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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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‘Fim do Foro Privilegiado é a proposta de quem não tem proposta

5 de Maio de 2018, 5:00, por Blog do Arretadinho

Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral Barroso e Fux. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Nos últimos anos, o debate político brasileiro foi tomado, quase que exclusivamente, por uma única pauta: a corrupção. Esta foi colocada pela grande mídia e por boa parte dos brasileiros como o grande problema do país, a raiz de todos os nossos males. E, junto com essa simplificação dos problemas, é claro, veio também a simplificação das soluções.

Figuras políticas das mais diversas vertentes, e a própria Suprema Corte, têm alardeado o fim do famigerado “foro privilegiado” como o grande remédio para o país. Alegam eles que esse mecanismo se tornou uma máquina de impunidade para os poderosos e que o Brasil só caminhará para o futuro que merece quando o tal do “foro” acabar.

E, mais uma vez atendendo a um suposto “clamor popular”, essa semana o STF encarnou o legislador (de novo) para mudar algumas regras a respeito do “foro privilegiado”. O voto de Barroso, o pseudo-garantista que adora falar em impunidade, acabou vencendo para restringir o privilégio de foro apenas para os crimes cometidos durante o mandato e em função do cargo.

Em resumo, se, durante o mandato, um deputado “bater uma carteira”, será julgado em 1ª instância, mas se desviar alguma verba aproveitando-se de sua posição, será julgado pelo STF. Qualquer crime cometido antes de ser eleito, por sua vez, será julgado em 1ª instância.

Curioso é que, embora mais de 55 mil autoridades gozem do privilégio de foro, o STF apenas limitou o direito para deputados e senadores, justo os cargos que o instituto do “foro privilegiado” mais intenciona proteger de ataques antidemocráticos. Ministros, juízes, promotores e outras autoridades seguem intocados, algo que poderia ser mudado através de alguma PEC, o que não acontecerá este ano já que a intervenção no Rio de Janeiro impede reformas na Constituição.

Por enquanto, só quem “emenda” a Constituição no Brasil é mesmo o STF, embora essa não seja a sua função e embora nenhum de seus membros tenha sido eleito pelo povo para poder exercer essa função com alguma legitimidade. Ditadura de toga pouca é bobagem.

Não que a questão do “foro privilegiado” não tenha alguns problemas que mereçam correção, mas, me perdoem os que creem nessa tábua de salvação, modificá-lo sequer arranharia as estruturas da corrupção no país.

Os defensores da medida argumentam, por exemplo, que o julgamento de autoridades por tribunais superiores aumenta a impunidade pela demora das ações criminais nessas instâncias. Eduardo Azeredo, ex-Governador de Minas Gerais pelo PSDB, está aí para provar o contrário. Com crimes cometidos em 1998, o tucano segue livre, ainda sem dar início ao cumprimento de pena.

Outro caso emblemático que, como o de Azeredo, teve início na 1ª instância, mas que se arrasta por ainda mais tempo, é o julgamento do Massacre do Carandiru. Ocorrido em 1992, entre uma atuação no mínimo suspeita de promotores e juízes de 1ª instância e declarações vergonhosas de desembargadores, o massacre segue em julgamento que se arrasta até hoje após a anulação do Júri pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A assombrosa atuação da justiça de 1ª instância no caso, aliás, deixo para retomar mais à frente neste artigo.

Mas muitos outros exemplos de demora nas instâncias ordinárias ainda podem ser citados. Aliás, o próprio Ministro Barroso já nos fez esse favor ao dar o seu atrapalhado voto no recente julgamento do HC de Lula. Na ocasião, Barroso, tentando demonstrar como recursos impetrados nos Tribunais Superiores contribuíam para a prescrição de processos criminais, acabou, sem querer, mostrando a morosidade dos tribunais ordinários.

Como bem analisou o professor Andrei Zenkner Schmidt, dos 7 casos citados por Barroso em seu voto, 4 encontraram maior morosidade na 1ª instância do que nos Tribunais Superiores. Não bastasse o absurdo de colocar o princípio da celeridade processual na frente do da presunção de inocência, o pseudo-garantista Barroso ainda comprovou que, por cima ou por baixo, o Judiciário só trabalha rápido quando quer. Lula que o diga.

