Pela cassação do mandato de Bolsonaro
abril 19, 2016 16:27O deputado Jair Bolsonaro extrapolou qualquer limite. Ele deu parabéns a Eduardo Cunha, disse que seus adversários perderam em 1964 e, por fim, elogiou os militares do golpe e dedicou o voto ao coronel “Carlos Alberto Brilhante Ustra, o terror de Dilma”.
Dilma foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. Aos 22 anos.
Ela militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.
Essas sessões de torturas foram realizadas no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, e também em uma prisão da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Ustra foi responsável pela morte de pelo menos 50 pessoas nos porões do DOI-CODI no período em que chefiou a instituição. Ele também chefiava o DOI-CODI quando a presidente Dilma foi presa e torturada.
Muitos brasileiros lutaram contra a ditadura e deram sua vida pela democracia ainda jovem que temos hoje. Se hoje podemos discutir e questionar um governo do qual divergimos, também devemos isso a pessoas que enfrentaram a ditadura. Ver uma fala como esta ser aplaudida no plenário da Câmara em um processo de impeachment conduzido por corruptos é emblemático. Não dá pra ter dúvidas quanto ao risco que corremos hoje.
por #AssessoriaErundina
Conselho de Ética poderá julgar delação contra Cunha
abril 19, 2016 15:01| Foto Joaquim Dantas/Arquivo |
Delação que cita propina a Cunha poderá entrar em processo no Conselho de Ética
Com o fim do capítulo do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, deputados voltam as atenções ao processo que pode culminar na cassação do mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em andamento no Conselho de Ética.
Por conta do feriado de quinta-feira (21), o colegiado só volta a se reunir na próxima semana. No entanto, antes disso, o relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), pode decidir se incluirá a delação premiada de Ricardo Pernambuco Júnior, executivo da Carioca Engenharia, no âmbito da operação Lava Jato, já homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo assessores, Marcos Rogério ainda aguarda a chegada de novos documentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da própria Corte para decidir sobre esta inclusão, pedida pelo deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG), suplente no conselho.
Funcionários do gabinete do relator explicaram que algumas informações solicitadas pelo parlamentar já foram entregues pela Justiça, mas neste rol ainda não está incluída a declaração de Pernambuco Júnior, de que pagou propina a Cunha no valor de R$ 52 milhões, divididos em 36 prestações, para que empresas acessassem recursos do Fundo de Investimento do FGTS.
A cautela é para que, no caso de estar sob sigilo, a inclusão da delação, que seria considerada prova ilícita, não comprometa o processo que já se arrasta há cinco meses. Críticos de Cunha acusam aliados e o próprio presidente da Casa de adotar manobras para protelar os trabalhos, como recursos que foram apresentados pelo advogado de defesa, Marcelo Nobre, e alguns integrantes do colegiado que resultaram na retomada de fases das atividades do processo.
Na próxima terça-feira (26), está confirmado o depoimento, em Brasília, de Fernando Soares – conhecido como Fernando Baiano, acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de ser um dos operadores de propina da Petrobras ligado ao PMDB. Baiano é testemunha indicada pelo relator Marcos Rogério, assim como o empresário João Henriques, que atuava como lobista do PMDB e disse, em delação premiada da Operação Lava Jato, que transferiu mais de US$ 1 milhão para contas de Cunha no exterior.
João Henriques seria ouvido na segunda-feira (25), em Curitiba, onde está preso, mas o advogado do empresário ainda precisa avisá-lo e só deve fazer isto no próprio dia 25, adiando a oitiva para o dia 27. A partir desta data, o relator quer começar a ouvir testemunhas indicadas por Cunha que já estão sendo notificadas.
da Agência Brasil
A desfaçatez de um bandido chamado Eduardo Cunha
abril 19, 2016 14:50
DESFAÇATEZ NÃO CONHECE LIMITES
por Francisco Costa
por Francisco Costa
Eduardo Cunha, em entrevista, ontem, afirmou que vai processar todos os parlamentares que se referiram a ele de forma desairosa, durante a votação da admissibilidade do Senado processar a presidente.
