Médico detona Secretaria de Saúde por falta de gasolina em ambulâncias
23 de Novembro de 2016, 22:31![]() |
| RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES |
A revolta do profissional se deve ao fato de um paciente não poder ser transferido do Hospital de Paranoá: “Um embuste, uma estupidez”
“Um embuste, uma mentira, além de uma estupidez elevada à quinta potência”. A frase foi escrita por um médico da rede pública do Distrito Federal em um documento ao se referir à forma com que a Secretaria de Saúde está tratando o caso de um paciente com suposta morte cerebral, internado no Hospital Regional do Paranoá (HRPa). A revolta do profissional se deve ao fato de o homem não poder ser transferido de unidade por falta de combustível nas ambulâncias.
No documento datado desta quarta-feira (23/11), o médico reclama que não adianta manter o paciente na lista da Central de Regulação de Internação Hospitalar (CRIH), setor responsável pela liberação de leitos nas unidades, se não há como transferi-lo para o Hospital de Base. “Sem combustível, sem ambulância que permita o transporte para submetê-lo a uma tomografia computadorizada seria o supremo desrespeito com a família dele, um embuste, uma mentira, mantê-lo nesta lista”, critica.
O profissional atesta que o paciente está há mais de 36 horas sem sedação e já apresenta sinais de morte cerebral. Ele destaca que o homem não responde mais aos diversos estímulos, além de estar com midríase fixa bilateral, termo médico usado para explicar a dilatação total das pupilas.
“A burocracia da SES (Secretaria de Saúde) é tão inacreditavelmente insana que sem a TC (tomografia) e, portanto, sem diagnóstico de morte cerebral confirmado, o protocolo de ME (morte encefálica) não pode ser aberto”, desabafa.
O caso do paciente não é o único problema provocado pela falta de combustível nos veículos do hospital. Servidores da unidade denunciam que, com as ambulâncias paradas, caminhonetes da secretaria estão sendo improvisadas para transportar pacientes que precisam passar por sessões de hemodiálise. “O problema é muito mais grave. Estão retirando combustível do gerador de energia do hospital para colocar nos veículos, senão todos param”, afirmou uma fonte ouvida pela reportagem.
O outro lado
A reportagem procurou a Secretaria de Saúde para que a pasta se pronunciasse sobre a situação do paciente internado no HRPa. Segundo a assessoria de comunicação, o paciente deve ser transferido ainda na tarde desta quarta-feira (23) para o Hospital de Base.
Em relação à falta de combustível, a pasta nega que as ambulâncias da unidade estejam desabastecidas e informou que a caldeira da unidade funciona normalmente. “A direção esclarece que, há duas semanas, uma peça foi retirada indevidamente do equipamento, por alguém não autorizado. Após constatar essa situação, a diretoria administrativa acionou imediatamente a Polícia Civil para apurar os fatos”, explicou por meio de nota.
do Portal Metrópoles
Chico Buarque retira música do “Roda Viva” após entrevista com Temer
23 de Novembro de 2016, 22:00![]() |
| RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES |
O músico disse se sentir desconfortável com a linha editorial do programa. Oficialmente, o programa alega reestruturação
A TV Cultura anunciou, nesta quarta-feira (23/11), que a música “Roda Viva” de Chico Buarque, após nove anos, não será mais utilizada na abertura do programa de entrevistas de mesmo nome. A decisão foi tomada depois de o compositor carioca expressar desconforto com a participação do presidente Michel Temer na atração.
Oficialmente, a emissora afirma que a mudança se deve a uma reformulação. “A TV Cultura, em comemoração aos 30 anos do ‘Roda Viva’, recentemente, reformulou todo o pacote gráfico e vinhetas do programa. Agora, dentre as ações já previstas de atualização da atração, passa a ter nova trilha sonora a partir desta segunda-feira (28/11)”, informou o canal.
No entanto, segundo informações do UOL, a canção teria sido retirada da abertura do “Roda Viva” a pedido de Chico Buarque.
A polêmica começou após a entrevista com Michel Temer, exibida em 14 de novembro. Nas redes sociais, o grupo “Jornalista Livres” lançou um apelo para que Chico proibisse o uso da música em protesto à linha editorial do programa. Em seguida, o compositor emitiu um comunicado confirmando o desconforto.
