filme ‘Hidden Figures’, com previsão de lançamento para 2017
Atualmente em processo de pós-produção, o filme “Hidden Figures” (“Cálculos Ocultos”, em uma tradução livre) conta a história da matemática, física e cientista espacial negra Katherine Johnson, uma figura pouco conhecida que calculou a trajetória da nave Apolo 11, na primeira viagem do homem à Lua, em 1969.
A previsão é de que a obra, dirigida por Theodore Melfi e com trilha sonora de Pharrell Williams, seja lançado em janeiro 2017.
Além de Katherine, vivida por Taraji P. Henson, a obra também retratará as trajetórias de Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), que também trabalharam para a Nasa (agência espacial americana) na mesma época.
Atualmente com 98 anos, Katherine é reverenciada pelos seus sucessores na instituição e dá palestras em universidades americanas nas quais incentiva seus alunos a seguirem carreiras no ramo da tecnologia.
Juventude brilhante
Katherine Johnson nasceu em 1918 na cidade de White Sulphur Springs, no Estado de Virgínia Ocidental. Seus pais eram a professora Joylette Coleman e o zelador Joshua Coleman.
Precoce, ela entrou no ensino médio aos 10 anos, e se formou aos 14. “Eu contava tudo. Eu contava os passos até a estrada, os paços até a igreja e qualquer coisa que pudesse ser contada”, afirmou em entrevista concedida em 2013 ao site da Nasa (agência espacial americana). Aos 15 anos já cursava a Universidade de Virgínia Ocidental.
“Eu iria me tornar uma professora de matemática porque era isso o que existia: você podia ser uma enfermeira ou uma professora”, afirmou em entrevista não datada ao site Makers, que reúne histórias inspiradoras de mulheres.
Na universidade, ela travou contato com o famoso doutor em matemática William W. Shieffelin Claytor, que também era negro e encorajou Katherine a estudar matemática avançada. Ele chegou a criar um curso de geometria analítica do espaço especialmente para a aluna.
“Ele disse: ‘você poderia ser uma boa pesquisadora em matemática. Eu respondi ‘o que eles fazem?’. Ele disse ‘você vai descobrir’. Ele fez com que eu fizesse todos os cursos que existiam no catálogo. Algumas vezes eu era a única no curso”Katherine JohnsonEm entrevista concedida ao site Makers, sem data
Início da carreira
Ela se formou em francês e matemática aos 18 anos, mas a aplicação do potencial completo de seus conhecimentos não veio imediatamente.
Katherine deu aulas no ensino médio por sete anos antes de tentar, com sucesso, uma vaga no Langley Research Center, em 1953. Criado em 1917, ele foi o primeiro laboratório de aviação civil dos Estados Unidos.
“Os números sempre foram uma parte do que eu fazia. Na matemática você está certo ou você está errado. Eu gostava disso”Katherine JohnsonEm entrevista concedida ao site Makers, sem data
A segregação racial ainda vigorava nos Estados Unidos naquela época, o que impedia, por exemplo, negros de estudarem nas mesmas escolas do que brancos em alguns Estados do país.
Mas Katherine se beneficiou indiretamente de um decreto assinado 12 anos pelo presidente Franklin Delano Roosevelt.
Partindo do diagnóstico de que o país não poderia se dar ao luxo de desperdiçar mão de obra qualificada, o documento assinado pelo presidente proibia expressamente que órgãos públicos exercessem discriminação de raça, credo ou nacionalidade. Em paralelo, eles foram incentivados a contratar profissionais negros.
Katherine foi contratada pouco depois de o Langley Research Center ter aberto vagas voltadas especialmente para mulheres negras. “Eles tinham um grupo de mulheres matemáticas. Só queriam alguém para fazer as coisas miúdas enquanto eles pensavam. Nós éramos chamadas de ‘computadores’, ‘computadores mulheres’”, afirmou em entrevista ao Makers.
Seu trabalho consistia em realizar cálculos seguindo orientação de engenheiros da instituição. Mas logo ela se destacou por suas habilidades e espírito questionador. Além da barreira racial, teve, para isso, que superar também restrições a mulheres.
