Em mais um surto, PSDB pede a extinção do PT à Justiça Eleitoral
января 21, 2016 11:44![]() |
| Líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) |
Assim como tentaram pedir auditoria das urnas com base em boatos nas redes sociais, o PSDB protocolou nesta quarta-feira (20), na Procuradoria-Geral Eleitoral, uma representação na qual pede a extinção do Partido dos Trabalhadores, o PT.
Com base em depoimento vazado pela grande imprensa e consumado pelo inconformismo da derrota nas urnas, o PSDB pede que seja investigada a documentação que teria sido entregue pelo ex-diretor da Àrea Internacional da Petrobras Nestor Cerveró à Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato.
A petição é baseada no vazamento de suposta delação premiada de Cerveró em que ele teria dito que na campanha à reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, recebeu R$ 50 milhões em propina, resultado de uma negociação para a compra de US$ 300 milhões em blocos de petróleo na África, em 2005. Trata-se do depoimento que Cerveró fez antes de fechar o acordo de delação, em que ele afirma Manuel Domingos Vicente, que presidiu o Conselho de Administração da estatal petrolífera angolana (Sonangol), teria dito tal informação a ele.
Ainda sobre esses depoimentos que antecederam o acordo de delação premiada, o jornal Valor Econômico publicou matéria para dizer que Cerveró desdisse boa parte do que havia dito quando concedeu o depoimento oficial da delação.
Mas isso não importa para os tucanos, que tratam o “eu acho”, “eu acredito” e “me disseram” de Cerveró como fato. “Esse é um crime que não tem sua prescrição prevista em lei. O que está em jogo não é o ex-presidente Lula, mas sim o recebimento por parte do Partido dos Trabalhadores de recursos do exterior”, bravateou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio.
“Qual consequência disso? É a extinção do partido, porque ele perde o registro, portanto, independentemente do que vá acontecer com o ex-presidente Lula, a consequência é direta para o seu partido, o Partido dos Trabalhadores”, completou Sampaio.
Os tucanos seguem o mesmo caminho que os levaram a pedir uma auditoria das urnas, baseando-se nos boatos das redes sociais. A ação também foi assinada por Sampaio, que é o coordenador Jurídico Nacional do PSDB. O pedido foi negado pelo TSE, que criticou a ação classificando-a como um desserviço à democracia.
“Se diz comunista, mas usa Iphone”
января 21, 2016 11:39Comunica TudoHistória do telefone celular, curiosa e desconhecida, tem um aspecto desconcertante: ao contrário do que se pensa, ele foi inventado na União Soviética…
do http://controversia.com.br/
“Diz que é comunista mas usa um Iphone!”. Quem nunca escutou esta frase, geralmente em tom histérico ou irônico, deste ou daquele direitista ignorante metido a conhecedor da história e da obra de Marx? A revelação que fará este artigo deixará a muitos puxa-sacos dos capitalistas inquietos, talvez até irritados. Certamente, ao usar um clichê tão ridículo, eles ignoram que uma invenção que estão acostumados a usar foi concebida originalmente em um país socialista.
Segundo a lenda, “o primeiro telefone celular foi inventado nos EUA”. Ela insiste em que em 3 de abril de 1973, o diretor da companhia Motorola, Martin Kutcher, apresentou em Manhattan um dispositivo de telefonia móvel em uma exposição. Até 1979, a Travel Eletronics não passaria a comercializá-lo. Pesava quase 1 kg e seu valor era de aproximadamente uns $3700,00. O custo da conexão era de 24 a 40 centavos por minuto.
Qualquer um que busque algo relacionado com o nome de Leonid Ivanovich Kupriyanovich se dará conta de que apenas sabe uma parte da história. O inventor comunista russo era um famoso engenheiro, conhecido por suas invenções na área de comunicação. Em 1955, publicou em uma revista científica para amantes do rádio uma descrição de seu aparato walkie-talkie, capaz de fazer conexões de até 1,5 km de distância. Pesava cerca de 1,2 kg e funcionava com dois tubos de vácuo.
