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April 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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O jornalismo barnabé e a derrubada de Dilma

September 3, 2016 19:48, by Blog do Arretadinho

Em ato contra o impeachment na quinta-feira 1º, em Porto Alegre,
a mídia foi alvo dos manifestantes
Foto Daniel Isaia / Agência Brasil
Na ruptura institucional de agora, o papel da mídia foi mais relevante que o de Eduardo Cunha
por Mario Vitor Santos
na CartaCapital

Este golpe não aconteceria sem a liderança da mídia. Ela foi a protagonista de primeira hora. Desde cedo, os jornais se incomodavam com o que consideravam “fraqueza” da oposição aos governos petistas e se dispuseram assim a substituí-la. 

Para a ruptura institucional de agora, a mídia foi mais importante do que Eduardo Cunha. Antes de Cunha reunir as condições para desatar o impeachment, a mídia já tinha cerrado fileiras, engatado o revezamento de esforços complementares.

Foi a mídia que, afinal, fustigou o governo na sucessão das manifestações de 2013, orientou seus desdobramentos cada vez mais contrários às motivações iniciais, amplificou e convocou a reação à Copa, encorpou a sublevação contra o resultado das urnas de 2014 e sepultou o período de trégua pós-eleitoral.

Para isso, foi preciso relativizar preceitos capitais do jornalismo, como o de dar voz a todos os lados e, portanto, o da presunção de inocência. Foi nesse ambiente  que necessárias apurações anticorrupção, um tema jornalístico, descambassem para a derrubada do governo eleito, com base em pretextos.

De duas uma, ou a mídia estrutura o golpe ou faz jornalismo, cuja essência, como se sabe, é a reportagem. Faz jornalismo quem tem repórteres para apurar notícias. O trabalho dos repórteres nutre-se da obtenção de informações por meio de investigação independente, desligada de interesses de poderes oficiais e privados.

O trabalho exige a checagem prévia, autônoma e ponderada de informações por meio do confronto com outras informações, chocando e registrando versões muitas vezes contraditórias. Demanda o veto de informações suspeitas ou apressadas, extirpando especialmente as que podem estar contaminadas por viés político.

É por isso que o bom jornalismo é o jornalismo da dúvida. O bom jornalismo se vale de fontes plurais, segue diferentes linhas de investigação, tenta construir um retrato dos acontecimentos e suspeita sempre do que os poderosos, de todos os lados,  pretendem trazer ou ocultar do conhecimento geral. O bom jornalismo age com contenção e toma cuidados.

Não foi isso o que aconteceu no Brasil, como registraram veículos da mídia internacional. Os “furos”, informações exclusivas e inéditas, que são a razão de ser do jornalismo investigativo, não existiram. Os meios de comunicação foram veículos de “vazamentos”, ou seja, de informações obtidas, recortadas e liberadas por três fontes principais, todas oficiais: o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e a Polícia Federal.

Em estratégia assumidamente calculada de uso da mídia, eles comandaram o noticiário. O ritmo da cobertura foi ditado pelas autoridades que também regulavam a dosagem, os personagens em foco, o sentido e o contexto.

Para os jornalistas, o grosso do trabalho chegava pronto. Não havia esforço maior de checagem. Repórteres e editores procuravam mostrar-se confiáveis aos fornecedores, que realizavam verdadeiros leilões de vazamentos entre os veículos. Ouvir o outro lado passou a ser um preceito muito subversivo no jornalismo atual. O grande jornalismo brasileiro rebaixou-se. Não é à toa que inexistem profissionais  homenageados na cobertura dessa operação.

Contribuiu ainda para esse desfecho um outro poder tão poderoso como desconhecido do grande público: as empresas de estratégias de comunicação consorciadas ou não com as associações de classe. Ambas constituem em seu conjunto máquinas de influenciar cada vez mais a agenda dos veículos, impor seus temas, agir sobre a temperatura das redes sociais, ditar os humores do país. A busca pela verdade teve diante de si obstáculos inéditos. Fracassou, e o país fica então com as consequências de um jornalismo transfigurado em seu oposto: mera ideologia. 