Independentemente de quem esteja demorando mais, é importante dizer que um julgamento célere é um direito previsto na Constituição, mas não é, por si só, uma garantia de um julgamento justo. De nada adianta uma ação judicial rápida que esmague outros direitos importantes como o contraditório e a ampla defesa.

Além disso, ao menos para mim, preocupa muito mais a demora no julgamento de pessoas presas que ainda nem tiveram a oportunidade de sentar à frente de um juiz, como é o caso de 40% dos cerca de 700 mil presos no Brasil. Em Pernambuco, por exemplo, 84% dos presos provisórios esperam mais de 6 meses para enfim serem julgados.

Por fim, espanta que um Ministro defenda que, para corrigir a morosidade da justiça, deve-se diminuir direitos fundamentais dos cidadãos. Ora, que culpa nós temos se algumas das Excelências passam mais tempo passeando em Portugal do que trabalhando no Brasil?

Enfim, dado o histórico da Justiça brasileira, não me parece que o fim do “foro privilegiado” seja uma garantia de que políticos corruptos não mais escaparão de seus crimes através da prescrição.

Tampouco me parece razoável a ideia de que os tribunais ordinários tenham maior idoneidade na hora de julgar. Pode parecer absurdo, mas, talvez tomados por uma idolatria a algumas divindades togadas como Moro, defensores da extinção do “foro privilegiado” têm usado o argumento de que, em 1ª instância, não haveria espaço para conchavos que livrassem corruptos de suas punições.

Aqui, retorno ao julgamento do Massacre do Carandiru para dizer que essas pessoas não poderiam estar mais erradas. É bem verdade que a anulação do Júri que condenou 74 policiais se deu pelos desembargadores de 2ª instância, mas foi uma série de erros cometidos no tribunal ordinário que possibilitaram a impunidade.

Em 1ª instância, o Procurador responsável pela acusação chegou a justificar o assassinato pelo fato de “o pavilhão estar cheio de assaltantes e assassinos perigosos que protegiam facções”. Foi esse mesmo Procurador quem não viu problemas em adiar a perícia de confronto balístico, algo que seria essencial para individualizar as condutas dos policiais, ou seja, dizer quem matou quem.

Pouco tempo depois, as balas acabaram sumindo (ou foram sumidas) e não foi mais possível produzir essa prova essencial. A impossibilidade de individualizar as condutas foi o ponto chave para os desembargadores anularem o Júri que havia condenado os 74 policias. Aliás, vale lembrar que esse processo correu em 1ª instância por mais de 20 anos, demorando apenas 3 anos para ser julgado em instância superior. Com a anulação, o processo continua se arrastando sem solução.

Esse é só um dos muitos casos em que os tribunais ordinários mostraram sua seletividade. Quando autoridades estão envolvidas, aliás, é recorrente a atuação leniente da Justiça logo na 1ª instância. Jogue no Google a busca “policiais absolvidos” e veja com os próprios olhos.

São casos inexplicáveis como o assassinato dos dois pichadores em São Paulo, em 2014, onde os PMs foram absolvidos sumariamente e sequer foram à Júri. Ou então o processo que julgava os PMs envolvidos na chacina da Cabula de 2015. Nesta ação, a juíza substituta assumiu o processo durante as férias do juiz titular e absolveu sumariamente os policiais se utilizando do Código de Processo Civil. A “generosidade” da juíza foi tamanha que a absolvição se estendeu a 10 policiais, embora somente 9 estivessem sendo processados.

A própria absolvição de Claudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, e os seguidos “perdões” a Alberto Youssef, tanto no Banestado (maior caso de corrupção da história recente do país) quanto na Lava Jato vieram pelas mãos do juiz de 1ª instância Sérgio Moro. Também não faltam casos de juízes de 1º grau que tenham sido acusados de venderem sentenças, muitas vezes, aliás, punidos apenas com a aposentadoria compulsória.

Enfim, ao contrário do que pregam os defensores do fim do “foro privilegiado”, levar casos de autoridades às instâncias inferiores não é garantia de justiça. É claro, porém, que o instituto do “foro privilegiado” não é perfeito e possui suas distorções. Para criticar tais problemas, porém, é preciso compreender melhor o que é esse tal de foro.

***

Como podem ter percebido, a expressão “foro privilegiado”, até agora, somente apareceu neste texto entre aspas. Isso porque essa é a maneira informal como é conhecido o chamado foro especial por prerrogativa de função. É importante conhecer seu nome jurídico verdadeiro para entender a real importância deste instituto.

