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April 3, 2011 21:00 , par Inconnu - | No one following this article yet.
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Mais democracia, menos desigualdades. Fica Dilma!

March 24, 2016 19:41, par Blog do Arretadinho

Por Olgamir Amancia Ferreira, no Blog do PCdoB

Os riscos da ruptura do Estado de direito são reais, mas a convicção de que não podemos abrir mão daquilo que é o centro da dignidade do povo brasileiro, que é a democracia, nos move e nos faz fortes.  Consideramos um acinte à democracia  a ameaça de golpe  colocada em curso  desde o primeiro dia após a reeleição da Presidenta Dilma.

A tática golpista orquestrada pela elite brasileira, conservadora e antinacionalista, potencializada pela mídia e por parte do poder judiciário, não é novidade nos marcos da luta de classes em nosso país. Foi assim em 1964, o discurso falso moralista de combate à corrupção, de preservação da família e da propriedade foi a tônica naquele momento. O estímulo ao ódio àqueles que se contrapunham as medidas nazifascistas, como as organizações estudantis, de trabalhadores e setores democráticos da sociedade foi marca daquele momento histórico.

Mas nada melhor que a história para nos permitir conferir a realidade. Tanto hoje como no passado, aqueles que se apresentam ou se apresentaram como arautos na luta contra a corrupção, são os mesmos que se posicionaram contrários à Reforma Política  medida  fundamental para se enfrentar com radicalidade as práticas corruptas; são os mesmos que apostam no enfraquecimento da soberania nacional, na privatização das estatais; são os que não se conformam com os direitos e garantias conquistados pelos trabalhadores/as e, por isso, querem retirá-los ou flexibilizá-los; são os mesmos que combatem as políticas públicas de inclusão social como o Bolsa Família, o Programa Universidade para Todos, o SUS, as políticas de Direitos Humanos, enfim as politicas que visam contribuir para reduzir as desigualdades; são aqueles que incitam a intolerância às diferenças ateando lenha à fogueira do racismo, do machismo, da lesbofobia e da homofobia.

Gritam, xingam, destilam aos quatro cantos o ódio de classe, sentimento às vezes dissimulado no discurso ufanista de defesa da pátria, de combate à corrupção. O que eles não dizem é que se sentem ultrajados porque, a despeito de todo o poder que possuem, não conseguiram impedir que fosse colocado em movimento, nos últimos 13 anos, um projeto de desenvolvimento social e econômico capaz de incluir socialmente milhões de brasileiros/as;  por isso mesmo, capaz de reduzir as desigualdades e assegurar oportunidades aqueles historicamente alijados da cidadania. O que eles não contam é que mesmo lucrando muito, porque é certo que não foram penalizados nesse processo, consideram intolerável que pobres, pretos, mulheres, gays, lésbicas, trabalhadores/as domésticas, enfim os setores marginalizados pudessem ser alçados a condição de sujeitos sociais, cidadãos e cidadãs construtores de sua emancipação.

Eles também não nos contam que os seus interesses estão em perfeita sintonia com os interesses das elites internacionais, do capital financeiro que encontrou na elite nacional solo fértil para prosperarem, processo interrompido com ascensão de um trabalhador ao mais alto cargo da república. Por fim, o que não nos contam é que são vendilhões da pátria, prontos a entregar nossas riquezas aos interesses estrangeiros e que para assegurarem os seus privilégios de classe rasgam até mesmo a Constituição.

Nesse sentido, destaco que nesse momento a centralidade da discussão está na defesa da democracia, pois é por meio dela que faremos o real combate à corrupção e as demais mazelas que afligem a nossa gente.  Será com mais democracia, com participação da sociedade nos diferentes espaços da gestão pública exercendo legitimamente o controle social, que enfrentaremos a mais perversa das corrupções que é a “desigualdade” como afirma o Governador do Maranhão, Flávio Dino.

Será com muito mais democracia que combateremos a intolerância, as práticas fascistas como aquelas que testemunhamos contra o jovem Vitor Basílio, em SP, por vários artistas Brasil a fora, por Chaparral e por mim, dentre outros, agredidos física e moralmente porque ao nos vestirmos  de vermelho, ao nos posicionarmos contrários ao pensamento que eles querem hegemônico passamos a representar uma ameaça que precisa ser extirpada.