*Mario Vitor Santos é jornalista, Knight Fellow da Universidade Stanford (EUA). Foi ombudsman e secretário de Redação da Folha. 



O Golpe foi consumado, mas isso não é o fim

September 3, 2016 19:29, by Blog do Arretadinho

Dilma no Ato pela democracia no Teatro dos Bancários em Brasília, 24/08/2016
Foto de Brito Júnior
Dilma venceu Cérbero e nos mostra que venceremos o Golpe 
por Paulo Vinícius Silva

O Golpe foi consumado, é certo, mas isso não é o fim, a luta continua. E o maior exemplo foi dado pela Presidenta Dilma, a quem coube enfrentar a duríssima batalha que desmoralizou o próprio golpe, e cujo corolário é o fato de ter sido impossível ao Senado cassar-lhe os direitos políticos, a primeira grande vitória na luta contra o golpe. Isso é tanto mais importante quando aprofundamos a compreensão de que o Golpe não se trata da Presidência, apenas, mas da desconstrução dos avanços contidos na CLT, na Constituição de 1988 e na vitória contra a Ditadura, acrescida dos avanços obtidos desde a vitória de Lula à Presidência da República.

Talvez, só a assinatura da Lei Áurea – e há muito o que se questionar sobre o episódio – tenha conferido papel tão decisivo às mulheres na História do Brasil. Mas, desta vez, não há dúvida quanto ao protagonismo, à fidelidade ao lado representado e à coragem encarnadas na Presidenta Dilma. Em tempos de internet e de celulares conectados, expôs-se ao mundo em tempo real a vilania do golpismo. Todavia, o Partido da Imprensa Golpista e nossos erros na própria luta em curso poderiam ter levado à legitimação do golpe.

Trata-se de uma luta heroica, dessas que, para explicar, apelamos aos mitos gregos. O golpe já era realidade há meses. Impediram o voto popular de decidir desde 2014. Para derrubar a Dilma, entregar o Pré-Sal, rasgar os direitos do povo, inviabilizaram seu mandato. A derrota era certa e como é duro posicionar-se diante da derrota anunciada. E nesse ambiente, marcado pela confusão e pelas fragilidades intrínsecas e acessórias à força dirigente do processo, o Partido dos Trabalhadores, Dilma pôs-se de espada e escudo em punho para enfrentar as três cabeças de Cérbero, o mítico cão monstruoso que resguardava os portões do Tártaro, o inferno da mitologia grega, cuja ferocidade se dirigia aos que ansiavam por se livrarem daquela terra de sofrimentos. Reitero: o golpe já fora dado, mas a reação a ele poderia ter sido de tantos modos, que coube à Presidenta Dilma conduzir-nos para esse confronto e ela própria enfrentar a criatura nefasta, por isso é importante entender e tirar as devidas lições do episódio que ilumina a próxima etapa da resistência.

A primeira cabeça monstruosa que Dilma enfrentou foi a das mentiras urdidas para legitimar o Golpe. A sessão de mais de 14 horas em que ela enfrentou a súcia do Senado será lembrada na História, e foi a sua atitude, sua postura serena e firme, seu brilho que impediram a farsa de se manter de pé. Um a um, uma a uma, vimos os e as golpistas tombarem diante da verdade pura e simples da ilegitimidade do golpe.

A segunda cabeça monstruosa que Dilma abateu foi a do hegemonismo e da tibieza que se expressaram no anticlímax provocado pelas declarações do Presidente do PT, Rui Falcão, e de quem o apoiou, quando em nome da Frente Brasil Popular, posicionou-se contra as mobilizações levadas a cabo pela Frente Povo Sem Medo no dia 31 de agosto, unicamente porque continham a consigna “Que o Povo Decida”, e a sua inacreditável, reprovável, obtusa e grosseira rejeição à palavra de ordem do Plebiscito após a declaração da própria Presidenta Dilma. Ora, quem é da luta social sabe o efeito devastador que isso teve no último mês de mobilização contra o Golpe. Foi a expressão mais acabada do limite que o hegemonismo impõe à unidade das forças democráticas, patrióticas e dos trabalhadores e trabalhadoras, um tiro no pé na unidade do nosso campo, a razão de pulularem as especulações sobre o apoio do PT à Presidenta Dilma. Aqui, complicou. Poderia ter sido um Deus nos acuda e o anticlímax se sentiu por toda parte.

