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апреля 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
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Fim da neutralidade da rede nos EUA pode ter impactos na internet do Brasil

декабря 17, 2017 11:05, by Blog do Arretadinho

A decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) de revogar a neutralidade de rede no país pode ter repercussões também no Brasil. Aprovada em 2015 pelo órgão durante a gestão de Barack Obama, a norma foi derrubada em votação ocorrida na quinta-feira (14) com aval de conselheiros indicados pelo Partido Republicano, seguindo diretriz da administração de Donald Trump.

por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

A regra impedia provedoras de acesso à internet de tratar de forma discriminatória os dados que circulam em suas redes, de bloquear sites, de piorar ou retardar a conexões intencionalmente e de priorizar serviços e informações de parceiros. Sem a neutralidade, as operadoras poderão adotar essas práticas, estando autorizadas, por exemplo, a vender pacotes diferenciados como no caso da TV por assinatura – um somente com e-mail, outro com redes sociais e vídeos e assim por diante.

No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, manifestou-se por meio de sua conta no Twitter e lamentou a decisão. “A revogação da neutralidade da rede nos Estados Unidos fere um de seus princípios mais importantes: a liberdade de conexão. Ainda bem que no Brasil o Marco Civil da Internet nos protege de medidas dessa natureza”, diz o tuíte.

Flexibilização
Empresas de telecomunicações já discutem a flexibilização da neutralidade de rede no Brasil, garantida em na lei conhecida como Marco Civil da Internet. Em nota divulgada após a votação de quinta-feira nos EUA, o Sindicato Nacional de Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil) defendeu a flexibilização das regras para garantir o que chamou de “neutralidade inteligente”.

“O setor de telecomunicações é a favor da neutralidade da rede aplicada de forma inteligente, permitindo às empresas gerenciar o tráfego nas suas redes com o objetivo de melhorar a qualidade e a experiência do usuário. Não deveria haver regra para interferir na gestão do tráfego das prestadoras de telecomunicações. Bastaria a lei reforçar que é assegurado aos interessados que o uso das redes se dê de forma não discriminatória, garantida pela fiscalização da agência reguladora”, propõe a entidade.

O Marco Civil da Internet elenca a neutralidade de rede como um de seus princípios e determina que o “responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”.

A interferência no tráfego só é permitida em casos especiais, como a priorização de serviços de emergência ou se for um “requisito técnico indispensável” à prestação do serviço. O bloqueio de e-mails em massa (também conhecidos como spams) é um exemplo de gestão da circulação de dados na internet benéfico aos usuários. Mas a regulamentação do Marco Civil define de forma estrita as situações excepcionais em que isso pode ocorrer, como nos exemplos citados.

O Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou à Agência Brasil que o governo federal não pretende realizar qualquer mudança nas normas sobre a neutralidade de rede no país. “A lei no Brasil está em vigor e não há nenhuma movimentação para mudanças. O Marco Civil é uma conquista da sociedade brasileira e somos contra mudanças nessa legislação. Evoluções da tecnologia podem levar a mudanças na lei e aprimoramentos, mas não é esse o caso”.

Mudança difícil
Para especialistas e organizações da sociedade civil, não há relação entre a decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos e o quadro brasileiro. Segundo a conselheira do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI Br) Flávia Lefèvre, as legislações dos dois países são bastante diferentes. Enquanto lá o acesso à internet é tratado como serviço de telecomunicações, aqui é considerado serviço de valor agregado, não cabendo sua regulação à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A revogação teria de passar, portanto, por uma mudança no Marco Civil da Internet. Na avaliação de Rafael Zanatta, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), diferentemente dos Estados Unidos, em que bastou a decisão da FCC, a aprovação de uma lei alterando o Marco Civil seria mais difícil. “Aqui o custo político é maior. Não é fácil mexer no Marco Civil, uma legislação de referência internacional e um texto construído democraticamente por um longo processo.”

Para além da dificuldade do processo, Flávia Lefèvre e Zanatta consideram que no mérito a revogação ou flexibilização seria um grande retrocesso. Se por um lado as empresas buscam isso para aumentar seus lucros e ganhar capacidade de vender pacotes diferenciados, por outro para os usuários tal cenário poderia trazer prejuízos.

