Carta aberta a Cristovam Buarque
August 1, 2016 1:06![]() |
| Biografia no lixo |
A quem o senhor engana falando em ‘nova esquerda’? Carta aberta a Cristovam Buarque.
Por Paulo Nogueira
no DCM
Esta é mais uma da série das Cartas Abertas aos Golpistas. O destinatário agora é Cristovam Buarque. No futuro, as cartas poderão ser reunidas num livro que recapitule o golpe de 2016.
Caro Cristovam:
Li outro dia o senhor falando numa “nova esquerda”. Senador: o senhor não tem vergonha de falar em “nova esquerda” quando se aliou ao que existe de mais putrefato na velha direita brasileira num golpe que destruiu 54 milhões de votos e, com eles, a democracia?
Como o senhor dorme, senador? A consciência não lhe pesa? Que mentiras o senhor conta a si mesmo para conviver com tamanha ignomínia?
Já tivemos tempo para verificar qual foi o real propósito do golpe. Os ricos são favorecidos e os pobres castigados. É assim que funciona, desde sempre, a plutocracia brasileira.
Por isso somos uma das sociedades mais desiguais e mais abjetas do mundo.
E o senhor está ao lado dessa calamidade. Contribuiu, com seu voto, para mais uma vitória da plutocracia que, no passado, matou GV e derrubou Jango.
Vou citar o nome de alguns de seus companheiros de jornada.
Eduardo Cunha. Bolsonaro. Malafaia. Todos aqueles deputados federais que viraram piada no mundo na sessão do impeachment. Janaína Paschoal.
Os irmãos Marinhos da Globo. A família Frias da Folha. Os Civitas da Abril.
Michel Temer. Renan Calheiros. Collor. Gilmar Mendes.
Todos os analfabetos políticos que, manipulados pela mídia plutocrata, vestiram a camisa da CBF e foram às ruas bradar pelo golpe. Os idiotas que bateram panelas, igualmente induzidos pela imprensa.
Os comentaristas e editores recrutados pelas empresas de mídia em seu jornalismo de guerra. Todos eles.
É uma amostra da escória à qual o senhor se juntou, senador.
Como homem da Educação, o senhor bem sabe o valor dos livros. Qual o papel que os livros lhe reservarão no futuro?
É uma pergunta fácil de responder. O de um fâmulo da plutocracia. O de um golpista.
O senhor atirou sua biografia no lixo. Seus descendentes serão obrigados a conviver com a infâmia de um antepassado que optou pelos privilegiados em detrimento dos miseráveis com argumentos cínicos.
E o senhor ainda ousa falar em “nova esquerda”. A quem o senhor engana, senador? Nem ao senhor, presumo. O senhor não é tão mentecapto para acreditar em tamanho disparate.
Sinceramente.
Paulo
Lula recorre à ONU e diz ser perseguido pelo juiz Sérgio Moro
July 28, 2016 20:44![]() |
| Foto Joaquim Dantas |
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quinta-feira (28) uma petição ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmando ser vítima de violação de direitos humanos em razão das ações da Operação Lava Jato.
Segundo a petição, Lula se diz perseguido pelo juiz Sergio Moro, responsável pela operação na primeira instância, a quem acusa de abuso de poder.
A defesa de Lula reclamou o que considera “atos ilegais” praticados por Moro, entre eles a gravação e divulgação de conversas privadas dele com advogados e também com a presidenta afastada Dilma Rouseff, além da condução coercitiva para um depoimento no dia 4 de março.
A peça foi protocolada na sede do Comitê, em Genebra, na Suíça. Segundo a defesa, o documento é uma resposta aos atos de Moro, que “não podem ser satisfatoriamente corrigidos na legislação brasileira".
Conforme a petição, Lula pode sofrer violações de direitos humanos e abuso de poder por parte de Moro e dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato. Entre as possíveis violações, o documento lista “invasão de privacidade, prisão arbitrária, detenção antes do julgamento, presunção de culpa e incapacidade de afastar um juiz tendencioso”.