Por uma sociedade que privilegie a solidariedade, o amor, a tolerância,  que rompa com a subcidadania, que garanta os direitos individuais e coletivos e que tenha o seu processo de desenvolvimento centrado nas pessoas digo “Não ao Golpe!”.



Carta Aberta dos Professores da FDUNB

March 24, 2016 11:20, par Blog do Arretadinho

Carta Aberta dos Professores da Faculdade de direito da Universidade de Brasília
As professoras e os professores da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília abaixo assinados(as), cientes da importância da manifestação de docentes da Faculdade num quadro de crise que ameaça os pressupostos do Estado Democrático de Direito, apresentam a seguinte CARTA ABERTA à sociedade brasileira.

O Brasil é uma república federativa que se constitui como Estado Democrático de Direito. Essa decisão fundamental, adotada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988, deve nortear a atuação de todos os poderes da República e especialmente o Poder Judiciário, em todos os graus de jurisdição.  Os procedimentos judiciais e administrativos, emitidos por representantes de todos os poderes, devem obediência ao primado do Estado Democrático de Direito e aos direitos fundamentais, que precisam ser considerados como indissociáveis de uma democracia.

O Brasil tem presenciado, nos últimos dias, a adoção de medidas judiciais que, em seu conjunto, comprometem a imparcialidade que deve guiar a atuação de todo e qualquer juiz e violam, de forma flagrante, direitos fundamentais como o devido processo legal, a presunção de inocência, o direito à ampla defesa com todos os meios a ela inerentes e, sobretudo, a garantia da autonomia privada, traduzida na proteção à privacidade. O fato de tais decisões terem sido proferidas por órgãos do Judiciário é de extrema gravidade e suscita grande preocupação. O poder da República que foi concebido, pelo Constituinte de 1987/1988, como garantidor da democracia e dos direitos fundamentais incorre em evidente desvio de finalidade ao permitir que suas decisões sejam amparadas numa agenda político-partidária que não deveria interferir – nem inspirar – a fundamentação de decisões, particularmente na esfera criminal. 

O presidencialismo é o sistema de governo adotado no Brasil, consoante deliberação constitucional ratificada por plebiscito. O(a) ocupante do cargo de Presidente, eleito(a) por voto popular, possui legitimidade das urnas para exercer as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo. O instituto do impeachment é de natureza excepcional e, para sua configuração, exige que o(a) mandatário(a) cometa crime de responsabilidade cuja autoria deve ser demonstrada mediante provas consistentes. Há que se respeitar, em todo o processo relacionado a eventual pedido de impeachment, as garantias constitucionais do processo, a ampla defesa e os direitos fundamentais previstos na Constituição da República.

Nós, professoras e professores do curso de direito da Universidade de Brasília, nos sentimos compelidos a exortar todos os poderes constituídos da Nação a respeitar a Constituição, os procedimentos democráticos de eleição e exercício dos mandatos eletivos e a vontade popular manifestada de modo legítimo. O Brasil enfrentou um período autoritário que deixou marcas indeléveis na sociedade brasileira. A ruptura com esse regime é a marca da Constituição da República em vigor. Inesperadamente, nos deparamos com uma ameaça autoritária que se apresenta sob a forma de procedimentos e decisões judiciais adotadas em contrariedade à Constituição. Ao Poder Judiciário incumbe zelar pela observância dos direitos fundamentais, inclusive de forma contramajoritária.  

Nós, professoras e professores da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, nos manifestamos em público, por meio desta CARTA ABERTA, em defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e da cidadania. Por tal razão, REJEITAMOS o caráter arbitrário, antidemocrático e ilegal das últimas decisões judiciais proferidas no âmbito da intitulada “Operação Lava Jato” e CONCLAMAMOS o Poder Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal, a promover a guarda da Constituição, restabelecendo o primado do Estado Democrático de Direito e a observância dos direitos fundamentais.


