Paulo Paim discute com Cristovam Buarque no Senado
июля 1, 2017 17:16"Traiu sua presidenta": Paulo Paim discute com Cristovam Buarque no Senado
Por mais uns dois minutos, os parlamentares seguiram com as ofensas e Cristovam saiu do plenário encerrando uma sessão celebrada no início por ser amigável e livre
Em contraponto ao meio da semana, às sextas-feiras pela manhã no Senado costumam ser serenas. Para aqueles que acompanham de perto as atividades legislativas, é comum se deparar com os mesmos três ou quatro senadores que aproveitam a tranquilidade para realizar sessões de debates. Só que a normalidade anda meio esquisita no meio político. Até em um plenário vazio, dois senadores conseguiram bater boca sobre a reforma trabalhista, prevista para ser apreciada na próxima semana.
Determinado a derrubar a proposta apresentada pelo governo e aprovada pela Câmara, o senador Paulo Paim (PT-RS) convidou o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), na noite da quinta-feira, para a sessão porque são necessários, no mínimo, dois senadores para que ela seja aberta oficialmente. “Encerramos essa sessão informal de um debate que não houve”, terminava Paulo Paim, visivelmente irritado, cerca de 40 minutos depois. Pelo outro lado, Cristovam saia ofendido.
A rusga começou quando Cristovam tentou defender a intrajornada — a redução do intervalo de almoço para meia hora prevista no projeto. “Já vi que a sua proposta é semelhante a uma que tem na Câmara, de um deputado que é favorável a 18h de trabalho. A sua linha de raciocínio me lembra o tempo dos escravocratas”, rebateu Paim. A comparação irritou Cristovam. “Não me confunda com esse tipo de gente. O senhor sabe pelo que eu luto. E eu luto para completar a abolição da escravatura que ainda não foi completada.”
Na sequência, o senador do Distrito Federal afirma que a escravidão no país só vai acabar quando o filho do trabalhador estiver na mesma escola que o filho do patrão. “E, para isso, não vejo o apoio de ninguém aqui. Quando falo que tem ter dinheiro para escola e não para estádio, o senhor defende o contrário. Como o seu governo fez nesse país”, lançou para o gaúcho. “Governo que vossa excelência fez parte”, lembrou Paim. A partir daí os ataques foram para o lado pessoal:
— “Fiz parte sim e saí”, disse Cristovam.
— “Saiu porque foi posto na rua”, respondeu Paim ao lembrar que Cristovam foi demitido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do cargo de ministro da Educação.
— “Fui posto para rua com muito orgulho, senador. Agradeço a Deus”, falou Cristovam.
— “E depois traiu sua presidenta”, comentou Paim.
— “Vou embora porque não dá para debater com Vossa Excelência. Achei que o nível seria outro (...) O senhor está muito agressivo”, falou Cristovam.
Por mais uns dois minutos, os parlamentares seguiram com as ofensas e Cristovam saiu do plenário encerrando uma sessão celebrada no início por ser amigável e livre.
Clima
Questionado sobre a briga, com a cabeça mais fria, Paim afirmou que o conflito é reflexo do clima tenso que ronda o país e “infelizmente, uma preliminar do que vai acontecer na próxima semana”. “Nós sempre nos demos muito bem, mas esse acirramento só se deu devido a esse clima tão tenso. Estão faltando lideranças que se sentem e construam uma saída para o país. Aí, os ataques acabam virando pessoais e beiram quase a agressão física”, comentou lembrando que não tem nada contra o colega.
Cristovam afirmou que o clima no país esteja impossibilitando o diálogo entre as pessoas, em especial, entre parlamentares. “O parlamento deixou de ser um lugar que parlamenta. Os ânimos estão tão acirrados que as pessoas não querem mais ouvir opiniões divergentes. E, infelizmente, o país ainda vai demorar muito para voltar a ser um lugar onde as ideias são respeitadas porque, hoje, não se busca coesão, se busca divisão e isso não é pensar no futuro”, lamentou.
por Natália Lambert no Correio Braziliense
Greve Geral no DF com grande adesão
июня 30, 2017 17:33![]() |
| Greve Geral Ato em Taguatinga Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho |
Rodoviários, Metroviários, trabalhadores dos Correios e Bancários do DF aderem a Greve Geral e ampliam movimento
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
A Greve Geral convocada pelas centrais sindicais, nesta sexta-feira (30), teve grande adesão no Distrito Federal, principalmente porque contou com a adesão dos Rodoviários, Metroviários, Bancários e trabalhadores dos Correios.
