Novas espécies de orquídeas são descobertas na Amazônia
Maggio 1, 2016 7:48![]() |
| Orquídea descoberta na AmazôniaJefferson Valsko - Inpa |
Duas novas espécies de orquídeas foram descobertas recentemente nos arredores de Manaus pelo bolsista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Jefferson José Valsko.
A planta, considerada ornamental e a rainha das flores, está entre as mais procuradas para presentear, decorar residências e ainda como tempero.
As orquídeas encontradas foram batizadas de Dichaea bragae e Anathallis manausesis. Os nomes homenageiam o pesquisador do Inpa Pedro Ivo Soares Braga, já falecido, e que fez importantes estudos sobre a planta na Amazônia.
“A Dichaea bragae é uma planta pêndula, pequena, chegando a cinco centímetros de comprimento, a flor chega a cinco centímetros e apresenta uma estrutura chamada labelo, que é uma pétala modificada. É uma estrutura de pouso de insetos polinizadores. Percebemos que o labelo era totalmente diferente do grupo que a gente vinha estudando”, explicou o bolsista Jefferson, que é biólogo e mestre em Diversidade Biológica.
Já a flor da Anathalis manausesis, de acordo com o pesquisador, tem apenas 3 milímetros (mm) e sua folha mede menos de 1 centímetro (cm). Ela é considerada a menor das espécies já descritas. “É uma microórquídea, precisou de um microscópio, porque a flor é muito pequena, o seu labelo era muito reduzido, e com pelos, o que diferenciou das espécies já descritas”, descreve Valsko.
Segundo o Inpa, o Brasil registra mais de três mil tipos de orquídeas. No Amazonas, são cerca de 300. De acordo com o biólogo, as orquídeas da amazônia têm características semelhantes às de outras regiões. Elas podem ser encontradas, principalmente, nas chamadas campinaranas amazônicas, áreas com solos arenosos, e também na copa de árvores.
“Orquídeas têm preferência, uma necessidade de luz, uma luz difusa. E a copa das árvores é um ambiente ideal para elas. Quando você anda aqui em uma floresta de ombrófila densa, que é uma floresta alta, com árvores de até 25 ou 30 metros, dificilmente você consegue enxergar orquídeas”, esclarece.
O pesquisador disse que, por isso, as pessoas acham que é raro encontrar orquídeas na Amazônia. “Essas espécies estão em maior densidade na copa das árvores. Já nas campinaranas, como as árvores são bem mais baixas, você visualiza com facilidade essas espécies”.
Valsko explica que as orquídeas são importantes para a natureza porque ajudam no ciclo do carbono, por meio da fotossíntese e da respiração. Além disso, elas atraem insetos polinizadores específicos. “Algumas são polinizadas apenas por abelhas, outras podem ser polinizadas por borboletas, aves ou moscas”.
A equipe de Jefferson José Valsko já havia descoberto nos últimos quatro anos outras três espécies de orquídea na Amazônia: Dichae Diminuta, Dichae fusca e a Anathallis roseopapillosa.
por Bianca Paiva - Correspondente da EBC
Fotógrafo Ganhador do Pulitzer 2016 Denuncia a Globo e o “Golpe”
Aprile 30, 2016 8:26Mauricio Lima, Fotógrafo do NYT e Ganhador do Pulitzer 2016, Denuncia a Globo e o “Golpe” no Brasil
(The English version of this article can be read here)
do theintercept.com
Dez dias atrás, o fotógrafo Mauricio Lima foi festejado pelos grandes meios corporativos de comunicação do Brasil, quando ganhou o Prêmio Pulitzer 2016 na categoria Breaking News Photography, o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio.
Lima compartilhou o Pulitzer com os colegas, também fotógrafos do New York Times, Sergey Ponomarev, Tyler Hicks e Daniel Etter, com quem trabalhou para produzir uma impressionante série de fotografias documentando a jornada de uma família de refugiados sírios, os Majids, enquanto eles viajavam da Grécia à Suécia para pedir asilo. No ano anterior, Lima, com dois colegas, foi finalista na mesma categoria do Pulitzer por seu trabalho no New York Times mostrando a devastação da guerra na Ucrânia. Na semana passada, um colunista d’O Globo citou a definição de Joseph Pulitzer sobre o propósito do jornalismo para afirmar que “não há melhor definição para descrever o trabalho de Mauricio Lima.”
