Requião denuncia intervenção dos EUA no caso JBS
10 de Junho de 2017, 12:07Requião faz gravíssima denúncia sobre delação de Joesley, dono da JBS; assista ao vídeo
TSE adia cortejo fúnebre do governo Temer
10 de Junho de 2017, 10:04| Gilmar Mendes - Presidente do TSE Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho |
Por meio de gesto asqueroso, TSE adia cortejo fúnebre do governo Temer
Por Demétrio Magnoli-UOL
Quatro juízes lavaram dinheiro sujo. A sentença do TSE de absolvição da chapa Dilma/Temer equivale a uma declaração de que, no Brasil, fica legalizado o desvio em massa de recursos públicos para financiamento de campanha eleitoral. Por meio do gesto asqueroso, o tribunal adia o cortejo fúnebre do governo Temer. No dilacerante velório da Nova República, a deterioração geral manifesta-se como corrupção da linguagem.
O ministro Gilmar Mendes defendeu, em 2015, a recepção da ação do PSDB de impugnação da chapa Dilma/Temer. Destacando a "gravidade" dos elementos da acusação, ele liderou uma maioria de juízes que decidiu pela continuidade das investigações e pela validade da adição de novas evidências. Hoje, não só considera frágeis os elementos iniciais como sustenta a nulidade jurídica das evidências adicionadas a partir das delações da Odebrecht e dos marqueteiros do PT. O que mudou? Temer, não Dilma, está no Planalto.
Temer desmentiu, em nota oficial, ter utilizado o jatinho do "conhecido falastrão" com o qual não privaria de intimidade mas que o visitou, às escondidas, sob o manto da noite, na residência presidencial. Na nota de terça-feira (6), assegurou que, em janeiro de 2011, usara aeronaves da FAB. Dia seguinte, sempre em nota oficial, confrontado com registros aeronáuticos, desmentiu-se a si mesmo, alegando que, na ocasião, voou com a família em avião particular, gratuitamente, sem saber quem seria seu proprietário. O ocupante do Planalto age como criança trapaceira que, flagrada em mentira, dobra a aposta na patranha.
Até segunda ordem, o PSDB desistiu de desistir da nau governista. Os tucanos alegam seguir uma paradoxal "ética do pragmatismo": a "responsabilidade com o Brasil" e o imperativo das reformas. Mas eles sabem que o governo Temer 2, inaugurado com a chicaneira absolvição do TSE, tornou-se refém do Congresso e das corporações. Repetindo o balé da agonia de Dilma, Temer indicou para a pasta da Justiça um advogado de defesa dos políticos corruptos acossados pela Lava Jato. Na trincheira da sobrevivência, o amigo do "conhecido falastrão" dissolverá a reforma previdenciária num caldo ralo, tornando-a ineficaz. A "ética do pragmatismo" não passa de simulação: a única "responsabilidade" tucana é a proteção de Aécio, motivo verdadeiro da permanência no governo.
O Congresso do PT paulista conferiu a José Dirceu, Antonio Palocci e João Vaccari o título honorífico de "presos políticos". Dirceu foi, assim, reabilitado, depois de cair em desgraça no Partido, quando provou-se que roubou não apenas em nome da "causa", mas também do vil metal. A teatral reabilitação destinava-se a proteger Lula, convencendo Palocci a emular o caminho do martírio, afastando-se da salvação pela delação.
Contudo, três semanas depois, no Congresso Nacional petista, um panteão de "heróis do povo brasileiro" continha as imagens de Dirceu e Vaccari, mas não a de Palocci. É que, entre um congresso e outro, a cúpula partidária foi informada da opção palocciana pela tornozeleira eletrônica. Na dança das cadeiras do Partido, heróis e traidores trocam de lugar ao sabor das conveniências judiciais de Lula.
O procurador-geral Rodrigo Janot, autor intelectual do questionário enviado pela PF a Temer, já não faz nenhuma distinção entre justiça e política. Nas 82 perguntas, misturam-se indagações factuais relevantes com improcedentes especulações incriminatórias, num amálgama que forma o discurso político de um "tribuno da plebe".
Com o perene beneplácito de Fachin, a figura que concedeu salvo-conduto aos Batista sabota o valioso patrimônio de credibilidade da Lava Jato, oferecendo fáceis argumentos aos advogados dos políticos em desespero.
A Nova República desmorona em câmara lenta. Aventureiros, salvadores da pátria, farejam oportunidades em meio aos escombros.
Demétrio Magnoli
Doutor em geografia humana, é especialista em política internacional. Escreveu, entre outros, 'Gota de Sangue - História do Pensamento Racial' e 'O Leviatã Desafiado'.
O silêncio dos lobos
10 de Junho de 2017, 9:19
Por Carlos D'Incao
O mais assustador no atual cenário político brasileiro é a certeza de que nosso destino está sendo decidido em águas turvas e profundas por personagens pouco conhecidos, mas detentores de riquezas inimagináveis.
