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April 3, 2011 21:00 , par Inconnu - | No one following this article yet.
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Pedro Cardoso sobre Bolsonaro; O diabo nunca se apresenta como diabo

November 1, 2018 10:04, par Blog do Arretadinho



ÍNDIOS, SEM-TERRA E PROFESSORES SÃO OS PRIMEIROS ALVOS DAS MILÍCIAS DA NOVA ORDEM

October 30, 2018 10:27, par Blog do Arretadinho

por Ricardo Kotscho

Antes mesmo que fossem anunciados os resultados oficiais da eleição na noite de domingo, milícias bolsonaristas, já empoderadas, saíram a campo para colocar em prática a nova ordem contra quem consideram seus inimigos.

As primeiras vítimas foram os índios da aldeia Bororó, em Dourados; uma jovem estudante, em Salvador; um acampamento de sem-terra, em Dois Irmãos do Buriti, e os professores da Universidade Federal de Santa Catarina, entre dezenas de outros casos de violência e perseguição.

Às quatro da manhã do dia da eleição, três caminhonetes chegaram à aldeia dos Guarani-Kaiowá e iniciaram o ataque, como contou uma jovem de 19 anos, que, por motivos óbvios, não quis se identificar, à reportagem do Correio do Estado, de Mato Grosso do Sul. Seu relato:

“Eram aproximadamente 15 pessoas, duas delas com armas de fogo. Eles já chegaram dando tiros com balas de borracha, a gente não tinha para onde correr. Derrubaram tudinho os barracos. Derramaram as comidas tudo no chão. Só pararam quando a Polícia Militar chegou”. O comandante da guarnição da PM, Carlos Silva, não soube dar maiores informações.

Não muito longe dali, um acampamento de sem-terra, próximo à BR-262, também foi atacado por milicianos que atearam fogo a dois barracos, segundo a repórter Luana Rodrigues, do Correio do Estado.

Foram incendiados também uma escola e um posto de saúde na Aldeia Bem Querer de Baixo, dos índios Pankararu, no município de Jatobá, em Pernambuco.  Nota da comunidade indígena sobre o ataque à aldeia, divulgada pela Mídia Ninja, lembra que recentemente os Pankararu ganharam na Justiça direito à reintegração de posse da reserva, invadida por posseiros,

“Os maiores prejudicados são as crianças que ficaram sem escola nas vésperas do fim do ano letivo, os pacientes do posto de saúde, que fazia cerca de 500 atendimentos por mês, e a nossa alma que é constantemente ferida, machucada. Mas jamais silenciada. Hoje, mais do que nunca, resistir é a palavra de ordem”.

Em Salvador, relata o repórter Marcelo Auler em seu blog, a jovem J.B. ficou ferida na noite de domingo num confronto envolvendo policiais e manifestantes pró-Bolsonaro  Gays e petistas foram perseguidos na mesma hora em Curitiba.  E Fortaleza registrou agressões a jornalistas.

Mas o caso mais grave ainda está acontecendo em Florianópolis, dando uma pista de como a nova ordem pretende agir nas universidades.

A professora Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual pelo PSL de Bolsonaro, abriu um “canal informal de denúncias na internet” para fiscalizar professores na sala de aula, a partir desta segunda-feira, 29. A deputada pede que vídeos e informações sejam repassados para o número de celular com o nome do docente, da escola e da cidade.

“Garantimos o anonimato dos denunciante”, diz a mensagem compartilhada numa rede social.

O objetivo é identificar professores considerados de esquerda, seguindo a orientação do presidente eleito, que logo após o anúncio do resultado oficial, em sua primeira fala pelas redes sociais, anunciou na noite de domingo: “Não podemos mais continuar flertando com socialismo, comunismo, populismo e extremismo de esquerda”. Campagnolo cumpriu a ordem.

Ainda faltam dois meses para a posse de Jair Bolsonaro, mas já para ter uma ideia do que podemos esperar nos seus quatro anos de mandato.

Vida que segue.



