O pobre de direita é um figurante de burguês
мая 19, 2018 9:16O pobre de direita se acha liberal mesmo não tendo capital e propriedade.
Ele é contra os direitos trabalhistas pois espera um dia ter capital e propriedade para ser um explorador da força de trabalho dos outros.
Ele é contra os direitos sociais pois acha que isto irá reduzir os seus lucros futuros, quando ele for capitalista e puder explorar os trabalhadores, sendo que ele é trabalhador mas não se reconhece como tal.
Ele é contra o Estado pois acha que quando ele tiver capital e propriedades não vai querer que o Estado estabeleça limites ao seu desejo de ficar rico explorando os trabalhadores.
O pobre de direita é o produto melhor elaborado pelos mecanismos de produção de ideologia burguesa para a defesa dos burgueses que tem capital, que tem propriedade e que estão na gestão do Estado para não pagar impostos, para receber subsídios e incentivos fiscais, para ganhar dinheiro comprando títulos da dívida pública e terem o controle dos meios de comunicação de forma a propor o mundo dos ricos como o objeto a ser defendido mesmo que a riqueza da burguesia fosse fruto da exploração dos também pobres de direita.
Ele passa a vida toda sonhando ser burguês, mas sem capital e propriedade e sendo explorado.
Entretanto, ele é muito útil para a burguesia, pois já que não tem nem capital, nem propriedade capitalista ele se torna o cão de guarda da classe que um dia sonha ser.
Sendo assim, ele vai para as ruas defender o capitalismo e vê nos trabalhadores esclarecidos e organizados os seus inimigos de classe.
O pobre de direita além de ser um figurante de burguês é terreno fértil para o fascismo.
Portanto, o pobre de direita é um figurante de Burguês que no momento de crise do capitalismo se comporta como um pitbull da burguesia na defesa de um governo de conteúdo fascista.
Como o pobre de direita tenta ser o espelho dos valores que ele acha que a burguesia tem, passa a ser machista, racista, homofóbico, etc.
Ele acaba sendo o portador dos principais preconceitos que a burguesia gerou e perpetuou como parte do seu sistema de dominação, porque precisa do racismo para pagar bem menos aos trabalhadores afrodescendentes.
Ser machista por que os salários das mulheres é bem menor que os salários dos homens. Enfim, ele nega sua origem social e tenta ser o que não tem, pois se trata de um trabalhador sem consciência de classe.
Por isso se endivida para ter uma imagem diferente do seu real poder de compra.
São chamados de emergentes porque querem negar sua classe assumindo a aparência de burguês.
Ele come sardinha e arrota caviar, enquanto late sempre mais alto para mostrar à burguesia que está protegendo a propriedade do burguês, enquanto dorme fora da mansão que sonha um dia ser sua.
Ao envelhecer não vai ter emprego e muito menos vai poder pagar um plano de saúde.
Desta forma vai precisar de proteção social, porém passou a vida toda defendendo que bastava deixar a mão invisível do mercado agir, que o egoísmo sendo potencializado se chegaria ao bem estar coletivo, onde todos teriam chance de um dia ser rico, bastando apenas seu esforço individual e sua capacidade de assumir riscos.
O pobre de direita é um figurante de Burguês que late como pitbull e se cala sobre sua própria exploração.
por José Menezes Gomes
Professor do curso de Economia e do Mestrado em Serviço Social da UFAL
Seis líderes europeus manifestam apoio a Lula e pedem sua presença nas eleições
мая 15, 2018 20:01LULA LIVRE
Seis líderes europeus manifestam apoio a Lula e pedem sua presença nas eleições
"A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia", diz documento assinado por ex-presidentes da França e da Espanha
por Redação RBA
São Paulo – Seis personalidades da política europeia – incluindo dois ex-presidentes e três ex-primeiros-ministros – se manifestaram nesta terça-feira (15) em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reivindicando sua presença na disputa eleitoral à Presidência da República, em outubro. Lula está preso na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril, após ter sido condenado em primeira e segunda instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em um processo eivado de irregularidades envolvendo um apartamento no Guarujá, litoral sul de São Paulo.
