Jornal alemão pergunta o que leva negros brasileiros a votarem num racista
ноября 7, 2018 9:41O Süddeutsche Zeitung, sob o título “Por que os negros votam num racista”, ouve a cientista política Mariana Llanos, do Instituto Alemão de Estudos Globais, para entender o que leva não só negros, mas mulheres, indígenas e homossexuais a optar por alguém que “fala contra eles”.
Em suma: “Muitos brasileiros estão simplesmente assustados”, temem o desemprego e a violência, o “declínio social”.
do Blog da Cidadania
INSÔNIA
ноября 6, 2018 10:13
por Paulo R. Barja
Quem me faz perder o sono
Não são os meus inimigos.
São os meus amigos.
Passo a noite insone
Preocupado, atônito
Pelos meus amigos.
Saio pelas ruas
Buscando esperança
Para meus amigos.
Madrugada. Frio.
Na esquina, o fuzil.
Cadê meus amigos?
Recuso-me a ir
Para outro país
Sem os meus amigos.
Minha casa é bunker,
Trincheira, aparelho
Para os meus amigos.
Jamais tranco a porta.
Pode ser que cheguem
À noite, os amigos.
Faremos silêncio
Nesse tempo tenso
De poucos amigos.
O café amargo.
O abraço largo.
Abraço de amigos.
O lirismo existe
E sei que resiste
Pelos meus amigos.
Ao Deus que nos vê
Peço apenas isso:
Ampare-os. Proteja-os.
Se eu for preso, faça
Com que esqueça o nome
Desses meus amigos.
Eu nada direi.
Que meu sangue aqueça
O dos meus amigos.
Leiam Brecht por mim
E ouçam muito Chico,
Queridos amigos.
Pratiquem Boal,
Exercitem Freire,
Orgulhem-me, amigos.
Canções de protesto
mas de Amor também.
Viva meus amigos!
O amanhã virá.
Que os encontre bem.
São os meus amigos.
#PoesiaPelaDemocracia
Sobre o coitadismo dos negros
ноября 6, 2018 10:02
por Liliane Motta em seu Facebook
1837 - Primeira lei de educação: negros não podem ir à escola
1850 - Lei das terras: negros não podem ser proprietários
1871 - Lei do Ventre Livre - quem nascia livre?
1885 - Lei do Sexagenário - quem sobrevivia para ficar livre?
1888 - Abolição (atentem, foram 388 anos de escravidão)
1890 - Lei dos vadios e capoeiras - os que perambulavam pelas ruas, sem trabalho ou residência comprovada, iriam pra cadeia. Eram mesmo "livres"? Dá para imaginar qual era a cor da população carcerária daquela época? Vc sabe a cor predominante nos presídios hoje?
1968 - Lei do Boi: 1a lei de cotas! Não, não foi pra negros, foi para filhos de donos de terras, que conseguiram vaga nas escolas técnicas e nas universidades (volte e releia sobre a lei de 1850!!!)
1988 - Nasce nossa ATUAL CONSTITUIÇÃO. Foram necessários 488 anos para ter uma constituição que dissesse que racismo é crime! Na maioria das ocorrências se minimiza o racismo enquanto injúria racial e nada acontece.
2001 - Conferência de Durban, o Estado reconhece que terá que fazer políticas de reparação e ações afirmativas. Mas, não foi porque acordaram bonzinhos! Não foi sem luta. Foram décadas de lutas para que houvesse esse reconhecimento! E olha que até hoje tem gente que ignora, hein!
2003 - Lei 10639 - estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". Que convenhamos não é cumprida, né?
2009 - 1a Política de Saúde da População Negra. Que prossegue sendo negligenciada e violentada (quem são as maiores vítimas da violência obstétrica?) no sistema de saúde.
2010 - Lei 12288 - Estatuto da Igualdade Racial. Em um país que se nega a reconhecer a existência do racismo.
2012 - Lei 12711 - Cotas nas universidades. A revolta da casa grande sob um falso pretexto meritocrata.
...