Brasília, 22 de março de 2016



Golpe é principalmente contra os trabalhadores

March 24, 2016 10:14, par Blog do Arretadinho

Sindicalistas consideram que presença de Lula no governo levará a retomada de programa que venceu eleições
AULO PINTO/AGÊNCIA PT/FOTOS PÚBLICAS
Golpe é principalmente contra os trabalhadores, afirmam sindicalistas

Representantes de sete centrais avaliam, em ato de apoio a Lula e contra o impeachment, que mudança de governo esconde interesse de acabar com direitos sociais

por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – Não foi um ato de centrais, mas de sindicatos e sindicalistas, como enfatizou o presidente da CUT, Vagner Freitas, sobre o evento de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o impeachment de Dilma Rousseff, na tarde de hoje (23), em São Paulo. Estavam lá representantes de sete centrais, com o diagnóstico comum de que o movimento para derrubar o governo embute a intenção de acabar ou "flexibilizar" direitos sociais e trabalhistas. "O golpe é contra os trabalhadores", afirmou Freitas, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pela CUT, além dele, estavam a vice, Carmen Foro, e o secretário-geral, Sérgio Nobre, entre outros, além de presidentes de alguns dos maiores sindicatos vinculados à central, como Juvandia Moreira (Bancários de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel (Apeoesp, dos professores da rede estadual paulista), e Rafael Marques (Metalúrgicos do ABC). Da Força Sindical, participaram o secretário-geral, João Carlos Gonçalves, o Juruna, e Mônica Veloso, da operativa nacional. O presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), defende o impeachment.

Juruna disse falar não em nome da central, "mas de vários sindicalistas que entendem que este momento é de garantir a democracia, a Constituição, de Lula assumir o Ministério da Casa Civil, para ele assumir as causas populares", criticando a tentativa de reforma da Previdência e lembrando do Compromisso pelo Desenvolvimento, firmado no final de 2015 entre sindicalistas e empresários. "Às vezes tomar um tranco é muito bom, porque leva à unidade de ação. Mudanças exigem compromisso de classe, união e, cada vez mais, povo na rua", afirmou o dirigente. Também participaram do ato, pela Força, o primeiro-secretário, Sérgio Luiz Leite, o Serginho, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno, o Jorginho.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, esteve no evento na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, mas quem falou pela central foi o secretário-geral, Francisco Canindé Pegado, que exaltou o ex-presidente. "Se existe um homem capaz de unificar e fazer este país retomar o rumo do crescimento é você, Lula, nosso companheiro, nosso amigo, nosso presidente. Este país precisa de um homem de coragem para fazer a reunificação. Não fuja da raia. Estamos com você", disse Pegado.

O secretário-geral da CSB, Álvaro Egea, identificou um "processo de destruição das conquistas democráticas e do Estado de direito". Ele criticou o juiz federal Sérgio Moro, procuradores paulistas que pediram a prisão de Lula e parte da mídia: "O que estão fazendo é destruir a nossa democracia. Os trabalhadores são os mais interessados na legalidade democrática". O presidente da central, Antônio Neto, que comanda o núcleo sindical do PMDB, não participou do ato.

Presidente estadual da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, o Luizinho, disse que não há posicionamento unitário da entidade em relação ao momento político. "Mas temos consciência de que este (Lula) foi o melhor governo de todos os tempos. Esse golpe não vai acontecer", acrescentou.

O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, deixou claro que a central não apoia o governo Dilma e defender mudanças na política econômica e o fim do ajuste fiscal. Mas se posicionou contra o impeachment e as investidas contra Lula, vendo uma tentativa de "estabelecer um governo neoliberal para atacar direitos trabalhistas, aprovar a terceirização irrestrita e estabelecer a independência do Banco Central". "Não adianta achar que vai derrubar esse governo e os trabalhadores vão se calar."

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, "a direita aposta todas as fichas na instabilidade política" para retomar o poder, sem aceitar "a quarta vitória do povo brasileiro", referindo-se às eleições de Lula e Dilma. E citou propósitos, no movimento antigoverno, de mudar o regime do pré-sal, para atender a interesses externos. "Não vamos nos intimidar", garantiu.

