O fim do glamour do "Fora Dilma"
marzo 25, 2016 14:08Por Renato Rovai
O tempo, senhor da razão, cuidou de ir mostrando cada vez com mais nitidez quais as reais intenções daqueles que lideram a campanha pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
E quanto mais eles foram revelando os dentes caninos, mais gente foi se posicionando do outro lado.
A resistência a favor da democracia e contra o golpe hoje já permite dizer que é possível virar o jogo e impedir que o Brasil volte a se tornar uma republiqueta de bananas.
O dia 18 foi a chave da virada.
Naquele dia aconteceram manifestações em todas as capitais do Brasil. E em todas, praticamente sem exceção, houve mais participação do que o previsto por todos os lados da política.
E como quem foi naqueles eventos não estava atendendo a um chamado da Globo, que tem paralisado sua programação para convocar o golpe, o resultado é que se produziram no embalo deles centenas de outros que estão acontecendo aos poucos e reunindo milhares.
Quase todas as universidades federais fizeram atos ou manifestações nos últimos dias. E a maior parte desses eventos acabou tendo que ser ampliado para telões instalados fora dos teatros.
Ao mesmo tempo, estudantes da PUC-SP reagiram a uma manifestação de provocadores, apanharam da PM do Alckmin, que tem agido com absoluta parcialidade nesses conflitos, e no dia seguinte realizaram um ato que vai ficar na história da PUC de novo.
Ontem foram os estudantes do Mackenzie, que querem livrar a instituição do que parecia ser o seu destino, apoiar movimentos de direita. Teve conflito de novo na rua Maria Antônia, mas dessa vez eram mackenzistas que estavam lá para gritar não vai ter golpe.
Os atos de cultura estão cada vez mais repletos de artistas se posicionando.
O teatro e o cinema do Rio fizeram dois encontros fantásticos na Lapa. E ontem, para celebrar esse posicionamento, a diretora Ana Muylaert, ao receber um prêmio da Globo, disse que Jéssica, a personagem do Que Horas Ela Volta, existe, e é filha de Lula e Dilma.
Tom Zé lançou um manifesto contra o golpe e artistas como Tico Santa Cruz, Maeda Jinkings, Fernando Anitelli, Zé de Abreu, Mônica Iozzi, Letícia Sabatella, Elza Soares, Wagner Moura e tantos com suas falas tiram o verniz de que estar na moda é gritar “fora Dilma”.
Ao mesmo tempo em que a OAB vai para o lado de lá, juristas e advogados de todo o Brasil fazem atos e questionam a ação golpista.
Jornalistas em todas as redações já começam a questionar a linha editorial de seus veículos e a audiência da mídia não alinhada não para de crescer.
O Brasil começa a se mexer de um jeito que não estava nas contas da Globo, a verdadeira central do golpe.
Mesmo assim eles mantêm a marcha.
Da mesma forma que transformaram os imensos atos do dia 18 em algo menor, iludindo até jornalistas experientes, agora vão apressar a ação de impeachment porque sentem o bafo das ruas na nuca.
Essa reação do “não vai ter golpe” terá de ser ainda mais consistente, mais forte.
Eles sabem que estão perdendo a exclusividade das ruas, que foi o que lhes deu legitimidade para chegar ao ponto atual. E é isso que explica, por exemplo, o juiz Sérgio Moro ter colocado em sigilo a lista da Odebrecht que cita 312 políticos. E a Globo não tê-la divulgado no JN.
Eles sabem que listas como essa embaralham o jogo porque demonstram que o sistema político brasileiro é controlado pelas grandes corporações. E que não é punição seletiva que vai acabar com isso.
Ao contrário, quanto menos democracia, menos combate a corrupção. Sempre foi assim, sempre será. É a possibilidade de contraditório que faz com que os podres de todos os lados sejam combatidos e revelados.
Os dias que virão serão duríssimos.
Os que agitam os batedores de panelas acelerando o passo para não perder o time. E os contra o golpe resistindo quase sem comando em todas as partes do país.
O golpe acontece em broadcasting e a resistência é quase toda distribuída em redes.
Não é uma parada fácil, mas cada vez mais parece possível derrotar o que parecia invencível.
O “não vai ter golpe” pode ser a chave de um novo país que virá se o impeachment for derrotado. Ele não aceita mais ser massa de manobra da Globo e ao mesmo tempo vai cobrar a fatura do PT e dos seus líderes, que, por tantos erros cometidos, estão colocando quase tudo a perder.
Auditoria encontra riscos à saúde e à segurança em escolas públicas
marzo 25, 2016 11:36Falta de ventilação e de isolamento acústico nas salas de aula; janelas quebradas; rede elétrica comprometida; pisos rachados e com buracos; violência nos arredores; entre outros problemas. Na visita feita a duas unidades da rede pública de ensino do Distrito Federal nesta terça-feira, dia 22 de março de 2016, o presidente do Tribunal de Contas do DF, Conselheiro Renato Rainha, e uma equipe de auditores constataram a má conservação das escolas públicas.