“Se você quebra a neutralidade em um país com condições tão desiguais como é o caso do Brasil, em que só temos 50% dos domicílios conectados e a maioria pelo celular, a diferença pode se aprofundar com prejuízos claros para finalidades de inclusão digital e universalização do acesso à internet, objetivos previstos em lei e que devem, portanto, ser respeitados”, alerta a conselheira do CGI Br.

Impacto no tráfego
Ainda é incerto se as novas regras norte-americanas para a internet terão consequências no tráfego de dados dos usuários brasileiros. Sendo a internet uma “rede de redes”, muitas vezes o acesso a um site ou conteúdo (como um e-mail ou um vídeo) se dá em provedores de conteúdo com servidores nos Estados Unidos.

Contudo, especialistas do Comitê Gestor da Internet no Brasil consultados pela Agência Brasil afirmaram que práticas de interferência no tráfego nos EUA não devem afetar os internautas aqui. Em primeiro lugar, pelo fato de as operadoras que entregam esses dados ao usuário final terem que respeitar a neutralidade de rede. Em segundo lugar, porque muitas plataformas e sites, como é o caso do Netflix, mantêm seus conteúdos em servidores no Brasil, evitando que um dado enviado ou recebido tenha que circular pelas redes.



Xadrez da grande bacanal pós-impeachment, por Luís Nassif

декабря 16, 2017 19:38, by Blog do Arretadinho

Esta semana dei uma palestra no encontro da ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior). No encontro, a mesma dúvida: qual o prazo de validade do modelo econômico e social que está sendo implementado com a tomada do poder pela organização criminosa liderada por Eduardo Cunha?

Ouso dizer que é curto.

Acompanhe o raciocínio.

Peça 1 - a legitimação de Collor e FHC

Fernando Collor ganhou a presidência por mérito próprio, por ter entendido, antes dos demais candidatos, os novos ventos que surgiam.

No plano interno, a enorme ojeriza à centralização brasiliense, remanescente do regime militar; e a desconfiança em relação aos quadros políticos que se apossaram do poder, no governo José Sarney.

No plano internacional, estava em pleno vapor a onda liberal inaugurada por Margareth Thatcher e Ronald Reagan.

Em todos os períodos da historia, os movimentos políticos internacionalistas sempre necessitaram do endosso das grandes ondas globais. Foi assim no fim da Monarquia até a Primeira Guerra. E no período pós ditadura, com as eras Collor e FHC.

A onda anti-centralização, anti-mordomia, anti-Brasília, junto com o discurso thatcheriano era tão forte que permitiu a Collor cometer enormes erros, desmanchar políticas públicas bem-sucedidas, montar maracutaias com a privatização, mediante o uso das moedas podres. Mas trazer ganhos na abertura da economia.

Já a legitimação de Fernando Henrique Cardoso decorreu exclusivamente do Plano Real. Qualquer crítica a política implementadas era respondida com a mesma frase padrão: você quer a volta da inflação?

Esse jogo permitiu que os erros de FHC, especialmente com o câmbio, levassem o país à bancarrota logo após as eleições de 1998. Com o apoio decisivo da mídia, saliente-se.

Assim, a legitimação durou um mandato. O segundo foi um governo fantasma.

Ou seja, duas experiências internacionalistas, uma que não durou um mandato sequer, outra que durou apenas um mandato, mesmo tendo o enorme handicap do fim da inflação.

Peça 2 - os fatores de (des)legitimação de Temer

O primeiro  fator de deslegitimação é o mais óbvio: Temer é o segundo homem na hierarquia de uma organização criminosa presidida por Eduardo Cunha. Ponto. Seria o mesmo que pretender modernização com um Fulgêncio Batista na Cuba pré-Fidel, um Rafael Trujillo na República Dominicana, um Noriega, no Panamá.

Pode-se conseguir a modernização com um déspota esclarecido. Com um bandido, nunca.

A razão é simples.

·       Toda organização criminosa quer roubar.

