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April 3, 2011 21:00 , par Inconnu - | No one following this article yet.
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Polícia indicia três servidores do GDF por tentativa de extorsão

September 19, 2016 16:16, par Blog do Arretadinho

Foto MICHAEL MELO/METRÓPOLES
Polícia indicia 3 servidores do GDF por tentarem extorquir SindSaúde
O ex-ouvidor da Vice-Governadoria Valdecir Medeiros; Edvaldo Simplício da Silva, técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento; e o ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos Christian Michael Popov foram indiciados por concussão e tentativa de lavagem de dinheiro

Três servidores do Governo do Distrito Federal foram indiciados por concussão (ato de exigir para si ou para outros, dinheiro ou vantagem em razão da função) e tentativa de lavagem de dinheiro. O ex-ouvidor da Vice-Governadoria do DF Valdecir Medeiros; Edvaldo Simplício da Silva, técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag); e o ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos da Seplag Christian Michael Popov estão envolvidos no caso de extorsão denunciado pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.

Edvaldo e Cristian teriam pedido propina para evitar que, por falta de certidões que deveriam ser apresentadas ao GDF, a entidade perdesse recursos descontados no contracheque de servidores filiados. Medeiros teria agido como interlocutor do esquema. O trio será ouvido nos próximos dias pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap).

A investigação está em fase final. Na oportunidade, eles poderão apresentar suas defesas ou até mesmo tentar um acordo de colaboração com a polícia para apresentar novas denúncias e indicar outros envolvidos. O meio para fazer o repasse ilegal seria um contrato de uma prestação de serviços inexistentes. A corretora de seguros Netsaron, que emitiria as notas fiscais, pertence à família de Edvaldo Simplício da Silva.

Os documentos simulariam a prestação do serviço de consultoria, na verdade nunca realizado. A cobrança de honorários seria firmada na quantia de R$ 200 mil. Porém, para que a negociação fosse adiante, Edvaldo exigiu o pagamento de um sinal no valor de R$ 50 mil, representando uma sinalização de aceite, denunciou a sindicalista.

Em uma carta endereçada ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB), Marli contou que aceitou a proposta, mas não tinha interesse de pagar a propina exigida. Um contrato chegou a ser assinado com a corretora de seguros. O acordo garantia que o processo fosse “paralisado” dentro da secretaria até a regularização das certidões.

No grampo feito por Marli, Medeiros atua na condição de interlocutor de Edvaldo. Segundo ele, o prazo venceria dia 25. Por isso, “o acordo tinha que ser feito até terça-feira e não tinha como esperar até semana que vem”.

As declarações irritaram a sindicalista. “Além de me extorquir, ele (Edvaldo) está me pressionando? Ele traz um processo de R$ 214 mil e ainda bota a faca no meu pescoço? (…) Ele é servidor público. Você sabe que ele não pode fazer esse tipo de coisa. Esse cara está usando o cargo público para me extorquir”, reclama Marli no áudio (confira abaixo).

Busca e apreensão no Buriti
Na manhã de 17 de agosto, a Decap deflagrou uma operação (foto de destaque) para cumprir oito mandados de busca e apreensão na Vice-Governadoria, secretarias no Palácio do Buriti, e em residências de servidores envolvidos. O objetivo foi colher provas sobre as denúncias de um suposto esquema de pagamento de propina no GDF. A operação, em parceria com o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), teve como alvo as pessoas envolvidas nos grampos feitos pela presidente do sindicato.

O objetivo da operação foi apreender documentos, celulares, computadores e outros elementos de prova — como e-mails — de extorsão por parte de servidores públicos.

As primeiras gravações que apontavam para um possível esquema de propina e de desvio de dinheiro na saúde pública do DF vieram à tona em julho deste ano, quando foram divulgadas conversas entre Marli Rodrigues, o vice-governador Renato Santana e o ex-secretário de Saúde Fábio Gondim.

Parte desses diálogos insinua que o governador Rodrigo Rollemberg tinha conhecimento do esquema. Os trechos que citam o socialista foram enviados, no último dia 6, à Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR ficará responsável por definir se os trechos do inquérito trazem indícios suficientes para que se abra uma investigação sobre o governador.

  do Portal Metrópoles



José de Abreu é perseguido por CPI

September 19, 2016 15:39, par Blog do Arretadinho

José de Abreu
A perseguição a José de Abreu e Tico Santa Cruz na CPI da Lei Rouanet. 
Por Mauro Donato
no Doário do Centro do Mundo

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM) protocolou um requerimento convocando o ator José de Abreu e o músico Tico Santa Cruz para prestarem depoimentos na CPI da Lei Rouanet.

A notícia causou revolta em José de Abreu que, no entanto, viu como uma boa oportunidade para “desmoralizar esse mito de que a Lei Rouanet é uma espécie de bolsa-família para artistas”. Ele hoje vive na França, mas o deputado Sóstenes  não se faz rogado: “A CPI tem recursos para fazer uma investigação se necessário até na China, vamos convocá-lo sim! Se necessário tenho convicção que até a Polícia Federal vá buscá-lo, não vamos brincar de CPI”.

Segundo o “Estadão”, além de José de Abreu, a CPI da Lei Rouanet quer convocar também o cantor Tico Santa Cruz para explicar um incentivo ao Detonautas. A banda teria arrecadado um milhão de reais para uma turnê.

“Estou à disposição de todos os deputados, senadores, todos os parlamentares que queiram me convidar para a CPI. Tenho visto links que não sei se são fakes ou verdadeiros, mas eu vejo que já circula isso na rede e como não tenho absolutamente nada a dever estou à disposição de todos. Basta que me chamem, na hora que quiserem para esclarecer essa questão. Agora, deixo um aviso àqueles que estão me acusando e dizendo que usei dinheiro da Lei Rouanet: caso fique comprovado, porque obviamente eu não recebi nenhum centavo, que não participei, quero saber se os senhores que estão espalhando esses boatos por aí terão a dignidade e coragem para pedirem desculpas para mim depois. Então estou no aguardo. Detonautas nunca recebeu dinheiro da Lei Rouanet, nosso projeto foi arquivado. Temos tudo documentado, os contratos com o Pronac, tudo”, desabafou o músico em um vídeo na sua página em rede social.

Tico Santa Cruz já havia declarado no início deste ano que o Detonautas teve um projeto aprovado pela Lei Rouanet em 2013, mas que não foi captado, mesmo assim o boato se espalhou e a banda sofreu desgaste em sua imagem.

“Quando você tem 300 pessoas repetindo isso no mesmo lugar – internet – é difícil reverter essa situação. As pessoas acham que eu recebo dinheiro do governo, que eu sou bancado pela Lei, que a Lei Rouanet é um pagamento mensal feito pelo governo. Beira o ridículo”, disse.

Tico Santa Cruz nega, mas mesmo que tivesse se utilizado da Lei Rouanet, qual o problema? A lei não existe, não está aí para incentivar e fomentar a cultura? Por que a lei se tornou um sinônimo de ‘falcatruas petralhas’? Para o cretino de plantão, Lei Rouanet é o modus operandi do Chico Buarque. Nunca é demais lembrar que a Fundação Roberto Marinho ou o Itaú estão entre os 15 maiores captadores desse recurso.

Pelo andar do carruagem, estamos de volta ao macarthismo. A perseguição é evidente. Não é coincidência que os dois artistas tenham sido chamados. São dos mais combativos ao golpe, enfrentam seus opositores sempre que abordados daquele modo ríspido característico da direita raivosa, nunca esconderam suas posições. Segundo Tico, o Detonautas tem sido boicotado desde que ele tornou clara sua posição contra o impeachment da presidente. É o preço por não ser omisso, algo que os os artistas do mainstream, os que circulam pelos palcos das grandes emissoras, os que têm suas músicas inseridas em novelas dos canais que ajudaram no golpe não sabem nem querem saber.

Terminado todo o processo que consolidou o impeachment de Dilma Rousseff, a caça às bruxas parece ter dado início e o deputado Sóstenes Cavalcante (que presidiu a comissão especial do Estatuto da Família, é pastor da Assembléia de Deus, Tesoureiro da Frente Parlamentar Evangélica e ‘parça’ do vanguardista Silas Malafaia) vem com sangue nos olhos. Artistas que se cuidem. O nosso McCarthy está à solta.



Escritora diz que golpe energiza indignação

September 19, 2016 15:11, par Blog do Arretadinho

'Haddad mexeu com um vício sagrado do paulistano, mas não tirou
o direito de ninguém de andar de carro, só criou alternativas'
Futo PAULO PEPE / RBA
Para Maria Rita Kehl, em vez de deprimir, golpe energiza indignação
Escritora e psicanalista fala da política do país face à depressão, tema que tem se dedicado a pesquisar. "Está mais fácil sair na rua para brigar com Temer. As pessoas estão muito mais indignadas do que deprimidas"

por Helder Lima, da RBA

São Paulo – A crise política não deprime, ao contrário, energiza a população a ir para as ruas, afirmou na sexta-feira (16) a psicanalista Maria Rita Kehl, ao analisar a conjuntura política do país. “Ainda é difícil saber, tem uma grande desilusão com um projeto de um lado e uma grande derrota do outro, mas eu não sei se necessariamente essa derrota é depressiva”, afirmou.

“A passeata que disseram que tinha 40 pessoas, e tinha por volta de 100 mil (no dia 4 de setembro, na Avenida Paulista), foi uma coisa de uma alegria, eu fui com meus filhos, fui pensando que ia ter pouca gente, mas a coisa foi crescendo e tinha uma alegria nas pessoas, estava todo mundo gritando. De repente, era mais fácil sair na rua para brigar com Temer do que para apoiar o que restou do governo Dilma”, disse a psicanalista, ao fazer referência à fala do presidente Michel Temer, um dia antes, quando tentou desqualificar o número de pessoas insatisfeitas com o golpe parlamentar que o levou ao cargo.

Ao participar do ciclo de palestras Mutações entre Dois Mundos, no Sesc Vila Mariana, onde falou sobre o tema O desejo (a depressão e o desejo saciado), Maria Rita conversou com a reportagem da RBA. Mesmo sem sentir muito à vontade para falar de política, não recuou do desafio. A psicanalista se mostrou reticente em admitir que a divisão do país se dá em torno da disputa por narrativas – a que tenta legitimar o golpe e a que o contesta –, preferindo sustentar que tais produções, pelo menos do ponto de vista daqueles que defendem o impeachment de Dilma Rousseff, são na verdade para esconder o verdadeiro motivo da crise, que é a luta de classes.

Ao falar das eleições municipais, que ocorrem em duas semanas, ela criticou algumas das contradições que estão aflorando no processo eleitoral, como o fato de candidatos e eleitores criticarem a redução de velocidade nas ruas da cidade, ainda que a medida venha se mostrando benéfica. “O mais louco dos 50 por hora não é só que mata menos gente etc., mas (o trânsito) flui mais, a velocidade média aumentou, e querem o direito de andar mais rápido para ficar engarrafado mais tempo. A gente vê que a ideologia é algo que está por baixo da epiderme”, destacou.

Na palestra, Maria Rita Kehl falou do processo de produção do desejo na subjetividade humana, como isso muitas vezes é trocado ou compensado por tendências consumistas, o que afasta ainda mais o indivíduo de sua realidade interior, e como para o tratamento da depressão pode ser importante ao paciente resgatar cadeias de imaginação e fantasia, que têm o saudável papel de criar objetivos imaginários para o desejo, tirando-o do processo depressivo.

Confira temas que ela abordou:

Depressão e política
"Ainda é difícil saber, tem uma grande desilusão com um projeto de um lado e uma grande derrota do outro, mas eu não sei se necessariamente essa derrota é depressiva. Talvez fosse mais depressivo não no sentido da depressão patológica, que a pessoa fica na cama, e toma remédios, mas existe uma forma de depressão que é o conformismo.

"Mantivemos o diálogo com Lula e vários políticos durante toda a campanha de 2002. E logo que ele foi eleito, ele fez uma reunião conosco, um pouco para discutir o seu projeto e a primeira coisa que se falou foi 'Não abre para o PMDB do jeito que está abrindo', e ele, pragmático, falou: 'Sem o PMDB eu não governo. Nessa coisa de deixa pra lá, 'O importante é fazer o que eu estou fazendo', o PMDB tomou conta do governo dele já. Mas ele, Lula, tem um jeito de negociar, um jogo de cintura que conseguia, mas a Dilma não tem, e por uma questão de personalidade, mais rígida, não sei, conheço pouco, mas gosto muito dela por conta da Comissão da Verdade, e ela pessoalmente é uma pessoa agradabilíssima por mais que tenha fama de durona, é muito doce. Mas o Lula abriu demais para o PMDB, e ele ainda sabia segurar as pontas, a Dilma não soube. E quem derrotou a Dilma? Foi o PMDB, que sempre quis estar no poder, sempre esteve cercando, cercando, conseguindo coisas pelas bordas e agora conseguiu, é o Partido Me Dá uma Boquinha.

"Mas aí eu não sei se é depressão, porque a quantidade de gente que está indo para as ruas, eu acho que é o contrário, eu acho que ficou mais difícil apoiar a Dilma – eu fui pra rua apoiar a Dilma – porque ela teve de fazer tanta concessão e já nem era mais um governo do PT. Era mais difícil chamar gente combativa apoiar Dilma, do que está sendo para combater o Temer. A passeata que disseram que tinha 40, 50 pessoas, e tinha por volta de 100 mil, foi uma coisa de uma alegria, apesar de ser para brigar, eu fui com meus filhos, fui pensando que ia ter pouca gente, mas a coisa foi crescendo e tinha uma alegria nas pessoas, estava todo mundo gritando. De repente, era mais fácil sair na rua para brigar com Temer do que para apoiar o que restava do governo Dilma.

"Neste momento, está todo mundo aturdido, mas pelo que eu senti nesse dia como se fosse lá tomar o pulso do doente e constatar que ele melhorou em vez de piorar – eu não chamaria isso de depressão nesse momento. Posso me enganar, pode ser que o Temer faça um jogo de poder tão opressivo que durante dez anos ninguém mais possa se manifestar, ai vamos pensar de novo, mas agora eu acho que as pessoas estão muito mais indignadas do que deprimidas."

Eleições municipais
"Certamente o contexto da crise política influi nas eleições municipais. Se o Fernando Haddad fosse oportunista poderia teria saída do PT, feito um jogo e ido para o PMDB, como fez a Marta. Ele mexeu com um vício sagrado do paulistano que é o carro. O mais engraçado é o seguinte: olha como, voltando para essa elite doida que a gente tem, ele não tirou o direito de ninguém andar de carro, ele só criou alternativas. E o pessoal está furioso com ele. Tem ciclofaixa, tem faixa de ônibus; eu não tenho carro já desde antes do Haddad, eu vendi meu carro, comecei a andar de ônibus e comecei a me perguntar, o que eu estava fazendo dentro daquela lata parada no congestionamento. Eu pego o metrô e pego ônibus, é muito melhor. Os ônibus são maravilhosos, é claro que tem horário, tem bairro que enche, mas com as faixas, que estão se ampliando você vai muito rápido. Aí sim você pode dizer, a pessoa está brava com o quê? Ela está brava porque está parada no congestionamento com sua lata, que custou milhões... E tem o cara no ônibus passando por ela. Ela não aguenta isso... Tem mais gente dentro do ônibus do que engarrafada, mas os formadores de opinião estão dentro dos carros."

Limite de 50 km/h
"O mais louco dos 50 km/h não é só que mata menos gente etc., mas (o trânsito) flui mais, a velocidade média aumentou, e querem o direito de andar mais rápido para ficar engarrafado mais tempo. A gente vê que a ideologia é algo que está por baixo da epiderme. A ideia do Marx sobre os interesses materiais é forte, eu acho que um texto que todo mundo tem de ler é sobre o fetiche da mercadoria, no primeiro capítulo do Capital."

Narrativas sobre a crise
"As narrativas são para se encobrir a velha e boa luta de classes. Não vejo (a crise política) como uma disputa de narrativas, embora muitas pessoas jovens, pouco politizadas, possam embarcar em uma questão de narrativas. O problema é que o país é conservador, fundado, desde a colonização, na escravidão; o país do Ocidente que teve o maior período de escravidão, eu soube disso pelo Luiz Felipe de Alencastro. Só o Haiti demorou mais para libertar os escravos do que o Brasil.

"A gente tem uma educação política baseada em primeiro lugar na expropriação da natureza, os portugueses vieram para cá para isso, e depois na escravidão. Nós temos menos de dois séculos sem escravidão. O PT quando surgiu era um partido operário mesmo, tinha uma plataforma e, principalmente no final da ditadura, teve um papel importantíssimo. Eu, por exemplo, fui a primeira vez, como jornalista, em um comício do Lula no 1º de maio, quando ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, e não era candidato a nada. Já havia uma potência na fala dele, e ai sim tinha uma narrativa, o Lula sabe muito bem fazer isso. Coisa que infelizmente a Dilma não sabe. Isso não é um defeito de caráter, mas uma questão de personalidade.
"Lula abriu demais para o PMDB, mas ele ainda sabia segurar as pontas. A Dilma não soube. E quem a derrotou foi o PMDB, que sempre quis estar no poder, sempre esteve cercando. É o Partido Me Dá uma Boquinha"
"O Lula para qualquer encrenca se sai com uma linda narrativa. Na época em que o problema não era de encrenca, mas de realmente levantar os operários – e o Lula sempre dizia que não era de esquerda, sempre fazia questão de marcar o seu lugar como líder popular, representando os interesses de uma categoria, e não no sentido de uma perspectiva da luta de classes."

Legado da escravidão e pobreza hoje
"A desigualdade no país é sistêmica, histórica, ela tem como base histórica os três séculos de escravidão. Os Estados Unidos também escravizaram de maneira muito pesada, não eram um país de santos, mas ali quando a escravidão acabou houve uma mínima reparação aos escravos, um pedaço de terra, alguma coisa para começar a vida.

"Aqui não, aqui as enxurradas de trabalhadores que eram escravos foram jogadas na rua. Um fazendeiro que empregava, digamos assim, 3 mil escravos que ele só tinha que alimentar, e muito mal, passou a pagar 300, ou 500, explorar o máximo, e o resto rua. Não teve reparação.

"Nós formamos uma pobreza desamparada. Não se trata da família que tem sua terrinha, que luta, ou do cara que tem um empreguinho e ganha mal; é uma pobreza de desamparo, um monte de gente que ficou a ver navios, ao deus-dará. E aqui vale uma nota de rodapé: o samba nasceu disso, das populações escravas tentando se estabelecer na Gamboa, no Rio, e recuperando suas tradições. Esse é um detalhe para destacar a ideia do José Miguel Wisnik, no livro dele (Veneno Remédio: O Futebol e o Brasil – Companhia das Letras, 2008); até isso que foi tão trágico teve para a cultura brasileira um saldo espetacular."

Elites e privilégios
"Parece que a elite, e a classe média também, pois ela sempre se identifica com a elite – isso está no Marx – teve muito pouca responsabilidade social pela quantidade de privilégios que teve. Eu não estou dizendo que não trabalhou, que é uma elite só rentista, como aconteceu mais recentemente, mas é uma elite que tinha poucos deveres sociais. Pagava pouco imposto em relação a tudo o que ganhava.

"As fazendas antigamente tinham as colônias onde os trabalhadores moravam. Quando começa a mecanização do campo, os fazendeiros dispensam, onde ele tinha 300 empregados ele fica com três, e os outros viram boia-fria, vão morar nas favelas, nas periferias das cidades. Em 2005, 2006 por aí, eu vi uma conferência do (João Pedro) Stédile, líder do MST em que ele disse que numa cidade como Ribeirão Preto, com a cana-de-açúcar, havia mortes por exaustão (entre os cortadores de cana), o cara ganhava por tonelada e mortes por exaustão são até algo pior do que trabalho escravo.

"Nessa época, a população carcerária de Ribeirão Preto já era maior do que a população rural. Tinha mais gente que foi expulsa do campo e que foi para as favelas do que morando no campo. Esse é o modelo de desenvolvimento do Brasil.

"Os governos do PT vieram com um discurso que não era um discurso revolucionário. E diminuir a desigualdade custou alguma coisa para a elite? Não! No governo Lula, os milionários ficaram mais milionários. Então, é uma disputa aí sim de narrativas, mas também de perda de mínimos privilégios. Dou exemplo com a questão das cotas nas universidades."

"Videologias"
"Na verdade, 'videologias' não foi um conceito, foi só uma brincadeira que a gente fez porque a gente gostava muito do livro Mitologias, do Barthes (Roland Barthes – 1915-1980), então, a gente inventou essa palavra para a nova mitologia, via televisão. Não sei seu eu faria hoje algum adendo ao livro, mas acho que isso só se sofisticou. Eu diria que nada mudou qualitativamente, mas se sofisticou por um lado, e por outro talvez, ao contrário, na medida em que começou a haver uma insatisfação detectável na classe média, que é o principal público da televisão.

"Não estou dizendo que a elite não vê televisão, mas a grande massa está nas classes B e C – pelo menos antigamente era assim, quando eu estudei a ascensão da Globo, e pode ser que não seja mais, que eu esteja falando bobagem, mas essa classe que tem sido representada na televisão. Minha tese de mestrado foi uma pesquisa sobre a Globo durante a ascensão do regime militar, nos anos 1970, na verdade, não ligando diretamente com a ditadura, mas ligando com o tipo de discurso que ela conseguiu disseminar na época do chamado milagre, Brasil Grande etc. A Globo foi a primeira emissora que ocupou a rede Embratel.

"E isso não foi ao acaso. Eu tive acesso a documentos da Escola Superior de Guerra, havia reuniões de executivos da Globo com gente de alta patente do governo militar, e ministro da Educação, da Cultura etc., dizendo que havia polos de insatisfação no Brasil. E eles diziam que as pessoas não sabiam ainda como este país progrediu. 'Temos de levar a modernidade e a notícia do milagre brasileiro nos rincões isolados.' Então, a integração do Brasil pela Globo foi feita como um projeto de política cultural e de política ideológica. A Globo foi a primeira a ocupar a rede Embratel nos anos 1970.

"Mas o que acontece? O teatro de esquerda, que era muito bom nos anos 1960, estava sendo perseguido, censurado, eles trouxeram esses caras para a TV. E o discurso desses caras, como o Lauro César Muniz, era de quem tinha esperança e diziam assim: 'Em vez de eu fazer um discurso de esquerda radical para 100 espectadores, a gente faz um discurso moderado para 30 mil, ou para 300 mil, e pode ser que seja melhor'. Mas a gente nunca vai saber se esse cálculo estava certo ou não. O Augusto Boal não fez isso, ele foi um que se exilou, o centro do teatro do oprimido continuou fazendo alguma coisa por aqui, ele voltou, e segurou o teatro do oprimido enquanto deu, até morrer praticamente.

"Mas os que foram para a televisão – e quando eu escrevi sobre eles era uma perspectiva muito radical, no sentido de julgar demais, mas talvez eles tivessem uma sincera esperança de que isso (a conciliação de classes) fosse possível. E as novelas das oito, particularmente, sempre fizeram essa conciliação."



Ganhe U$ 5mil por mês, basta se casar

September 18, 2016 12:55, par Blog do Arretadinho

Islândia vai pagar U$ 5mil por mês para quem casar com uma islandesa
A notícia foi especulada por um blog internacional e já tem pretendentes a postos

Depois de surpreender no futebol em 2016, os noticiários relacionados à Islândia vem adquirindo cada vez mais a atenção dos europeus. A notícia mais interessante que está sendo veiculada é a respeito das medidas que seriam tomadas pelo governo do país para estimular o crescimento populacional.

Segundo o Sunday Adelaja´s Blog, o governo tem um projeto de oferecer o correspondente a 5 mil dólares para imigrantes que se casarem com mulheres islandesas e assim suprir a escassez masculina no país. Ainda segundo o blog, a prioridade nessa resolução será para homens do norte da África.

Se esse projeto do governo da Islândia é verdade ou não, só saberemos com o tempo, mas recomendo aos pretendentes a ficarem ligados nas agências de notícias da Islândia. Veja a notícia original aqui: Due To Insufficient Men, Iceland Will Pay $5,000 Per Month To Immigrants Who Marry Icelandic Women!

fonte amochilaeomundo.blogspot.com.br



Se criticar gestor público ganha convite para ir para o inferno

September 17, 2016 15:35, par Blog do Arretadinho

Opinião

Editorial do Blog do Arretadinho sobre uma crítica que fiz a administradora do Gama e que a motivou a telefonar-me  mandando-me ir para o inferno.

por Joaquim Dantas

Recentemente comentei com amigos que estamos vivendo tempos de autoritarismo e retrocesso só visto antes nos tempos do AI-5. E isso não está ocorrendo apenas no mundo político não. O ator Wagner Moura declarou que várias empresas estão boicotando seu filme sobre Marighella.

Segundo o ator, que não quis revelar nomes, várias empresas estão se negando a apoiar, financeiramente, um filme de um político e guerrilheiro de esquerda, que em 1969 foi morto pela ditadura militar.

Mas as maiores, e cada vez mais frequentes,  manifestações de autoritarismo, vem mesmo é da classe política, um exemplo desse autoritarismo aconteceu comigo.

A minha filha veio à minha casa nesta sexta-feira (16) a fim de me trazer um pouco de conforto pelo falecimento de meu pai, que ocorreu no mesmo dia. Por volta das 21h ela se despediu de mim e foi, a pé, ao encontro de uma tia que mora cerca de 500m de minha casa e que a levaria de carro de volta ao encontro da mãe.

Na metade do caminho a minha filha foi abordada por um assaltante que a jogou no chão e tomou o seu aparelho celular.

Após ficar sabendo do fato publiquei nas redes sociais uma crítica a administradora do Gama, professora Maria Antônia, e ao governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, PSB.

Eis a crítica:
"Muito bem Maria Antonia, minha filha acaba de ser jogada no chão e assaltada em frente ao Centro 1 no setor Norte. Sua gestão só é responsável pelo "bônus", nunca pelo ônus, você é a pior administradora que esta cidade já teve. Estendo as minhas "homenagens" ao governador de Brasília"

Por volta das 14h deste sábado (17) recebi uma ligação da referida sra administradora onde, em um tom raivoso, gritava ao telefone dizendo que "quando eu era do Conselho Comunitário de Segurança, tinha polícia nas ruas. Depois que seus amigos assumiram o Conselho, não tem mais polícia no Gama". E continuou no mesmo tom agressivo: "...e quanto ao fato de você achar que eu sou a pior gestora qua a cidade já teve, não me diz nada porque não reconheço em você uma liderança da cidade, eu quero é que você vá para o inferno!", desligando o telefone em seguida.

Oi? Não me reconhece como liderança da cidade? E quem disse que eu almejo esse posto?

Eu sou um cidadão do Gama, minha sra e tenho todo o direito de criticar quando eu achar conveniente, entretanto, se o seu "modelo" de gerir uma cidade só aceita elogios e é agressivo com quem a critica, a sra, definitivamente, não serve para administrar a nossa cidade.

Comenta-se por todos os cantos do Gama sobre o seu temperamento agressivo e muitas vezes ameaçador, mas saiba que isso não me intimida, porque quem já enfrentou os coturnos da ditadura, permanece com a mesma disposição para fazer o enfrentamento ao autoritarismo.

Peça pra sair que já tá ficando feio.