Em 1957 apresentou a mesma versão de seu walkie-talkie, mas desta vez com um alcance de 2 km de distância e com um peso de 50 gramas. Mas o engenheiro comunista não se deteve aí, no mesmo ano apresentou o LK-1, um telefone celular que usava ondas de rádio, tinha um alcance de 20 a 30 km de distância e uma bateria que durava de 20 a 30 horas. O dispositivo manual pesava cerca de 3 kg e dependia de uma estação. Segundo Leonid Ivanovich, a estação podia servir a vários clientes ao mesmo tempo. O inventor soviético patenteou seu telefone celular em 1957 (Certificado nº115494, 1.11.1957). Em 1958, no instituto de investigação Científica de Voronej (VNIIS), Kupriyanovich começou a busca por um sistema próprio de comunicação móvel. Suas descobertas científicas eram constantemente publicados na revista mais famosa sobre tecnologia editada na União Soviética, a “Nauza i Jizn” (Ciência e Vida).
Em 1958, Leonid Kupriyanovich foi mais além, encolhendo sua invenção a um tamanho suficientemente pequeno para levar no bolso. O aparato do engenheiro comunista não só permitia fazer conexões como também recebê-las de telefones residenciais e de cabines telefônicas. Tinha aproximadamente o tamanho de um pacote de cigarro, como a maioria dos telefones celulares atuais.
Kupriyanov experimenta o seu LK-1 enquanto lê um livro em um carro
Em 1961, o engenheiro comunista da União Soviética desenvolveu um dispositivo ainda menor, que cabia na palma da mão e tinha um alcance de mais de 30 km. No mesmo ano foi planejada a fabricação deste objeto em grande escala, segundo uma entrevista dada por Leonid à agência de notícias APN. O inventor também falou sobre o plano de construir estações de telefonia móvel.
Celulares nas décadas de 50 e posteriores na URSS, compatíveis com uma capa ou terno
O primeiro dispositivo de telefonia móvel nacional acabou sendo o “Altay”, distribuído comercialmente a partir de 1963, e em 1970 já estava presente em mais de 114 cidades da URSS. Muitos de seus dispositivos foram inicialmente empregados pelo mundo médico, em hospitais e depois por taxis no país. O sistema foi usado em países do Leste Europeu como Bulgária e exibido na exposição internacional Inforga-65.
Então, da próxima vez que vier alguém dizendo isso de que “um comunista de verdade não usa telefone celular” ou que “o Iphone é capitalista”, faça o favor de lembrá ao pobre ignorante que a invenção que usa foi criada pelo comunista Leonid Ivanovich Kupriyanovich e que se criou na URSS e não nos EUA. Sua patente é uma prova disso.
Estes argumentos escatológicos são facilmente refutados com investigação e leitura, com o conhecimento dos clássicos do marxismo-leninismo, que revelam que seus mestre sempre se mostraram favoráveis à tecnologia. Karl Marx escreveu na “Crítica ao programa de Gotha” que era necessário que os trabalhadores desfrutassem de conforto material no socialismo. Marx e Engels eram entusiastas do progresso industrial, mas condenaram os métodos pelos quais foi alcançado. Lenin era um entusiasta da tecnologia, e em sua obra política enfatiza que o comunismo dependeria do poder soviético mais a eletrificação de todo o país ( a eletricidade era, então, talvez a mais avançada forma de tecnologia humana em sua época). A era de Stalin permitiu ao homem e à mulher soviético(a) dominar a força que gera o sol, a energia nuclear. Che Guevara, aluno deste último, costumava apresentar a democratização da tecnologia como uma das definições do socialismo. Logo, longe de ser proibido ao operário ter um Ipad ou um Iphone, este pode ficar com a consciência tranquila de que é plenamente comunista levar um telefone celular (especialmente se tiver um fundo de tela comunista para irritar aos anticomunistas), uma invenção de um gênio comunista soviético que facilita e dinamiza as telecomunicações.
Fontes de pesquisa:
– Muzey Oborony Mozga (Museo de la defensa del cerebro). El teléfono soviético de Kupriyanov. Disponible en: http://brainexpo.livejournal.com/8873.html
– El primer teléfono móvil del mundo. Artículo de la página web “Rossii”. Disponible en: http://www.opoccuu.com/pervyj-mobilnik.htm
– El 9 de abril de 1957, na URSS, fue construido el primer telefóno móvil del mundo. Artículo de la página web “Za russkoe”. Disponible en: http://www.zrd.spb.ru/news/2013-01/news-0286.htm- WIKIPEDIA. Artículo biográfico de Leonid Ivanovich Kupriyanovich. Disponible en: http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%9A%D1%83%D0%BF%D1%80%D0%
http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/se-diz-comunista-mas-usa-iphone/?utm_campaign=shareaholic&utm_medium=facebook&utm_source=socialnetwork
Lula: Não permitirei que destruam o projeto de inclusão que começamos
января 21, 2016 11:32| Ex-presidente Lula / Arquivo Foto Joaquim Dantas |
Em entrevista coletiva a jornalistas blogueiros, nesta quarta-feira (20) no Instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu compromisso com o país e disse: “Não vou permitir que ninguém destrua o projeto de inclusão social que nós começamos a fazer em janeiro de 2003”.