Com o transporte público do DF 100% parado, ônibus e Metrô, o comércio funcionou de forma precária, devido a dificuldade de locomoção dos trabalhadores desse setor.
Segundo foi amplamente noticiado, na última Greve Geral, 28/04/2017, o prejuízo dos setores produtivos foi de R$ 8 bi sendo que, só no comércio, o prejuízo foi de R$ 4 bi.
A Acic, entidade que representa o comércio do Centro de Campinas, informou que a greve geral, impactada principalmente pela paralisação total dos motoristas de ônibus, trouxe um prejuízo de 28% para os comerciantes de Campinas. O índice representa R$ 3,4 milhões.
Vários Atos Políticos foram realizados no DF e Entorno. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal, SINPRO/DF, reuniu cerca de 500 pessoas na Praça do Relógio em Taguatinga, para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária.
Com informações do Blog da Rose
Confira a agenda dos Atos no dia 30/06/2017
июня 29, 2017 20:44![]() |
| Foto Frente Brasil Popular |
Greve e atos crescem após votação da reforma trabalhista em comissão
Algumas categorias ainda se reunirão até hoje a noite e a mobilização pode aumentar
Após menos de 24 horas de que a proposta da reforma trabalhista foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a greve e mobilizações marcadas pelas centrais sindicais e Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo mais do que dobraram em todo o país. Algumas categorias ainda se reuniram até hoje a noite e a mobilização pode aumentar.
O relatório apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB) foi aprovado após dez horas de discussão na CCJ com 16 votos favoráveis e nove contrários e com protestos de trabalhadores que querem retirar a reforma da pauta.
Para ambas as Frentes que apoiam a mobilização, essa reforma dissolve direitos historicamente conquistados desde o governo Getúlio Vargas até a política de valorização do salário mínimo conquistada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, os direitos dos trabalhadores estão sendo rifados como prova de que o governo de Michel Temer, denunciado por envolvimentos em caso de corrupção e obstrução da justiça, ainda consegue aprovar alguma matéria relevante.
Em meio à crise política e institucional, os senadores da base de Temer passam por cima da opinião da sociedade brasileira já comprovada por inúmeras pesquisas que é contrária às alterações propostas pelo governo.
Veja a agenda de atos que acontecerão em todo o Brasil.
ACRE
- Bancários
- SINTEAC
- Urbanitários
- Correios
- ADUFAC
- SINDACS
- SINPOSPETRO
- SINTEST
- Auditores fiscais
- Vigilantes
--- Às 8h tem ato em frente à escadaria do Palácio do Governo do Estado, em Rio Branco. Na sequência, deve ter caminhada até o centro da cidade.
ALAGOAS
- Bancários;
--- Às 8h tem ato na Praça dos Martírios, centro de Maceió
---Às 6h, Coreto em Delmiro Gouveia
---Às 13h30, Praça Luis Pereira Lima, Arapiraca
AMAPÁ
--- Às 8h tem ato na Praça da Bandeira, em Macapá.
BAHIA
- Ferroviários
- Petroleiros
- Químicos
- Servidores públicos federais; estaduais e municipais;
- Previdenciários;
- Correios;
- Vigilantes;
- Metalúrgicos;
- Comerciários;
- Professores;
- Sentir;
- Sindiferro;
- Sindicato dos profissionais em pesquisa;
- Sindiborracha;
- Sindicatos da agricultura familiar;
- Sintercoba;
- Sindalimentação
- Rodoviários que estão em fase de negociação final.
--- 6h30 tem manifestação no Iguatemi
--- 15h tem manifestação em Campo Grande, em Salvador
CEARÁ
- Transporte
- Educação
- Comércio e Serviço
- Metalúrgicos
- Servidores Públicos
- Bancários
- Rurais (CUT) vão reforçar os atos
--- 9h tem concentração para o ato na Praça da Bandeira, em Fortaleza.
