Racionamento de água no DF é branco, elitista e classista
января 20, 2017 19:05![]() |
| Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho |
por Marcelo Pires Mendonça*
“Milhares de pessoas vivem sem amor. Mas não sem água.”
W.H. Auden na abertura do documentário Flow (Fluxo) – Por Amor à Água.
No ano de 2000 a guerra da água em Cochabamba, terceira maior cidade boliviana, nos deixou uma importante lição: somente o povo organizado nas ruas pode barrar medidas governamentais que contrariam os interesses e causam prejuízos à sociedade. Num feito inédito, a população do campo e da cidade unidas conseguiram a revogação da lei que privatizava a água em seu país, contrariando a recomendação do Banco Mundial. Estava posto ali o caráter estratégico dos recursos naturais, em especial a água, para a América Latina e para o mundo, sob a égide do capitalismo privatista.
Em 2014 testemunhamos a crise hídrica de São Paulo, negada pela cúpula do governo estadual (com a conivência da mídia hegemônica, omissa em divulgar os fatos) até atingir níveis insustentáveis. Tal episódio suscitou duas questões: a gestão desastrosa dos recursos hídricos pelo governo local à frente de uma das maiores economias do país e o caráter de classe do racionamento de água, que afetou desigualmente os moradores de periferias e dos bairros “nobres” da capital. Além da opção por um modelo de política pública sem investimentos em infraestrutura e sem planejamento estratégico, saltaram aos olhos do país o arquétipo de “gestão da crise” adotado: a Sabesp realizou uma operação secreta de redução da pressão da água, com a justificativa de diminuir as perdas com vazamentos. Na prática o resultado foi que milhares de pessoas passavam dias, até semanas sem água, principalmente os bairros altos das periferias e as localidades distantes dos reservatórios. Após meses negando a crise e diante das reclamações da população que sofria com os efeitos da medida arbitrária, a empresa admitiu a prática. A falta de transparência, a ausência de controle social e a gestão equivocada acenderam o alerta para todo o país.
Em Brasília, o ano de 2017 começa com o anúncio extemporâneo do GDF de um cronograma de racionamento de água. Aqui, como em São Paulo há três anos, as mesmas duas questões se sobressaem: a gestão calamitosa dos recursos hídricos pelo governo local em plena capital do país e o caráter de classe do racionamento de água, cujo corte no fornecimento ocorrerá por rodízio e afetará precipuamente as regiões administrativas de menor poder aquisitivo do Distrito Federal. Sob a justificativa de que apenas as regiões abastecidas pela bacia do Descoberto (que abrange 60% da população do DF) demandam esta medida, coincidentemente as regiões nobres de Brasília, abastecidas pelo reservatório de Santa Maria e outros córregos, serão poupadas deste incômodo. Assim, Asas Sul e Norte, Lagos Sul e Norte, enfim, todas as regiões que englobam os setores de mansões e grandes condomínios (e que consomem, em média, o dobro de água do restante da população do DF) serão afetadas apenas pela redução da pressão da água, mas terão garantidos pelo GDF direitos fundamentais, como o de encher suas piscinas, regar suas gramas e lavar seus carros.
A atual crise hídrica nos coloca o desafio de refletir questões como educação e gestão ambiental, sustentabilidade e o uso adequado de recursos naturais do ponto de vista de classe. O que não é debatido pela mídia com relação ao problema da sustentabilidade ambiental é o fato de que 82% da nossa água é consumida pela agricultura em processos de irrigação, 10% é destinada à indústria e somente 8% de toda água é consumida pelas famílias, segundo dados da OMS. No fim das contas, quem menos consome e paga as maiores tarifas de água é quem sofre as consequências de uma sociedade que não discute a questão ambiental na perspectiva de classe e sim na perspectiva individualista do capitalismo tão propalada pelos meios de comunicação: os maiores poluidores ambientais no mundo são as indústrias petroquímicas e de plástico, que jogam no meio ambiente toneladas de metais pesados, efluentes industriais e poluentes orgânicos persistentes (POP), a queima de combustíveis fosseis e as usinas termelétricas, sendo responsáveis por 91% da poluição ambiental no mundo e por 86% do lixo do planeta...
