STF revoga prisões decretadas por Moro
October 5, 2017 8:29![]() |
| STF determinou que condenados por Moro só podem cumprir pena após confirmação da decisão em segunda instância LULA MARQUES/AGPT |
EXCESSOSSTF revoga prisões preventivas decretadas por Moro na Lava Jato
Em revisão à decisão do juiz de Curitiba, ministro Lewandowski afirmou que prisão preventiva não pode ser usada como antecipação de pena
Jornal GGN – O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu habeas corpus a dois presos da Lava Jato, revertendo o decreto de prisão preventiva imposta a eles pelo juiz Sergio Moro. Segundo a assessoria da Corte, o ministro Ricardo Lewandowski liderou o entendimento de que a aplicação da pena só poderia ser possível após o julgamento em segunda instância. Além disso, Moro errou ao usar o argumento de que a prisão era necessária à manutenção da ordem pública.
De acordo com o informe, os empresários beneficiados pela decisão são Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique de Oliveira Macedo, ambos presos preventivamente em processo associado a José Dirceu.
Sócios da Credencial Construtora, Miera e Macedo foram acusados pelo Ministério Público Federal de utilizar a empresa para repassar propina ao ex-ministro petista. Moro manteve a preventiva na sentença condenatória.
"Ao divergir do relator e votar pelo deferimento do HC, o ministro Ricardo Lewandowski lembrou que o princípio constitucional da presunção da inocência significa que, enquanto perdurar esse estado, mesmo no curso de persecução penal e após sentença de primeiro grau, recorrível, o réu não pode ser tratado como culpado. Segundo ele, descabe a aplicação de prisão como antecipação de pena, sem que a sentença condenatória tenha sequer sido confirmada em segunda instância, pois tal fato configuraria uma execução provisória da pena em primeiro grau", diz a nota do STF.
"Além disso, o ministro salientou que, no caso do empresário Eduardo Meira, a prisão preventiva encontra-se fundamentada exclusivamente na garantia da ordem pública, com base na possiblidade de reiteração delitiva. Contudo, frisou o ministro, os últimos fatos tidos como delituosos não são contemporâneos do decreto prisional, uma vez que aconteceram há mais de três anos antes da prisão cautelar, de tal modo que não sustentam a manutenção da custódia preventiva", acrescentou.
Leia a nota oficial STF na íntegra:
2ª Turma concede HC a empresários ligados ao ex-ministro José Dirceu
Após empate na votação, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu Habeas Corpus (HC 138850 e 141431), na sessão desta terça-feira (3), para os empresários Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique de Oliveira Macedo, presos preventivamente em decorrência da Operação Lava-Jato. Sócios da Credencial Construtora e acusados pelo Ministério Público Federal de utilizar a empresa para repassar propina para o ex-ministro José Dirceu, os empresários foram condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa pelo juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba (PR), ocasião em que foram mantidas as prisões preventivas.
Os ministros julgaram inicialmente o HC impetrado em favor de Eduardo Meira. Relator do caso, o ministro Edson Fachin votou pelo indeferimento do pleito. Segundo o ministro, as condutas narradas na sentença revelam a periculosidade do réu e demonstram um fundado receito de reiteração criminosa. O ministro mencionou trechos da decisão que falam da característica da Credencial, empresa sem quadro de funcionários que teria recebido valores milionários de outras empresas investigadas, apontando que se trata de uma empresa de fachada para dissimulação e ocultação de propinas. O relator foi acompanhado pelo ministro Celso de Mello.
Ao divergir do relator e votar pelo deferimento do HC, o ministro Ricardo Lewandowski lembrou que o princípio constitucional da presunção da inocência significa que, enquanto perdurar esse estado, mesmo no curso de persecução penal e após sentença de primeiro grau, recorrível, o réu não pode ser tratado como culpado. Segundo ele, descabe a aplicação de prisão como antecipação de pena, sem que a sentença condenatória tenha sequer sido confirmada em segunda instância, pois tal fato configuraria uma execução provisória da pena em primeiro grau.
Além disso, o ministro salientou que, no caso do empresário Eduardo Meira, a prisão preventiva encontra-se fundamentada exclusivamente na garantia da ordem pública, com base na possiblidade de reiteração delitiva. Contudo, frisou o ministro, os últimos fatos tidos como delituosos não são contemporâneos do decreto prisional, uma vez que aconteceram há mais de três anos antes da prisão cautelar, de tal modo que não sustentam a manutenção da custódia preventiva.
Ao votar pela concessão do HC para determinar que o réu seja posto em liberdade, o ministro Lewandowski afirmou que as medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, a serem aplicadas a critério do juízo de primeira instância, são suficientes para a garantia da ordem pública. Acompanhou esse entendimento o ministro Gilmar Mendes. Assim, com o empate na votação, foi proferido resultado mais favorável ao réu, conforme determina o artigo 146 (parágrafo único) do Regimento Interno do STF.
Na sessão de hoje, o colegiado apreciou o mérito do HC 138850, julgando prejudicado agravo regimental interposto pela defesa de Eduardo Aparecido de Meira contra decisão do relator que havia negado seguimento ao habeas.
Extensão
Ao final e com o mesmo placar, o colegiado decidiu estender a mesma decisão para o HC 141431, impetrado em favor de Flávio Henrique de Oliveira Macedo, sócio de Eduardo, que se encontra em situação idêntica, “se não mais favorável”, conforme revelou o ministro Edson Fachin.
OS TIROS EM LAS VEGAS ESTÃO PRESTES A ACONTECER NO BRASIL
October 2, 2017 13:10Não acreditas? Pois bem, então analisa.
por Sônia Corrêa no seu perfil do Facebook
A atual fase da sociedade brasileira é a de promover o regime de engorde ao ódio. Mas, não se trata de qualquer ódio. Se trata de alimentar o ódio do obscurantismo.
Eu vi. Ninguém me contou. Há, mais ou menos, dois anos e meio atrás, um homem sendo linchado no Bairro da Saúde (praticamente no centro), em Salvador. Enquanto eu assistia, da janela de casa, aquela cena de barbárie, chocada e aterrorizada, outras pessoas, que assim como eu sequer sabiam o motivo de tamanha selvageria, das suas janelas aplaudiam e gritavam palavras de incentivo.
Todos os dias, aqui no Brasil, homossexuais são assassinados violentamente pelo fato de amarem pessoas do mesmo sexo que elas. Sim. Pessoas são odiadas e mortas por amar.
A televisão brasileira, desde que eu me conheço por gente, promove a erotização em sua programação infantil. Quem não lembra da Xuxa, da Mara Maravilha, da Angélica seminuas animando o auditório com a criançada ali e outras milhões assistindo pela telinha?
Mas, as pessoas estão preocupadas com uma performance teatral, onde uma mãe levou uma menina. Diga-se de passagem, se fosse um pai com um menino, não haveria problema pois tratava-se de coisas que macho pode ver, fazer, etc.
Todos os dias milhares de crianças (meninas e meninos) são abusadas sexualmente, violentadas, estupradas por pais, tios, irmãos, vizinhos. Há cada 11 minutos uma mulher é vítima de estupro, 13 mulheres são assassinadas por dia. Tudo isso não choca. Tornou-se banal.
O Brasil mata mais jovens negros, pobres e periféricos que qualquer guerra do mundo que se tenha história. A violência é normal.
O Governo corta programas sociais e com isso promove a violência institucional. Milhares estão morrendo na fila dos hospitais, de fome, de ignorância. Doenças que há anos haviam sido erradicadas, estão voltando, graças a violência institucional. Tudo está dentro da normalidade.
Ninguém se move, ninguém se revolta, ninguém se choca, ninguém (sequer) bate uma panelinha. Muitos, ao contrário, defendem mais violência ainda, quando propõem a ditadura.
Os programas televisivos dessa turma que incentiva a morte e a violência, como os Datena da vida e o Marcelo Rezende, recentemente morto, ajudam as pessoas a desenvolverem o sentimento do olho por olho, dente por dente, e a banalização da vida humana. São os incentivadores da violência.
Algumas igrejas, com seu fundamentalismo, dizem que falam em nome de Deus, no entanto, falam duas vezes a palavra “diabo”, em cada três que pronunciam. Realizam motins de quebra-quebra contra os templos de outras religiões. Recentemente, um religioso foi assassinado no Rio de Janeiro, porque recusou-se a fechar sua casa de fé. Esta semana, o busto ao médium Chico Xavier foi depredado.
Tudo isso “em nome de Deus”, contra aqueles que não professam a mesma crença religiosa. E tudo é aceito com normalidade.
Portanto, se no próximo show da Ivete Sangalo, ou de qualquer outro artista que arrasta multidões, algum teleguiado do Kim Kataguiri, Bolsonaro, ou Malafaia abrir fogo contra o público, ache normal. Afinal, quem não se movimenta contra eles, não pode se chocar com os tiros de Las Vegas.
Mulheres negras e de terreiro unem forças por sociedade mais justa
September 30, 2017 12:12![]() |
| Energias limpas são dom que deve ser dividido. Foto/Arquivo Notibras |
semente para união e empoderamento das mulheres negras de Brasília está plantada. E deve germinar com raízes fortes, a partir do “Encontro das Yabás: Mulheres Inspiradoras”, realizado no Museu Nacional da República.
por Carolina Paiva em Notibras
Organizado pela Força Afro Brasil, a ideia do ‘Encontro das Yabás’ é estabelecer diálogo entre mulheres negras e de terreiro para o seu fortalecimento, inclusive com ações políticas e sociais.
‘Vamos mostrar que os negros e as pessoas de terreiro podem, sim, ocupar os espaços públicos’, lembrou a ativista Janaína Almeida.
A conversa lá no Museu da República serviu como mais uma oportunidade de aprendizado e troca de conhecimento para a sociedade espírita de Brasília, principalmente suas mulheres, dando-se prioridade ao foco na educação como princípio religioso e social.
Os próximos encontros terão o recheio de cultura e lazer, a exemplo do ocorrido na primeira reunião. Uma das marcas foi a apresentação de Luísa Marta, que cantou sobre as mulheres, entoando Maria Maria e Mamãe Oxum, com todo mundo fazendo coro às músicas. Outro destaque foi a apresentação da poetisa Tatiana Nascimento, com poemas sobre a discriminação social, sexual e religiosa.
Para se ter ideia da força do movimento, basta lembrar que além da pedagoga Janaína Almeida, marcaram presenças Neide Rafael, umas das promotoras do Movimento Coletivo de Mulheres Negras; a advogada e primeira secretária de Igualdade Racial do Distrito Federal, Josefina Serra e a professora Gina Vieira Ponte, premiada nacional e internacionalmente com o projeto Mulheres Inspiradoras.
As discussões do encontro giraram em torno das diferentes metodologias e abordagens para a identificação da vulnerabilidade da mulher negra e espírita, as mudanças da sociedade, usando as experiências particulares das palestrantes como guia.
O presidente da Força Afro Brasil, Kleyson Moreno, lembrou a importância da união dos povos de religião de matriz africana. E prometeu boas colheitas, capazes de fomentar o diálogo entre os povos de terreiro do Distrito Federal, ponto de partida, segundo ele, de um projeto que a médio prazo deve se estender a todo o Brasil.
Governo Temer ameaça Comissão da Anistia
September 30, 2017 7:59![]() |
| Movimentos de direitos humanos promovem abaixo-assinado online, para barrar as decisões da AGU, que passam por cima da Comissão de Anistia / José Cruz/ Agência Brasil |
DITADURASob ameaça, Comissão da Anistia sofre intervenção do governo Temer
Movimentos de direitos humanos organizam abaixo-assinado contra reprovação de pedidos de reparação a vítimas da ditadura
Norma Odara no Brasil de Fato
Movimentos populares, entidades e cidadãos que defendem os direitos humanos estão organizando um abaixo-assinado para evitar o fim da Comissão de Anistia. Nos últimos meses, o governo do presidente golpista, Michel Temer (PMDB), vem realizando intervenções nas decisões da comissão, fato nunca ocorrido antes.
A Advocacia Geral da União (AGU), sob o comando do ministro da Justiça, Torquato Lorena, reprovou, recentemente, diversos processos de reparação histórica julgados pela Comissão de Anistia. Assim, vítimas da ditadura militar no país tiveram o pedido de indenização moral e econômica negados. Diante da pressão, vários integrantes do conselho pediram demissão, o que tem tornado o trabalho ainda mais difícil.
A Comissão de Anistia faz parte do Ministério de Justiça, e foi criada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Ela é responsável por analisar documentos, ouvir as pessoas e possui autonomia para julgar casos das vítimas da Ditadura Militar brasileira. Os fatos recentes geraram estranhamento diante do compromisso feito pelo próprio presidente Temer de que as atividades seriam mantidas.
Ana Lucia Marchiori, diretora do sindicato de advogados de São Paulo e membro do Comitê de Acompanhamento das Ações da Comissão de Anistia, ressalta: “o que nos causa espanto é porque é uma política totalmente contrária ao que foi dito, logo que o presidente Michel Temer assumiu o governo, ainda na gestão do ministro Alexandre de Morais”.
Ana ainda ressalta que as decisões da AGU estão sendo tomadas em caráter sigiloso e nenhum advogado consegue ter acesso às deliberações. Diante disso, diversas organizações populares e entidades ligadas aos direitos humanos lançaram um manifesto pedindo o fim da intervenção na Comissão da Anistia. A advogada ressalta que esses fatos violam a Constituição:
"Ela [a AGU] não ouviu as testemunhas, não pediu diligências e não tem legalidade para emitir um novo parecer. Isto é uma afronta à legislação, à Constituição federal, porque a anistia está prevista na Constituição federal, no artigo 8º, das disposições transitórias. Então, não há fundamento legal para essa intervenção da Consultoria-Geral da União (Conjur) sobre a comissão de anistia.
Além da ilegalidade, Saulo Gomes, jornalista e presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos, destaca a mobilização que vem sendo realizada para reverter a situação: "Estamos trabalhando pela internet, fazendo contatos por telefone" para explicar para as pessoas a importância desse abaixo-assinado. Ele diz que os ocorridos são "um absurdo, o rompimento total da lei, uma falta de compostura, de respeito, de tudo".
A petição online organizada pelos movimentos e entidades de direitos humanos já possui mais de 3.600 assinaturas. O abaixo-assinado será entregue à Presidência da República e dos poderes Legislativo e Judiciário.
Até o momento, a comissão já anistiou 50 mil pessoas, mas ainda restam 20 mil pedidos para serem analisados.
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