Durante a inspeção no Centro Educacional 07 de Taguatinga, interditado no último dia 16 de março pela Defesa Civil, a direção confirmou a ocorrência constantes de curtos-circuitos e a ausência de aterramento. Um professor e um servidor foram atingidos por fortes descargas elétricas. O forro de uma das salas de aula também desabou. Após a interdição, parte das atividades da escola foi transferida para o Instituto Federal de Brasília, na QNM 40, e a carga horária dos alunos foi reduzida pela metade.
No dia 10 de março, o plenário da Corte autorizou a realização de monitoramento, durante todo o ano de 2016, para avaliar as medidas adotadas pelas Secretarias de Estado de Educação, de Segurança Pública e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal para cumprir as determinações do Tribunal. O TCDF havia determinado, entre outras coisas, que fosse elaborada e implementada uma política de gestão da infraestrutura física das escolas.
Para o presidente do TCDF, é inadmissível que o ambiente escolar ofereça riscos à saúde e à segurança dos seus frequentadores. "Percebemos que muito pouco ou nada foi feito, desde a auditoria inicial do Tribunal em 2014, que determinou medidas para sanar as irregularidades e problemas encontrados. Há diversas escolas com sérios problemas que expõem alunos, professores e trabalhadores a graves riscos e isso compromete a qualidade da educação oferecida", afirmou o conselheiro Renato Rainha.
No Centro de Ensino Médio 03, de Ceilândia Sul, a construção de um ginásio coberto, com recursos feferais, melhorou a qualidade do espaço para atividades físicas dos alunos, mas não foi suficiente para resolver o problema da segurança. Segundo o diretor da escola, Divaldo de Oliveira, usuários de drogas e moradores de rua continuam ocupando o local. Em inspeção anterior, o Tribunal verificou que usuários de crack estavam morando na quadra de esportes da escola, ameaçando alunos e demais frequentadores. "Fomos informados de que a área será revitalizada pela Secretaria de Educação e voltaremos em 90 dias para verificar o que foi feito. Agora, quanto à segurança, o Tribunal vai exigir novamente uma ação imediata", afirmou o presidente do TCDF.
Nas duas escolas, integrantes da direção também reclamaram da burocracia e da demora na reposição de professores que se ausentam por problemas de saúde. Segundo os servidores, a SE/DF leva geralmente cerca de 15 dias para encaminhar um substituto.
do TCDF
Chico Buarque explica por que proibiu musical
marzo 25, 2016 11:19Chico Buarque explica por que proibiu musical de ator que atacou Lula e Dilma
por Brasil 247
"Qualquer pessoa tem o direito de defender opiniões políticas antagônicas às de Chico Buarque, assim como ele tem o direito de impedir que estas ideias sejam associadas às suas canções", disse o cantor e compositor Chico Buarque, que retirou a autorização para que seus direitos autorais fossem utilizados pelo ator Claudio Botelho; "Foi seguindo este princípio que, durante o governo Médici, o artista protestou contra a utilização de 'A Banda' como fundo musical de uma propaganda do Exército"; num espetáculo recente, Botelho insultou Dilma e Lula e foi vaiado pela plateia, que passou a gritar "Não vai ter golpe"
O cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda divulgou nota em que explica por que retirou a autorização para que o ator Claudio Botelho utilizasse suas canções num musical sobre sua obra. Confira abaixo:
Esta mensagem é para aqueles que tentam classificar de censura o legítimo direito, amparado por lei, de um artista autorizar ou desautorizar o uso de sua obra segundo os seus próprios critérios.
Qualquer pessoa tem o direito de defender opiniões políticas antagônicas às de Chico Buarque, assim como ele tem o direito de impedir que estas ideias sejam associadas às suas canções.
Foi seguindo este princípio que, durante o governo Médici, o artista protestou contra a utilização de “A Banda” como fundo musical de uma propaganda do Exército.
O ódio chega ao bispo
marzo 25, 2016 11:07O ódio chega ao bispo: Dom Odílo é agredido na Catedral da Sé
O cardeal de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, foi atacado na manhã desta quinta (24), na Catedral da Sé, por uma mulher que aos berros o xingava de comunista e que dizia não aceitar que gente como ele destruísse a a igreja dela.
Exatamente o mesmo discurso daqueles que agrediram a Isadora no Masp porque ela pedalava numa bicicleta vermelha. A terra é deles, o dinheiro é deles, o país é deles, a Igreja é deles, porque eles são os cidadãos de bem.
Segundo post do Jornalistas Lives divulgada nas redes sociais e post do Vermelho, Dom Odilo levantou-se com ajuda das pessoas em volta e seguiu caminhando e abençoando as pessoas na catedral lotada. Tudo aconteceu durante a missa dos Santos Óleos, que abre as celebrações do Tríduo Pascal.
