Em discurso de posse, Temer escolhe retórica nazista como lema do golpe
17 de Maio de 2016, 3:30Em seu primeiro discurso após o golpe, Michel Temer defendeu que a frase “Não fale em crise, trabalhe” seja usada em grande campanha de propaganda por todo o País.
Tal frase utiliza uma lógica retórica que busca culpar “quem fala da crise” pela própria crise, atribuindo-lhe a atitude de “não trabalhar”.
A retórica de buscar culpados é largamente utilizada pelos conservadores da atualidade e por toda a História. É assim quando culpam a vítima pelo estupro. É assim quando culpam a criança por ser arteira. É assim quando culpam o trabalhador pela crise do Capital.
A frase ainda se une ao endeusamento do trabalho, que tem origem em várias mitologias que eram utilizadas para aquietar os escravos e que foram absorvidas pela Igreja Romana com a publicação da Suma Teológica no Século XIII.
Essa união de culpabilização com endeusamento do trabalho tem um paralelo histórico importante: a propaganda nazista. Um dos exemplos clássicos é a frase arbeit macht frei (o trabalho liberta), que ficou conhecida por ter sido escrita nos portões dos campos de extermínio do Reich.
Assim como faz Temer, os propagandistas do nazismo buscavam jogar a culpa de seu aprisionamento nos próprios presos dos campos de concentração. A frase, em outras palavras, busca dizer: “você não é livre porque não trabalha”, ou “se quer ser libertado, trabalhe”, quando, na verdade, a intenção era a escravização dos melhores trabalhadores e o extermínio dos que não produziam o suficiente.
Apesar de ser a frase mais famosa, está longe de ser a única. Durante toda a existência do NSDAP (o partido nazista), sua propaganda utilizou o mesmo tipo de retórica. Há centenas de exemplos de cartazes de propaganda nazista com frases do tipo arbeit macht freud (o trabalho alegra), arbeit, freiheit, brot (trabalho, liberdade e pão), arbeite du für de sieg (trabalhar para vencer), jedem das seine (cada um na sua, mas usado no sentido de “cada um tem o que merece”) e coisas do tipo.
fonte Livre Pensamento
Um governo golpista será sempre incapaz de reconhecer a diversidade
17 de Maio de 2016, 3:00A equipe ministerial é compatível com o ódio destilado na Câmara e no Senado: seu alvo não é só Dilma, mas os beneficiários das políticas sociais.
por *Nilma Lino Gomes
Desde 12 de maio, dia do afastamento da presidenta legitimamente eleita, temos ouvido e lido a seguinte frase: não existe mulher no governo Temer.
Em um dos programas diários de uma grande rede de TV, seis jornalistas, duas mulheres e quatro homens brancos, favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma, faziam uma análise sobre o discurso de posse e a equipe do interino.
Depois de um tempo, ao apontar a flagrante ausência de mulheres ministras, uma jornalista disse:
- Nisso ele pisou na bola! Podia ter colocado pelo menos uma mulher!
Com o que estavam tão assustados? Com a expressão do machismo, do sexismo e do golpe de classe, gênero, raça e parlamentar constatado durante o ato de posse? Com a presença, no auditório, da representação da classe média e da elite que apoiam o golpe?
Num país com mais de 52% da população negra e mais de 50 % formado por mulheres, vimos assumir um governo composto somente por homens, brancos, ricos, heteronormativos e pertencentes a uma mesma geração. Não parece o Brasil que conhecemos nos últimos 13 anos. É o inverso da diversidade do nosso país.
A cobertura midiática hegemônica deixou ainda escapar o que tem sido ostensivamente denunciado nas redes sociais: além das mulheres, não há um negro ou negra na equipe ministerial do governo Temer. Às vésperas do dia 13 de maio, interpretado pelo Movimento Negro como dia nacional de luta contra o racismo, a ausência de negros e negras no primeiro escalão do executivo federal é tão inaceitável quanto um governo conspirador.
