Levante da Paraíba escracha deputado golpista
апреля 22, 2016 20:10![]() |
| Benjamin Maranhão é investigado pelos crimes de corrupção na Operação Sanguessuga / Reprodução/Facebook |
Levante da Paraíba escracha deputado "sanguessuga" que votou sim pelo impeachment
O vice-presidente Michel Temer e outro deputados já havia sido escrachado; a estratégia do grupo é expor atores do golpe
Na manhã desta sexta-feira (22), o Levante Popular da Juventude de João Pessoa, capital da Paraíba, escrachou o deputado federal Benjamin Maranhão (SD). Em seu voto sobre a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na sessão do último domingo (17), Maranhão a chamou de “ladra” e foi um dos poucos a citar supostos crimes de responsabilidade. Os militantes do Levante argumentam que o deputado é investigado pelos crimes de corrupção passiva, de fraude em licitação e de formação de quadrilha relacionados à Operação Sanguessuga, que investiga o desvio de verba destinada à concessão de ambulâncias para municípios brasileiro.
Em 2006, ele foi um dos deputados cuja cassação foi recomendada ao Conselho de Ética da Casa à época por conta das investigações. Então candidato, desistiu de tentar a reeleição ao parlamento, mas, em 2010, voltou à Casa Legislativa.
Segundo Élida Elena, do Levante Popular da Juventude, os nove deputados do estado - Aguinaldo Ribeiro (PP), Efraim Filho (DEM), Hugo Motta (PMDB), Manoel Junior (PMDB), Pedro Cunha Lima (PSDB PB), Rômulo Gouveia (PSD), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB),Wilson Filho (PTB) e Benjamin Maranhão - que votaram pelo impeachmeant “não representam o povo paraibano”.
“Todos eles são investigados por corrupção. Por isso, nós estamos aqui para denunciar e publicizar o papel desses deputados golpistas que querem acabar com o mandato de uma presidenta eleita democraticamente e que não cometeu nenhum crime, ao contrário deles”, afirma. Dilma obteve 64,26% dos votos no estado na eleição de 2014.
Em sua página no Facebook, Maranhão disse lamentar por seus vizinhos “que foram incomodados e pela via pública que foi pichada”. O deputado ainda disse notar um aumento da “intolerância por parte desses movimentos contrários ao impeachment” e disse “temer que isso possa ser revertido em agressões mais sérias”.
Cerca de 40 jovens participaram do ato em frente ao apartamento do deputado, no bairro Altiplano, em João Pessoa, capital paraibana. A estratégia do grupo é deixar claro para a sociedade quem são os atores do golpe.
Na quinta-feira (21), o Levante Popular de São Paulo já havia escrachado o vice-presidente Michel Temer, considerado pela própria presidenta Dilma, um dos principais conspiradores do golpe. A ação fez com que o vice deixasse sua casa no Alto de Pinheiros e voltasse a Brasília por "questão de segurança".
fonte Brasil de Fato
Veja como será o rito do processo do impeachment no Senado
апреля 21, 2016 9:16![]() |
| Foto Joaquim Dantas |
Após receber a resolução da Câmara autorizando a abertura do impeachment e fazer a leitura da denúncia e da autorização da Câmara no Senado, veja abaixo quais serão os passos seguintes do processo de impeachment.
As etapas abaixo foram adotadas em 1992 no impeachment do ex-presidente Fernando Collor e, segundo o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, o Senado deverá seguir o mesmo o roteiro no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff .
O rito usado no Senado no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor foi publicado no Diário Oficial da União no dia 8 de outubro de 1992.
