Secretária de Segurança admite: o filho voou no helicóptero do Detran
7 de Maio de 2016, 11:54Em 26 de abril, o Metrópoles revelou que familiares da secretária de Segurança Pública do Distrito Federal, Márcia de Alencar, tinham o benefício, regulamentado pela Casa Militar, de ir para a escola em viatura oficial, sob escolta policial. Uma prerrogativa inédita deste governo.
No mesmo dia, a reportagem também revelou que a gestora nomeou sua ex-empregada doméstica para exercer cargo de confiança no gabinete da pasta.
Os episódios motivaram tanto a abertura de um inquérito no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) quanto a convocação de Márcia para prestar esclarecimentos na Câmara Legislativa. Agora, um novo fato pode aumentar o constrangimento da secretária.
No último dia 17, Márcia sobrevoou Brasília a bordo de um helicóptero do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). Ela levava o filho de carona. Era o dia da votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados. Confrontada sobre o tema, Márcia admitiu ao Metrópoles que o filho a acompanhou porque havia uma vaga no voo. Tudo com a “devida permissão do piloto”.
Disposta a convencer os cidadãos de que suas condutas não são reprováveis, mas fazem parte da prerrogativa do cargo que ocupa, Márcia conversou com o Metrópoles. Negou qualquer indisposição com policiais civis ou militares, disse que está fazendo um trabalho corretíssimo e elogiadíssimo em Brasília e resumiu como se enxerga: “Tenho muito orgulho de ser mãe, mulher, nordestina e mameluca.” (Ouça áudios abaixo)
A seguir, trechos da entrevista de Márcia de Alencar.
Metrópoles – A senhora se tornou uma unanimidade. Nem policiais civis, nem militares aprovam sua nomeação para a Secretaria da Segurança, tampouco concordam com sua forma de gestão. Como lidar com isso?
Márcia de Alencar – Essa informação é bastante inusitada ou despropositada, porque me reúno semanalmente com os titulares da Polícia Militar e da Polícia Civil. Temos uma relação harmônica. Nestes quatro meses de gestão, nós nos reunimos com toda as associações e todos os sindicatos das polícias. Sempre nos tratamos com muita civilidade e muito respeito e muito me surpreende essa afirmação.
Metrópoles – A senhora é a primeira secretária de Segurança Pública do DF a ter à disposição de familiares escolta policial, mesmo sem ter sofrido qualquer ameaça. A senhora não fica constrangida de utilizar uma viatura que poderia estar na rua servindo à sociedade para levar seus filhos à escola?
Márcia de Alencar – Veja. Eu tenho a mesma escolta que o secretário Arthur Trindade tinha. Eu compartilhei essa escolta quando recebi a determinação, ou melhor, a orientação, da Casa Militar, depois que recebi a gestão do Sistema Penitenciário, após a fuga de 10 presos considerados altamente perigosos, dos quais, naquela altura, tínhamos quatro capturas. Portanto, seis presos continuam (foragidos). Do que eu sei, dos 23 secretários que me antecederam, 20 deles eram policiais militares, civis ou federais. Portanto, dos três que me antecederam, o anterior me deixou essa escolta, que é a mesma que utilizo e compartilho a partir dessa recomendação da Casa Militar, bem como o outro civil que foi secretário de Estado, o então professor Roberto Aguiar. Ele também tinha escolta, assim como a maioria dos secretários de Estado de Segurança Pública em todas as unidades da Federação do Brasil.
Metrópoles – A senhora foi a primeira mulher a ocupar a chefia da Secretaria de Segurança Pública no DF. Uma conquista para todas nós. fazer-se de frágil para justificar regalias não é um retrocesso a uma conquista tão importante?
Márcia de Alencar – Não se trata de regalia, por gentileza. Se trata de um dever constitucional e um dever no sentido de segurança institucional. O que está em questão não é uma mulher ou uma mãe. O que está em questão é uma secretária de Estado de Segurança Pública, independentemente de ser homem ou mulher. O fato de ser civil é que está em questão. Nem eu, nem o professor Roberto Aguiar somos obrigados, na condição de especialistas, a termos condutas de policiais, nem nos portarmos como se policiais fôssemos.