Reeducada pelo Movimento Negro, hoje, a sociedade brasileira sabe exigir uma leitura de raça e gênero. A branquitude expressa na foto de posse revela a ilegitimidade de um governo que não está, e não quer estar, comprometido em avançar na construção da igualdade racial e das políticas afirmativas.
A mensagem transmitida é: negros e mulheres sequer foram pensados para constituir a equipe ministerial golpista enquanto a Presidenta Dilma, legitimamente eleita pelo voto popular, estiver afastada.
Uma das principais estratégias do racismo institucional e do machismo é introjetar no imaginário social que as pessoas negras e as mulheres inexistem nos lugares de poder e decisão porque são elas próprias as responsáveis pela sua condição de não existência.
Não é raro ouvirmos que a ausência de negros e de mulheres se deve à falta de formação adequada ou de competência para estar no cargo ou, ainda, que existem poucos quadros políticos de mulheres e/ou negros a serem indicados pelos partidos.
Será que a equipe ministerial de um governo conservador, com uma pauta neoliberal e de elite, daria visibilidade aos sujeitos por eles excluídos e inferiorizados? Sujeitos, por eles tão rechaçados e que, na sua maioria, foram os protagonistas das políticas sociais dos últimos 13 anos. Sujeitos que garantiram o voto e a eleição da primeira mulher presidenta do Brasil, do primeiro operário presidente e, ainda, reafirmaram a continuidade do PT no governo.
A foto da equipe ministerial golpista e interina é compatível com o ódio destilado na Câmara e no Senado durante a votação da admissibilidade do impeachment e tem destinatário certo. Não são somente a presidenta democraticamente eleita e o seu partido. São os sujeitos beneficiários das políticas sociais implementadas durante o mandato da presidenta Dilma, ou seja, os pobres, as mulheres, os negros, os povos indígenas, a comunidade LGBT, entre outros.
A repulsa a esses sujeitos é constatada em duas estratégias do governo interino: a primeira, a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos; a fusão do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a fusão do Ministério da Educação com o da Cultura.
A segunda, no slogan pouco criativo escolhido para os dias de (des) governo: ordem e progresso. Mais do que o apelo positivista que esse slogan carrega, ele expressa o pensamento da classe média e da elite que tramaram o golpe.
O pensamento de que os pobres, as mulheres, os negros, os indígenas, os quilombolas, os povos do campo, das águas e das florestas e a comunidade LGBT são considerados subcidadãos, invisíveis ou vistos como seres inferiores. Uma cidadania que lhes foi retirada por terem cometido a ousadia de afirmar a sua existência, reivindicá-la e votar na candidata e no partido que os considera sujeitos de direitos e de políticas.
Diante desse quadro, não é surpreendente e não se pode mesmo esperar que um governo golpista seja capaz de reconhecer a diversidade na composição e nas políticas públicas do poder executivo. Resta-nos, assim, lutar pela restituição da democracia e do seu sentido histórico no nosso país.
*Nilma Lino Gomes é doutora em Antropologia Social/USP, pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, professora da graduação e pós-graduação da FAE/UFMG. Ex-ministra do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos).
General diz que CNV foi 'patética e leviana'
16 de Maio de 2016, 22:18Para general nomeado por Temer, Comissão da Verdade foi 'patética e leviana'
por Marco Weissheimer
no Sul 21
O general Sérgio Westphalen Etchegoyen, indicado pelo vice-presidente Michel Temer para assumir como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional – pasta à qual ficará subordinada a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) -, é um crítico feroz dos trabalhos de investigação dos crimes da ditadura realizados pela Comissão Nacional da Verdade. Etchegoyen vinha atuando, desde março de 2015, como chefe do Estado-Maior do Exército. De 2011 a 2012, comandou a 3ª Divisão do Exército em Santa Maria (RS).
