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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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"Se conhecêssemos nossa história, Bolsonaro não seria candidato"

27 de Agosto de 2018, 15:13, por Blog do Arretadinho

Justiça Brasileira foi considerada culpada por não apurar assassinato
do jornalista Vladimir Herzog
Para filho de Vladmir Herzog, retomada das investigações do assassinato de seu pai abre um novo capítulo para que erros do passado não se repitam

Apoiador da ditadura militar no Brasil, o presidenciável Jair Bolsonaro foi mais uma vez incitado a falar sobre o período de exceção na segunda-feira 30, durante entrevista ao programa Roda Vida. Para o candidato, os arquivos da ditadura devem ficar no passado. 

Antes disso, na mesma entrevista, o deputado afirmou que a tese de que Vladimir Herzog se suicidou é factível, "mas ele não estava lá para saber". O jornalista foi morto nos porões do DOI-Codi em outubro de 1975, 24 horas depois de prestar depoimento às autoridades da repressão. 

As declarações de Bolsonaro aconteceram no mesmo dia em que o Ministério Público Federal reabriu o inquérito sobre o assassinato de Vlado. Além disso, no início de julho, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) condenou o Brasil pela falta de investigação e sanção dos responsáveis pela morte de Herzog. 

O tribunal questionou a aplicação da lei de anistia de 1979 para encobrir os responsáveis pela morte de Herzog e apontou o Estado brasileiro como responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade e a integridade pessoal em detrimento dos familiares da vítima. Foi esta condenação que fez com que o Ministério Público reabri-se as investigações.

Leia também: Marielle, Herzog, Edson Luís: quando o luto vai às ruas

Para o filho do jornalista e presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog, a investigação, o julgamento e as sanções aos responsáveis pela tortura e assassinato do pai são importantes para que a verdadeira história seja reconhecida como narrativa oficial, e para que não se cometa os mesmo erros do passado. "Tem muita gente que acha que temos que deixar o passado para trás. Isso não é possível. Só podemos virar a página da nossa história quando terminarmos de escrevê-la", afirma Ivo. 

Confira abaixo a entrevista de Ivo Herzog a CartaCapital.

CartaCapital: O senhor acredita que a reabertura do inquérito sobre o assassinato do seu pai na Justiça brasileira pode marcar um novo capítulo do caso do Vladimir Herzog e da história da ditadura militar? 

Ivo Herzog: O caso da morte do meu pai foi considerado pela Corte Interamericana como crime de lesa-humanidade. Agora a gente vai ver se o Brasil vai se posicionar como uma nação soberana, uma nação séria, honrando os tratados, ou se não é um país sério, que despreza os acordos feitos com a comunidade internacional.

Eu parto do pressuposto de que o Brasil que irá honrar esses contratos e obedecer à determinação da Corte. E acredito que o caso da morte do meu pai abre ainda mais as perspectivas para que todos os que sofreram na ditadura tenham suas histórias reescritas. 

CC: O principal embaraço para isso não acontecer é a Lei da Anistia? 

IH: A Lei da Anistia não é uma lei legítima, ela foi feita num momento de exceção da nossa história por um Congresso biônico, então ela não possui validação democrática. Ela foi criada por uma imposição do regime para ter um instrumento que os protegesse. É uma lei que precisa ser debatida pela sociedade e o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre ela revisto. Enquanto ela for mantida do jeito que está, impedindo que se faça justiça, a gente não consegue avançar.

Tem muita gente que acha que temos que deixar o passado para trás. Isso não é possível. Só podemos virar a página da nossa história quando terminarmos de escrevê-la. Existem centenas de páginas em branco.

A sociedade precisa compreender o que acontecia na época da ditadura – e tivemos um exemplo disso com os documentos estrangeiros que dão conta dos casos de corrupção dentro da linha de comando dos governos da ditadura. Ou seja, não eram só nos porões da ditadura que as coisas aconteciam, mas também nos palácios da ditadura, porque os processos começavam de cima.

CC: O candidato à presidência Jair Bolsonaro nega que Vladimir Herzog tenha sido morto pelos torturadores da ditadura. Como o senhor avalia esse tipo de discurso político? 

IH: Tenho certeza que se tivéssemos conhecimento pleno do que do que aconteceu na nossa história o candidato que está disputando a dianteira das eleições não existiria. Não faz sentido nenhum qualquer pessoa com mínimo de conhecimento e respeito pela humanidade apoiar alguém que defende os crimes cometidos no passado.

