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Aprile 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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Dilma, sobre ataque: 'Isso não pode acontecer, quem fez tem de pagar'

Settembre 7, 2018 8:29, by Blog do Arretadinho

Temos de ser capazes de nesta eleição lavar e enxaguar a alma do Brasil. Temos de recompor nossa capacidade de diálogo'
#LULALIVRE
Dilma, sobre ataque: 'Isso não pode acontecer, quem fez tem de pagar'

Ex-presidenta esteve nesta quinta na sede da PF em Curitiba, e repudiou violência em campanha. Ela reafirmou ainda luta pela candidatura de Lula "até o fim"

por "Redação RBA

São Paulo – A ex-presidenta Dilma Rousseff rechaçou, em Curitiba, o episódio violento da tarde desta quinta-feira (6), contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que levou uma facada durante campanha em Juiz de Fora (MG). "Eu acho lamentável, e incentivar o ódio cria esse tipo de atitude. Você não pode falar que vai matar ninguém, não pode fazer isso, principalmente um candidato à presidência", ponderou.

"Agora, quem fez isso tem de pagar, não pode ficar impune. Tem de servir de exemplo para ninguém ousar fazer isso com um candidato. Isso não pode acontecer, um país democrático que se respeita e quer ser civilizado não pode admitir que se esfaqueie qualquer candidato à Presidência da República. Não interessa quem seja, não se admite isso. E nós não podemos flexibilizar certas coisas, porque senão vamos ter consequências danosas não só para os candidatos, mas para as crianças, para os jovens, para os homens e mulheres deste país."

Candidato ao Senado em Minas Gerais, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal da capital paranaense desde 7 de abril. E rebateu críticas da imprensa comercial a uma “possível” demora em relação à substituição do nome de Lula pelo de Fernando Haddad na corrida presidencial.

“Enquanto tivermos o direito de recorrer, nós vamos recorrer. A hora que acabar esse direito nós vamos discutir o que faremos. O Lula vai ser tirado (da campanha) por algozes que vão ficar claros perante a história, porque eles não querem ficar com cara de algoz”, afirmou.

"Olha que situação estranha neste país: dão o golpe, e o Alckmin passa o tempo inteiro falando que o golpe é meu e do Temer e ele apoiou esse governo, enquanto eu tive o como vice, apenas, que até se chamou de decorativo. Agora, como presidente ele não foi decorativo, porque veja o caos que ele instaurou neste país", apontou.

"E o responsável é o PSDB. Eu achei fantástico o fato de que todos se escondem e hoje ninguém deu golpe no país. Estou até desconfiada de que não houve golpe, não sei o que faço aqui hoje (risos), porque em condições normais de temperatura e pressão eu estaria em Brasília", acrescentou Dilma.

Ela lidera as pesquisas para o Senado com 26% da preferência do eleitorado mineiro, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. O segundo colocado, Carlos Viana (PHS), aparece com 11%.

Ao sair da visita com Lula, ela tentou passar uma mensagem de otimismo. “Nós temos de ser capazes de nesta eleição lavar e enxaguar a alma do Brasil. Temos de recompor a nossa capacidade de diálogo”, disse na frente da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso desde 7 de abril.

Dilma também voltou a falar do período de seu impeachment, em 2016. “Quando você planta o ódio, você colhe tempestade, isso é assim em qualquer lugar do mundo”, afirmou, “radicaliza, incentiva a perseguição, como a mídia fez no Brasil, a mídia fez isso comigo. Eu estava eleita quando nas bancadas da Rede Globo pediram o meu impeachment. ‘A solução é só o impeachment’, falavam, e eu vou mostrar isso em gravação no meu programa de tevê.”

“Eu lamento muito que essas coisas tenham acontecido, mas eu estou vendo uma energia muito boa no povo brasileiro. É uma energia de transformação, de esperança, e de quem quer resgatar a autoestima”, disse ainda.

Emoção
Ao ser indagada sobre o encontro com Lula, Dilma respondeu, emocionada, que em momento algum do processo de impeachment ela chorou. “Nunca eu chorei, e diziam que isso era porque ‘essa mulher é dura, é ruim, então, não chora’. Mas não é isso, eu não choro na frente do inimigo. Eu não chorei na cadeia, não chorei na minha tortura (aplausos), mas quando se trata do presidente Lula e da absurda, mas absurda...  Eu acho que é mais do que injustiça, porque não há injustiça maior do que condenar uma pessoa inocente. Então, com ele eu choro, eu lembro dele, eu choro."