Isso porque o direito de ser julgado originariamente em instâncias superiores não está ligado a pessoas, mas sim a funções. E são essas funções, importantíssimas para o funcionamento de uma democracia, que estão sendo protegidas pelo instituto do “foro privilegiado”. Assim, o foro por prerrogativa de função, que está longe de ser uma exclusividade brasileira, serve para, de certa forma, trazer um equilíbrio entre os Poderes do país.

De um lado, ele coloca funções extremamente importantes para o país sob o julgamento de órgãos colegiados que, por não concentrarem o poder decisório na mão de apenas uma pessoa, seriam, ao menos em tese, menos falíveis na hora de exercer a Justiça. Além disso, a colegialidade também poderia ser vista como uma forma de diminuir as possibilidades de que o Judiciário se torne uma máquina de perseguição política a opositores. Nessa visão, o “foro privilegiado” seria um gatilho que asseguraria a democracia e a divergência política, além de garantir certa segurança jurídica ao país aos olhos da comunidade internacional.

Não à toa, o AI-5 da Ditadura Militar, em seu artigo 5º, inciso I, ao suspender direitos políticos, determinou a “cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função”, junto com a suspensão de eleições sindicais, a proibição de manifestações de natureza política e outras restrições a liberdades.

Por outro lado, o foro por prerrogativa de função também protege os próprios membros do Judiciário e do Ministério Público que venham a julgar e acusar outras autoridades, já que, em tese, coloca o julgamento de tais autoridades nas mãos de juízes e promotores hierarquicamente superiores e mais fortes, com maior proteção institucional, garantindo que eles não venham a sofrer com pressões externas.

Por isso fala-se em maior equilíbrio entre Poderes, já que, teoricamente, o “foro privilegiado” age nos dois lados ao proteger julgadores e julgados de perseguições e influências externas.

Na prática, porém, o que vemos na atualidade é uma falência total da Justiça brasileira, onde as perseguições políticas tomaram todas as instâncias do Poder Judiciário no que chamamos de “judicialização da política”. No Brasil, a recente trajetória de Lula mostra bem que, se o fim do “foro privilegiado” pode causar insegurança jurídica, os Tribunais Superiores estão longe de garantirem isenção quanto a perseguições políticas.

Quando Dilma nomeou Lula como Ministro Chefe da Casa Civil em 2016, a Justiça de 1ª e 2ª instâncias causou grande confusão no país ao suspender e autorizar, seguidamente, a posse do ex-Presidente. Foram três liminares impedindo a posse vindas de 3 Estados diferentes em menos de 3 dias, até que a situação fosse enfim “pacificada” com uma decisão do Supremo. Foi um caso que mostrou com clareza a instabilidade política na qual o país pode ser jogado caso cargos políticos venham a ficar à mercê de qualquer juiz do país.

A mesma situação mostrou, porém, que um julgamento em instâncias Superiores tampouco está livre de ser pautado por perseguições políticas, já que a Suprema Corte decidiu por impedir a posse de Lula como Ministro, mas, pouco tempo depois, em caso semelhante envolvendo Moreira Franco, mudou o entendimento para garantir a posse do Ministro de Temer.

Também não podemos falar que os membros de Tribunais Superiores estejam completamente livres de influências externas simplesmente por estarem em uma alta posição hierárquica. O que dizer, por exemplo, da ameaça via Twitter feita pelo General Villas Bôas ao STF um dia antes do julgamento do HC de Lula?

Do mesmo modo, ou talvez até mais vulneráveis, estão os juízes de instâncias inferiores. A juíza Patrícia Acioli foi assassinada por punir autoridades policiais. A juíza Kenarik Boujikian e o juiz Luis Carlos Valois foram perseguidos simplesmente por terem uma visão mais garantista do Direito Penal.

Em suma, o que se pode depreender destes casos e de tantos outros semelhantes que ocorreram nos últimos anos é que, tanto nas primeiras instâncias quanto nos Tribunais Superiores, o Brasil falhou em conseguir construir um Poder Judiciário que não agisse por interesses políticos escusos. Nessa linha, não faz sentido colocar o fim do “foro privilegiado” como a grande salvação nacional para o país, dada a falência generalizada do Sistema de Justiça brasileiro.