Processo após a Câmara aprovar a admissibilidade do processo de impeachment de acordo com o rito estabelecido em 1992
1. O Senado recebeu a resolução da Câmara dos Deputados que autoriza a abertura do processo
2. Fez a leitura da denúncia popular e da autorização dada pela Câmara dos Deputados no expediente da sessão seguinte
3. Encaminhamento dos documentos a uma Comissão Especial, que deverá ser criada para análise do processo. A comissão deve obedecer ao princípio da proporcionalidade partidária em sua composição
4. Após criada, a Comissão Especial deve se reunir no prazo de 48 horas e eleger seu presidente e relator
5. Parecer da Comissão Especial, a ser emitido no prazo de dez dias, sobre a admissão, ou não, da denúncia
6. Leitura do parecer da comissão em sessão do Senado e publicação do documento no Diário do Congresso Nacional e em material avulso, que será distribuído entre os senadores
7. Inclusão do parecer na ordem do dia da sessão seguinte
8. Discussão e votação nominal do parecer, pelo Plenário do Senado, em um só turno. Se rejeitado, o processo é arquivado e, se aprovado, por maioria simples de votos, a denúncia segue para debate
9. A presidência do Senado é transmitida ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
10. Se a denúncia for considerada objeto de debate, o denunciado (o presidente) é notificado para, no prazo de vinte dias, responder à acusação. Neste momento o processo de impeachment é formalmente instaurado e o presidente é afastado de suas funções por 180 dias.
11. Interrogatório do denunciado pela Comissão. O presidente pode não comparecer ou de não responder às perguntas formuladas
12. Instrução probatória (fase do processo em que se colhe e produz provas) perante a Comissão Especial, com observância do princípio do contraditório. Há a possibilidade de intervenção processual dos denunciantes e do denunciado
13. Possibilidade de oferecimento de alegações finais escritas pelos denunciantes e pelo denunciado. Prazo: quinze dias
14. Parecer da Comissão Especial, a ser emitido no prazo de dez dias, sobre a procedência ou não da acusação. Publicação e distribuição do parecer, com todas as peças que o instruíram, aos senadores. Inclusão do parecer na ordem do dia, dentro de 48 horas, no mínimo, a contar de sua distribuição
15. Discussão e votação nominal do parecer, pelo Plenário do Senado, em um só turno. Se o Senado entender que não procede a acusação, o processo será arquivado. Se o parecer for aprovado, por maioria simples, a acusação é considerada procedente
16. O presidente da República os denunciantes são notificados da decisão
17. Cabe recurso para o presidente do Supremo Tribunal Federal contra deliberações da Comissão Especial em qualquer fase do procedimento. Prazo de interposição, com oferecimento das razões recursais: cinco dias
Fase de julgamento
18. Intimação dos denunciantes da deliberação plenária do Senado. Vista do processo, na Secretaria do Senado, para oferecimento, em 48 horas, do libelo acusatório e da lista de testemunhas
19. Abertura de vista ao denunciado, ou ao seu defensor, para oferecer, em 48 horas, a contrariedade ao libelo e lista de testemunhas
20. Encaminhamento dos autos ao presidente do STF que vai designar data para o julgamento, notificando os denunciantes e o denunciado. Intimação das testemunhas. Intervalo mínimo de dez dias entre a notificação e o julgamento
21. Abertura da sessão de julgamento, sendo chamadas as partes, que poderão comparecer pessoalmente ou por intermédio de seus procuradores.
22. Da sessão de Julgamento, presidida pelo presidente do STF, participarão, como juízes, todos os senadores presentes, com exceção dos que incidirem nas situações de incompatibilidade de natureza jurídico-processual
23. Leitura dos autos do processo. Interrogatório das testemunhas. Possibilidade de contradita, de reinquirição e de acareação das testemunhas, por iniciativa dos denunciantes e do denunciado. Os senadores poderão formular perguntas às testemunhas, sempre por intermédio do presidente do STF
24. Terminada o interrogatório, serão feitos os debates orais, sendo facultadas a réplica e a tréplica entre os denunciantes e o denunciado, pelo prazo que o Presidente do STF estipular.
25. Concluídos os debates, retiram-se as partes do recinto da sessão. Discussão única entre os senadores sobre o objeto da acusação
26. O presidente do STF relata o processo, mediante exposição resumida dos fundamentos da acusação e da defesa, bem assim como indicação dos respectivos elementos de prova
27. Julgamento, em votação nominal, pelos senadores desimpedidos
28. Lavratura da sentença pelo presidente do STF, que será assinada por ele e pelos senadores que tiverem participado do julgamento. Transcrição dessa resolução do Senado em ata e publicação desta no Diário Oficial e no Diário do Congresso Nacional
29. Anúncio imediato da sentença ao denunciado
30. Encerramento do processo
Notas
No rito do processo estabelecido em 1992 foram colocadas ainda algumas notas. Entre os pontos está que a exigência constitucional de dois terços da totalidade dos Senadores limita-se, exclusivamente, à hipótese do Senado condenar o presidente da República. “As demais deliberações do Senado serão tomadas por maioria simples”, diz o texto do rito.