Mas, Dilma foi unindo ponta a ponta, incorporou a defesa das Diretas como o caminho da pacificação democrática pela afirmação da soberania popular; embalou a primavera feminista como um ascenso de participação que supera a divisão e as correntes. Fez a sua defesa reafirmando a nossa unidade em tudo, superando a esquerda, ampliando as bandeiras para a defesa do campo que se insurge contra o Golpe, da defesa da Democracia, da Soberania ameaçada e dos direitos do povo e da classe trabalhadora. Naquele momento, toda a insegurança, toda a divisão, todo o hegemonismo se mostraram vãos, e um despertar foi ocorrendo por todo o país. Naquele dia, estávamos na Esplanada, e não estávamos triste, não se viam choros. Dilma enfrentara por nós os fantasmas de nossos próprios medos, e matara a segunda cabeça de Cérbero, guardião dos padeceres sem saída, estávamos eletrizados porque unidos, porque na luta, porque acreditamos em nós mesmos e na vitória. Mas este ente organizativo da unidade ainda engatinha. Todavia, as mobilizações espontâneas, ferozmente reprimidas por todo o país são filhos daquela coragem. E sua fala ao final do Golpe abre uma nova onda de mobilizações, indispensáveis nessa fase da resistência. E a luta pelas eleições diretas está no centro, contra o golpismo

Já a terceira cabeça do Cérbero que Dilma cortou foi a do ineditismo do seu gesto face à às forças que levaram Getúlio Vargas ao suicídio heroico, Jango ao exílio e à cilada e ao envenenamento. Diante do incontornável padecer, ela nos ensina a valiosa lição da coragem que resta. Ela encarna a coragem de todas as mulheres que, no passado e no presente, desempoderadas, cuidaram sozinhas das famílias, inclusive quando os maridos estavam na luta, na prisão, desaparecidos, e elas estavam na luta sem ribalta, sem estátua, aquela luta do sofrimento diário, sem menções, como a dos agricultores e agricultoras que lavram a terra, como a da clandestinidade que não tem horizonte de se findar, e que obriga, antes de tudo, à sobrevivência com discrição, e à resistência do silêncio face à tortura. Dilma não se matou, não fugiu, sequer tremeu. Seus algozes, outra vez, empalideceram frente aquela firmeza. Ela nos deu a mensagem da sobrevivência. E eles não puderam cassá-la, não puderam.

Exemplos muitos de heroísmo há, de martírios, de superações. Todavia, quantas vezes pudemos contar que uma mulher liderasse um país da dimensão do Brasil, ocupando esse lugar central, e com essa formidável contribuição individual? Procuro e não encontro. Também esse feito ficará na História e terá consequências irresistíveis pelo exemplo que encerra, pelas portas que abre ás mulheres na luta do povo. Poderemos muito mais com as mulheres que Dilma motiva, e com a ternura e admiração que ela inspira em nós, homens, nesse aprendizado do emancipacionismo, tão difícil e tão importante na luta pelo socialismo.

Foi ela quem deu a senda da vitória diante da adversidade. O Golpe não pode expor à luz sua carranca inominável. Estamos unidos. E ela está viva, conosco, e a luta continua, sempre.



É grelo duro contra o Golpe – Mulheres tomam as ruas !!

September 3, 2016 14:06, by Blog do Arretadinho

Foto: Caco Argemi -Mídia NINJA

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

Leio no Mídia Ninja, deliciado, um post com as palavras seguintes: “Porto Alegre é grelo duro contra o golpe!” Vejo a foto, linda, que está sob uma luz de rara beleza, mergulhada em uma atmosfera de intima coesão, ampliada ainda pela ressonância oferecida pelos arcos em torno. E vejo, em primeiro plano na imagem, uma jovem que segura um cartaz, bem no centro da cena, com duas palavras apenas: GRELO DURO.