Lima compartilhou o Pulitzer com os colegas, também fotógrafos do New York Times, Sergey Ponomarev, Tyler Hicks e Daniel Etter, com quem trabalhou para produzir uma impressionante série de fotografias documentando a jornada de uma família de refugiados sírios, os Majids, enquanto eles viajavam da Grécia à Suécia para pedir asilo. No ano anterior, Lima, com dois colegas, foi finalista na mesma categoria do Pulitzer por seu trabalho no New York Times mostrando a devastação da guerra na Ucrânia. Na semana passada, um colunista d’O Globo citou a definição de Joseph Pulitzer sobre o propósito do jornalismo para afirmar que “não há melhor definição para descrever o trabalho de Mauricio Lima.”
Mas na noite de ontem, Lima lançou um duro e direto ataque aos mesmos meios de comunicação que dias antes o saudavam como um herói. Lima, junto com os mesmo três colegas do NYT, foi declarado vencedor do prêmio John Faber pelo Overseas Press Club pela “melhor reportagem fotográfica do exterior em jornais ou serviços de notícias.”
Em um comovente discurso de três minutos, Lima aceitou o prêmio em nome de seus colegas e o dedicou a “cada refugiado com quem cruzei no último ano, pessoas oprimidas pelas guerras e pela injustiça social.” Ele prestou uma homenagem especial à família Majid, que “aceitou por 29 dias um estranho com uma câmera como parte de sua família.” Mas ele dedicou a última parte do seu discurso aos eventos em seu país, o Brasil.
“Eu acho muito importante dizer algumas palavras – eu sou do Brasil”, começou ele, adicionando: “Tenho certeza que todos aqui sabem o que está acontecendo no Brasil neste momento.” Ele continuou: “Eu gostaria de expressar meu apoio à liberdade de expressão e à democracia – o que é exatamente o que não está acontecendo no Brasil agora.” Para finalizar seu argumento, uma simples sentença: “Então, eu sou contra o golpe.”
Notadamente, o ganhador do Pulitzer contrastou o “muito alto nível dos profissionais do jornalismo daqui” – os que se reuniam na cerimônia em Nova York – com os meios de comunicação no Brasil incitando abertamente os protestos de rua e fazendo agitação para a saída da presidente eleita. Para enfatizar seu argumento, ele mostrou uma placa com as palavras “Golpe: Nunca Mais” onde a letra “o” foi substituída pela logomarca da Globo, maior e mais influente meio de comunicação do Brasil, que passou 20 anos saudando o golpe de 1964 e a ditadura militar que se seguiu, e que no último ano usou flagrantemente suas múltiplas plataformas de mídia para fazer propaganda em favor do impeachment de Dilma.
A mídia brasileira perdeu completamente o controle da narrativa no exterior, mas também vem perdendo cada vez mais no Brasil. Seu plano desonesto para instalar na presidência o Vice-Presidente Michel Temer, acusado de corrupção, profundamente impopular e servo das oligarquias – que, nesta semana, de maneira indescritivelmente Orwelliana, chamou as propostas de “novas eleições” de um “golpe” – está se tornando insustentável.
Figuras proeminentes e universalmente respeitáveis estão cada vez mais se posicionando em relação ao perigoso assalto à democracia; o mais recente foi o ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, por seu corajoso trabalho contra a ditadura militar em seu país, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, que essa semana, em visita ao Brasil disse: “Está muito claro que o que está sendo montado aqui é um golpe de estado disfarçado, o que chamamos de um golpe branco,” adicionando: “Seria um grave retrocesso para o continente. Sou um sobrevivente dos dias da ditadura [militar argentina]. Fortalecer as instituições democráticas nos custou caro. E agora elas estão sofrendo ataques.”
Dada sua posição no jornalismo internacional, a contundente denúncia de Lima em relação ao impeachment e o notável papel não-jornalístico da Globo, certamente acelerará esse processo. Você pode assistir a seu discurso aqui:
24 horas após ser premiado nos EUA, Moro é alvo de denúncia no RS
Aprile 30, 2016 8:10![]() |
| Foto: Sérgio Moro e sua esposa, Rosangela Wolff, durante entrega de prêmio em Nova York. (Reprodução/Facebook – Comunidade Eu MORO com ele) |
no Sul 21
Menos de 24 horas depois de ter sido homenageado pela revista Time, nos Estados Unidos, como “uma das cem personalidades mais influentes do mundo”, o juiz Sérgio Moro foi alvo de uma denúncia, em Porto Alegre, assinada por mais de 100 advogados e advogadas, professores, pesquisadores, bacharéis e estudantes de Direito, de 16 estados do país.
