Ir para o conteúdo

Blog do Arretadinho

Tela cheia Sugerir um artigo

Postagens

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Brasil perde para o Peru e é eliminado

13 de Junho de 2016, 10:11, por Blog do Arretadinho

Com um gol de mão, o Brasil perdeu para o Peru por 1 a 0 e foi eliminado da Copa América
Foto: Mowa Press / Divulgação

Mais um vexame! Com gol de mão, Brasil perde para o Peru e é eliminado
Ruidiaz empurra a bola para gol com o braço e faz o gol que decreta a queda na Seleção na fase de grupos da Copa América, fato que não acontecia desde 1987

Estados Unidos - A seleção brasileira não para de dar vexame. Neste domingo à noite, conseguiu a façanha de ser eliminada na primeira fase da Copa América Centenário, ao perder para o Peru por 1 a 0, em Foxborough, e ficar em humilhante terceiro lugar no Grupo B, com apenas quatro pontos. A desclassificação vai representar, com quase toda certeza, o fim do ciclo de Dunga no comando. A demissão deve ser confirmada nos próximos dias pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

O técnico nas próximas rodadas das Eliminatórias e na Olimpíada será outro. Tite, do Corinthians, é cotado para assumir o cargo

O jogo deste domingo foi mais uma página rasgada na história de uma seleção que um dia foi gloriosa. Uma seleção que numa Copa do Mundo em casa levou um 7 a 1 da Alemanha. E que nas duas últimas Copas América, a do ano passado sob o comando de Dunga, não passara das quartas de final. Mas contra o Peru deu para perceber que o fundo do poço ainda não havia chegado.

Dunga pagou o preço da indecisão, de não saber montar o time e de fazer opções erradas ao escalar e ao trocar a equipe. Não adianta reclamar dos seis cortes que foram feitos em relação à convocação inicial, aos problemas na preparação. Um time que só consegue ganhar do Haiti não tem desculpa.

Desde 1987 que o Brasil não saía na primeira fase de uma Copa América. Neste domingo, como se viu na eliminação nas quartas de final da Copa da África do Sul, em 2010, o que se viu foi um Dunga passivo, incrédulo na beira do campo. Ele não sabia o que fazer com o time, como mudá-lo. Aceitou sem reagir ao domínio peruano no segundo tempo.

Mais uma vez a seleção brasileira se complicou diante de um time estruturado. Fez uma primeira etapa até razoável, embora a falta de maior objetividade. Mas a segunda foi sofrível, e sofrida. A evolução tão decantada por Dunga e os jogadores não se acham em campo. A não ser contra adversários como o Haiti.

Antes do início da partida, foi observado um minuto de silêncio em respeito às vítimas do ataque a uma boate gay em Orlando. O atentado que deixou 50 mortes e 53 feridos teve como consequência um cuidado maior da segurança em relação a outros jogos. A revista às pessoas que acessaram o estádio foi mais rigorosa.

Com Casemiro suspenso, Dunga abriu mão da segurança que um volante marcador como Walace poderia representar e preferiu mandar a campo um time mais atrevido. Recuou Renato Augusto para ajudar Elias na função de volante e colocou Lucas Lima com a missão de armar o jogo. Enfim o camisa 10 da seleção começou uma partida, como muitos brasileiros desejavam. Dunga fez mais: trocou Jonas por Gabriel e, com isso, ganhou mais movimentação à frente.

Conservador, Dunga só foi na defesa, ao promover a volta de seu capitão, Miranda, no lugar no jovem Marquinhos. Fez um opção pela segurança. Não deu certo. O time até fez primeiro tempo razoável, mas pecou pela falta de objetividade.

Se no primeiro tempo o rendimento da seleção foi razoável, no segundo a equipe esteve irreconhecível. O time errava passes, marcava mal e dava espaço para o Peru, que foi para cima, animando a torcida, sempre disposta a apoiar.

Lucas Lima sumiu, Gabriel sumiu. O Brasil sumiu. O Peru passou a controlar o jogo. Dunga demorou para mexer e, quando o fez, errou ao colocar Hulk no time.

