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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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Propina no DF

16 de Julho de 2016, 11:53, por Blog do Arretadinho

Governador do DF Rodrigo Rollemberg/PSB Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Governador do DF Rodrigo Rollemberg/PSB
Foto Joaquim Dantas/Arquivo
Em gravação, o vice-governador do Distrito Federal, Renato Santana, revela o pagamento de propina em contratos celebrados na secretaria de Fazenda

Por Ary Filgueira

Tão logo recebeu das mãos do Agnelo Queiroz (PT) a faixa de governador, Rodrigo Rollemberg (PSB) marcou uma entrevista para expor a situação de insolvência do Governo do Distrito Federal. Naquele 1º de janeiro de 2015, segundo o socialista, havia em caixa módicos R$ 64 mil. Para turbinar a arrecadação, Rollemberg anunciou medidas impopulares como aumento de tributos. Mesmo assim, não conseguiu tirar o governo da paralisia. Até agora, o governo do DF não inaugurou nenhuma obra digna de celebração. Pior: sem poder contratar novos servidores, a administração não consegue executar nem serviços básicos, como fechamento de buraco em asfalto, poda de mato ou limpeza de esgoto.

Apesar da falta de recursos para áreas estratégicas da administração, parece sobrar dinheiro para a corrupção. É o que indica uma gravação, em poder do Ministério Público, ao qual ISTOÉ teve acesso. No áudio, o vice-governador, Renato Santana (PSD), admite ter conhecimento de um esquema de pagamento de propina dentro do governo de Brasília. Segundo ele, acontece hoje na secretaria de Fazenda o repasse de comissão de 10% por fechamento de contratos com empresas que prestam serviços ao GDF. Este flagrante pode ser o início de mais um escândalo na administração pública de Brasília. No diálogo, o vice-governador não deixa claro quem são os beneficiários do esquema, mas, sem citar nomes, diz que “ele autorizou” os pagamentos. Este sujeito indefinido terá que ser revelado.


O áudio tem duração de 1h27. No diálogo, quem conversa com o vice-governador é a presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Brasília (Sindsaude), Marli Rodrigues. O encontro ocorreu fora do gabinete da Vice-Governadoria, no Palácio do Buriti, sede do Governo do DF. Teve como palco um apartamento de Águas Claras – cidade de classe média no Distrito Federal, onde Santana ouvia as críticas de Marli sobre o projeto de Rollemberg de entregar parte dos hospitais da capital federal para as chamadas Organizações Sociais (OSs). Ela também reclamava da dificuldade para ser atendida pelo secretário de Saúde, Humberto Fonseca. “Não entende nada de saúde. Não conversa com a gente”, afirmou a sindicalista, referindo-se a Fonseca. Em solidariedade, Santana disse que não participava do processo na área da saúde. “Você quer saber qual é o timing que nós temos para colocar as OSs funcionando?”, pergunta Santana. “Dois meses”, responde Marli. E ele completa: “Rodrigo (Rollemberg) tá f*. Se não tem grana…”, comenta ele, demonstrando a impossibilidade de cumprir o compromisso dentro do prazo por falta de recursos.


Na sequência, chega a parte comprometedora, após uma provocação da sindicalista. Marli revela ao vice-governador ter conhecimento de uma operação que desvia dinheiro público do governo estadual. Marli diz: “Você tem conhecimento do pagamento de propina na Saúde de 30%? Você tem conhecimento disso?”. Renato Santana responde: “Dez (%) eu tenho (conhecimento) da (secretaria de) Fazenda”. Santana, então, tentar justificar sua inocência, mas admite saber do pagamento. “Hoje, eu tô assistindo essa p* toda. Até porque, (tenho) zero de envolvimento. Autorizou a pagar 10% de propina. Eu não autorizei, mas o assunto chegou para mim. Eu me sinto… seria um escroto de não te falar”, afirma ele.

