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Aprile 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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Globo reclama de jornal britânico

Aprile 25, 2016 17:30, by Blog do Arretadinho

Globo envia carta reclamando de jornal britânico e conteúdo é exposto na caixa de comentários
João Roberto Marinho, um dos donos das Organizações Globo, mandou ao jornal britânico The Guardian uma carta questionando o artigo de David Miranda, que destaca a participação da rede de comunicação brasileira no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff

Por Redação Revista Fórum

João Roberto Marinho, um dos donos das Organizações Globo, enviou ao jornal britânico The Guardian uma carta questionando o artigo de David Miranda, que aponta para a participação da rede de comunicação brasileira no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O que o magnata não imaginava é que seu texto seria exposto na caixa de comentários reservada aos leitores comuns.

“O Grupo Globo cobriu os protestos sem nunca anunciar ou dar opinião sobre elas em seus canais de notícias antes de acontecerem. Globo tomou posições iguais sobre comícios para a presidente Dilma Rousseff e contra o impeachment”, tentou argumentar Marinho, negando qualquer tomada de posição da empresa em relação às tentativas de derrubada da presidenta eleita democraticamente.

O artigo de Miranda, intitulado “A razão real por que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”, lembra que “a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país”.

“Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?”, continuou.





Tabacaria, um poema inesquecível

Aprile 25, 2016 17:26, by Blog do Arretadinho

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa




Norbert Hofer, líder da extrema-direita austríaca, pode virar presidente

Aprile 25, 2016 16:21, by Blog do Arretadinho

O candidato do partido da Liberdade austríaco, FPO, Norbert Hofer.
REUTERS/Heinz-Peter Bader
Quem é Norbert Hofer, líder da extrema-direita austríaca que pode virar presidente
A classe política austríaca acordou de ressaca nesta segunda-feira (25) com a vitória do candidato Norbert Hofer, de extrema-direita do FPO (Partido da Liberdade) no primeiro turno das eleições presidenciais no país. Ele obteve mais de 36% dos votos, que a mídia local classifica de “tsunami político”.

Hofer é um engenheiro de aviação que cresceu em Burgenland, região pobre próxima da fronteira com a Hungria. Sua ascensão fulgurante se deu, em parte, pelo desgaste dos velhos representantes da extrema-direita local. Aos 45 anos, Hofer encarna o desejo do movimento conservador de atingir uma camada mais jovem da população, com um discurso mais pseudo-moderado e menos radical -pelo menos nas aparências. Essa nova estratégia se aparenta à utilizada pelo Frente Nacional francês e sua presidente, Marine Le Pen, que não deixou de parabenizar Hofen e os “amigos” do FPO no Twitter.

“Seu discurso de campanha foi extremamente moderado”, diz Dany Leder, correspondente do jornal austríaco Kurier em Paris. Segundo ele, essa postura associada à crise migratória resultou no sucesso de Hofer nas urnas. “A Áustria recebeu 100 mil imigrantes para 8 milhões de habitantes”, explica o correspondente. “O país deve gerenciar a chegada de milhares de imigrantes por dia em suas fronteiras.  Em um determinado momento seria necessário botar ordem nisso. Esse é um ponto de vista compartilhado por todos os partidos, incluindo a direita radical”, diz.

Entre as propostas do candidato, está a dissolução do Parlamento caso a maioria não seja favorável a suas medidas contra a imigração clandestina. Neste sentido, um discurso contra a imigração, personificado por um candidato mais liberal, caiu como uma luva. A título de comparação, nas últimas eleições presidenciais, em 2010, a candidata Barbara Rosenkranz, que nunca escondeu sua proximidade com os partidos neonazistas, obteve apenas 15,6% dos votos.

Duelos de espadachim clandestinos
Hofer, que se tornou conhecido há pouco tempo, age nos bastidores do partido há décadas. Filiado ao FPO há 22 anos, ele se manteve durante todos esses anos ao lado de Heinz Christian Strache, chefe do movimento, subindo pouco a pouco na hierarquia da legenda. Nem mesmo ele esperava ter verdadeiras chances de se tornar o futuro chefe de estado do país.