Entretanto, a mídia hegemônica difunde o discurso da consciência ambiental individual, superdimensiona a coleta seletiva de lixo residencial, o banho cronometrado, a economia de água doméstica, o racionamento que afeta somente às famílias, quando na realidade as famílias produzem 7,5% do lixo no Brasil e a coleta seletiva residencial, por exemplo, tem um impacto praticamente zero na preservação do meio ambiente, considerando que 3% (de 7,5% que é produzido) do lixo doméstico é reciclado.... E enquanto a sociedade está distraída separando o lixo da sua casa não tem ninguém pressionando empresas e governos por práticas industriais mais sustentáveis e eficazes ou por uma legislação e uma fiscalização mais rígidas que garantam de forma efetiva a preservação ambiental...
Pari Passu, aqui no Distrito Federal, a população das regiões administrativas com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), a exemplo de Santa Maria, Ceilândia e Samambaia terão, oficialmente, um dia de racionamento com dois dias de religamento e três de abastecimento normal. Na prática observamos inúmeras denúncias de casos de falta de fornecimento nestas localidades uma semana antes do racionamento oficial, reclamações acerca de relógios de medição que registraram cobrança no período do corte e de localidades nas quais, passado o período previsto para reabastecimento, a população seguia sem acesso à água. Há também, no DF, os casos de restrição estrutural de acesso à água em regiões administrativas como a Fercal, que apresenta um dos maiores contingentes populacionais de negros e um dos menores índices de renda, na qual parte da população sequer integra a rede oficial de abastecimento e recebe água de poços artesianos, cuja qualidade é considerada salobra. Mais uma vez, as variáveis de raça e classe se imiscuem para aprofundar as desigualdades estruturais da sociedade... Enquanto isso, as quatro regiões administrativas com maior IDH e menores contingentes populacionais de negros - Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Lago Sul e Plano Piloto – seguem imunes ao racionamento. O banho de piscina está garantido nos setores de mansões, mas as regiões mais populosas e mais carentes nem direito ao banho têm...
Infelizmente, acompanhando o racionamento, persevera o discurso atomista e liberal do capitalismo de que "precisamos fazer a nossa parte"... Mas na realidade, se a nossa parte não compensa o dano industrial proporcionalmente muito maior do que podemos reparar, então na verdade a "nossa parte" favorece muito mais à nossa consciência, à manutenção do status quo e das políticas públicas erráticas do que ao meio ambiente. Por isso a sociedade precisa assumir o compromisso histórico de construir a luta pela sustentabilidade ambiental e em defesa dos recursos naturais com consciência de classe e controle social, problematizando os reflexos da desigualdade social, de raça e de classe no acesso a bens e recursos essenciais. O racionamento deve ser proporcional ao consumo e não inversamente proporcional ao nível de renda.
*Marcelo Pires Mendonça - Formado em História e Geografia, professor da Rede Pública do Distrito Federal.
========
: artigo publicado no GGN, No Gama Livre e Brasil 247. Para publicação no Blog do Arretadinho teve a autorização expressa do autor.
Muitas Dúvidas com a morte de Teori
января 19, 2017 21:48![]() |
| WILSON DIAS / ABR |
Morte de ministro causa perplexidade e dúvidas sobre substituto na Lava Jato
Assim que morte foi confirmada, começaram a ser divulgadas declarações pedindo investigação das causas do acidente aéreo e esclarecimentos sobre como ficará a relatoria da operação
por Hylda Cavalcanti, da RBA
Brasília – Após a confirmação da morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), Brasília vive, juntamente com o choque da notícia, a busca por três informações, tidas como importantes e necessárias. Primeiro, detalhes sobre os procedimentos de substituição de Zavascki na relatoria dos processos da Operação Lava Jato no STF. Depois, pedidos de investigação sobre a queda da aeronave que o vitimou e em que circunstâncias. E, por fim, o comunicado oficial do tribunal sobre os locais de velório e sepultamento do magistrado.