“Que ele tem um certo desconforto de ver a música dele em um programa que, nas últimas edições e já há algum tempo, é bastante diferente e desvirtuado do programa original, ele sente”, disse a assessoria de imprensa de Chico Buarque, após a confusão.
Chico Buarque foi um dos artistas mais engajados na campanha contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele expressou apoio à petista diversas vezes. Inclusive assistiu pessoalmente ao depoimento dela em sessão no Senado Federal.
do Portal Metrópoles
Para ministro do TST, terceirização faz de pessoas mercadorias
23 de Novembro de 2016, 21:44![]() |
| Vieira de Mello: 'Estamos caminhando para futuro nefasto, em que a sociedade vai ser dividida em uma minoria dona de tudo, e o resto a trabalhar para comer' TST DIVULGAÇÃO |
Segundo magistrado Luiz Philippe Vieira de Mello, argumento de que flexibilização cria empregos é falácia, ativismo do STF é preocupante e análise de mercado não deve ditar funcionamento da sociedade
por Vitor Nuzzi, da RBA
São Paulo – Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde 2006, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, mineiro de Belo Horizonte, 55 anos, é uma das vozes críticas do Judiciário às ideias de flexibilização da legislação. Considera "falácia" a afirmação de que mexer nas leis criaria condições para o crescimento e a criação de empregos. "Qual é a base empírica dessa informação? Nenhuma, zero", reage. Também critica o projeto de terceirização (PLC 30) prestes a ser votado no Senado. "Rompe a lógica do Direito do Trabalho, porque diz que o ser humano passa a ser mercadoria."
Juiz há 30 anos – seu pai exerceu a mesma função por mais de quatro décadas –, Vieira de Mello lembra das origens do Direito do Trabalho, e seus princípios sociais, ao refutar outra afirmação comumente repetida, inclusive pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, de que o ramo trabalhista do Judiciário age de forma protecionista em favor do trabalhador. É a lei que protege, afirma, lembrando que se trata de uma relação entre desiguais.
Ele cita dado do Conselho Nacional de Justiça, segundo o qual quase 70% das ações referem-se a verbas rescisórias. "Onde é que está o excesso de proteção?", questiona. O magistrado foi um dos 18 juízes do TST, de um total de 27, a assinar ofício endereçado à presidenta do STF, Cármen Lúcia, criticando Gilmar Mendes por ataques à Justiça do Trabalho. A reação mostra que há uma posição majoritária no ramo trabalhista contra os ataques vindos de setores defensores da flexibilização. "Não é análise de mercado que vai ditar o funcionamento de uma sociedade. Porque quando você parte de uma premissa de que o mercado se tornou mais importante que o direito, então necessariamente acabou o direito, porque o pensamento é todo econômico."
O ministro também manifesta preocupação com uma decisão de Mendes, que deu liminar a uma entidade patronal suspendendo os efeitos de Súmula 277, do TST. O texto mantém a validade de convenções e acordos coletivos mesmo após a vigência, até a renovação. Ele observa que em uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), como no caso, a decisão monocrática (de um juiz) só cabe em casos de extrema urgência. Em relação à 277, a liminar foi dada depois de dois anos. Não há urgência alguma, diz o juiz do TST. "É a conveniência de quem decidiu", afirma.
Vieira de Mello considera temerário que o STF se debruce sobre temas trabalhistas. "Penso eu que não deveria o Supremo avançar sobre isso. Essa é uma questão que deveria o Parlamento resolver de alguma maneira. A decisão ataca um ponto, mas não as consequências que vão decorrer dessa decisão. São inúmeras, seja quanto à terceirização ampla, seja quanto negociado sobre o legislado. Tem inúmeras repercussões que não se fecham a partir da decisão judicial, que deveriam ser legislativas."
O Direito do Trabalho é um elemento da ordem jurídica que cria harmonia, dá prevalência à dignidade do trabalhador. O cidadão puramente com seus direitos políticos não é capaz de realizar sua plena identidade, ele tem de trabalhar para que tenha existência digna
Era uma norma (Súmula 277) que dava segurança às partes, inclusive o setor patronal?
Para ambas. Porque se você também mantém o que estava, evita os dissídios de greve. E possibilita que o empregado possa reivindicar mais ou rever alguma outra coisa que esteja incompatível com o momento que a empresa ou a categoria esteja vivendo. Você parte da ideia de que o contrato é de prestação sucessiva. Como é que num dado momento vai a zero, e aí você aguarda o julgamento de dissídios que demoram, para depois ter efeitos retroativos?
