Flávio Dino: “Se Lula for candidato, ganha”
December 26, 2017 20:12Para o governador do Maranhão, a Operação Lava Jato “criou uma narrativa em que os empresários, que eram o chapeuzinho vermelho, bonzinhos, foram extorquidos pelo lobo mau, que era o Estado. Pelo amor de Deus! Todo mundo sabia o que estava fazendo”
Da Redação da Revista Fórum
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi direto ao ponto: “Se Lula for candidato, ganha. Se a elite brasileira tivesse um pouquinho de espírito nacional, e menos espírito de Miami, concordaria que Lula é importante para o Brasil. [Tirá-lo] abre espaço para uma aventura que seria Bolsonaro presidente, um suicídio nacional e coletivo.”
Sobre a Reforma da Previdência, Flávio Dino considera que ela “vai virar um peso nas costas de quem a defender. Claro [que sou contra], e a trabalhista é pior ainda. Esse neoliberalismo vulgar que às vezes um Amoedo (Novo) da vida professa não tem aderência à realidade brasileira”.
Sobre as sucessivas denúncias de corrupção, Dino disse: “É verdade que havia infelizmente corrupção na Petrobras, por exemplo, mas quem estava ao lado? Grandes corporações privadas. Então, se fosse extinguir o Estado porque é corrupto, ia extinguir o mercado junto”.
Com relação à operação Lava Jato, Dino considera que ela “criou uma narrativa em que os empresários, que eram o chapeuzinho vermelho, bonzinhos, foram extorquidos pelo lobo mau, que era o Estado. Pelo amor de Deus! Todo mundo sabia o que estava fazendo”.
Sobre a perseguição de Sérgio Moro a Lula ele diz: “É um escândalo, uma monstruosidade jurídica. O leitor pode dizer: é porque ele apoia o Lula. Primeiro, o Lula nunca me apoiou aqui”.
Flávio Dino espera que Lula o apoie em 2018: “Sou cristão, acredito em coisas boas. Como você vai dizer que ele é dono de um apartamento que comprovadamente está no patrimônio de um banco? Aí sim a instrumentalização da Lava Jato atende a certos interesses que hoje não estão claros”.
Para ele, a volta de Roseana Sarney à política mostra “muito um saudosismo do uso da máquina administrativa. Estão com síndrome de abstinência de recursos públicos, de luxos. O grupo empresarial deles depende de recursos públicos, que é um sistema de comunicação [Mirante] cujo maior anunciante era o próprio governo do Estado. Ela pagava ela mesma”.
De acordo com Dino, o governo do Maranhão diminuiu as verbas de publicidade no grupo dos Sarney. De 54% da verba publicitária em 2012, caiu para 19% em 2017.
Sobre Manuela D’ávila (PCdoB), o governador diz que vota nela, se for candidata, mas que Lula deve manter a “candidatura até o limite. A candidatura dele é fundamental, imprescindível. Só há eleições livres com ele sendo candidato, não há razão para não ser, a não ser um processo de lawfare, de perseguição judicial. Pergunte a um cidadão médio: o que você acha de Sarney ou Collor soltos e Lula preso? Metade da população tem intenção de votar nele.
*Com informações da Folha
Clarín: Estados Unidos manejam a Lava Jato para destruir o Brasil e a América Latina
December 26, 2017 19:39Reportagem da versão chilena do jornal Clarín mostra como o governo norte-americano forma procuradores e influencia no fenômeno do lawfare para derrubar chefes de governo e impor novas lideranças comprometidas com as políticas de austeridade neoliberal
Por El Clarín Chile, com tradução da Carta Maior na Revista Fórum
Num discurso feito em julho deste ano, no qual felicitava a si mesmo, o subprocurador geral estadunidense Kenneth A. Blanco, que dirigia a Divisão Penal do Departamento de Justiça (porque logo o Secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, o escolheu para encabeçar a Direção de Investigação sobre Delitos Financeiros), se referiu ao veredito condenatório ditado contra o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, como o principal exemplo dos “resultados extraordinários” alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça (DOJ, por sua sigla em inglês) com os promotores brasileiros na operação “anti corrupção” chamada Lava Jato.