Quem, há um mês, sequer tinha ouvido falar de Joesley Batista? Um bilionário que se enriqueceu com o dinheiro publico e que faz a fina nata da direita brasileira se portar como "incômodos mendigos" sempre insistindo por "alguns trocados" em troca de favores políticos... "Aécio era como uma sarna atrás de dinheiro!" afirmou Ricardo Saud em sua delação...
Pois é... Por um pequeno instante pudemos ver como se relacionam aqueles que ESTÃO no governo com aqueles que SÃO do poder. A farsa da democracia burguesa é exatamente essa: criar uma ilusão ao povo de que são eles que decidem, através do voto, quem os governa. E hoje podemos ver - tão claro como a lua cheia - que quem nos governa não são os governantes eleitos, mas aqueles que SÃO do poder.
E os homens do poder não queriam mais sonhar com a hipótese de uma nação com um povo empoderado, com mais renda e educação... E muito menos queriam saber de uma nação que falava grosso com os países do primeiro mundo e tentava criar laços de fraternidade com os países da América Latina e da África... e então financiaram um golpe de Estado.
Colocaram seus "homens de confiança" para criarem um novo país. Temer e a camarilha de canalhas do PSDB, ficaram incumbidos de parir um "Novo Estado Patrimonialista".
Mas para além da resistência popular, acabaram enfrentando os interesses do "Velho Estado Patrimonialista", uma parte reacionária da sociedade que não estava disposta a abrir mão de seus seculares privilégios - ameaçados pelas Reformas trabalhista e previdenciária.
Foi desse setor reacionário que surgiu esse solavanco recente que quase pôs fim na Ditadura Temer-Tucana. Mas, ao que parece, Temer está se recompondo. A Ditadura se mostra resiliente e disposta a negociar sua permanência.
Em uma demonstração de união e força, os membros desse governo (incluindo Alckmin e outros políticos tucanos) ministraram uma conferência para os maiores investidores do Brasil e do Mundo, reafirmando que as Reformas serão aprovadas.
Depois de empenharem suas palavras de que venderão nossa nação e escravizarão o nosso povo "custe o que custar", pairou o silêncio... Ninguém diz mais nada... Os grandes meios de comunicação estão caminhando para a neutralidade e muito provavelmente o TSE vai arquivar ou inocentar a chapa Dilma-Temer, dando sinal verde para que o rolo compressor do neoliberalismo condene - no mínimo - as próximas dez gerações a viverem em uma sociedade injusta, perversa e selvagem.
O que assistimos hoje é o silêncio dos lobos, antes do ataque final. Pois é exatamente isso o que são aqueles que SÃO do poder... São predadores que sempre julgaram o povo como suas presas... O gado que a JBS abate nos seus matadores vale mais do que os milhões de cidadãos que são abatidos pela fome, pelo desemprego e pelo desespero.
Romper com o silêncio é a única alternativa. E isso só é possível de se fazer nas ruas. O mês de junho é o mais importante e decisivo na História desse golpe.
É aqui que teremos o confronto final: os lobos e seus lacaios contra todo o resto, o qual chamamos de "povo brasileiro". Não haverá tempo para um acerto de contas nas urnas em 2018. Acreditar que "2018 é logo mais" é uma armadilha dos lobos. A verdade é que 2018 será tarde demais... E os lobos sabem muito bem disso...
Extorquiu ex-companheira e foi preso
9 de Junho de 2017, 20:25![]() |
| Foto: Divulgação |
Homem é preso por extorsão contra ex-companheira em Caxias do Sul
Investigado exigia R$ 20 mil para não vazar imagens íntimas da vítima
Um homem de 44 anos foi preso quando tentava extorquir uma ex-companheira em Caxias do Sul na tarde desta sexta-feira. O investigado exigia R$ 20 mil para não divulgar imagens íntimas da mulher. A extorsão ocorria há um mês e foi acompanhada por agentes do 3º Distrito de Policial.
A prisão em flagrante ocorreu no ponto de encontro combinado pelo investigado na área central. As imagens foram feitas sem o consentimento da vítima e as extorsões iniciaram logo após o término da relação.
— Ele exigia um depósito de R$ 20 mil para não vazar os vídeos. As extorsões foram reiteradas nos últimos dois dias e conseguimos o flagrante. O investigado tem um temperamento promíscuo e possui antecedentes por ameaça e lesão corporal — aponta o delegado Guilherme Gerhardt.
Guerras globais, refugiados locais: o maior drama deste século
8 de Junho de 2017, 19:15![]() |
| Atualmente há mais de 70 milhões de pessoas vítimas de deslocamentos forçados no mundo, é o maior índice da história da humanidade, supera as duas grandes guerras |
Já se passaram mais de sete décadas desde o fim da última grande guerra mundial, mas é agora, em 2017, que atingimos a maior cifra de pessoas deslocadas da história: 70 milhões. Os deslocamentos forçados contemporâneos são resultado de guerras locais, violência generalizada e fenômenos naturais. O tema, considerado o grande drama do começo deste século, foi debatido na manhã desta quinta-feira (8) no Salão do Livro Político, em São Paulo, por especialistas e refugiados.