A categoria fica desprotegida...
Qualquer contato que você celebre com pessoa física ele segue, ele nunca vai a zero. Aqui na Justiça do Trabalho estamos diante disso de novo, contrato em que vai ao marco zero.
Tem se falado muito sobre um suposto protecionismo da Justiça do Trabalho, que de alguma maneira protegeria o trabalhador e prejudicaria as empresas. Como o senhor vê essa questão? A Justiça do Trabalho, por sua natureza, é protecionista, quer dizer, ela está cumprindo o seu papel?
Veja, vamos tentar colocar as categorias cada qual em sua prateleira. A legislação trabalhista nasceu como uma legislação que surgiu e se afastou do Direito Civil, porque tinha como escopo a regulamentação de uma relação jurídica assimétrica. Não há como se estabelecer prestações comutativas desse contrato, porque não há igualdade entre empregado e empregador – e nunca haverá. Então, ela é, por sua substância, uma legislação de ordem pública, ou seja, é inderrogável e irrenunciável.
Se é inderrogável e irrenunciável, o descumprimento dessa legislação gera a atuação da Justiça do Trabalho como forma de proteger o trabalhador materialmente. Então, não é a Justiça que está protegendo os trabalhadores, a lei protege, porque protege uma relação assimétrica, de desigualdade, de subordinação. Quando você ingressa num patamar de aferição de igualdade econômica no Brasil, hoje o nosso é um dos países que tem maior índice de desigualdade social.
Como é que se pode falar que o empregador e o empregado estão em igualdade de condições? É melhor, então, revogar a legislação trabalhista e vamos deixar o Direito Civil, de onde ele veio, como um ramo anárquico àquele, porque no Direito Civil civil se previa uma igualdade. Eu não consigo raciocinar com essa máxima que foi colocada.
Agora, você diz que os empregadores se queixam... O problema é que eles têm a capacidade de unificar uma queixa, que os trabalhadores não têm. Porque, se nós formos aferir, o grau de descumprimento da legislação trabalhista é altíssimo. Isso não foi considerado nesse análise. E não teria nenhuma sanção ao descumprir a lei? Quando o juiz interpreta o comando da lei, que é imperativo, ele está protegendo?
Essa é a obrigação do juiz do Trabalho. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) soltou recentemente uma estatística em que 68% das reclamações trabalhistas dizem respeito a verbas rescisórias e uma parcela salarial, ou salário-família, FGTS, seguro-desemprego ou uma prestação salarial não paga. Onde é que está o excesso de proteção, se quase 70% das ações dizem respeito a uma verba rescisória? Quer dizer, o discurso não fecha e torna-se falacioso.
O senhor falou que é melhor, então, revogar o Direito do Trabalho. Será que não é isso que alguns setores querem?
É exatamente isso que eles querem. Com esse discurso falacioso, só pode voltar para esse prisma. Se eu disser que a negociação coletiva vai resolver tudo... Qual a necessidade de uma norma jurídica de ordem pública se eu posso negociá-la, desde que seja o sindicato? E como é que o sindicato pode negociar se a representatividade dele é questionada, e eu não posso questionar minha representatividade, embora a Constituição diga que eu não sou obrigado a me filiar? O jogo está todo torto. Não tem como você vir com um discurso de purismo, que o sindicato representa... Alguns, sim, uma pequena parcela no Brasil tem essa representatividade, essa expressividade, mas não 80% ou 90% deles. Era preciso mudar isso tudo para que pudéssemos ter uma verdadeira legitimidade que decorreria da representatividade, e não da autoridade de uma lei.
Quer dizer, fazer primeiro uma reforma sindical...
Para que possamos estabelecer esses parâmetros. E, de outro lado, quando se fundamentam as convenções coletivas e os acordos, apenas se tem o estabelecimento de cláusulas, não diz o que aconteceu no passado. É o que eu disse, você rompe a cadeia, dizendo que vai ao marco zero quando termina o prazo de vigência. Porque não tem mais história, é como se eu afastasse a história da categoria.
Ainda não há previsão de quando o pleno do Supremo julgue isso, qual o cenário para as categorias que têm data-base, por exemplo, nos primeiros meses de 2017?