·       Processos de mudança abrem enorme espaço para negócios.

·       Subordinando as mudanças ao roubo, perde-se a perspectiva de qualquer projeto estruturante ou legitimador.

Portanto, cortem essa história de que a disputa é entre dois projetos de país: um suposto projeto petista e um suposto projeto liberal da Ponte para o Futuro. É entre a modernidade e o banditismo, que é inerente ao modelo de implementação das medidas previstas na tal Ponte.

Pretender mudanças no ambiente político atual significa abrir o cofre do banco e dispensar  a segurança. É o que está sendo feito, aliás.

Peça 3 - os templários do liberalismo

O segundo fator é a visão extremamente tecnocrática e amadora dos templários do liberalismo.

Há uma estratégia para a guerra e outra para a vitória. A guerra permite toda sorte de radicalização do pensamento, a criação de utopias, o pretíssimo no branquíssimo, a exploração da figura do inimigo, como acontece com todos os arautos das guerrilhas ideológicas.

Já o exercício do poder exige discernimento e avaliação correta sobre os limites da realidade, conhecimento das engrenagens políticas, sociais  e econômicas de um país complexo, o ritmo de implementação etc.

Por aqui, os liberais lançaram diversos esquadrões armados de slogans e, no poder, não colocaram um maestro com conhecimento da posologia, do ritmo de implementação de mudanças, dos limites, das restrições impostas pela realidade. São os slogans se tornando políticas de Estado.

Desde o Cruzado o país é vítima desses cabeções, que julgam que quanto mais radical, mais virtuosa a política. Só ganham sabedoria depois que são expulsos do poder pelos excessos cometidos.

Em toda essa balbúrdia, nenhum aceno social, nenhuma palavra em direção aos direitos de minorias, nenhuma tentativa de legitimação.

Toda a estratégia é de curtíssimo prazo, de olho exclusivo no mercado e de acordo com a visão dos GPS, 3Gs e o escambau do mercado. Consiste em adquirir um ativo, rentabilizá-lo no curto prazo e passá-lo adiante, ganhando na sua valorização imediata.

Está aí o desastre da Estácio de Sá para comprovar os efeitos do padrão GP de rentabilidade máxima.

Hoje, o ativo é o Brasil.

Peça 4 – a economia em 2018

2018 entrará com o seguinte ritmo:

1. PEC do Teto: não passará do primeiro ano

A menos que se aceite como inócuo o desmantelamento de todos os serviços públicos, a PEC do Teto é inviável. Quando as multidões, abraçadas com prefeitos e governadores, entidades sindicais, associações saírem às ruas exigindo remédios, saúde, educação, segurança, o que o Planalto irá fazer? Colocar na frente do lago o Marcos Lisboa e o Monsueto de Almeida com uma calculadora, para explicar a lógica do plano?  Terá as mesmas explicações que o inacreditável Paulo Hartung no Espírito Santo.

2. Os efeitos da lei trabalhista ficarão claros

Uma legislação que precisaria, de fato, ser modernizada, é empurrada goela abaixo, sem garantia de continuidade. O efeito imediato é esse massacre, do qual o caso Estácio de Sá se tornou o exemplo maior.

3. Vôo de galinha da economia

Não adianta os comentaristas da Globo celebrarem 0,1% de crescimento como se fosse recuperação. É a mesma coisa que comemorar o fato de ter parado de cair a popularidade de Temer, quando chega próxima de zero. Trata-se apenas de um processo cíclico, que sucede às grandes quedas. A economia continuará amarrada aos enormes passivos do período de crise, a uma política fiscal e monetária pró-cíclica (isto é, que acentua o ciclo de recessão) sem nenhuma alavanca capaz de relançá-la.

4. A humilhação do país nas mãos de uma quadrilha

A cada dia que passa, mais vai caindo a ficha geral de que o país está nas mãos de uma quadrilha. E, agora, uma quadrilha avalizada pelo único candidato do continuísmo com alguma possibilidade, Geraldo Alckmin.