CC: E no final apenas Bolsonaro tem sido incitado a falar sobre a ditadura no debate eleitoral... 

IH: Eu acho que os candidatos são incitados a falar sobre temas que são polêmicas em si. Cada candidatura têm suas próprias polêmicas. O Bolsonaro sofre processo por incitação à violência por ter citado o (coronel Brilhante) Ustra no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, onde fez apologia à tortura. 

Além das questões da ditadura, quando o candidato é questionado sobre os programas que têm na área de saúde, educação, economia, ele foge da resposta, porque ele não tem. Ele é um factoide, uma aberração política. Como a nossa política está fragilizada, abre-se espaço para esse tipo de figura. Ele não tem nenhum conteúdo. Ficou mais de 20 anos no Congresso e tem um índicie de desempenho baixíssimo. Se anexava a grupos que ele pudesse tirar alguma vantagem. A inconsistência dele só aparece agora que ele é efetivamente questionado.

O que sobra para a população são as manchetes de alguém que vêm com um discurso simplista, que diz que se temos problemas na segurança, então vamos matar o bandido, se temos problema na corrupção, mata o corrupto, se a democracia não funciona bem, vamos reinstalar a ditadura. É muito complicado ter um cara como esse pleiteando o cargo maior de um país como o Brasil.



Show do milhão: veja quanto os candidatos ao GDF já arrecadaram

27 de Agosto de 2018, 15:01, por Blog do Arretadinho

RICARDO BOTELHO / ESPECIAL PARA O METRÓPOLES
Show do milhão: veja quanto os candidatos ao GDF já arrecadaram

Com R$ 1,2 milhão, Ibaneis é o concorrente com maior valor na campanha. Fraga, segundo no ranking, soma R$ 1 milhão

Somados, os candidatos ao Palácio do Buriti declararam ter arrecadado, até esta segunda-feira (27/8), mais de R$ 3 milhões para as campanhas políticas. Na disputa pelo cargo de chefe do Executivo, Ibaneis Rocha (MDB) é o concorrente com mais dinheiro: R$ 1,2 milhão. Eliana Pedrosa, por sua vez, é a que tem menos investimentos, com R$ 18.500. Os dados são do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).

Ex-presidente da Seccional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ibaneis é o que tem mais recursos disponíveis. O emedebista disse à Justiça ter um patrimônio de R$ 94.100.602,57. Na sabatina realizada pelo Metrópoles, o advogado prometeu gastar R$ 5,6 milhões do próprio bolso na corrida ao GDF. “Já tirei o dinheiro e vou usar do meu patrimônio. Não vou usar fundo partidário”, anunciou, na ocasião.

Alberto Fraga, na disputa pelo Democratas (DEM), está em segundo lugar do ranking dos buritizáveis que mais arrecadaram até agora, com R$ 1 milhão. De acordo com a declaração do deputado federal, a verba foi repassada integralmente pelo partido.

Representante do PSD, Rogério Rosso afirmou já ter recebido R$ 730.380 por meio de doações. Entre elas, a que mais chama atenção é uma no valor de R$ 700 mil. Trata-se de transferência feita pelo candidato mais rico das eleições no DF: o presidente da farmacêutica União Química, Fernando de Castro Marques. Postulante ao Senado Federal, o empresário tem patrimônio de R$ 667.953.170,44, montante referente a joias, obras de arte e terras.


Vaquinha virtual
Fátima Sousa (PSOL) apresentou R$ 72.305,76 de receitas do fundo partidário estadual e distrital. Professora da Universidade de Brasília (UnB), a docente declarou patrimônio de R$ 3.284.559,51. É uma das adeptas do modelo de financiamento coletivo, a famosa vaquinha virtual.

O atual chefe do Executivo, Rodrigo Rollemberg, só disse ter recebido, até o momento, R$ 20 mil do fundo partidário. O governador apresentou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 930.152,75, contando oito terrenos, veículo e aplicação em poupança, além de dinheiro em conta-corrente. No entanto, o socialista já retificou seu registro por duas vezes. Na primeira, esqueceu de contabilizar R$ 300 mil em cabeças de gado. Na outra, mudou o seu local de nascimento de Brasília para o Rio de Janeiro.

Empresários
Empresário da rede Giraffas, Alexandre Guerra (NOVO) afirmou ter recebido apenas R$ 51.050. Entre todos os concorrentes, foi o único que já apresentou as faturas das primeiras despesas. Com apenas quatro segundos na propaganda eleitoral na TV, garante ter investido R$ 15 mil nas redes sociais.