A partir da liminar, tudo já caiu. Todo o instrumento coletivo cuja vigência se encontrar após a decisão da liminar foi a zero, todo, até que ele (Gilmar Mendes) coloque o processo para apreciação do plenário. E mais: na ADPF somente matéria de extrema urgência é que deveria ser decidida monocraticamente, há uma restrição legal. E não obstante a matéria foi decidida monocraticamente depois de dois anos.
Isso eu iria perguntar: qual a urgência que se apresenta, depois de tanto tempo?
Nenhuma. É a conveniência de quem decidiu.
Não temos uma Constituição liberal nem social. Ela estabelece como fundamento da ordem jurídica a dignidade da pessoa humana, e em seu outro inciso a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Ou seja, ela faz um equilíbrio.
Na semana passada, em São Paulo, houve um encontro nacional de advogados trabalhistas. E a avaliação de consenso é de que a Justiça do Trabalho está sendo atacada por ser vista como empecilho para as reformas, para a flexibilização da lei, para a terceirização. O sr. também vê isso?
É preciso que nós tenhamos um marco inicial para raciocinar em torno desse tema. O marco inicial, na minha concepção, é o seguinte: estamos numa Constituição, num Estado democrático de direito. Não temos uma Constituição liberal e nem temos uma Constituição social. Essa Constituição estabeleceu como fundamento da ordem jurídica a dignidade da pessoa humana, e em seu outro inciso a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa. Ou seja, ela faz um equilíbrio. Eu não estou num Estado liberal, porque senão seria livre iniciativa, e não estou num Estado social porque seria exclusive a valorização do trabalho humano.
Então, o Direito do Trabalho é um elemento da ordem jurídica que cria uma harmonia porque dá prevalência à dignidade do trabalhador, a sua identidade como trabalhador – porque o cidadão puramente com seus direitos políticos não é capaz de realizar sua plena identidade, ele tem de trabalhar para que tenha uma existência digna. Aí se diz o seguinte: a Justiça do Trabalho tem obstaculizado o desenvolvimento do país, porque se flexibilizar o país terá mais condições de crescimento.
Duas falácias. Primeira falácia: a legislação trabalhista não é rígida, e sabemos que não é, posso despedir, tem denúncia vazia, tem uma série de coisas. Só tenho as garantias mínimas inscritas na Constituição, ela já sofreu inúmeras reformas. E, de outro lado, você diz que se houver flexibilização nós teremos mais emprego. Qual é a base empírica dessa informação? Zero. Nenhuma.
Não há nenhum estudo científico que diga que se houver flexibilização, vamos ter mais emprego e mais garantia de emprego. Ao contrário, quando você teve um país em que havia um menor índice de desemprego e uma empregabilidade alta, com reconhecimento, nós tínhamos, primeiro, circulação de dinheiro no mercado, e com isso você tinha uma inversão econômica que possibilitava um desempenho melhor, inclusive observando mercado interno.
De outro lado, você tem uma possibilidade de que as classes sociais ascendam em razão da constituição de configurações sociais, políticas e jurídicas novas, a partir do trabalho. Agora, se eu não tenho nada, isso vai ser a melhor para a economia? Ou se eu precarizar todo mundo, colocar todo mundo ganhando salário mínimo, que é o que vai ocorrer, e todas as construções históricas dessas categorias vão desaparecer? Porque não vai sobrar nada, todo mundo vai ser terceirizado.
Porque eu vou te contratar como jornalista se eu posso contratar como terceirizado? Isso vai fazer com que se estabeleçam melhores condições aqui no Brasil? Tem dois livros do Joseph Stiglitz (economista norte-americano, vencedor do prêmio Nobel em 2001), agora estudando a economia americana, ele diz que isso tudo é uma balela: se não houver uma inserção do trabalhador no âmbito das empresas, com uma sensação de pertencimento, não haverá economia, porque acabou a classe média americana, em razão desse raciocínio.
Olha o que se fez em Portugal, na Espanha, na Itália, na Grécia, com relação às reformas que vieram precarizar as relações de trabalho. O resultado está lá. Você vai a Portugal, o país está recrutando idosos do mundo inteiro para morar lá, porque os jovens foram embora, todos os contratos são a prazo certo. Que economia é essa? Eu queria que alguém provasse que flexibilizando teremos mais empregos. O que nós vamos ter é o seguinte: dentro da classe de empregos formais reconhecidos, os terceirizados vão subir de 12% para quase o total.