Peça 5 - as eleições de 2018

O golpe foi uma aliança dos seguintes setores:

PSDB-mídia + Judiciário + Ministério Público + evangélicos + quadrilha de Temer-Cunha

O amálgama que junta juízes, procuradores e deputados é o moralismo pré-histórico da ultra-direita, seu discurso contra direitos das minorias, contra o casamento homoafetivo e todos os avanços das modernas democracias.

Não é por outro motivo que, na CPI da JBS, celebrou-se o acordo dos governistas, poupando a Lava Jato das denúncias de Tacla Duran.  Foi a constatação óbvia de que a Lava Jato é essencial para a manutenção do continuísmo.

A noite do terror não terá vida longa por várias razões:

A implosão do núcleo do golpe

A construção institucional de um país depende da Constituição e de de um conjunto de leis, de práticas. A institucionalidade impõe limites, não apenas legais, mas de conduta a todos os poderes.

Quando se atravessa o Rubicão, como no caso do impeachment, todo esse edifício rui. Se se pode derrubar uma presidente ao arrepio da Constituição, tudo o mais será permitido. Que o diga o excelso Ministro Luís Roberto Barroso, principal padrinho do estado de exceção e da flexibilização  da Constituição.

E aí vira a suruba portuguesa, com procuradores desmoralizando Ministros do STF pelo Twitter, Ministros do STF sendo desmoralizados sem necessidade de ajuda externa, negociatas à luz do dia, na forma de venda de estatais, venda de projetos de lei, venda de proteção, Judiciário colocando adversários em cana (como no caso do ex-governador Garotinho), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) punindo juízes legalistas. E cada um tentando puxar a brasa para a sua sardinha e vivendo intensamente como se não houvesse amanhã, não houvesse feios a essa orgia de poderes individuais.

Quando o golpe é conduzido por um poder central - um ditador ou uma corporação, como foi o caso de 64 -, ele se impõe sobre a balbúrdia geral. Quando o golpe é a balbúrdia, se esgota em suas próprias contradições.

O núcleo do impeachment virou de tal modo uma casa da mãe Joana que o presidente quer continuar, o Ministro da Fazenda quer o lugar do presidente, o maior aliado, PSDB, quer lançar candidato, mas não sabe se fica ou se sai, os jornais multiplicam-se em seminários de pouca relevância e alto patrocínio de estatais e, ao mesmo tempo, fingem que criticam o governo, para não se desmoralizar de vez perante os leitores.

Esse é um quadro sintético do que está acontecendo com os vitoriosos do golpe. Completa-se o quadro com a incapacidade de gerar sequer um candidato competitivo para 2018.

A impossibilidade do Estado de Exceção

Se não podem manter o poder pelo voto, manteriam pelo estado de exceção.

No curto prazo, a Lava Jato e o TRF4 dão conta. No médio, não.

A Constituinte de 1988 mostrou o avanço das organizações civis, invisibilizados pela mídia. De repente, como que do nada, surgiram grupos organizados indígenas, negros, de camponeses, de direitos humanos, de quilombolas etc.

Hoje em dia, com o advento das redes sociais, e com o próprio desenvolvimento nacional com as grandes conferências, os grupos de interesse multiplicaram-se. Há organizações de defesa dos deficientes, da Amazônia, dos LBTGs, das mulheres, da educação, da saúde, da assistência social, da ética nas empresas. Cada estado tem seu coletivo, suas organizações próprias, sem contar o sistema tradicional dos sindicatos e associações.

Hoje em dia, mesmo em setores empoderados pela direita - como Polícia Federal e Ministérios Públicos - existem os coletivos democráticos. Mais: todos os movimentos sociais apostam na democracia, esvaziando a tese do golpe preventivo.

Esses avanços, por sua vez, desenvolveram um mercado de opinião publicada – por tal, entenda-se o público classe média midiática -, menos estridente que os MBLs da vida, mas que gradativamente vai se tomando de enjoo com o discurso da indignação vazia e com os preconceitos da ultradireita.

Como já previsto em outros artigos, cada vez mais o primeiro time da imprensa brasileira tenta vestir o figurino do conservador inglês, conservador na economia, liberal nos costumes e discreto no linguajar.