Para o ex-presidente é isso de fato o que incomoda a elite conservadora. “Eles não vão destruir esse projeto, porque esse povo aprendeu a conquistar coisas. Esse povo aprendeu que pobre não nasceu pobre, ele ficou pobre por conta do sistema que existe nesse país”, enfatizou. E acrescentou: “Embora a gente governe pra todos, nós temos lado! E a gente tem que mostrar que tem lado! Temos que defender a inclusão social”.
Numa conversa franca e objetiva, Lula abordou diversos assuntos da conjuntura política e econômica. O ex-presidente repeliu as manobras da oposição tucana na tentativa de dar um golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff por meio do impeachment. “Os democratas não podem se conformar com essa tentativa de golpe explícito. Democracia é coisa séria que a gente não pode brincar. Toda vez que tentam brincar com a democracia houve um golpe. Eles brincam com a democracia negando a política”, afirmou.
Ainda sobre o conflito de classe, Lula afirmou que a elite, mesmo ganhando o dinheiro que ganhou, “não aceita” a ascensão social da população. “Aqui no Brasil é visível o ódio por causa do aumento para empregadas domésticas. É visível a bronca porque pobre anda de avião”, afirmou. “Tento tratar isso democraticamente, mas permitir que a direita faça o discurso fascista que faz”, disse.
Sobre a política econômica, Lula afirmou que acredita que a presidenta Dilma vai ser mais ousada, pois um momento de crise permite que se faça tudo aquilo que não faria em um período de normalidade. “O Brasil vai voltar a crescer, vai melhorar, voltar a gerar emprego e a gerar esperança”, disse.
Para Lula, o governo precisa criar condições para a retomada do crescimento, com controle da inflação e aumento da geração de emprego. “O emprego deve ser uma obsessão para nós, e a inflação não pode avançar. Quem perde é o trabalhador, quem ganha são os especuladores. Precisamos continuar investindo em inovação para o país se transformar num país que tenha ascendência mundial”, afirmou.
Lula resgatou que durante a crise de 2008, o governo colocou R$ 100 bilhões do Tesouro para financiar o desenvolvimento. “Na primeira levada que colocamos, os bancos privados não criaram crédito a partir dos títulos do Tesouro. Então fomos com os bancos públicos, compramos o Banco Votorantim para financiar carro, o Bradesco tinha parado de financiar motocicleta e nós fizemos o financiamento para motocicleta nos bancos públicos”, destacou.
Para ele, o momento é de aquecer a economia ofertando crédito às 14 milhões de microempresas e pequenas empresas e toda a cadeia produtiva. “Isso tem de ser feito com mais rapidez. Tem de ter uma política de financiamento de infraestrutura com mais rapidez, e do consumo. Se não tem consumo, ninguém investe. Poderia se tentar ver como está o crédito consignado e fazer uma forte política de crédito consignado, acertado com o movimento sindical e os empresários”, opinou.
“Infraestrutura é central, não apenas ferrovias, mas muitas coisas que você precisa investir. Eu se fosse a Dilma, fazia como os russos: chamava a China e pactuava um grande projeto de investimentos e dava como garantia o petróleo. Eles precisam e nós temos”, lembrou.
Quanto pior melhor
Lula também repeliu a política do quanto pior melhor da oposição tucana. “Acredito que o povo brasileiro precisa repudiar de forma veemente todas aquelas pessoas que trabalham para atrapalhar o desempenho do Brasil, pois na verdade não estão prejudicando o governo, quem sofre é o povo mais necessitado deste país”, afirmou o ex-presidente.
Lula também falou sobre o comportamento da imprensa que tem atuado como partido da oposição. “Admito a politização porque eles têm lado, mas não admito mentira na informação”, disse ele, informando que, diferentemente de outros momentos, vai acionar a Justiça. “Infelizmente, não existe outro jeito, por isso, daqui pra frente vou processar para ver se consigo colocar ordem na casa”, destacou.
“A minha língua está felina outra vez. É a única coisa que tenho para defender a minha honra, o meu caráter e o legado que nós construímos nesse país”, completou.