Protocolada na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a representação aponta uma série de inconstitucionalidades e ilegalidades que teriam sido cometidas pelo juiz denunciado e que se constituiriam em infrações disciplinares e em “comportamento impróprio ao exercício da magistratura, desviando o Poder Judiciário dos fins propostos pelo ordenamento jurídico”.
Os signatários da denúncia foram articulados pela Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP) e pelo Grupo de Assessoria Jurídica Popular, vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A representação defende que o juiz Moro, “a partir da ação denominada Operação Lava Jato comete desvios de finalidade, prejudicando a segurança jurídica e institucional, que o ordenamento jurídico determina”. “Visando seus próprios anseios e não o que determina o ordenamento jurídico, termina por desviar o Poder Judiciário de sua função”, afirma ainda. Os autores da denúncia citam a afirmação do ministro Teori Zavascki, a propósito da divulgação de sigilos telefônicos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff. Para Zavascki, “é descabida a invocação do interesse público da divulgação ou a condição de pessoas públicas dos interlocutores atingidos, como se essas autoridades, ou seus interlocutores, estivessem plenamente desprotegidas em sua intimidade e privacidade”.
A quebra de sigilo, sustentam ainda os autores da denúncia, configura também uma violação de prerrogativas da advocacia, uma vez que não atingiram apenas o ex-presidente Lula, mas também o advogado deste, Roberto Teixeira. O telefone central da sede do escritório Teixeira, Martins e Advogados, localizada em São Paulo, também foi objeto de escuta telefônica e conversas de todos os 25 advogados da banca com pelo menos 300 clientes foram grampeadas, além de telefonemas de empregados e estagiários do escritório. “Tal conduta do juiz representado viola o Estatuto da Advocacia, Lei nº 8. 906/1994. É direito do advogado a inviolabilidade da correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, como dispõem o art. 7º, II, do Estatuto da Advocacia” afirma ainda a denúncia.
Essa conduta, sustentam os autores da representação, atenta contra a independência e harmonia entre poderes. “O juiz procura, conforme suas próprias palavras, incidir na política brasileira, extrapolando seu mister de magistrado, atingindo a independência e harmonia entre os poderes (art. 2º, da CF).
Neste sentido, fomenta a população e instituições contra a Presidência da República, que exerce o Poder Executivo”. O documento cita as palavras do próprio Moro em um artigo sobre a Operação Mãos Limpas realizada na Itália, onde ele elogia a incidência que ela teve na política daquele país: “A operação mani pulite redesenhou o quadro político na Itália. Partidos que haviam dominado a vida política italiana no pós-guerra, como o Socialista (PSI) e o da Democracia Cristã (DC), foram levados ao colapso, obtendo, na eleição de 1994, somente 2,2% e 11,1% dos votos, respectivamente”, escreveu Moro.
Os mais de 100 denunciantes apontam ainda outras medidas de Moro, que consideram infundadas, como a relação obscura com empresas de comunicação, a decretação de prisão com base em notícias de jornal ou fundamentadas no “clamor público”. E denunciam a utilização da prisão provisória para conseguir delações premiadas, prática típica de “estados totalitários, ditaduras, que prendem para conseguir confissões e provas”. A representação lembra o artigo X da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o artigo 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, e o art. 8º do Pacto de São José da Costa Rica, que preveem a garantia de juízes imparciais e independentes. “O Brasil é subscritor da Declaração e introjetou os pactos por meio Decreto nº 592/1992 e Decreto 678/1992, respectivamente”, assinalam também os autores da denúncia.
“Percebe-se um comportamento contumaz de violação ao ordenamento jurídico, descabido para quem exerce a função de magistrado. A referida notícia crime caracteriza, inclusive, a prevaricação, como também o reiterado abuso de autoridade”, afirma o texto da representação que pede a investigação das violações denunciadas e, caso sejam confirmadas, “o afastamento do denunciados do julgamento da ação judicial e investigações conhecidas como Operação Lava Jato, sem prejuízo de outras sanções cabíveis”.
Concurso Nacional Novos Fotógrafos
Aprile 29, 2016 21:31![]() |
| Foto Wagner Santos |
Concurso Nacional Novos Fotógrafos. Prêmio Urbs Brasil 2016.
Estão abertas as inscrições para o Concurso Nacional Novos Fotógrafos, Prêmio Urbs Brasil 2016 de fotografia digital.
Cidades em tons de cinza. Podem participar do concurso, todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos.