E o que se temia aconteceu. Aos 29 minutos, num contra-ataque, Ruidiaz, que havia entrado pouco antes, marcou o gol do Peru, num lance polêmico. Houve a impressão de que tocou para as redes com a mão. Mas após muita reclamação dos brasileiros e do juiz uruguaio Andres Cunha claramente consultar alguém que não estava em campo, confirmou o gol.

A consulta ao árbitro de vídeo ainda está em fase de testes autorizado pela International Board. Mas é usada em algumas competições. A Copa América não faz parte da relação e a Conmebol não confirmou se obteve autorização para usá-lo.

Mas nada serve de desculpa. Daí para frente, o que se viu foi um bando tentando empatar no desespero. Não daria mesmo certo. E Dunga se despede outra vez de maneira melancólica.

fonte O DIA



Família recorre à justiça para registrar filha com nome africano

11 de Junho de 2016, 15:55, por Blog do Arretadinho

Foto Joaquim Dantas / Arquivo
Foto Joaquim Dantas / Arquivo
Quase três meses após seu nascimento, a menina Makeda Foluke de Paula da Silva finalmente poderá ter o registro civil, com a decisão favorável proferida nesta quinta-feira (9) pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Nascida no dia 16 de março, o Oficial de Registros de São João de Meriti, na baixada fluminense, recusou o registro sob alegação de que o nome poderia deixar a criança exposta ao ridículo.
De acordo com o advogado da família, Hédio Silva Jr, a recusa foi baseada no artigo 55 da lei 6.015/73, dos registros públicos, que diz, no parágrafo único, que “os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores”. Mas, para o advogado, houve arbitrariedade por parte do cartorário que tomou a decisão apenas por se tratar de um nome africano.

“Foi uma recusa totalmente arbitrária, porque o registrador entendeu que o nome destoaria da brasilidade, foi um dos argumentos, e que o nome seria suscetível a trocadilhos e galhofas. Mas nós argumentamos que, a depender da criatividade do zombador, qualquer nome é suscetível de trocadilhos ou galhofa. O que houve foi associar um nome africano a algo ruim, algo negativo, os pais se sentiram discriminados pelo registrador”.

O pai da menina, o bombeiro militar Cizinho Afreeka, se disse surpreso com a recusa e afirma que o ato foi uma “sutileza do racismo” instituído na sociedade e facilitado pelos argumentos legais. “Com certeza, são sutilezas do racismo, que a gente tem dificuldade de provar que é. Mas são esses modelos, que a própria lei facilita,que abrem brecha para uma pessoa fazer esse tipo de interferência. Se fosse outra pessoa de origem alemã ou japonesa, eu duvido que aconteceria isso e não passaria por esse constrangimento".

Cizinho relata que conversou com o superior no cartório e a recusa permaneceu, sendo necessário abrir o processo de dúvida e justificar a escolha do nome. De acordo com o pai, o Ministério Público de São João de Meriti sugeriu que fosse acrescentado outro nome, como Ana, antes de Makeda, e a juíza da Infância e Juventude da cidade acatou. Então, a família recorreu ao TJRJ.

O advogado explica que a justificativa está na Constituição, que tutela a cultura afrobrasileia e indígena e as qualifica como parte do patrimônio cultural brasileiro. “Tem uma resolução do CNJ sobre registro de nome de crianças indígenas, integradas ou não, que permite que sejam atribuídos nomes indígenas a essas crianças. É uma norma que preserva a identidade cultural dos povos indígenas e das crianças indígenas. Nós também utilizamos esse argumento. A Constituição não hierarquiza a cultura europeia, afrobrasileira e indígena. Como essa norma é aplicada a nomes indígenas, também deve ser aplicada a nomes africanos”.