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Carvalho Veloso, foi um dos mais contundentes a se pronunciar sobre a morte de Teori. Ele afirmou, em nota, que os magistrados federais estão todos consternados. “Perdemos um magistrado sério, honesto e cumpridor dos seus deveres. Diante da alta responsabilidade dos processos que ele conduzia, é imprescindível a investigação das circunstâncias que resultaram na queda do avião”, destacou.
Da mesma forma, o delegado Marcio Anselmo, responsável por várias das investigações da Lava Jato, afirmou em uma rede social que está perplexo e que “um acidente aéreo às vésperas da homologação da delação premiada da construtora Odebrecht deve ser investigado profundamente”.
Informações extraoficiais no STF (ainda não confirmadas pela família, nem pelo tribunal) são de que o corpo do ministro virá primeiro a Brasília e será velado no Supremo. Em seguida, seguirá para Santa Catarina, onde será sepultado.
Já a dúvida que diz respeito à substituição do ministro na relatoria da Lava Jato continua sendo objeto de opiniões diversas. Magistrados e operadores do Direito destacaram que há duas possibilidades. No caso de morte de um ministro, caberá ao presidente da República indicar um novo nome para substituí-lo e, neste caso, o seu sucessor deverá, segundo estabelece o regimento interno da corte, assumir todos os processos que estavam sob a relatoria do antecessor.
Por outro lado, existe a possibilidade de a presidenta do STF, ministra Cármen Lúcia, ter a prerrogativa de decidir de imediato um outro ministro para a relatoria dos processos da Lava Jato, antes mesmo de ser escolhido o substituto de Teori, levando-se em conta a relevância deste trabalho. Precedente neste sentido, segundo confirmou o ministro Marco Aurélio Mello, já foi observado tempos atrás no tribunal.
Também já se pronunciaram sobre o falecimento do ministro o juiz federal Sérgio Moro e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Moro afirmou que o ministro foi “um grande magistrado e um herói brasileiro”. “Ele foi exemplo para todos os juízes, promotores e advogados. Espero que o seu legado de seriedade e firmeza na aplicação da lei não sejam esquecidos”, acrescentou. Janot divulgou nota ressaltando que Zavascki “honrou o papel de magistrado ao atuar de forma ética, isenta e extremamente técnica em toda a sua carreira”.
Esta semana, o ministro Teori Zavascki confirmou que estava trabalhando no período de recesso para adiantar os trabalhos sob sua alçada. O magistrado tinha interrompido as férias para analisar a delação premiada de 77 executivos da Odebrecht e já estava determinado o início das audiências com os depoentes para a próxima semana.
Confirmação
A certeza de que o ministro Teori Zavascki faleceu no acidente com um avião que caiu por volta das 14h na chegada a Paraty foi divulgada pouco antes das 18h. A informação do Corpo de Bombeiros é de que quatro pessoas estavam na aeronave. Destas, três estão mortas e uma continua desaparecida. Foi o filho do magistrado, Francisco Zavascki, quem confirmou que a família tinha acabado de receber a informação do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
Desde que foi divulgada a notícia da queda da aeronave, a capital do país passou a viver um ambiente de nervosismo e turbulência na área próxima à sede do STF e seus edifícios anexos. A mesma movimentação nervosa também foi observada nos corredores do Congresso Nacional e demais órgãos dos três poderes.
Dentro do STF, o clima foi de choro, correria dos servidores de um gabinete para outro, e poucas informações divulgadas, assim como muita procura por notícias. O ambiente também foi semelhante na sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde Zavascki foi ministro de 2003 até 2012 – quando deixou o cargo para assumir vaga no Supremo, e é muito querido, tanto entre os servidores como junto aos colegas magistrados.