Cada candidato pode inscrever-se com até duas fotografias de sua autoria, capturadas por quaisquer meios digitais, máquinas fotográficas, celulares, etc.
O tema das imagens é; as cidades e o seu cotidiano, marcos, ruas, avenidas, monumentos, praças e a interação com as pessoas. Serão 150 fotografias selecionadas.
A classificação das fotografias resultará no livro, Prêmio Urbs Brasil 2016. Antologia Fotográfica. Concurso Fotográfico e uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, alcançando o grande público, escolas e faculdades.
Inscrições gratuitas de 10 de janeiro a 05 de junho de 2016, pelo site, www.premiourbs.com.br
Realização: Vivara Editora Nacional
Apoio Cultural: Revista Universidade
PCdoB: plebiscito por "diretas já" fortalece a luta contra o golpe
Aprile 29, 2016 21:16Reunida nesta sexta-feira (29), na sede do Comitê Central, a Comissão Política Nacional (CPN) do PCdoB aprovou como resolução política, para fortalecer a luta contra o golpe, "que o povo seja chamado a decidir pelo melhor caminho para se restaurar a democracia". Para o PCdoB, "esse caminho são as eleições presidenciais diretas, já!". Ao mesmo tempo, os comunistas renovam a defesa do governo Dilma Rousseff e a luta para derrotar o golpe em curso no Senado Federal.
Segue a íntegra da resolução assinada pela Comissão Política Nacional:
Plebiscito por “diretas já” fortalecerá luta contra o golpe!
Em 17 de abril último – depois de um ano e três meses de pesada ofensiva da oposição neoliberal, da grande mídia, de amplas camadas das classes dominantes em conluio aberto com setores do aparato jurídico e policial acoplados à Operação Lava Jato –, a Câmara dos Deputados abriu as portas para ser consumado um golpe de Estado no país, ao aprovar, por maioria de votos, a admissibilidade de um impeachment sem base jurídica, portanto, fraudulento, contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff.
A batalha decisiva está sendo travada, agora, no Senado Federal, que consolidará ou refutará o golpe. Por isto, a resistência democrática, nas ruas, nas tribunas, em atos e manifestos, canalizará suas ações para derrotar esse impeachment golpista no Senado, em todas as fases, até o julgamento desse processo. Nesta jornada, destacam-se as manifestações do 1º de Maio contra o golpe, em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores e do povo, fortemente ameaçados por uma pauta eivada de neoliberalismo selvagem do pretenso governo do golpista Michel Temer.
Nesta hora grave da história do país, o PCdoB apresenta – para exame das amplas forças democráticas e populares que lutam contra o golpe – a proposta de que venhamos a batalhar pela convocação de um Plebiscito no qual o povo seja chamado a decidir pela realização imediata de eleições diretas para presidente da República.
A vitória dos golpistas na Câmara maculada por fatos irrefutáveis
No golpe em andamento, não são usados tanques, nem metralhadoras, como em 1964, conforme frisou a própria presidenta Dilma, mas, igualmente ao que ocorreu naquela ocasião, foi rasgada a Constituição Federal e mutilada a democracia.
Busca-se cassar um mandato, sufragado por 54 milhões de votos, de uma presidenta honesta, que não cometeu crime algum, conforme está patente na sua defesa – juízo corroborado por milhares de juristas e advogados, endossado por um elenco de personalidades do mundo das ciências, das artes e da cultura do país e respaldado pelo povo que foi e está nas ruas contra o golpe, em manifestações organizadas e espontâneas às quais se somaram e seguem a se somar centenas e centenas de milhares.
O processo da Câmara foi conduzido pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF), investigado por crimes de corrupção por um número de inquéritos que se avoluma a cada semana, num acordo espúrio com o vice-presidente Michel, que se revelou um conspirador, e o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, um dos chefes políticos do golpe.
Pela barganha, Cunha, ostentando cinismo, se mantém no mandato e no posto, como até agora acontece. Temer pretende chegar ao Palácio do Planalto pela porta dos fundos, sem voto popular, e ao golpista Aécio, e ao seu Partido, o PSDB, está prometido um quinhão do botim, um pedaço do pretenso governo Temer.
Além de ser fruto dessa barganha, e também inconstitucional, o impeachment foi ungido numa sessão que envergonhou e indignou a opinião pública brasileira e mesmo estrangeira pelo que se viu, desde baixarias circenses até a apologia à tortura; e ainda, pelo que não se viu, conforme relatos na imprensa de negociatas inomináveis. Os golpistas venceram, mas se desnudaram, revelando-se quem verdadeiramente são ao vivo e a cores – para o espanto e o horror do povo.
