Campanha pela PEC do teto usa dados errados
Ottobre 11, 2016 19:42![]() |
| Foto Joaquim Dantas/Arquivo |
O esforço para ajudar a dupla Michel Temer-Henrique Meirelles a aprovar a PEC 241, que congela gastos públicos por 20 anos, atingiu o nível de um massacre, destinado a desqualificar a crítica e as possíveis vozes contrárias. A base de sua argumentação é que o Estado brasileiro assiste a uma explosão da dívida pública, que teria atingido níveis apocalípticos.
por Paulo Moreira Leite, no Brasil 247
O problema é que se trata de uma noção errada, apoiada em dados tecnicamente falsos, que se destinam a lubrificar a aprovação de uma medida que só interessa capital financeiro e grandes rentistas.
“Teto de gastos é remédio indispensável,” diz o título de um anuncio de quatro páginas publicado nos jornais de hoje. propaganda, “O Brasil tem jeito,” repete a FIESP, procurando assumir um tom paternal, no final da propaganda.
Em artigo assinado, o banqueiro Roberto Setubal, presidente do Itaú, afirma: “A dívida pública acelerou e ultrapassou 70% do PIB, acima da média de 50% de outros países emergentes.”
Para colocar dados reais numa discussão que não pode realizada de forma irresponsável, pois a aprovação da PEC irá gerar consequências particularmente nocivas ao país, lembro aqui trechos de um texto publicado neste mesmo espaço, em 19 de setembro, com o título: “Com medo do debate, governo apressar PEC de Meirelles.” Ali se informa que o núcleo da argumentação a favor da PEC, que denuncia um endividamento de 70%, está longe de corresponder a realidade.
Acho de grande utilidade para alimentar um debate produtivo e bem informado. Vamos lá:
“Quem se der ao trabalho de ler um artigo de Felipe Rezende, (Valor Econômico ,15/9/2016, página A 11) irá encontrar uma argumentação demolidora contra a PEC 241/16. Professor assistente de Economia em Genebra, a base técnica de Rezende é irrespondível.
Para começar, ele vai direto ao ponto – o volume da dívida bruta em relação ao PIB. Mostra que se os números de 2016 são altos – a proporção é de 69,5% do PIB – ainda são bastante confortáveis quando se compara com 2002, quando representavam nada menos do que 76% da riqueza bruta do país e ninguém achou necessário falar numa ditadura fiscal prolongada.
Sem fazer associações políticas com os governos de plantão em cada época, que seriam inteiramente desfavoráveis à gestão de FHC, Rezende discute o que interessa hoje, que é a tentativa de criar uma situação de alarme apocalíptico. Fala de “críticos (que) pregam de forma genérica e arbitrária que a elevação recente da dívida pública levaria ao calote ou a uma aceleração inflacionária.”
Nada disso, explica o professor, que faz uma lição de casa indispensável. Estudando a origem do aumento da divida, demonstra que o plano Meirelles tem como base uma confusão imperdoável entre economia real e contabilidade formal. Lembra que a dívida cresceu num período em que a transferência de títulos públicos para bancos federais atingiu 9,3%, uma operação de impacto real nulo sobre as obrigações do governo. Foi uma troca de papéis e não uma transferência de riqueza. Explica: “embora contabilmente essas operações tenham ampliado a dívida bruta, o impacto na dívida líquida foi neutro — já que esta subtrai os ativos financeiros das obrigações do governo.” A conclusão do professor merece manchetes garrafais:
Assim, escreve, a dívida líquida do setor público permanece nos menores níveis históricos. Por exemplo: em julho de 2016 era de 42,4% do PIB, enquanto em janeiro de 2002 correspondia a 52,3% do PIB.
É isso aí, meus amigos. Os anos de gastança de Lula e Dilma, que produziram a mais ampla distribuição de renda da história recente de nosso capitalismo, foram mais austeros do que o período FHC.
Depondo no Senado em defesa da gestão financeira do governo Dilma, o professor Luiz Gonzaga Belluzzo disse que quem criticava a presidente por ter realizado uma gestão temerária das finanças públicas não sabia do que estava falando. “Em minha opinião ela errou por ter sido responsável demais”, disse Belluzzo.
Os números de Felipe Rezende lhe dão razão. Se é tarde para reverter a deposição criminosa de uma presidente, ajudam a entender a necessidade de rejeitar um programa de impor uma recessão de 20 anos ao país.”
BC avisa que poderá emprestar até US$ 10 bi do FMI
Ottobre 11, 2016 19:33O Brasil poderá pela primeira vez fazer empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por meio de acordo bilateral.
Na última semana, na reunião do FMI em Washington, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, assinou o acordo bilateral e poderá emprestar até US$ 10 bilhões, se for necessário.
O total desta nova rodada de acordos bilaterais, que conta com a adesão de 26 países, é de USD 360 bilhões, informou o BC. O Brasil ainda não tinha participado desse tipo de acordo.