Outra empresária da cidade também está entre as que menos receberam doações. De família do ramo dos prestadores de serviço, Eliana Pedrosa diz ter tido colaboração financeira de apenas duas pessoas físicas até agora.

O general Paulo Chagas (PRP), o professor Antônio Guillen (PSTU), o economista Júlio Miragaya (PT) e Renan Rosa (PCO) ainda não prestaram contas à Justiça.

do Portal Metrópoles



Chico Vigilante: Lula resgatará o Brasil de 65 milhões de desiludidos

27 de Agosto de 2018, 14:06, por Blog do Arretadinho

Divulgação
É com Lula que o Brasil será feliz de novo e é Lula quem resgatará a esperança dessa multidão de brasileiros e de brasileiras desiludidos”

A grande imprensa até que se esforçou para tentar convencer o povo brasileiro de que a taxa de desemprego caiu no trimestre encerrado em junho. Entretanto, uma análise mais cautelosa dos dados da última Pnad Contínua do IBGE, divulgados na última terça-feira (31), revelam o total fracasso econômico do governo golpista de Michel Temer na retomada do crescimento e na geração de empregos.

De acordo com os dados, o desemprego teve uma pequena queda, atingindo uma taxa de 12,4% e ainda assola 13 milhões de brasileiros. Sobre os números é preciso ponderar que a metodologia do IBGE considera desempregado apenas aquelas pessoas que estão em busca de emprego.

Então, essa tímida melhora se deve basicamente à geração de postos informais de trabalho, como explicita a própria pesquisa, e aos brasileiros e brasileiras que desistiram de procurar emprego. Não à toa, o total de pessoas que nem trabalham nem procuram vagas de empregos atingiu 65,6 milhões, o maior número já registrado na história, com um aumento de 1,2% em 3 meses ou de 774 mil pessoas.

Por isso, uma das características mais perversas do legado do governo ilegítimo de Temer para o país é uma realidade em que os brasileiros e as brasileiras deixaram de sonhar e de acreditar que é possível encontrar um emprego digno. Os desmandos e retrocessos do governo Temer são tantos que a desilusão e o pessimismo já atingem uma massa de pessoas que correspondem ao tamanho da toda a população da Argentina, do Chile e do Uruguai somadas.

Ademais, a persevera reforma trabalhista de Temer e a lei das terceirizações irrestritas, que enfraqueceram sindicatos e que colocaram os trabalhadores de joelhos para os interesses dos patrões, estão na raiz do aumento da informalidade. Com Temer, os trabalhadores e as trabalhistas tiveram que se submeter a qualquer relação de trabalho para não passarem fome. Não é preciso lembrar que, em abril, esse mesmo IBGE apontou que 1,5 milhão brasileiros caíram na miséria no último ano.

Neste cenário, não é de se estranhar que o povo sinta falta de um passado recente em que aprendeu a ter autoestima e a caminhar de cabeça erguida pelas ruas deste país. O tempo de um governo legítimo e eleito que combinou de forma inédita democracia, participação popular, inclusão social, distribuição de renda, aumento das oportunidades para todos e redução das desigualdades.

Falamos de um período histórico em que os mais pobres foram, de fato, incluídos no orçamento e puderam participar do processo de crescimento econômico do país. Nos governos do PT, o salário mínimo cresceu 77% em termos reais e foram gerados 23 milhões de empregos formais. Além disso, a renda dos 20% da população mais pobre cresceu 84%. Ademais, 36 milhões de brasileiros deixaram a pobreza extrema e outros 42 milhões ascenderam socialmente. Considerando o conceito de pobreza do Banco Mundial, nos nossos governos, a redução da pobreza extrema foi de 9,3% da população para apenas 1%.

Além disso, o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU/FAO, com uma queda de 82% da população subalimentada, entre 2002 e 2014. A mortalidade infantil caiu à metade, de 23,4 para 12,9 por mil nascidos vivos e o trabalho infantil entre os pobres e extremamente pobres caiu 84%, de 2004 a 2015, sendo que, em números absolutos, declinou de 2,4 milhões para 390 mil.

É desse Brasil que o povo sente saudades. Por essa razão, Lula lidera todas as pesquisas presidências, em todos os cenários, de todos os institutos de pesquisas e, agora, aparece com possibilidades reais de vitória já em primeiro turno, mesmo que preso por uma condenação política, injusta e arbitrária.