De longe, Hofer parece um sujeito normal: vice-presidente do Parlamento, ele é casado, pai de quatro filhos, calmo e gentil, e em nada lembra o comportamento agressivo habitual em seus companheiros de legenda. Pelo contrário: em 2003 ele foi vítima de um grave acidente de parapente que deixou sequelas, e anda com dificuldade. Um detalhe que destoa da imagem do líder forte, fisicamente perfeito, cultuado pelos militantes de extrema-direita e herdada da tradição militar, lembra o jornal francês Le Monde. Isso não o impediu, entretanto, de manter seu hobby favorito: Hofer é membro de uma corporação de estudantes, “Marko-Germania”, que ainda pratica duelos de espadas clandestinos, sem proteger o rosto.

do RFI



Le Monde admite ter ignorado parcialidade da mídia brasileira

Aprile 25, 2016 16:06, by Blog do Arretadinho

Reuters
Na edição antecipada de domingo (24), o mediador entre os leitores e a redação do vespertino francês Le Monde, Franck Nouchi, faz a seguinte pergunta: "Le Monde foi parcial na cobertura da crise política brasileira?"
O questionamento foi feito depois do jornal ter recebido dezenas de cartas de brasileiros e franceses vivendo na França e no Brasil. O jornal cita a carta, que elogia como muito bem argumentada, de quatro brasileiras residentes em Paris,"movidas pela consciência do impacto que o Monde tem sobre a opinião pública". No texto, elas perguntam por que Le Monde escolheu a parcialidade para abordar a crise política brasileira ao invés de indagar, abordar novos ângulos... e não seguir o coro uníssono da grande mídia brasileira.

Na mesma linha, Le Monde também levou em consideração o correio de um outro grupo de ex-exilados políticos brasileiros da França e da Bélgica, que interrogam por que não foram feitas reportagens mais balanceadas com personalidades de destaque como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros nomes, sobre suas razões para se posicionarem com tanta firmeza pela democracia. Na contramão, é citado somente um leitor que elogia diversos artigos e o ombudsman defende as coberturas de algumas matérias.

Parcialidade das mídias brasileiras é reconhecida
No entanto, reconhece e lamenta que o editorial de 31 de março, intitulado"Brésil: ceci n'est pas un coup d'Etat" (Brasil: isto não é um golpe de Estado, em tradução livre), não tenha sido equilibrado, em especial por ter omitido que os apoiadores do impeachment são acusados de corrupção, a começar por Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assim como por não ter abordado suficientemente a parcialidade da imprensa  nacional. Nesse contexto, o mediador lembra um dossiê completo publicado em janeiro de 2013 pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, que chamava o Brasil de "o país dos 30 Berlusconi"*, lembrando que os dez principais grupos econômicos, familiares, dividem o mercado da comunicação de massa.


Finalizando, o jornal admite que o ideal teria sido enviar um jornalista de Paris para apoiar sua correspondente em São Paulo, Claire Gatinois, para relatar com mais profundidade as fraturas sociais da população, reveladas durante a crise.

* referência ao ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, dono de um império midiático na Itália.

do RFI



Mercado Sul, em Taguatinga, se torna exemplo de resistência cultural

Aprile 25, 2016 15:53, by Blog do Arretadinho

Beco/Síndrome Criativa
Na QSB 12/13, tem ateliê de costura, oficina de construção de instrumentos e móveis, teatro, eventos e área é modelo de uso da arte como forma de subsistência
O ambiente conturbado da Avenida Samdu Sul e adjacências, em Taguatinga, saturado por comércios e poluição visual, ganha tons diferentes na altura da QSB 12/13. Naquela área, duas vielas chamam a atenção pelo colorido das fachadas dos prédios e das casas. Conhecido como Espaço Cultural Mercado Sul ou Beco da Cultura, o trecho urbano é hoje um ponto de convergência de artistas que ali fixaram residência e trabalham. Uma espécie de comunidade onde o cotidiano é regido pela criatividade.