As notas também informam que o presidente do STF funciona como presidente do Senado ao longo de todo o processo e julgamento. “Com relação ao presidente do STF, o texto diz que ele “não discute, não vota e nem julga”. Segundo o rito de 1992, ao presidente do STF cabe somente “exercer a presidência do processo de impeachment do Chefe de Estado”.
As notas trazem ainda que caso os denunciantes não compareçam, “não implicará o adiamento dessa sessão do Senado”.
da Agência Brasil
Luís Borges, neuropediatra
апреля 21, 2016 8:55![]() |
| Foto Reinaldo Rodrigues/Global Imagens |
«A dislexia e o défice de atenção estão muitas vezes ligados. É o meu caso.»
Encurtava as aulas, multiplicava os intervalos, mudava as metas curriculares, dava aos professores mais formação na área das neurociências e garantia aos miúdos mais tempo para brincar. Se pudesse, o neuropediatra Luís Borges mudava a escola. E medicava muito menos.
Via noticiasmagazine.pt
sem tradução
Ainda existem «bichos-carpinteiros» e «cabeças-no-ar»?
Sempre existiram e sempre existirão. A perturbação da hiperatividade e défice de atenção [PHDA] tem uma base genética: as crianças herdam dos pais os genes que vão condicionar este tipo de comportamento. O que acontece é que, depois, o ambiente pode facilitar ou dificultar o aparecimento dos sintomas – a hiperatividade, a impulsividade e/ou défice de atenção.
A hiperatividade traz sempre associado um défice de atenção?
Julgo que sim, só que na criança mais pequena, que parece ter pilhas Duracell, o que chama mais a atenção é a hiperatividade. Mas com a idade isso vai melhorando. A hiperatividade é o primeiro sintoma a desaparecer, e fica a impulsividade e o défice de atenção.
E o contrário pode acontecer? Um miúdo pode ter apenas défice de atenção, sem nunca ter sido hiperativo?
Essa é a face mais desconhecida da PHDA, mas que na realidade corresponde de 20 a 25 por cento dos casos. São crianças que são até hipoativas, digamos assim, mas que têm défice de atenção. Chamam-lhes day dreamer ou criança sonhadora. Na sala de aula, estão lá, mas não estão. São situações mais complexas e para as quais é preciso alertar pais e professores. Desde logo, porque são crianças socialmente mais tímidas, com maior tendência para o isolamento, para a ansiedade e até a depressão. E depois, porque, estão quietinhas e não perturbam, o problema passa despercebido, muitas vezes só é detetado mais tarde.
… quando surgem os problemas de aprendizagem.
Sim. Sempre que uma criança tem fracos resultados escolares, é preciso saber porquê. Pode ter um certo atraso no desenvolvimento, mas a maior parte das vezes tem na verdade problemas de outra ordem, como os do défice de atenção ou as dislexias.
Com que idade chegam os miúdos às suas consultas?
Os hiperativos, por norma, começam a ter problemas no primeiro ano da escola. Até lá, apesar de serem crianças muito ativas, passam muitas vezes despercebidas. Os problemas surgem quando têm de estar sentados a uma secretária das 09h00 às 17h30…
Passam tempo de mais na escola?
Sim. Dizem-me: «Ah, mas a partir das 15h00 são atividades extracurriculares…» É mais do mesmo. Os professores de Música e de Inglês também lhes exigem que estejam com atenção e vão avaliá-los no final. A PHDA tem uma base genética, mas ter começado a exigir-se demasiado dos mecanismos da atenção não ajuda. Eu até acharia bem que a escola retivesse as crianças até às 17h30, porque isso facilita a vida dos pais. Mas esse tempo deveria ser preenchido com tempos livres. Ter um animador na escola e permitir que a criança jogasse à bola, brincasse, fizesse teatro, cantasse… o que lhe apetecesse. Não sou contra a Música ou o Inglês. Mas das 09h30 às 15h30 a criança devia ter tempo para todas estas aprendizagens, curriculares e extracurriculares. Como não sou contra os trabalhos de casa, mas acho que são de mais e podiam ser substituídos por atividades de leitura. As crianças precisam de brincar – e não têm tempo para isso.