Nós tínhamos é de estabelecer uma legislação que desse maiores garantias a esses terceirizados, e aí a reforma sindical poderia ajudar, porque se eles se integrassem num ramo de atividade teriam maior força de negociação, mas você dissolveu a categoria profissional, ela vai ficar desmembrando em não sei quantos sindicatos.
Eu queria que alguém provasse que flexibilizar cria empregos. O que vamos ter é o seguinte: dentro da classe de empregos formais reconhecidos, os terceirizados vão subir de 12% para quase o total.
Com esse projeto que está para ser votado no Senado...
Esse projeto de terceirização rompe a lógica do Direito do Trabalho, porque diz o seguinte: o ser humano passa a ser uma mercadoria. Eu tenho uma empresa para locar ser humano, e a razão pela qual o Direito do Trabalho nasceu foi para dizer que isso não poderia acontecer. Qual a atividade da sua empresa? Locar ser humano.
Essa questão está nos princípios da OIT (Organização Internacional do Trabalho), não é?
Isso é o princípio básico que gerou toda a legislação trabalhista. O Código Civil falava em locação de mão de obra, que foi aí que nós surgimos. Revogaram isso e apareceu o Direito do Trabalho. Agora, o que está acontecendo? É o Direito do Trabalho voltando para o Direito Civil, com uma roupagem nova.
É um passo, ou muitos, para trás?
De muitos séculos, diria eu.
Esse ofício que os senhores encaminharam ao Supremo, a maior parte dos ministros do TST, mostra que dentro do Judiciário há uma reação contra isso, digamos majoritária?
É majoritária. Sem dúvida, no Judiciário trabalhista, há expressiva maioria no sentido da proteção do Direito do Trabalho e da Justiça do Trabalho. Veja, ninguém está defendendo causa própria. Se alguma coisa mudar, obviamente tudo vai ser realocado, todos nós. Estamos defendendo é um ideal de um país mais justo. A nossa ideia é que não se pode viver sob a égide de uma Constituição liberal econômica. Não é análise de mercado que vai ditar o funcionamento de uma sociedade. Porque quando você parte de uma premissa de que o mercado se tornou mais importante que o Direito, então necessariamente acabou o Direito, porque o pensamento é todo econômico. Isso é o liberalismo clássico de centenas de anos atrás, e é o que estamos vivendo, incrivelmente, no século 21, o retorno à prevalência do mercado sobre o próprio Direito.
E não é só o Direito do Trabalho, que é o primeiro ponto. Depois vai ter o ambiental, tudo vai se justificar por força do desenvolvimento, então vamos acabar com tudo, desmatar tudo, acabar com os rios. Olha o resultado da Samarco aí, a importância de uma legislação e de ordem pública, que preserva valores difusos. Como é que se pode imaginar uma sociedade em que nós vamos ver um retorno quase ao século 19, em que o trabalhador vai trabalhar 12 horas, sabe-se lá, tem crianças, adolescente, jovens... Isso é barbárie.
Estamos no século 21, o homem já desenvolveu tecnologias expressivas, de conhecimento, de evolução, quando se falava que a ideia era aproximar-se do maior número de horas de lazer, estamos voltando pra estaca zero, uma elite de 1% que tem o equivalente a 90% da população. É esse o país que nós queremos? Eu sou juiz, meus filhos estão estudando para fazer concurso, trabalham. Quem vai ser sugado por esse efeito, que é como se você destampasse uma piscina e a água descesse toda, é a classe média. O filho da classe média vai ser terceirizado. A não ser que ele seja um gênio e tenha expressividade, aí ele vai conseguir um espaço diferenciado no mercado. Então, estamos caminhando para esse futuro a meu juízo nefasto, triste, em que a sociedade vai ser dividida em duas castas. Uma minoria, que é dona de tudo, e o resto, que trabalha para comer, para sobreviver.
Há algumas matérias no Supremo relativas à terceirização ou ao negociado sobre o legislado. É possível evitar que elas prosperem?