No documento, a defesa informou que Lula sempre se submeteu voluntariamente a pedidos de interrogatórios da polícia ou do Ministério Público e que não procura o Comitê Internacional com a pretensão de estar acima da Lei.
"Como um ex-presidente, ele não exerce qualquer função ou detém qualquer privilégio, e sempre auxiliou a polícia e os procuradores quando chamado a prestar esclarecimentos em inquéritos policiais ou outros procedimentos investigatórios", acrescentou o documento.
Parcialidade
Além da declaração de que os atos de Moro foram ilegais, os advogados também pedem a declaração de parcialidade do magistrado e que investigação seja conduzida por um “juiz imparcial”.
“Lula busca uma decisão nesse sentido pelo comitê, na esperança e expectativa de que seus pontos de vista sobre essas queixas não só irão fornecer alguma compensação pela violação de seus direitos, mas vão ajudar os futuros governos na elaboração de leis e procedimentos que possam aprimorar o combate à corrupção, enquanto protegem os direitos básicos dos suspeitos”, destacou a peça.
Na petição, a defesa informou que, em razão da conduta adotada por Moro, Lula teve violado seu direito de presunção de inocência, estando ainda suscetível a ser detido e preso a qualquer momento.
“Esse juiz é conhecido por manter suspeitos da Operação Lava Jato presos por tempo indeterminado, em detenção, até que eles façam delação premiada. Eles não têm direito a habeas corpus ou acesso a um tribunal que decida pela sua soltura, a não ser um ‘tribunal’ composto pelo próprio juiz Moro. Embora o reclamante ainda não tenha sido preso, na qualidade de suspeito declarado ele está vulnerável.”
O documento citou as investigações em torno da suposta propriedade de Lula de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, e de um apartamento em Guarujá, no litoral paulista.
O ex-presidente nega as acusações e disse que apoia as investigações desde que sejam feitas de “maneira justa e transparente”.
“Ele [Lula] tem, repetida e enfaticamente, negado que tenha conhecimento, tampouco que tenha aprovado tais crimes ou recebido qualquer dinheiro ou favores como "propina" por ações ou decisões que ele tenha tomado quando presidente do Brasil, ou em qualquer outro momento”, concluiu a petição.
da Agência Brasil
Maioria da população vê ilegalidade no processo de impeachment, diz Vanessa
July 28, 2016 20:39![]() |
| Pedro França/Agência Senado |
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirmou que a maioria da população brasileira sabe que Dilma Rousseff foi afastada por ter perdido apoio parlamentar e não por ter cometido crime de responsabilidade.
Ela citou pesquisa Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, na qual os entrevistados foram perguntados se consideravam legal ou não o processo de impeachment em curso.
— Vejam, 49% disseram achar que o processo é legal, o que significa que a maioria não pensa que o processo seja legal. E isso diante de uma ofensiva dos meios de comunicação, que só passam uma versão dos fatos — afirmou Vanessa.
Em discurso no Plenário nesta sexta-feira (22), a senadora disse estar surtindo efeito o esforço da minoria parlamentar contrária ao impeachment, que é apoiada pela ação de entidades sindicais, de intelectuais e artistas, em todo o país.
— Acho que esse trabalho, apesar de ser um trabalho pouco visível para a grande maioria da população, tem surtido muito efeito. Estamos aqui trabalhando contra esse golpe. Não é impeachment, porque não há crime, então é um golpe — frisou.
Para Vanessa, Dilma Rousseff deve voltar ao poder e promover a antecipação das eleições.