Sobre a Lava Jato e a campanha de difamação promovida contra ele, Lula classificou de uma verdadeira “execração pública”, mesmo não sendo um dos investigados. “Não existe nenhuma ação penal contra mim. O próprio Moro [juiz responsável pela Lava Jato] já disse que não sou investigado”, lembrou.
O ex-presidente disse também que não há nenhuma possibilidade de uma ação penal ser aberta contra ele, a não ser que a direita conservadora “cometa uma violência democrática”.
"Eles querem chegar no Lula. Eu tenho endereço fixo, todo mundo sabe onde eu moro. Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido”, disse Lula.
Mentiras
Ele também comentou as ilações de que ele cometeu “jogo de influência” a favor de empresas brasileiras no exterior. “As pessoas deveriam me agradecer porque o papel de qualquer presidente quando viaja é tentar vender serviços de seu país. Essa é a coisa mais normal. Tem uma tese de que o Lula faz jogo de influência. Como se o papel do presidente da República fosse ser uma vaca de presépio”, declarou.
Disse ainda que a imprensa “condena” antes de a Justiça tomar uma posição e que a corrupção na Petrobras é anterior ao seu governo. “Sabe o que é engraçado? Os funcionários envolvidos na corrupção na Petrobras têm 30 anos de carreira. Não houve uma denúncia do MP, da PF... Não houve um presidente que foi mais à Petrobras do que eu.”
Lula ressaltou que as investigações são necessárias e devem apurar os esquemas de corrupção no país. Lembrou que tais operações são possíveis porque desde 2003 foram criados os mecanismos para que nada fosse jogado “embaixo do tapete”.
“Esse processo existe na magnitude que existe porque o governo criou condições para apurações... Dilma vai ser reconhecida por isso”, completou.
Pauta da Dilma
Lula também falou que a presidenta Dilma é vítima diariamente dessa mídia oposicionista. Citou como exemplo a medida tomada por Dilma de manter a política de valorização do salário mínimo, do aumento dos aposentados e garantia do reajuste do piso nacional dos professores. “A imprensa disse que Dilma dá que não tem, quando ela fez o que deve ser feito. Não é o pobre que vai pagar pela crise. E a Dilma está certa. Temos que fazer a economia voltar a crescer. Temos que fazer a coisa mais combinada com o nosso povo, embora a gente governe para todos, nós temos lado e a passeata do dia 16 de dezembro disse a ela: vai à luta, que nós estamos do seu lado”, destacou.
Lula defendeu que a presidenta Dilma deve ter a consciência “de que é ela quem deve fazer a pauta” do governo e não deixar que a imprensa dite a pauta como faz com os vazamentos seletivos toda semana. Ele também disse que Dilma deve viajar pelo país e brincou: “Não tem essa de que vão bater panela. Quem quiser bater panela que bata. É bom porque vão comprar mais panelas”.
O ex-presidente afirmou que vai participar ativamente do processo eleitoral deste ano. “Eu vou fazer mais política. Este ano tem eleições. Eu vou participar ativamente do processo eleitoral. Tem gente dizendo que o PT acabou, vocês vão ver o PT. Estou convencido que o Haddad vai ser reeleito, para ficar no exemplo da maior cidade”, declarou.
Samba: a voz do morro sou eu mesmo sim senhor
января 20, 2016 22:43![]() |
| Gustavo Alves Foto Joaquim Dantas |
Neste momento de carnaval, quando a cultura popular brasileira consegue superar as barreiras geográficas e sociais e sai das periferias e subúrbios para ocupar o lugar central na mídia, temos a oportunidade de resgatar um pouco do debate sobre sua história e sobre nossa música.
Por *Gustavo Alves
no Brasil 247
É incrustada no senso comum a ideia de que existe música boa e música ruim. Gostos musicais à parte, pois todos temos direito às nossas preferências musicais adaptadas ao momento emocional ou ao momento em que se escuta determinada canção, esta é uma polêmica que esconde muito da segregação social em que vivemos.
Digo isso, pois o mais popular dos gêneros musicais brasileiros, o samba, nasceu na periferia e enfrentou uma dura resistência das elites e seus prepostos de classe média até alcançar a aceitação mais ampla.
O samba, em suas diversas apresentações e intérpretes conseguiu superar a quase marginalidade do Estácio no Rio para animar os desfiles de carnaval em todo o país.