“A Europa não pode ficar indiferente a respeito do que ocorre com Lula”

Settembre 5, 2018 16:13, by Blog do Arretadinho

O eurodeputado Roberto Gualtieri. DIVULGAÇÃO
O membro do parlamento europeu Roberto Gualtieri visitou o ex-presidente petista, e criticou o processo de Moro


O eurodeputado Roberto Gualtieri, membro do Partido Democrático Italiano, pisou em solo curitibano no final de julho para visitar o ex-presidente Lula com uma certeza: a de que há algo estranho no processo judicial que levou o petista a uma condenação de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato. "Eu li toda a sentença, e acho que aqui trata-se mais de um expediente para compensar a falta de provas do que uma qualificação genuína dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção", afirma. "Pessoalmente eu não vejo nesse caso nada que indique um crime". O político romano não é estranho a estes delitos: Gualtieri ocupa a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, responsável por, entre outras coisas, legislar sobre combate à lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no bloco.

"Apontar as fraquezas de um caso judicial não é uma generalização ou um ataque à independência do Judiciário. Acho paradoxal que alguns juízes peçam apoio popular, como se fossem políticos", dispara o italiano, ciente do forte clima de polarização que tomou conta do Brasil desde o impeachment de Dilma Rousseff. Segundo ele, este discernimento é fundamental para proteger a reputação do Judiciário, combalida após uma série de decisões conflitantes - como a que mandou soltar Lula, revogada horas depois. "As maiores vitimas da politização da justiça são os juízes", afirma Gualtieri. "Isso me preocupa. Um Poder Judiciário forte, independente e com boa reputação é parte essencial das nossas repúblicas modernas. Se opor a uma decisão judicial não fundamentada não é se opor à luta contra a corrupção".

Não foi a primeira vez que um membro do Parlamento Europeu se manifestou contra a prisão do petista. Integrantes das bancadas portuguesa e espanhola do Legislativo já haviam criticado a sentença do juiz Sérgio Moro. Mas Gualtieri foi o primeiro a visitar o ex-presidente no cárcere. Ele defende que o parlamento europeu "tome passos adicionais" com relação à situação do Brasil. Sem mencionar quais seriam estas medidas, o deputado afirma que irá levar as informações coletadas no Brasil para seus pares em Bruxelas, capital belga que sedia o parlamento. "A situação do Brasil não é só um caso de solidariedade política dos socialistas europeus com o PT, é uma questão mais ampla, que afeta a qualidade do desenvolvimento internacional. É preciso estar atento, Europa não pode ficar indiferente a respeito do que ocorre aqui com relação à qualidade do processo democrático e ao presidente Lula", afirmou.

O mês de julho também foi marcado pela ampliação da repercussão política no exterior da prisão do ex-presidente à medida que se aproximam as eleições presidenciais - o petista, virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, foi confirmado como candidato pelo PT neste sábado e segue liderando a disputa. No mês passado, 28 parlamentares americanos, incluindo o ex-pré-candidato presidencial democrata Bernie Sanders, lançaram carta questionando a condenação. Políticos chilenos, incluindo a ex-presidenta Michelle Bachelet, esquerdista moderada, também se manifestaram, dizendo que a eleição sem Lula "poderia ter sérios questionamentos de legitimidade e aprofundaria ainda mais a crise política".

"Não acho que a luta contra a corrupção é mero populismo"
Gualtieri, eleito pelo influente site Politico como o oitavo eurodeputado mais atuante em 2016, se orgulha de ter adotado, no comando da Comissão de Assuntos Econômicos, "a mais avançada legislação de combate à lavagem de dinheiro do mundo". "Eu não sou daqueles que acham que a luta contra a corrupção é mero populismo financiado por organizações internacionais", afirma. Para ele, no entanto, "o Judiciário não pode minar o poder político", da mesma forma como "o poder político não pode minar a independência dos outros poderes, dentre eles o Judiciário". 

Gualtieri se disse emocionado após a visita a Lula na sede da Polícia Federal na capital paranaense. "Lula é uma figura que você está acostumado a ver ao lado dos líderes mundiais, em encontros do G-20... Encontrar ele em um quarto de prisão produz uma forte emoção, de encontrar uma figura tão importante e carismática, uma referência, naquela situação", diz. O deputado, que veio ao Brasil como representante do Grupo Parlamentar Social Democrata da União Europeia e do Partido Socialista Europeu, afirmou que o petista estava "incrivelmente tranquilo, otimista, forte e determinado", longe de qualquer quadro de depressão que a prisão frequentemente impõe aos apenados.