A luta contra o golpe no Senado Federal
Confrontado, internamente, pelas forças democráticas e populares do país, contestado internacionalmente por instituições, personalidades e mesmo pela grande mídia de vários países, agora o golpe marcha no Senado que, em sessão prevista para o próximo dia 11 de maio, ou afastará a presidenta Dilma Rousseff do cargo, para em seguida julgá-la, ou arquivará o processo do impeachment.
Com o objetivo de conquistar os 54 votos necessários para o afastamento em definitivo da presidenta Dilma, Michel Temer, mesmo antes das deliberações do Senado, já “nomeia” ministros, distribui cargos – ao que, também, dá respostas às cobranças oriundas da Câmara por parte daqueles que votaram pelo impeachment sob a promessa de recompensas.
O PCdoB enaltece a resistência democrática que cresce e se eleva, sublinha o relevante papel de mobilização do povo e dos trabalhadores da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, da atuação corajosa das bancadas dos partidos de esquerda, PCdoB, PT, PDT, PSOL e de parlamentares de outras legendas, bem como aponta como indispensável a tomada de posição de amplos setores progressistas da sociedade, e conclama a todos para que sigamos juntos, revigorando as mobilizações e ações para persuadir e pressionar os senadores e senadoras a votarem em defesa da democracia, preservando o legítimo mandato da presidenta Dilma.
A luta articulada entre os senadores e senadoras que se opõem ao golpe e a resistência democrática nas ruas e em outros palcos irá a cada fase, a cada dia, através de uma agenda diversificada e crescente, desmascarar jurídica e politicamente o processo do impeachment e derrotá-lo.
A Nação sob grave ameaça
O Partido reitera a denúncia e reafirma sua posição: trata-se de um golpe contra a democracia, contra o povo e a Nação, tal e qual outros que infestaram a história da República.
Caso o golpe se imponha, longe de instaurar um governo de “salvação nacional”, como propagandeiam, entronizará um governo ilegítimo, cujos programa, pacto de classes, partidos e forças que o enlaçam indicam que enquanto ele durar será um governo de traição nacional, de desfiguração antidemocrática e antinacional da Constituição de 1988, de entrega da riqueza do Pré-Sal às multinacionais, de privatizações, de tutela do Banco Central pelo rentismo, de enfraquecimento dos bancos públicos enquanto alavancas do desenvolvimento, de corte de direitos trabalhistas e previdenciários, desmonte de programas sociais, retrocesso político e perseguição aos movimentos sociais.
Ilegítimo, o governo imposto não teria autoridade para tirar o país da crise, muito menos para pacificá-lo. Ilegítimo, será confrontado pelas forças democráticas e populares.
Plebiscito: que o povo decida o caminho para se restaurar a democracia!
Ante o risco iminente de ruptura de um ciclo contínuo de 31 anos de democracia – que, se concretizado, irá provocar uma fratura institucional de graves consequências –, ante tão grave ameaça, o PCdoB apresenta para o exame das amplas forças democráticas do país a proposta de que seja realizado um plebiscito, no qual o povo, no exercício de sua soberania, decida sobre a convocação imediata de eleições presidenciais. O plebiscito está grafado na Constituição e a soberania do voto popular é o alicerce no qual está erguida a Carta Magna.
O país caminha para um impasse, para divisões, para o encastelamento de um governo ilegítimo, quando, exatamente para superar a crise política e econômica, a Nação precisa de coesão, de legitimidade e de mais democracia. Somente a soberania do voto popular poderá oferecer ao país esses atributos e qualidades. Um presidente sem votos não será um presidente, será um impostor. Não unificará o Brasil, irá dividi-lo.
Que diante dessa grave ameaça, desse impasse, o povo seja chamado a decidir pelo melhor caminho para se restaurar a democracia. Para o PCdoB, esse caminho são as eleições presidenciais diretas, já!
A luta pela realização do Plebiscito, por eleições já para presidente, seria levada a cabo simultaneamente à batalha contra o impeachment no Senado Federal, até o último minuto. E até a última etapa, que é o julgamento, lutaremos no Senado para derrotar o golpe.
Finalmente, o PCdoB conclama sua militância e conjunto das forças populares e democráticas para que se empenhem ao máximo pela realização massiva e vitoriosa em todo o país do 1º de Maio e que a mobilização prossiga em variados palcos e formas.
São Paulo, 29 de abril de 2016
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PCdoB