Penso: é isso aí, não podia ser mais politicamente acertado. Contra um golpe misógino, um governo com um ministério só de homens políticos, ou melhor, paleolíticos, que arma pode ser mais letal senão o Grelo Duro?

Sim. Grelo duro contra o Batalhão de Choque. Grelo duro contra o Golpe. Não só em Porto Alegre, que tem o mérito de ter saído na frente, mas no Brasil inteiro, tem que por nas ruas o grelo duro contra o golpe fascista.

Cada época de rebelião política inventa a sua fantasia militante, a sua erótico-política, como fez o movimento hippie com o “Faça amor, não faça a guerra”, ou o Maio de 1968, com essa pichação nos muros:

"Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.
Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor".

Mas quando vence um fascismo, ao contrário, ele impõe a sua perversão castradora. Contra essa perversidade dos vilões, contudo, a história costuma inverter as coisas para o gozo dos rebeldes.

Foi assim como a marcha das vadias, que nasceu de uma reação ao senso perverso de um policial no Canadá. Em janeiro de 2011, depois de várias ocorrências de abuso sexual na Universidade de Toronto, o policial Michael Sanguinetti recomendou que "as mulheres evitassem se vestir como vadias (sluts), para não serem vítimas".

Nada sutil, o policial, com sua típica percepção de tira, culpava as mulheres pelas violências de que eram vítimas. A Marcha das Vadias nasceu assim, com um protesto de três mil pessoas nas ruas daquela cidade.

A Marcha foi um ninja bem aplicado na repressão, simbólica e comportamental, e tem protagonizado o desmascaramento continuado da retórica da perversão. A cada edição da Marcha, em cada lugar do mundo onde ela acontece, se coloca de novo o dedo na ferida do moralismo perverso.

No caso do Brasil, o carcereiro mór da masmorra de Curitiba, Sérgio Moro, como quem espalha vídeos íntimos na internet, tentou desmoralizar Lula com a divulgação, de conversas gravadas ilegalmente. Mas o efeito foi o contrário, as mulheres adoraram:

LULA: Nós vamos pegar esse de Rondônia [o procurador que torturava a mulher] agora e vamos botar a Fátima Bezerra e a Maria do Rosário em cima dele.

VANNUCCHI: Isso mesmo.

LULA: (...) Faz um movimento da mulher contra esse filho da puta. Porque ele batia em mulher, levava ela pro culto, deixava ela se fuder, dava chibatada nela. Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?

VANNUCCHI: É isso aí. Sua fala foi muito boa.

O dedo duro de um juiz carcereiro se quebrou contra o grelo duro simbólico. O que deveria gerar escândalo, na cabeça do juiz que foi doutrinado nos Estados Unidos, e que imaginou envergonhar, constranger, um líder como Lula, ao expô-lo no uso de uma expressão insólita, deu o resultado totalmente contrário.

Lula, exposto por Moro, criou e trouxe à público a melhor expressão para definir o empoderamento, e a desrepressão, das mulheres no momento de hoje.

No combate contra a Ditadura Militar, na década de 1980, havia um número enorme de mulheres engajadas, como se dizia. Nas universidades, ocupavam muitas vezes a liderança, e dirigiam muitos centros acadêmicos e diretórios estudantis.

Mas as mulheres hoje não só estão presentes, mas são maioria ativa. Essa é a grande diferença. Basta olhar a foto que ilustra esse artigo. Basta lembrar que há dois dias, Déborah Fabri, uma jovem, foi quem foi atingida e perdeu a visão no combate nas ruas. Se tudo isso não bastasse, observem os dados abaixo, que mostra que as mulheres dominam entre os leitores de O Cafezinho. E mais: que predominam com folga na faixa mais ativa na rejeição ao golpe nas ruas, essas entre os 18 e 24 anos. Enfim, podem escrever, vai ser osso duro de roer, ou melhor, o Brasil já é grelo duro contra o golpe.