Entretanto, não é a primeira vez que o Brasil contribui com recursos de empréstimo para o FMI. O Brasil é credor do FMI desde 2009. Atualmente, o Brasil participa de um acordo semelhante aos acordos bilaterais, chamado de New Arrangements to Borrow (NAB), uma espécie de arranjo multilateral de empréstimo. Esse arranjo é composto atualmente por 40 membros e está vigente desde 2011.
O acordo bilaterial tem prazo final em dezembro de 2019, podendo ser prorrogado até 2020, se houver consentimento dos países. O último recurso que o FMI usa vem dos acordos bilaterais, caso haja necessidade. Segundo o BC, até hoje o FMI não utilizou nenhum recurso de acordos bilaterais. O recurso principal do FMI são as quotas. Depois delas, o FMI usa os recursos do NAB.
O BC explicou que, caso o FMI precise dos recursos previstos no acordo, o dinheiro não sairá das reservas internacionais. "As operações financeiras com o FMI não implicam diminuição das reservas internacionais.
As operações com o FMI representam simplesmente uma mudança na composição de nossas reservas, uma vez que a operacionalização do acordo bilateral com o fundo se dá por meio da compra de ativos do organismo internacional. Tais ativos são remunerados à taxa DES (taxa calculada com base em instrumentos financeiros dos cinco países-membros participantes da cesta DES – EUA, Japão, Reino Unido, Área do Euro e, agora, China). Ou seja, mesmo no caso em que os acordos bilaterais recém assinados sejam porventura utilizados pelo FMI, não há qualquer redução no montante de reservas internacionais", informou.
da Agência Brasil
PEC 241, que rompe pacto de 1988, é aprovada em primeiro turno na Câmara
Ottobre 11, 2016 5:57![]() |
| Sessão no plenário se estendeu por mais de nove horas e Câmara "abre mão de uma prerrogativa sua" Foto LULA MARQUES/ AGPT |
GOLPE 2Proposta de Emenda à Constituição passou por larga margem no plenário da casa na noite de hoje (10): foram 366 deputados a favor, 111 contra e apenas duas abstenções
por Redação RBA
São Paulo – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, considerada um dos pilares programáticos do governo Michel Temer e o maior golpe nos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988, foi aprovada na noite de hoje (10) por 366 votos a favor, 111 contra e duas abstenções. O último requerimento de obstrução da oposição foi rejeitado às 19h50.
O projeto cria um teto de despesas primárias federais reajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e, na prática, congela os gastos em saúde e educação por 20 anos. A PEC ainda precisa ser aprovada em segundo turno na casa.
Diante do clima de tumulto que tomou conta do plenário em vários momentos, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ameaçou suspender a votação e adiá-la para a semana que vem. A oposição usou a tática de obstruir os trabalhos, mas o rolo compressor do governo derrubou todas as tentativas. Vozes em off, de deputados da base do governo, podiam ser ouvidas durante a sessão, mostrando o açodamento da votação. “Vamos votar, vamos votar, presidente”, diziam parlamentares a favor da PEC enquanto deputados da oposição ocupavam a tribuna.
Pela importância da votação para o governo, Temer exonerou ministros para assumirem a vaga de deputados e votar na sessão de hoje. Foram os casos de Marx Beltrão (Turismo), Bruno Araújo (Cidades) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia).
Em discurso na tribuna, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que a Câmara está rompendo com o pacto instituído em 1988 com a promulgação da Constituição Federal em vigor. Antes, também da tribuna, o parlamentar afirmou que, ao votar “sim”, o parlamento renuncia a uma de suas principais atribuições, a de aprovar o orçamento anualmente.
“Vemos um parlamento impotente abrindo mão de uma prerrogativa sua. (Com a PEC) Temer diz que o parlamento não tem autoridade nem responsabilidade de fazer o orçamento público. Não é razoável que um tema de conjuntura seja colocado na Constituição Federal”, afirmou o comunista.
Segundo a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a aprovação da PEC é a “segunda fase do golpe”. Jandira criticou o “espírito autoritário” que tomou conta no plenário a favor da PEC: “Eduardo Cunha baixou. Baixou o espírito autoritário geral”, disse a parlamentar.
O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), conhecido por seu vínculo com o funcionalismo público, que votou pelo impeachment de Dilma Rousseff, votou contra a PEC e exortou os colegas a fazer o mesmo. “Não tenha medo de voar contra, saia do partido. O serviço público estará altamente prejudicado. Os que estão sendo conduzidos por essa jogada sórdida, votem abstenção, votem ‘não’ ou se ausentem. Se não puder votar ‘não’, se abstenha”, declarou.