Não podemos deixar que o condomínio golpista do ilegítimo Temer, do presidiário Eduardo Cunha e dos tucanos Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin impeçam a candidatura de Lula, com as bênçãos da mídia parcial e do judiciário partidarizado. É com Lula que o Brasil será feliz de novo e é Lula quem resgatará a esperança dessa multidão de brasileiros e de brasileiras desiludidos.

Chico Vigilante Lula da Silva é deputado distrital pelo PT- DF

fonte pt.org.br



Mulher bate em empregada e vai parar na DP

27 de Agosto de 2018, 12:59, por Blog do Arretadinho

ISTOCK
Após spray de pimenta, patroa bate em empregada e vai para delegacia

A Polícia Militar foi acionada por um vizinho, que escutou gritos de socorro na noite desse domingo (26/8) na Vila Planalto

Um desentendimento entre patroa e empregada acabou na 5ª Delegacia de Polícia (área central), na noite desse domingo (26/8). O caso ocorreu por volta das 22h20, na Vila Planalto.

A Polícia Militar foi acionada por um vizinho, que escutou os gritos de socorro. Os policiais militares chegaram ao endereço e encontraram as duas mulheres. A empregada doméstica de 50 anos contou que havia sido agredida pela patroa, de 63.

A acusada não negou a agressão, mas disse que apenas se defendeu após a funcionária jogar spray de pimenta em seus olhos.

A patroa passou por atendimento médico antes de ser levada para a delegacia. Na 5ª DP, depois de analisado o caso, ela assinou um termo de compromisso e foi liberada.

do Portal Metrópoles



'Nordeste coloca PT no segundo turno', diz cientista político

27 de Agosto de 2018, 12:26, por Blog do Arretadinho

Visita a Museu dedicado a Luiz Gonzaga, durante Caravana.
Analista defende que intenções de  voto são fruto de comparação
 entre Lula e Temer / Ricardo Stuckert
'Nordeste coloca PT no segundo turno', diz cientista político
Alberto Carlos Almeida aposta que 2018 terá novamente segundo turno entre petistas e tucanos

Rafael Tatemoto no Brasil de Fato

O cientista político Alberto Carlos Almeida tem se dedicado a apresentar, ao grande público, obras que abordam os meandros das pesquisas de opinião e teorias sobre comportamento eleitoral. Em best-sellers como "A cabeça do brasileiro" e "A cabeça do eleitor", apresenta de forma simples o complexo pensamento da população brasileira. 

Sua nova obra - "O voto do brasileiro" - comenta a hipótese de que 2018 terá um segundo turno igual ao das eleições passadas, com um candidato petista e outro tucano. Ao Brasil de Fato, ele afirma que o “nordeste coloca o PT no segundo turno”, mesmo que a legenda opte por um outro nome, em caso de Luiz Inácio Lula da Silva ser impugnado, e reitera que não crê em Jair Bolsonaro (PSL) na última etapa eleitoral.

Confira a entrevista: 



Brasil de Fato: Em seu novo livro, você sustenta que o segundo turno de 2018 reviverá uma conhecida polarização entre PT e PSDB. Não há indícios que isso pode não ocorrer?

Alberto Carlos Almeida: Toda previsão na área política e econômica é probabilística. Elas erram, são atualizadas. 

Você está vendo que não está acontecendo [a possibilidade de um realinhamento eleitoral]. A votação em Lula é um indicador do potencial de votos que o PT pode obter. Do outro lado do espectro político, há a soma das votações de Bolsonaro e Alckmin. Esquece Marina, Ciro; eles não têm a menor chance de ir para o segundo turno. Vai haver uma transferência de voto rápida e intensa de Lula para Haddad, no caso do primeiro realmente não ser o candidato.  Haddad irá para segundo turno contra Alckmin ou Bolsonaro. Nordeste coloca o PT no segundo turno. Eu continuo achando que quem tem mais chance de ir para o segundo turno é o Alckmin. 

A polarização entre PT e PSDB nunca se refletiu na preferência partidária, só no caso do PT. Na verdade, a polarização não é entre PT e anti-petistas? Isso não pode colocar Bolsonaro no segundo turno?

A resposta é sim, pode colocar. A forma como você colocou é boa: de um lado há o petismo e do outro o anti-petismo. Acabou de sair a simpatia partidária em relação ao PT. Está em 29%. É uma das maiores da série. Aí tem o antipetismo. Se você perguntar quem odeia o PT vai dar também um percentual grande. Isso ia mais para o PSDB, não há a menor dúvida. O Bolsonaro está captando isto do PSDB. Este é o grande problema do PSDB hoje. Por isso que o Alckmin terá que bater no Bolsonaro. 