“Eu trabalhava com caras, e quando eles foram receber novas instruções eu pedi permissão para ir junto. Eles disseram ‘as garotas normalmente não vão.’ E eu disse ‘tem uma lei nesse sentido?’ E eles responderam ‘não’. Então meu chefe disse ‘deixem ela ir’”Katherine JohnsonEm entrevista concedida ao site Makers, sem data
Como Katherine calculou rotas de naves espaciais
Mais tarde, o centro foi assimilado pela Nasa. Em 1961, ela foi a responsável por calcular a rota da primeira nave americana a ir ao espaço, a Mercury-Redstone 3, tripulada por Alan Shepard.
Em 1962, a Nasa lançou a missão Friendship 7 ao espaço, na qual John Glenn se tornou o primeiro astronauta americano a orbitar o planeta. Os cálculos para este lançamento foram feitos por computador, mas o próprio Glenn pediu que Katherine checasse a conta. Ela demorou um dia e meio, e chegou a exatamente os mesmos resultados.
Um de seus trabalhos mais importantes foi calcular a trajetória da nave Apollo 11, que foi a primeira a pousar na lua, em 1969. Para isso, levou em consideração fatores como a velocidade da nave, e onde a Terra e a lua estariam em cada momento da ida e da volta.
“Nós estávamos muito preocupados quando eles estavam deixando a Lua e voltando. Se ele [o piloto da nave, Neil Armstrong] errasse um grau, não entraria na órbita da Terra. Eu olhava para a televisão e pensava ‘espero que ele tenha entendido’. E também esperava que eu estivesse certa”, afirmou.
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| FOTO: KATHERINE JOHNSON/ACERVO PESSOAL |
Aposentadoria e reconhecimento
Johnson trabalhou para a Nasa até 1986, quando se aposentou após ter trabalhado por 33 anos. Em 1997, recebeu o título de matemática do ano da National Technical Association, e também diversas premiações ligadas aos voos espaciais da Nasa.
Ela também recebeu os títulos de doutora honorária em direito pela Universidade do Estado de Nova York e de doutora em ciência pelo Capitol College em Maryland e pela Old Dominion University no Estado de Virgínia. Com frequência, ela dá palestras incentivando alunos a seguirem carreiras ligadas a tecnologia em universidades americanas.
do nexojornal.com.br
FARC-EP e Governo da Colômbia assinam acordo final de paz
agosto 25, 2016 20:34Ao cabo de quatro anos de negociações, as FARC-EP e o Governo colombiano firmaram esta quarta-feira, em Havana, um acordo que visa pôr fim a um conflito armado que dura há mais de 50 anos.
Firmado por Iván Márquez, representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP), e por Humberto de la Calle, representante da delegação governamental, o documento inclui um conjunto de iniciativas que contribuem para a materialização dos direitos constitucionais dos colombianos e para garantir uma paz estável e duradoura, noticiam a Prensa Latina e a TeleSur.
Com esta iniciativa, pretende-se «pôr termo ao enorme sofrimento causado pelo conflito» e iniciar «um capítulo da história nacional com o qual se dá início a uma fase de transição que permita a integração territorial, a inclusão social e o fortalecimento da democracia», afirmaram as partes.
Num comunicado conjunto, lido pelos representantes dos países fiadores, Cuba e Noruega, os representantes da guerrilha e do Governo de Juan Manuel Santos referem que o acordo possui um enfoque amplo, por forma a garantir que a sua implementação respeite a diversidade de género, étnica e cultural.
O acordo contém seis pontos. O primeiro diz respeito à Reforma Rural Integral e visa contribuir para a transformação estrutural do campo; o segundo aborda a questão da participação política, o desarmamento, a transição para um cenário em que impere a democracia e em que seja possível o aparecimento de novas forças políticas, de forma a enriquecer o debate sobre os grandes problemas nacionais.
O terceiro ponto refere-se ao acordo de cessar-fogo e de fim das hostilidades bilateral e definitivo, e ao abandono das armas; a quarta parte aborda a solução para o problema das drogas ilícitas; a quinta parte diz respeito ao tema das vítimas; e o sexto ponto refere-se aos mecanismos de implementação e verificação.
Humberto de la Calle, pelo Governo colombiano, e Iván Márquez, pelas FARC-EP, assinaram sete exemplares do documento, que serão distribuídos entre as partes negociadoras, os países fiadores e as nações acompanhantes (Venezuela e Chile).
O sétimo exemplar será depositado no Conselho Federal suíço, em Berna, ou num organismo que o substitua futuramente como depositário das Convenções de Genebra.