Metrópoles – Qualquer profissional da área sabe que um plano de segurança precisa seguir uma série de diretrizes, como o número mínimo de dois policiais no veículo. Enquanto um está dirigindo, o outro fica atento às situações de perigo. No caso de seus filhos, o que se configura é mais o serviço de transporte escolar. A senhora pode nos convencer de que isso realmente se justifica?
Márcia de Alencar – Como todos sabem, há a aproximadamente 13 meses, o Distrito Federal está sob a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nós recebemos a orientação da Casa Militar, embora assinada pelo coronel Cláudio Ribas, no dia 1º de abril, apenas no dia 4. Portanto, quando o seu site fez as ilações no dia 26 de abril, não havia tempo hábil de habilitar as condições operacionais em função da Lei de Responsabilidade Fiscal. O que nós adotamos foi compartilhar a mesma escolta que tínhamos desde janeiro, herdada da gestão de Arthur Trindade.
Metrópoles – A senhora nomeou a Vanda, sua ex-empregada doméstica, como assessora de gabinete. Acha produtivo para a segurança pública do Distrito Federal contratar uma pessoa sem nenhuma experiência na área?
Márcia de Alencar – Não é verdade. Ela, circunstancialmente, viveu essa situação e é de minha extrema confiança. Uma pessoa que tem experiência para o cargo, habilidade para atendimento ao público, que faz atividades administrativas, basicamente de assessoramento do gabinete. Tem nível médio, portanto, habilidades para ocupar a função conforme está determinado pelas prerrogativas do cargo. É uma pessoa que ocupa um cargo de livre provimento. Não há nenhum ato de ilegalidade nessa prática administrativa por mim cometido. É, inclusive, importante registrar neste momento que o seu veículo se utilizou de meios escusos para obter informações a respeito da vida privada dessa senhora, que é uma excelente servidora e que merece ser respeitada.
Metrópoles – Secretária, temos a informação de que a senhora sobrevoou Brasília a bordo de um helicóptero do Detran, recentemente. Nesse voo, também viajaram seus familiares. Acha correto?
Márcia de Alencar – Não tenho familiares em Brasília além dos meus filhos. Eu moro aqui por conta da minha especialidade, trabalho há 22 anos na área de segurança pública, de justiça criminal, e de prevenção à criminalidade. Tenho um currículo vasto. Trabalhei mais de uma década no Ministério da Justiça, entre serviços prestados e cargos de confiança. Trabalhei para as Nações Unidas. Fomos levados para representar o Brasil em outros países. Na Operação Esplanada, tínhamos a necessidade de, pela magnitude da operação, fazer alguns sobrevoos para poder analisar o que tinha sido pactuado com o comitê de pacificação. Trabalhamos de forma exemplar durante todo o processo da operação. Estivemos o tempo inteiro à disposição do Distrito Federal, dos cidadãos e cidadãs que estão neste momento nos lendo para poder oferecer o melhor serviço, a melhor resposta de controle social em um ambiente de disputa antagônica, onde não aconteceu nenhum incidente.
Metrópoles – Secretária, por que os filhos da senhora também sobrevoaram Brasília?
Márcia de Alencar – Os meus filhos não sobrevoaram…
Metrópoles – Isso a senhora está afirmando…
Márcia de Alencar – Eu tenho dois filhos. Conforme o seu site publicou, fica evidente que tenho uma filha. E é uma filha de menor, assim como meu outro filho também é de menor. E minha filha não fez sobrevoo hora nenhuma.
Metrópoles – E o filho, secretária…
Márcia de Alencar – Apenas no segundo voo — que eu era obrigada a fazer, por uma questão de controle operacional —, com a devida permissão do piloto. Nesta situação, em que tinha uma vaga no voo, o meu filho mais velho me acompanhou, naquelas circunstâncias. Era por volta das oito horas da noite de um domingo. Eu estava a serviço, desenvolvendo um bom serviço.
Metrópoles – A Secretaria vem apresentando dados de redução em alguns índices de criminalidade. Mas a população continua a se queixar de falta de segurança. Por quê?