Dilma: 'Ditaduras não precisam ser militares, podem ser disfarçadas'

September 3, 2016 11:35, by Blog do Arretadinho

Foto do Telegram
Em entrevista à imprensa internacional, ex-presidenta criticou violência contra manifestantes que rechaçam Temer. "Quando temos medo das palavras, começam as arbitrariedades", disse

por Redação RBA

São Paulo – “É a segunda vez que votam meus direitos políticos. Fui condenada três vezes na ditadura (1964-1985). Ontem, como hoje, ilegítimo”, definiu a ex-presidenta Dilma Rousseff, em entrevista concedida hoje (2) para a imprensa internacional. Ao traçar paralelos entre os golpes, mostrou preocupação sobre o futuro: “Prefiro a voz surda das ruas do que os silêncio das ditaduras (…) sei como começa e como termina a história”.

“As pessoas vão para as ruas e vem a repressão. Cegam uma menina. Depois, matam alguém, como foi com o estudante Edson Luís (1968). Então dizem que a culpa é do manifestante, pois a violência partiu deles. Isso que ninguém da minha geração pode compactuar. O terrorismo do Estado é gravíssimo. O poder dele para reprimir é muito forte. Assim começam as ditaduras. Não precisam ser militares, podem ser civis disfarçadas”, afirmou em referência às recentes ações violentas da Polícia Militar contra atos contrários ao governo de Michel Temer (PMDB).

Ao lado de seu advogado e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, Dilma respondeu aos jornalistas de forma descontraída, sem deixar de lado a seriedade do momento. “Temos que debater. Não é possível o tipo de repressão que estamos vendo. Não é possível que não se possa falar o que quiser, como 'Fora, Temer'. Quando começamos a ter medo das palavras, começa a arbitrariedade. Temer as palavras leva a isso. Veja, jamais tivemos medo das palavras, conheço uma ditadura na pele”, disse.

Em relação ao processo de impeachment, Dilma lamentou que, junto com ela, “foi julgada a democracia”. “Acho gravíssimo que um programa não eleito nas urnas seja executado. Parte da sociedade vai entender isso progressivamente. Infelizmente perdemos e espero que saibamos como reconstruir a democracia. Também espero que sejamos capazes de ter a clareza de que isso nunca mais pode acontecer”, disse. “O golpe parlamentar atua como um parasita que corrói a democracia”, completou.

Dilma argumentou que, com alterações na economia mundial, o Congresso arquitetou formas de desestabilizar seu governo. Além do impeachment, as ações do Legislativo aprofundaram a crise. “A crise econômica começa no final de 2014 nos países emergentes (…) No Brasil, o maior componente foi a crise política. Ela impede sistematicamente a retomada do crescimento econômico. Ao longo de 2015, tivemos todos os projetos negados pela Câmara ou aceitos com alterações. Também tivemos as pautas-bomba”.

“O segundo ponto importante foi a ação do ex-presidente da Casa e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é o grande articulador do golpe. Houve uma deliberada tentativa de desestabilizar o meu governo. Além de não aprovar o que mandávamos, eles ampliaram os gastos. Chegamos ao ponto de R$ 130 bilhões em estoque de pautas-bomba no Congresso. Em 2016 piorou: o Legislativo não funcionou. Do dia da abertura, até cinco dias antes de meu afastamento, nenhuma comissão funcionou na Casa”, disse a petista.

Dilma criticou o argumento para sua deposição e ressaltou pontos positivos das gestões petistas nos últimos 13 anos. “Senadores do PSDB e do DEM dizem que os motivos pelo impeachment e as causas da crise são o Plano Safra e os decretos de crédito suplementar. Isso é ridículo, é subestimar a inteligência das pessoas (…) Hoje, o Brasil tem fundamentos sólidos: US$ 378 bilhões em reservas, quando o FHC deixou o governo tinha US$ 34 bilhões. Nossa dívida não é mais denominada em dólares, e sim em reais. Isso significa que controlamos nossa economia, diferente nos tempos anteriores, onde qualquer crise no exterior causava uma corrida contra o real”, argumentou.

Mudanças
Dilma reafirmou seu apoio à convocação de eleições diretas e afirmou que mudanças são necessárias no modelo político brasileiro. “Não existe uma ação homogênea de partidos no Brasil. Por isso, quando propusemos um plebiscito para chamar eleições, falamos de reforma política. Precisamos criar governabilidade. Veja, o FHC precisou de três partidos para obter maioria simples no Congresso e quatro para a composta. Lula precisou de oito e 11. Eu precisei de 14 e 20. Isso, além de que os partidos não tem unidade, na hora de votação, atuam por interesses”, disse.