Haddad diz que ensino a distância para crianças é 'pior ideia' que já ouviu

October 26, 2018 17:27, par Blog do Arretadinho

'Ele não entende nada de educação', afirmou Haddad, que também criticou propostas de Bolsonaro em diversas áreas
'NÃO ENTENDE NADA'
Haddad diz que ensino a distância para crianças é 'pior ideia' que já ouviu

Medida defendida por Bolsonaro traria impactos não só para o ensino como também para a alimentação dos alunos que tivessem que aprender em casa pelo computador

por Redação RBA

São Paulo – O candidato a presidente Fernando Haddad (PT) classificou como "absurda" a proposta do presidenciável de extrema-direita Jair Bolsonaro de implementar o ensino a distância para os níveis fundamental e médio como forma de cortar gastos na educação. "É a pior ideia que ouvi na minha vida ao longo de 30 anos como professor."

Em entrevista à Rádio Globo do Mato Grosso do Sul, Haddad questionou a viabilidade da medida, com os alunos acompanhando as aulas de casa pelo computador, e suas consequências. "Imagina se uma criança tem condições de sozinha – sem a mãe e o pai, que estão trabalhando, sem o professor – aprender na frente de um computador. Ele (Bolsonaro) não entende nada de educação."

O petista destacou que essa "ideia", inclusive, traria impactos tanto para a alimentação dos alunos quanto para os produtores agrícolas. "A criança vai ficar em casa comendo bolacha, enquanto a carne que encontra na escola não vai ter mais."

Como uma de suas propostas para a educação, Haddad diz que o objetivo principal é melhorar a qualidade do ensino médio. Para isso, vai fazer com que escolas federais, que registram melhores desempenhos em exames e avaliações, "adotem" escolas estaduais, de modo a elevar a qualidade do ensino. 

Ele também destacou avanços no acesso e na qualidade do ensino básico quando foi ministro da Educação, e citou realizações no ensino superior. "Fui eu que criei o Prouni, o Fies sem fiador, novos campi de universidades federais pelo Brasil inteiro. Agora, a prioridade é o ensino médio. Se a gente conseguir resolver, tudo vai melhorar na educação brasileira."

Emprego
O candidato do PT prometeu retomar as obras públicas como forma imediata de criar vagas de emprego e ainda melhorar a infraestrutura, que impacta na produtividade. Ele também defendeu o reajuste de 20% no Bolsa Família e a isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até cinco salários mínimos como forma de "colocar dinheiro na mão do povo". 

"Isso vai aumentar o poder de compra dessas famílias, que vão ao mercado, aquecendo a economia. Os industriais vão ter que contratar mais para produzir", afirmou Haddad, que também prometeu fazer "uma grande reforma bancária" para reduzir os juros no país, classificados por ele como "impraticáveis e extorsivos", prejudicando tanto o trabalhador que busca um crediário para adquirir um produto quanto o empresário, que não conta com financiamento para expandir os negócios e assim empregar mais. "Com juros de 30%, 40% ao ano, qual é o empresário que tem essa margem de lucro?"

"Proposta suicida" para a agricultura
Haddad também atacou a proposta defendida por Bolsonaro de fundir os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente. "Nossos produtos hoje são certificados, por isso têm mercado no mundo desenvolvido. Vamos simplesmente parar de produzir, porque não vamos ter para quem exportar. Meu adversário está fazendo uma proposta suicida."

Haddad defendeu o agronegócio que investe no aumento da produtividade, e criticou os que especulam com grandes propriedades. "O grande conflito de terra que existe hoje no Brasil é por causa da baixa produtividade de um parte do setor do agronegócio que, em vez de querer produzir mais com menos terra, quer produzir mais desmatando e grilando terra."

Privatização da segurança pública
Haddad também afirmou que Bolsonaro quer "privatizar" a segurança pública, com a proposta de flexibilização a posse e o porte de armas. "É um salve-se quem puder. Você se arma e você se defende", disse Haddad, que destacou que as consequências que mais armas podem trazer para em brigas de transito, desavenças entre vizinhos e discussões entre casais.

"Isso vai ser uma temeridade. No mundo inteiro, a proposta do meu adversário deu errado. A nossa proposta é inteligência. Dobrar o efetivo da PF, equipar, e fazer assumir certas possibilidades", afirmou o candidato do PT, que pretende nacionalizar o combate ao crime organizado. 