Seria preciso mudar a própria escola.
Há algumas coisas que não têm que ver com a escola. Uma delas é o sono: as crianças devem dormir nove a dez horas por noite. Uma criança que dorme pouco tem dificuldade em concentrar-se e grande parte da nossa memória de longo prazo é feita durante o sono. Depois, há o desporto: a atividade motora liberta substâncias que relaxam, o que vai facilitar a aprendizagem. E há outra coisa importante: o uso exagerado dos tablets e dos telemóveis. Porque a atenção que se usa num jogo de computador é totalmente diferente da que se utiliza para ler e compreender um texto, e as crianças vão habituar-se àquele tipo de atenção… Tudo isso, eu digo aos pais. Mas sim, seria sobretudo importante mudar escola, mudar os programas, aliviar os professores da pressão das metas curriculares… Aos seis anos, é o currículo que deve encaixar na criança e não o contrário.
O que está errado nos programas e nas metas do 1º ciclo?
A velocidade com que as crianças têm de dominar a leitura, por exemplo. Os dois primeiros anos devem ser para aprender a ler. Para depois a criança poder passar a ler automaticamente e a compreender. Mas não. Se ao fim do primeiro ano o miúdo não está a ler vai começar a ter problemas e começa o seu insucesso. E depois a exigência da matemática, do cálculo… Nós aprendíamos coisas no sexto ano que hoje são dadas no quarto e o cérebro dos miúdos não melhorou de um dia para o outro. Há coisas que não estão de acordo com as capacidades das crianças. Eles conseguem, mas com grande esforço, grande stress e sem alegria. Ao nível do cérebro, quando a criança faz uma conta bem feita e tem sucesso, é libertada uma substância que gera bem-estar, a dopamina. Já o insucesso liberta as hormonas de stress, a adrenalina, que muitas vezes bloqueiam a capacidade de raciocínio. Se a criança tem medo de errar, não está em boas condições para aprender. Depois, o stress acumula-se e a motivação que é o motor para aprender não existe, a escola torna-se «uma seca».
É isso que vê nos miúdos que chegam à consulta?
Sim, miúdos stressados, muitos com problemas de sono, que muito frequentemente choram para ir para a escola, com medo de falhar… Nas crianças com PHDA isso acontece muito. Até porque outra coisa que tem que ver com os défices de atenção, que não está nas classificações internacionais, mas que devia estar, é a parte emocional. São miúdos emocionalmente frágeis, que lidam mal com a frustração, com as emoções – e muitas vezes com problemas sociais. Os colegas não os suportam porque, mesmo nas brincadeiras, não se pode contar com eles. Estão à baliza e quando o outro chuta, eles estão pendurados na trave… Querem corresponder às expetativas dos outros, mas não conseguem.
E por é que não conseguem?
No nosso sistema nervoso, aquilo a que chamamos a função executiva – que nos permite organizar, planear, executar e monitorizar o que fazemos durante o dia –, começa a desenvolver-se lentamente, amadurece e está na sua plena funcionalidade por volta dos 20 anos. E nessas crianças, o que acontece é que essa função está desenvolver-se mais lentamente, às vezes com três ou quatro anos de diferença em relação ao padrão.
Quais são as implicações práticas da imaturidade dessa parte do cérebro?
O sistema que regula as atividades que fazemos no dia-a-dia, que é o que nos permite falar enquanto conduzimos, de forma automática, por exemplo, não está a funcionar. E isso faz que falhe a autorregulação – o professor tem de lhe dizer 20 vezes para se virar para a frente. Além disso, implica com aquilo a que chamamos memória de trabalho, ou de curto prazo. Se o professor disser: «Agora abram o livro na página 23 e vão à linha nº 14 procurar quantos verbos estão no infinito…», o miúdo com défice de atenção ficou com a primeira informação, o resto já se apagou. Ele não consegue pôr na memória de trabalho essa informação toda. O professor tem de dizer-lhe o número da página, deixá-lo abrir o livro, depois indicar-lhe a linha, esperar que a encontre, e só depois explicar o resto.
Porquê?
Os miúdos com PHDA ou dislexia têm uma memória de trabalho curta. Se lhes for dado um problema de matemática, em que eles têm de primeiramente somar, para depois subtrair e dividir, eles têm de o fazer por partes. Se lerem o enunciado todo de seguida, ficam completamente perdidos… e vão responder à primeira coisa que lhes vier à cabeça. A memória de trabalho é fundamental para a aprendizagem – e fala-se muito pouco sobre isso. Os professores deviam ter mais conhecimentos sobre neurociências e a sua importâncianos processos de aprendizagem.
O sistema agrava o problema das crianças com PHDA, é isso?
O problema da PHDA tem uma base genética. Ou seja, mesmo que tudo isto fosse melhorado, continuaria a haver défice de atenção. Mas seriam menos os casos, porque se estaria a respeitar mais o ritmo de amadurecimento das estruturas cerebrais – e, muito provavelmente, haveria também menos crianças medicadas. Porque hoje em dia é fácil: a criança mexe-se muito, a professora já sabe que há um comprimido que faz que ele fique quieto, insiste com os pais… e os médicos acabam por entrar nesse jogo. Eu próprio faço isso.
Medica-se de mais para a PHDA?
Pela falta de conhecimento do que é a PHDA e de como se pode ajudar as crianças desde cedo a melhorar, medica-se demasiado, não tenho dúvida nenhuma. Se a escola não exigisse tanto, se a criança não estivesse tanto tempo na sala de aula, se pudesse ir mais vezes ao recreio, se tivesse períodos mais curtos de atenção, provavelmente as coisas podiam funcionar melhor… mas isso não acontece. E aí ficamos sem alternativa, porque ou se medica aquela criança ou ela vai ter insucesso escolar.
É uma decisão difícil…
Como os défices de atenção são uma epidemia nacional, eu acho que o assunto devia ser mais debatido e só se devia medicar mediante critérios bem definidos. Mas é preciso dizer que estamos a falar de uma medicação que em 80 por cento dos casos é eficaz e que é bem tolerada, sem efeitos colaterais. Eu próprio a tomo, aos 78 anos, todos os dias.
Utiliza o seu exemplo quando fala com os pais e com os miúdos em consulta?
A dislexia e o défice de atenção estão ligados muito frequentemente, há uma percentagem grande de crianças que têm os dois problemas – e é o meu caso. Fiz o meu próprio diagnóstico a posteriori. Quando era miúdo, o que havia era «bichos-carpinteiros» e eu era um «cabeça-no-ar». Sofri o estigma… Perdi dois anos no primeiro ano da escola primária e só à terceira é que passei. Depois, mais tarde, já na faculdade, voltei a ter problemas com a anatomia, com os nomes em latim… Conto muitas vezes isto, sobretudo aos miúdos, para eles perceberem que «o doutor», que chegou a médico e foi diretor de um serviço no hospital e essas coisas todas, perdeu anos na escola. Digo-lhes que acreditei sempre – «Eu sou capaz de chegar lá, porque sou inteligente.» E explico-lhes que é isso que eles têm de fazer, que o importante é ter confiança de que se vai conseguir.
No seu caso, o défice de atenção permaneceu na idade adulta.
A PHDA nem sempre desaparece. Afeta nove por cento das crianças, oito por cento dos adolescentes e quatro por cento dos adultos.
Isso significa que também medica alguns pais?
Frequentemente, cada vez mais. Lembro-me de um pai que estava sentado com o filho e às tantas pediu para se levantar, deu uma volta à secretária, sentou-se, depois levantou-se outra vez e encostou-se à parede. E eu a ver toda aquela atividade… Acabou por perguntar se eu não achava que a medicação lhe faria bem a ele também e eu disse-lhe: «Tenho quase a certeza que sim.» O pai tinha défice de atenção e era um pouco hiperativo. A mãe sabia. Até já tinha deixado cair…: «Senhor doutor… tal pai, tal filho!»
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| Foto Reinaldo Rodrigues/Global Imagens |
LUÍS BORGES
Tem 78 anos, é neuropediatra, preside à Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP) e continua ligado ao Hospital Pediátrico de Coimbra, instituição que lhe prestou homenagem dando o seu nome ao Centro de Desenvolvimento da Criança. Tornou-se uma referência na área das dislexias e PHDA, mas nas consultas os miúdos ouvem também outra história: «o doutor» tem défice de atenção até hoje e, por causa da dislexia, chumbou no primeiro ano da escola
Apenas 36 deputados do impeachment se elegeram com seus próprios votos
апреля 21, 2016 5:00![]() |
| Circo do impeachment |
O esforço da Agência Câmara para esconder que apenas 36 deputados do impeachment se elegeram com seus próprios votos.
Por Leandro Fortes
no DCM
No dia seguinte à pantagruélica votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, uma reportagem feita pela Agência Câmara, em 7 de outubro de 2014, começou a circular freneticamente pelas redes sociais.
Assinada pela repórter Lara Hage, a matéria tinha o seguinte título:
“Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos”
Era, portanto, o argumento lógico e matemático a explicar o circo de horrores onde se revezaram aquelas caricaturas políticas que, entre surtos de fanatismo religioso e espasmos de cretinice, fizeram do Brasil uma triste piada internacional.
A abertura da matéria, disseminada por milhares de perfis, sites e blogs internet afora, era assim:
“Apenas 36 dos 513 deputados federais que vão compor a Câmara na próxima legislatura (2015-2018) alcançaram o quociente eleitoral com seus próprios votos. Desses, 11 são parentes de políticos tradicionais em seus estados. Os outros 477 eleitos foram “puxados” por votos dados à legenda ou a outros candidatos de seu partido ou coligação. O número é o mesmo de 2010, quando também houve apenas 36 deputados eleitos com votação própria”.
Não demorou muito para a turma do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) perceber o estrago extra provocado pela matéria na já combalida imagem da votação do impeachment – rapidamente traduzida como “golpe” pela imprensa estrangeira.
Na terça-feira, 19 de abril, portanto, dois dias depois da votação, a direção da Agência Câmara aventurou-se no inimaginável: adulterou o título e o texto da matéria para tentar estancar a disseminação da informação original nas redes sociais.
Como na fase mais aguda do regime de Josef Stálin, a Agência Câmara decidiu dar sumiço em uma informação depois de ela ter se tornado inconveniente, da mesma maneira que o antigo líder soviético fazia com dissidentes em fotos oficiais.
O nome da autora da matéria, aliás, também foi apagado do texto.
Assim, o título “Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos” transformou-se na seguinte pérola:
“Eleição para a Câmara dos Deputados segue o modelo proporcional previsto na Constituição”.
Mas o ridículo não para por aí.
A informação sobre os 36 deputados eleitos desapareceu completamente do texto que, para a incredulidade geral, foi editado como se o responsável pelo arranjo ainda estivesse em 2014!
A abertura da matéria, depois de editada, virou essa maravilha da subliteratura parlamentar:
“Os deputados federais que vão compor a Câmara na legislatura de 2015 a 2019 foram eleitos pelo sistema proporcional previsto na Constituição brasileira. Nas eleições proporcionais, primeiramente verifica-se quais foram as coligações partidárias que receberam mais votos: o total de cadeiras na Câmara – 513 – é, então, dividido proporcionalmente entre essas coligações. As vagas de cada coligação são distribuídas para os candidatos mais bem votados dentro de cada uma delas. E todos os 513 deputados eleitos têm a mesma legitimidade em seus mandatos”.
Um primor de texto. Jornalismo em estado puro!
Incrivelmente, foi mantida a data da matéria – 7 de outubro de 2014 – para que o texto original jamais pudesse ser acessado outra vez pelos arquivos da Agência Câmara. Esse tipo de artimanha na internet, no entanto, exige um nível de profissionalismo que, certamente, o adulterador sob o comando de Cunha não tem.
Isso porque o texto foi alterado, mas a URL (no caso, o endereço de hospedagem na internet) não tem como ser mexido. Assim, adivinhem onde aparece o título que os sábios da Agência Câmara tentaram esconder?
Aqui, ó: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/475535-APENAS-36-DEPUTADOS-SE-ELEGERAM-COM-SEUS-PROPRIOS-VOTOS.html
Mas, calma, não acabou ainda.
Além de adulterar o texto da matéria, a turma de Cunha também suprimiu da publicação original um quadro pelo qual era possível ao leitor localizar os nomes dos 36 deputados eleitos.
O link, no entanto, pode ser recuperado aqui: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/imagens/imgNoticiaUpload1412701605642.jpg
A justificativa da direção da Agência Câmara para a adulteração da reportagem, um ano e meio depois de o texto ter sido publicado no site oficial da Câmara dos Deputados, é o retrato definitivo da desonestidade intelectual aplicada ao jornalismo.
Segundo o desconhecido editor da obra-prima, a matéria foi atualizada “para garantir uma explicação correta do funcionamento do sistema de eleição proporcional no Brasil”.
Isso porque “ao contrário do que dizia o texto anterior, não foi apenas um determinado número de deputados que se elegeu com os seus próprios votos. Todos os deputados são eleitos com os seus próprios votos dentro das regras do sistema proporcional. Portanto, todos os deputados têm a mesma legitimidade nos seus mandatos”.
Esqueçam o cinismo.
Concentrem-se na curiosidade de a direção da Agência Câmara só ter se dado conta da sagrada legitimidade de todos os deputados com 18 meses de atraso – e justamente depois daquela tertúlia verde e amarela que pode, vejam vocês, resultar na anistia de Eduardo Cunha, esse probo parlamentar acusado de manter contas na Suíça para receber propinas parceladas.
A propósito, o editor-chefe da Agência Câmara, acreditem, é um jornalista e se chama João Pitella Junior.
Traidor da Constituição é traidor da Pátria
апреля 21, 2016 4:30No momento em que os brasileiros reverenciam a figura heroica de Tiradentes, em data consagrada do dia 21 abril, não podemos deixar jamais que a Constituição de nosso país seja rasgada e vilipendiada pelos traidores da pátria que querem usurpar do poder de uma presidenta legitimamente eleita pelo povo.
Por Carlos Décimo
no PCdoBDF
Não podemos deixar que fascistas e antipatriotas que pregam o ódio maculem a democracia em nosso país. A direita brasileira, os neoliberais e os fascistas nunca defenderam o Brasil nem antes, nem agora. Ulysses Guimarães, disse quando da promulgação da Constituição em 1988: “A constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar sim, divergir sim, descumprir jamais. Afrontá-la nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria”.
Outro ilustre brasileiro, jornalista Barbosa Lima Sobrinho afirmava com muita convicção e clareza, que no Brasil só existiam dois partidos políticos: O dos heróis, representados por Tiradentes e o dos seguidores do traidor Joaquim Silvério dos Reis.
A bandeira empunhada pelos golpistas nas ruas é a bandeira de Silvério dos Reis, não é, e nunca será a bandeira de Tiradentes. A bandeira empunhada pelos traidores é a do retrocesso, da perda de direitos dos trabalhadores, da entrega de nossas riquezas como o pré-sal e o fim da soberania nacional.
Eles querem o golpe para retirar os direitos conquistados pelos trabalhadores. Eles querem o golpe para retirar os direitos conquistados pelas mulheres. Eles querem o golpe para retirar os direitos dos estudantes. Eles querem o golpe para entregar a Petrobras e o pré-sal ao capital estrangeiro.
A bandeira empunhada pelos traidores da pátria, não é, e nunca será a bandeira dos pracinhas da Força Aérea Brasileira (FAB) que fincaram a bandeira da liberdade e da democracia no combate aos nazifascistas em solo italiano.
O conluio de Cunha e Michel Temer mostra bem a cara da traição. Como disse a Presidenta Dilma, eles ficarão conhecidos como golpistas e traidores da história da democracia brasileira. O nosso povo não suporta traição, não gosta de traição, muito menos a orquestrada por um vice-presidente.
Ao reverenciar a figura de Tiradentes que simboliza a nossa Independência, a nossa Liberdade e a nossa Democracia, reafirmamos o compromisso de lutar contra os traidores da pátria e pela defesa intransigente da nossa Constituição, contra o golpe que se avizinha sorrateiramente.
Mas, se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta.
Fascistas e traidores não passarão!
Viva Tiradentes! Viva a Democracia! Viva o Brasil!
Carlos Décimo é Engenheiro de Pesca e Secretário de Organização PCdoB do DF