O pai de Makeda lembra que o Brasil sempre suprimiu os nomes africanos da sua história: “O país  se orgulha de ser formado pelas raças, mas é só retórica, porque uma delas não tem autonomia e autoridade para nominar. Outra coisa que fica mais nítida é a gente fazer um resgate histórico e saber que as pessoas africanas que foram escravizadas, aqui no Brasil, tiveram o nome [africano] arrancado".

A família, agora, aguarda o acórdão ser publicado para levar o documento ao cartório e fazer o registro de Makeda Foluke. Makeda significa grandiosa e era o nome da rainha do Reino de Sabá, na região onde hoje estão a Etiópia e o Iêmen, que teria vivido [a rainha] no século X antes de Cristo. Foluke é um nome iorubá e significa colocada aos cuidados de Deus.

da Agência Brasil



O imperador - Por Daniel Almeida

11 de Junho de 2016, 14:44, por Blog do Arretadinho

Álvaro Portugal/PCdoB na Câmara
Por: *Daniel Almeida
A semana foi marcada pela constatação de que o governo Michel Temer é refém do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 
Para ter influência na Casa e sobreviver politicamente, o interino se submete às ordens espúrias de Cunha, inclusive operando para salvar o mandato dele no Conselho de Ética.

Além de grave, a submissão de Temer aos caprichos de um notório corrupto é um deboche diante da sociedade brasileira que exige a punição do parlamentar, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF). É evidente que as constantes mudanças de posição do interino ocorrem após interferência direta e dos conchavos de Cunha.

Ignorando o clamor das ruas, o peemedebista permitiu que Cunha se transformasse no principal homem da República. É um novo tipo de imperador, como se não houvesse leis, apenas um cumpra-se. Mesmo após o afastamento do mandato e da presidência da Câmara ser determinado pelo STF, é visível o comando que o réu exerce na Casa, interferindo no funcionamento do Conselho de Ética e na composição das comissões para chantagear e tentar conseguir uma penalidade mais branda em vez da cassação.

No Conselho de Ética, Temer interviu diretamente a mando do réu. Após ele conversar com o PRB, partido da deputada Tia Eron (BA), que sinalizava voto contrário a Cunha, a parlamentar sumiu do Conselho. O plano é que o suplente Carlos Marun (PMDB-MS), defensor de Cunha, vote em seu lugar. Se a votação final tivesse ocorrido, Cunha teria sido absolvido por 11 votos a 9.

Nem mesmo a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania escapou das manobras ilegais. Para ter parecer favorável em consulta ao colegiado que protege seu mandato, Cunha ordenou a troca de integrantes da CCJ.

O mais triste é que o ritmo das negociatas aponta um cenário revoltante para os brasileiros: Cunha tende a ser absolvido no Conselho de Ética, podendo ter maioria na CCJ e se salvar no Plenário da Câmara. É intolerável! Isso só é possível, porque ele foi o principal responsável pelo impeachment, sendo o avalista do ilegítimo Temer. Hoje a estrutura do governo federal está a serviço do réu para atingir o objetivo de salvá-lo.

Temer e Cunha, portanto, são inseparáveis. Temos de estar atentos. É urgente que o STF julgue rapidamente o pedido de prisão do presidente afastado para impedir este conluio. A carreira política de Cunha tem de chegar ao fim. Se a Câmara não cumprir seu papel de representante dos interesses do povo, caberá ao Supremo encerrar esta história obscura que tanto envergonha o Parlamento.

*Deputado federal pela Bahia e líder do PCdoB na Câmara dos Deputados.