Cármen Lúcia, que tinha acabado de chegar a Belo Horizonte quando soube do acidente, entrou em contato de imediato com o presidente Michel Temer para pedir que fossem colocadas à disposição da operação de resgate equipes da Marinha e mais grupos do corpo de bombeiros. A ministra, assim como vários magistrados do STF, já está se deslocando de volta a Brasília.
O avião que conduzia o ministro saiu de São Paulo e era do modelo Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM. A aeronave está registrada em nome da empresa Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras Limitada. Informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) são de que toda a documentação da aeronave encontra-se em situação regular.
Ainda não há divulgação sobre a causa do acidente. A queda aconteceu no mar de Paraty, próximo da chamada Ilha Rasa, localizada a cerca de dois quilômetros do litoral.
De estilo discreto, avesso a entrevistas, embora cordial com os jornalistas, Teori Zavascki era considerado um dos ministros mais dedicados aos trabalhos do tribunal. Ele sempre se destacou como julgador por sua predileção por temas relacionados a Direito Tributário, mas quando foi escolhido para a relatoria dos processos da Lava Jato empenhou-se ao trabalho com igual afinco.
Depois que ficou viúvo, em 2013, o ministro passou a se voltar ainda mais para o trabalho. E não foram poucas as vezes em que os jornalistas se amontoaram em frente ao prédio do STF, em domingos e feriados, diante da constatação de que Teori e sua equipe estavam reunidos no gabinete, para adiantar relatórios e processos.
A Pitomba restaura o sistema nervoso
января 18, 2017 22:36A fruta que cura a insônia e restaura o sistema nervoso
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
Conhecida, principalmente no Nordeste como Pitomba, a fruta tem inúmeras funções medicinais, como o combate à insônia e ainda ajuda a restaurar o sistema nervoso.
Ela tem mais semente do que poupa e é mais apreciada no Nordeste brasileiro. A fruta é tema de uma grande festa em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, que comemora uma batalha revolucionária nos tempos coloniais, a Batalha dos Guararapes : A festa da Pitomba.
Mas nem só de festa vive a fruta, ela tem vária propriedades terapêuticas, entre outras:
- Alivia o estresse.
- Fortalece a imunidade do corpo, pois é rico em ferro, fósforo e outras substâncias.
- Está sendo estudado por pesquisadores do mundo inteiro, especialmente porque tem grande fama de ser poderosa contra o câncer, inclusive mais potente que a graviola.
- Suas folhas ajudam no combate ao vício do cigarro.
- Trata distúrbios do sono como a insônia, pois contém grande quantidade do aminoácido triptofano, essencial para restaurar o sistema nervoso.
O nome científico da Pitomba é Melicoccus Bijugatus, também conhecido como lima-espanhola, papamundo, huaya, limoncillo ou guaym.
Na Nicarágua, por exemplo, moem-se as suas sementes para eliminar vermes e parasitas.
O fato é que a fruta é alvo de estudos intensos, porque os cientistas querem provar que a Pitomba é capaz de curar o câncer.
A pitomba também trás outros benefícios ao Homem:
- Impede a proliferação de vírus e bactérias
- Protege a imunidade da mulher grávida, graças ao seu ácido orgânico
- Ajuda no tratamento de epilépticos
- Combate doenças nos rins
- Cura infecções urinárias
- Regulariza o aparelho digestivo
- Trata infecções nos brônquios
- Acaba com febre alta
- Combate gripes e resfriados
Além disso, ela possui vitaminas B1, B3, B6 e B12 e quantidades consideráveis de sais minerais, aminoácidos e ácidos gordos insaturados, como oleico e linoleico.
Se você for ao Nordeste não esqueça de trazer Pitomba para nós, calangos do Cerrado.
com informações de dicasparaelas.com
Apresentador chama Ludmilla de maca e é demitido
января 18, 2017 21:39Record TV demite apresentador que chamou cantora Ludmilla de 'macaca'
A Record TV acaba de anunciar a demissão de Marcão do Povo, apresentador do Balanço Geral DF. Ele havia chamado, ao vivo, a cantora Ludmilla de 'macaca'.