--- 7h30, Caixa Economica em Iguatu
--- 8h, Praça São Vicente, Cariri
DISTRITO FEDERAL
- Metroviários vão parar 24 horas
- Rodoviários
- Urbanitários
- Trabalhadores em telecomunicação
- Bancários,
- Professores
- Correios
- Comerciários;
- Professores
- Saúde
- UnB
- Judiciário
- MPU
--- Serão realizados atos descentralizados em várias cidades do entorno:
- 6h - Ato nas empresas Eletro Norte e Furnas / Setor Comercial Norte Q 6 Blocos B/C - Asa Norte
- 6h – Furnas, na Av. Noroeste Qn 431 Conjunto A C D, 214 - Samambaia Sul
- 8h - Ato frente ao Prédio da Oi, na SCS. Q. 2 Edifício Brasil Telecom Estação Telefônica Centro
- 8h - Ato em Formosa, concentração será na Praça Anisio Lobo
- 8h - Ato em Brazlândia, concentração Estacionamento do BRB (Quadra 3, Bloco B Lotes 6/10
- 9h - Ato no Paranoá, concentração será no Terminal Rodoviário
- 9h - Ato em Defesa da Educação, na Praça do Relógio - Taguatinga
ESPÍRITO SANTO
- Metroviários
- Metalúrgicos
- Professores
- Construção civil
- Eletricitários,
- Comerciário,
--- 12h tem ato na Assembleia Legislativa, em Vitória.
GOIÁS
--- A concentração para o ato será a partir das 8h, na Praça Cívica, em Goiânia.
MARANHÃO
- Urbanitários
- Servidores Federais
- Servidores Estaduais
- Professores das redes estadual, municipal e Universidades
--- 6h30 – Concentração em frente ao Porto de Itaqui e ato político na sequência
MINAS GERAIS
- Educação
- Saúde
- Bancários
- Aeroviários
- Urbanitários
- Metroviários
--- 9h, começa a concentração para o ato será na Praça da Estação, na Avenida dos Andradas, em Belo Horizonte.
--- 9h, tem ato também na Praça da Estação, em Juiz de Fora.
--- 16h, 4 Pilastras, Viçosa
--- 16h, Praça Ismene Mendes, Uberlandia
MATO GROSSO
- Bancários
- Educação
- Servidores Federais
- Rodoviários,
--- 15h, tem ato na Praça Ipiranga, centro de Cuiabá.
MATO GROSSO DO SUL
- Educação
- Bancários
- Construção Civil
- Servidores Públicos Estaduais e Federais
--- 9h – Ato na Praça Ary Coelho, no centro de Campo Grande
PARÁ
--- 11h tem ato na Praça da República, com caminhada para o bairro São Brás.
--- 8h, em Altamira, concentração para o ato no Mercado Municipal.
--- Em Santarém, a paralisação será puxada pelo Fórum Sindical e Popular, que congrega 27 entidades. A concentração do ato será em frente à Praça São Sebastião. De lá, os manifestantes devem seguir até a Câmara Municipal.
--- 7h30, em Marabá, tem concentração em frente ao estádio Zinho Oliveira, de onde partirão em caminhada até o bairro Cidade Nova.
--- 7h, em Marituba, região metropolitana de Belém, os manifestantes se concentrarão às 7h na entrada da Alça Viária.
PERNAMBUCO
- Bancários
- Metroviários
- Metalúrgicos
--- 15h ato Político-Cultural, Arraiá da Greve Geral, na Praça da Democracia, no Derby, em Recife.
--- 8h30, Praça do Bambuzinho, Petrolina
PIAUÍ
--- 8h inicio a concentração para o ato na Praça Rio Branco, em Teresina.
--- 10h, Praça Luis Miranda, Campo Maior
--- 7h, Fórum, Picos
PARANÁ
- Motoristas e cobradores de ônibus
- Correios
- Garis
- Servidores municipais
- Bancários
- Petroleiros
- Técnicos da Saúde
- Servidores da Justiça Federal
- Vigilantes
- Metalúrgicos
- Professores e todo pessoal da Educação
--- Em Curitiba, a CUT, demais centrais e movimentos sociais promoverão atividades durante todo o dia com suas bases.