O militar gaúcho natural de Cruz Alta foi o primeiro general da ativa a criticar publicamente o trabalho da comissão, qualificado por ele como “patético” e “leviano”. Isso porque a CNV incluiu o pai dele, general Leo Guedes Etchegoyen, entre os militares responsáveis por violações de direitos humanos durante a ditadura militar. Essa não foi a única citação envolvendo familiares do general. Um tio dele, Cyro Guedes Etchegoyen, foi apontado pelo coronel Paulo Malhães à Comissão Nacional da Verdade, como autoridade responsável pela Casa da Morte, local de tortura e morte de presos políticos da ditadura, localizada no município de Petrópolis, Rio de Janeiro.
Em nota divulgada em dezembro de 2014, o general Etchegoyen, juntamente com outros quatro irmãos e a mãe dele, protestaram contra a inclusão do nome do pai no relatório da CNV, dizendo ela tinha o único propósito de “denegrir” a imagem do general Leo Etchegoyen. A nota afirmou:
“Ao apresentar seu nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que desempenhou a serviço do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir. (…) No seu patético esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”.
A resposta da Comissão da Verdade
Diante da reação da família do general, a assessoria de comunicação da Comissão Nacional da Verdade divulgou nota, no dia 11 de dezembro de 2014, relatando os fatos que basearam a inclusão de Leo Etchegoyen no capítulo 16 do volume I do relatório final, categoria B: “responsável pela gestão de estruturas onde ocorreram graves violações de direitos humanos”. Segundo o relato da CNV, “após o golpe de 1964, Leo Guedes Etchegoyen assumiu a chefia de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, período no qual recebeu Daniel Anthony Mitrione, notório especialista norte-americano em métodos de tortura contra presos políticos, para ministrar curso à Guarda Civil do Estado, realizado no período de 19 a 26 de junho”.
Em novembro de 1964, Etchegoyen assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, permanecendo no caro até fevereiro de 1965. Mais tarde, o militar foi chefe do Estado Maior do II Exército, de 1979 a julho de 1981, período no qual serviu sob as ordens do general Milton Tavares de Souza, comandante do II Exército que chefiou o Centro de Informações do Exército no período Médici. Ainda segundo a Comissão da Verdade, em 28 de dezembro de 1979, o general Leo Etchegoyen, na qualidade de chefe do Estado Maior e supervisor das atividades do DOI-CODI, elogiou os serviços prestados pelo tenente coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI CODI do II Exército, destacando “sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade, capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.
Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército como chefe de equipes de interrogatório e desempenhou a função de subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel. Em 1979, ele assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo, período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de Souza.
Em 19 de abril de 1980, assinala ainda a CNV, quando Leo Etchegoyen era chefe do Estado Maior do II Exército, seu comando esteve vinculado ao planejamento da prisão de sindicalistas e lideranças dos metalúrgicos da região do ABC, bem como do sequestro de integrantes de organizações de direitos humanos que prestavam solidariedade aos trabalhadores, como os advogados José Carlos Dias (então presidente da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo) e Dalmo Dallari (ex-presidente da mesma comissão). Essas prisões, diz a Comissão, foram efetuadas com violência, sem mandado de prisão e sem a devida comunicação às famílias. Essa operação foi planejada pelo comando do II Exército e executada por agentes do DOI-CODI, no período em que Leo Etchegoyen era o chefe do Estado Maior do II Exército, principal instância de planejamento de ações daquele comando.
A Casa da Morte e a morte de Malhães
Essa não foi a única menção a um familiar de Sergio Etchegoyen nos trabalhos da Comissão da Verdade. Em depoimento concedido à CNV, o coronel reformado Paulo Malhães apontou o coronel Cyro Guedes Ethegoyen, tio de Sergio Etchegoyen, como a autoridade responsável pela Casa da Morte, residência localizada em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, que serviu de cárcere e local de tortura e execução de vários presos políticos. Segundo Malhães, Cyro Etchegoyen era a autoridade do Centro de Informações do Exército (CEI), responsável pela Casa. Ele foi chefe da seção de Informações e Contrainformações do CIE, atuando também sob as ordens do general Milton Tavares.