Entre os caras de pau nacionais, Cunha é de jacarandá, madeira nobre e rara, a mais cara, nos dois sentidos.
Um sujeito que coleciona 23 processos por corrupção, sendo que o vigésimo terceiro, em curso, no STF, com acusações de praticar chantagens e ameaças de morte, denunciado pelo Ministério Público suíço, como titular de 13 contas secretas, em seu nome, e mais duas, uma no nome da esposa e outra, no nome da filha, dono de empresas offshores, em paraísos fiscais, detentor de mais de cem domínios (sites) na internet, alguns deles em nome de Jesus, literalmente: Jesus.com, está ofendido, coitado.
Um sujeito que começou a sua vida de crimes ainda no governo Sarney, quando foi tesoureiro de campanha de Fernando Collor, no Rio de Janeiro, e depois sócio de PC Farias, em uma empresa, só não sendo preso porque queimaram o arquivo, matando PC.
Um sujeito nomeado por Collor, para promover o desmonte de empresas, para facilitar a privatização.
Novamente nomeado, agora por FHC, para acabar com o sistema de telecomunicações nacional, desempregando milhares de trabalhadores, sucateando tudo, para facilitar a privatização.
Um sujeito nomeado pelo não menos ladrão, Anthony Garotinho, para dirigir o sistema habitacional do estado, sendo exonerado por ladrões, porque nem os ladrões suportaram tanto roubo de Cunha.
Um sujeito que se intitulando pastor, ao lado de outro pastor, seu sócio em uma empresa, trocou tiros com quadrilha rival, na zona portuária do Rio de Janeiro, conhecida por ser região de narcotráfico, contrabando e prostituição.
Um sujeito citado em praticamente todas as operações da Polícia Federal, que, na véspera do circo da admissibilidade, foi denunciado mais um vez, por ter recebido 52 milhões, em 36 parcelas...
Um sujeito dessa extirpe, com esse histórico, tem condições de processar alguém?
A maioria dos que cumprem penas, em presídios e penitenciárias, são amadores, diante de Cunha.
Pois ele quer processar os que falaram verdades, sentindo-se ofendido.
Que adjetivo o ofendeu mais, ladrão, corrupto, escroque, bandido, gangster, salafrário...? Ele deveria é estar feliz, pelo reconhecimento público.
Os progressistas da época chamavam Lacerda de O Corvo. Nem a isso Cunha chegou, é O Urubu mesmo.
E se isso tudo nos mostra reduzidos a uma Bananas Republic, a uma república bananeira, de caciques e coronéis, dói-nos saber que aqui Al Capone e que prende Eliot Ness, só aqui um Cunha da vida, acumpliciado aos quais remunerou, é capaz de formalizar um golpe contra quem nunca foi sequer indiciada.
Mais que política, econômica ou filosófica, a resistência a isso é moral, para que nossos filhos amanhã não nos vejam covardes ou cúmplices.
Bolsonaro, o repugnante
abril 19, 2016 13:26Eu quero contar uma história pra vocês. Praticamente um ano atrás, dia 27 de abril de 2015 durante a madrugada, dois andares acima de mim no apartamento 601, morria minha vizinha Inês Etienne Romeu.
por Diogo Martins
Ex militante e integrante da luta armada contra a ditadura militar, ela não só foi a última presa política libertada no Brasil como foi a única sobrevivente da casa da morte em Petrópolis. Presa ilegalmente em 1971, ela foi espancada, torturada e pendurada no pau-de-arara.
Para escapar inventou para seus captores que tinha um encontro com um guerrilheiro em determinado local do bairro de Cascadura, no Rio de Janeiro. Ao chegar no local tentou suicidar-se jogando-se na frente de um ônibus.
Foi arrastada pelo ônibus mas não morreu. Após passagem pelo Hospital da Vila Militar foi levada para uma casa em Petrópolis, na Rua Artur Barbosa, 668, “A casa da morte”. Ali permaneceu sob tortura, espancamento, choques elétricos e estupros.