"Faça-se Luz" estréia com sucesso de público

11 de Junho de 2016, 14:05, por Blog do Arretadinho

Valdeci Moreira com os convidados especiais na noite de estréia Foto Joaquim Dantas
Valdeci Moreira com os convidados especiais na noite de estréia
Foto Joaquim Dantas
O espetáculo Faça-se Luz estréia no Espaço Semente com a casa lotada
Do Gama
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Mais uma vez a dupla dos premiados diretores, Valdeci Moreira e Ricardo César, surpreenderam ao público com um espetáculo de teatro sensacional. A primeira apresentação da peça Faça-se Luz aconteceu na noite desta sexta-feira (10), no Espaço Semente, com sucesso de público.
A atriz Jullya Graciela interpreta a personagem "Biscoito" Foto Joaquim Dantas
A atriz Jullya Graciela interpreta a personagem "Biscoito"
Foto Joaquim Dantas
Com um enredo atual, embora impactante principalmente para aqueles que são descuidados com a realidade à sua volta, a trama relata o cotidiano de pessoas que vivem em situação de rua, mostrando de forma honesta, direta e reta, as aflições desse povo que é invisível para tantas pessoas nos grandes e pequenos centros urbanos do Brasil.
O público, mais uma vez, ficou encantado com a qualidade do espetáculo Foto Joaquim Dantas
O público, mais uma vez, ficou encantado com a qualidade do espetáculo
Foto Joaquim Dantas
Valdeci e Ricardo surpreendem a todos à cada espetáculo, desta vez a novidade foi a presença na platéia de alguns desses anônimos vizinhos invisíveis que habitam as ruas nas proximidade do teatro que, além de emocionarem-se com o texto, arrancaram lágrimas e aplausos do público ao final da apresentação.

Os diretores descortinam a realidade periférica do cotidiano e jogam um canhão de luz nas coisas que a sociedade insiste em fingir que não enxergar. Imperdível!
Assista e emocione-se. Venha para o teatro, venha para a luz Foto Joaquim Dantas
Assista e emocione-se. Venha para o teatro, venha para a luz
Foto Joaquim Dantas

Serviço:
Faça-se Luz
Os seres invisíveis estão entre nós. São putas, michês, garis, moradores de rua... É no marginal caminho que esses seres se deparam com a bestialidade, enquanto a humanidade caminha em direção à luz.
Mas nem toda luz clareia, algumas cegam.
Por que uns vão e outros permanecem estagnados na ignorância?
Quem é capaz de dar a mão e apontar caminho?
Em “Faça-se luz”, quatro personagens estão no limiar do humano. Como em um jogo de cartas, uma delas precisa ser descartada para que haja a vitória.
Qual dos personagens envolvidos na trama você descartaria?
O caos humano foi instalado.
É o jogo da vida.
E você ? Vê alguma luz?

10 a 19 de junho de 2016

Sexta e Sábado às 21h/ Domingo às 20h
Meia entrada R$ 15,00 / Inteira R$ 30,00
Espaço Semante - Setor Central do Gama - Ao lado da Roodoviária

Direção de Palco: Valdeci Moreira
Direção Geral: Ricardo César
Atores/Atrizes: Jullya Graciela, Jussy Nascimento, Luiz Lukas Copaseut, Marcelo Roberto.
Dramaturgia: Colaborativa
Cenógrafo: Adalto Serra
Iluminação: Valdeci Moreira
Operadora de Luz: Bruna Nayara
Figurinista: Ricardo César
Sonoplastia: Valdeci Moreira
Operador de Som: Mateus Lima
Produção e Assessoria de imprensa: Marli Trindade
Assistente de Produção: Jéssica Ximenes
Mídias: F.F, Luana Raíssa, João Camargo, Luiz Alves e Matheus Trindade
Artes: Elfus Mickemball e Wilton Oliveira
Apoio Semente Cia. de Teatro

Confira todas as fotos aqui



As novas cercas dos quilombos

10 de Junho de 2016, 15:46, por Blog do Arretadinho

Apenas 7% das famílias quilombolas vivem em áreas tituladas. Na busca pelo reconhecimento dos territórios, comunidades enfrentam ameaças, confisco de objetos históricos e resistência até do órgão de preservação do patrimônio
Texto: Stefano Wrobleski
Fotos: Lilo Clareto, de Codó, Maranhão

Na última sexta-feira (13/05), a canetada da Princesa Isabel que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil completou 128 anos. Com a Lei Áurea, muitos dos libertos engrossaram os quilombos já existentes ou se organizaram em novas comunidades. Mas o reconhecimento do direito dos povos negros a seus territórios tradicionais só viria cem anos depois, com a Constituição de 1988. Apesar de prever a propriedade definitiva das áreas remanescentes de quilombos, até hoje apenas 16 mil famílias – de um total de 214 mil – vivem em áreas devidamente tituladas, de acordo com dados do governo federal.