A este pacto, segue-se a Décima Conferência Guerrilheira, das FARC-EP, e o plebiscito, ainda sem data marcada e no qual o povo colombiano será chamado a pronunciar-se sobre os termos negociados pelas FARC-EP e o governo da Colômbia. Para que o acordo seja aprovado, o «sim» necessita de pelo menos 13 por cento do eleitorado recenseado (cerca de 4,3 milhões de eleitores) e terá de superar o «não», refere a TeleSur.
do diarioliberdade
Já são mais de 5mil candidatos “fichas-sujas” registrados
agosto 25, 2016 20:24Ministério Público Eleitoral registra mais de 5 mil candidatos “fichas-sujas”
O Ministério Público Eleitoral (MPE) identificou 5.179 candidatos "fichas-sujas" às eleições de outubro, quando serão disputados os cargos de vereador e de prefeito. O balanço parcial engloba todos os estados e foi feito com base no sistema do MPE, que cruza informações dos tribunais de contas, conselhos profissionais e do Judiciário para embasar as ações de impugnação dos candidatos.
O estado de São Paulo registrou 1.420 mil candidatos com irregularidades nos registros, seguido por Minas Gerais (640) e Paraná (476). Os dados levam em conta os 488.276 registros de candidaturas recebidos pela Justiça Eleitoral.
Com o registro, caberá aos juízes eleitorais julgar os pedidos de candidatura, que poderão ser indeferidos caso os candidatos não cumpram os requisitos legais, entre eles estar elegível pela Lei da Ficha Limpa. Entre as causas de inelegibilidades, a norma impede que pessoas condenadas por órgãos colegiados possam disputar eleições pelo prazo de oito anos.
da Agência Brasil
Reajuste para defensor público da União é aprovado no Senado
agosto 24, 2016 21:30![]() |
| Moreira Mariz/Agência Senado |
Como parte do pacote de reajustes enviado ao Congresso pelo governo interino de Michel Temer, o Plenário aprovou nesta quarta-feira (24), por votação simbólica, projeto que aumenta o salário do defensor público-geral federal de R$ 31.090 para R$ R$ 31.557,21, a partir de 1º de julho de 2016. A matéria segue para sanção presidencial.
O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 32/2016 estabelece reajustes escalonados até janeiro de 2018. Serão R$ 32.188,36 em janeiro de 2017; R$ 32.938,35 a partir de abril de 2017; até alcançar R$ 33.763,00, em 1º de janeiro de 2018.
Pelo texto, o reajuste terá impacto também nas demais categorias que compõem a carreira de defensor público federal — defensor de 2ª categoria (início de carreira), de 1ª categoria (intermediário) e especial (final) — que têm faixas salariais com diferenças de 5% entre elas.
O maior índice de reajuste (67,03%) foi aplicado à remuneração da categoria segunda de defensor público, aumentando o respectivo subsídio de R$ 17.330,33 para R$ 28.947,55 a partir de 2018.
A Defensoria Pública da União teve sua autonomia funcional, administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária garantida por meio da Emenda Constitucional 74/2013. O órgão conta com pouco mais de mil servidores.
Discussão
O senador Telmário Mota (PDT-RR), relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), afirmou que o reajuste é uma “questão de justiça”.
— A demanda de trabalho deles é muito maior do que a de um promotor público. E são pessoas tão preparadas quanto um juiz ou um promotor. Não tem efeito cascata. E essa equiparação já chegou aos estados — disse.
Telmário teve o apoio de vários senadores, entre eles Cristovam Buarque (PPS-DF), Lúcia Vânia (PSB-GO) e Humberto Costa (PT-PE), que ressaltou a importância da categoria no atendimento à população mais pobre e lembrou o reajuste dos defensores já estava previsto no governo da presidente afastada, Dilma Rousseff.
Entre os contrários ao projeto, a principal alegação é de que o aumento é inoportuno por causa do atual momento de crise econômica que enfrenta o país e a necessidade de um ajuste fiscal.
O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), disse que a isonomia é proibida pela Constituição e que não houve acordo com o Planalto sobre o aumento dos defensores. Ele defendeu um reajuste compatível com a disponibilidade de recursos sem grande impacto para as despesas públicas.
— Não me parece razoável que um jovem recém-saído da universidade, que passa por um concurso, possa iniciar sua vida profissional com R$ 28 mil. Enquanto um professor de universidade ganha R$ 8 mil quando entra.
da Agência Senado