A declaração é assinada por François Hollande, ex-presidente da França; Elio di Rupo, ex-primeiro-ministro da Bélgica; José Luis Rodriguez Zapatero, ex-presidente da Espanha; e três ex-primeiros-ministros da Itália: Massimo D’Alema, Enrico Letta e Romano Prodi. Com o título "Chamada de Líderes Europeus em apoio a Lula", o manifesto, segundo a agência EFE, foi organizado por Jean-Pierre Bel, enviado pessoal de Hollande para a América Latina (2015-2017) e ex-presidente do Senado francês (2011-2014).
No texto, os líderes afirmam que “a luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes”.
“A prisão precipitada do presidente Lula, incansável artífice da diminuição das desigualdades no Brasil e defensor dos pobres, só pode suscitar nossa comoção”, afirmam os signatários do manifesto.
No documento, os seis líderes também demonstram “uma séria preocupação”, em relação ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, e destacam que ela foi “democraticamente escolhida pelo seu povo e cuja integridade jamais foi posta em interdição”.
Por fim, os autores do texto solicitam “solenemente que o presidente Lula possa concorrer livremente perante o sufrágio do povo brasileiro”.
Leia o manifesto na íntegra:
A prisão apressada do presidente Lula, incansável arquiteto da redução das desigualdades no Brasil, defensor dos pobres de seu país, só pode despertar nossa emoção.
O impeachment de Dilma Rousseff, eleita democraticamente por seu povo e cuja integridade nunca foi questionada, já era uma preocupação séria. A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos de eleger os seus governantes.
Nós solenemente solicitamos que o presidente Lula possa se submeter livremente ao sufrágio do povo brasileiro.
François HOLLANDE, ex-presidente da República francesa
Massimo D’ALEMA, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana
Elio DI RUPO, ex-primeiro-ministro da Bélgica
Enrico LETTA, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana
Romano PRODI, ex-presidente do Conselho de ministros da República italiana
José Luis RODRIGUEZ ZAPATERO, ex-presidente do Governo da Espanha
Com aperto fiscal, mortalidade infantil aumenta 11% em um ano
мая 15, 2018 19:49A austeridade econômica que vem sendo adotada no Brasil já mostra seu resultado e ele, além de ser negativo, expõe o retrocesso na área social. De acordo com dados consolidados pela Fundação Abrinq, a mortalidade infantil cresceu 11% entre 2015. Este foi o primeiro aumento da mortalidade infantil após 13 anos consecutivos de queda.
Por Verônica Lugarini
Um levantamento da Fundação Abrinq publicado pelo Valor Econômico trouxe à tona, novamente, o debate sobre a mortalidade infantil no país. O número de óbitos de crianças entre 1 e 4 anos foi de 5.595 em 2015 para 6.212 em 2016. Ou seja, no período de 12 meses houve crescimento de 11%. No caso de crianças entre 1 mês de vida e 1 ano de idade, o aumento foi de 2% no mesmo período. De 11.001 óbitos para 11.214.
Quase todos os estados apresentaram aumento da mortalidade infantil, com exceção do Amazonas que manteve o número (253 mortes) e Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Sul e Distrito Federal que tiveram pequenas quedas.
Para economistas consultados pelo Portal Vermelho, esse aumento é consequência da política econômica brasileira que opta por cortar investimentos essenciais, como na área da saúde, em prol de um controle de gastos que impacta diretamente nos avanços sociais conquistados.
“A austeridade é a principal causa da mortalidade infantil porque nos últimos anos houve uma diminuição nesse número que esteve ligada a um aumento de gastos públicos com saúde, com segurança alimentar, meio ambiente e com saneamento básico. Ou seja, essas áreas são fundamentais para a queda o indicador de mortalidade infantil. Mas, a partir de 2015 com as políticas de austeridade, houve uma inversão em ambas as trajetórias, ou seja, a redução no gasto com saúde e aumento da mortalidade infantil”, explicou o professor de economia da Unicamp, Pedro Rossi.