Ele também atacou Bolsonaro por ter apoiado medida do governo Temer que adiou a implementação do Sistema Integrado de Monitoramento (Sisfron) para 2035. Haddad prometeu implementar o projeto, que prevê a utilização de satélites e radares para fazer a vigilância dos mais de 17 mil quilômetros de fronteira seca do país, até 2025.  Ele afirmou que a proposta tem impacto na segurança e também na arrecadação, porque vai ajudar a deter tanto a entrada de armas e drogas como também de produtos contrabandeados. 



OAB saiu da toca

October 22, 2018 17:55, par Blog do Arretadinho

NOTA CONJUNTA:  OAB, ANAMATRA, CNBB, ANPT, SINAIT, ABRAT E FENAI

NOTA CONJUNTA

As entidades signatárias abaixo nominadas, representativas da sociedade civil organizada, no campo do Direito e das instituições sociais, por seus respectivos Representantes, ao largo de quaisquer cores partidárias ou correntes ideológicas, considerando os inquietantes episódios descortinados nos últimos dias, nas ruas e nas redes sociais, ao ensejo do processo eleitoral, de agressões verbais e físicas – algumas fatais – em detrimento de indivíduos, minorias e grupos sociais, a revelar crescente desprestígio dos valores humanistas e democráticos que inspiram nossa Constituição cidadã, fiadores da convivência civilizada e do exercício da cidadania, vêm a público:

AFIRMAR o peremptório repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo aos direitos humanos, assacadas sob qualquer pretexto que seja, contra indivíduos ou grupos sociais, bem como a toda e qualquer incitação política, proposta legislativa ou de governo que venha a tolerá-las ou incentivá-las;

REITERAR a imperiosa necessidade de preservação de um ambiente sociopolítico genuinamente ético, democrático, de diálogo, com liberdade de imprensa, livre de constrangimentos e de autoritarismos, da corrupção endêmica, do fisiologismo político, do aparelhamento das instituições e da divulgação de falsas notícias como veículo de manipulação eleitoral, para que se garanta o livre debate de ideias e de concepções políticas divergentes, sempre lastreado em premissas fáticas verdadeiras;

EXORTAR todas as pessoas e instituições a que reafirmem, de modo explícito, contundente e inequívoco, o seu compromisso inflexível com a Constituição Federal de 1988, no seu texto vigente, recusando alternativas de ruptura e discursos de superação do atual espírito constitucional, ancorado nos signos da República, da democracia política e social e da efetividade dos direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais, com suas indissociáveis garantias institucionais;

MANIFESTAR a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais, inclusive os trabalhistas, e da imprescindibilidade das instituições que os preservam, nomeadamente a Magistratura do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho, a Auditoria Fiscal do Trabalho e a advocacia trabalhista, todos cumpridores de históricos papéis na afirmação da democracia brasileira;

DECLARAR, por fim, a sua compreensão de que não há desenvolvimento sem justiça e paz social, como não há boa governança sem coerência constitucional, e tampouco pode haver Estado Democrático de Direito sem Estado Social com liberdades públicas.

Brasília (DF), 19 de outubro de 2018.

CLÁUDIO PACHECO PRATES LAMACHIA

Presidente do Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB)

GUILHERME GUIMARÃES FELICIANO

Presidente da Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do
Trabalho (Anamatra)

LEONARDO ULRICH STEINER
Secretário-Geral da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB)

ÂNGELO FABIANO FARIAS DA COSTA

Presidente da Associação Nacional dos
Procuradores do Trabalho (ANPT)

CARLOS FERNANDO DA SILVA FILHO

Presidente do Sindicato Nacional dos
Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait)

ALESSANDRA CAMARANO MARTINS
Presidente da Associação Brasileira dos
Advogados Trabalhistas (Abrat)

MARIA JOSÉ BRAGA
Presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj)



Podem ter roubado seus dados do Facebook para influenciar a eleição

October 19, 2018 13:07, par Blog do Arretadinho

 Alerta! Podem ter roubado seus dados do Facebook para alterar o resultado da eleição para Presidente do Brasil, divulgando mentiras e desinformação de forma massiva pelo WhatsApp com recursos ilícitos.

Por Renata Mielli* no Portal Vermelho

Por enquanto a afirmação acima é apenas uma suposição, já que não há dados suficientes que me permitam afirmar que isso ocorreu de fato. Mas o alerta é fundamental e o questionamento muito pertinente, já que se trata de uma interferência grave que pode alterar o resultado da eleição, e isso é um crime contra a democracia.