De nada adiantar extinguir o foro por prerrogativa de função se não mudarmos a estrutura geral do Judiciário, o Poder com menos mecanismos de participação popular do país.



A começar pela estrutura do Conselho Nacional de Justiça, único órgão não jurisdicional do Judiciário (ou seja, que não julga conflitos processuais). A função do CNJ é justamente a de fiscalizar e controlar a atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e de seus membros.

É o CNJ, por exemplo, que pode punir juízes que “sentam” em processos por motivos políticos, que cometam abusos de poder ou que recebam benefícios ilegalmente, como ocorre com a farra dos auxílios-moradia. Porém, é raro ver juízes punidos por tais atos e, quando isso ocorre, muitas vezes a punição é uma aposentadoria compulsória que mais parece um prêmio.

Isso acontece porque, dos 15 membros do CNJ, 9 devem ser nomeados entre membros do próprio Judiciário. Outros 2 são membros do Ministério Público, mais 2 são advogados indicados pela OAB e a última dupla é de cidadãos nomeados por Senado e Câmara Federal. Essa composição favorece o corporativismo exagerado e transforma o CNJ em um órgão que mais protege os erros dos juízes do que os fiscaliza propriamente.

Ainda que seja plausível que juízes no país todo sejam selecionados por concurso público, já que sua atividade jurisdicional tem alto grau técnico e exige certa independência, não se explica o porquê dos membros do CNJ não serem submetidos a eleições populares e abertas. Em uma democracia, quanto mais as funções de administração e fiscalização forem abertas ao povo, melhor.

Além disso, vale lembrar que juízes também têm “foro privilegiado” e extingui-lo faria com que juízes que cometam crimes possam ser julgados por seus colegas de fórum. Hoje, por exemplo, um juiz de 1ª instância que comete um crime é julgado por desembargadores de 2ª instância.

Sem o foro por prerrogativa de função, um juiz criminal que cometesse um delito poderia ser julgado pelo juiz de 1ª instância que trabalha diariamente no gabinete da Vara Criminal vizinha a sua. Se a punição de juízes por instâncias superiores já é difícil, imagine se as investigações ficarem a cargo de colegas de trabalho ainda mais próximos?

É possível, também, questionar o modelo de Suprema Corte que adotamos para o Brasil. Se é praticamente impossível dissociar o STF da política nacional, e se o próprio Supremo se enxerga como um órgão de caráter político sujeito ao “clamor popular”, poderia ser mais plausível, talvez, que ele não integrasse o Poder Judiciário ou se submetesse a eleições como os demais Poderes, o que lhe garantiria maior legitimidade em suas ações.

Não faltam exemplos de Tribunais Constitucionais com maior participação política, como Alemanha, França ou Portugal.

Não quero, aqui, delimitar qual seria o modelo ideal de Tribunal Constitucional para o país. Mas creio que devemos agir para despolitizar a Suprema Corte do país ou, ao contrário, politizá-la de vez criando maiores possibilidades de controle popular sobre a instituição. Confesso que me atrai mais a segunda opção, mas estou certo de que não podemos continuar nesse “limbo” onde a Suprema Corte age como órgão político, mas não se submete a controles políticos tradicionais.

Porém, se a preocupação geral do Brasil é a de combate à corrupção, antes de qualquer debate sobre o Judiciário, o país precisa superar de vez a noção de que todos os seus problemas podem ser resolvidos apenas com polícia, juízes, promotores e processos criminais.

Nesse sentido, as “10 medidas contra a corrupção” propostas pelo MPF, que, curiosamente, são defendidas pelos mesmos que clamam pelo fim do “foro privilegiado”, foram mais uma ação inócua que pouco poder teria no combate à corrupção. Tudo o que as medidas propunham nada mais era do que a concessão de superpoderes a autoridades como delegados, juízes e promotores.

Convenhamos, dar superpoderes a autoridades é, ao contrário, o princípio básico de qualquer esquema de corrupção no mundo. Fazendo isso, as “10 medidas” mais possibilitariam atos de corrupção dessas autoridades do que combateriam a dita “roubalheira” no país. Por outro lado, espanta que um documento intitulado como “10 medidas contra a corrupção” não falasse absolutamente nada sobre leis de licitações e contratos públicos, Tribunais de Contas, Ouvidorias, Corregedorias, Controladorias e outras formas de fiscalização e controle popular.