A titulação é a última etapa de um longo processo que tem início com a “auto-definição” das comunidades quilombolas – assessorada pela Fundação Palmares, entidade ligada ao Ministério da Educação e Cultura – e prossegue em órgãos estaduais e federais, como Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), responsáveis por estudos antropológicos e desapropriações de terra (confira o passo a passo da titulação de terras quilombolas).

Dos cerca de 2.700 quilombos de todo o país já certificados pela Fundação Palmares, só 163 chegaram à etapa final e foram titulados. No Incra, a morosidade é absoluta: “A questão é que há mais de 1.500 processos abertos no Incra, mas o órgão não tem capacidade de encaminhá-los”, afirma Otávio Penteado, assessor da Comissão Pró-Índio de São Paulo, organização que também lida com a questão quilombola. Para Otávio, a falta de titulação das terras ocorre por “desinteresse político”, o que se traduz em cortes orçamentários na área.

A mudança na composição dos ministérios que o presidente interino Michel Temer (PMDB) realizou assim que Dilma Rousseff foi afastada pelo Senado, na semana passada, agravou as preocupações das entidades ligadas à questão quilombola. Na última quinta-feira (12/05), o deputado federal ligado à bancada ruralista Osmar Terra (PMDB-RS) foi nomeado para a pasta de Desenvolvimento Social e Agrário, que é responsável pelo Incra. Também foi extinto o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que coordenava o Programa Brasil Quilombola e executava políticas voltadas às comunidades negras tradicionais.

O governo interino de Michel Temer ainda não detalhou as medidas que vai tomar com relação à titulação de territórios quilombolas. Porém, Fernando Prioste, assessor jurídico da organização Terra de Direitos, acredita que a legislação atual pode ser substituída por uma que atenda pleitos da bancada ruralista, “como não fazer desapropriações e reverter a questão da auto-definição”.

O confisco da panela
Além dos entraves políticos e institucionais, comunidades quilombolas de todo o Brasil, de tradição essencialmente oral, também enfrentam dificuldades para comprovar sua presença ancestral nas áreas que reivindicam. Em alguns casos, sofrem até ameaças de morte enquanto aguardam pela homologação de seus territórios.

Quilombolas do Maranhão fazem cerimônia após um ano da morte de morador local, entoando cânticos e rezas tradicionais. 
Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil

Há um ano, as lideranças de diversos povoados da zona rural do município de Codó, no interior do Maranhão, reclamam a devolução de uma grande panela do século XIX. Em 2015, o artefato foi confiscado com ajuda da Polícia Militar por funcionários do Instituto Histórico e Geográfico de Codó (IHGC), órgão local de preservação do patrimônio histórico.

 A panela, além de ter um valor afetivo e religioso para a população, é peça-chave no processo de reconhecimento da comunidade como área remanescente de quilombo. O imbróglio coloca em risco a posse da terra ocupada tradicionalmente pela comunidade de São Benedito dos Colocados. “A panela é importante porque é um símbolo real, de resistência da comunidade”, afirma Valdivino Silva, um dos principais responsáveis por reunir e contar as histórias do povoado, que espera há um ano e meio pela titulação do território.

Os negros dos mais de 200 povoados rurais de Codó – 85% da população do município se definem como preta ou parda, de acordo com o Censo de 2010 – são lembrados por Valdivino como descendentes daqueles que trabalharam à força em plantações de algodão para os grandes latifundiários da região até a Lei Áurea de 1888, que acabou com a escravidão.

Criança quilombola da comunidade de Mata Virgem, no Maranhão. Foto: Lilo Clareto/Repórter Brasil

Trazida da Inglaterra, a panela de ferro fundido e de um metro de diâmetro era usada para alimentar os escravos das lavouras. Renato Barbosa, morador do povoado, conta que o artefato foi resgatado do esquecimento no início do século XX, na comunidade de São Benedito dos Colocados. Lá, a história parece brotar do chão. Vez ou outra, a população encontra a poucos centímetros debaixo da terra restos de porcelana, moedas e aparatos que eles esperam, junto com a panela, usar para comprovar a ocupação tradicional da área aos técnicos do Incra, que têm a missão de determinar em estudos se o território pode ser definido como quilombola.

O confisco da panela pelas autoridades de Codó aconteceu de surpresa, conta o vereador Pastor Max (PTdoB). “Ele [José Ribamar Amorim, presidente do IHGC] usou da truculência, usou policiais e não deu satisfação àquelas pessoas. Não tinha nem um pedido judicial. Até hoje, o atual presidente [do IHGC] está escondendo a panela, ninguém sabe onde ela está. Por que ele não faz a mesma coisa com pessoas ricas que aqui têm artefatos?”, questiona. O vereador assinou uma moção de repúdio pelo caso contra o presidente do instituto.

Questionado pela Repórter Brasil, o presidente do IHGC justificou a ação afirmando que a panela não pertencia a “nenhuma fazenda quilombola ou de escravos”. Segundo José, “o neto do dono da fazenda [onde hoje ficam alguns dos povoados quilombolas de Codó] nos doou a panela, que tinha sido quebrada por essa comunidade”. Ele afirma que, nos próximos dias, pretende abrir ao público a exposição do artefato, na sede do IHGC.

Porém, não é isso que o povoado deseja: “O nosso acervo histórico, de nossa comunidade, nós mesmos vamos construir um espaço para conservar. Nós somos protagonistas da nossa própria história e nós podemos guardar aquilo que é nosso”, reclama Valdivino, a liderança local.
Como os moradores dos povoados não têm a posse da terra, o Ministério Público estadual afirmou que não poderia fazer nada para resolver o impasse.

R$12 mil por cabeça
Em outro povoado do município, a pressão contra a permanência da comunidade chegou a ser feita inclusive por pistoleiros armados. As famílias de Mata Virgem, que detêm desde 2012 uma certidão da Fundação Palmares de auto-reconhecimento como quilombo, foram aterrorizadas ao longo de um ano em suas terras, vizinhas de uma grande fazenda de um ex-deputado estadual.

Segundo José Rodrigues Magalhães, vice-presidente da associação local, quatro pistoleiros andavam recorrentemente pelo local, atirando para o alto para assustar as 23 famílias do povoado.
Ele e Antônio Santana da Silva, outra liderança local, dizem ter ouvido dos pistoleiros que o preço pelas suas cabeças chegava a R$12 mil, caso ultrapassassem os limites impostos pelos capangas. “Fiquei preocupado porque não tinha o direito nem de ir, nem de vir. A qualquer momento, eu podia ser morto”, diz Antônio.

As ameaças cessaram depois de diversas denúncias encaminhadas à polícia e a organizações de direitos humanos. Agora, os moradores da comunidade tentam preservar uma casa grande abandonada pelos herdeiros de um senhor de engenho da região enquanto aguardam os servidores do Incra para comprovar que aquela terra de uso comum, onde seus antepassados foram escravizados, pertence de fato a eles.

Antiga sede da fazenda, a casa grande era o local de moradia da família que detinha a propriedade. A história de Mata Virgem simboliza o destino de parte dos negros que, em 1888, saíram da escravidão e  organizaram comunidades próximas aos locais de origem – diferentemente dos quilombos existentes até então, formados em áreas distantes das fazendas por homens e mulheres fugidos, do tempo em que a escravidão ainda era legal.

Hoje em ruínas, a antiga casa grande é usada pelas crianças quilombolas para brincar. Apesar de saberem das histórias dos antepassados, o local foi apropriado pela nova geração, que pode inventar novos significados para o seu território.