--- Às 12h - grande concentração na Boca Maldita
--- Araucária - 8h30 em frente à Prefeitura
--- Cascavel - 8h30 na Unioeste (palestra) / 10h ato público no Núcleo Regional de Educação
--- Foz do Iguaçu - 8h no Bosque Guarani
--- Guarapuava - 8h30 na Praça 9 de Dezembro
--- Londrina - 9h no Calçadão
--- Maringá - 9h em frente ao INSS.
--- Paranavaí - 9h em frente à Prefeitura
--- Ponta Grossa - 8h30 na Praça Barão de Guaraúna
RIO DE JANEIRO
- Petroleiros
- Bancários
- Professores
- Universidades
- Servidores públicos estaduais e municipais
- Metalúrgicos
- Vigilantes
--- 17h tem ato na Candelária
RIO GRANDE DO NORTE
--- 7h30, em Currais Novos, concentração em frente à Rodoviária
--- 8h, em Caicó, concentração na Praça da Alimentação e caminhada até o Centro Administrativo
--- 15h, em Mossoró, tem ato em frente a Igreja do Alto de São Manoel.
--- 15h, em Natal, Concentração em frente ao IFRN (Salgado Filho) e caminhada até Mirassol
RIO GRANDE DO SUL
PORTO ALEGRE, 12H, ESQUINA DEMOCRÁTICA
RONDÔNIA
Porto Velho
Concentração a partir das 8h na Praça das Três Caixas D’Água
Ji-Paraná
15h30 Passeata saindo do Sindsef
17h Manifestação na Praça do Trevo
Ouro Preto
17h Ato Político Cultural contra as reformas
--- 8h, tem concentração para o ato na Praça das Três Caixas D'Água, em Porto Velho.
--- 15, em Ji-Paraná, ato com passeata. Concentração na Rua Idelfonso da Silva e caminhada até a Praça do Trevo
RORAIMA
- Professores da UFRR
- Às 6h concentração em frente ao IBAMA, Av. Brig. Eduardo Gomes
- Às 9h carreata saindo do Centro Cívico, em Boa Vista
SERGIPE
- Rodoviários.
- Às 14h tem concentração para o ato na Praça General Valadão, em Sergipe.
SANTA CATARINA
- Rurais
- Fetraf-SC
- Sinasefe Seção IFSC
- Sindsaúde/ SC
- Sintrasem
- SINTUFSC
- Sindpd - Ciasc
- SINDPD -Dataprev
- SINDPD - Serpro
- Sintaema - CASAN
- SINTECT
- SITESPM-CHR
- SISME
- SINDI-SJCR
- Sintrajusc
- Sintespe
- Sindprevs
- UFFS (Chapecó - Técn.)
- Sinergia
- Sinte SC
- SINPSI/SC
- Auditores Fiscais
- SEEB - Bancários
- Sintraseb Blumenau
- Sitespm-CHR – Chapecó
- Sinsej Joinville
- Sintram - São José
--- Chapecó 9h - Trevo da BR 282
--- Florianópolis - 15h - Ticen
--- Lages - 16h30 - Calçadão Pça João Costa
--- Ararangua - 8h - Em frente ao INSS
--- Caçador - 9h - Largo Caçanjurê
--- Itajaí - 5h - Centro
--- Joinvile - 14h - Praça da Bandeira
--- Blumenau - 13h30 - Praça Victor Konder
--- Campos Novos - 8 h - BR 282/BRF
--- Rio do Sul - 9h - Praça da Catedral, BR 470
SÃO PAULO
- Metroviários
- Petroleiros
- Bancários
- Professores
- Saúde
- Ferroviários vão parar a linha 8 diamante/esmeralda
--- Às 16h tem início a concentração para o ato será a partir, em frente ao vão livre do MASP, na Avenida Paulista, na capital.