Vale lembrar que uma das primeiras medidas do Governo Temer foi, justamente, reduzir a autonomia da CGU e fazer alguns cortes no setor. Nos escândalos do Rio de Janeiro, no ano passado, 5 dos 7 Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado foram presos sob suspeitas de permitirem atos de corrupção por parte do Governo Estadual. O Poder Judiciário tem calafrios só de ouvir falar na criação de Ouvidorias externas, já que, atualmente, os ouvidores de justiça são os próprios juízes.

Todos esses órgãos são essenciais na luta contra a corrupção e na transparência, porém, são constituídos por nomeações nada democráticas feitas pelas próprias pessoas que deveriam ser fiscalizadas. Mas o discurso de combate à corrupção que se vê na grande mídia ignora tais problemas, focando em discussões vazias como o fim do “foro privilegiado” ou em posições perigosas e antidemocráticas como a cultura punitivista e o aumento do poder das polícias e do Judiciário.

Assim, a bandeira do fim do “foro privilegiado” se tornou uma arma populista na boca de pessoas que buscam votos ou aprovação a qualquer custo. Se tornou a proposta de quem não teve a capacidade de pensar em proposta alguma. A proposta de quem talvez tenha motivos para ter medo de falar em construção de poder popular.

Por que certamente não acabaremos com a corrupção dando superpoderes a algumas autoridades e muito menos com o fim do “foro privilegiado”. Corrupção se combate com participação popular e transparência e o Brasil tem um sério déficit democrático nessa questão.

Almir Felitte é advogado, graduado pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.



Altamiro: "Se dependesse da Veja, Lula estaria numa câmara de gás"

4 de Maio de 2018, 17:24, por Blog do Arretadinho

Reprodução
A revista Veja desta semana traz uma matéria em que garante que na tarde do dia 27 de abril teve acesso com "exclusividade" ao local onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso, e seguindo o seu roteiro de factoides, apresentou uma suposta rotina do primeiro mês na prisão, mas que na verdade é um panfleto que tenta desconstruir a imagem do ex-presidente.

Por Dayane Santos

"A Veja está descontente com o fato do Lula estar preso e mesmo assim ser notícia todos os dias", avalia o jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, se referindo as diversas manifestações de solidariedade e contra a arbitrária prisão de Lula, citando a vigília com acampamento, o ato de 1º de Maio - que foi o maior já realizado em Curitiba - e os pronunciamentos de lideranças internacionais.

Já o professor aposentado da Faculdade de Comunicação da USP, Laurindo Lalo Leal, afirma que até os anos 90, a Veja foi uma revista importante, mas após a vitória das forças progressistas o veículo entrou no que chama de "rota de sensacionalismo hostil".

"A partir do governo Lula, a Veja entrou numa rota de panfletagem do sensacionalismo claramente hostil aos governos populares de Lula e Dilma, chegando a ser a maior reprodutora do que hoje chamamos de Fake News", analisou Lalo, citando como exemplo a capa publicada na véspera das eleições de 2014, com a foto de Lula e Dilma, que dizia "Eles sabiam de tudo", tratando sobre as investigações da Petrobras. 

"Na verdade, era muito mais do que a capa. Era a capa transformada em outdoors, numa clara demonstração de que aquilo não era jornalismo, mas propaganda política", enfatizou. "Esse capa [desta semana] é a continuidade desse processo",acrescentou

Altamiro não considera que a Veja seja uma revista, mas "um panfleto que estimula ódio no Brasil". "Se dependesse da Veja, o Lula estava esquecido. O que incomoda é o fato de que mesmo preso, Lula é motivo de mobilização, solidariedade internacional e crítica aos abusos cometidos contra ele", frisou. "Se dependesse da Veja, que já fez dezenas de capas em que Lula aparece sangrando ou vestido de presidiário, o ex-presidente não estaria preso, mas numa câmara de gás num campo de concentração nazista. Essa é a vontade da Veja", completou o jornalista.

A avaliação de Altamiro é constatada na reportagem da revista que demonstra sua frustração ao insinuar que o ex-presidente, preso em regime de isolamento, teria privilégios com uma "rotina diferente da dos outros 22 presos na carceragem da PF em Curitiba". 