É um movimento lento, que tende inicialmente a poupar o principal aríete da ultra-direita – os abusos da PF e do MPF no padrão Lava Jato -, mas que é irreversível no sentido de combater os excessos radicais.

Tudo isso demonstra uma musculatura e uma vitalidade que torna impossível qualquer veleidade de ditadura de médio ou longo prazo.

A inviabilidade Eleitoral da Ponte

Por outro lado, a Ponte para o Futuro não resiste a um teste de urna. É inviável eleitoralmente.

Não foi o petismo que deu a vitória a Dilma Rousseff em 2014, mas divisão do país entre o anacrônico e o moderno. A cada dia que passa, mais a face do golpe se confunde com as práticas mais anacrônicas.

Ontem, foi a vez do Congresso trazer de volta os manicômios. E há razões para isso. Em outros tempos, os manicômios eram fonte de enriquecimento de diversos coronéis políticos, como o ex-deputado Inocêncio de Oliveira. Sempre foram uma fonte inesgotável para sugar recursos do INSS.

Peça 6 – o fruto da árvore proibida

Com o início da era FHC, o PSDB abriu mão definitivamente das teses modernizantes. Tornou-se um partido rancoroso, sem identificação maior com os avanços sociais e morais. E negociando cada vez mais com lobbies externos, das incursões pioneiras de Pedro Malan no Banco Mundial, e de José Serra com a Nordisk, no episódio rumoroso de licitação de insulina, quando era Ministro da Saúde aos jogos atuais com a lei do petróleo.

Com todos seus defeitos, com todos os erros cometidos, com a falta de visão de Nação, com os erros econômicos da era Dilma, com a leniência da era Lula com mercado e mídia, o PT continua sendo o desaguadouro dos movimentos modernizadores apartidários.

Se num passe da mágica, a Lava Jato, com Temer, PSDB, Gilmar, mídia e a rapa conseguissem eliminar o partido, ainda assim toda essa frente social se manteria unida em torno do partido ou candidato que exprimisse esses valores.

Tudo isso porque deixaram o país provar o fruto da árvore proibida.

Durante algum tempo, o Brasil aprendeu que é possível erradicar a pobreza com políticas bem concebidas, que a redução da pobreza aumenta o mercado interno, produzindo um circulo virtuoso. Aprendeu que é possível desenvolver uma indústria da saúde, avançar na educação, participar dos jogos diplomáticos internacionais, criar uma indústria de defesa, remontar a indústria naval.

Podem destruir enquanto tem tempo.

Mas no fundo da memória nacional já foi plantada a palavra de ordem: nós podemos!



Venezuela, onde o voto é pra valer

декабря 16, 2017 18:08, by Blog do Arretadinho

Eleições: nas palavras de chanceler, pleito é mais uma
demonstração do protagonismo popular no país
FELIPE BIANCHI
MANDATO POPULAR
Venezuela, onde o voto é pra valer

Revolução bolivariana conquista hegemonia por meio de sistema eleitoral exaltado por especialistas e observadores internacionais

por Felipe Bianchi para o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itarar

Caracas – No dia 10 de dezembro, os venezuelanos foram às urnas pela terceira vez em 133 dias. Pouco mais de 9 milhões de eleitores exerceram o direito ao voto e elegeram 335 novos prefeitos e prefeitas, além de um governador para o estado de Zulia. Com parte da oposição ausente do processo, esfacelada e aparentemente sem rumo após o fracasso das guarimbas e as recentes derrotas eleitorais, o chavismo conquistou 22 prefeituras das 23 capitais do país. Ao total, foram 308 prefeituras.

Para o presidente Nicolás Maduro, o massivo número de eleitores que participaram do sufrágio representa, sobretudo, um rechaço à guerra econômica imposta de cima para baixo no país. Em especial, às sanções e ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. “Cada voto dos venezuelanos, neste domingo, foi como um ‘basta!’ a Donald Trump”, afirmou.