ABC
--- Metalúrgicos do ABC farão ato em frente ao Sindicato, em São Bernardo do Campo e às 9h sairão em caminhada até a Praça da Matriz.
--- Químicos ABC vão parar principais empresas em Santo André, Diadema, São Bernardo, Mauá e Rio Grande da Serra.- Professores do ABC
--- Professores da rede particular do ABC também vão paralisar suas atividades
ARARAQUARA
--- 7h tem concentração na Praça Santa Cruz
--- 9h tem marcha pela Avenida São Carlos
BAURU
--- Das 6h às 9h, ato na Avenida Rodrigues Alves, em frente a Câmara Municipal
CAMPINAS
--- 17h tem ato no Largo do Rosário
GUARULHOS
--- 4h30 tem ato no Aeroporto de Cumbica
JUNDIAI
--- 9h30, na Rua XV de Novembro, 336, centro de Jundiaí
MOGI DAS CRUZES
--- 6h, na Praça Marisa, centro de Mogi das Cruzes
OSASCO
--- Bancários vão fechar as agencia na Avenida dos Autonomistas e Rua Antonio Àgu, ruas centrais da cidade
--- Comerciários vão fechar as lojas no calçadão
--- Professores de Osasco farão aula pública no calçadão
--- 11h trem caminhada pelo calçadão de Osasco
RIBEIRÃO PRETO
--- 9h tem ato na Rua Álvares Cabral, centro da cidade
--- 11h tem concentração na Esplanada Pedro II
SANTOS
--- 6h tem ato na Martins Fontes, entrada de Santos via centro da cidade
--- 6h tem ato na Av. Presidente Wilson, em frente ao teleférico de São Vicente, na Baixada Santista
SÃO CARLOS
--- 7h concentração na Praça Santa Cruz, rua São Bento, 1265)
--- 9h marcha pelas ruas do centro da cidade
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
--- 17h tem ato em frente ao terminal urbano
SOROCABA
- Rodoviários
- Metalúrgicos
- Químicos
--- 8h passeata na Zona Norte
--- 9h concentração na Praça Cel Fernando Prestes
TOCANTINS
- Educação
--- Às 8h tem ato na Avenida JK, com concentração em frente ao Colégio São Francisco.
da Frente Brasil Popula com informações das centrais sindicais e movimentos populares
Malleus Maleficarum ou O Martelo das Feiticeiras
июня 29, 2017 20:27![]() |
| Foto Marcos Oliveira |
Discuso do Senador Roberto Requião (PMDB/PR), realizado no plenário do Senado em 28/06/2017:
Presidente, eu ocupo a tribuna nesta tarde para fazer as vezes de crítico literário.
Eu leio, com frequência, opiniões de juristas, jornalistas e curiosos sobre a importação de teorias do Direito por parte de promotores e juízes para acusar e condenar os envolvidos em denúncias de corrupção, principalmente.
No caso do tal mensalão, o único mensalão que foi julgado, porque os outros – os do PSDB e do DEM – correm fatalmente para a prescrição, por decurso de prazo ou decurso de idade; no caso do mensalão do PT, dizia-se, importou-se a esdruxularia da "teoria do fato". Importação, diga-se, cuja aplicação ao caso nacional foi duramente criticada pelo próprio criador da tese, o jurista alemão Claus Roxin. "Nada a ver", disse o teuto.
E daí? Quem estava se importando, notadamente na mídia, no Supremo, na OAB, no Ministério Público ou no mercado financeiro com a legalidade da aplicação da teoria? Afinal, o objetivo comum era o de esmagar a cabeça da hidra. Para isso, valia tudo.
Agora, na Lava Jato, os promotores e os juízes que viajam com frequência inquietante para os Estados Unidos trouxeram de lá a tal da "teoria da abdução das provas", para supervalorizar as chamadas "provas indiciárias". Segundo o Doutor em Ciência Política e Mestre em Direito Rogério Dutra, da Universidade Federal Fluminense, a Lava Jato importou a dita tese do Professor de Direito de Harvard Scott Brewer, que orientou o mestrado de Deltan Dallagnol na universidade norte-americana. Dultra explica que a teoria da abdução das provas é na verdade do filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce, tido como o pensador que estabeleceu as bases da semiótica, ainda no século XIX.