No inverno de Petrópolis, onde a temperatura podia chegar a menos de 10ºC, era obrigada a deitar nua no cimento molhado e levou tantos socos e sofreu tantas agressões que seu rosto tornou-se irreconhecível. Neste período era obrigada a cozinhar nua sendo humilhada por seus carcereiros.
Assim como os outros presos da casa, Inês não deveria sair viva de Petrópolis. Contudo, segundo um de seus captores, o tenente-coronel reformado Paulo Malhães (codinome: "Dr. Diablo"), declarou mais de 40 anos depois, os torturadores cometeram o erro de libertá-la acreditando que, depois de intensa tortura e cativeiro, ela tivesse aceito o papel de infiltrada em sua própria organização.
Foi jogada na casa de uma irmã, em Belo Horizonte, pesando 32 quilos. Inês passou a dedicar-se à denúncia e esclarecimento dos crimes ocorridos nos porões da ditadura.
Em 2003, aos 61 anos, foi encontrada caída e ensanguentada em seu apartamento, com traumatismo cranioencefálico por golpes múltiplos diversos, depois de receber a visita de um homem que se fez passar por um marceneiro contratado para um serviço doméstico.
Em fuga, saiu de São Paulo e mudou-se para o Rio de Janeiro onde teve que se mudar diversas vezes para preservar sua identidade e seu endereço.
Importante entender que ontem o deputado federal Jair Bolsonaro manchou a memória de Inês e de todos nós brasileiros quando homenageou Carlos Alberto Brilhante Ustra (coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe de órgãos atuantes na repressão durante o período do regime militar no Brasil) e não saiu algemado da câmara dos deputados.
Imagino o terror que Inês sentiria novamente ao saber que vive num prédio, numa cidade, num país... onde existem pessoas que idolatram o homem que homenageia seus torturadores.
Acho que ela partiu na hora certa. Inês era uma senhora que já não podia falar, não podia andar sem andador e acompanhante e quase nunca saia de casa. Infelizmente tivemos muito pouco contato.
Ela sempre carregava um sorriso triste e um mistério nos olhos, como quem guardava algum segredo, como quem ainda precisava falar alguma coisa. Ela morreu dormindo. Depois do que ouvi ontem, acredito que muita coisa tenha morrido ali, junto com ela, também.
É o risinho que mata - Por Fábio Chap
abril 19, 2016 11:31É o risinho que mata. O brasileiro já encarou cada coisa; o índio dizimado, o negro escravizado, o dissidente assassinado. Mas é o risinho que mata. Já vimos Eldorado dos Carajás, Favela Naval, Canudos e absurdos mil, mas é o risinho que mata.
Por *Fábio Chap
Vemos o pai de família assassinado ao negar trocado, o policial humilhar e ser humilhado. Vemos o rombo da Petrobrás e outras dores mais, mas é o risinho que mata.
Por aqui, parte da gente sabe o que é uma fila do SUS, só poder contar com Jesus e mais ninguém. Por aqui a gente passa uma vida inteira na cabine de um trem. Mas é o risinho que mata.
Brasileiro já viu político assassino, ladrão, corrupto e quase nenhum indo pra prisão. Mas é o risinho que mata.
A gente aguentou e aguenta cada desaforo, cada genocídio, cada ultraje, mas é o maldito risinho estampado na cara do bandido de gravata que destrói a fé. Que mata mais que a morte. É o escárnio no rosto do deputado que vota pela vó, não pelo nó na garganta.
Essa gente enterra a esperança a 7 profundos palmos. Porque quem sofre com o povo não ri daquele jeito. E olha: sofrimento realmente existe na vida. A gente aprende a lidar, mas é o risinho - vindo dos piores tipos de canalha - que mata.
*Fábio Chap é escritor e ativista. Autor do livro ‘Tive um Sonho Pornô. Escreve no Quebrando o Tabu às segundas-feiras.
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