Sem incidentes durante o dia da eleição, que transcorreu com absoluta normalidade, Maduro destacou o fim da violência que assolava o país até pouco tempo: “Os venezuelanos demonstraram seu compromisso com a paz e a democracia”. Após as contundentes derrotas na campanha contra a Assembleia Nacional Constituinte – saída constitucional escolhida pelo governo para fortalecer a participação popular e restabelecer a paz no país – e nas eleições para governadores, a oposição tem se pulverizado. O ‘racha’ público entre líderes da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Henrique Capriles e Henry Ramos Allup, dissolveu a frente de oposição, isolando forças da direita.

Ao contrário do que alardeiam os grandes meios de comunicação, que fazem oposição sistemática ao processo vigente na Venezuela desde a ascensão de Hugo Chávez, a oposição não se ausentou do processo eleitoral. Alguns partidos declararam, de fato, que não participariam, convocando a população ao boicote. Mas diversas figuras oposicionistas que integram a MUD apresentaram candidaturas independentes ou por partidos menores. Para as 335 prefeituras, foram inscritas cerca de 1.550 candidaturas, de diversas forças políticas e partidárias. A primeira derrota, portanto, foi o chamado à abstenção apregoado por líderes da direita, refletiu, em pronunciamento na segunda-feira (11), o Ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodriguez.

A mídia corporativa também omite que os setores ausentes do processo eleitoral são justamente os que incitaram publicamente a onda de violência e caos que resultou em destruição de colégios e de mais de 500 unidades de transporte público, incêndio de prédios públicos e em dezenas de assassinatos – 21 pessoas foram queimadas vivas por supostamente serem chavistas, sendo que nove delas morreram.

O clima gerado por essa situação colocou a Venezuela nas primeiras páginas de meios de comunicação do mundo todo, levando a níveis extremos a pressão contra o governo de Nicolás Maduro. Mas a expressiva votação na Assembleia Nacional Constituinte – 8 milhões de cidadãos foram às urnas legitimar e escolher seus representantes para a Assembleia plenipotenciária – e a acachapante maioria de governadores eleitos pelo oficialismo (17 governadores em 23 estados) desmoralizaram os líderes opositores, que perderam credibilidade e a confiança de parte da população. Ao fim e ao cabo, a violenta e destrutiva estratégia da guarimba fracassou.

“Somos uma democracia vigorosa”, salienta Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores da Venezuela. “Por isso, talvez, incomodamos tanto os grandes centros do poder”. Nas palavras de chanceler, o pleito é mais uma demonstração do protagonismo popular no país, “que convoca o povo para tomar decisões permanentemente”.

Observadores internacionais exaltam ‘sistema inviolável’

Mais de 50 observadores internacionais de cerca de 20 países acompanharam as eleições municipais de 10 de dezembro. O expediente é repetido pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em todo processo eleitoral que organiza: são especialistas, autoridades, magistrados, políticos e jornalistas com a missão de avaliar a segurança, a transparência e a legalidade de todo o processo eleitoral. Ao fim da missão, os observadores produzem relatórios detalhados, que são registrados pelo CNE.

O sistema venezuelano, cabe registrar, é considerado por órgãos internacionais e experts como um dos mais seguros do mundo, a despeito da estrondosa reverberação midiática às acusações, por parte de setores da oposição, quanto a supostas fraudes nas urnas e irregularidades.

Para se ter ideia, o equipamento de voto chega a ser auditado até 13 vezes do início ao fim dos processos de votação. A identificação do eleitor é biométrica e, após a confirmação do voto, a informação encriptada é lançada ao sistema e o cidadão recebe não apenas a confirmação digital, mas também um comprovante impresso de sua escolha para que seja conferido antes de ser depositado na urna.

A apuração é feita rapidamente, possibilitando uma pronta divulgação do resultado. Todo o processo passa por auditorias cidadãs e averiguações de observadores internacionais e de todas as forças políticas envolvidas na disputa eleitoral. O risco de fraude e erros, a partir desse conjunto de elementos, é praticamente zero.

A missão de acompanhamento internacional oferecida pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) inclui visitas ao local onde se produz os equipamentos de voto e a diversos centros de votação, antes e durante o dia da eleição. Ao longo das visitas e palestras, os observadores gozam de total liberdade para dialogar e fazer consultas aos cidadãos incumbidos do serviço eleitoral.