Segundo Rossi, “estamos adotando uma política equivocada que tem consequências sociais”.
O também economista da Unicamp, Eduardo Fagnani, concorda com Rossi, ao apontar a austeridade econômica como motivador desse retrocesso.
“O aumento da mortalidade infantil decorre primeiro da política de austeridade que corta investimentos e gastos sociais como se esse fosse o problema social do Brasil, mas essa análise está equivocada porque eles são gastos não financeiros e sabemos que o real problema do país é o gasto financeiro”, explicou o Fagnani.
As transferências de despesas pagas do Sistema Único de Saúde (SUS) para estados e municípios caíram 3% entre 2017 e 2015. Já o gasto público federal em saúde caiu 2% no mesmo período. Com isso, os gastos que cresceram nos anos anteriores a 2015 e levaram à diminuição do número de óbitos de crianças, agora são restringidos e levam a mortalidade. O que já é sentido em diversos programas sociais.
A Rede Cegonha – que faz o acompanhamento da mãe no pré-natal, parto, nascimento e desenvolvimento da criança até dois anos - teve uma redução de R$ 21 milhões em 2015 para R$ 18,3 milhões em 2016. Já Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) também encolheu o volume líquido de no Orçamento de R$ 3,7 bilhões para R$ 3,4 bilhões no mesmo período.
Agora, os avanços dos últimos anos devem ser estancados e a taxa de mortalidade infantil deve continuar crescendo, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos. Apenas entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade infantil caiu de 51,6% e para 13,8%. Para Fagnani, essa mudança foi resultado da expansão e do investimento no Sistema Único de Saúde (SUS), que tem papel essencial na redução da mortalidade infantil.
“Para evitar a mortalidade infantil é preciso atender a gestante no período de gestação, é preciso ter um hospital de qualidade para o parto e fazer o acompanhar dessa criança do primeiro dia de vida até o primeiro ano. Depois disso, a mãe precisa ir ao posto de saúde acompanhar o crescimento dessa criança. Apenas com o cuidado permanente é que se reduz a mortalidade infantil e para isso precisamos ter uma rede básica de atendimento”, disse.
“A ideia desse governo é de que as demandas sociais e a democracia não cabem no orçamento. Por isso, eles querem pegar os recursos que hoje financiam as políticas públicas de saúde e transferir para as políticas privadas de saúde, ou seja, estão destruindo o SUS e aumentando a mortalidade infantil no Brasil”, finalizou Fagnani.
Do Portal Vermelho
Socorro Gomes: Pelo fim do massacre do povo palestino
мая 15, 2018 19:39"Ao tempo em que denunciamos com indignação mais este episódio do massacre do povo palestino por Israel, não perdemos de vista que esta é uma estratégia da liderança sionista, agressiva, racista e criminosa daquele país, que persegue até mesmo quem dentro de Israel ouse opor-se a tal política genocida".
Em uma medida provocativa, irresponsável e na contramão de todo o empenho das forças democráticas e progressistas do mundo por uma solução política justa à situação da Palestina — onde um povo enfrenta heroicamente um século de colonização e cinco décadas de ocupação militar israelense, os EUA inauguraram nesta segunda-feira (14) a sua Embaixada em Jerusalém, por ordem do presidente Donald Trump.
A medida unilateral é uma violação flagrante do Direito Internacional e de resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, apenas os Estados Unidos reconheceram arbitrariamente a cidade histórica, ocupada e anexada ilegitimamente e à força por Israel, como capital desse país, à revelia dos preceitos encaminhados nas sucessivas negociações para a solução do conflito, que teria uma Jerusalém partilhada.