Mas o que seria a teoria da abdução das provas? Seria o primeiro momento de um processo de inferência, isto é, de indução ou dedução, que permite, por exemplo, com bases em amostras estatísticas, efetuar generalizações. Enfim, com tal teoria, formula-se uma hipótese geral para explicar determinados fatos empíricos.
Dultra acusa tanto o orientador harvardiano como o seu aluno brasileiro de distorcer a teoria de Peirce, como o fez Joaquim Barbosa com a teoria de Claus Roxin. Enfim, mais uma vez o tal jeitinho pátrio para ajustar o círculo ao quadrado.
No entanto, estabeleço aqui uma divergência com o professor da Universidade Federal Fluminense e com outros que buscam em Peirce, Roxin et alia inspirações para os nossos criativos promotores e juízes. Na verdade, promotores e juízes iluminam-se nas orientações de um livro editado em 1484, na Alemanha, ou na região que viria a ser depois a Alemanha, com a unificação dos principados teutos por Bismarck, no século XIX.
Antes de declinar o nome do livro, para não suscitar resmungos precipitados de alguns colegas, vou buscar no documento medieval algumas orientações. Orientações, sugestões, exemplos e decisões que servem de manancial, de matriz mesmo, para a Lava Jato.
Quanto às testemunhas: diz o livro que o juiz não deve levar em consideração quando as testemunhas divergem em seus relatos, pois basta uma única convergência para considerar os depoimentos verdadeiros, idôneos. E quando as acusações das testemunhas são graves, é preciso apenas um mínimo de evidência para que se considere o acusado culpado.
Pouquíssimos argumentos, por si só, já expõem o crime do indiciado, ensina o manual. Quer dizer, quanto mais testemunhas arroladas contra o suspeito e quanto mais graves as acusações, mesmo que não provadas, mais clara a culpa do denunciado.
Enfim, apenas com base em testemunhos é lícito que se condene o réu. Notórios malfeitores e criminosos são aceitos como testemunhas. As evidências colhidas nas oitivas das testemunhas só podem ser usadas pela promotoria, nunca pela defesa, pois as evidências têm mais valia em provar uma acusação do que em refutá-la.
Os indícios colhidos contra os acusados por depoimentos prestados por perjuros devem ser considerados como válidos. Os perjuros, ressalva o manual, não falam por leviandade, nem por inimizade, tampouco por suborno, e sim pelo mais puro zelo.
Assim, mesmo que tenham mentido, que tenham falseado a verdade dos fatos, há de se considerar válido o seu testemunho.
Tão válido quanto o de uma pessoa honesta. Afinal, tamanho é o mal causado pelos réus, face as graves suspeitas que pesam sobre eles, que qualquer criminoso poderá prestar depoimento contra os acusados; até mesmo os servos contra os seus amos.
Em alguma circunstância, prescreve o manual de 1484, a gravidade das acusações é tal que a causa deve ser conduzida da maneira mais simples e mais sumária, sem os argumentos e as contenções dos advogados da defesa. Enfim, a defesa é um atrapalho a ser contido ou mesmo eliminado.
Quando o réu nega as acusações, o juiz deve levar em conta, para considerá-lo culpado, três condições: a má reputação do réu, tendo em vista as suspeitas que pesam contra ele; a evidência dos fatos, mesmo que não haja provas; e o depoimento das testemunhas, ainda que perjuras.
Conforme o manual, que inspira os promotores e os juízes da Lava Jato, o simples boato da má reputação do acusado já é suficiente para que o juiz processe-o e condene-o. Não são necessárias evidências, suposições e muito menos fatos. Boatos sobre a má reputação do réu já bastam para se abrir o processo, julgar e condenar o indigitado.
Boatos, apenas boatos, ainda que maledicentes, são suficientes para se abrir um processo. O livro, mesmo ressalvando que um dos doutores da Igreja, Bernardo de Claraval, falava em fato evidente para determinar a verdade das coisas, diz que basta a evidência para comprovar a acusação.