Márcia de Alencar – A sensação de segurança, a percepção de segurança, é diretamente ligada a forma como a mídia potencializa certos tipos de criminalidade. Nós temos o roubo a comércio e o roubo à residência, por exemplo, que não representam nem 5% de todas as estatísticas de crimes contra o patrimônio no DF, que dirá de todas as ocorrências criminais. Portanto, há uma falta de critério de como a imprensa, de um modo geral, comunica os dados da segurança pública. O fato de darmos publicidade às informações é porque consideramos que o cidadão tem de ter acesso aos índices que importam para a sua rotina. Mas, quando essas informações não são tratadas com o devido rigor científico, acaba gerando uma distorção da realidade. Se não tivermos uma política de comunicação local e principalmente das redes sociais que alcancem o nosso cidadão menos informado, estaremos, sem dúvida, deformando todo o esforço republicano de um governo socialista que só pretende garantir fundamentalmente e principalmente o orgulho de viver em Brasília.
do Portal Metrópoles
(Colaboraram Otto Valle, Thaís Cieglinski, Carlos Carone, Kelly Almeida e Leilane Menezes)
Gregório Duvivier: 'Jovens estão ensinando a gente como se faz política'
7 de Maio de 2016, 11:42![]() |
| Laura Carvalho, Gregório Duviver, Leonardo Sakamoto e Guilherme Boulos: união para fortalecer a resistência CAROLINA SPORRER / ARQUIVO FACEBOOK |
Humorista e escritor exalta mobilização dos estudantes durante debate em São Paulo. Camila Lanes, da Ubes, acusa mídia de tentar criminalizar ocupação da Assembleia Legislativa e do Centro Paula Souza
por Helder Lima, da RBA
São Paulo – A mobilização dos estudantes secundaristas, que nesta semana ocuparam a Assembleia Legislativa de São Paulo e o Centro Paula Souza, é exaltada pelo escritor e humorista Gregório Duvivier como exemplo para a ação política frente ao grave momento político que o país enfrenta. "Os jovens estão ensinando a gente como se faz política", disse Duvivier na noite desta sexta-feira (6) ao público que se reuniu na Praça Roosevelt, região central da capital paulista, para acompanhar o debate "Resistência! Sem medo, sem ódio, a luta continua", promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Frente Povo Sem Medo.
"Onde eu estava na compra da reeleição de Fernando Henrique Cardoso (em 1998), por que eu não estava ocupando nada", indagou Duvivier ao observar que a ocupação se tornou um forte instrumento da luta política. "Essa é a forma hoje, só assim as coisas mudam de verdade", afirmou, depois de comentar que a votação do impeachment pelo plenário da Câmara Federal, em 17 de abril, foi um episódio vergonhoso e repulsivo. "As pessoas começaram a perceber que é uma batalha contra o povo, contra as conquistas sociais e está muito longe de ser uma batalha contra a corrupção. O impeachment está acontecendo em nome de um golpe, em nome de 1964", disse, lembrando a instauração da ditadura que perdurou por 21 anos no país.
Na sequência de Duvivier, a presidenta da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, que atuou na ocupação de quatro dias do plenário da Assembleia, afirmou que a grande mídia tentou criminalizar a mobilização dos estudantes pela instalação da CPI da merenda, classificando-a como invasão. "Mas aquele lugar nos pertence; na democracia, é lugar do povo, do filho do trabalhador, de todos que fazem deste país algo melhor", disse.
Camila destacou que sua principal mensagem a partir de agora é a necessidade de mobilização para enfrentar o golpe em marcha com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, cuja admissibilidade será votada no plenário do Senado na próxima quarta-feira (11).
O debate contou também com o líder do MTST Guilherme Boulos e com a professora de Economia da USP Laura Carvalho. A mediação foi feita pelo jornalista Leonardo Sakamoto. Todos eles ressaltaram a necessidade do campo progressista se manter unido para resistir ao golpe articulado pela coalizão entre legislativo, judiciário e mídia conservadora.
Boulos disse que o caso da sem-teto Edilma Aparecida Vieira dos Santos, baleada na quarta-feira (4) pelo PM Robson Vieira do Nascimento, durante manifestação do MTST em Itapecerica da Serra, reflete as tensões que marcam a crise política neste momento. "Foi o PM que atirou, mas o gatilho não foi apertado somente pelo PM, mas também pelo Bolsonaro (deputado Jair Bolsonaro, PSC-RJ), pela Rede Globo, pelo pastor Silas Malafaia", afirmou, referindo-se aos conservadores que têm disseminado ódio contra a esquerda no país. Ele também disse que o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) se tornou alvo de quatro pedidos de cassação por ter apoiado a mobilização dos estudantes.