Com justa razão, os palestinos responderam com intensos protestos, aos quais as forças de ocupação israelenses reagiram com a brutalidade de sempre. Os ataques das forças armadas israelenses já mataram ao menos 55 pessoas e feriram milhares, apenas nesta segunda-feira (14).
A provocação estadunidense ao instalar sua Embaixada em Jerusalém e o massacre de palestinos pelas forças armadas israelenses constituem uma afronta repugnante a todos os povos amantes da paz.
Há mais de um mês que os palestinos protestam, sobretudo na Faixa de Gaza, contra o colonialismo e a ocupação, reafirmando o direito dos refugiados palestinos a retornar, após 70 anos de exílio, despojo e genocídio. Desde então, as forças israelenses têm atirado para matar tanto manifestantes desarmados quanto jornalistas que cobrem o protesto, alegando assim proteger suas fronteiras. Já são mais de 100 vítimas fatais ao longo deste turno de manifestações.
A ONU estima que cerca de 70% da população de Gaza seja composta por refugiados das vilas destruídas ou ocupadas por Israel quando da sua criação, há sete décadas. Neste 15 de maio, um dia após a data em que Israel comemora o seu estabelecimento, os palestinos lembram a Nakba, a catástrofe, que significou o genocídio, o massacre de 15 mil pessoas, a destruição de 500 vilas e a expulsão de 750 mil pessoas que se tornaram refugiadas (uma população hoje estimada entre 5 e 7 milhões em todo o mundo).
É preciso reafirmar com reforçada contundência o repúdio completo à persistente colonização e ocupação militar da Palestina por Israel. Ao tempo em que denunciamos com indignação mais este episódio do massacre do povo palestino por Israel, não perdemos de vista que esta é uma estratégia da liderança sionista, agressiva, racista e criminosa daquele país, que persegue até mesmo quem dentro de Israel ouse opor-se a tal política genocida.
Como tem feito reiteradamente o Conselho Mundial da Paz, manifestamos, por isso, nossa irrestrita solidariedade ao povo palestino e a todas as forças da paz que, na Palestina, em Israel e em todo o mundo, lutam por uma solução justa à questão da Palestina.
Reafirmamos a urgência da solução de dois Estados que a política sionista e a cumplicidade imperialista buscam enterrar. Pelo cumprimento do direito do povo palestino à autodeterminação e o estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, com Jerusalém Leste como sua capital; pelo direito dos refugiados a retornar e pela libertação dos mais de seis mil prisioneiros políticos palestinos no cárcere da ocupação!
Instamos à responsabilização da liderança israelense pelos persistentes crimes contra a humanidade cometidos contra o povo palestino, a começar pelo próprio regime de apartheid, passando pelas sistemáticas e gravíssimas violações dos direitos humanos do povo palestino.
Pelo fim do cerco à Faixa de Gaza e da repressão israelense!
Pelo fim da colonização sionista e da ocupação militar israelense da Palestina, já!
Viva a Palestina livre!
Socorro Gomes
Presidenta do Conselho Mundial da Paz
Fonte: Cebrapaz
Saiba como o 'Pacote do Veneno' pode piorar a sua vida
мая 14, 2018 19:56![]() |
| ARQUIVO/ANVISA |
Saiba como o 'Pacote do Veneno' pode piorar a sua vida
Ninguém mais quer os agrotóxicos cancerígenos. Mesmo assim, os políticos financiados pelos fabricantes, que querem vender mais, pretendem aprovar um conjunto de leis que vai piorar a vida de todos
por Cida de Oliveira, da RBA
São Paulo – No mundo inteiro ninguém mais quer saber de agrotóxicos. Tanto que muitos países vêm restringindo o uso, proibindo diversos produtos e dando prazo para o banimento de muitos outros. A França vai banir o glifosato, o mais vendido no planeta, porque pesquisas confiáveis mostram que a substância é causadora de vários tipos de câncer. Fora outras doenças graves. Os brasileiros também não querem mais.