Freitas, da CUT, lembrou das dificuldades que a agenda dos trabalhadores já enfrenta no Congresso: "Os mesmos que querem fazer o golpe são os que querem acabar com a carteira assinada, férias, 13º, CLT, ampliar a terceirização".

O presidente da Confederação Sindical Internacional, João Felício, destacou a repercussão, em todo o mundo, das ações contra Dilma e Lula, como ameaças à estabilidade e à democracia no Brasil. Em vídeo exibido logo no início da manifestação, o ator e ativista norte-americano Danny Glover manifesta seu apoio ao ex-presidente, "agora que você está sob ataque da direita brasileira".

Outro presente na platéia era Raphael Martinelli. Com quase 92 anos, o ex-ferroviário foi um dos líderes do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), formado durante o governo João Goulart e dissolvido após o golpe de 1964.



Lula defende política econômica 'que traga esperança'

March 24, 2016 10:06, par Blog do Arretadinho

Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Em ato de apoio organizado por sindicalistas, ex-presidente critica Lava Jato por, segundo ele, prejudicar a economia. 
Cita Getúlio, Jango, Jânio e JK, e diz que o país "não pode aceitar golpe"

por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – Ao mesmo tempo em que reconheceu que o movimento sindical está insatisfeito com ações do governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os efeitos da Operação Lava Jato na economia, questionando se não é possível combater a corrupção "sem fechar empresas e sem aumentar o desemprego". Em ato de apoio organizado por sindicalistas, na tarde de hoje (23), em São Paulo, Lula disse que pedirá seis meses de "paz" ao Congresso e que pretende discutir "uma política econômica que traga esperança", mas – com a posse como ministro da Casa Civil ainda suspensa – acrescentou que essa não é a única maneira de contribuir para a retomada do crescimento. "Se enganam aqueles que pensam que eu só posso ajudar a Dilma sendo ministro." Lembrando da manifestação na última sexta-feira (18), disse que teve a sensação de ter sido "empossado" na Avenida Paulista.

"A presidenta Dilma tem consciência de que não podemos continuar com a política econômica que não permite a geração de empregos", afirmou o ex-presidente, referindo-se ainda ao anúncio de novo corte orçamentário feito pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. "Toda vez que a gente fala em corte, está falando em diminuir a capacidade de investimento do Estado." Sobre a Lava Jato, Lula afirmou que a operação "é uma necessidade para este país", mas questionou o impacto na economia, dizendo que "quando tudo isso terminar, pode ter muita gente presa, mas pode ter milhões de desempregados".

Ele voltou a criticar a oposição, por não respeitar o resultado eleitoral de 2014, e as tentativas de interromper o mandato de Dilma Rousseff. "Eu esperei pacientemente (até ganhar uma eleição), eles que esperem. Não existe nenhuma razão legal para o impeachment. Eles querem antecipar o mandato da Dilma? E o respeito pelo povo, pelo voto?", reagiu. "Este país não pode aceitar o golpe."

O ex-presidente também lamentou o clima conturbado atual: "O que a gente não pode aceitar é o ódio que está sendo destilado neste país. Não queremos a sociedade brasileira dividida entre petistas e não petistas, entre vermelhos e verde-amarelos". Ele se disse "enojado" com o comportamento de "setores" da comunicação e apontou "pessoas que são condenadas pelas manchetes de jornais antes de serem julgadas", citando o caso da Escola Base, em São Paulo, apontado como um exemplo grave de erro da mídia.

Democracia
Lula disse que o país vive o seu mais longo período contínuo de democracia – 31 anos, considerando a eleição indireta de Tancredo Neves, ou 28, a contar da promulgação da Constituição. "É importante a gente ter dimensão histórica do que está acontecendo. Quem tem a minha idade, um pouco mais, um pouco menos, sabe o quanto a democracia é importante na vida de um povo", afirmou, citando presidentes do período pré e pós 1964. "Penso que todo mundo deveria reler a carta-testamento de Getúlio para entender o que aconteceu naquela época e o que está acontecendo agora."