Marli se mostra surpresa com a revelação do vice-governador. “Tá desse nível? Então, você tem que perguntar pra ele se autorizou 30% de propina. Você tem conhecimento disso? Dez por cento você tem conhecimento?” E Marli ameaça: “Sabe o que eu acho? Eu vou abrir essa p*. Eu vou abrir essa p*. A propina corre solta ali. Se você conhece 10%… Tem muita gente envolvida nessa história. Sim, eu estou falando da Saúde. Agora, se partir para outros locais que a gente também conseguir identificar, você vai encontrar muitas coisas mais, entendeu? Então, fique longe de tudo isso”, arremata a sindicalista.

A gestão do governo Rollemberg na Saúde também é criticada pelo vice-governador em outro trecho do diálogo. “Infelizmente, eu vou dizer pra você: todos os movimentos que foram feitos na saúde, aí esquece corrupção, do ponto de vista administrativo, de modelo, até agora, foi só atropelo, pô. Fez uma reestruturação uma bosta. Se foi de propósito ou não, aí eu não sei.”

Marli tem travado uma luta com o governador Rollemberg desde quando o socialista demonstrou interesse pelo modelo de gestão hospitalar controlada por organizações sociais. A inspiração para o modelo de gestão hospitalar veio de uma visita que o chefe do Poder Executivo fez a hospitais goianos geridos pela iniciativa privada. Procurada pela reportagem, a presidente do Sindsaude disse que não falaria sobre o vazamento da gravação. “Só vou me pronunciar na Justiça”, ameaçou.

O diálogo deve azedar ainda mais a relação entre Renato Santana e seu chefe no Poder Executivo local. O convívio dos dois vizinhos do Palácio do Buriti é parecido com o que foi a relação de Michel Temer com Dilma Rousseff. Menos polido que o presidente da República, Renato Santana chegou a criticar abertamente o governo do socialista após perder a cunhada Maria Cristina Natal Santana, 42 anos, diagnosticada com dengue hemorrágica. Em um claro recado ao governador, Renato publicou um texto na internet convocando os “tecnocratas” que fazem parte do GDF arregaçarem as mangas e saírem “da bolha dos gabinetes”.



'Pedaladas fiscais' não configuram crime

16 de Julho de 2016, 11:25, por Blog do Arretadinho

"Como o Senado vai justificar que vai cassá-la, se o Ministério Público
 diz que não existe crime?", diz senadora
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
Gleisi Hoffmann: "Única solução para o Senado é o arquivamento deste processo"
Para senadora, posicionamento do procurador da República Ivan Cláudio Marx, segundo o qual as 'pedaladas fiscais' não configuram crime, pode ser decisivo para reverter votos a favor de Dilma no Senado

por Eduardo Maretti, da RBA 

São Paulo – Junto com os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) já protocolou, na Comissão Especial do Impeachment no Senado, dois requerimentos. No primeiro, eles pedem que sejam retiradas do processo "as peças referentes ao Plano Safra de 2015, corriqueiramente chamadas de ‘pedaladas fiscais’", e, no segundo, que seja realizada sessão extraordinária para o colegiado colher o depoimento do procurador do Ministério Público Federal Ivan Cláudio Marx ou que ele seja ouvido antes da apresentação do relatório.

O procurador da República Ivan CláudioMarx considerou, em despacho do dia 8 de julho e também em parecer desta semana encaminhado ao Judiciário, que as chamadas "pedaladas fiscais" do governo Dilma Rousseff, que baseiam o processo de impeachment contra a presidenta, não configuram crime. "No caso da equalização de taxas devidas ao BNDES referentes ao PSI (Programa de Sustentação do Investimento), não há que se falar em operação de crédito já que o Tesouro deve aos bancos a diferença da taxa e não ao mutuário", argumenta o procurador.

Segundo ele, "entender de modo diverso transformaria qualquer relação obrigacional da União em operação de crédito, dependente de autorização legal, de modo que o sistema resultaria engessado."

Além do arquivamento do procurador, os senadores argumentam que perícia realizada por técnicos do Senado Federal concluiu que "não foi identificado ato comissivo (que o agente pratica o ato através de uma ação)" de Dilma Rousseff na questão das pedalas.