— A crise da democracia não tem outra forma de ser resolvida a não ser com a própria democracia — disse, ao defender a manifestação da população nas urnas.
da Agência Senado
Quase metade dos municípios brasileiros só tem médicos dos Mais Médicos
July 28, 2016 20:32![]() |
| Profissionais do Programa Mais Médicos em Breves, no sudoeste da Ilha de Marajó. Foto: OPAS |
Quase metade dos municípios brasileiros só tem médicos do Mais Médicos. Cerimônia na sexta-feira (22) contou com participação de clínicos cubanos que estão entre os mais de mil médicos que devem chegar ao Brasil até o fim de agosto para substituir os médicos de Cuba que concluem atividades em território brasileiro neste ano.
O representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, Joaquín Molina, participou na sexta-feira (22) de uma cerimônia para acolher os novos profissionais do Programa Mais Médicos. Entre eles, estavam os cubanos, que atuam no país por meio de uma parceria entre os governos do Brasil e de Cuba e a agência regional da ONU.
Os clínicos cubanos que participaram do evento fazem parte de um grupo de mais de mil médicos que devem chegar ao Brasil até o fim de agosto. Eles estão providenciando a documentação necessária para, em seguida, serem enviados aos municípios selecionados pelo Ministério da Saúde brasileiro e substituírem profissionais que encerraram sua participação no programa.
Os médicos de Cuba que concluem as atividades entre agosto e outubro deste ano deverão ser substituídos a partir de novembro, depois dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e das eleições municipais.
O calendário foi definido para garantir que a população seja adequadamente atendida durante eventos que mobilizam uma grande quantidade de pessoas. Os que entrariam de férias também deverão adiar os dias de descanso para depois desse período.
“Quando começou o projeto de cooperação, um dos medos era a adaptação dos médicos à nova realidade de trabalho que encontrariam no país, dificuldades com idioma, idiossincrasia, cultura, principalmente em áreas como as indígenas”, explicou Molina.
“Mas vocês conseguiram derrubar esse mito. E os médicos cubanos ganharam rapidamente o apoio da população”, elogiou o dirigente da OPAS no Brasil, que destacou ainda que a iniciativa é o maior programa do organismo regional desenvolvido nas Américas.
Também presente, o ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, lembrou que “quase metade dos municípios do país só tem médicos do Mais Médicos” e que o projeto “é um grande sucesso, de grande aprovação popular”.
Segundo o chefe da pasta federal, a iniciativa tem garantido um atendimento de qualidade na atenção básica — setor onde os profissionais do programa atuam e que é fundamental para a prevenção de doenças e promoção da saúde.
Representando o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o secretário de Saúde do Distrito Federal, Humberto Fonseca, ressaltou que “hoje a atenção primária tem sido uma prioridade do Estado brasileiro em todos os níveis de governo”.
“O Programa Mais Médicos tem sido muito importante para levar saúde aos pontos mais distantes do nosso território, para as áreas mais vulneráveis, onde a população mais precisa”, completou.
do Instituti Lula
Justiça de São Paulo extingue ação contra reorganização escolar
July 28, 2016 20:04A juíza Carmen Cristina Fernandez Teijeiro e Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, extinguiu, na última terça-feira (26), a ação civil pública proposta pelo Ministério Público estadual e pela Defensoria Pública contra o governo do estado de São Paulo, devido à reorganização escolar anunciada pelo governo de Geraldo Alckmin, sem que houvesse debate prévio com os alunos, professores e comunidade, o que configuraria desrespeito ao processo democrático inserido na Constituição Federal.
As mudanças incluiriam o fechamento de 94 escolas e remanejamento 311 mil alunos, além da alteração da vida funcional de 74 mil professores. A falta de edição de ato disciplinar pelo governo e pelo Conselho Estadual de Educação também foi alvo de crítica.
O quinto item da ação, que foi julgado improcedente, refere-se ao pedido de que o estado estabelecesse, ao longo deste ano, uma agenda oficial de discussão “a respeito de política pública para a melhoria na qualidade da educação em São Paulo com as comunidades escolares”.