A procura por alimentos orgânicos é crescente e o consumo só não é maior porque a oferta ainda é pequena. Com poucas feiras, a maioria localizada em regiões mais nobres, e o preço maior que os comuns nos supermercados, a comida saudável, livre de venenos, ainda é coisa de elite. Outra demonstração do repúdio aos agroquímicos é a coleta de 100 mil assinaturas em apenas uma semana por meio da plataforma digital #ChegaDeAgrotóxicos.
Como muitos países estão banindo esses produtos, os fabricantes querem aumentar as vendas no Brasil, que é o maior mercado consumidor. Para isso, encomendaram aos políticos financiados por eles a revogação da legislação atual e a aprovação de uma nova, desenhada para facilitar o registro de novos produtos, inclusive perigosos e proibidos em outros países, aumentando assim as vendas.
Essa mudança será por um conjunto de 27 projetos de Lei apensados, que ganhou o apelido de "Pacote do Veneno", e que acabou compilado em um substitutivo do deputado ruralista Luiz Nishimori (PR-PR), relator da comissão especial criada para analisar os projetos. O substitutivo deve ser votado nesta quarta-feira (16), em reunião da comissão, onde os ruralistas são maioria. Se for aprovado, segue para o plenário, com enormes chances de aprovação. A bancada ruralista, diretamente interessada, é maioria também no Congresso.
Mais venenos
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Se fosse dividir o total consumido pelo número de habitantes, daria perto de sete litros para cada um todo ano. A tendência é de aumentar muito mais esse consumo, já que todas as regras serão modificadas justamente para acelerar o registro e aumentar as vendas. O pacote permite a aprovação de novos produtos com base em estudos realizados em outros países, apesar das diferenças entre as condições ambientais. Por outro lado, não proíbe aqui o que foi proibido em outros países. Por mais liberdade de ação, o pacote retira o Ministério do Meio Ambiente e o da Saúde, por meio do Ibama e da Anvisa, da edição ou propositura de normas, inclusive o processo de reavaliação. Tudo isso passa a ser controlado pelo Ministério da Agricultura, cujo ministro, Blairo Maggi, é autor de um dos projetos de lei que compõem o pacote. A avaliação sobre questões toxicológicas e ecotoxicológicas e o monitoramento da quantidade de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, também deixam de ser responsabilidade da Anvisa. Se atualmente a quantidade de resíduos encontrada já é muito maior do que a permitida por lei, imagine quando o país aumentar ainda mais o uso desses produtos.
Mais intoxicações
A ausência da Anvisa em processos de avaliação e reavaliação toxicológica, e a possibilidade de registro e comercialização de produtos ainda mais perigosos devem aumentar o risco de populações de trabalhadores da agricultura. Moradores de áreas rurais, alunos de escolas rurais pulverizadas, animais, todos estarão ainda mais expostos. Mesmo na cidade, serão afetados consumidores de água contaminada e de alimentos banhados com esses produtos.
Futuro intoxicado
A saúde de futuras gerações estará seriamente comprometida. Muitas crianças serão envenenadas, inclusive aquelas que ainda nem nasceram. No útero de suas mães já estarão recebendo partículas de agrotóxicos, principalmente agricultoras. Isso porque o trabalho de gestantes em ambientes insalubres, como em meio a pulverizações, passaram a ser permitidos pela reforma trabalhista do governo de Michel Temer, que agora trabalha pela aprovação do pacote.
Perigo ocultado
O perigo dos agrotóxicos será escondido da população, conforme o pacote. Mudanças na rotulagem deverão excluir a caveira, que mesmo crianças e pessoas sem leitura conseguem associar à ideia de um produto perigoso e mortal. E o nome agrotóxico, que consta inclusive da Constituição federal, será substituído por “defensivo fitossanitário”. Um nome pomposo para tentar esconder a toxicidade é uma característica inerente à grande maioria dos produtos destinados ao controle de pragas. Com esses produtos altamente tóxicos passando a ser tratados como meros insumos agrícolas, a perspectiva é de, no mínimo, o aumento de ingestões acidentais de substâncias altamente perigosas e mortais.