Em nota enviada à imprensa na tarde desta quarta-feira, 18, a emissora diz repudiar a conduta de Marcão.
"A Record TV vem a público lamentar os transtornos causados à cantora Ludmilla, sua família e seus fãs motivados por um comentário feito pelo apresentador Marcão no Balanço Geral DF. A Emissora repudia qualquer ato dessa natureza e afirma que este tipo de conduta não está na linha editorial de nosso Jornalismo. Por este motivo, a Record TV Brasília optou por rescindir o contrato do apresentador Marcão."
O empresário de Ludmilla, Alexandre Baptestini, informou ao jornal Correio Braziliense que a funkeira vai entrar com um pedido de prisão de Marcão do Povo, que está à frente programa Balanço Geral do Distrito Federal. O apresentador chamou a cantora de "macaca" ao comentar uma reportagem do quadro A Hora da Venenosa.
O apresentador falava a respeito de uma notícia sobre Ludmilla supostamente ter combinado com o garçom de um restaurante carioca para que ele mentisse que ela estava gripada para evitar que os fãs se aproximassem para tirar fotos. "É uma coisa que não dá para entender. Era pobre e macaca. Mas pobre pobre mesmo”, disse Marcão.
O perfil do Twitter do programa Balanço Geral DF chegou a publicar uma sequência de mensagens na tentativa de amenizar a situação e disse que o intuito do apresentador não era ofender a ninguém, já que 'macaca' é um termo regional. O perfil foi deletado nesta quarta-feira. Veja as mensagens:
"Referente ao caso que está sendo divulgado nas redes sociais e em alguns veículos, a RecordTV Brasília e o Balanço Geral informam que não apoiam quaisquer tipo de preconceito, independente de qual seja. Temos a plena certeza de que o apresentador @MarcaoTV apenas utilizou uma expressão regional para se manifestar, sem o intuito de ofender a cantora Ludmilla ou qualquer outra pessoa. Houve apenas uma troca do adjetivo que acompanha a palavra. A expressão em si é amplamente utilizada em estados do Centro-Oeste", diziam os tweets.
Após contato da reportagem, a assessoria de imprensa da cantora informou que o departamento jurídico tomara todas as medidas legais cabíveis.
A funkeira também já processou a apresentadora Val Marchiori por comentários racistas. Durante uma transmissão de Carnaval, a socialite disse que Ludmilla tinha "cabelo de Bombril".
Fonte: emais estadao
Será que sou um machista de esquerda?
января 17, 2017 23:05![]() |
| “Nada é mais parecido com um machista de direita do que um de esquerda” |
Quem pensa que só os reaças de direita são machistas, engana-se à décima potência, tem muito machista de esquerda sim, não duvide!
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
Talvez alguns proponham me queimar na "fogueira santa de Israel", do bispo Macedo e de seus comparsas mas, por incrível que possa parecer, existem machistas de esquerda sim.
Um caro e valoroso amigo, "galo doido brigador" pelas causas sociais e socialistas (tomara que ele não lei este post, ou melhor, tomara que leia sim), surpreendeu-me recentemente com um comentário machista. Disse-me o mancebo que "se minha mulher me disser que não gosta mais de mim e quer se separar, tudo bem, sem problemas, isso pode acontecer", aí soltou a bomba: "mas se aparecer em casa grávida de outro, ao menos umas porradinhas eu dou nela, essa gravidez me desmoralizaria perante a sociedade, mesmo que eu naõ deva satisfações à sociedade...", disparou na lata.
Meu queixo só não caiu porque fiz um enorme esforço para que isso não acontecesse.
Outro militante histórico de esquerda aqui da cidade, também surpreendeu-me e à outras pessoas com um comentário público em uma rede social onde postei um vídeo de um rapaz que estava com os olhos vendados em uma praça pública e com um cartaz ao seu lado onde lia-se "sou gay. Você me abraça ou me mata?"