“Temos que trabalhar para aprofundar o caráter programático dos partidos. Ninguém terá uma governabilidade que não seja 'toma lá, dá cá'. É difícil conviver neste sistema se você tiver convicções. Por isso me chamam de dura, porque recuso e recusei (negociatas). Ora, Cunha queria que três deputados do PT votassem contra sua cassação para que não passasse o impeachment. Não é porque me retiraram da presidência que este processo amenizou”, completou.

Questionada sobre atuações futuras, Dilma disse que nunca deixou a política de lado, mesmo sem atuar em cargos eletivos. “Sempre fiz política sem ter mandato. Não fui presa durante a ditadura enquanto parlamentar. Fui militante e presidente. Não tenho nenhum projeto muito claro, mas para mim, a política é quando me coloco a questão: 'O que acho correto, o que posso fazer para o conjunto de homens e mulheres que dividem comigo este tempo histórico?'. Política é a obrigação de pensar nos outros, não apenas (de forma) partidária”, concluiu.



Partidos Comunistas da AL repudiam golpe no Brasil

August 31, 2016 20:17, by Blog do Arretadinho

Os partidos comunistas e revolucionários da América Latina reuniram-se no Peru e repudiaram o golpe parlamentar no Brasil
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Não pensei que, após o impedimento do ex-presidente Collor, eu voltaria a escrever sobre este tema e, pior, sobre o impedimento da primeira presidenta mulher do Brasil que não cometeu nenhum crime, concluído em um processo fraudulento e com o aval da suprema corte brasileira, nesta fatídica quarta-feira (31).

E neste contexto, os partidos comunistas e revolucionários da América Latina e do Caribe reuniram-se de sexta (26) a domingo em Lima, Peru, num encontro para analisar a atual conjuntura regional, as experiências de governo, de lutas políticas de massas e o embate contra a ofensiva neoliberal e conservadora.

No encerramento, foi aprovada por aclamação uma moção de solidariedade ao povo brasileiro e de dura condenação ao golpe de Estado. Participaram do encontro representantes do PCdoB, PT e PCB.

Confiram a íntegra da moção:

Moção de Solidariedade ao Povo Brasileiro, à presidenta Dilma Rousseff, ao PT e ao PCdoB

Os Partidos Comunistas e Revolucionários reunidos em Lima, Peru, manifestam plena solidariedade ao povo brasileiro, a presidenta legítima, Dilma Rousseff, ao Partido dos Trabalhadores, ao Partido Comunista do Brasil e a todas as forças progressistas do país, no momento em que se realiza o golpe de Estado com caráter antidemocrático, antipopular e antinacional.

Este golpe pretende liquidar as conquistas democráticas, sociais e nacionais que o povo brasileiro obteve com a vigência, durante 13 anos, de governos progressistas de Lula e Dilma. O golpe de Estado no Brasil é parte da estratégia do imperialismo e das classes dominantes brasileiras de monopolizar o poder político como uma condição sine qua non para explorar o povo e saquear a nação.

As forças golpistas, durante o governo interino e usurpador nos últimos 100 dias, estão executando uma contrarreforma política, uma regressão antidemocrática do Estado brasileiro, a liquidação dos avanços sociais, total abertura ao capital financeiro internacional, o retorno da privatização, a submissão aos ditames do capital monopolista, e tem se comprometido a promover a derrogação das leis que garantem os direitos sociais e trabalhistas, e um retrocesso civilizatório, com ameaças de revogação de direitos civis e direitos humanos. 

No plano da política exterior, os golpistas estão liquidando as conquistas de uma política independente, que assegurou a integração regional, a solidariedade e a inserção do Brasil no mundo, a partir de uma visão contrária à hegemonia das grandes potências e em defesa da paz mundial

O golpe de Estado no Brasil é uma agressão a todos os povos e nações amigas da América Latina, e por isso o condenamos e rechaçamos energicamente. 



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