A unidade da Divisão Penal do DOJ que colabora com a Lava Jato é a Seção de Fraudes. De novembro de 2014 até junho de 2017, quem dirigia a Seção de Fraudes do DOJ era ninguém menos que Andrew Weissman. Ao deixar essa função, ele foi transferido e passou a formar parte do grupo de choque contra Trump encabeçado pelo Procurador Especial do FBI, Robert Mueller. Weissman tem sido, há muito tempo, o principal assessor de Mueller, e seu histórico de conduta indevida lhe valeu o apelido de “pitbull judicial de Mueller”.
Agora que se está ficando evidente o assalto judicial de Mueller contra a Presidência dos Estados Unidos, com cada vez mais membros de sua equipe ficando expostos por sua corrupção e atos ilegais, é de se esperar que sua operação latino-americana, a Lava Jato, terá a mesma sorte.
Como se sabe, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque transcendeu à luz pública sua parcialidade a favor de Hillary Clinton. Agora cada vez que se menciona a Weissman na imprensa estadunidense é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.
As ex-presidentas do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente, denunciaram na semana passada que os líderes nacionalistas e progressistas de todo o continente estão sendo submetidos sistematicamente ao que denominam lawfare, o uso da lei como arma de guerra, com o propósito de impor mudanças de governo e instalar chefes de Estado comprometidos com as políticas de austeridade neoliberal que vão destruindo a região. O discurso de Blanco demonstra que por trás do tal lawfare estão os mesmos interesses imperiais que buscam dar um golpe de Estado em seu próprio país, depor o presidente Donald Trump do seu cargo e instalar alguém ainda mais fiel aos interesses do mercado.
Em discurso mais recente, Blanco se jactou do papel do DOJ em toda esta farsa, durante um evento chamado Diálogo Interamericano, na palestra “Lições do Brasil: Crise, corrupção e cooperação global”. Na ocasião, Blanco deu as boas-vindas ao seu amigo Rodrigo Janot, quem foi há até pouco tempo, e durante anos, o Procurador Geral da República do Brasil, e um dos principais sicários da Lava Jato.
“É difícil imaginar, na história recente, uma melhor relação de cooperação que esta entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os procuradores brasileiros. Esta cooperação nos ajudou de forma substancial com uma série de temas públicos que agora estão resolvidos, e continuamos juntos em uma série de investigações”, afirmou Blanco.
“A cooperação entre o DOJ e o Ministério Público brasileiro levou a resultados extraordinários. Só em 2016, por exemplo, o FBI e a Lava Jato estiveram cooperando e se coordenaram nas resoluções de quatro casos relacionados com a Lei sobre Práticas Corruptas no Exterior (FCPA por sua sigla em inglês), ligado às empresas Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. O caso da Odebrecht em particular é notável, devido ao seu alcance e sua extensão”, continuou Blanco, que também lembrou que “os procuradores brasileiros conseguiram um veredito condenatório contra o ex-presidente Lula da Silva, acusado de receber subornos da empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Casos como este são os que colocaram o Brasil no topo do ranking dos países que trabalham para combater a corrupção tanto dentro quanto fora do país”.
Blanco revelou, nesse discurso, que a cooperação entre o DOJ e os procuradores brasileiros é tão grande que “operam inclusive fora dos processos formais, como nos tratados de assistência judicial mútua”, que consistem em simples ligações telefônicas de uns para outros, para trocar informações ou solicitar evidências driblando as formalidades legais quando é necessário.
Procuradores e promotores de toda a região entram e saem dos escritórios do Departamento de Justiça estadunidense (o mexicano Raúl Cervantes, quem Blanco considera um “bom amigo”, a panamenha Kenia Porcell”, e muitos outros na Colômbia, no Equador e em vários países do continente) para falar sobre as ações “contra a corrupção”, segundo o discurso do subprocurador. Embora o mesmo não tenha citado os juízes Claudio Bonadio e Sérgio Moro – responsáveis pelas condenações a Lula da Silva e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente – sabe-se que ambos também são parte desse esquadrão de elite judiciário, e figuras centrais da nova política de choque para o continente.
Restaurante reúne culinária e cultura de 54 países africanos no DF
December 26, 2017 17:11![]() |
| Nigeriano Chidera Ifeanyi, dono do restaurante Simbaz, Culinária Afro e Bar, em Brasília (Foto: Marília Marques/G1) |
Nigeriano realiza sonho de abrir restaurante que reúne culinária e cultura de 54 países africanos no DF
Por Marília Marques, G1 DF
'Hakuna matata', expressão em idioma suaíli que significa 'não se preocupe' é o lema do restaurante. Para o nigeriano que se tornou chefe de cozinha 2017 foi o ano da mudança.