Veja bem, não seria esse o papel do Judiciário. Penso eu que não deveria o Supremo avançar sobre isso. Essa é uma questão que deveria o Parlamento resolver de alguma maneira. A decisão ataca um ponto, mas não as consequências que vão decorrer dessa decisão. São inúmeras, seja quanto à terceirização ampla, seja quanto negociado sobre o legislado. Tem inúmeras repercussões que não se fecham a partir da decisão judicial, que deveriam ser legislativas. A desconstrução das categorias, como é que se resolve isso, quem representa quem? O que faz com a pulverização, com a convenção coletiva, com as vigências de prazo? Tem uma série de coisas que dependem de uma reforma legislativa. Acho que o prudente seria deixar com que o Parlamento resolvesse. Bem ou mal, ele resolveria de um jeito ou de outro, e aí far-se-ia o controle de condicionalidade, ou de ilegalidade de A ou de B nas circunstâncias que se apresentarem. Agora, o risco desse ativismo é muito complexo. Por mais que haja uma boa intenção, uma necessidade, uma aparência de que é extremamente importante, mas isso é um pilar, uma coluna de um grande edifício sustentado por várias colunas. Se tirar uma, corre o risco de tudo cair.
Entre os seus pares no Tribunal Superior, qual é o sentimento?
Veja, nós somos juízes. Se o Supremo vier a decidir, nós vamos acatar e ver como ficará todo o sistema. Vamos ter de fazer uma reconstrução por meio da interpretação a partir daquilo que for decidido. Agora, o que nós estamos tentando é alertar a sociedade que não estamos defendendo interesses próprios, mas interesses da própria sociedade. A legislação trabalhista foi uma construção de muitas lutas sociais, não foi edificada simplesmente porque o Parlamento quis. É uma coisa que historicamente tem de ser tratada com certo equilíbrio, porque ora vamos ter governos mais liberais, ora mais sociais, e aí a lei não vai ficar indo e voltando. Então, uma reconstrução deveria se dar pela ordem legislativa, levando em conta tudo que se construir ao longo de anos, e não do interesse momentâneo ou oportuno como se fosse uma norma de Direito Financeiro ou Tributário para resolver uma questão temporal. O Direito do Trabalho é atemporal.
Dia da Consciência Negra é comemorado no Gama
21 de Novembro de 2016, 23:16![]() |
| Foto Joaquim Dantas |
O Espaço Semente recebeu um animado grupo para comemorar o Dia dsa Consciência Negra no Gama
Do Gama
Joaquim Dantas
Para o Blog do Arretadinho
O domingo (20/11) foi de muita festa, música, poesia e alegria no Gama. O Dia da Consciência Negra foi celebrado no Espaço Semente por um animado grupo na "Festa das Consciências, que cantou e dançou ao ritmo de samba de raiz e de autores consagrados como Chico Cesar.
Vários músicos e poetas participaram do evento, como Jairo Mendonça, Cleison Batah, Manoel Pretto, Cumpadi Ancelmo, entre outros. A atriz Jussy Nascimento fez um performance que arrancou entusiasmados aplausos. Quem também se apresentou e foi muito aplaudida foi a cantora Marina Andrade.
O Dia da Consciência Negra é comemorado no Brasil no dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares um escravo que foi líder do Quilombo dos Palmares e simboliza a luta dos negros contra a escravidão. Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo.
A data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Durante a comemoração, que começou às 12h e estendeu-se até às 19h, foi servida uma saborosa feijoada, que foi comercializada ao simbólico preço de R$ 10,00.
Ao longo das apresentações dos artistas aconteceram inúmeras intervenções, espontâneas, contra o governo golpista do usurpador Michel Temer e a palavra de ordem foi "Fora Temer".
O evento foi uma iniciativa da Frente Brasil Popular do Gama e protagonizado pelo PCdoB e PT do Gama.
Apoiaram a Festa a Rasta de Sapato Produções, o Blog do Arretadinho, a Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil, CTB, a União de Negros pela Igualdade, UNEGRO/DF e a Semente Cia de Teatro.
O patrocínio foi do mandato do deputado distrital pelo PT, Chico Vigilante.
O registro fotográfico é de Joaquim Dantas Fotografia® e de Welber Lume®
224 universidades ocupadas no Brasil
20 de Novembro de 2016, 8:34224 UNIVERSIDADES OCUPADAS EM TODO O BRASIL!
Os estudantes brasileiros confirmam a luta pela educação, são 224 universidades ocupadas contra a PEC 55 (antiga PEC 241), é o maior movimento de ocupações da história do Brasil. Os estudantes provam que são resistência e não aceitam retrocessos!