O italiano é sutil ao abordar eventuais problemas dos Governos petistas - que ocuparam o Palácio do Planalto por mais de 12 anos - e uma eventual falta de autocrítica da legenda. "Existem problemas estruturais no sistema político que não nasceram com os governos do PT mas que foram herdados, e que provavelmente não tiveram atenção suficiente", diz. "Negar os problemas não é bom", completa. O romano diz ainda que "existe um fisiologismo que ocorre quando você está no poder por muito tempo, e erros são cometidos". Logo, "a autocrítica é muito importante. Mais importante que isso, no entanto, é buscar solucionar os problemas estruturais do sistema político, como financiamento eleitoral e a a fragmentação dos partidos". 

Já com relação a uma possível parcialidade das autoridades nas investigações de casos de lavagem de dinheiro e corrupção que não envolvem o PT, Gualtieri é mais incisivo. "Que eu saiba existem outros protagonistas do mundo econômico e político brasileiro que se envolveram em escândalos recentes como o dos Panamá Papers", diz. "Gostaria de ver o mesmo grau de engajamento das autoridades em investigar esses casos também". De acordo com ele, os documentos divulgados em 2016 "falam muito sobre onde grandes riquezas estão escondidas, e eu não vejo empenho em processar estas pessoas".



Lula, a explicação definitiva

Settembre 5, 2018 15:48, by Blog do Arretadinho

Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
por Beatrice Papillon

Pras bichas que não entenderam o que aconteceu hoje com o Lula, a titia vai explicar de um jeito que vocês vão entender:

Lembram quando a Beyoncé surgiu no Destinys Child? Então, é tipo o Lula aparecendo em 1980 como líder do Sindicato dos Metalúrgicos. Já tava mostrando que tinha força, funcionava bem na liderança e você via que tinha talento e futuro. Quando pegava o microfone, todo mundo calava a boca.

Depois a Bey foi pra carreira solo e fez três discos fabulosos que fizeram muito sucesso, "Dangerously In Love", "B-Day" e "I am... Sasha Fierce". É o Lula se candidatando nas eleições de 89, 94 e 98. Multiplicou o número de seguidores, mas sempre era gongada por alguma vadia branca que levava o prêmio de melhor álbum.

Aí a gata vem e lança o álbum "4", com aquela performance de "Run The World" em que ela se multiplicava em várias mulheres, dona da porra toda, uma multidão com os punhos pra cima, fazendo revolução! É tipo o Lula sendo eleito em 2002, com uma vitória esmagadora sobre as magrela do pop. Abalou com uns peitão bonito e uns picumã escândalo.

Esse disco tinha vários hits: Fies, Prouni, Minha Casa, Minha Vida, Pontos de Cultura. E ganhou uma porrada de prêmios, da ONU, da Unesco...

Deixou até a Lady Gaga participar do disco dela, que é tipo o Brasil emprestar dinheiro pro FMI.

Aí a Queen Bee lançou aquele disco "Beyoncé" num susto, numa madrugada na internet, todos os singles de uma vez, com clipe e tudo. Lembra? É tipo o Lula no segundo mandato levando o país a 5° potência mundial. O susto foi tão grande que as gatas chefas de estado ficaram todas passadas com o bate cabelo internacional da diva operária.

Nesse meio tempo as shady bitches, trabalhadoras do mal, que não sabem colar a peruca lace, começaram a sugerir que a Era da Rainha Absoluta tinha acabado. Invejosas e recalcadas, lançaram fofocas na Folha de São Paulo e no Globo, pra tentar acabar com a nossa rainha. Disseram que ela traiu o Jay Z, que ela fuma maconha. E que a Blue Ivy é dona da Friboi.

Quando as pessoas menos esperavam, achando que o reinado tinha acabado, ela surgiu belíssima, com "Lemonade", dizendo "não é porque eu tô no topo do mundo que eu esqueci de onde vim". E afirmou a negritude com muita força, dando representatividade às pessoas. É tipo o Lula, já fora do governo, que mesmo depois de ser considerado o político mais popular do planeta pelo Obama e mais uma caralhada de gente importante, continuou lutando por justiça social para quem precisa.

Sobre o dia de hoje em São Bernardo, lembra quando a Bey surgiu no Grammy, grávida, toda de dourado feito uma Oxum se banhando na transposição do Rio São Francisco? Deixando claro que as vadias podem se matar pela coroa, porque ela cansou de ser rainha, ela agora é uma Deusa?