A senadora Gleisi Hoffmann falou à RBA:

O jurista Pedro Serrano entende que o arquivamento do procurador da República "mata o impeachment na questão das pedaladas". Mas como a sra. avalia o fato de que julgamento no Congresso é mais político do que jurídico?
Fica muito ruim para o Senado fazer um impeachment sem nenhuma base jurídica, porque vão sobrar para a acusação da presidenta três decretos de créditos suplementares, prática que já tinha ocorrido em 2009, nas mesmas circunstâncias. A presidenta, ao assinar esses decretos, foi informada de que tudo estava regular, que não havia problemas e que a meta estava sendo respeitada. Então, como o Senado vai justificar agora que vai cassá-la,se o Ministério Público, que tem a prerrogativa de dizer se existe crime ou não, disse que não existe crime?

O Senado estaria diante de um fato indefensável?
Acho muito difícil o Senado se justificar. Os requerimentos foram feitos anteriormente à decisão do Ministério Público sobre as pedaladas fiscais do Plano Safra no Banco do Brasil. Foram em relação ao BNDES, que é uma situação idêntica, ou seja, atraso no pagamento de subvenções, subsídios a operações de crédito. E aí, nós já queríamos chamar o procurador. Com essa decisão, que é sobre fato específico, que está dando base para o impeachment, o Senado não pode tomar nenhuma decisão sem ouvir o procurador da República, sem fazer uma avaliação disso. Sinceramente, acho que a única solução que o Senado tem é o arquivamento deste processo.

Sobre o julgamento de Dilma, alguns avaliam que ela já teria votos suficientes no Senado,  outros garantem o contrário. Em sua opinião, essa decisão do procurador pode mudar algo no Senado?
Acho que pode mudar, sim. Pelo menos uns seis senadores votaram dizendo que estavam aprovando a admissibilidade, mas que iam se reservar o direito de analisar se realmente tinha acontecido crime ou não, para entender o processo. Acho que, com essa decisão do Ministério Público, fica muito claro que não teve crime e penso que isso vai ter peso na decisão destes senadores.

Alguns analistas dizem que existem um "grupo dos 36", formado por senadores que estariam negociando a possibilidade de votar a favor de Dilma, mas estariam condicionando esse apoio à realização de um referendo ou plebiscito. Isso existe ou é especulação?
Tem um movimento no Senado sim, mas não sei dizer qual o número de senadores. O senador Roberto Requião é um dos articuladores. A senadora Kátia Abreu também, junto com senadores que, além daqueles 22 que votaram com a presidenta, têm dúvida sobre se ocorreu crime ou não, que tendem a mudar de voto, a votar contra o impeachment. E querem alguns compromissos da presidenta. Um dos compromissos que a gente mais tem ouvido falar é que ela deveria chamar um plebiscito para saber se a população quer ou não antecipar as eleições. Acham que é importante ouvir a população.

Pelo que sei, a presidenta não tem nenhuma restrição a isso e tem se mostrado até receptiva a fazer isso. Isso é um dos pontos que são colocados. Tem um movimento de senadores neste sentido.

O plebiscito não dispensa uma PEC e existe uma PEC, proposta por senadores de esquerda, no sentido de antecipar eleições. Mas alguns analistas consideram politicamente muito difícil aprovar isso no Congresso.
Primeiro, uma coisa é o plebiscito. O plebiscito decorre de resolução do Congresso, chamando o plebiscito para uma determinada matéria. Isso dá para fazer e eu acho que não teria dificuldade de passar. Se o plebiscito for aprovado e a maioria da população disser que quer eleições, fica muito difícil para o Congresso não aprovar uma PEC antecipando, se existe uma manifestação popular. Por isso alguns senadores têm dito que é importante fazer o plebiscito.

Ou seja, a pressão da população colocaria os senadores numa situação difícil, diante de aceitar a decisão do povo ou contrariá-la...
Praticamente isso. Porque você faz um plebiscito convocado pelo Congresso, a população opina, e você não encaminha?



Ceará pode proibir pulverização aérea de agrotóxicos

16 de Julho de 2016, 11:08, por Blog do Arretadinho

Foto Ceará Cenipa / Divulgação
“Os aviões faziam o retorno em cima da comunidade e passavam por cima da igreja. A comunidade ficava toda branca, como se estivesse nevando.” 
O relato da agricultora Socorro Guimarães, 42 anos, diz respeito à prática da pulverização aérea de agrotóxicos nas propriedades rurais próximas da comunidade Tomé, em Limoeiro do Norte, a 200 quilômetros de Fortaleza. O município se localiza na região da Chapada do Apodi, uma das áreas mais ocupadas pelo agronegócio no Ceará, perto do perímetro irrigado Jaguaribe-Apodi e da divisa com o Rio Grande do Norte.

A pulverização aérea, forma de aplicação de defensivos sobre as culturas agrícolas, pode ser proibida no estado. Um projeto de lei quer vedar o uso da técnica por considerá-la a mais nociva para a saúde e para o meio ambiente.

“A pulverização é feita com uma grande quantidade de calda tóxica, que é a mistura de um óleo vegetal com o veneno. Para o produtor, a aplicação aérea representa uma grande quantidade aplicada de uma única vez. Portanto, para ele, é uma relação de custo-benefício melhor. Para o meio ambiente e para a saúde, é ruim, porque existe uma deriva [quando o defensivo agrícola não atinge o local desejado] causada pelo vento que expõe mais solo, água e comunidades”, explica o deputado estadual Renato Roseno (PSOL), autor da proposição.

O projeto recebeu o nome de Lei Zé Maria do Tomé, uma homenagem ao líder comunitário e ambientalista de Limoeiro do Norte (CE) assassinado em 2010. Ele era reconhecido por encampar a luta pela proibição da pulverização aérea de agrotóxicos. Nessa época, a Câmara Municipal da cidade aprovou e promulgou lei proibindo a técnica. Cinco meses depois, em abril, Zé Maria foi morto com 19 tiros. No mês seguinte, a lei foi revogada. A proposta de lei estadual que tramita na Assembleia Legislativa já foi aprovada em duas das seis comissões para as quais o texto foi distribuído.

Regras
Uma instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, editada em 2008, impõe regras para aviões agrícolas que fazem pulverização de agrotóxicos, estabelecendo, por exemplo, limites mínimos de distância entre cidades, vilas e povoados, mananciais de água e agrupamento de animais, que são entre 250 a 500 metros da área que receberá a aspersão de defensivos, além de condições ideais de velocidade do vento e de umidade.

No entanto, segundo o relato de Socorro, esses limites não eram respeitados. Em 2010, as 120 galinhas que ela criava estavam soltas no quintal quando um avião agrícola passou com o pulverizador ligado. No dia seguinte, 80 aves morreram. Há também relatos na comunidade de pessoas que sofreram intoxicações. No entanto, conforme a agricultora, muitas não associam os sintomas ao contato com defensivos agrícolas pelo fato de trabalharem nas empresas que utilizam a técnica.

A professora Raquel Rigotto, do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), presenciou a prática da pulverização aérea em Limoeiro do Norte em 2007, durante um trabalho de campo na cidade sobre os impactos da exposição a agrotóxicos para a saúde. “Inclusive, quem nos avisou foi o Zé Maria. Ele nos mostrou galinhas mortas no quintal, roupas no varal com cheiro de veneno”, disse a coordenadora do Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde (Tramas).

Raquel e a equipe da pesquisa passaram a acompanhar os voos das aeronaves que aplicavam os defensivos nas lavouras durante as quadras invernosas (período de fevereiro a maio em que o Ceará recebe mais chuvas) de 2008 e 2009. O recorte temporal se deve ao momento em que os fruticultores começam a agir para exterminar a sigatoka-amarela, praga que atinge a bananeira, especialmente na época das chuvas.

“Ficamos muito impressionados com a situação de vulnerabilidade em que a população se encontrava, porque estavam lá apenas os funcionários da empresa de aviação agrícola, com um caminhão de caixas de veneno no campo de pouso da Chapada do Apodi. O avião vinha, abastecia com um volume elevado de venenos, saía, aspergia aquilo tudo, voltava, fazia de novo e não tinha nenhuma autoridade pública fiscalizando o procedimento.”

A instrução normativa do Ministério da Agricultura exige um relatório com uma série de informações sobre as atividades de aviação agrícola, incluindo o nome e a quantidade do produto aplicado, croqui da área tratada e parâmetros como altura do voo e dados meteorológicos, além da presença de técnico agropecuário com curso de executor em aviação agrícola, que pode interromper o voo caso os parâmetros básicos atinjam os limites máximos de segurança.

De acordo com Socorro, as pulverizações aéreas ocorreram com mais intensidade na comunidade Tomé entre 2004 e 2010. A partir de 2012, segundo a agricultura, não houve novas aplicações devido à baixa intensidade das chuvas nas últimas quadras invernosas.

da Agência Brasil



Tentativa de golpe deixa 265 mortos na Turquia

16 de Julho de 2016, 11:01, por Blog do Arretadinho

Tentativa de golpe deixa 265 mortos na Turquia; situação está sob controle
Pelo menos 265 pessoas morreram em consequência do caos e da revolta popular que tomou conta da Turquia por causa de uma tentativa de golpe de Estado realizada ontem (15) por uma facção rebelde das Forças Armadas.

Para tentar concretizar o golpe, as forças militares rebeldes – representados em sua maioria por contingentes da Força Aérea – chegaram a realizar movimentos com tanques, aviões de combate e helicópteros. Eles assumiram a TV estatal, impuseram a lei marcial e um toque de recolher, atacaram a sede do órgão de inteligência turco e atiraram no prédio do Parlamento do país e em um resort na cidade portuária de Marmaris.

Do total de mortos, pelo menos 100 estão entre os rebeldes, segundo informou o chefe das Forças Armadas, general Umit Dundar. Há pelo menos 1.440 feridos.

Segundo o general Dundar, 161 pessoas mortas fazem parte da multidão de civis e policiais contrários ao golpe, que foram às ruas defender a permanência do presidente turco Tayyip Erdogan.

Os civis e parte da forças policiais e militares foram mortos pelos rebeldes porque decidiram obedecer ao apelo do presidente Erdogan de resistir ao golpe.

O primeiro-ministro turco Benali Yildirim declarou hoje (16) que a situação está “totalmente sob controle". Segundo ele, mais de 2,8 mil integrantes das Forças Armadas foram presos em razão do golpe.

Foi "uma mancha escura para a democracia turca", acrescentou Hildirim.

 da Agência Brasil



Projeto leva o esporte para todas as aulas

14 de Julho de 2016, 19:29, por Blog do Arretadinho

Transforma estimula o desenvolvimento de valores olímpicos de forma transdisciplinar nas escolas, e não apenas na Educação Física

por Camila Leporace

Qual é a relação do esportes com a educação? Como ela se constrói e quais frutos pode gerar? O projeto Transforma, do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, busca mostrar que se trata de um relacionamento sólido, capaz de abrir uma série de oportunidades de aprendizado que vão além dos esportivos, sensibilizar e ampliar os conhecimentos de alunos e professores – muitas vezes de forma surpreendente.

O Transforma teve início em 2013, três anos antes de o Rio de Janeiro se tornar a primeira cidade da América do Sul a sediar as Olimpíadas. Começou com um piloto que envolveu cerca de 15 escolas do Rio. Hoje, está em cerca de 10 mil instituições de ensino nos 26 estados do Brasil e no Distrito Federal. Ao serem convocadas para o piloto, inicialmente as escolas enviaram apenas professores de Educação Física para participar. Mas a ideia não era limitar o programa a essa disciplina.

É o que conta Vanderson Berbat, gerente de Educação do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, em entrevista ao Porvir. “O programa visava desenvolver habilidades socioemocionais e, por isso, podiam participar professores de qualquer disciplina. Não é um programa de esportes. Utiliza o imaginário olímpico para qualquer temática de aula”. Berbat define o Transforma como uma ferramenta livre, para ser usada da maneira como cada escola quiser. Para começar a participar, basta acessar o site do projeto, que disponibiliza materiais didáticos, vídeos e tutoriais.

Valores olímpicos e paralímpicos
Uma grande preocupação do programa está relacionada à absorção de valores olímpicos e paralímpicos pelos alunos. Berbat cita como valores olímpicos o respeito, a excelência e a amizade, e paralímpicos a igualdade, inspiração, determinação e a coragem. E explica como eles foram inseridos no ambiente escolar pelo Transforma.

“Estes valores precisaram passar por uma tradução pedagógica para entrar na escola, já que, falando a sua linguagem, ganham maior aderência junto a seus vários públicos. Foram, então, elaborados cinco valores educacionais: equilíbrio entre corpo, vontade e mente; alegria do esforço; busca pela excelência; jogo limpo e respeito pelos outros”.

O professor de Educação Física Fábio Dionízio, da escola SESI de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, traça um paralelo entre os valores olímpicos e o cotidiano de seus alunos. “Os alunos passam a refletir sobre o comportamento e as relações dentro e fora da escola, o que contribui para o combate ao bullying”.

Aluno do nono ano no SESI, o estudante Natã da Rocha demonstra clareza em relação a essa conduta. “Os valores trabalhados mostram que devemos respeitar o próximo em todas as decisões, manter o jogo esportivo, nunca desrespeitar o companheiro, sempre buscando o motivo e objetivo do jogo ou campeonato. Isso tudo sabendo que um dia você vence e no outro você pode perder”.

Para que as escolas trabalhem os valores sugeridos em sala de aula, Berbat aponta várias sugestões. “Gincanas criativas; estudos de caso e exemplos reais de atletas e ex-atletas, objetivando melhorar o clima escolar, aumentar a frequência discente, prevenir bullying, valorizar a diversidade, elevar a autoestima e desenvolver nos alunos a alegria do esforço”.

O gerente de Educação do Comitê recomenda que toda atividade seja finalizada com um bate-papo que faça pensar. “Os alunos devem ser convidados a refletir sobre o que foi conversado ou experimentado, a imaginar o que fariam nas mesmas situações e a compartilhar suas impressões. Os professores, atentos às falas dos alunos, devem ressaltar os valores na medida em que aparecem”.

Jovens líderes
O Transforma estimula que as escolas tirem estudantes do seu papel tradicional de receptores de informações para atuar como o que o programa chama de Agentes Jovens: eles tornam-se multiplicadores dos conhecimentos adquiridos, levando-os aos colegas de sala de aula. Isso intensifica, ainda, os valores olímpicos e paralímpicos entre os estudantes. É o que explica Lucia Helena de Sousa, diretora da Escola Municipal Tenente General Napion, no Rio de Janeiro.

“Resgatamos alunos indisciplinados, que eram líderes negativos, sempre envolvidos em confusões, e os transformamos em Agentes Jovens, líderes e motivadores de boas ideias e exemplos”. Segundo Lucia, direcionar os alunos com aptidão para a liderança para esse papel de influenciadores positivos gerou impacto não só no comportamento como no boletim, aumentando as notas, e ainda na participação nas aulas e na frequência às salas de leitura da escola.

Experimentação, prática e variação de papéis
Os professores de Educação Física, por sua vez, foram deslocados do papel de recreadores para assumir uma função central, sendo convidados a inovar em suas aulas ao introduzir novos esportes aos alunos. Nesse contexto, o improviso e a criatividade têm se mostrado bons aliados. É o que reforça a professora Raquel Lopes Augusto, do SESI Jacarepaguá. “Nas aulas práticas, utilizamos materiais alternativos ou recicláveis para o aprendizado das modalidades trabalhadas, como o jornal, a garrafa pet, papelão, cabo de vassoura, areia, meião, bambu e cano de PVC”.

Na escola municipal Luiz Biella Souza, de Jundiaí, São Paulo, também houve essa iniciativa. “Os alunos e professores foram desafiados na produção de materiais para tal prática e o resultado foi de grande valia”, contam Valter de Almeida e Moizes Neto, professores de Educação Física e Esportes.

Além de conhecer novos esportes, os alunos têm sido convocados pelas escolas a experimentar a prática de esportes paralímpicos. O SESI estimulou o vôlei com os estudantes sentados, simulando a forma como atletas paralímpicos fazem. A aluna do sexto ano do SESI Monintthelly Forte gostou de experimentar, e sentiu que a prática contribuiu para aumentar a sua empatia. “É sempre bom estar com os amigos fazendo parte de um grupo, uma equipe, e faz eu me colocar no lugar de uma pessoa que não pode andar”.

Transdisciplinaridade
Caracterizado pela intensa experimentação, o Transforma ainda propôs para os coordenadores pedagógicos das escolas o desafio de integrar os temas olímpicos a todas as disciplinas ensinadas. Assim, todos os professores são instigados a variar os exemplos em sala de aula, utilizando os esportes no contexto do conteúdo das matérias. Segundo Julio Natalense, líder de Tecnologia e Sustentabilidade da Dow – uma das patrocinadoras dos Jogos Olímpicos – levar a temática dos esportes aos alunos de uma maneira mais prática contribui para despertar a sua curiosidade, já que eles saem do lugar-comum. E é um conhecimento que pode ser associado a disciplinas clássicas como Física, Química ou Matemática.

Isso acontece quando alunos são apresentados, por exemplo, a explicações sobre como se constrói um estádio e qual a necessidade de utilizar um impermeabilizante no processo; como o uso de certos materiais nos uniformes dos atletas pode servir para evitar a umidade extrema; o que acontece com o corpo de um atleta quando há o doping – oportunidade em que se pode também reforçar valores; conceitos de Física e Estatística ligados ao futebol e ao basquete, e por aí vai.

Localizada na periferia de São Bernardo do Campo, São Paulo, a Escola Municipal Profª Suzete Aparecida de Campos encontrava-se sem conexão à internet quando Fernanda Borges – uma professora voltada à educação tecnológica – decidiu estimular seus alunos a utilizar peças de LEGO para desenvolver projetos relacionados às olimpíadas.

“Como eles poderiam estar inseridos na questão das olimpíadas utilizando uma ferramenta tecnológica? Foi assim que surgiu a ideia”, conta. “Iniciei o “Projeto Olimpíadas” com os alunos do 2º ano do ciclo 2 (ensino fundamental 2) oferecendo reportório a respeito do tema citado com vídeos e reflexões. Após essa etapa, cada grupo escolheu uma modalidade olímpica e, por meio do LEGO, desenvolveu construções que simulam as modalidades escolhidas. O projeto culminará em uma sala temática na qual a comunidade poderá observar e manusear essas construções conhecendo um pouco mais a respeito dos trabalhos desenvolvidos”.

Professora de Matemática da Escola SESI Jacarepaguá, Glória Luna conta também uma experiência que realizou com seus alunos, relacionando os esportes à matéria que leciona. Ela levantou com eles diversos aspectos envolvidos nas Olimpíadas – as diferentes modalidades esportivas, os atletas brasileiros que representarão o país, os espaços construídos para o evento, os pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro, os custos estimados para construção de espaços olímpicos e outros. E usou tabelas e gráficos para registrar tudo.

”Criamos imagens referentes às olimpíadas e registramos em papel quadriculado de forma simétrica. Aplicamos o conhecimento de adição e subtração de números positivos e negativos, registrando o saldo de tabelas de jogos. Com essas atividades, participamos mais ativamente da temática”, conta a professora.