Por trás das fachadas grafitadas, encontram-se ateliê de costura, oficina de construção de instrumentos musicais e móveis e teatro. Há também abrigo para talentos vindos de vários cantos do Brasil. A economia solidária prevalece nesses dois becos de cultura. Os artistas que ali vivem oferecem à comunidade uma gama de atividades, entre cursos, oficinas, mostras de artes, feiras e exposições.

Costumo dizer que aqui é uma universidade, apesar de eu ser avesso à escola. Mas aqui é uma escola de primeira instância. Eu não trocaria uma mansão no Lago Sul pela minha loja aqui no Beco"
Virgílio Mota, mestre artesão
Apresentação de dança no Beco da Cultura
Reprodução do Facebook

O Mercado Sul de Taguatinga foi construído na década de 1950. Na época, a área era ocupada por armarinhos, açougues, mercadinhos e feirantes. Com o tempo e a modernização da cidade, o lugar perdeu força e muitos lojistas fecharam as portas, deixando a paisagem marcada pelo abandono.

Conheci aqui quando era realmente uma feira, tipo uma feira livre, gente tropeçando em gente, entre os anos 1965 e 1968"
Seu Heleno, tapeceiro

Na década de 1990, o espaço começou a passar por um processo de revitalização. Foi quando chegaram o luthier Seu Dico, fabricante de violas artesanais, e o bonequeiro Chico Simões, que montou ali o seu Teatro de Mamulengo Invenção Brasileira. Simões ganharia fama por influenciar muitos artistas do Distrito Federal, principalmente em relação ao teatro de bonecos. Logo, outros produtores de arte começaram a chegar e a fixar ali suas bases.
A EcoFeira acontece mensalmente, nas tardes de sábado de lua cheia
Reprodução do Facebook

Economia solidária
Hoje, os blocos de prédios de dois andares enfileirados abrigam dezenas de pessoas e famílias inteiras, que sobrevivem por meio da economia solidária. Cada um ajuda o outro no seu fazer artístico e no sustento da casa. Preocupados com a cultura tradicional brasileira, com o bem-estar social e com o meio-ambiente, as atividades são autossustentáveis e visam melhorar um pouco o mundo onde eles vivem.

Um bom exemplo é a oficina Tempo Ecoarte, que utiliza papelão, utensílios reciclados e água reaproveitada das máquinas de lavar para fabricar móveis e instrumentos musicais. O ateliê pode ser frequentado por qualquer pessoa interessada e o conhecimento é compartilhado. A mesma lógica é observada no ateliê de costura e no Bicicentro, um local de empréstimo de bicicletas.

Vasta programação cultural
A programação cultural do Beco da Cultura é vasta. Vai de oficinas para fabricação de pães artesanais, passa por shows de danças e músicas da cultura tradicional — como reizado, bumba-meu-boi e maracatu — e cursos de comunicação comunitária. O moradores da área também promovem debates sobre questões políticas, sociais ou relacionadas ao patrimônio histórico e cultural do Brasil.

Mensalmente, nos sábados de lua cheia, acontece a EcoFeira, um espaço de exposição, troca e venda de produtos e serviços que seguem princípios ecológicos. Mais do que um mero evento mercadológico, a feira visa debater os princípios de sustentabilidade e reutilização de resíduos sólidos ou materiais orgânicos. Começa sempre às 14h, e além de banquinhas, conta com programação que inclui lançamentos de livros e apresentações de teatro e música. Todos os eventos são postados na página do movimento no Facebook.

No site do projeto, um parágrafo resume o que é o Espaço Cultural Mercado Sul: “No Beco tem costureira, borracharia, oficina, prato-feito, café-bar, ateliê, luthieria, espaço cultural, produtora, estúdio de comunicação, rádio, manicure, cabeleireiro, alfaiate, igreja, brechó… Tudo junto, misturado, interagindo com respeito às diferenças. No Beco, as crianças brincam na rua, constroem seus brinquedos. Conversamos nas calçadas, plantamos no pneu, criamos e fazemos projetos. Vivemos!”

Ocupação Cultural Mercado Sul Vive.
Espaço Cultural Mercado Sul (QSB 12/13, Bloco A, Taguatinga). www.mercadosul.org

do Portal Metrópoles



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