"O ex-presidente não tem hora para acordar ou dormir, não tem hora para o banho de sol, pode receber os advogados quando desejar", afirma a revista, como se receber advogados não fosse um direito de Lula ou de qualquer outro preso.

A revista diz ainda que a cela é "confortável se comparada às demais, não fica trancada" e ainda tem "banheiro, onde
há um boxe com chuveiro elétrico, uma pia e um vaso sanitário". 

"Normalmente, a porta permanece apenas fechada. Mesmo sem horários rígidos, o dia de Lula na prisão começa por volta das 7 horas — e segue uma rotina especial", diz.

Até mesmo o fato do encarregado de servir a refeição bater na porta antes de abri-la é considerado inadimissivel para a revista. "Entra, coloca a marmita sobre a mesa redonda e aplica uma dose de insulina no ex-presidente, necessária para o tratamento do diabetes", descreve.

Para Altamiro, se a versão da Veja de que estiveram na Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso, for verdade, é uma demonstração de que Polícia Federal e a Lava Jato "perderam qualquer estribeira".

"Proibiram a entrada do Prêmio Nobel. Proibiram a entrada de governadores e de sindicalistas. Proibiram a entrada de Leonardo Boff, um dos mais importantes teólogos do mundo e conselheiro do Papa Francisco, mas permite a entrada de jagunços da imprensa. É uma coisa inexplicável", afirmou o jornalista.

Ele não duvida de que a reportagem foi feita a partir da autorização da entrada do jornalista e não por um informante. "Existe uma relação entre o aparato coercitivo do Estado - Ministério Público e Polícia Federal - e o aparado de hegemônico da sociedade civil que é a mídia. Essa relação o próprio Moro descreveu em sua tese apontando que era fundamental para garantir o êxito de uma operação eivada de abusos", lembrou.

Lalo reforça que se confirmado o fato, a Polícia Federal deve explicações por esse irregularidade ou "responder "quem foi o espião da Veja dentro da carceram".

Para o professor, por mais que seus leitores se identifiquem com a linha política "eles percebem que o limite entre a propaganda e a informação vai sendo rompido".

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), afirmou que se trata de "um fato de gravidade ímpar" que revela o "conluio, a cumplicidade da mídia com a Lava Jato, para destruir reputações".

"Se esta matéria for verdadeira, significa a falência do Sistema Judiciário brasileiro e que a cada dia revela a sua capacidade de ser pior. Estamos assistindo há dias um tratamento desumano jamais visto a um líder político que é um chefe de estado reconhecimento internacionalmente", disse o parlamentar.

Segundo Pimenta, se a matéria for real é mais um sinal da instalação do estado policial no Brasil. "Eu custo a acreditar que esta matéria seja verdadeira. Quero crer que não seja verdadeira", acrescentou. 



Bar no Rio dá desconto para quem pagar com notas carimbadas com ‘Lula livre’

4 de Maio de 2018, 13:27, por Blog do Arretadinho

O Banco Central já desmentiu a fake news de que as notas carimbadas não podem ser aceitas e o Bar do Omar, na zona portuária do Rio de Janeiro, aproveitou para anunciar um desconto para quem usar as cédulas com mensagens de apoio ao ex-presidente

Por Redação da Revista Fórum

Enquanto alguns comerciantes viram a cara e se recusam a aceitar cédulas com o carimbo de ‘Lula livre’, outros, que apoiam o ex-presidente Lula, resolveram incentivar ainda mais a iniciativa inusitada. É o caso do Bar do Omar, na zona portuária do Rio de Janeiro.

O dono do estabelecimento, Omar Monteiro, nunca escondeu sua simpatia por Lula e, aproveitando o momento, compartilhou uma foto do ex-presidente da página do bar e anunciou o desconto.

“Só pra avisar que pagando com notas carimbadas com o Rosto do Lula, no Bar do Omar, tem 10% de desconto”, postou.



Nesta quarta-feira (2), o Banco Central, em nota, desmentiu a fake news que estava circulando em grupos de Whatsapp que dizia que as notas carimbadas não deveriam ser aceitas pela rede bancária. Notas com carimbo, não só o com o rosto de Lula, são aceitas pelos bancos como qualquer outra nota.