Depois de considerar que o impeachment sem crime de responsabilidade é um golpe marcado por escárnio, hipocrisia e cinismo, sobretudo frente ao fato de que o relator do processo no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), "usou e abusou das pedaladas fiscais", Boulos disse que o eventual governo de Michel Temer não terá sustentação nas ruas do país. "Quem foi à avenida Paulista contra a Dilma também não quer o Temer, que é biônico, feito por eleição indireta". Boulos classificou a agenda de governo de Temer como "de uma regressão social sem precedentes no país". E também destacou que "haverá uma ampla resistência aos retrocessos que ele quer impor".
A professora Laura Carvalho falou sobre as contradições que marcam a crise política. Ela citou como exemplos o abandono por Dilma da agenda de ampliação de direitos que a elegeu em 2014, e o caso das pessoas que querem o fim da corrupção, mas, para tanto, estão dando poder aos corruptos – a maior parte dos parlamentares que apoiam o impeachment sofre acusações criminais.
Laura fez uma análise sobre a situação do governo de Dilma, e disse que o programa Ponte para o futuro, lançado pelo PMDB como norte do possível governo de Michel Temer, levará a um aprofundamento das medidas de ajuste e de ataque a direitos trabalhistas. "Essa agenda do PMDB terá mais força dentro do Congresso para passar, e se não resistirmos os retrocessos serão imensos", afirmou. "Temos de aproveitar a união do campo progressista para resistir; a única luz de otimismo que temos é a união, e os estudantes ocupando. Vamos lutar e resistir em cada espaço que a gente domina."
Del Roio: luta anticorrupção na Itália atingiu todos os partidos, aqui é contra a esquerda
7 de Maio de 2016, 11:37![]() |
| José Luiz Del Roio, em entrevista ao portal Opera Mundi, em 2015: no Brasil, combate à corrupção é só pretexto OPERA MUNDI TV / REPRODUÇÃO |
Para ativista, quem quer o golpe são "os escravocratas, os de sempre"
por Redação RBA
São Paulo – A comparação entre as operações Mãos Limpas, na Itália, e a brasileira Lava Jato não é adequada, de acordo com a análise do ativista, historiador e ex-senador na Itália José Luiz Del Roio, 74 anos completados em março. "O grupo de juízes que lutou contra a corrupção na Itália foi contra todos os aspectos da corrupção, de todos os partidos. Logo, não existia essa coisa que era fixada em alguns aspectos, em alguns políticos. Lava Jato é para destruir a esquerda, nasceu com isso", afirmou Del Roio, em entrevista ontem (6) ao Programa da Sexta, da Agência Sindical, transmitido pela internet.
Ainda assim, os juízes da operação italiana, que Del Roio conheceu, cometeram um erro, segundo ele. "Eles se deixaram levar por um grande acordo justicialista das massas", observou, acrescentando que ultrapassaram limites por influência das ruas, ou da praça, como ele diz. "Não era bem a praça, eram os jornais." "O combate à corrupção é uma coisa muito mais complexa, que só um certo tipo de política pode superar. O neoliberalismo traz facilidades maiores para a corrupção, é um sistema de corrupção."
Em entrevista ao portal Vermelho, em março, Del Roio já havia criticado a Lava Jato. "Lá (na Itália), os ritos foram cumpridos. Aqui, um juiz de primeira instância age e prende no país inteiro. Nunca vi isso!"
Militante político desde o início dos anos 1960, na conversa com a Agência Sindical ele lembrou da mobilização para garantir a posse de João Goulart, em 1961, e as perspectivas do país naquele período, com as reformas de base. "O Brasil tinha tudo para virar um país desenvolvido e menos infeliz. A casa-grande, os malditos escravocratas, se uniram para impedir isso", afirmou, acrescentando que por trás de "golpe" atual estão, provavelmente, "os mesmos de sempre".
"Todo governo que rasga à Constituição e é ilegítimo tende à violência, porque é o único jeito de se manter", criticou Del Roio, mesmo assim dizendo-se "esperançoso" em relação à resistência. "Está (o golpe) isolado internacionalmente. E quando as forças operárias, os trabalhadores, perceberem que é contra eles, contra a CLT, os salários, contra a nação, a reação será muito forte."