O "gajo" comentou o meu post de forma não só machista mas, disfarçadamente homofóbica (embora muitas pessoas divirjam da palavra "disfarçadamente") . Disse o incauto que não abraçaria o rapaz do vídeo porque o abraço é uma atitude muito íntima entre "amigos" e que "só o respeito" à perspectiva de gênero do "outro", bastaria. Pensamento que impediu-me responder ao seu comentário: "pai, afasta de mim esse cálice", ou cale-se.
Após ser surpreendido por duas vezes, em menos de 72 horas por essas duas declarações, a querida amiga Virgínia Sousa, minha "idala" que toca o foda-se "Fridamente Khalo" e muito bem resolvida em Goiânia, GO, presenteou-me com o texto que publico abaixo de autoria de Danilo Castelli no sítio papodehomem.com.br. Leia e tire suas conclusões e reflitamos, amém:
Sinais de que sou um machista de esquerda, por Danilo Castelli
Esta lista contém pensamentos e atitudes de machismo de esquerda, algumas que eu tive, eu e outras que eu vi em outros. Ela vai sendo atualizada à medida que eu encontro novas.
Quando eu sempre tenho o "burguês", "pequeno-burguês", "liberal" e "pós-moderno" preparado para desqualificar o feminismo que me incomoda, seja essa caracterização adequada ou não.
Quando eu minimizo ou rejeito as lutas feministas, dizendo "O verdadeiro problema é o capitalismo" (e, dessa maneira, demonstro a minha ignorância sobre como capitalismo e patriarcado se articulam e a influência reacionária que o machismo tem sobre a classe trabalhadora).
Quando, assim como a direita justifica a ordem social classista-hierárquica com argumentos biologizantes, eu faço o mesmo com relação aos comportamentos e papéis de homens e mulheres. Dessa maneira eu contribuo para a invisibilização e, portanto, para a marginalização de todas as pessoas que não se encaixam ou desafiam a heteronorma e os papéis de gênero.
Quando eu não perco a oportunidade de dizer "O verdadeiro problema é de classe" toda vez que dizem algo a partir de uma perspectiva de gênero.
Quando, em vez de ouvir uma companheira para aprender, eu espero a minha vez para falar.
Quando eu faço mansplaining e/ou gaslighting com as companheiras.
Quando eu só vejo o machismo nas suas manifestações mais visíveis e explícitas (feminicídio, tráfico de pessoas, violência doméstica, estupro, discriminação no trabalho) e me recuso a vê-lo em suas manifestações mais sutis (assédio sexual na rua, desigualdade na divisão das tarefas domésticas, microviolências, violência simbólica).
Quando denuncio com muita firmeza os atos de machismo cometidos por burgueses, políticos, figuras públicas e até dirigentes de outros partidos, mas me faço de distraído sobre o machismo na minha classe social, no meu trabalho, na minha organização.
Quando só denuncio o machismo e a homo/transfobia de políticos, empresários, comunicadores, policiais ou outros agentes diretos da opressão e nunca questiono o machismo dos homens da classe trabalhadora em geral, nem dos meus companheiros de partido em particular.
Quando desqualifico as lutas feministas que me incomodam dizendo "Feministas eram as de antigamente", que é uma maneira mais politicamente correta de chamá-las de "feminazis".
Quando eu acho que a solução do machismo passa unicamente por realizar certas reformas institucionais e um pouco de "conscientização" e excluo a revisão dos meus privilégios masculinos e a minha própria autotransformação.
Quando intelectualizo as discussões numa perspectiva de "objetividade científica" como desculpa para não simpatizar com o ponto de vista "demasiadamente subjetivo" das vítimas do machismo.
Quando eu dou mais valor para as minhas OPINIÕES sobre gênero e diversidade sexual do que para as EXPERIÊNCIAS das mulheres e das pessoas LGBT e as TEORIAS que existem a partir de estudos rigorosos.
Quando banco o "cético" como desculpa para não pesquisar propriamente sobre o assunto já que... Quem precisa de dados se já tem A teoria revolucionária?