O tema é ainda mais relevante porque não parte de uma teoria conspiratória, parte da premissa de que isso já aconteceu, pelo menos na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do resultado do plebiscito para que o Reino Unido se retirasse da União Europeia, que ficou conhecido como Brexit.

Nos dois episódios acima e na eleição brasileira há um personagem comum: Steve Bannon.

Além disso, em todos os casos ocorreu um fato importante – o vazamento de dados de usuários do Facebook, que ficou conhecido como escândalo do Cambridge Analytica.

Uma breve retrospectiva do escândalo

Em 2015, dados de mais de 80 milhões de usuários do Facebook foram coletados de forma indevida por um aplicativo que tinha autorização para realizar uma pesquisa acadêmica sobre comportamento baseado em psicometria na rede social. Esses dados foram vendidos para uma empresa de tecnologia britânica, Cambridge Analytica, que os usou para influenciar de forma definitiva as eleições nos Estados Unidos em 2016. Parte dos dados também foram usados por outras empresas para influenciar na campanha do Brexit no Reino Unido.

E quem foi o estrategista e mentor intelectual desse processo? Steve Bannon, que foi vice-presidente da Cambridge Analytica, e conselheiro e estrategista da campanha de Donald Trump. Bannon foi braço direito do presidente norte-americano até agosto de 2017, quando foi demitido.

Quem é Steve Bannon

Bannon é um ultraconservador de direita que tem atuado para desestabilizar governos em várias partes do mundo. Ele é o fundador do site de ultra-direita BreitBart News e é um dos articuladores de um movimento nacional-populista na Europa.

Bannon tem trabalhado para produzir uma onda nacionalista, de caráter xenofóbico e racista. Para disseminar suas mensagens e atingir a emoção das pessoas a seguir a sua ideologia populista de direita antistablishment, como ele mesmo denomina, o estrategista utiliza os dados pessoais coletados de forma indevida das plataformas — principalmente o Facebook.

Com informações como gênero, faixa etária, religião, interações, buscas realizadas e outros dados, é possível traçar um perfil psicológico, e com os números de telefone vazados direcionar desinformação, mentiras que reforcem os medos e preconceitos e, assim, alavancar candidaturas ou destruir outras através do submundo do WhatsApp.

E o que tudo isso tem a ver com a eleição no Brasil?

Bom, vamos a cronologia dos fatos.

Em agosto de 2018 Eduardo Bolsonaro se encontra com Steve Bannon em Nova York, onde acerta uma “contribuição” do estrategista político a campanha do pai. Ele tuitou o encontro no dia 03 de agosto: “Conheci hoje Steve Bannon, estrategista da campanha de Trump. Conversamos e concluímos ter a mesma visão de mundo. Ele afirmou ser entusiasta da campanha de Bolsonaro e certamente estamos em contato para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.

À revista Época, o filho de Bolsonaro afirmou: “Bannon se colocou à disposição para ajudar. O suporte é dica de internet, de repente uma análise, interpretar dados, essas coisas”.

Bem, entre os dias 14 e 18 de setembro ocorre um ataque ao Facebook explorando três falhas de segurança nos tokens de acesso de quase 90 milhões de contas. A informação só veio a público no dia 25 de setembro, uma semana depois, quando a plataforma desconectou automaticamente cerca 90 milhões de usuários, mas sem fornecer maiores detalhes do vazamento.

Nesta quarta-feira, 17 de outubro, uma atualização da notificação de segurança foi enviada pela plataforma para os usuários que tiveram comprovadamente suas contas afetadas. Eu sou uma delas. Nesta notificação, há um detalhamento de quais informações foram coletadas. 

Minha conta do Facebook foi afetada por esse problema de segurança?

Sim. Com base no que descobrimos até o momento em nossa investigação, os invasores acessaram as seguintes informações das contas do Facebook: Nome, Endereço de e-mail principal, Número de telefone mais recente adicionado, além disso, os invasores acessaram outras informações das contas, como:

. As seguintes informações associadas à conta do Facebook: Nome de usuário, Data de nascimento, Gênero, Tipos de dispositivos usados para acessar o Facebook, O idioma escolhido para usar no Facebook.