Trabalho mortal
A mistura de diversos produtos tóxicos – a chamada calda – que é feita hoje em diversas propriedades à revelia da lei, será legalizada. O grande problema é que a mistura de determinadas composições químicas pode resultar em novas formulações que não foram testadas pelos órgãos reguladores. É possível que os trabalhadores sejam expostos a altos graus de toxidade não identificados, o que viola o princípio da precaução.
Nefasto
O pacote propõe a avaliação do risco pelas próprias empresas interessadas no registro de agrotóxicos que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, que provoquem distúrbios hormonais ou danos ao aparelho reprodutor. Isso é praticamente o mesmo que dizer que será permitido o registro de agrotóxicos, seus componentes e afins mesmo que contenham substâncias que, segundo estudos, têm capacidade de causar mutações celulares que levem a malformações fetais e câncer. Pela lei atual, a “identificação do perigo” em causar mutações e câncer é suficiente para impedir o registro. A exposição aos agrotóxicos causa ainda intoxicações agudas e crônicas, que levam à infertilidade, impotência sexual, aborto, danos ao sistema nervoso central, como distúrbios cognitivos e comportamentais, e desregulação hormonal com impacto no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Vida em risco
O meio ambiente também será duramente afetado. O aumento do uso de agrotóxicos tem levado ao desaparecimento de abelhas, que participam da polinização de mais de 70% das espécies vegetais. Sem abelhas, a reprodução da flora e a produção de alimentos são duramente prejudicadas. O pacote não define os fundamentos do gerenciamento de risco, como mitigação e controle. Essa prevalência do interesse econômico ou político em detrimento da segurança ao ser humano e ao meio ambiente contraria a Constituição, segundo a qual é do Poder Público o exercício do controle sobre a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. Ou seja, o controle desses produtos pelo Poder Público deve ter por finalidade primordial a proteção da vida, da qualidade de vida e do meio ambiente. Por isso o Ibama destaca em parecer: "Não pode o Estado renunciar aos seus mecanismos de avaliação e controle prévio de substâncias nocivas ao meio ambiente contentando-se apenas como o ato homologatório de uma avaliação conduzida pelo particular, distante do interesse público".
Pragas futuras
O pacote legaliza o “receituário de gaveta”. É como se o agrônomo tivesse uma bola de cristal onde enxergar uma praga que no futuro poderia vir a afetar a lavoura e prescreve agrotóxicos “de maneira preventiva”. Ou se o médico receitasse um medicamento, sem exames, para um paciente que não conhece e que ainda nem ficou doente. Com isso o agricultor fica livre para comprar agrotóxicos à vontade e contaminar o solo e a água por muito mais tempo.
Menos saúde, menos educação
O pacote trará ainda mais prejuízos aos cofres públicos. Historicamente subfinanciado, o SUS passará a ter gastos ainda maiores só com as doenças causadas pelo uso de agrotóxicos mais perigosos. A Previdência também terá mais gastos extras com aposentadorias por invalidez e, para compensar, o governo terá de tirar recursos de outras áreas, como educação e meio ambiente, por exemplo. Outra perversidade do pacote é que, ao mesmo tempo que impõe perdas ao país, à saúde e ao meio ambiente, vai ampliar os lucros das empresas que contam ainda com os incentivos fiscais do próprio governo. Há estimativas de que o país perca todo ano, por baixo, R$ 1,3 bilhão. Só em São Paulo, em 2015, a renúncia fiscal foi de R$ 1,2 bilhão. Ou seja, o setor recebe do estado para envenenar seu povo. Uma outra distorção do pacote, inconstitucional, é alterar o Pacto Federativo. Mesmo que estados, municípios e o Distrito Federal queiram fazer legislação própria para garantir proteção à sua população, não poderão.
Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Cleber Adriano Rodrigues Folgado, integrante do Membro do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos.
Para saber mais, assista Nuvens de Veneno:




