Перейти к контенту

Blog do Arretadinho

Full screen Suggest an article

Postagens

апреля 3, 2011 21:00 , by Unknown - | No one following this article yet.
Licensed under CC (by-nc-sa)

República dos Ratos

ноября 15, 2016 12:41, by Blog do Arretadinho

Aos que preparam dias novos

Minha pátria é a dos extremos,
Onde me redijo impotência para mudar.

Sou da pátria de muitas fronteiras,
Onde se convive apartado,
Embora fisicamente juntos.

Minha pátria é imensa e nela tudo cabe,
Multicolorido caleidoscópio
De pessoas e paisagens
Alternando-se em minhas retinas.

Pátria de gente rotulada e à mostra,
Circulando nas ruas e praias,
Como mercadorias expostas
Nas gôndolas dos mercados,
Prontas para o consumo.

Pátria de compulsórios doadores
E ocasionais e poucos receptores
Estabelecendo a lógica do existir,
Terra de poucos príncipes e reis
E de quase todos súditos
Sustentando a corte imperial e antiga.

Pátria de cortiços e senzalas,
De favelas e palafitas, das casas de sapê,
Equilibrando-se nas encostas
Ou boiando nos alagados,
Entre balas perdidas por matadores
E mortes encontradas, sem culpas.

Pátria dos latifúndios, das mansões
E palácios, das intermináveis filas,
Onde se morre na porta do hospital,
Entre micróbios e descaso, a omissão
Como critério seletivo do continuar.

Minha pátria é onde a lei e as penas
São moedas de troca, onde o ladrão,
Incensado pelos louros dos poderes,
Julga e pune a honestidade e o justo.

Pátria dos tributos e tribunos,
Das crianças de dentes cariados,
Sonhando Disneylândias e comida,
Onde a lua, generosa fêmea cósmica,
Se exibe refletida no mar, alheia
Ao drama pátrio no palco dos dias.

Minha pátria se alterna, submissa,
Entre eleições e golpes, escrutínios 
E imposições de tiranos de plantão,
Entre apupos e aplausos, passeatas
Temperadas com spray de pimenta,
Cassetetes e lacrimogênicas raivas.

Minha pátria é onde se arvoram grandes
Os homens que se sabem pequenos
Porque miúdas almas de aluguel,
Servindo a senhorios no exterior,
Onde se morre de miséria e carência
Em minas de ouro e lagos de petróleo.

Minha pátria é o paraíso do perdulário,
Do especulador, do argentário,
Do empedernido corrupto
Locupletando-se no alheio,
Subtraindo sorrisos
E multiplicando carências.

Minha pátria é a das moças baldias
E dos meninos ocupados em vê-las
Nuas, vestidas apenas do improvável
Que as envolve nas calçadas, quentes
Como os seus desejados corpos.

Minha pátria é feita de calos, suor,
Cansaço, diarréias e hemorragias,
De homens automáticos e previsíveis
Curvados a capatazes e feitores,
Comprando milagres nas igrejas
Ou em terapia no televisor.

Minha pátria blinda-se em música,
Onde se dança o desespero
E lamuria em versos a dor de todos.

Inocente e dividida, a minha pátria
Não sabe que dividida espera
Dias novos e novas estações.

Minha pátria é um rastilho de pólvora,
Esperando apenas quem o acenda,
Como prenúncio de grande explosão
Reinaugurando-a pátria nova, 
Coisa nova e de todos,
Onde em confortáveis escolas
As crianças atentas e concentradas,
Bem vestidas e alimentadas,
Ouçam os professores de História
Explicando o que foi um dia
Uma República de Ratos.

Francisco Costa
Rio, 15/11/2016



GDF regula preço de pizza enquanto a Saúde agoniza

ноября 15, 2016 12:26, by Blog do Arretadinho

Procon/DF regula preço de venda de pizza na capital, enquanto a Saúde Pública agoniza
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho

Ao que parece, o Governo do Distrito Federal está mais preocupado com os preços cobrados nas pizzarias da capital, do que com a Saúde Pública.

Enquanto sucateia os hospitais do DF, com falta de profissionais de saúde, medicamentos e equipamentos, além do fechamento de unidades de saúde, como foi feito no Pronto Atendimento Infantil do Hospital Regional do Gama, o governo caloteiro de Brasília regula o preço das pizzas vendidas "meio a meio" nas pizzarias da cidade.

À partir desta terça-feira (15), por determinação do Procon/DF, as pizzas vendidas com dois sabores diferentes não poderão mais ser cobradas pelo valor da pizza mais cara. A pizzaria terá que cobrar a metade do valor de cada pizza.

Por exemplo: se o consumidor pedir uma pizza metade mussarela, que custa R$ 40,00 e metade portuguesa, que custa R$ 50,00, o preço a ser pago será o de R$20,00 (metade do preço da de mussarela) + R$25,00 (metade do preço da portuguesa), total a ser pago de R$ 45,00 e não o de R$50,00 como era feito até então.

Obviamente que essa medida beneficia o consumidor, entretanto, me parece uma regra que é aplicada em lugares onde tudo o mais está funcionando bem, o que não é o caso do DF.

Além da Saúde Pública, o cidadão não está tendo o direito a segurança. Para se ter uma ideia, segundo a SSP/DF, só nesta segunda-feira (14) 10 ônibus foram assaltados na capital, 5 deles próximo ao antigo balão do periquito no Gama.

É necessário que a população do DF se mobilize contra este governo que, além de irresponsável, está se mostrando imoral.



Os ataques aos direitos sociais: a importância de resistir

ноября 15, 2016 10:46, by Blog do Arretadinho

por Valdete Souto Severo

Sentimento de impotência
Há um sentimento de impotência que nos paralisa e que transparece no discurso de pessoas que, mesmo preocupadas diante do que está acontecendo em nosso país, não se sentem em condições de reagir. Estão envolvidas com tarefas do dia a dia, preocupadas em poder pagar suas contas ao final do mês, receosas de despedidas sem qualquer motivação, às voltas com empréstimos bancários determinados pelo atraso sistemático no pagamento de seus salários.

A sociedade não está inerte
Os ataques aos direitos sociais vêm de tantos lados, que parece mesmo impossível resistir. O último dia 09 de novembro provou, uma vez mais, que esse é um pensamento equivocado. O processo em que se discutia a possibilidade de terceirização ampla e irrestrita e, pois, a iminente possibilidade de chancela, por parte do STF, para a destruição da espinha dorsal do Direito do Trabalho, com o peso simbólico e real da repercussão geral, não foi colocado em pauta. Trata-se de resultado de uma luta incessante, feita de pequenos gestos, de muito trabalho, de muito diálogo e de coalisão entre movimentos sociais e associativos, centrais sindicais, estudantes e trabalhadores brasileiros. A sociedade não está inerte. No dia 09, vários atos foram realizados em defesa do Direito do Trabalho. A pauta geral que tem sido identificada pela expressão “nenhum direito a menos” vem unindo cada vez mais as chamadas “forças de esquerda”, e começa a obter alguns resultados.

Há greve geral designada para amanhã, 11/11, e envolve, como nos bons tempos da luta sindical do início do século passado, vários segmentos sociais, unidos pelo objetivo comum de resistir para avançar.

Aliás, é apenas porque a sociedade está alerta e atuante que projetos de lei como o PLC 30 ainda não foram aprovados. Em todas as audiências públicas realizadas para a discussão desse projeto, restou nítida a inconformidade dos mais diferentes setores da sociedade, para com o texto que pretende a ampliação sem freios de uma “técnica” de contratação que não tem outra finalidade do que reduzir custos, retirar responsabilidade e suprimir direitos. Esse movimento de resistência une, em realidade, todos aqueles que estão na luta para que o arremedo de Estado Social conquistado com a Constituição de 1988 não seja completamente desfigurado. E mesmo abafado pelos meios de comunicação da grande mídia, não para de crescer.

A luta contra a PEC 241
São várias as frentes de batalha. Lutar contra a PEC 241 talvez seja o que melhor simboliza a resistência contra esse movimento de desmanche, que poderá implicar, de maneira concreta e real, o fechamento de postos de saúde, a privatização de escolas e hospitais, e o fim da Justiça do Trabalho.

Além de reduzir gastos com educação e reformular o ensino médio, propondo uma aprendizagem direcionada, em que nossos filhos sejam desde cedo “selecionados” para servir ao capital ou ao trabalho, o atual governo pretende legitimar o discurso da privatização, que já vem sendo enunciado há algum tempo. Claro, pois sem recursos não há como manter faculdades, hospitais ou escolas funcionando. O resultado concreto dessa inversão de valores será a redução de um número significativo de pessoas a condições desumanas. Pessoas que não tem o mínimo de condições dignas para existir e que, por consequência, nada tem a perder. Para os quais o Estado simplesmente deixará de existir. Sequer se reconhecem como cidadãos que participam das escolhas políticas da sociedade em que vivem. E realmente estão à margem, enfrentam as filas dos postos sem qualquer atendimento, passam horas em meios de transporte superlotados onde são tratados como animais, temem tornar à casa á noite, porque sabem que não segurança nas ruas. Essa realidade, que – é bem verdade – já existe para muita gente, será potencializada com a drástica redução dos investimentos em áreas essenciais para que não se instale o caos.

PLC 30
O PLC 30, secundado pelos processos que versam sobre terceirização e que estão sendo pautados pelo STF, complementam esse quadro desolador. A permissão para a terceirização ampla e irrestrita, a redução do orçamento da Justiça do trabalho e a ausência de reposição dos quadros de servidores e juízes irá impor, em bem pouco tempo, o fechamento das portas desta Justiça Especializada que, como sabem todos os trabalhadores brasileiros, é o único local em que ainda há espaço para a discussão e a concretização de direitos fundamentais trabalhistas.

Somos responsáveis pelo rumo do país
Essas batalhas parecem maiores do que nós, mas não são. Já enfrentamos a escravidão, e toda a retórica que a defendia; já enfrentamos o Estado Novo e a ditadura militar. Com pequenas vitórias e muita persistência, superamos o discurso do fim da história e, com ela, da Justiça do Trabalho, que imperava na década de 1990. Essa é apenas mais uma etapa a ser vencida. A história não é algo que ocorre lá fora, à revelia da nossa vontade, cada ser humano é responsável pela construção da realidade ao seu redor e é a união, a teimosia, a resistência e a luta que determinarão os rumos dos próximos anos em nosso país.



Valdete Souto SeveroValdete Souto Severo é Articulista do Estado de Direito – Doutora em Direito pela USP/SP, professora e diretora da FEMARGS – Fundação Escola da Magistratura do Trabalho do RS, membro do grupo de pesquisa da USP Trabalho e Capital, Juíza do Trabalho.



Frente de magistrados publica manifesto contra PEC 55

ноября 14, 2016 21:06, by Blog do Arretadinho

Frente de magistrados publica manifesto contra PEC 55: "É injusta, seletiva e inconstitucional"
A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS), em parceria com dezenas de outras entidades, divulgou um manifesto contra a PEC 55/2016, atualmente em tramitação no Senado Federal. 

A proposta que congela gastos públicos e reduz investimentos, por 20 anos, em áreas como Saúde e Educação foi aprovada pela Câmara no último dia 25 e aguarda votação do Senado. Extremamente nociva à classe trabalhadora, estudantil e ao país, a PEC enviada por Michel Temer ao Congresso é alvo de protestos em todo o Brasil.

No documento, os magistrados chamam a atenção para aspectos inconstitucionais da proposta, que descumpre cláusulas pétreas da Constituição ao tentar proibir por emenda que o Poder Legislativo possa legislar acerca do orçamento ao longo de cinco mandatos consecutivos. 

E destaca:

'A PEC 55 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública".