É tipo o Lula, cercado por milhares de pessoas que o amam e defendem, dizendo: "Eu não sou um homem, eu sou uma idéia"

Entendeu, gata? Então compartilha cas manas!
#LulaLivre



Como a gente enfrenta quem grita com mulher?

Settembre 5, 2018 15:36, by Blog do Arretadinho

Manuela D’Ávila desafia homem que a chamou de mentirosa a se apresentar no microfone e dizer onde está a mentir

O caso aconteceu em frente a PanMetal, em São Paulo, enquanto Fernando Haddad e Manuela D’Avila conversavam com os metalúrgicos

Manu: O Lula tá preso porque toda essa elite aqui não gosta do povo, não gosta de gerar trabalho, que não gosta da educação pública que construímos com Fernando Haddad quando era ministro da educação. Lula tá preso porque ele ia ganhar em primeiro turno, por isso que não divulgaram a pesquisa ontem.

Homem: MENTIRAAAAAA

Confira a resposta de Manuela:



Militares para quem precisa de militares

Settembre 5, 2018 14:04, by Blog do Arretadinho

por Rômulo de Andrade Moreira no Justificando

“Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender

Polícia! Para quem precisa!
Polícia! Para quem precisa de polícia!

Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar

Polícia! Para quem precisa!
Polícia! Para quem precisa de polícia!”

(Polícia!, Compositor: Tony Belotto)

Pelo Decreto 9288 de 2018, o Presidente da República decidiu pela intervenção federal no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, que se aplicou o artigo 34.[1] Nos termos do decreto presidencial, a intervenção federal deverá se estender até o dia 31 de dezembro deste ano, limitando-se à área de segurança pública e com o objetivo de colocar fim ao comprometimento da ordem pública no estado carioca.

Nomeou-se para o cargo de Interventor o General de Exército Walter Souza Braga Netto, comandante do Comando Militar do Leste, cujo quartel-general também se localizada no Rio de Janeiro.

O General Interventor terá “as atribuições previstas no art. 145 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro necessárias às ações de segurança pública, previstas no Título V da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.”[2]

Segundo o decreto, “o Interventor fica subordinado ao Presidente da República e não está sujeito às normas estaduais que conflitarem com as medidas necessárias à execução da intervenção”, podendo “requisitar, se necessário, os recursos financeiros, tecnológicos, estruturais e humanos do Estado do Rio de Janeiro afetos ao objeto e necessários à consecução do objetivo da intervenção”, além de “a quaisquer órgãos, civis e militares, da administração pública federal, os meios necessários para consecução do objetivo da intervenção.”

Também, “exercerá o controle operacional de todos os órgãos estaduais de segurança pública previstos no art. 144 da Constituição e no Título V da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.”

No período da intervenção, poderão ser requisitados “os bens, serviços e servidores afetos às áreas da Secretaria de Estado de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, para emprego nas ações de segurança pública determinadas pelo Interventor.”

Pois bem, passados mais de seis meses desde a intervenção, os resultados esperados não vieram e as questões de violência urbana e segurança pública no Rio de Janeiro estão muito longe de serem resolvidas ou mesmo melhoradas. Inclusive porque deita raízes em décadas de uma brutal desigualdade social, especialmente entre o povo do morro e das comunidades, alijados desde, e a elite moradora da casa-grande.[3]

Dias depois da intervenção, foi criado o Observatório da Intervenção, com o “objetivo de monitorar o impacto da intervenção, difundir informações sobre suas ações, propostas e resultados e incentivar o debate sobre segurança pública.” É coordenado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Cândido Mendes que, por sua vez, tem como uma de suas coordenadoras a professora Julita Lemgruber.

Após este primeiro semestre da medida extrema, o Observatório da Intervenção publicou o documento “Vozes sobre a Intervenção”[4], que fez “um balanço dos seis meses de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro”, reunindo, “além de números e fatos, textos e depoimentos de 46 pesquisadores, empresários, jornalistas, artistas, gestores públicos, ativistas, religiosos, policiais e militares.”

Trata-se, sem dúvidas, de um documento histórico “que captura as contradições deste momento no Rio de Janeiro”, a partir da análise “de dados gerados por diferentes fontes, produzindo avaliações fundamentadas” e também desde “as opiniões e relatos de moradores da metrópole.” [5]

Neste documento, de forma plural, há “textos representativos dos que acreditam que a intervenção trará resultados positivos”, além de “um conjunto de depoimentos de militares e policiais, atores centrais da intervenção que até agora não haviam se manifestado abertamente. Na maioria, eles expressaram frustrações e dúvidas sobre o projeto.”