Chico Alencar (Psol-RJ) afirmou que a proposta “devia se chamar PEC do Estado mínimo” e que deputados defenderam abertamente a “liberação de cargos” em troca de votações do governo. Alessandro Molon (Rede-RJ) acusou o governo de estar cometendo “um crime” contra a população.
Clarissa Garotinho (PR-RJ) se manifestou contra a PEC afirmando que o projeto “é para dar dinheiro aos bancos”. Ela lembrou que a PEC 241 prevê que uma eventual revisão da PEC só poderá ser feita pelo presidente da República, depois de dez anos em vigor. “Isso é uma vergonha. Mesmo quando o Brasil estiver no azul, vai continuar (em vigor o congelamento das verbas de saúde e educação).”
Os deputados da base de Temer argumentaram o tempo todo que a proposta é a “PEC da responsabilidade”. “É a emenda do emprego, dos nossos eleitores, do povo da Bahia e do povo do Brasil”, chegou a dizer o deputado José Carlos Aleluia (DEM/BA).
O relator, Darcísio Perondi (PMDB-RS), prometeu: "Depois vai ter a reforma da Previdência", e acrescentou: "Nós vamos ser aclamados nas ruas".
Decifra-me ou devora-me
Ottobre 10, 2016 22:51Decifra-me ou devora-me
Joaquim Dantas
O que eu vejo
nem sempre
é o que eu quero.
Quando sinto
quase nunca
me desespero.
No meu pranto
vira e mexe
me desencontro.
Quando sonho
em tese
não me lembro.
Sou um avuante
das minhas
convicções,
sou um socorrista
das minhas
emoções...
Vivo
apagando incêndios
que eu mesmo
provoquei,
mas
dos meus lamentos
só eu sei...
Foto Joaquim Dantas Fotografia®
@joaquimdantasdf
Barão das OSs esbanjava dinheiro público com baladas
Ottobre 10, 2016 20:58![]() |
| TV GLOBO/REPRODUÇÃO |
Mouhamad Moustafa, o Barão das OSs, faz revelações em áudios
Segundo o Fantástico, Mouhamad Moustafa é dono de um império e aplicava parte da verba da saúde com mulheres, viagens e artigos de luxo
Gravações telefônicas divulgadas pelo Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (9/10) confirmam como Mouhamad Moustafa, também conhecido como o Barão das OSs, gastava de forma perdulária recursos amealhados da saúde pública do Amazonas. Preso pela Polícia Federal no fim do mês passado pela operação Maus Caminhos, o médico e empresário é investigado pela suposta ligação com uma organização criminosa que desviava recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
A atuação de Moustafa chegou ao Distrito Federal. Duas organizações sociais, a Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea) e a Salvare Serviços Médicos, fizeram doações à campanha do governador Rodrigo Rollemberg em 2014.
Segundo o Fantástico, o médico “é dono de um império e aplicava parte da verba que deveria atender a população na carreira de artistas sertanejos”. Moustafa teve o patrimônio multiplicado em apenas cinco anos. De acordo com a Receita Federal, passou de R$ 400 mil para R$ 14 milhões. Mansões, joias, carros de luxo e uma lancha de R$ 500 mil fazem parte do inventário do médico. Segundo a Polícia Federal, ele e a quadrilha teriam desviado R$ 110 milhões de recursos da Saúde, entre 2014 e 2015.
Mesmo assim, em áudios divulgados pelo programa, Moustafa reclama de uma queda no padrão de vida. “Pelo menos uma vez a cada dois meses eu passava 10 dias lá na minha casa em Orlando. Minha mulher, os filhos, tal. Já tem seis meses que eu não vou”.
Nas baladas, o médico, segundo as investigações, também gastava dinheiro público com mulheres. “Eu vou pegar ela lá. E ainda vou dar um dia de princesa pra ela. Dar uns 15 conto assim pra ela. Sabe que eu faço apaixonar. Eu faço as bonita, top, se apaixonar. Imagina as feinha (sic), que ninguém pega”, disse em uma das gravações obtidas pelo Fantástico.
Para empresariar cantores sertanejos, como Israel Novaes e a dupla Mateus e Kauan, o Barão da OSs desembolsou R$ 30 milhões. Para a PF, essa seria uma maneira de lavar o dinheiro desviado da Saúde.
“Ele não tinha nenhum tipo de constrangimento em ostentar uma vida de luxo em sacrifício da população que ficou privada do serviço de saúde”, afirmou Alexandre Teixeira dos Santos, delegado da Polícia Federal, em entrevista ao programa.
Em nota, o advogado de Mouhamad Moustafa declarou que vai aguardar o fim das investigações para se manifestar e apresentar provas. Ele ainda afirmou que “providências administrativas e judiciais serão tomadas no intuito de fazer cessar tão grande absurdo e ilegalidade que estão sendo cometidos desde a abertura do inquérito policial”.
A matéria na íntegra pode ser assistida no link.
fonte Portal Metrópoles