Cuba é o primeiro país a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho

4 de Maio de 2018, 13:16, por Blog do Arretadinho

Uma enfermeira do Exército de Salvação em Johanesburgo segura uma criança infectada por HIV, em uma foto de arquivo. REUTERS
OMS diz que ilha conseguiu feito inédito de erradicar a transmissão do vírus e o da sífilis

por SILVIA AYUSO no El País

Todo ano, cerca de 1,4 milhão de mulheres com HIV engravidam. Se não recebem tratamento, as chances de que transmitam o vírus ao bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação variam entre 15% e 45%. Portanto, é um grande desafio conseguir romper esse círculo vicioso que favorece a perpetuação de um vírus combatido há décadas sem uma cura efetiva. E é justamente isso o que Cuba fez, tal como reconheceu oficialmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira.

Em cerimônia na sede da Organização Panamericana da Saúde (OPS, o escritório regional da OMS) em Washington, a OMS entregou a Cuba a primeira certificação do mundo que estabelece que um país cumpriu o duplo desafio de eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho, bem como da sífilis congênita.

“Foi vencida uma grande batalha na luta contra a aids”, afirmou a diretora da OPS, Carissa Etienne. Eliminar a transmissão vertical do HIV “representa um grande passo para Cuba rumo a uma geração livre de aids”, completou.

“A eliminação da transmissão do vírus é uma das maiores conquistas possíveis no campo da saúde”, disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan, em comunicado.

A possibilidade de 15-45% de transmissão do HIV de mãe para filho cai para apenas 1% se tanto a mãe como o filho recebem retrovirais durante todas as fases em que pode ocorrer a transmissão. Segundo a OMS, o número de crianças que nascem a cada ano com HIV foi reduzido quase pela metade desde 2009, passando de 400.000 a 240.000 em 2013.

Mas a cifra ainda está muito longe da meta prevista para 2015: uma redução para menos de 40.000.

A batalha contra a transmissão materno-infantil da sífilis também tem ainda muitos desafios pela frente: todo ano, quase 1 milhão de mulheres grávidas são contagiadas com esse vírus, que pode provocar de morte fetal ou perinatal a infecções neonatais graves. Tudo isso, diz a OMS, quando existem “opções simples e relativamente acessíveis de detecção e tratamento durante a gravidez”, como a penicilina, que podem eliminar a maior parte dessas complicações.

Em Washington, numa cerimônia junto ao ministro cubado da Saúde, Roberto Morales Ojeda, a diretora da OPS destacou o ponto essencial da façanha cubana: “O sucesso de Cuba demonstra que é possível um acesso universal à saúde e que, de fato, ele é fundamental para o êxito da luta contra desafios tão preocupantes como o HIV”, afirmou Etienne.

O sucesso de Cuba demonstra que é possível um acesso universal à saúde", afirmou a diretora da Organização Panamericana da Saúde

Cuba conta com um serviço público de saúde “gratuito, acessível, regionalizado, integral e sem discriminação, baseado nos cuidados primários de saúde”, segundo o ministro Ojeda, que também atribuiu essa conquista a uma “vontade política” fundamental e à participação das comunidades nos programas de atendimento e prevenção.

No continente americano, a OMS-OPS tem trabalhado desde 2010 numa iniciativa regional para eliminar a transmissão materno-infantil do HIV e da sífilis.

Cuba é o primeiro país a receber o certificado oficial, mas há outros seis países e territórios que também poderiam ter eliminado a transmissão do HIV de mãe para filho: as ilhas britânicas caribenhas de Anguila e Montserrat, Barbados, Canadá, Estados Unidos e Porto Rico. Outros 14 conseguiram, supostamente, eliminar a sífilis congênita.

A OMS considera que um país eliminou a transmissão materno-infantil do HIV quando registra menos de dois bebês infectados para cada 100 nascidos de mães portadores do vírus. No caso da sífilis, é menos de um caso para cada 2.000 nascimentos vivos.

No âmbito da iniciativa da OPS, Cuba implementou nos últimos anos medidas como a assistência pré-natal precoce e exames de HIV e sífilis tanto para as mulheres grávidas como para os pais. Também oferece tratamento às mulheres cujo teste dá positivo e a seus bebês, além de fomentar medidas de prevenção, como o uso de preservativos.

Como resultado, refletido agora na certificação oficial da OMS, Cuba registrou em 2014 apenas os casos de dois bebês que nasceram com HIV e outros cinco com sífilis congênita, números inferiores aos mínimos para que se considere realizado o objetivo de eliminar a transmissão materno-infantil dessas doenças.