Segundo a cúpula da Igreja em São Paulo, a mulher não identificada apresentava evidentes sinais de desequilíbrio, mas os padres ouvidos por Jornalistas Livres estavam preocupados com a agressão no contexto da crise política nacional
O que os porta-vozes da Igreja não disseram é que a psicopatia social é alimentada pela mídia brasileira. Esse ódio não se produz pela ingestão de alfaces ou por conta da cerveja brasileira que é de má qualidade. Ela se produz por uma indústria de propaganda que é movida por bilhões de reais. E que hoje ataca seletivamente aqueles que não rezam, no sentido quase literal, na sua cartilha.
do Blog do Rovai
Acadêmicos negam entrevistas a Folha e Globo por incitarem o ódio
marzo 25, 2016 10:48![]() |
| Reginaldo Nasser, que se recusou a falar com a GloboNews Crédito: Reprodução |
“Não dou entrevista para um canal que incita a população ao ódio num grave momento como esse”, publicou o professor de relações internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser, em seu perfil no Facebook
Por Sarah Fernandes,
Para Rede Brasil Atual
Acadêmicos de universidades conceituadas de São Paulo e do Rio de Janeiro negaram-se publicamente a dar entrevistas para jornais, sites e programas de TV da mídia tradicional por considerarem que os veículos de comunicação têm fomentado a intolerância e uma posição considerada golpista na cobertura da crise política atual.
O professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser foi o primeiro a tornar a decisão pública, em seu perfil no Facebook, no começo da tarde de ontem (22). Convidado por whatsapp por um jornalista a comparecer aos estúdios da GloboNews para falar sobre os atentados no metrô da Bélgica, o professor respondeu: “Não dou entrevista para um canal que além de não fazer jornalismo incita a população ao ódio num grave momento como esse”.
“Já faz 15 dias que eu não assisto porque é muito ruim, com desqualificação das pessoas sem o menor direito de defesa. Não em debate, as posições são sempre unânimes, sejam de jornalistas ou de convidados”, disse Nasser em entrevista a Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual. “Não é uma questão de ideologia, mas de ética. Todo mundo tem o direito de defender o impeachment da Dilma Rousseff, mas não dessa forma. Devem tomar cuidado porque a história ensina que a violência volta contra quem incita esse tipo de prática.”
Há mais de 10 anos Nasser participava de diversos debates na Rede Globo, em especial no Painel da GloboNews, na área de política internacional. “De uns dois ou três anos para cá isso vem mudando. Fui editado duas vezes no programa, disseram que era tempo, mas depois passei a ver que não se convidavam determinadas pessoas para ter certa unanimidade no debate. Isso vem a calhar com a postura de quem recebe áudios privados e joga para o público. É muita irresponsabilidade e não posso concordar com isso”, afirmou.
Questionado se sua decisão não contribuiria ainda mais para tornar hegemônico e conservador o debate na grande mídia, o professor avalia que o convite de intelectuais mais progressistas é um “álibi” para que o veículo de comunicação possa dizer que é plural.
“O canal fica fez horas mostrando algo distorcido, aí me chamam, eu falo por dez minutos e minha fala vai aparecer como justificativa que eles são plurais”, disse à RBA. “Vale discutir desde que a discussão seja equilibrada e equânime. Não adianta ficar sistematicamente jogando informações, aí um dia eu e outro colega vamos até lá e falamos de outro ponto de vista por dez minutos.”
Na noite de ontem, o professor de Ciências Políticas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) João Feres Junior também tornou pública sua decisão de não divulgar pesquisas do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), do qual é coordenador, ao portal G1, também ligado à Rede Globo.
“Não colaboramos mais com nenhuma mídia do grupo Globo. Vcs (sic) querem dar um golpe na democracia brasileira e não contarão com a nossa colaboração”, respondeu por e-mail. A conversa foi divulgada pelo próprio professor, em seu perfil pessoal no Facebook.
Também ontem, o professor do curso de graduação em História na Universidade de São Paulo (USP) Rafael Marquese negou-se a dar uma entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, e divulgou sua decisão no Facebook. “Poderia falar com todo prazer, mas não para a Folha de SP (sic): ver meu nome impresso nela, nesse golpismo desenfreado, no chance (sem chance, na tradução para o português).”
Sinai Sganzerla, filha do cineasta Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido da Luz Vermelha (1968), negou ceder direitos de uso de trechos de filmes do autor para a Fundação Roberto Marinho, ligada à Rede Globo. Seriam usadas partes de Sem Essa Aranha e Copacabana Mon Amour em uma mostra no novo Museu da Imagem e do Som (MIS), que será inaugurado em Copacabana, na capital fluminense.
Em texto divulgado ontem pela revista Fórum, Sinai afirma que explicou que sua família não deseja “vincular a obra de Rogério Sganzerla a uma instituição que estimula a violência e o desrespeito à democracia”. Procurada por telefone por funcionários da fundação, ela lembrou que o pai “teve de deixar o Brasil por ter realizado estes filmes sob a sombra de um golpe”.