"Hakuna matata", sugerem as palavras – escritas em suaíli – na parede principal do único restaurante de culinária africana do Distrito Federal. A expressão falada na África Oriental significa "não se preocupe", e ficou eternizada pelo filme "O rei leão", de 1994.
A inspiração ficou tão marcada na vida do nigeriano Chidera Ifeanyi que, há três meses, o jovem decidiu pôr em prática o antigo sonho de empreender. Para ele, 2017 foi o ano da mudança. "Foi um sonho realizado. Não foi fácil, mas gosto de servir. Fico feliz em ver as pessoas comendo nossa comida e ficando feliz", afirma sorrindo.
"Como ter um sonho e deixá-lo morrer? Decidi que não passaria desse ano de 2017."
Em funcionamento na quadra 412 Sul, o Simbaz Culinária Afro Bar mapeou as principais características dos 54 países do continente africano. A proposta é oferecer ao público a culinária, língua e cultura das quatro principais regiões que compõem a África. O nome do estabelecimento, segundo Chidera, também tem significado.
"Simbaz significa leão, que não tem medo de desafios."
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| Chidera Ifeanyi na fachada do restaurante africano aberto no DF (Foto: Marília Marques) |
Viagem gastronômica
As origens dos pratos percorrem o continente de uma ponta a outra. O carro-chefe é o "yassa", tradicionalmente servido no Senegal. Frango, muito molho, cebola, mostarda e um ingrediente especial – "segredo do chefe", explica Chidera.
Tão famoso quanto, é o "fufu". A massa macia, cozida e pouco temperada é preparada à base de milho, mandioca ou arroz, conforme a região. O bolo é comido com as mãos e também servido com molhos.
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| Okro soup e fufu, pratos servidos no restaurante africano no DF, Simbaz (Foto: Divulgação) |
Na seção de entradas, o destaque do cardápio é a banana-da-terra, servida em forma de chips. Um outro prato conhecido dos brasileiros é o acará, o famoso bolinho de feijão fradinho, que no restaurante é frito em óleo de soja e não em azeite.
"Na Nigéria comemos ele puro, no café da manhã ou na janta."
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| Molhos e temperos utilizados nos pratos de restaurante africano no DF (Foto: Divulgação) |
Diversidade
Além da viagem gastronômica, a ideia do estabelecimento é mostrar aos frequentadores um pouco dos 54 países que compõem o continente e suas respectivas capitais.
"É uma forma de dar uma contribuição do Simbaz para a comunidade de Brasília", diz Chidera.
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| 'Hakuna matata', frase registrada em parede do restaurante Simbaz, no DF (Foto: Marília Marques/G1) |
Nas paredes, quadros pessoais representam países como o Benim e a Nigéria, terra de origem do jovem empresário. O objetivo, segundo ele, é "mostrar a África para brasileiros e para o mundo", indo de encontro à invisibilidade imposta às culturas africanas por mais de dois séculos.
"Alguns vêm e não têm noção de como é a culinária africana. Veem a comida saborosa e a apresentação legal. A maioria não sabia que era assim."
Com essa proposta, o empresário sonha em ampliar a utilização do espaço para oferecer também noites de conversação em inglês e em francês. Os idiomas são considerados oficiais em grande parte dos países da África, em razão das influências coloniais.
Os novos planos também incluem aulas de dança – kizomba e zouk –, um cineclube de filmes africanos e um bazar de roupas e tecidos tradicionais do continente.
Nigéria-Brasília
A história do Simbaz é carregada de significados pessoais, e revela um pouco da relação entre o Brasil e o continente africado. A chegada de Chidera Ifeanyi ao Brasil foi em 2008, acompanhado dos pais que vieram trabalhar no país.
Desde então, a capital federal se fez morada para a família. A veia empreendedora, segundo Chidera, é compartilhada com os irmãos, com quem divide a sociedade no restaurante.
O aprendizado do português para o falante nativo da língua inglesa aconteceu aos poucos. Ele conta que se tornou fluente em oito meses – o suficiente para conquistar também uma vaga no disputado curso de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB).