Feira do MST é apenas uma amostra do que assentados realizam

4 de Maio de 2018, 7:36, por Blog do Arretadinho

Foto Julia Nassif/Ignacio Lemus
por Lourdes Nassif no Jornal GGN 

Mesmo com os números da reforma agrária difíceis, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ainda faz, com sua Feira Nacional uma amostra do que é feito pelos assentados como forma de prestar contas à sociedade. Num quadro em que há dois anos nenhum novo cadastro para assentar famílias é feito, o MST traz a conquista, obtida com respeito à terra, à diversidade das regiões e fortes na produção sem nenhum tipo de agrotóxico.

João Paulo Rodrigues é taxativo ao dizer que se arrisca a afirmar que esta é a maior feira do Brasil do ponto de vista da diversidade. Ele é dirigente nacional do MST e porta voz nesta edição da Feira que começou nesta quinta-feira, dia 3, e vai até domingo, dia 6, no Parque da Água Branca, na capital paulista. João Paulo informa que lá serão comercializados mais de 1,2 mil itens produzidos em 23 estados e no Distrito Federal, locais onde o movimento se organiza.

O dirigente vai mais longe ao lembrar que o agronegócio é, basicamente, monocultura. São cinco produtos do agronegócio: soja, cana, papel, boi e milho, contra a diversidade do movimento. E o MST, de todo o Brasil, leva 330 toneladas de produtos em 1,2 mil itens diferentes que, por si, falam sobre o que é e a importância da reforma agrária.

Neste momento delicado da vida política brasileira e de ódio crescente aos movimentos sociais, a estratégia do MST é dialogar com a sociedade a partir da sua produção, informar que o fim e a tarefa da reforma agrária é a produção de alimentos saudáveis, é a luta por políticas sociais onde todos tenham as mesmas oportunidades, é o bem estar. Não é guerra que o MST busca, ao contrário, é a pacificação em torno de suas bandeiras e levar a certeza de que este é o caminho certo, já alcançado em outros países.

Sempre bom lembrar que a violência no campo tem como vítimas exatamente o lado dos camponeses, então é bom frisar que o MST não quer a luta, quer a pacificação. Desde o golpe de 2016 foram 106 mortos no campo, todos ligados à luta pela terra, nenhum na luta contra os que lutam contra a terra.

Este cenário de muitas mortes no campo e poucos assentamentos realizados era a realidade em 2003, quando Lula assumiu. Gradativamente o quadro foi mudando, apaziguando mortes e assentando um grande número de famílias. No golpe, o quadro inverteu novamente, onde o clima de crise democrática fez com que houvesse um aumento na onda de ódio contra o MST e seus integrantes.

Hoje a questão é dialogar com a sociedade, mas através da diversidade e qualidade de produtos. E não só, a Feira tem uma programação intensa com seminários e shows, inclusive com a Unidos do Tuiuti se apresentando no último dia. Um verdadeiro encontro do campo com a sociedade.

Sociedade precisa entender que reforma agrária é alimento saudável, não o contrário. Significa uma mudança radical na qualidade de vida. E entender isso é sair da crítica ideológica ao MST e entrar no real papel do movimento na vida das pessoas da cidade.

Já são 1 milhão e 100 mil famílias assentadas. Deste total, 400 mil permanecem na base do MST em 1.226 municípios. O movimento calcula que hoje já são 8 milhões de hectares de terra com produção de alimento saudável em, mais ou menos, 1% do território nacional.

Quando instados a responder sobre a possibilidade de apoiar candidatos para formação de uma bancada da reforma agrária, os dirigentes João Paulo Rodrigues e Débora Nunes são taxativos: eles não representam nenhum partido político, não são base de nenhum partido político, são um movimento social e, como tal, lutam por melhores condições, contra a reforma trabalhista e a reforma da previdência. São a favor de oportunidades para todos, mas não são partido político. Se ligam ideologicamente a alguns partidos, mas não são quadros partidários.

Na programação do evento, shows de artistas como Martinho da Vila, Otto e Ana Cañas, e seminários sobre a agroecologia e o genocídio negro. No sábado é esperada a vista de pré-candidatos à Presidência da República, como Manuela D'Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT).