O riso está do lado do poder
January 3, 2017 18:50As estratégias de manipulação da consciência da realidade se tornam mais sofisticadas para que o autoritarismo possa continuar operando impassivelmente. Com que armas enfrentar isso?
Há momentos na história em que o riso está do lado do poder
por Vladimir Safatle
30/12/2016
Na década de 1990, um grupo de cineastas dinamarqueses intitulado Dogma foi responsável por alguns dos melhores filmes da época. Eles se propunham a fazer filmes de baixo orçamento, com câmera na mão, parcos recursos de edição e grande sensibilidade para a crítica social.
Um dos mais impressionantes dessa leva se chamava "Festen" ("Festa de Família", em sua versão brasileira), de Thomas Vinterberg. Tratava-se da história de uma festa em homenagem ao 60º aniversário do patriarca de uma família.
Organizada em um castelo, a festa conta com grande número de convivas e atividades. Mas, logo no primeiro discurso, um dos filhos acusa o pai de tê-lo abusado sexualmente e de sua irmã, que se suicidara recentemente. Durante todo o filme, as revelações se seguirão. No entanto, há algo de absolutamente extraordinário: apesar das acusações e do mal-estar, a festa nunca para.
Dessa forma, Vinterberg forneceu uma das melhores figurações do que é uma sociedade autoritária. Pois uma sociedade autoritária não é simplesmente aquela submetida à brutalidade da autoridade patriarcal e de sua exceção soberana que a coloca, ao mesmo tempo, dentro e fora da lei. Há ainda um elemento talvez até mesmo mais aterrador. Uma sociedade autoritária é aquela na qual a festa nunca para.
De fato, não importa a violência que aconteça, as injustiças que se acumulam, as demandas que brutalmente serão silenciadas, a festa nunca pode parar, as brincadeiras deverão continuar, as atividades deverão ser celebradas, mesmo que elas já tenham perdido o sentido.
De certa forma, essa era uma das ideias políticas mais importantes do grupo de filósofos conhecido como Escola de Frankfurt. Ela consistia em lembrar que nossas sociedades pretensamente liberais mostravam uma forma muito peculiar de autoritarismo, algo diferente do clássico modelo "lei e ordem", no qual a repressão e o silêncio eram a lei.
Na verdade, nossas sociedades haviam constituído um modelo que misturava deliberadamente violência policial e frivolidade midiática, cenas de agressão estatal contra grupos vulneráveis e notícias sobre como "Foto de J-Lo e Drake juntos aumenta rumor de romance", informações sobre como o governo de São Paulo diminuiu o número de horas/aula de história juntas à descoberta impressionante de que "Jennifer Lawrence não quer mais tirar fotos com fãs".
Nas dinâmicas atuais de controle, política e economia libidinal andam juntas em uma mistura animada por violência estatal e indústria cultural.
De fato, independentemente do que está a acontecer, o recado principal é: a festa não pode parar.
A tristeza e indignação devem ser compensadas com a certeza de que "a vida continua e deve continuar", de que, apesar das dificuldades, não devemos deixar de celebrar.
Por isso, melhor seria lembrar como o riso nem sempre está do lado da crítica. Há momentos em que o riso está do lado do poder, em que a festa está do lado da ordem.
As pessoas são controladas por meio de suas formas de diversão, que moldam seus modos de sensação e seus circuitos de afetos.
Quem organiza a maneira com que você se diverte controla os fundamentos do poder. Assim, o autoritarismo pode se impor não através da censura e da proibição, técnicas bastante primárias. Ele acaba por se impor através de algo muito mais sofisticado: a irrelevância da verdade, a proliferação da frivolidade, a anestesia de quem não consegue mais sentir urgência alguma.
Nesse sentido, a verdadeira imposição disciplinar não é o antigo "Não reclame diante da crise, trabalhe". Não, você pode apelar a outra técnica, muito mais afeita aos engenheiros de relações públicas e às agências de publicidade, a saber: "Não reclame diante da crise, divirta-se".
De preferência, faça como os EUA, tenha um presidente que acabou de sair de um programa de TV e de patrocinar concursos de Miss Universo enquanto decretava falência quatro vezes para socializar suas perdas, ou, se não der, tenha um prefeito animador de festas do jet set. No mais, feliz ano novo.
Rollemberg diz que revoga aumento se a Câmara subsidiar passagens
January 2, 2017 21:28![]() |
| FELIPE MENEZES/METRÓPOLES |
Governador chegou de viagem para enfrentar crise política e a revolta dos populares, que fizeram manifestação na área central de Brasília
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) desembarcou por volta das 18h desta segunda-feira (2/1) no Aeroporto Internacional JK e descartou revogar o aumento de até 25% nas tarifas dos transportes públicos do DF. Essa opção, segundo o governador, seria possível se a Câmara Legislativa, que criticou o reajuste, cedesse parte do seu orçamento para subsidiar as passagens.
“Se a Câmara Legislativa, por exemplo, quiser abrir parte de seu orçamento, apontar receitas para custear os recursos, estamos dispostos a atender”, disse o governador ao Metrópoles. A declaração, dada no momento em que começava um protesto de usuários do transporte na área central de Brasília, é em resposta à enxurrada de críticas que o chefe do Executivo sofreu durante a posse da Mesa Diretora da Câmara Legislativa no primeiro dia do ano.
O comando da Casa ameaça aprovar um decreto legislativo que pode revogar o aumento. Rollemberg voltou mais cedo das férias em função da crise política provocada pelo reajuste das tarifas, que começou a valer a partir desta segunda. O governador deveria voltar de Aracaju (SE) no dia 9 de janeiro, mas mudou os planos.
O Executivo também terá de lidar com a insatisfação popular. O fim da tarde desta segunda foi marcado por protestos. Um deles ocorreu mais cedo na Avenida Hélio Prates, em Taguatinga Norte. O outro aconteceu na área central de Brasília.
Os manifestantes começaram a se aglomerar no terminal por volta das 17h30. Chegaram a fechar o Eixo Monumental neste horário. O estudante Breno Lobo, 19 anos, mora no Mangueiral, e estava entre eles. Ele trabalha na Asa Sul e estuda na Asa Norte. Por dia, precisa pegar pegar seis ônibus, agora ao custo de R$ 3,50 cada passagem. “O dinheiro vai todo para pagar a passagem”, diz.
do Portal Metrópoles
A Globo e a Lava Jato mataram em Campinas
January 2, 2017 21:13No dia do ano novo, em Campinas, um homem armado invadiu uma casa e matou dez pessoas, entre elas sua ex-esposa e seu filho, antes de se suicidar com um tiro na cabeça.
Em uma carta, o atirador culpa as feministas, os direitos humanos e a Lei Maria da Penha pelo que fez.
Quem promove esse discurso de ódio no Brasil?
QUANTO NOS CUSTAM OS NORTE-AMERICANOS DA TURMA DO DALAGNOL?
January 1, 2017 11:13Certamente você acredita que os maiores salários no serviço público brasileiro são os dos juízes, desembargadores e ministros do Supremo, talvez dos conselheiros dos tribunais de conta ou senadores e deputados federais.
Ledo engano. Apesar de termos juízes ganhando mais de duzentos e cinqüenta mil reais por mês, o equivalente ao salário de mais de 284 trabalhadores juntos, em um mês, ou o equivalente ao ganho de um operário em vinte e três anos e meio.
Mas há os conselheiros do Ministério Público, os verdadeiros marajás.
Nos Estados Unidos, pátria dos nossos procuradores, não em sua totalidade, há os patriotas, por exemplo, um procurador do Ministério Público ganha 11 salários mínimos por mês, o equivalente, no Brasil, a um salário de nove mil seiscentos e oitenta reais.
Nos países da Europa, em média, ganham menos que duas vezes a renda média dos trabalhadores de lá, mais ou menos o que ganham os norte-americanos ou um pouco menos.
Já no Brasil, a maior economia do planeta, com o povo de maior IDH do mundo, onde ninguém passa fome, está fora da escola ou carece de assistência médica, um procurador ou promotor do Ministério Público tupiniquim, terra dos papagaios repetidores da Globo, chega a ganhar cento e cinqüenta mil reais por mês, quase 16 vezes o que ganha um colega norte-americano ou europeu.
Não é de estranhar, pois, que não estejam preocupados com o desmonte econômico que estão promovendo no Brasil, quebrando ou reduzindo os tamanhos das empresas, desempregando e fazendo cair a arrecadação pública, levando estados e municípios a concordatas.
Vivem num outro mundo, o das benesses, no padrão dos grandes empresários e sheiks do petróleo, para forjar provas, inventar testemunhos, adulterar e suprimir documentos e brincar com exercícios de lógica no Power Point, para concluir pela ausência de provas mas firmes convicções.
Nunca é por demais da conta, como diria uma interessante mineira, lembrar que, pela CONSTITUIÇÃO brasileira, nenhum servidor público brasileiro pode ganhar mais que um ministro do STF, hoje ganhando a merrequinha de trinta e dois mil e uns quebradinhos, para agasalhar golpes e dar salvo conduto ao Moro.
Só comentei o que ganham do cidadão contribuinte brasileiro. Como vivem em permanente ponte aérea Curitiba-Washington, prestando informações e assessorando o Ministério Público de lá, para que invistam contra a nossa economia, é de se supor que faturem por lá também.
Pensando bem, os oitenta e poucos mil do salário do Moro é pouco, muito pouco, perto do que ganha Dalagnol.
Precisamos aumentar o salário do Zorro, o Tonto está ganhando mais.
Francisco Costa
Rio, 30/12/2016.
PS: dados obtidos no excelente blog O Tijolaço, de leitura obrigatória.