. Se você adicionou as seguintes informações específicas à conta do Facebook, elas também foram acessadas: Status de relacionamento, Religião, Cidade natal, Cidade atual, Trabalho, Educação, Site.

. As dez localizações mais recentes nos quais você fez check-in ou foi marcado. Essas localizações são determinadas pelos locais mencionados nas publicações, como pontos de referência ou restaurantes, e não pelos dados de localização de um dispositivo.

. As 15 pesquisas mais recentes inseridas na barra de pesquisa do Facebook.

. Páginas ou pessoas que você segue no Facebook.


Com base no que descobrimos até o momento em nossa investigação, os invasores não conseguiram acesso a determinadas informações, como: Senhas de contas, Informações de cartão de crédito ou de pagamento.

Será que estamos diante de uma interferência na eleição brasileira?

Até 18 de setembro, Bolsonaro estava crescendo dentro da margem de erro nas pesquisas. Ele estava em segundo lugar oscilando entre 26 e 28% das intenções de voto. No dia 14 de setembro, Fernando Haddad assume oficialmente a candidatura a presidente e começa a crescer.

Bolsonaro começa a despontar no final de setembro e é na primeira semana de outubro que cresce uma onda conservadora que resulta numa votação expressiva do candidato do PSL à presidência e de outras candidaturas ligadas a ele, algumas desconhecidas e que nem apareciam nas pesquisas como o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e no Rio de Janeiro, Romeu Zema.

Nesta quinta-feira (18), o jornal Folha de São Paulo trouxe reportagem de capa dizendo que empresários estão comprando envios em massa no WhatsApp para divulgar os conteúdos de Bolsonaro. Além de o fato ser crime eleitoral, porque configura caixa 2, é preciso perguntar: como estão construindo essa base de contatos telefônicos de WhatsApp? Lembre-se que o Facebook já confirmou acima que um dos dados vazados é exatamente o número de telefone dos usuários.

Claro que tudo pode ser apenas mera coincidência. Mas o papel de um jornalista e das organizações sociais é questionar, fazer perguntas. Como se desenvolve essa campanha de Bolsonaro? Como a campanha está conseguindo esses contatos telefônicos para envio de mensagens em massa de mensagens de WhatsApp? Como Steve Bannon está ajudando de fato na campanha?

E ainda:

1- Há ou não relação entre a enxurrada de mentiras e desinformação que o candidato do PSL coloca na rede com o vazamento dos dados do Facebook?
2- Quantos usuários brasileiros foram afetados pelo vazamento?
3- De que regiões do Brasil?

Ainda não há informações de quantos usuários brasileiros foram afetados, mas pipocam relatos de pessoas em todo o país dizendo que receberam a notificação do Facebook. Esse episódio configura gravíssima quebra de privacidade dos usuários e a rede social deveria prestar informações mais detalhadas além da origem do ataque.

Isso é relevante porque o padrão de campanha de difamação utilizando o WhatsApp e o Facebook promovido por Bolsonaro se assemelha muitíssimo à campanha de Trump e do Brexit.

O TSE, que até o momento está inerte diante de uma campanha impulsionada por mentiras e difamação, deveria cobrar explicações mais rigorosas do Facebook – principalmente porque a Lei eleitoral beneficiou essa plataforma ao permitir que as campanhas pagassem para impulsionar posts de candidatos no Facebook.

O Tribunal deveria, também, cobrar explicações de Bolsonaro sobre a participação de Steve Bannon em sua campanha, um homem que está atuando em vários países de forma no mínimo questionável.

O envio massivo de mensagens via WhatsApp também tem que ser apurado. O ex-diretor do DataFolha, Mauro Paulino, diz que as pesquisas no final do segundo turno são incompatíveis com o resultado da eleição e que os institutos identificaram na reta final uma onda que pode estar relacionada ao uso massivo e indevido de mensagens via whatsapp para impulsionar as candidaturas no RJ, DF e MG.

Não podemos ficar numa zona cinzenta e cheios de dúvidas sobre se houve ou não uma intervenção indevida no processo eleitoral do país.

Precisamos saber, ou melhor, temos o direito de saber se o vazamento de dados pode estar sendo utilizado para manipular as eleições no Brasil.

*Jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.