Veja a lista de universidades #ContraAPEC55:
ALAGOAS
1. UFAL Delmiro Gouveia
2. UFAL Palmeira dos Indios
3. UFAL Arapiraca
4. UFAL Maceió
5. UNEAL Arapiraca
6. UFAL Penedo
7. UNEAL Campus Palmeira dos Índios
8. UNEAL Campus Santana
AMAPÁ
9. UNIFAP Campus Macapá
10. UNIFAP Campus Oiapoque / Binacional
AMAZONAS
11. UEA ESAT
12. UEA ENS
BAHIA
13. UFRB Cruz das Almas
14. UNEB Campus 1
15. UNEB Juazeiro
16. UNEB Senhor do Bomfim
17. UNEB Alagoinhas
18. UNEB Santo Antonio de Jesus
19. UNEB Guanambi
20. UNEB Jacobina
21. UFRB Cachoeira
22. UFRB Santo Amaro
23. UFRB Feira de Santana
24. UFRB Amargosa
25. UFRB Santo Antonio de Jesus
26. UNIVASF Senhor do Bomfim
27.UEFS Feira de Santana
28. UNEB Paulo Afonso
29. UNEB Caetité
30. UESB Vitória da Conquista
31. UFOB Barra
32. UESB Jequié
33. UESC Salobrinho Ilhéus
34. UNEB Teixeira de Freitas
35. UESB Itapetinga
36. UFBA Vitória da Conquista
37. UFBA Salvador
38. UNEB Camaçari
39. UFOB Barreiras
40. UNEB Valença
41. UFOB Santa Maria da Vitória
42. UFSB Itabuna
43. UNIVASF Juazeiro
44. UFSB Teixeira de Freitas
45. UFSB Porto Seguro
46. UNEB Conceição do Coité
47. UNEB Campus XIII (Itaberaba)
48. UNEB Campus XVIII
49. UNEB Campus XVII
50. UNEB Campus Serrinha
51. UESB Campus Jequié
52. UFOB Campus Bom Jesus da Lapa
BRASÍLIA
53. UNB Reitoria
54. UNB Campus Planaltina
CEARÁ
55. UFCA Crato
56. UFC Fortaleza
57. UFCA Juazeiro do Norte
58. UFC Campus Porangabuçu
59. IFCE Campus Iguatu
60. URCA Campus Pirajá
61. URCA Campus Juazeiro do Norte
ESPIRITO SANTO
62. UFES Vitória
63. UFES São Mateus
64. UFES Campus Alegre
GOIÁS
65. UFG Goiás
66. UFG Campus Jataí
67. UFG Goiânia
68. UEG Campus Anápolis
69. UEG Campus Eseffego
70 UFG Campus Catalão
71. UEG Campus Cora Coralina
72. UEG Campus Formosa
MARANHÃO
73. UFMA Chapadinha
74. UEMA São Luis
75. UFMA Grajau
76. UFMA Campus Bacanga
77. UFMA Campus Pinheiro
MATO GROSSO DO SUL
78. UFGD Dourados
79. UEMS Campus Parnaaíba
80. UFMS Campus Três Lagoas
81. UEMS Campus Campo Grande
82. UFMS Campus Paranaíba
MINAS GERAIS
83. UFMG Belo Horizonte
84. UFVJM Diamantina
85. UFVJM Janaúba
86. UFU Santa Mônica
87. UFVJM Unaí
88. UNIFAL Varginha
89. UEMG Poços de Caldas
90. UFSJ São João Del Rei
91. UFLA Lavras
92. UNIFAL Alfenas
93. UFMG Montes Claros
94. UEMG Belo Horizonte
95. UFTM Uberaba
96. UFSJ Divinópolis
97. UFJF Juiz de Fora
98. UFV - EMAF Florestal
99. UFOP Mariana
100. UNIFAL Poços de Caldas
101. UFOP Campus Ouro Preto
102. UFU Campus Ituiutaba
103. UFSJ Campus Alto Paraopeba
104. UEMG Escola de Arte e Design
105. UFU Campus Umuarama
106. PUC São Gabriel
107. PUC Coração Eucarístico
108. UFOP Campus João Monlevade
109. UFV Campus Viçosa
PARÁ
110. UFOPA Campus Amazônia
111. UEPA Conceição do Araguaia
112. UFPA Abaetetuba
113. UFPA Cametá
114. UNIFESSPA Marabá
115. UFPA Castanhal
116. UFPA Bragança