Em seus primórdios, o samba sofria o preconceito reservado aos negros e sua cultura pela burguesia como bem retratou Jorge Amado em Tenda dos Milagres:
"As gazetas protestavam contra o 'modo por que se tem africanizado, entre nós, a festa do carnaval, essa grande festa de civilização'. [...] A autoridade deveria proibir esses batuques e candomblés, que, em grande quantidade, alastram as ruas nesses dias, produzindo essa enorme barulhada, sem tom nem som, [...] entoando o abominável samba, pois que tudo isso é incompatível com o nosso estado de civilização [...]. A polícia finalmente agiu em defesa da civilização [...]: proibiu os afoxés, o batuque, o samba, a exibição de clubes de costumes africanos' " (Amado, 1989, p. 78-80, 232-33).
Sim, contra o samba utilizava-se a polícia.
Não tão virulenta, mas igualmente rancorosa foi a recepção da classe média carioca ao estilo nordestino de Luiz Gonzaga exposto no programa Calouros em Desfile de Ary Barroso. Até hoje, boa parte da zona sul carioca e suas cópias espalhadas pelas capitais brasileiras do centro-sul torçem o nariz para o forró, exceto nas festas juninas onde os aspirantes a elite sentem-se democráticos e as ouvem.
A força da cultura popular ainda se manifesta através do pagode, do sertanejo, do axé, tecnobrega, hip-hop e outros gêneros.
Há alguns anos, enfrentei uma discussão sobre a construção de uma lista dos gêneros musicais que divulgaríamos em uma rádio online. Foi surpreendente assistir a ferocidade dos ataques aos mais diversos gêneros musicais por militantes engajados na luta popular.
O debate gerou até um inesquecível "temos que tocar só músicas boas para educar nosso povo".
Não adiantava argumentar que todas as manifestações são legítimas ou que nossa percepção pessoal não poderia influenciar neste debate. A tentativa de domar, de dominar a cultura popular permanece até os dias de hoje, inclusive dentro das fileiras da luta popular.
Em Brasília, estamos assistindo este profundo e arraigado preconceito de classe assumir novas proporções com as restrições ao Carnaval. Antes que você, prezado leitor, olhe para os lados e se pergunte se Brasília tem carnaval, temos sim e é comemorado por milhares de pessoas nas ruas.
Acantonados na pseudodefesa dos interesses de idosos e crianças, os moradores das Asas Norte e Sul, áreas nobres da capital federal, têm se mobilizado contra os blocos que arrastam multidões às ruas e praças de Brasília.
Para eles, a multidão ocupando o espaço público é uma ameaça ao seu status e sua tranquilidade.
Além, é claro, do preconceito subterrâneo contra o samba e a diversidade liberta durante os dias de folia.
Muito além da manipulação e apropriação de nossa cultura pelo capital, o carnaval é uma explosão de alegria e força de nosso povo.
A luta de classes no Brasil manifesta-se de várias formas e em vários momentos. É a luta do trabalho contra o capital, a luta dos nordestinos contra o preconceito, a luta da periferia contra os bairros abastados, da cultura popular contra a adoração à cultura americana/européia, da liberdade contra a repressão social e religiosa.
Durante 4 dias a vitória inequívoca é do trabalho, do nordeste, da periferia, da cultura popular e da liberdade.
No Carnaval, a vitória é do povo.
*Gustavo Alves é Jornalista, assessor parlamentar e dirigente do PCdoB/DF
Humorista ironiza hipocrisia dos que criticam a corrupção
января 20, 2016 18:46![]() |
| Marcelo Adnet Foto da internet |
Humorista grava vídeo ironizando a hipocrisia dos que criticam a corrupção mas agem como corruptores
De Brasília
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
O humorista Marcelo Adnet gravou um vídeo onde ele canta uma versão da música O que é, o que é?, de Gonzaguinha, onde ele faz uma crítica as pessoas que se dizem contra a corrupção, entretanto, cometem inúmeros atos de corrupção ou como corruptores todos os dias, em diversas situações.
A letra adaptada para a música fala, entre outras coisas, da propina oferecida ao policial pelo condutor do veículo, quando este é parado em uma blitz em estado de embriaguez. Fala também do sujeito que está sentado em um ônibus lotado e finge não perceber a presença de uma idosa para não ceder-lhe o lugar.
São diversas situações que acontecem com mais frequência do que se imagina, principalmente e mais recorrentes, nos grandes centros do Brasil. A música é uma sátira engraçada mas que aborda o tema com muita propriedade.