Também foi escutada uma parcela importante da comunidade do Rio de Janeiro formada por ativistas e lideranças que compõem o Conselho do Observatório da Intervenção, cujos “relatos trazem a perspectiva de quem vive nos territórios onde os conflitos armados e violações de direitos são rotina. Vida, morte, possibilidades, esperanças e raiva marcam os textos dos conselheiros.”

No texto de apresentação da pesquisa, Silvia Ramos, uma das coordenadoras do Observatório da Intervenção, afirma que “olhando os números, vemos um quadro desalentador”, pois “os índices mais sensíveis permanecem altos, como mortes violentas, tiroteios e chacinas”, além de ter havido “um crescimento preocupante de ocorrências que denotam descontrole no sistema de segurança pública, como mortes decorrentes de intervenção militar ou policial. A vitimização dos próprios agentes de segurança continua alta.”

Os custos da intervenção também são postos em destaque, sendo “difícil entender os caminhos dos recursos prometidos pelo Governo Federal, e se esse montante será usado, ou não, durante a intervenção.”

Nada obstante, os milhões e milhões de reais gastos com as operações militares – que o próprio Exército chama de “faraônicas” e que custam mais de um milhão de reais cada -, os resultados são pífios, pois “arrecadaram poucas armas e tiveram efeito reduzido na desarticulação de quadrilhas até agora.” [6]

O Gabinete da Intervenção “não deu respostas sobre as mais de 600 mortes decorrentes de ações policiais ocorridas sob sua gestão. E qual a taxa de elucidação dos mais de dois mil homicídios ocorridos no estado durante o mesmo período? Ninguém sabe.”

A impressão a que chega o Observatório da Intervenção é “que a intervenção federal está testando um modelo de segurança pública baseado em uma concepção militar, que pensa desafios de violência e criminalidade como problemas de guerra, a ser enfrentados por generais e batalhas, e não a partir de mudanças na gestão, fortalecimento da integração, inteligência e foco na redução dos crimes contra a vida.”

Desde este ponto de vista – militarizado e bélico -, ainda que sigam “ganhando batalhas e mobilizando milhares de agentes em operações”, os militares da intervenção não entendem que estão “perdendo a guerra” e, com eles, “toda a sociedade do Rio de Janeiro. Estamos perdendo vidas preciosas. Estamos perdendo a disputa moral contra o crime. E estamos perdendo o ânimo com a violência.”

Ao final, conclui-se, dentre outras coisas,que a intervenção federal foi motivada por “interesses políticos do Planalto” e que “os recursos federais destinados à intervenção ainda não foram empregados.”

Por outro lado, não tendo sido criado “um modelo coordenado de governança”, os “homicídios e chacinas continuam extremamente altos; mortes decorrentes de intervenção policial e tiroteios aumentaram. As disputas entre quadrilhas, incluindo milicianos, fugiram ao controle em diversas áreas.”

Ademais, “o crescimento do número de operações espetaculares, que empregam milhares de agentes para apreender poucas armas e raramente desarticular quadrilhas, é a grande marca da segurança no Rio nos últimos meses” e que “cargas não podem ser mais importantes do que vidas”, razão pela qual “em qualquer plano de segurança pública, os crimes contra a vida precisam ser a primeira e indiscutível prioridade.”

Ao final e ao cabo, entendem os coordenadores que “os riscos de desgaste da imagem das Forças Armadas ao final da experiência da intervenção é real.”

Também acredito nisso, tanto quanto desacredito na eficácia de combater a violência com violência e, ainda mais, com forças militares federais. Tampouco creio que, seja por sua destinação constitucional, seja pela natureza de sua formação, as Forças Armadas darão cabo de questões tão sensíveis, especialmente nos países periféricos, como é a violência urbana e a segurança pública.

Uma pena que os militares das Forças Armadas estejam sendo usados politicamente como instrumentos – especialmente os soldados, óbvio! – pelo Governo Federal, como se vê nas conhecidas e reiteradas “Garantia da Lei e da Ordem”, e agora na intervenção federal no Rio de Janeiro.[7]

Rômulo de Andrade Moreira é Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e Professor de Direito Processual Penal da Universidade Salvador – UNIFACS 



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