117. UFPA Altamira
118. UFPA Campus Belém
119. UFRA Campus Belém
120. UEPA Campus Altamira
121. UEPA Campus X
122. UEPA Campus Igarapeaçu
123. UNIFESSPA Campus Xinguara
124. UFRA Campus Capanema
125. UFPA Escola de Teatro e Dança
126. UFOPA Campus Rondon
127. UEPA Campus Cametá
PARAÍBA
128. UFPB Campus II
129. UFPB Campus III
130. UFCG Campus de Sumé
131. UFCG Campus Campina Grande
132. UFCG Campus Cajazeiras
PARANÁ
133. UEM Cianorte
134. UEPG Ponta Grossa
135. UFFS Laranjeiras do Sul
136. UNESPAR União da Vitória
137. UNESPAR Paranaguá
138. UNESPAR Campo Mourão
139. UNICENTRO Guarapuava
140. UNICENTRO Irati
141. UNIOESTE Marechal Cândido Rondon
142. UNIOESTE Toledo
143. UNIOESTE Cascavel
144. UEL Londrina
145. UNICENTRO Coronel Vivida
146. UEM Goioerê
147. UFPR Reitoria
148. UTFPR Dois Vizinhos
149. UTFPR Francisco Beltrão
150. UFPR Jardim Botânico
151. UFPR DeArtes
152. UFFS Campus Realeza
153. UFPR Campus Litoral
154. UFFS Campus Realeza
155. UENP Reitoria
156. UNESPAR Curitiba
157. UNESPAR Campus Paranavaí
PERNAMBUCO
158. UFPE Vitória de Santo Antão
159. UFRPE Serra Telhada
160. UPE Palmares
161. UPE Petrolina
162. UPE Mata Norte
163. UPE Reitoria - Recife
164. UPE Santo Amaro
165. UFPE Recife
166. UPE Garanhuns
167. UNIVASF Petrolina (CCA)
168. UFPE Caruaru
169. UFRPE Garanhuns
170. UFRPE Campus Sede
171. Unicap Reitoria
172. FDR Faculdade de Direito do Recife
PIAUÍ
173. UFPI Teresina
174. UFPI Picos
175. UNIVASF São Raimundo Nonato
176. UFPI Bom Jesus
RIO DE JANEIRO
177. UFRRJ Seropédica
178. UFRRJ Três Rios
179. UFF Rio das Ostras
180. UFRJ IFCS
181. UFF Santo Antonio de Pádua
182. UFF Campus Gragoatá
183. UFRRJ Campus Nova Iguaçu
184. UNIRIO Rio de Janeiro
185. UFRJ Campus Macaé
186. UFF Campus Macaé
187. FEMAS Campus Macaé
188. UFF Campus Praia Vermelha
189. IFPI Campus Picos
RIO GRANDE DO NORTE
190. UFRN Natal
191. UFRN Currais Novos
192. UERN Campus Pau dos Ferros
193. UFRN Campus Santa Cruz
194. UFRN Caicó
195. UERN Reitoria
196. UERN Campus Assu
RIO GRANDE DO SUL
197. UFPEL Pelotas
198. FURG Rio Grande
199. UFRGS Litoral Norte
200. FURG Campus São Lourenço do Sul
201. FURG Campus Santo Antonio da Patrulha
202. UFRGS Porto Alegre
203. UFFS Erechim
204. UFSM
205. PUC Campus Famecos
206. UERGS Campus Litoral Norte
207. UFRGS Campus CECLIMAR/IB/UFRGS Imbé
208. FURG Campus Santa Vitória do Palmar
RORAIMA
209. UFRR Instituto Insikiran
SANTA CATARINA
210. UDESC Florianopolis
211. UFFS Chapecó
212. UFSC Campus Trindade
213. UFSC Centro de Ciências Biológicas
SÃO PAULO
214. UNIFESP Santos
215. UNIFESP Guarulhos
216. UFSCAR Campus Lagoa do Sino
SERGIPE
217. UFS Aracajú
218. UFS Campus Itabaiana
TOCANTINS
219. UFT Palmas
220. UFT Campus Porto Nacional
221. UFT Campus Tocantinópolis
222. UFT Campus Araguaína
223. UFT Campus Arraias
224. UFT Campus Miracema
fonte UNE