Nesse objetivo, a aliança de Alckmin com o chamado centrão, garantindo o maior tempo de TV é realmente central?

O tempo do Alckmin com o tempo do Bolsonaro é 'muito tempo contra nada'. Uma coisa é o Alckmin comparado com o PT. É 'muito' contra um tempo bom do PT. 

O Bolsonaro vai sumir do dia-a-dia dos eleitores. Aliás, ele vai aparecer, levando pancada do Alckmin. Se você olhar hoje, a rejeição do Bolsonaro subiu 7 pontos. Saiu de 32 para 39. Isso dá oito milhões de eleitores. Oito milhões nos últimos dois meses passaram a dizer que não votariam de jeito nenhum. Esse pessoal vai conversar com quem vota no Bolsonaro.

Mas o Bolsonaro não mobiliza uma base de extrema-direita e já consolidou seu voto entre essas pessoas?

Sim, mas é uma proporção, não é tudo. O Bolsonaro está com 18 [pontos]. Se o Alckmin tirar seis pontos percentuais, e puxar para ele esses seis, ele empata com o Bolsonaro. Não pode bater [no Bolsonaro] e [o voto] ir para outro. 

Seis pontos é muito? Depende de como você analisa. Seis pontos é muito, mas há como [reverter]. Em 19 de setembro de 2014, a Marina estava 13 pontos à frente de Aécio [Neves]. É muita coisa, mas o Aécio acabou indo. 

Ele vai ter que pegar o [eleitor] menos radical do Bolsonaro. É esse que pode ir para ele. Divide por três o eleitorado do Bolsonaro. Deve ter uns seis pontos percentuais muito radicais, uns seis intermediários e uns seis mais moderados. 

A participação e o desempenho em debates dos candidatos pesa na opção de voto?

Tudo tem algum peso. Uma gafe tem algum peso. mas não existe um momento mágico. A rejeição do Bolsonaro aumentou. Por que? Porque ele colocou a colinha na mão no debate, as pessoas viram, apareceu nos principais portais. Os portais de notícia quando repercutem [alguma gafe] pioram a vida do candidato.

Nas pesquisas, ainda há eleitores de Lula que, em caso de impugnação, podem migrar para Ciro e para Marina, candidatos que aparentemente são vistos como próximos ao PT. Você crê que isso não vai acontecer?

Hoje [a candidata da Rede é vista como alternativa a Lula], porque na eleição passada a Marina era uma candidatura anti-PT. Com a simulação do [Instituto] DataFolha, com Lula na cédula, Marina e Ciro têm menos de dez [pontos]. Ciro desaparece praticamente. Haddad vai caminhar para uma votação semelhante a do Lula. Ele vai ficar entre o que ele tem hoje e o que Lula tem, mais próximo do Lula do que ele tem hoje. Ele vai subir.

Como é possível entender, com toda a situação pela qual está passando, o percentual de intenção de votos de Lula?

É o governo Lula. As pessoas justificam o voto de uma maneira muito pragmática. O governo Lula foi o responsável pela melhoria da vida da pessoa. Não pode separar disso. Tanto é que em 2016 o Lula estava muito mal, porque era um dos responsáveis pelo governo Dilma. Passado isso, o Lula voltou a ficar bem. Por que? Porque ele é responsável pela melhoria de vida do sujeito.

O eleitor faz uma comparação com o governo Temer?

O tempo inteiro. Isso foi fundamental. Sem o impeachment, se hoje estivesse a Dilma [no governo], ninguém estaria falando do Lula. 

Do outro lado, o embarque do PSDB no governo Temer não é um obstáculo para Alckmin chegar ao segundo turno?

Sem dúvida. É o que mais prejudica. É exatamente isso. Movimentos geológicos: o PT estava no governo em 2016. Tiraram. O eleitorado olha aquilo: PT e Dilma eram governo. Agora o PT não está mais no governo. Quem está? PMDB, PSDB, enfim, quem é contra o PT. Pronto, é isso. Uma placa tectônica que se mexeu. 

Neste sentido, um levantamento apontou que parte da população associa Moro a Temer. A leitura de que houve um golpe político em 2016 se consolidou entre a população?

Eu não diria que foi a ideia de "golpe", que é uma terminologia mais política. Para o povo é o seguinte: toda vez que alguém faz pelos pobres, se dá mal. Golpe é um terminologia muito de militante, não do conjunto da população.