Para ele, não só no Brasil se fala que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofre perseguição. "É uma opinião mundial. Até o sistema jurídico internacional, democrático, nunca vimos isso. Não existe país onde a ditadura da imprensa é tão feroz. Estamos combatendo numa trincheira..." O historiador diz não saber se Lula terá "força física" para voltar à Presidência da República, "mas é um homem que será absolutamente indispensável para a gente achar uma solução política para essa situação vexatória".
Del Roio espera que o movimento sindical consiga se rearticular em torno de propostas discutidas e aprovadas em 2010, durante conferência no estádio do Pacaembu, em São Paulo. E também pediu que as centrais resgatem o "verdadeiro sentido" do 1º de Maio. "Não se constrói nação, e classe operária não é classe em si se não constrói sua história, se não tem memória. Mas isso é um jogo muito hábil, martelante, feroz, da classe dominante brasileira. Nos fazem esquecer que 52% da população é negra e tivemos 350 anos de escravidão. A batalha pela memória é revolucionária."
Ouça a íntegra do Programa da Sexta, da Agência Sindical, com José Luiz Del Roio.
Mais três monumentos de Oscar Niemeyer são tombados pelo Iphan
7 de Maio de 2016, 11:08![]() |
| Projetado por Niemeyer e inaugurado em 1983, o Sambódromo é um dos monumentos do arquiteto tombados pelo Iphan Foto Arquivo/Agência Brasil |
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou nesta sexta-feira (6) o Sambódromo do Rio de Janeiro, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói e o Conjunto de edificações projetadas do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, todos monumentos assinados pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
Os tombamentos foram decididos em votação do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural durante a 82ª reunião do colegiado, no Palácio Gustavo Capanema, centro da capital fluminense. A presidenta do Iphan, Jurema Machado, explicou que o processo dos novos tombamentos começou em 2007 e explicou a importância da decisão para a conservação dos monumentos históricos e culturais.
“O Iphan passa a ter um acompanhamento dessas obras. Isso implica em uma responsabilidade de análise de aprovação de projetos passarem pelo Iphan, que passa a ser corresponsável por apoiar a conservação nas futuras intervenções”, disse.
De acordo com a presidente do órgão, o Sambódromo, o MAC e o Parque Ibirapuera enquadram-se perfeitamente nos critérios de tombamento em nível nacional. “É preciso que seja portador de referências culturais que tenham expressão e representatividade de âmbito nacional. Não precisa ser monumental ou espetacular, mas ter um papel importante no moisaico que é a cultura brasileira”, explicou.
As obras
Com área de mais de 1,5 milhão de metros quadrados, o Parque do Ibirapuera foi inaugurado em 21 de agosto de 1954 em comemoração aos 400 anos da cidade de São Paulo. No local havia uma área alagadiça que, na época da colonização, foi uma aldeia indígena. O nome Ibirapuera (ypi-ra-ouêra) significa na língua Tupi árvore apodrecida.
Inaugurado em 1984, o Sambódromo tem cerca de 650 metros e virou um ícone do espetáculo das escolas de samba. A arquitetura carrega as características de Niemeyer, prezando pela simplicidade formal e austeridade de acabamentos necessários à valorização da festa.
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói foi inaugurado em 1996 e tem 2,5 mil metros quadrados de área. Em formato circular, que lembra um disco voador, o museu oferece aos visitantes uma vista panorâmica da Baía de Guanabara e da cidade do Rio de Janeiro. Às margens da baía, o espelho d'água ao seu redor combinado ao vermelho da rampa de acesso e ao branco do edifício criam uma iluminação especial.
Oscar Niemeyer viveu 104 anos. Nasceu no Rio de Janeiro em 1907 e em 1929 ingressou na Escola Nacional de Belas Artes. Entre suas criações está o conjunto arquitetônico de Brasília. Ao todo, Niemeyer tem 43 obras tombadas no Brasil.
O conselho do Iphan que avalia os processos de tombamento e registro é formado por 23 especialistas de diferentes áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Os conselheiros representam entidades da área, ministérios e organizações da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do instituto.
da Agência Brasil