Segundo a juíza, não cabe ao Poder Judiciário intrometer-se na atuação administrativa impondo os termos de uma gestão democrática. A Justiça não poderia obrigar o estado a estabelecer a agenda de discussão sobre uma nova reorganização, de acordo com Carmem. “Ao Poder Judiciário incumbe exclusivamente apreciar a observância da lei, inexistindo, pois, amparo legal ao referido pleito”, diz na decisão.
Condicionamento
A juíza diz que os autores da ação pretendem condicionar a implantação da reorganização escolar à aprovação dos seus termos pelos pais, responsáveis, professores e conselhos de Educação, o que, segundo ela, “inegavelmente viola os poderes conferidos ao governador do estado pelo mandato eletivo”. Carmem acrescenta que não há base legal para esse condicionamento, pois não existe na legislação “a imposição de aprovação da comunidade envolvida com os rumos da política educacional”.
Para Carmem, o governador Geraldo Alckmin “pratica os atos administrativos orientados por seus critérios de conveniência e oportunidade, nos quais não é dado ao Poder Judiciário intervir”, baseada na separação dos poderes.
O julgamento de improcedência, que extingue o processo, implica na revogação automática de liminar ligada à ação civil pública.
Descumprimento da liminar
Durante o desenrolar da ação civil, surgiram denúncias de que o governo estava descumprindo a liminar e praticando uma “reorganização disfarçada”, violando a ordem judicial. O estado teria fechado salas de aula e até fechado escolas, transferindo alunos dos locais onde estavam matriculados em 2015. A Justiça, por sua vez, solicitou o cumprimento da liminar anteriormente expedida. Na última decisão, de 26 de julho, segundo Carmem, “afigura-se absolutamente inócua a apuração de suposto descumprimento da decisão liminar referida”, ou seja, parece-lhe sem utilidade tal apuração.
De acordo com a juíza, mesmo que comprovado o descumprimento da liminar por parte do governo Alckmin, seria inadequado determinar que alunos e professores retornassem às salas de aula e escolas que estavam no ano anterior em pleno segundo semestre.
A juíza considerou desnecessário o prosseguimento da ação no sentido de apurar o eventual descumprimento e disse que não haverá nenhum efeito jurídico decorrente de uma possível contatação dessa violação do estado, nem mesmo a incidência da multa diária fixada anteriormente caso a liminar fosse descumprida.
Outros itens da ação
Os primeiros quatro itens da ação perderam o objetivo de existir, segundo a juíza, após suspensão da reorganização. Os itens se referiam à permanência dos estudantes nas escolas em que já estavam matriculados em 2015; preservação dos ciclos e turnos de funcionamento das escolas, garantindo a matrícula de novos alunos; não fechamento das escolas, especialmente as 94 unidades que seriam fechadas no plano da reorganização; garantia de matrícula aos estudantes que foram compulsoriamente remanejados em suas escolas de origem.
A juíza entendeu que houve perda do interesse de agir dos autores devido à suspensão, pelo próprio governo, das medidas que faziam parte da reorganização escolar, incluindo as citadas acima. Como a reorganização foi suspensa, ela compreende que o MP e a defensoria não tinham mais porque continuar com tais itens da ação. O sexto e último item fixava multa diária pelo não cumprimento de qualquer obrigação a ser dada ao estado.
Suspensão da reorganização escolar
O governo do estado alegou no processo que o objeto da ação civil havia sido perdido, pois a reorganização escolar tinha sido suspensa, após manifestações e ocupações de alunos nas escolas contra as medidas, no final do ano passado. O estado justificou-se por meio da discricionariedade administrativa, que é a liberdade de entes públicos para agir de acordo com o que julgar conveniente a fim de satisfazer interesses coletivos, porém respeitando os direitos individuais.
Para o estado, o fechamento de escolas ocorreria devido à redução do número de matrículas na rede pública estadual de ensino nos últimos anos. No entanto, a Justiça concedeu liminar no início do ano para que fosse suspensa a reorganização, mantendo-se a situação anterior, “inclusive com a permanência dos alunos nas escolas em que foram matriculados em 2015”.
da Agência Brasil