Com o tempo, o amor pela gastronomia foi superando o interesse pelos circuitos elétricos e o jovem de espírito inquieto passou a conciliar o curso da UnB com a formação técnica em gastronomia. O talento com a mistura de temperos levou o nigeriano a cozinhar, inclusive, para as delegações da Nigéria na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas Rio-2016.
A ideia de abrir o restaurante no DF se tornou mais forte em 2009, após uma viagem ao Canadá. No país norte-americano, Chidera lembra ter "andado muito" para encontrar uma churrascaria que servia o tradicional churrasco africano, com temperos muito específicos.
Na volta ao Brasil, o desejo começou a se desenhar melhor, mas eradesestimulado por quem dizia que "em Brasília não seria aceito", relembra ele. Desde então, planos e metas foram amadurecidas até julho deste ano, quando o Simbaz ganhou sede fixa, identidade e clientela, "somente no boca a boca" completa o empreendedor
Flávio Dino: “No Maranhão o povo quer serviço público”
December 26, 2017 14:24![]() |
| Reprodução da Internet |
Não tivemos greve, pela política respeitosa com os servidores. Aqui a gente não debate o Estado mínimo”, afirmou Flávio Dino, governador do Maranhão, ao jornal Folha de S.Paulo. Na entrevista publicada nesta terça-feira (26). Flávio completou: “Aqui o povo quer serviço público. Se não for o Estado, não é ninguém”.
Por Railídia Carvalho no Portal Vermelho
O governador vê dificuldades para as candidaturas que defendem o Estado mínimo na região nordeste. Na opinião de Flávio Dino, a reforma da Previdência e a Trabalhista se tornarão um fardo para aqueles candidatos que defenderem essas propostas. “Esse neoliberalismo vulgar que às vezes um Amoedo (Novo) da vida professa não tem aderência à realidade brasileira”.
À frente das pesquisas ao governo do Maranhão, ele comentou que não há incompatibilidade na busca de apoios para fortalecer a candidatura no Estado e a corrida para as eleições presidenciais. Flávio Dino tem dialogado no Estado com os demais pré-candidatos mesmo tendo o PCdoB lançado a deputada Manuela D’Avila como pré-candidata à presidência. “Se Manuela estiver na urna, voto nela, claro”, disse Flávio esclarecendo também que as condições colocadas no Estado, marcado pelo Sarneysismo, exigem uma ampla aliança política. "Palanque aberto. Ainda tem o Ciro Gomes, o PDT é um aliado nosso", lembrou o governador que também destacou a candidatura de Lula.
Como tem se manifestado ao longo do ano, Flávio chamou de “monstruosidade jurídica” a decisão do Juiz Sérgio Moro contra Lula. “O leitor pode dizer: é porque ele apoia o Lula. Primeiro, o Lula nunca me apoiou aqui”. Na opinião de Dino, só uma perseguição política justifica Lula não ser candidato. “Pergunte a um cidadão médio: o que você acha de Sarney ou Collor soltos e Lula preso? Isso pode tisnar, criar uma nódoa na eleição, é muito grave”.
O governador ainda emendou sobre a candidatura de Lula: “Se a elite brasileira tivesse um pouquinho de espírito nacional, e menos espírito de Miami, concordaria que Lula é importante para o Brasil. [Tirá-lo] abre espaço para uma aventura que seria Bolsonaro presidente, um suicídio nacional e coletivo”.
Lava Jato
Acerca da Lava Jato, Flávio afirmou que a operação ”virou o principal polo de poder do país, porque não tem outro. Depois das eleições, a força da Lava Jato tende a diminuir, porque é uma anomalia ter um conjunto de profissionais não eleitos com esse poder de ditar o ritmo do país”.
De acordo com ele, a operação Lava Jato criou uma narrativa em que os empresários eram bonzinhos e extorquidos pelo Estado. “É verdade que havia infelizmente corrupção na Petrobras, por exemplo, mas quem estava ao lado? Grandes corporações privadas. Então, se fosse extinguir o Estado porque é corrupto, ia extinguir o mercado junto”, afirmou Flávio. Na opinião dele, “A Lava Jato acertou mais que errou, mas errou nesse ponto fundamental, por incompreensão ou conivência. Não critico tanto as decisões”.