Dois prefeitos de cidades espanholas integram a delegação de observadores internacionais. Juan Gil Gutierrez, prefeito de El Bonillo, em Albacete, comentou sua experiência, lembrando que na Espanha a Venezuela ganha mais manchetes que o próprio país europeu. “Dói na alma ver como se questiona a Venezuela e sua democracia. A realidade é muito diferente do que contam”, assinala.

Para a autoridade ibérica, o protagonismo social no país latino-americano é um elemento ausente nas democracias europeias: “Deveríamos copiar o sistema eleitoral venezuelano, que é uma verdadeira expressão de liberdade”.
Observadores internacionais visitam centro de votação
FELIPE BIANC

Prefeito de Córdoba, no sul da Espanha, Jose Luis Caravaca, também defende a exportação do modelo venezuelano. “É um formato atualizado e moderno, que possibilita uma leitura imediata dos resultados, além de ser auditado e permitir a participação de todos os partidos políticos”. Para Caravaca, está claro que a visão que se tem do país latino-americano, na Espanha e em outros centros de poder, é distorcida. “O que nos mostram não corresponde à realidade da Venezuela”,afirma. “Como observador, o que vi foi um trabalho limpo e que garante total credibilidade”.

Durante conversa com os prefeitos espanhóis e todos os observadores internacionais, realizada no dia 9 de dezembro, Jorge Arreaza pontuou que dizer a verdade sobre a Venezuela é um ato de coragem. “Principalmente quando há uma pós-verdade tão dominante”, opinou o chanceler.

O magistrado Alfredo Arevalo, professor da Universidade de Guayaquil e ex-presidente do Tribunal Eleitoral do Equador, foi pontual: “O sistema venezuelano é blindado e praticamente inviolável”. Membro do Conselho de Especialistas em Eleições da América Latina (Ceela) e com ampla experiência em acompanhamento de processos eleitorais, o equatoriano opina que a sofisticação do processo é digna de “causar uma inveja sadia” nos demais países.

O jornalista britânico Calvin Tucker mostrou-se impressionado com o sistema e com o programa organizado pelo Poder Eleitoral da Venezuela a fim de brindar informações, com transparência e profundidade, a uma ampla gama de estudiosos e formadores de opinião de várias partes do mundo. “É impressionante e inevitável não elogiar o sistema eleitoral da Venezuela”, afirma o jornalista do Morning Star. “É um exemplo para a Europa e para o mundo”.

Coordenador de um centro de votação em Caracas, José Francisco Barrio explicou à delegação de observadores internacionais como é feita a instalação e como se dá o funcionamento do equipamento. “Além de todo o trabalho organizativo do Conselho Nacional Eleitoral, há também essa parte desempenhada pelo povo, pelo cidadão”, diz. “Posso dizer com embasamento, por já ter trabalhado em diversos processos eleitorais: temos um sistema muito seguro, principalmente por ser totalmente digitalizado. O eleitor tem total controle sobre seu voto. É inviolável”.



PM do RS ameça quem for ao julgamento de Lula

декабря 16, 2017 17:32, by Blog do Arretadinho

VÍDEO: Sargenta da PM do RS, seguidora de Bolsonaro, ameaça “derramar sangue” de manifestantes que vão a julgamento de Lula

no DCM

Sargento Flávia Cristina Abreu quer o “sangue farroupilha” derramado.







Com horário de verão mais curto em 2018, Temer é acusado de roubar até o tempo

декабря 16, 2017 17:10, by Blog do Arretadinho

Michel Temer decidiu encurtar o horário de verão em 2018 — começará em novembro, não em outubro — e virou piada na internet. A mudança foi para atender a um pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para não haver entre os Estados tanta diferença de horário para o encerramento das urnas. Mas, como a decisão subtrai duas semanas do horário — que muitos gostam porque deixam o dia mais longo –, Temer fez jus à fama de ladrão e foi criticado por roubar até o tempo. Outro disse que ele trabalhou em causa própria: “ladrão de galinha acorda cedo”.