Em seu depoimento à Comissão da Verdade, Malhães admitiu ter participado de diversas sessões de tortura e de ter ordenado e participado de várias ocultações de cadáveres que envolviam, entre outras práticas, a mutilação dos corpos, com a retirada das digitais, mediante o corte das mãos, e da arcada dentária. Questionado em seu depoimento sobre as torturas e as mutilações de cadáveres, ele defendeu a prática como “uma necessidade” e disse que os corpos eram mutilados “para não deixar rastros”. “Quebrava os dentes. As mãos (cortava) daqui para cima”, afirmou, apontando as próprias falanges. Cerca de um mês depois de prestar depoimento à Comissão da Verdade, Malhães foi assassinado por asfixia em sua casa localizada na zona rural de Nova Iguaçu.
A nota divulgada por Sérgio Etchegoyen e familiares, em dezembro de 2014, qualifica o relatório da CNV como “patético esforço para reescrever a história” e afirma que “Leo Guedes Etchegoyen representa a segunda geração de uma família de generais que serve o Brasil, com retidão e patriotismo, há 96 anos”. E acrescenta: “Seguiremos defendendo sua honrada memória e responsabilizando os levianos que a atacarem”.
Dicionário Ilustrado da Tortura no Brasil
16 de Maio de 2016, 19:38Um dos capítulos mais chocantes é o que trata de tortura. A CNV conta que instrutores estrangeiros ensinaram métodos de tortura a militares brasileiros aqui mesmo, em solo nacional.
Agentes franceses teriam desembarcado no Brasil para ensinar algumas técnicas brutais aprendidas e testadas na guerra de descolonização da Argélia, nos anos 50.
Mais tarde, oficiais brasileiros frequentaram aulas de tortura na Escola das Américas, criada pelo Departamento de Defesa do governo dos EUA. O local foi um centro de irradiação destas práticas para toda a América Latina, durante a Guerra Fria, nos anos 60.
Entre 1964 e 1985, 434 pessoas foram mortas e desaparecidas pelo governo militar brasileiro, e mais de 6 mil foram torturadas. Além de torturar seus cidadãos, o Brasil também exportou técnicas de tortura para ditaduras vizinhas.
O Estádio Nacional, uma espécie de Estádio do Maracanã do Chile, foi convertido em 1973, pela ditadura do general chileno Augusto Pinochet, num gigantesco centro de tortura coletiva. Lá, diversas vítimas relataram ter visto e ouvido especialistas brasileiros ensinando técnicas de tortura a militares chilenos. As máquinas usadas no Estádio Nacional também continham manuais de instrução em português, de acordo com dissidentes torturados no local.
Todas as técnicas abaixo foram relatadas por torturados e torturadores à CNV. Como muita gente ainda parece não ter entendido o quanto essa prática é abominável, resolvemos convidar o desenhista Bruno Maron pra tornar mais óbvio o horror da coisa toda.
fonte Vice
Nota de José Antônio Lourenço
15 de Maio de 2016, 11:00
Nota de José Antônio Lourenço sobre a perseguição arbitrária de alguns policiais militares ao professor Jairo Mendonça:
"O fato ocorrido com o companheiro Jairo Mendonça já seria trágico mas os comentários postados por elementos que ao que tudo indica são policiais, servidores contratados para defender o cidadão de bem, cumprir e fazer cumprir as leis e principalmente defender a justiça, faz do caso algo muito mais grave pois mostra claramente que as sementes plantadas e cultivadas pela ditadura militar de 64, continuam ainda bem vivas e gerando frutos. O pior ainda é ver que neste e em outros casos, como no da violência da brigada militar do RS contra cidadãos de bem que exerciam o direito constitucional de se manifestarem, recebem apoio de de idiotas que não só dizem que é o certo a fazer, como falam que tem que bater, prender, usar espadas contra " estes comunistas, estes petistas, o pessoal da esquerda, etc".