Confira o documento na íntegra: 

Nota Pública – Manifestação contrária à PEC 55/2016 (PEC 241)

A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS) composta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM), Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis-DF), Associação dos Membros do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT), em parceria com a Auditoria Cidadã da Dívida, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Brasil (ANFIP), a União dos Auditores Federais de Controle Externo (AUDITAR), a Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (FEBRAFITE), vêm a público manifestar-se contra a PEC 55/2016, atualmente em tramitação no Senado Federal.

1 – A PEC 55 (PEC 241) COMPROMETE OS DIREITOS SOCIAIS previstos no art. 6º da Constituição ao congelar as despesas primárias, tendo como base o ano de 2016, já marcado por graves cortes orçamentários, atualizando apenas pelo IPCA. Isso prejudicará a prestação dos serviços públicos no país;

2 - A PEC 55 (PEC 241) pretende inserir no texto constitucional um teto para as despesas primárias. Dessa forma, será gerada uma sobra de recursos, que se destinarão às despesas financeiras, cujo maior beneficiado é o setor financeiro. A PEC também viola o art. 167, III, pois limita exclusivamente “a despesa primária total”, destinando todo o restante dos recursos para a dívida pública, sem qualquer teto, limite ou restrição;

3 – A PEC 55 (PEC 241) NÃO CONTROLA OS GASTOS MAIS ABUSIVOS DO BRASIL, pois exclui do congelamento os gastos com a chamada dívida pública, que nunca foi auditada, como determina a Constituição (art. 26 ADCT), e sobre a qual recaem graves indícios de ilegalidade, ilegitimidade e até fraudes. Os gastos com a dívida pública já consomem, anualmente, quase metade do orçamento federal e sequer sabe-se quem são os sigilosos beneficiários desses gastos; 

4 - A PEC 55/2016 PRIVILEGIA OS BANQUEIROS, que lucram extraordinariamente no Brasil. Os juros abusivos, a remuneração da sobra de caixa dos bancos, as operações de swap cambial, os prejuízos do Banco Central e todos os demais privilégios que utilizam o Sistema da Dívida serão beneficiados, enquanto que os investimentos sociais ficarão congelados;

5 - A PEC 55 (PEC 241) COMPROMETE OS DIREITOS SOCIAIS previstos no art. 6º da Constituição ao congelar as despesas primárias, tendo como base o ano de 2016, já marcado por graves cortes orçamentários, atualizando apenas pelo IPCA. A PEC também viola o art. 167, III, pois limita exclusivamente “a despesa primária total”, destinando todo o restante dos recursos para a dívida pública, sem qualquer teto, limite ou restrição;

6 - A PEC 55 (PEC 241) AFRONTA OS OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA REPÚBLICA constantes do art. 3º da Constituição, inviabilizando o direito ao desenvolvimento socioeconômico do país, a erradicação da pobreza, da marginalização e das desigualdades flagrantes que colocam o Brasil na vergonhosa 75ª posição no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), medido pela ONU!;

7 – A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, pois contraria o art. 2º da Constituição Federal (Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário), já que, ao impor um teto fixado unicamente aos interesses do Poder Executivo, viola a independência dos demais Poderes, que terão suas atividades prejudicadas;

8 – A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque viola as cláusulas pétreas estabelecidas no art. 60, § 4º da CF de 88 (§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – (...); II – (...); III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. Não pode o Poder Constituinte Derivado suprimir direitos fundamentais consagrados pelo Constituinte Originário, havendo assim limites fixados no próprio texto constitucional;

9 -  A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque pretende retirar do Poder Legislativo sua prerrogativa de legislar acerca do orçamento, o que deve ser realizado por meio de lei, não sendo a Emenda Constitucional a forma escolhida pelo Constituinte originário;

10 - A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque pretende reduzir a capacidade do Poder Legislativo de legislar acerca do orçamento por cinco legislaturas (vinte anos);

11 – As entidades que assinam este documento contestam a forma escolhida pelo Governo para equilibrar as contas públicas, já que pretende amputar direitos, penalizando uma população numerosa e necessitada;