Nossa sociedade é racista e ainda escravocrata e essa linha do tempo tá aí pra evidenciar. - Leandro Ribeiro"
Darcy Ribeiro resiste e persiste
ноября 5, 2018 16:39por DEBORA DINIZ
Professora da Universidade de Brasília
Publicação: 05/11/2018
Fui estudante e, hoje, sou professora da Universidade de Brasília. Descrevo-me como experimento de Darcy Ribeiro para o conhecimento sem fronteiras — cheguei por um curso, passei por outros, me formei em antropologia, hoje sou professora do direito, e penso a saúde pública. A universidade é isso: não há perguntas prédeterminadas, não há respostas já conhecidas e jamais haverá medo para mover a dúvida e o conhecimento. Assim, meu pedido aos que festejam a vitória das eleições com mensagens de ameaça ou terror: esqueçam as universidades. Deixem a Universidade de Brasília em paz.
Ali não é lugar para combate, só para aprendizado e acolhimento. Se insistirem na ofensiva violenta, encontrarão professores, funcionários e estudantes dispostos a ensinar o que ainda precisam aprender: paz, tolerância e democracia. Não ameacem gravar aulas e denunciar a quem quer que seja que se apresente como o fiscal do conhecimento proibido ou permitido. Será gasto inútil do dinheiro público, pois falaremos mais e melhor. E com mais sagacidade, coisa que o ressentimento impede alguns de conhecer. Começaremos a falar de bolo de cenoura e, sem que percebam, falaremos da liberdade e da resistência. Por isso, não nos transformem em heróis. Deixem-nos ser só professores.
Podem levar as cadeiras, os quadros, os recursos de financiamento à pesquisa. Ensinaremos mais, seremos ainda mais professores, como um dia sonhou Paulo Freire. Quer maior estrago para as futuras gerações que nos dedicarmos a falar ainda mais, escrever como quem respira, sair das universidades e ir às comunidades? Não há profissão de maior provocação neste momento do país que a de professor. Reconheçam que já éramos pensantes antes de chegarem ao poder, só seremos ainda mais. Se acreditam mesmo na democracia que lhes permitiu chegar à Presidência da República, respeitem as regras do jogo. Na universidade não entram tanques ou gente armada — só se for para aprender. Pediria que sempre guardassem a arma quando se apresentarem como estudantes em uma sala de aula.
Além de professora, sou orientadora de estudantes. Essa é uma das responsabilidades mais delicadas de minha carreira — além de ensinar, oriento os caminhos do pensamento para um jovem escritor. Já orientei policiais, bombeiros, delegados, agentes de segurança prisional, e com todos eles encontrei o mesmo espírito de proteção aos direitos humanos que partilho. Foram estudantes que me ensinaram sobre a grandeza de ser um profissional da segurança pública e pensar a dignidade da vida humana. De nenhum deles jamais ouvi destrato ao meu pensamento, como certamente eles não ouviram de mim às suas crenças sobre o certo. O que não estranhamos entre nós é sobre onde o justo deve estar na vida política.
Por isso, não acreditem em quem esbraveja que as universidades são os inimigos depois de vencidas as eleições. A lógica binária de uma corrida política não se aplica a quem pensa, duvida, estranha e pede argumentos antes de ouvir teses prontas. Em sala de aula pensamos sobre tudo, mas, para qualquer coisa a ser dita, pedimos forma específica de pensar, que é o argumento. E, para argumentar, há regras da comunidade acadêmica: a mais importante delas é o respeito ao que se descreve como conhecimento; a segunda é o dever de conhecer antes de se pronunciar. Não é, portanto, fácil marchar pelas universidades como se disparam mensagens de fofoca por WhatsApp – ali não estão crentes à espera de burburinho. Somos pensadores treinados a duvidar e a argumentar.
Na falta de argumento, não adianta nos ameaçar com bravatas de perseguição ou matança. Há meses, escuto bravateiros covardes que me perseguem como se isso fosse me silenciar. Aqui estou e estive por todas as partes nos últimos meses: se a mim, um experimento de Darcy Ribeiro, alguém sem músculos ou armas, só com livros e voz, os bravateiros não foram capazes de silenciar, jamais serão os mais de 20 mil alunos da Universidade de Brasília. Por isso, meu pedido: parem de desordenar antes de governar. Festejem que ganharam as eleições, mas reconheçam que a universidade sempre será livre e não se toma de assalto o pensamento.



