Jaime Amorim: greve de fome em nome da esperança
Agosto 7, 2018 10:27![]() |
| Desde 1992, Amorim vive em Pernambuco, estado no qual participou da primeira ocupação / Nacho Lemos/TeleSur |
Catarinense colaborou na construção do MST no nordeste
por Rafael Tatemoto no Brasil de Fato
Com 58 anos, quatro filhos e um neto, Jaime Amorim é integrante da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e representante da América do Sul na Coordenação Internacional da Via Campesina.
O início de sua militância começou em 1979, quando ingressou em uma comunidade eclesial de base e passou a integrar a Pastoral da Juventude em Guaramirim (SC). Se formou em Pedagogia e sem abandonar o trabalho na roça, passou a integrar a Comissão Pastoral da Terra. Em 1985, participou do primeiro Congresso do MST.
“Eu fui ministro da eucaristia, ministro da palavra. Fui também catequista. Minha base política, familiar, de trabalho, foi formada nessa comunidade. Eu fui coordenador da Pastoral da Terra em Joinville. Continuava a trabalhar na roça, mas tinha essa tarefa. Com o Congresso [do Movimento], a gente assumiu a tarefa de construir o MST no norte de Santa Catarina”, relembra.
Em meados de 87, deixa o sul do país com a tarefa de construir o MST no nordeste do Brasil, passando por diversos estados: Bahia, Alagoas, Sergipe, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. A partir de 1992, se fixa em Pernambuco, estado no qual a primeira ocupação do movimento ocorreu em 1989, com a participação de Amorim.
Além de denunciar a situação do país - como a volta da fome e da pobreza -, a greve de fome da qual participa o líder sem terra tem como um de seus pontos a liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva. A disposição de Amorim em aderir ao protesto não significa um abandono de uma análise crítica dos governos petistas.
Nos anos 2000, Amorim escreveu “Da Esperança à Frustração” como parte de uma pós-graduação na Universidade Federal de Juiz de Fora. Nela, expõe os limites da atuação petista, apontando como os governos “neodesenvolvimentistas”, marcados pela inclusão social e melhoria das condições de vida, não foram acompanhados de organização popular e disputa das consciências.
Agora, Amorim pensa que é possível ir da frustração a uma nova esperança, ou seja, que um próximo governo de Lula - enquanto “instituição e aquilo que representa para o povo brasileiro” - possa enfrentar as razões estruturais de nossa sociedade.
“Nós sofremos um processo de frustração, sofremos o golpe [de 2016] e passamos a reconhecer que parte daquela política era importante para os trabalhadores e agora é a nova esperança, que ele possa revogar tudo que foi feito durante o golpe e fazer tudo aquilo que não foi feito”, defende.
É essa esperança renovada que embasa a opção e desprendimento de Amorim em aderir à greve de fome por Justiça no STF.
“Quem tá na militância pode dizer: não temos muito tempo para ter medo. Do ponto de vista pessoal, estou muito seguro. Se for preciso, a gente coloca a vida em disposição. Se eu não voltar, não tem problema. A gente cumpriu uma tarefa. Quem tá na militância pode dizer: não temos muito tempo para ter medo”, diz.
Nesta terça-feira (7), o protesto entra em seu oitavo dia.
Julho registra menor taxa de homicídios desde 2005 no MA
Agosto 3, 2018 14:57
Silvia Tereza no Maranhão da Gente
O mês de julho, geralmente muito movimentado em razão da programação das férias, registrou queda expressiva nos índices de criminalidade na Região Metropolitana de São Luís. Foram 14 homicídios em julho deste ano, uma redução de 53% nos registros, se comparado ao mesmo período do ano passado, quando houve 30 casos. O número de homicídios é o menor já registrado no mês desde 2005 e o mês ficou 15 dias sem qualquer registro de homicídios.
Os homicídios integram o conjunto de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), incluindo o latrocínio (roubo seguido de morte) e a lesão corporal com morte. Este grupo de crimes também apresentou diminuição em julho. Foram 15 ocorrências este ano – 56% menos registros, em comparação ao período anterior, que apontou 34 casos. Os CVLIs são o indicativo utilizados para medir o nível de criminalidade no país, adotado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
A estatística, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA), reflete as medidas de impacto com operações intensificadas, investimentos no setor e valorização dos policiais, destaca o secretário de Estado de Segurança Públicas, Jefferson Portela. “A retração da violência é constante e se consolida em mais segurança para a sociedade. Por se tratar de um mês de grande movimentação, os resultados são de grande relevância e mostram os esforços da gestão”, reforça.
No comparativo dos sete primeiros meses deste ano, em relação ao ano passado, a redução foi de 40%, nos casos de CVLIs. De janeiro a julho de 2017, os registros somam 363 ocorrências deste conjunto de crimes; este ano, no mesmo período, o número de casos caiu para 217. Considerando apenas os homicídios dolosos, a diminuição se iguala – 40%.