12 - A PEC 55 (PEC 241) é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública;

13 - A PEC 55 (PEC 241) não enfrenta o cerne do problema econômico, instalado no modelo tributário injusto e regressivo, e baseia-se em falso diagnóstico, identificando uma suposta e inexistente gastança do setor público, em particular em relação às despesas com saúde, educação, previdência e assistência social, responsabilizando-as pelo aumento do déficit público, omitindo-se as efetivas razões, que são os gastos com juros da dívida pública (responsáveis por 80% do déficit nominal), as excessivas renúncias fiscais, o baixo nível de combate à sonegação fiscal, a frustração da receita e o elevado grau de corrupção;

14 – Por fim, deve o Estado Brasileiro cumprir o disposto no art. 3º da Constituição Federal de 1988: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
  
De Brasília, Ruth de Souza, Portal CTB



Atores entram com processo por racismo na internet

ноября 14, 2016 20:55, by Blog do Arretadinho

O casal com a filha Titi (Foto: Reprodução Instagram)
Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank entram com processo judicial por racismo na internet
Os ataques racistas pelas redes sociais crescem em novembro - Mês da Consciência Negra - os ataques racistas pelas redes sociais se acentuam. “Já passou da hora de serem tomadas providências para acabar com as práticas de ódio e violência no país”, diz Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

A vítima da vez é uma garotinha de apenas 2 anos. Titi, a malauiana adotada pelo casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso. O casal prestou queixa na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática no Rio de Janeiro, como informa o jornalista Ancelmo Gois.

Um dos comentários na página do Instragram afirma que "Vcs tinham que adotar uma menina de olhos azuis isso sim iria combinar e não aquela pretinha parece uma macaquinha #lugardepretoénaafrica!!!”.

Para Custódio, o poder público deve assumir sua responsabilidade e “implementar um grande trabalho de educação de toda a sociedade para extirpar de uma vez por todas a chaga do racismo, que envergonha a nação perante o mundo”.

Esse tipo de crime tem sido corrente no país. Mas após o golpe à democracia brasileira vem aumentando substancialmente. Antes ainda, em 2013, Carlinhos Brown e Helena Buarque de Hollanda foram morar em Salvador porque seus filhos foram vítimas de ataques racistas no condomínio onde moravam no Rio de Janeiro.

O mesmo perfil, supostamente falso atacou a cantora paraense Gaby Amarantos. Somente neste ano as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais. "A polícia tem que investigar e punir esses covardes, porque é inaceitável que isso ocorra e nada seja feito", reclama a dirigente da CTB.

A violência não acaba. No ano passado chegou ao conhecimento do público ataques à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo e à atriz Taís Araújo, no mês de novembro. Neste ano, as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais.

“O pior é que as manifestações proliferam e a violência cresce com o assassinato de milhares de jovens negros, pobres e moradores da periferia todos os anos no país”, acentua Custódio. “Vamos organizar grandes atos no Dia da Consciência Negra (20 de novembro) para mostrar que repudiamos o ódio, a discriminação, a desigualdade e a violência”. Inclusive o Mapa da Violência 2016 mostra que os jovens negros são assassinados 2,6 vezes mais do que os brancos.

Contraponto
1ª Marcha do Orgulho Crespo em Curitiba (Foto: Tony Mattoso/PC Curitiba)
Para mostrar que a maioria dos brasileiros e brasileiras querem a igualdade, centenas de negras e negros ocuparam as ruas de Curitiba para a 1ª Marcha do Orgulho Crespo, no sábado (12).

De acordo com a imprensa local , a manifestação ocorreu sem incidentes e os participantes estavam com cartazes com dizeres contra o racismo e a favor da beleza negra.

O objetivo da passeata, segundo os organizadores, foi o de empoderar a mulher negra, que está na base da pirâmide social no país. "As mulheres negras são as que mais sofrem com o racismo e o machismo", finaliza Custódio. 

Portal CTB - Marcos Aurélio Ruy - Foto: Reprodução Instagram