Quando ridicularizo as reivindicações feministas/LGBT dizendo que são "exageradas", sem fazer o mínimo de esforço para me colocar no lugar das pessoas marginalizadas.
Quando demonstro incômodo e fico hostil diante da crítica radical do machismo, levando tudo para o pessoal e dizendo coisas como "Eu não tenho culpa pelos séculos de opressão".
Quando todas as minhas posições sobre a questão são projetadas para não ficar alinhado com a direita, mas sem que isso implique um compromisso real da minha parte com essa causa.
Quando eu me acho no direito de emitir qualquer opinião ignorante, preconceituosa e paranoica sobre questões de sexo/gênero, já que elas não são importantes o suficiente para eu estudar.
Quando eu acho que são "os outros" que têm que me convencer, e não eu que tenho que aprender.
Quando eu pesquiso só o suficiente para aprender alguns termos (como "feminismo da terceira onda") e aparentar erudição com o objetivo de conservar as minhas opiniões prévias.
Quando eu concordo com as pessoas de direita perguntando "Por que feminismo e não igualismo?", o que indica que o assunto não me importa nem sequer para fazer uma pesquisa no Google, mas eu me sinto ameaçado ou deslocado por um movimento que prega liberdade e poder para as mulheres.
Quando aponto o fato - verdadeiro - de que existem machistas nas organizações de esquerda, porque seus membros também vêm da sociedade capitalista e patriarcal que eles combatem, mas faço isso para justificar esse machismo nos companheiros e não para colaborar com a tarefa de desafiá-lo e erradicá-lo.
Quando eu digo "Depois da revolução nós vemos".
Quando, assim como os machistas da direita querem negar o patriarcado procurando exemplos de mulheres que agridem homens ou denúncias falsas ou situações nas quais os homens sofrem mais do que as mulheres, eu procuro situações nas quais há feminismo burguês ou branco ou misândrico para justificar que a esquerda não tem nada a aprender com o feminismo.
Quando eu sou muito revolucionário falando sobre capitalismo e socialismo, mas me torno "pragmático e realista" falando sobre machismo e feminismo.
Quando digo que o socialismo não tem nada para adotar do feminismo, porque "a questão da mulher" já estava colocada em algum texto socialista de séculos atrás.
Quando, diante de uma expressão de ódio e raiva pelos assassinatos, os abusos e o discurso que minimiza a violência contra a mulher e as pessoas LGBT, eu me coloco num lugar progressista e dou sermões do tipo "Não é assim, nós temos que educar". Afinal, não sou eu quem tem que conviver com a impotência e a tristeza de pertencer ao grupo vulnerável.
Quando eu ponho mais ênfase em criticar o feminismo por causa de como ele comunica as suas ideias do que em criticar a mente fechada machista da maioria dos homens, produto de privilégios e não só de "ignorância".
Quando eu me irrito com as propostas de discriminação positiva ou de cotas para as mulheres e as pessoas LGBT e as recuso com argumentos meritocráticos que acredito que são não burgueses (idoneidade, esforço, luta).
Quando, do meu conforto como maioria simbólica, rejeito as medidas de cotas femininas na política, dizendo que "ter mais mulheres na política não vai melhorar a situação das mulheres trabalhadoras".
Quando eu reclamo que "Estou sendo discriminado por ser homem" porque as mulheres têm espaços próprios nos quais homens não podem entrar, me negando a entender por que ou para que elas precisam disso. A mesma coisa com "Estou sendo discriminado por ser hétero" em referência a espaços exclusivamente LGBT.
Quando eu digo que, como o socialismo é contra toda opressão, não é preciso ser feminista.
Tudo o isso não é nenhum segredo. Muitas mulheres, gays e pessoas trans já viveram isso: não tem nada mais parecido com um machista de direita do que um machista de esquerda.
por Danilo Castelli no sítio papodehomem.com.br:
Este artigo foi criado na minha conta do Facebook em 26/10/2012. Desde então, foi compartilhado em vários blogs e foi modificado várias vezes. Esta versão é a mais recente.