Por Mariana Serafini
O painel Guerras Globais, Refugiados Locais contou com a participação do professor de Relações Internacionais da PUC Reginaldo Nasser, do doutor em literatura alemã Tercio Redondo, do jornalista refugiado congolês Christo Kamanda, da autora da obra Nakba, um estudo sobre a catástrofe palestina, Soraya Misleh, e do refugiado palestino Isam Ahmad Issa, que participou do filme Era o Hotel Cambridge, lançado recentemente no Brasil.
O professor Reginaldo Nasser destacou o alto impacto das políticas liberais e do poder do mercado como uma das principais causas tanto dos deslocamentos entre países, quanto dos deslocamentos internos – que dizem respeito a 70% do total atualmente. Neste sentido, enfatizou que o tema deve ser encarado, acima de tudo, como uma questão de classes sociais porque as pessoas mais submetidas a condições subumanas neste processo são as mais pobres.
O exemplo citado por Nasser foram as ocupações por moradia do centro de São Paulo – tema do filme Era o Hotel Cambridge – que hoje abrigam tanto os refugiados estrangeiros quanto os “refugiados” brasileiros. Ou seja, pessoas submetidas a tal condição devido à ausência de Estado que são jogadas à margem do sistema capitalista. “Há uma valorização e um estímulo cada vez maior para tudo que está em fluxo: fluxo de mercadorias, de finanças, de tecnologia, de ideias... mas não do fluxo de pessoas. Neste caso se recorre ao Estado Nacional para colocar barreiras ao deslocamento de pessoas.”
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| Isam Ahmad Issa, Christo Kamanda, Tercio Redondo, Reginaldo Nasser e Soraya Misleh |
Tercio Redondo abordou o tema por este mesmo viés. Para ele, o sistema capitalista é o causador da crise de refugiados que o mundo enfrenta atualmente. Esta questão é o reflexo de um modelo que cada vez mais exclui e amplia as desigualdades. “Hoje há milhões de deslocados devido às guerras, mas estas guerras são necessárias para manter o sistema e isso tem origem no modo de produção capitalista baseado na propriedade privada. A única forma de combater a onda migratória é combatendo este sistema. A luta anticapitalista deve ser travada com todas as forças porque este sistema nos destrói”, disse o especialista.
Questão palestina
A autora do livro Nakba, um estudo sobre a catástrofe palestina, Soraia, destacou a resistência do povo palestino como única forma de existir ao longo destes quase 70 anos de ocupação de Israel. Na obra ela resgata a Nakba, o episódio de 1948, quando o Estado de Israel começou a grande ocupação e expulsou mais de 800 mil palestinos de aproximadamente 500 aldeias rurais. Um dos personagens do livro é o pai da autora que à época tinha apenas 13 anos e desde então nunca mais pôde voltar à sua terra natal.
“O que nos faz palestinos é a sensação de pertencimento a uma terra que nós sabemos que vamos voltar. O projeto sionista era exterminar o povo palestino e para isso contava com o esquecimento dos mais jovens. Mas nós não esquecemos e é assim que nós derrotamos este projeto. Se os palestinos existem hoje é porque resistem.”
Issan é um dos personagens mais destacados do filme Era o Hotel Cambridge, cuja trama se passa dentro de uma ocupação do centro da capital paulista. Conta com orgulho que escreveu todas as suas falas na obra e faz questão de ressaltar que não é um “refugiado palestino” e sim um “palestino refugiado” que convive com milhares de “brasileiros refugiados” porque foram excluídos pelo sistema e hoje vivem à margem. Para ele, a força e a resistência palestina é o que faz este povo seguir adiante e se inserir em qualquer país onde seja acolhido.
O desserviço das ONGs no acolhimento aos refugiados
Devido à guerra no Congo, o jornalista Christo Kamanda vive no Brasil há um ano e neste período identificou o desserviço prestado por algumas ONGs no acolhimento aos refugiados. Segundo ele, muitas destas instituições usam a imagem de pessoas que acabaram de chegar e estão vulneráveis – pela falta de domínio do idioma, traumas que forçaram o deslocamento e impacto de uma nova cultura – para produzir materiais de comunicação impactantes e arrecadar recursos que não necessariamente retornam às comunidades refugiadas no Brasil.
Christo não titubeia em afirmar que estas ONGs só se desenvolvem e se fortalecem devido à ausência do Estado que não presta a assistência necessária aos refugiados e imigrantes quando são recebidos no Brasil. “Com a falta de uma lei para imigrantes, infelizmente começou o fortalecimento das ONGs, mas na verdade o objetivo não é ajudar e acolher e nós estamos tentando denunciar isso há muito tempo. Isso é resultado da falta de uma política de imigração num país construído por filhos e descendentes de imigrantes”, denunciou.