E lembrou que Juscelino Kubitschek, que não era de esquerda, também foi acusado de ter um apartamento, no Rio de Janeiro, que não possuía, em ilação ao caso do tríplex do Guarujá, no litoral paulista. Citou ainda Jânio Quadros, João Goulart e o golpe de 1964, para chegar ao momento atual. "Não é fácil os conservadores aceitarem as pessoas que são da elite, não são quatrocentões, eles têm muita dificuldade de aceitar."

O ex-presidente disse que, no governo, teve de escolher um lado. "Mas tinha clareza de que não podia brigar com ninguém, eu tinha de construir", afirmou, destacando o papel do movimento sindical, que apoiou medidas, mas sem deixar de apresentar reivindicações.

Manifesto
A plenária aprovou um manifesto em defesa da democracia, falando sobre as ameaças a diretos e expressando confiança em Lula, que para os sindicalistas "irá contribuir de forma decisiva para solucionar a crise política e institucional que perturba o Brasil". Leia a íntegra abaixo.



Garantir a democracia brasileira e o respeito à Constituição Cidadã

Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe

A ameaça de golpe daqueles que querem rasgar a Constituição está aprofundando a recessão econômica e o aumento do desemprego no Brasil.

Com isso, a democracia, os direitos da classe trabalhadora e a soberania nacional correm sério risco.

Para fazer frente a esta conjuntura, nós, sindicalistas de diferentes tendências sindicais, reunidos neste ato, manifestamos total solidariedade à presidente Dilma Rousseff, legitimamente eleita pela maioria do povo brasileiro, e ao companheiro e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e exigimos a imediata efetivação de sua posse como ministro chefe da Casa Civil.

Expressamos a convicção de que Lula, na condição de maior líder político e popular do país, que merece e goza da plena confiança e solidariedade dos dirigentes e da classe trabalhadora brasileira, irá contribuir de forma decisiva para solucionar a crise política e institucional que perturba o Brasil.

Só superando a crise pela via democrática, sem subterfúgios, à margem da Constituição, poderão ser criadas as condições para a retomada do crescimento e a geração de empregos no país.

O momento requer unidade e demanda repúdio a atitudes antidemocráticas que, a pretexto do combate à corrupção, resultaram no suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e na deposição de João Goulart, em 1964.

Tendo forjado sua liderança política no movimento sindical, Lula exerceu um governo marcado por importantes conquistas da classe trabalhadora e do povo, entre as quais cumpre destacar:

 A política de valorização do salário mínimo;

 O arquivamento do projeto de reforma trabalhista que estabelecia a prevalência do negociado sobre o legislado;

 A legalização das centrais sindicais;

 Os programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida

Com sua notória habilidade de negociação, Lula, como ministro-chefe da Casa Civil, poderá dialogar com as diversas forças políticas do país, o que reforçará a preservação das conquistas sociais dos últimos 13 anos. O ex-presidente poderá também dar sequência às propostas inscritas no documento “Compromisso pelo desenvolvimento”, lançado por sindicalistas e empresários em dezembro de 2015, como contribuição efetiva para a superação da recessão.

Por essas razões, dentre tantas outras que levaram ao engrandecimento da nossa Nação, conclamamos a todos os cidadãos brasileiros, sobretudo os trabalhadores, à com serenidade e firmeza, defenderem a nossa democracia, nossa Constituição e nossos direitos sociais duramente conquistados.

São Paulo, 23 de março de 2016



Onde estavam os negros na Paulista?

March 24, 2016 9:55, par Blog do Arretadinho

Foto: Christian Braga
O racismo da classe média que fala grosso contra a corrupção, mas aceita o preconceito e simula até enforcamentos de negros

Por Maria Carolina Trevisan, especial para os Jornalistas Livres

Entre as milhares de pessoas que invadiram a avenida Paulista no domingo (13/3), quase não havia negros. Assim como aconteceu há um ano, a grande maioria dos negros que foram ao coração de São Paulo — e a outras capitais brasileiras — estava trabalhando. Eram babás ou ambulantes (ou policiais militares). Esse quadro trata de reproduzir a posição subalterna dessa parcela da sociedade brasileira, desde a escravidão até hoje.

Entre as demandas por honestidade, havia zero cartazes pedindo igualdade de direitos, cotas ou conquistas trabalhistas das empregadas domésticas. Ao contrário. O que se viu na avenida Paulista foi a representação do desejo da classe média alta e da elite branca do Brasil em manter seus privilégios. A manifestação está para a justiça social assim como a casa grande está para a senzala. Idêntico e escancarado.
Pessoas tiram selfie com homem pintado de negro em atitude explicitamente racista. Foto: Christian Braga

“Essa marcha não é somente contra a Dilma e a favor do impeachment. Ela é também contra os direitos humanos e as conquistas sociais”, define o administrador de empresas e educador negro Antonio Nascimento, militante de direitos humanos na Bahia.

“PARA MIM, ESSAS PASSEATAS FORAM CONTRA A POSSIBILIDADE DE UM PAÍS MAIS JUSTO, MAS FINGINDO A MORALIDADE”, COMPLETA NASCIMENTO.
Sob a cortina do combate à corrupção, o que se coloca é o desejo de uma elite e classe média brasileiras defendendo os próprios interesses. Não à toa, os atos deste domingo aconteceram em locais nobres das cidades: a orla da zona sul carioca, a Avenida Paulista, o Farol da Barra, em Salvador, ou a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. “A elite viu nesse governo a sustentação de seus privilégios sendo ameaçada. Não está preocupada com a moralidade ou com a honestidade porque sempre conviveu com governos desonestos.”

Mas as manifestações foram muito além e deixaram escapar esse desejo. O que se viu em alguns lugares foram cenas de racismo explícito: um homem pintado de negro (os “blackfaces”, movimento teatral escravocrata que tem por objetivo ridicularizar a população negra) simulava uma “Forca da Inconfidência”.

Senhoras, senhores e crianças brancas posavam ao lado dessa representação, sorrindo e sem se abalarem; em outra cena, um homem branco segurava um cartaz no qual se via a presidenta Dilma, pintada de negra, imitando o comediante negro Mussum, com os dizeres “Dilma Rouseffis, só no forevis”; e por fim, as dezenas de cenas de babás negras empurrando carrinhos de bebês brancos, com os patrões caminhando adiante.

“Acho que a maioria das pessoas não se deu conta do que está em jogo”, afirma a socióloga Marcia Lima, professora de “desigualdades raciais” na Universidade de São Paulo (USP). “O Brasil mudou. Temos uma reação conservadora às conquistas deste grupo [a população negra]”, explica Marcia.

A população negra não é mais minoria no Brasil. Desde 2011, mais da metade dos brasileiros é negra (pretos e pardos, segundo o IBGE). Atualmente, corresponde a 53,6% da população total do Brasil. Significa dizer que mais de 110 milhões de pessoas não estavam retratadas nos atos pró-impeachment. “Andei duas horas na manifestação. Não tinha pobres nem negros”, constatou a advogada Eliane Dias, produtora do grupo de rap Racionais MC’s.

“É UMA LUTA DE CLASSES EM QUE O NEGRO NÃO É BEM QUISTO. POR ISSO, É UMA GRANDE CONTRADIÇÃO FALAR EM JUSTIÇA NAS MANIFESTAÇÕES”, DIZ ELIANE.
De fato, para falar em democracia, é preciso se referir a toda a sociedade. “É muita irresponsabilidade, por exemplo, simular o enforcamento de um homem negro no meio da Paulista. Vi várias famílias lá dando risadinha disso”, relata Eliane. Para ela, violência semelhante é levar uma babá negra para esse contexto. “É uma humilhação. Você coloca lá uma mulher negra, num domingo, num lugar onde não tem nenhum negro… Isso representa a submissão”, constata.

No que se refere às questões raciais do país responsável pela maior e mais longa escravidão do mundo, nada mudou em um ano. As manifestações de março de 2015 ja mostraram como os defensores do impeachment são brancos. Esse cenário faz os versos dos Racionais cada vez mais contundentes e atuais:

“Este é o Brasil que eles querem que exista: evoluído e bonito, mas sem negros no destaque." Racionais MC's em Voz Ativa
Foto: Fernando Sato/ Jornalistas Livres