Assim, o indivíduo indiciado pela evidência dos fatos ou pelo depoimento de testemunhas, ainda que perjuras – registre-se, quer confesse o crime ou negue obstinadamente –, será condenado. E já que a culpabilidade está, em um caso e noutro, preestabelecida, o livro recomenda que o processo seja conduzido de forma abreviada e sumária.
Sem delongas, sem concessão de tempo para a defesa. Mais ainda: recomenda expressamente o confinamento do acusado na prisão por algum tempo, ou por alguns anos, caso em que, talvez, depois de padecer por um ano das misérias do cárcere, venha a confessar crimes cometidos.
Sábios juízes de 1484. Sapientíssimos juízes de 2017.
Os autores do manual, Heinrich Kramer e James Sprenger, advertem ainda os advogados dos acusados, recomendando moderação, pois, do contrário, poderão também ser considerados suspeitos e processados.
Esta é a recomendação. Se o advogado defende uma pessoa já suspeita, torna-se a si próprio um defensor do crime e lança sobre si mesmo não uma suspeita leve, mas uma grave suspeita, e deverá abjurar publicamente o pecado cometido por defender um criminoso.
Parece que está aqui a origem de toda a má vontade dos senhores da Lava Jato para com os advogados de defesa ou com os jornalistas que não fazem parte do clube exclusivo dos vazadores de notícia.
A reputação pública do acusado é outro fator que o juiz deve levar em conta, diz o tratado medieval. O magistrado deve estar atento ao que a opinião pública pensa e manifesta sobre o suspeito. Se o que a opinião pública pensa não favorece a reputação do indivíduo, ele pode ser considerado sob forte suspeita de crime.
A difamação, seja o cidadão culpado ou não da maledicência, é outro critério para se iniciar o processo. Os juízes devem partir da premissa de que o difamado é liminarmente culpado pelo que lhe imputam. Alguém assim classificado deverá ser submetido a interrogatório, à prisão por tempo indeterminado e à tortura para que confesse o crime.
No entanto, o manual que hoje orienta os nossos juízes e promotores, 533 anos depois de sua primeira edição, pede prudência em relação às delações que, adverte, não são suficientes em si para uma condenação, porque o demônio pode tê-las inspirado. Assim, recomenda, as delações devem ser acompanhadas, como a má reputação do acusado, o depoimento de testemunhas, ainda que perjuras, e pela evidência dos fatos.
O livro aconselha ainda que o juiz seja misericordioso. Não com o réu, mas misericordioso consigo mesmo e para com o Estado.
Consigo por ter que julgar tantos crimes e se expor a tantos malfeitores. Para com o Estado porque tudo o que é feito para a segurança do Estado é, necessariamente, misericordioso.
Outra questão que merece dos autores do manual longa consideração é a chamada suspeita manifesta. Dizem eles: não basta o depoimento das testemunhas, não bastam as evidências e nem basta o fato do acusado já ter sido anteriormente condenado. É preciso também que haja suspeita manifesta ou grave suspeita de crime.
Kramer e Sprenger socorrem-se aqui de São Jerônimo, Presidente, doutor da Igreja, para quem a esposa poderá obter o divórcio se houver forte suspeita de que o seu marido esteja traindo-a. Logo, conclui: a grave suspeita é suficiente para a condenação do suspeitoso.
E há, como bem sabem e agem os juízes e promotores da Lava Jato, vários graus de suspeita. Há, por exemplo, a suspeita provável – quer dizer, é provável que fulano seja suspeito de ter cometido algum crime.
Mas essa suspeita é ainda considerada leve e os que nela incorrem devem provar a inocência fazendo penitência, redimindo-se da suposta falta. Não interessa que a suspeita seja infundada. Mesmo assim, caso os suspeitos não se submetam à purgação do hipotético crime, devem ser condenados. De leve, a suspeita gradua-se à grave.
Os autores, volta e meia, retomam à questão da má reputação do suspeito como premissa para considerá-lo suspeito. E dizem: ainda que nada for provado contra ele, o fato de ser objeto de difamação pública é suficiente para a abertura de um processo. E acautelam: a difamação não deverá necessariamente provir de pessoas honestas e respeitáveis; o peso é igual quando a calúnia advém de gente simples e comum ou de criminosos.