MA: O Estado mais pobre do país
“Quatro séculos em quatro anos”, brinca Flávio ao falar sobre o esforço da atual gestão para mudar a realidade daquele que é considerado pelo IBGE o Estado mais pobre do Brasil. “Eu brinco que esse negócio do Juscelino, de 50 anos em 5, era fácil”. Segundo ele, o governo do Maranhão concretiza o direito da população à escolas de tijolo, à carteira de identidade assim como avança em implementar escolas de tempo integral.
“As pessoas terem escola de tijolo, não de palha ou barro, é uma agenda do século 18. As pessoas terem acesso a carteira de identidade é século 19. Ao mesmo tempo, temos uma agenda do século 20 e 21, escola em tempo integral, programa para mandar nossos estudantes para estudar no exterior”, enumerou Flávio.
Sobre a tentativa de retorno da família Sarney ao governo (Roseana Sarney é pré-candidata), Flávio respondeu a Folha. “Mostra muito um saudosismo do uso da máquina administrativa. Estão com síndrome de abstinência de recursos públicos, de luxos. O grupo empresarial deles depende de recursos públicos, que é um sistema de comunicação [Mirante] cujo maior anunciante era o próprio governo do Estado. Ela pagava ela mesma”.
O governo do Maranhão mantém os anúncios no sistema Mirante, que em 2012 recebia do governo 54% da sua verba publicitária. Esse valor caiu em 2017 para 19%.
Volume do Descoberto deve começar 2018 mais alto que na última virada
December 26, 2017 12:16![]() |
| MICHAEL MELO/METRÓPOLES |
Se a média de elevação diária neste mês for mantida, o reservatório terá 31% da capacidade, 8,8% a mais que em 31 de dezembro de 2016
por DOUGLAS CARVALHO no Portal Metrópoles
O alto índice de chuvas neste mês tem surtido efeito na crise hídrica do Distrito Federal. Prova disso é a elevação do volume nos principais reservatórios de água. A Bacia do Descoberto atingiu, nesta segunda-feira (25/12), 26,1% da capacidade. Se não houver estiagem e consequente queda brusca – e inesperada – dos volumes, o reservatório vai começar 2018 com índice superior ao da última virada de ano.
Neste mês, o mais chuvoso de 2017, o nível do Descoberto, responsável pelo abastecimento de 60% do DF, quase triplicou. Saltou de 9,3% para 26,1% – média de 0,7% por dia. Se a proporção for mantida, o reservatório vai virar o ano com 31% de volume. No último 31 de dezembro, a bacia registrou 22,2% de água.
“Há grandes chances de o nível de chuva ultrapassar a média para dezembro (246 milímetros), pois ainda faltam sete dias para o fim do mês, e já choveu 229mm”, diz o meteorologista Aitler Prego, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Se a previsão do Inmet para a última semana do ano se confirmar, a crise hídrica ficará ainda mais amena. O instituto projeta dias ensolarados, pancadas d’água e trovoadas em áreas isoladas, principalmente nos fins de tarde, como ocorreu na última semana.
Desde domingo (24), o nível do Descoberto subiu 3,1% e chegou ao 16º dia seguido de elevação, atingindo sua melhor marca desde o último 7 de setembro. Já o volume da barragem de Santa Maria chegou a 28,2%, índice mais alto desde 6 de outubro.
Os resultados animadores se devem às chuvas e porque o Descoberto tem abastecido menos cidades do Distrito Federal, desde novembro. No mês passado, regiões que antes eram atendidas pela bacia passaram a receber água do Sistema Santa Maria/Torto.
Chuva
Caso a média diária do mês, de 9,54mm, se mantenha, as chuvas vão superar o índice estimado em 49mm. Assim, o DF fechará o ano com 1.343,6mm, 196,4mm a menos que a previsão para 2017 inteiro (1.540mm).
Ainda segundo o meteorologista, até o fim do ano, o Distrito Federal deve registrar temperaturas mínimas de 17ºC e máximas que podem chegar a 30ºC. Já a umidade relativa do ar deve variar de 90% a 60%, até a quinta (28), e, na sexta (29), entre 90% e 40%.
Emergência
Apesar dos resultados animadores, o DF está em situação de emergência, decretada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB) no dia 27 de novembro. Na ocasião, ele determinou restrições para o uso de água na capital pelo período de 180 dias. O Distrito Federal atravessa a pior crise hídrica de sua história, e a população enfrenta racionamento do recurso desde 16 de janeiro deste ano.