Menos mortes violentas na Região Metropolitana
As estatísticas apontam, ainda, redução gradativa dos casos de latrocínio e lesão corporal com morte. Neste grupo, as ocorrências diminuíram 75% no mês de julho. “Temos mantido uma linha de diminuição gradativa destes casos, fruto de um trabalho articulado e integrado entre os setores da Segurança Pública”, pontuou o titular da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), Lúcio Reis. A SHPP, implantada em 2015, possui setores, efetivo e tecnologia especializada para investigação desses casos.
Mais investimentos
A aquisição da Delegacia Móvel para apurar estes casos, investimento em laboratórios com tecnologia de ponta, aumento do efetivo e promoção de medidas para valorização do policial complementam as estratégias da gestão para êxito das operações. Somado a estes, a implantação da Delegacia de Homicídios, que atua 24 horas apurando os casos no local.
Impactos do racismo na assistência à saúde das mulheres negras
Agosto 3, 2018 11:04![]() |
| Pesquisa do Ministério da Saúde de 2014 aponta as desigualdades na assistência à saúde das mulheres negras em relação as brancas Foto Christian Woa |
O racismo institucional contraria princípios e diretrizes do SUS e políticas públicas destinadas às mulheres negras.
Hildevânia Macêdo* no Brasil de Fato
O racismo continua se constituindo como um entrave à garantia do direito à saúde, dificultando a assistência à saúde, que deveria garantir e efetivar as políticas públicas equitativas. As desigualdades raciais e seus efeitos na saúde refletem o racismo institucional, contrariando os princípios e diretrizes do SUS e das políticas públicas destinadas à saúde de mulheres negras.
Como afirma Fernanda Lopes, “A luta contra o racismo requer produzir reflexão e ação contra o modo pelo qual essa subordinação se realiza”. A categoria raça foi redescoberta recentemente e tem sido um operador sensível para identificar as desigualdades e as iniquidades que vulnerabilizam a população negra. Conforme dados do Ministério da Saúde (2014), existe uma diferença no atendimento às mulheres negras: estas recebem menos tempo de atendimento médico que mulheres brancas e compõem 60% das vítimas da mortalidade materna no Brasil.
Em relação ao parto, somente 27% das negras tiveram acompanhamento, ao contrário das brancas que somam 46,2%, além de outras desigualdades como quando se trata de anestesias, e informações pós-parto, como aleitamento materno. As mulheres negras estão mais submetidas ao aborto inseguro em maior proporção quando comparada com as mulheres brancas, contribuindo substancialmente para a mortalidade materna.
É nesse sentido que o movimento feminista e o movimento de mulheres negras tem se colocado como sujeitos políticos no enfrentamento dos sistemas ideológicos e nas desigualdades produzidos por eles a partir da autonomia, afirmação da diferença, igualdade, incidência na pactuação, monitoramento e avaliação das políticas e programas governamentais. Esse olhar feminista e antirracista, se constitui como estratégia para enegrecer a saúde pública, e exigir que a gestão pública considere a questão racial como conceito norteador na elaboração e implementação das políticas públicas, e assim contribuir com a desnaturalização da inferiorização da negritude e do feminino.
Desse modo, é possível perceber os reflexos de uma sociedade capitalista de tradição escravocrata e o quanto os impactos desta sociedade afetam a saúde e a qualidade de vida das mulheres negras. No entanto, o enfrentamento ao racismo não deve ser unicamente institucional, pois as discriminações raciais não são um problema apenas da saúde pública, estão imbricadas no tecido social estruturante de uma sociedade racista e patriarcal. É necessário que os profissionais e trabalhadores da saúde junto à população lutem por um SUS antirracista.
*É psicóloga, feminista negra e ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras e do Movimento de Mulheres Negras na Paraíba.
Alckmin estuda acabar com gratuidade no ensino superior
Agosto 3, 2018 9:51![]() |
| Foto: Agência Brasil |
Alckmin estuda acabar com gratuidade no ensino superior, começando pela pós-graduação
No mesmo dia em que veio à tona a notícia de que os cortes orçamentários do governo Temer colocarão fim às bolsas de pós-graduação, o pré-candidato tucano anunciou na GloboNews que estuda acabar com a gratuidade do ensino superior público.
Geraldo Alckmin, pré-candidato à presidência pelo PSDB, anunciou em sabatina na Globo News, na noite desta quinta-feira (2), que estuda acabar com a gratuidade no ensino superior público, começando pela pós-graduação.
“O primeiro caminho que vejo é cobrar a pós-graduação. Esse seria o primeiro passo”, afirmou. Quando um dos entrevistadores perguntou novamente para se certificar que ele iria cobrar mensalidade no ensino superior, o tucano completou: “Não está fechado que ensino superior seguirá sendo gratuito. Pode começar com pós graduação paga”.
Alckmin afirmou que, eleito, formará um grupo de trabalho para estudar o tema, e minimizou dizendo que é a favor de ações afirmativas, como as cotas. “É algo a ser estudado, não garanto [a gratuidade]“.
A fala do tucano sobre ensino superior vem no mesmo dia da notícia de que, por conta da PEC dos Gastos, as bolsas de pós-graduação estão ameaçadas para 2019.
fonte desacato.info