Quer dizer, o simples fato de uma pessoa ser caluniada é suficiente para ela ser processada. E mesmo que nada se prove, ela deverá ser condenada a atos de penitência e reparação. Caso a pessoa repudie a calúnia e não aceite a purgação, porque é absolutamente inocente, sofrerá, então, graves sanções.
A retenção de acusados ou suspeitos ou difamados a longos períodos de prisão deverá servir para que parentes, amigos e pessoas influentes convençam os indigitados a confessarem seus crimes, prescreve o manual a que me refiro.
A resistência à confissão será tomada como confissão de culpa; e, no caso de relutância a confessar, recomendam-se longa detenção e a tortura.
A pessoa suspeita de um crime que, mesmo inocente, mas, para se livrar da pressão do juiz, confessa o delito, ... deve ter cuidado para não ser considerada novamente suspeita, já que a reincidência na suspeição leva à condenação. Uma vez suspeita, vá lá, mas, duas vezes suspeita é criminosa na certa – aconselha e define o manual a que me refiro.
Muito familiar, não é, Srs. Senadores?
Ah, sim. A suspeita manifesta ou grave suspeita não admite prova ou defesa. A pessoa é condenada e pronto. É uma espécie de domínio do fato avant-garde.
Um dos capítulos finais do livro trata da pessoa que é apanhada, denunciada e condenada. Culpada de crime pela evidência dos fatos e pelo depoimento de testemunhas, essas pessoas, firme e constantemente tendem a negar a responsabilidade, ponderam os autores. Então, insistem os autores, os juízes devem manter essas pessoas no cárcere, pressionando-as, empenhando-se ao extremo para induzi-las à confissão.
Segundo eles, o remédio é certo, pois não há quem resista ao isolamento, às ameaças, aos apelos das famílias e ao exemplo de outros acusados que cederam e confessaram.
Mas, observam Kramer e Sprenger, caso o condenado seja executado e depois se descobre que era inocente, ele deve ser imediata e solenemente absolvido. Mas só se for inocente; se o juiz acreditar que o morto tenha culpa, deve relutar em absolvê-lo.
Por fim, os autores tratam da justeza dos juízes em negar objeções, apelações e recursos.
Vamos à citação.
Feito isso, que se declare o seguinte: assim agindo, o juiz procedeu devida e justamente e não se desviou do caminho da justiça e, de forma alguma, molestou indevidamente o apelante. Todavia, o apelante, alegando objeções mentirosas e falsas, tentou, mediante uma apelação indevida e injusta, escapar da sentença. Pelo que sua apelação é frívola e inválida, sem qualquer fundamento, [...] e na forma. E, como as leis não reconhecem apelações frívolas, nem são estas reconhecidas pelo juiz, declara este, portanto, que não admite e nem pretende admitir a mencionada apelação, nem a reconhece e nem mesmo se propõe a reconhecê-la. E dá esta reposta ao acusado que faz a tal indevida apelação...
No ano do Senhor de 1487, na prestigiosa Universidade de Colônia, Alemanha, com a chancela do Papa Inocente e do Imperador Maximiliano, que ainda ostentava o título de Imperador Romano do Ocidente, este manual recebeu o certificado de aprovação – é o manual a que me refiro. E, passados 530 anos de tal certificado, continua a ser adotado até os nossos dias, como o comprovam promotores e juízes da Lava Jato e até mesmo alguns ministros de tribunais superiores. O manual de orientações é este: o Malleus Maleficarum ou O Martelo das Feiticeiras, o guia de orientação aos juízes da Santa Inquisição, que continua, notadamente, em vigor até hoje, pelo menos aqui no Brasil. Foi esse compêndio que instruiu e guiou a Igreja no combate, perseguição, tortura e morte de milhares de homens e mulheres, estas, principalmente, acusadas de bruxaria e de heresia, e que hoje instrui e direciona as ações de juízes promotores autoinvestidos de anjos vingadores, da santa espada de fogo do Senhor.
Modus in rebus, senhores do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário. Modus in rebus!



